Sábado, 30 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - Fala do homem nascido, de António Gedeão

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

FALA DO HOMEM NASCIDO

StarStaX_2015 - Astrofotogtafia - Berrande (Galiza-Espanha)

 

Venho da terra assombrada

do ventre de minha mãe

não pretendo roubar nada

nem fazer mal a ninguém


Só quero o que me é devido

por me trazerem aqui

que eu nem sequer fui ouvido

no acto de que nasci

Trago boca pra comer

e olhos pra desejar

tenho pressa de viver

que a vida é água a correr


Venho do fundo do tempo

não tenho tempo a perder

minha barca aparelhada

solta rumo ao norte

meu desejo é passaporte

para a fronteira fechada


Não há ventos que não prestem

nem marés que não convenham

nem forças que me molestem

correntes que me detenham


Quero eu e a natureza

que a natureza sou eu

e as forças da natureza

nunca ninguém as venceu


Com licença com licença

que a barca se fez ao mar

não há poder que me vença

mesmo morto hei-de passar

com licença com licença

com rumo à estrela polar

 

In Teatro do Mundo, 1958
António Gedeão - (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho)
(24/11/1906 - 19/02/1997)


publicado por andanhos às 12:31
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - Fernão de Magalhães, de Miguel Torga

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

FERNÃO DE MAGALHÃES

“O Alma-Grande”, óleo sobre tela, 130 x 97 cm - Jorge Marinho - TM_blogue_02147

(“O Alma-Grande”, óleo sobre tela, do pintor sabrosense, Jorge Marinho)

 


Fernão de Magalhães da Ibéria toda,
Alma de tojo arnal sobre uma fraga
A namorar a terra em corpo inteiro,
Consciência do fim no fim da boda,
Fernão de Magalhães que andaste à roda
De quanto Portugal sonhou primeiro:

 

 

Ter um destino é não ter berço
Onde o corpo nasceu,
É transportar as fronteiras uma a uma
E morrer sem nenhuma,
Às lançadas à bruma,
A cuidar que a ilusão é que venceu.


Miguel Torga in Antologia Poética


publicado por andanhos às 12:06
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Palavras Soltas... O mundo do fotojornalista Steve McCurry em exposição na Alfândega do Porto

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

O MUNDO DO FOTOJORNALISTA STEVE McCURRY

EM EXPOSIÇÃO NA ALFÂNDEGA DO PORTO

 

Conhecíamos de nome este fotojornalista por uma famosa foto saída na revista «National Geographic».

 

Lemos, da autoria de Dora Mota, no sítio da internet  Evasões, a 13 de outubro de 2017, a seguinte notícia:


A Alfândega do Porto recebe, a partir de 14 de outubro, a exposição "The World of Steve McCurry", com mais de 200 fotografias da autoria do famoso fotógrafo norte-americano. Desvendamos alguns dos segredos.
Mais de 200 fotografias do fotógrafo norte-americano Steve McCurry vão estar em exposição na Alfândega do Porto a partir de amanhã e até ao último dia do ano, numa mostra retrospetiva inédita em Portugal. Nesta exposição “The World of Steve McCurry” pode-se ver imagens e vídeos da primeira reportagem no Afeganistão, há mais de 30 anos, até imagens das expedições e reportagens mais recentes do fotógrafo, com muitas imagens daquele país, da Índia e do Sudoeste Asiático, África e ainda Brasil e Estados Unidos.
Há fotos de conflitos marcantes como o do Afeganistão, da Guerra do Golfo, do 11 de setembro em Nova Iorque, do Japão a seguir ao tsunami e ainda retratos do quotidiano de diferentes lugares do mundo, que podem mostrar quão diferente pode ser cada lugar… ou tão igual, com crianças a brincar. Há, todavia, algumas imagens que podem enganar quem vive neste lado do mundo – pode parecer que uma criança que dá a mão a familiares está a fugir de uma tragédia quando, na verdade, é só um menino muito aborrecido numa festa (…).
Com curadoria da italiana Biba Giaccheti, que trabalha com o fotógrafo há vinte anos, sendo produtora de várias dos seus trabalhos, esta mostra terá, no Porto, uma configuração diferente dos outros lugares por onde já passou, nomeadamente Itália (onde teve mais de um milhão de visitantes no espaço de um ano) e Bruxelas. Em todas as paragens, a exposição é desenhada de acordo com a sala, mantendo o mesmo princípio: uma viagem intimista ao universo do fotógrafo que publicou mais de 30 livros de fotografia, com fotografias que convidam o visitante a criar o seu percurso de acordo com as suas emoções.
«O princípio é que toda a gente deva estar livre para caminhar dentro da exposição da maneira que quiser, não há uma tour específica. Por isso fizemos esta espécie de labirinto dentro do qual há duas exposições a decorrer», explicou Biba Giachetti, durante a montagem da mostra. As imagens vão estar colocadas em estruturas suspensas, de costas uma para as outras, de maneira que uma imagem enternecedora pode ter por trás dela uma imagem perturbadora.
Há ainda uma pequena secção dedicada à primeira reportagem de McCurry no Afeganistão, com uma coleção a preto e branco.
Mesmo assim, há uma organização formal mínima, com uma espécie de praça central a agregar o percurso – aí, encontram-se cinquenta das mais famosas fotografias de Steve McCurry, aquelas que deram capas de revista ou de livros, sendo possível utilizar um audioguia para escutar o autor falar de cada uma delas, no original inglês ou na tradução em português.
Em redor, pode-se circular por coleções de fotografias, uma delas mais dedicada a retratos, outra a fotos de guerras e desastres, outras de paisagens e espiritualidade (que inclui as séries sobre monges e templos budistas) ou ainda de retratos que evocam realidades sociais específicas, como a condição feminina e o drama doa refugiados.

Há ainda uma pequena secção dedicada à primeira reportagem de McCurry no Afeganistão, com uma coleção a preto e branco e ainda um vídeo, para ver numa zona mais confinada. O autor recebeu vários prémios de fotografia, incluindo a Medalha de Ouro Robert Capa, o «National Press Photographers Award» e quatro primeiros prémios no concurso «World Press Photo»”.

 

Não resistimos e fomos ver.

 

A não perder, mesmo. Até porque faltam já poucos dias.

 

Deixamos à vossa visualização, entre outras, as fotos/icons que achamos mais emblemáticas deste fotojornalista americano – Steve McCurry, e que constam do catálogo da exposição.

01.- Menina Afegã, Sharbat Gula, Peshwar, Pakistan, 1984

Claro está, exibe-se, em primeiro lugar, aquela que é provavelmente a fotografia mais famosa de McCurry – a da Menina Afegã, de olhos verdes - Sharbat Gula, que foi capa da revista «National Geographic», em junho de 1985.

 

Diz o autor, a propósito desta rapariga afegã, foto tirada em 1984: “Soube que seria um retrato importante. Vi-o na profundidade dos seus olhos. Eram olhos que traduziam a tristeza do povo afegão, as condições penosas a que estavam submetidos nestes campos de refugiados. Tive apenas uns breves segundos. Depois de um minuto ou dois fugiu a correr e desapareceu. Foi assim que tirei provavelmente a mais importante fotografia da minha vida”.

Passados 18 anos sobre a foto da Menina Afegã, Steve McCurry (em 2002) decide ir procurá-la. E encontrou-a.

 

Na edição de abril de 2002, da «National Geographic», Steve conta toda a sua história. Sharba Gula – a Menina Afegã – vivia numa aldeia e tinha três filhas. Teve ainda uma quarta filha, mas morreu ainda bébé.

 

Estas duas fotografias da Menina Afegã são as mais conhecidas de Sharba Gula, tiradas por Steve McCurry.

02.- A Menina Afegã - 1985 e 2002

Este membro da tribo Kochi, de Srinagar, Kashmir, é o rosto da capa do catálogo da exposição.

