Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Versejando com imagem - Torga no Miradouro de S. Leonardo de Galafura

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MIGUEL TORGA NO MIRADOURO DE SÃO LEONARDO DE GALAFURA

 

 

Daqui o Adolfo Correia da Rocha viu:

2017.- Rota do Douro (Nikon) (460)

E depois o poeta Torga escreveu:

2017.- Rota do Douro (Nikon) (434)

(Poema aposto no alçado posterior da capela de S. Leonardo, Miradouro de Galafura)


publicado por andanhos às 19:00
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Por terras de Portugal - Aldeias de Portugal - Quintandona

 

 

POR TERRAS DE PORTUGAL - ALDEIAS DE PORTUGAL

 

QUINTANDONA – ALDEIA RURAL PRESERVADA

 

 

Quando falamos de aldeias rurais preservadas, o nosso imaginário remete muitas vezes para um Portugal atemporal, em que as formas de viver se repetiam ao longo de gerações, modelo arcádico de harmonia social, felicidade e equilíbrio com a natureza sobre o qual se foi construindo uma certa identidade nacional. Essa ficção pode ser procurada em Quintandona, alimento da nostalgia do visitante urbano ou expatriado, mas não é esse o caminho que seguimos.


O exercício para que o convidamos é o de observar o território e o edificado, de contactar com os residentes e acompanhar a sua memória vivida. Por isso, apesar de nas padieiras da entrada das casas ou no cruzeiro lermos datas que remontam ao século XVIII, ou de vermos em uso tecnologias e práticas que nos parecem distantes, o nosso tempo histórico de referência será sempre o século XX.

 

Teresa Soeiro
«Quintandona – As muitas vidas de uma aldeia»

01.- Penafiel - Quintandona (45)

Ficámos de, no post anterior, da autoria de nona, apresentar a aldeia rural preservada, do concelho de Penafiel – Quintandona.

 

Quando visitámos esta aldeia, no seu Centro Interpretativo,

01a.- Penafiel - Quintandona (21)

(Centro Interpretativo - Perspetiva interior)

 logo à entrada,

01b.- Penafiel - Quintandona (34)

(Centro Interpretativo - Perspetiva I do exterior)

33a.- Penafiel - Quintandona (319)

(Centro Interpretativo - Perspetiva II do exterior)

 

 adquirimos a obra «Quintandona – As muitas vidas de uma aldeia», de Teresa Soeiro.

 

Apesar de nos termos integrado num grupo de franceses, e sendo devidamente informados por dois guias, entre eles, esta simpática menina,

01c.- Penafiel - Quintandona (52)

não vamos nós falar de Quintandona nem, tão pouco, tentar relembrar as palavras dos respetivos guias, enquanto procediam connosco à visita.

 

Vamos tomar e reproduzir alguns parágrafos de Teresa Soeiro na sua obra acima citada, tecendo, depois no final, uma breve reflexão da nossa lavra quanto ao modo como hoje em dia vemos as aldeias rurais, incluindo Quintandona, na sua função e valência turística.

 

 

1.- O sítio

 

O espaço onde se instalou a aldeia de Quintandona pertence à mancha de xistos silúricos, limiar este do complexo xisto-grauváquico das serras de Valongo, aqui representado pela serra de Santo Antonino. Em frente estão os granitos porfiroides que dominam a freguesia de Lagares e o planalto de Mozinho. Todo o edificado da aldeia recorreu à pedra local (xisto), que combinou sabiamente com elementos estruturais em granito.

 

Casas e campos aproveitam as terras baixas (120-150m) do que poderia ter sido um antigo vale fluvial abandonado que daria passagem à ribeira de Lagares na sua aproximação ao rio Sousa, onde desaguava. Esta ribeira há muito tomou novo curso, correndo por aqui apenas uma pequena linha de água no sopé da serra, o ribeiro de Quintandona, para jusante conhecido como ribeiro do Outeiro, aproveitando para tocar alguns moinhos (…).

02.- PTP - Quintandona (3)

 (Fonte:- Teresa Soeiro, op. cit.)