03.- Membro da tribo Kochi, Srinagar, Kashmir, 1995

Quanto à sua barba, diz Steve, em conversa com Biba Giacchetti, curadora da exposição: “É comum os homens mais velhos tingirem as suas barbas com henna – o que as torna laranja”. Esta foto foi tirada em 1995.

 

A Guerra do Golfo não escapou a Steve McCurry. E este não ficou imune ao desastre ambiental, dos céus queimados por fogueiras de petróleo, enquanto os animais, os camelos, desesperados, procuram alguma coisa para comer, alguma coisa para beber.

04.- 605772

É uma das imagens preferidas de Steve, tirada no Rajastão, Índia, durante a estação das monções, em 1983. Apesar do primeiro instinto de Steve tenha sido proteger a câmara por causa das poeiras, percebeu que captar aquele grupo de mulheres era um momento que não se iria repetir.

05.- Rajasthan, India, 1983

Trata-se de uma fotografia clandestina, captada numa rua de Kabul, Afghanistan, tirada em 1992. O contraste do cenário e das mulheres afegãs não passou despercebido ao fotógrafo americano.

06.- Kabul, Afghanistan, 1992

 Herat, Afeganistão, 1992. Um bairro bombardeado 12 anos consecutivos pelas forças aéreas afegã e soviética. Aquela família, aquela fogueira, naquele cenário de destruição, foram como um sinal de que a reconstrução era possível.

07.- Herat, Afghanistan, 1992

Huan Province, China, 2004. Esta cena de jovens budistas foi tirada num mosteiro Shaolin. É um exercício do Oriente. Estes moços têm capacidades atléticas e acrobáticas incríveis.. Steve McCurry passou vários dias num mosteiro chinês e captou os exercícios dos jovens que conseguem caminhar nas paredes.

 

Diz Steve McCurry: “Fiquei fascinado com a leveza da sua performance, não me surpreenderia vê-lo num fime, na senda de Jackie Chan ou Bruce Lee!”

08.- Hunan Province, China, 2004

Diz Biba, no catálogo da exposição: “Esta fotografia tornou-se um fenómeno mundial logo após a sua publicação. Esteve na capa do «The Unguarded Moment» e é amada por colecionadores de todo o mundo”. Responde-lhe Steve: “Estive muito tempo neste sítio para capturar este momento preciso (…) Achei o ângulo visualmente interessante e esperei durante horas até que a pessoa certa me preenchesse o enquadramento. A corrida enérgica desta criança durou apenas uma fração de segundo. Tirei a foto e soube logo naquele momento que era por isso que tinha esperado”.

09.- Jodhpur, India, 2007

Esta mulher foi fotografada no Mali, perto de Timbuktu. É uma Tuareg, uma nómada. Trata-se de uma tribo peculiar, diz Steve, na medida em que as mulheres usam a face descoberta e os homens andam tapados, para se protegerem dos espíritos. Um caso único. São os célebres homens e mulheres azuis. Usam corantes naturais nos seus turbantes que são depois absorvidos pela pele dando reflexos azulados às faces, diz Steve.

10.- Mulher tuareg, nómada, Gao, Mali,1996

Esta imagem, de Weligma, Sri Lanka, foi tirada em 1995. Foi mostrada por todo o mundo e tornou estes pescadores famosos.

11.- Weligama, Sri Lanka, 1995

Sobre esta foto, tirada em Porbandar, India, em 1983, conta-nos Steve McCurry: “É uma história muito bonita e divertida. Estava em Porbandar, durante as monções, uma pequena vila indiana cidade-natal de Mahatma Ghandi. O rio transbordava e estava tudo alagado. Fotografei durante dias com água pelo peito. A situação era deveras dramática mas os indianos têm uma atitude incrível perante a vida. Reagem com ironia e raramente perdem a fé.

Este pobre alfaiate salvou o seu único bem: uma velha e ferrugenta máquina de coser. Alguém o avisou de que eu o estava a fotografar e, então, ele sorriu. Quando a foto apareceu na «National Geographic», surgiu a oportunidade de reencontrar o homem e oferecer-lhe uma máquina de coser novinha em folha. Foi, para mim, um enorme privilégio”.

12.- Porbandar, India, 1983

Como privilégio foi para nós apreciarmos a obra desta fotojornalista!

 

E, com muito gosto, em reportagem vídeo, aqui deixamos o nosso «olhar» sobre esta exposição.

 

A menina que dá cara ao vídeo chama-se Shakti. Diz Steve, que tirou a foto em Rajasthan, India, em 2009, e que Shaktirevela claramente o orgulho na independência que sentem os nómadas”.

 

ALFÂNDEGA DO PORTO – UM OLHAR SOBRE A EXPOSIÇÃO DO FOTOJORNALISTA STEVE McCURRY

 

 

nona


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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Reino Maravilhoso - Douro:- Eis o altar (Barqueiros)

 

 

REINO MARAVILHOSO - DOURO

 

EIS O ALTAR (BARQUEIROS)

 


É bem certo que Natal é (deve ser) todos os dias.

 

Mas nada impede que, nesta ocasião, se celebre. Questões históricas e de natureza cultural assim o ditaram.

E, cada um a seu jeito, vai na “onda”.

 

A nossa – e ainda dizem que a idade não conta! – vai na das recordações e memórias. Vêm mais insistentemente as lembranças: dos que partiram e fizeram parte das nossas vidas; dos que ainda cá andam, mas, cujas vidas, se encarregou de os moldar de tal forma que, às vezes, até temos dificuldade em nos reconhecer, desde quando éramos crianças…

 

E, a propósito de crianças, recorrentemente vem-nos à mente o torrão onde nascemos.

 

Sim, é certo que amamos a terra que há mais de 50 anos nos acolheu. Mas, de paixão, o Douro, o “nosso” Douro não nos larga. Ali nascemos; ali passámos a nossa meninice; ali se quedaram a maioria dos nossos familiares e amigos de infância; ali tivemos o nosso primeiro amor; ali aprendemos a amar; e a sentir a dor da despedida…

 

Já há um bom par de anos que lemos a obra de um grande sociólogo italiano – Alberto Alberoni - «Enamoramento e Amor». Embora o livro se reporte às relações humanas, nada impede que transportemos o seu conteúdo para outros ambientes e contextos: o da relação do Homem com o seu “terrunho”.

 

Na verdade, é bem certo que amamos, no nosso Reino Maravilhoso do Alto Tâmega e Barroso, a cidade de Chaves, onde, no final de contas, acabámos por fazer vida. Mas, de paixão, de enamoramento, é o “nosso” Douro que nos transporta para outros mundos, nunca aqui vividos e onde, recorrentemente vamos carregar baterias para prosseguir nas sendas do caminho da vida. É como a terra e a nossa pele fossem feitas do mesmo material!...


E pronto, aqui fica, por hoje o nosso desabafo, suscitado pelo poema que abaixo transcrevemos e que explicitamente se refere a Barqueiros, do nosso concelho de nascença – Mesão-Frio – e onde o Alto Douro Vinhateiro, hoje Património da Humanidade, começa.

 

Aqui fica também a foto ali tirada e a promessa de que um dia ainda havemos de aqui postar o 1º marco de Feitoria que delimitou o início do reino do nosso país vinhateiro – o do Vinho Generoso ou Fino – que, do Porto, saiu para as quatro partidas do mundo, principalmente para a nossa “querida aliada”, a Inglaterra.

 

E quanto suor e lágrimas os durienses verteram ao construírem este maravilhoso jardim suspenso!

 

E quão poucos retiram os devidos proventos deste precioso néctar!

 

2017.- Pelo Douro no outono II (119)

 

EIS O ALTAR

 

- “Barqueiros à vista” – grita o Arrais.
homogéneas margens
interrompem ruídos, e,
silêncios escutam
repetidas orações
gravadas na pedra,
os olhares curvam-se
e a Senhora da Guia sorri,
a voz serena reflecte-se
no ondular
de onde vem a mensagem:
Eis a Ara – Alto Douro é o templo
a eucaristia vai começar
Oremos.