Quintandona é um dos treze lugares da freguesia de Lagares, o mais a noroeste, limite do município de Penafiel na confrontação com o de Paredes, freguesia de Sobreira, em pleno vale do rio Sousa (…).


Por sua vez, a freguesia de Lagares era uma das trinta e oito e formavam o município de Penafiel. Aliás, já integrava a Terra e Julgado de Penafiel na Idade Média (…). Na recente reforma do mapa das freguesias, feita em 2013, Lagares ficou agrupada com Figueira, contígua a sudeste (…).

03.- PTP - Quintandona (2)

(Fonte:- Teresa Soeiro, op. cit.)

 

 


2.- Breve memória histórica

 

(…) a aldeia de Quintandona existe há mais de nove séculos, tendo o seu território uma ocupação continuada e, podemos dizer, intensa, pois são catorze os casais já em meados do século XIII, quando D. Afonso III mandou fazer as inquirições por todo o reino.


Também devemos recordar que a serra de Santo Antonino, por detrás da aldeia, que hoje nos parece algo agreste, foi outrora percorrida por viandantes e utilizada por lavradores e pastores (…).

 

Para quem olhava a paisagem envolvente a partir do centro da freguesia, ou da estrada, a marca distintiva de Quintandona seria estar encostada à serra de Santo Antonino: «Ao pé da mesma serra della está o lugar de Quintandoniga desta freguesia e de Casconha e Santa Comba da freguesia da Sobreira que todas três ficam ao longo della». Esta posição fazia com que partilhassem os recursos que a serra oferecia não só com outros lugares da freguesia ou do concelho, mas antes com as aldeias da vertente oposta, pertencentes a Sobreira, município de Paredes (…).

 

 

3.- Uma aldeia com as de antes

 

(…) Cada casa, na busca da máxima autarcia, procurava dispor de parcelas nos diferentes tipos de terreno [serra, monte, lameiro ou horta] bem como de gado de trabalho para as lavrar e puxar o carro. Este é um padrão de propriedade bem conhecido e dominante no Entre -Douro-e-Minho.

3.1.- O lugar

(…) Saímos da estrada asfaltada e percorremos o velho caminho, agora alargado e pavimentado, em que de ambos os lados vinham entestar os campos. Passamos a portalada das primeiras casas de lavoura, isoladas no Souto, já de construção de xisto e granito, e seguimos até deparar com o entroncamento onde o cruzeiro marca a bifurcação dos acessos ao velho lugar de Quintandona e para Casconha (Sobrteira), pelos campos de Valverde.

04.- Google Earth - Quintandona - A aldeia

Aqui começa o edificado (…).


O cruzeiro foi erguido em 1767. Repousa sobre uma plataforma quadrangular de um degrau simples embebido no terreno, seguido por outros dois com remate boleado saliente, no centro dos quais assenta a base prismática, muito lavrada, que ostenta na face sul, voltada ao caminho geral de acesso, a inscrição esmola e, por baixo desta, um rebaixamento com dois espigões de ferro cravados que parece ter sido o encaixe para fixar uma caixa de esmolas, de que ninguém se lembra (…).

05.- Penafiel - Quintandona (46)

Também para este largo se volta a capela de S. João Batista e Nossa Senhora da Conceição, particular, instituída em 1791 pelo alferes José Rodrigues Barbosa e Cruz, senhor da Casa da Cruz, em cuja padieira das portas fronhas se lê a data de 1759. Trata-se de um pequeno templo de sabor classicizante, inserido no volume de construções hoje adjetivas, mas que já devem ter sido de habitação tendo em vista a qualidade de alguns elementos como a cornija e os cunhais em pilastra, todos de granito e únicos no lugar. É pelo andar de sobrado desta casa que se tem acesso ao coro da capela, enquanto pelo piso térreo se chega à porta lateral, por certo para serviço da família e dos criados, respetivamente (…).