óleo eis o altar

[Poema de j. braga-amaral
Óleo, manipulado pelo autor,
de odete marítia, da obra
na pele do rio – óleos sobre poesia]


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Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - A João de Araújo Correia

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

A JOÃO DE ARAÚJO CORREIA

 

2017.- Régua (Julho) (4)

Neste chão, feito barco,
Aqui sentado,
Nas ondas destes vinhedos,
Sonhavas, descansado.

 

Aqui,
Diante desta paisagem,
Vieste buscar inspiração.
E, neste mar calmo,de mansidão,
Encontraste os fios do tecido
Com que cerziste, entertecido,

A alma das gentes durienses.

2017.- Régua (Julho) (9)


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Sábado, 9 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - S. Leonardo de Galafura

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

SÃO LEONARDO DE GALAFURA

2017.- Rota do Douro (Nikon) (463)

O passear sobre a água

continua-se sobre o pó de xisto;
a poalha do tempo humedece-nos a alma,
aquece-se o espírito;
espera-nos uma casinha de orar,
uma miniatura de fé
caiada de pensamentos;
aí mora Leonardo, santo
e guardador de sonhos;
a se lado os sentidos param
para perceber,
enquanto a alma dilata
e a pele se encolhe tocada pelo olhar
da serpente que desliza
por entre mantas de retalhos
- é o observatório do paraíso.


poema de j.braga-amaral

In - na pele do rio 

2017.- Rota do Douro (Nikon) (438)


publicado por andanhos às 11:58
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Reino Maravilhoso - Douro:- Uma visita relâmpago às "Raízes"

 

 

REINO MARAVILHOSO – DOURO

 

UMA VISITA RELÂMPAGO ÀS “RAÍZES”

 

 

00.- Mesão Frio - Santo André - Genérico

 No passado sábado descemos ao sul do nosso Reino Maravilhoso. Visitar familiares e amigos. Matar saudades. Carregar baterias. Enfim… deambular ao acaso pelo “nosso Douro que tão entranhadamente está em nós.

 

Recorrentemente o visitamos, calcorreamos e percorremo-lo numa espécie de «via crucis» ou promessa a cumprir. De um filho pródigo que, há mais de 50 anos, abalou daquele lindo torrão, que lhe lembra uma infância curta, mas feliz.

 

Dividido o seu coração entre Santa Maria de Oliveira e S. Pedro de Loureiro, freguesias repartidas por dois concelhos – Mesão-Frio e Peso da Régua, respetivamente – na contabilidade das visitas fica a ganhar a terra de nossa falecida mãe – S. Pedro de Loureiro e a sua sede de concelho.

 

Santa Maria de Oliveira, de quem temos ali até mais parentes e amigos – terra de nosso falecido pai – tem sido a parente pobre da nossa companhia e presença das nossas visitas, apesar de ser rara a vez de, quando abalamos de volta para as terras mais a norte, não deixarmos de a ir espreitar e, logo à entrada, desde a Quinta e Casa das Torres, olharmos e contemplarmos a sua silhueta na paisagem, com o seu casario e a Fraga da Ermida, toda omnipotente e impondo-se na serra do Marão. E que saudades temos desta protetora Fraga! E quanto nos faz lembrar Teixeira de Pascoaes e a sua obra «Maranus»!

 

Deixemos agora as tiradas de um velho que, em começando conversa, regressa ao passado e está horas e horas lembrando vidas e peripécias de outros tempos…

Vamos ao que hoje nos trouxe aqui. Falemos do tempo presente.

 

E contemos a nossa incursão nas terras que nos viu nascer, mais propriamente na sede do nosso concelho natal.

 

Íamos com destino à Régua. Concretamente a S. Pedro de Loureiro. Uma chamada para o amigo Zé Cândido fez-nos infletir a nossa marcha. Ou seja, passámos pela Régua como cão por uma vinha vindimada e prosseguimos até Mesão-Frio.

 

O pretexto é que era a ancestral Feira Anual de Santo André. Ver em fim de tarde a Feira e todo o seu movimento, era o pretexto da visita. E já há anos que não frequentávamos a Feira Anual de Santo André! Mas apenas apanhámos os restos. O seu ponto alto foi dia 30 de novembro, Dia do Município.

 

Os amigos Marco, e sua filha, Ana, o Pedro e o Zé Cândido foram os nossos companheiros e cicerones.

01.- 2017.- Pelo Douro no outono II (52)

Estacionámos o carro e embrenhamo-nos logo por entre as barracas.

 

No final de contas, trata-se de uma Feira como muitas outras por esse Portugal fora, com mais ou menos barracas, com mais ou menos gente e movimento. Em fim de tarde, com sol posto e o frio a apertar, não havia muita gente, não.

 

Normalmente associamos a Feira Anual de Santo André a irmos lá comprar ou uma samarra ou um capote. Nos tempos da globalização e da informação “just in time”, os preços, face à qualidade, são iguais por todo o lado. Pelo menos de norte a sul do nosso Reino Maravilhoso.

 

Deixámos, por isso, as samarras e os capotes e fomos, lentamente, desde a Igreja de São Nicolau e do edifício da Santa Casa da Misericórdia até ao centro da Vila. Toda repleta de barracas, dos mais variados produtos, que pouco entusiasmo nos suscitaram, mesmo em termos de curiosidade.

 

Os produtos e o artesanato mudam pouco ou quase nada. As especificidades locais estão em vias de extinção. Tudo se está submetendo a homogeneização!...

 

Apenas uma banca nos chamos a atenção – a que expunha o bacalhau.

02.- 2017.- Pelo Douro no outono II (33)

Não pela sua excecional qualidade, mas por nos fazer lembrar que o Natal se está aproximando, e que, na nossa mesa, este fiel amigo, não pode faltar!

 

A páginas tantas, parámos todos. Nas proximidades do Convento de S. Francisco todo atropilhado de barracas, não nos deixando ver esta “jóia”, e junto à bonita pérgula da Vila, que dá para a Zona de Lazer e para a paisagens dos vinhedos, nas suas confluências, estava um palco montado – o palco das exibições “artísticas”.

 

Estava atuando um rancho folclórico.

 

Aproximámo-nos.

 

Tratava-se do Rancho Folclórico de Santa Maria de Adaúfe, de Vieira do Minho.

03.- 2017.- Pelo Douro no outono II (30)

Parámos para ver a atuação.


E, de imediato, nossos olhos se fixaram nesta pequena e linda bailarina.

04.- 2017.- Pelo Douro no outono II (10)

Veja-se a sua concentração.

05.- 2017.- Pelo Douro no outono II (8)

E como ela bem dança ao ritmo do par que até podia ser seu avô!

06.- 2017.- Pelo Douro no outono II (17)

Positivamente este momento foi um dos pontos mais altos da nossa incursão pelas nossas “Raízes”. Momento de verdadeiro enlevo, lembrando-nos a nossa infância e todos os garotos que, lá para trás, deixámos… e outros que já se foram...

 

Mas uma Festa e Feira também se faz de «comes e bebes».

 

Nestas andanças de petiscos, o “expert” é o nosso amigo Zé Cândido que nos fez atravessar a rua principal,

07.- 2017.- Pelo Douro no outono II (41)

típica, com a sua iluminação pública,

08.- 2017.- Pelo Douro no outono II (42)

de uma Vila que remonta aos tempos medievos, e flagelada no tempo das Invasões Francesas,

09.- 2017.- Pelo Douro no outono II (38)

deixando feridas irreparáveis na sua antiga Igreja e na sua Torre (em reparação),

10.- 2017.- Pelo Douro no outono II (61)

com casas senhoriais e verdadeiramente ao gosto da arquitetura duriense.

11.- 2017.- Pelo Douro no outono II (45)

Passámos pelo antigo símbolo do Poder e da Justiça – o seu bonito Pelourinho,

12.- 017.- Pelo Douro no outono II (60)

mesmo bem junto a um outro símbolo bem mais coetâneo – a Casa da Cultura.