06.- Penafiel - Quintandona (312)

A capela apresenta planta retangular, foi construída integralmente em cantaria de granito, com grandes silhares regulares nas fiadas inferiores, sendo os alçados frontal e posterior destinados a levar reboco. Volta para a via públicas a fachada, onde se pode ver um vão simples de porta com a verga reta, a que se sobrepõe um frontão interrompido de desenho triangular e, no mesmo eixo, um pequeno nicho já no pseudo frontão definido pelo ático, sobre o qual se apoia a cruz que coroa a empena. Pilastras com cornija desenvolvida e ressaltada fazem os quatro cunhais, rematados superiormente por pináculos com finalização piramidal.


Ao interior acede-se a partir da rua, mas também por uma porta lateral ao nível do piso térreo e ao coro pelo andar. Frente à porta está o altar, em nicho de pedra com arco de volta perfeita suportado por pilastras próximas à ordem toscana. A parede rebocada tem lambril pintado com enxaquetado, o teto era forrado a madeira, abobadado e pintado a azul celeste, com pequenas estrelas, representando o firmamento. O coro apoia-se em mísulas de pedra que suportam os fortes barrotes, sendo que o de diante já esteve coberto por pintura marmoreada, onde vem rematar o forro convexo, também ele com abóbada celeste. Tem mesa de altar em madeira, com o frontal estofado. Imagens de madeira, certamente as primitivas, representavam Nossa Senhora da Conceição, S. João Batista e S. José. Uma pequena pia de água benta fica perto da entrada principal, embutida na parede.


Junto da casa e capela encontra-se uma fonte, com epígrafe que a data de 1774, hoje integrada num tanque/lavadouro. Apresenta dois blocos de granito simétricos a formar o espaldar, decorado com aletas a que falta certamente uma outra pedra menor com a terminação espiralada. Ao centro vemos uma carranca, que na reutilização atual deita a água por um olho, quando a bica deveria originalmente corresponder à boca. Estará ainda em falta o remate superior do conjunto e a taça onde cairia a água.

07.- Penafiel - Quintandona (66)

3.2.- A casa de habitação

A partir daqui e ao longo da rua distribuem-se as casas, todas elas unidades complexas, com área de habitação e vários anexos agrícolas, preferencialmente organizados em redor de um pátio que comunica com o exterior através das portas fronhas, suficientemente amplas para deixar passar um carro de bois carregado.


Como é próprio da região, a área de residência não tem acesso direto a partir da rua, mas através deste pátio. Cada unidade – casa pátio – é assim composta por blocos de distinta funcionalidade, articulados pelo pátio. Apreciável é a sua plasticidade, capacidade de se adaptar aos ciclos de vida da família, ora acrescentando áreas de habitação, com ampliações e reafectações, ora convertendo-se em anexos.


Neste modelo de casa-pátio, podemos dizer que as portas fronhas dão passagem para uma primeira área coberta – o beiral – sob os fortes barrotes e soalho do piso superior, onde se guardavam alfaias, apeiros para atrelar o gado e o próprio carro de bois (…).


De seguida passa-se ao quinteiro, pátio aberto que tem em seu redor as lojas de arrumação. Nas quais se destaca a presença das caixas do grão (262X82X83cm para levar 50 alqueires), das salgadeira e respetivo fumeiro, das réstias de cebolas, a loja onde fica o lagar do vinho, a adega, as cortes do gado e a pocilga (…).


Neste mesmo pátio, ao nível térreo e na sequência das demais construções, encontramos a cozinha. É também daqui que arranca a escadaria que leva ao sobrado (…).

08.- PTP - Quintandona (1)

(Fonte:- Teresa Soeiro, op.cit.)

 (…) A cozinha, fundamental no desenrolar da vida quotidiana, inseria-se no pátio, em compartimento independente. Retangular e grande se comparada com outros espaços de habitação, teria como única abertura a porta (…).


Porque a cozinha não possuía chaminé, o fumo permanecia no interior, escapando apenas pela porta e interstícios das paredes e cobertura, [assente sobre armação simples de madeira, sem forro, apenas com telha vã. Em tempos anteriores foi de colmo, palha centeia fácil de incendiar, o que gerou uma medida preventiva característica desta zona, [a péloga], o que deixava o ar pesado e as superfícies e o mobiliário completamente negros, cobertos de fuligem e cinzas. Nesta área onde se fazia o fogo agrupam-se a lareira, o(s) forno(s) e mais raramente a caldeira da água (…).