13.- 2017.- Pelo Douro no outono II (59)

Até que entrámos num dos restaurantes, no cimo da Vila.

 

Lá dentro, nosso olhar se fixou logo no balcão. Em terra de (bom) vinho, o dono do «Restaurante Convívio» não tem mãos a medir a servir copos.

14.- 2017.- Pelo Douro no outono II (65)

Estávamos atidos a ir comer o célebre «basulaque». 

 

Infelizmente foi comida que se esgotou logo pela manhã. Nem uma boa peça de «marrã» encontrámos!

 

Tivemos que nos contentar com um pequeno prato de rojões, cada…

15.- Pelo Douro no outono II

Verdadeiramente o que nos “consolou” foi o espetáculo das concertinas.

 

Fixemo-nos neste primeiro "quadro".

16.- 2017.- Pelo Douro no outono II (64)

Reparemos neste senhor da concertina, de uma Associação de Baião. Com um instrumento “made in Itália”, mas pejado com incrustações levando o escudo português, que recordações lhes suscita a música que toca?...

 

Analisemos agora este segundo "quadro".

17.- 2017.- Pelo Douro no outono II (74)

São concertinas vermelhas – sangue de paixão ou adeptos do Benfica? Deixemos a resposta para outra altura.

 

Reparemos bem no “quadro”.

 

Temos um instrumentista sonhando com a música que toca; o outro, olhando para o “mirone”, de seu nome Zé Cândido, tristonho, quiçá por alguém que de manhã teve de se despedir…

 

Enfim, o tempo foi passando e como bem diz o ditado, merenda feita, companhia desfeita.

 

Saímos do restaurante.

 

Observámos a iluminação natalícia, minimalista.

18.- 2017.- Pelo Douro no outono II (91)

Como a adolescente Ana não tivesse comido nada e, estando atida às guloseimas, lá teve o pai de ir a uma barraca de farturas…

18a.- 2017.- Pelo Douro no outono II (87)

Mas, o que não consegue uma filha de seu pai?!

 

Ana, ao cair do pano da Feira, acabou por convencer o pai a comprar -lhe “umas coisitas” que, na Rede, exibiu aos avós quando, aqui, nos largou e foi ao encontro deles.

 

Deixámos finalmente Mesão-Frio e a sua bonita pérgula, já coberta da escuridão da noite e apenas com a luz fraca da iluminação pública.

19.- 2017.- Pelo Douro no outono II (89)

Feita uma “paragem técnica” na Rede, perto das 19 horas.

20.- DSCF4511

Esperámos um pouco num bar, enquanto chegava o comboio, vindo da Régua,

21.- DSCF4468

à estação.

22.- DSCF4526

Esperou-se um pouco, até que chegasse o outro, vindo do Porto, para aqui se cruzarem.

23.- DSCF4534

Antes de rumámos à Régua, tirámos uma foto aos três “mosqueteiros”.

24.- DSCF4553

E pedimos ao senhor do bar, um velho conhecido dos três, para tirar uma foto com o quarto, o D’Artagnan.

25.- DSCF4562

Largámos a “carga” que levávamos, na Régua, e dirigimo-nos para a Quinta da Santa, onde iríamos pernoitar.

 

Mas, chegados ao Miradouro que leva o nosso nome, embora de santo tenhamos pouco, não resistimos a tirar uma foto à última super-lua deste ano de 2017.

26.-2017.- Pelo Douro no outono II (107)

E, como não podia deixar de ser, à cidade da Régua.

27.- 2017.- Pelo Douro no outono II (115)

Não demorámos aqui muito tempo. Fazia um frio de rachar. Depressa chegámos a “penates”, onde, à lareira, nos esperavam os nossos familiares.

 

Uma noite de sono repousante, embora o frio nos incomodasse na nossa calva cabeça…

28.- 2017.- Pelo Douro no outono II (50)


publicado por andanhos às 15:17
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