 

Ladeavam a lareira bancos corridos simples e de espaldar, assentos para as pessoas se acomodarem junto ao fogo. As crianças de as mulheres usavam pequenos bancos baixos, ou mochos, individuais e de madeira e carriças feitas pela sobreposição de placas de cortiça.

09.- Penafiel - Quintandona (255)

Sobre a lareira cozinhava-se sobretudo em potes de ferro de três pés, um produto oitocentista da indústria de fundição que nesta região destronou a olaria. De barro são as chocolateiras ou cafeteiras do café (realmente cevada, chicória e outras misturas) e os alguidares e as assadeiras de forno (…).

10.- Penafiel - Quintandona (246)

A autonomia da casa estava também representada pelo forno onde se cozia o pão, preparado com cereal cultivado e farinado pelos próprios. Podia existir apenas um, de dimensões proporcionais à riqueza, ou serem dois, de diferente tamanho. O maior, com cerca de 1 m de diâmetro interior e capacidade para dez broas, cozia a fornada semanal para a família e os criados; no mais pequeno supriam-se as falhas de pão e preparavam-se os assados de carne, metia-se a pingadeira do arroz e a assadeira da sopa seca. São estruturas assentes em blocos de granito ou embasamento de xisto, com um vão ao centro, por exemplo para arrumar lenha, que suportam a grande pedra circular que faz o lastro (…).

11.- Penafiel - Quintandona (256)

Para o sobrado subia-se por uma escadaria de pedra (…). Neste piso vemos a sala de receber, aposento soalhado e com teto de masseira ou forro. (…) Não se usava no dia-a-dia, abrindo-se em ocasiões especiais, para receber o compasso pascal ou fazer um velório.

 

Para a sala voltam-se as alcovas, pequenos quartos de dormir fechados por porta ou apenas cortina, onde mal cabe o leito, que por isso cede lugar a um enxergão colocado sobre bancos corridos. Neste piso superior ficam outros quartos e salas se os houver, com aquele que se montava o tear, quando não estava num canto da cozinha. Escusado será dizer que a higiene não tinha espaço próprio, na melhor das hipóteses limitava-se a uma latrina de madeira que descarregava para as cortes, com ou sem nitreira.

 

Na construção usou-se alvenaria de xisto, placas tabulares de pedra local colocadas na horizontal, em seco ou ligadas por argamassas pobres. Vãos e cunhais estruturaram-se muitas vezes com blocos de granito amarelo, colocados alternadamente de testa e peito, de que resulta maior segurança e um belo efeito. Mas o granito torna-se sobretudo necessário nas padieiras largas das entradas exteriores e na definição dos vãos de janela, sendo que nas de peitoril se prolonga frequentemente à manira de avental. O contraste com o tom escuro do xisto parece, além do mais, ter sido apreciado como sinal de distinção, elemento decorativo e prestigiante. Foi também a pedra escolhida para ampliações, mesmo que em altura e sobre parede de xisto.

 

Alternativa ao granito, a aplicação de barrotes e tabuões de madeira nas vergas é igualmente funcional e vê-se bastante em vãos mais reduzidos e nas portas voltadas aos quinteiros, em alguns casos com uma laje de xisto saliente do paramento a protege-la, à maneira de beiral. Já ás pequenas janelas bastam lousas ou molduras de madeira.


Os alçados à face da rua são elevados, com orifícios de ventilação e raros postigos e frestas ao nível térreo, correspondente às lojas. A fenestração reserva-se para o andar superior, surgindo a pouca distância do beiral de lousa, saliente, que remata a parede. 

13.- Penafiel - Quintandona (163)

Estas aberturas nem sempre teriam estado protegidas com vidraças como hoje as vemos, mas apenas disporiam de portadas interiores. As mísulas que as ladeiam, umas vezes pedras lavradas para este fim, outras simples lousas salientes do paramento, podiam suportar elementos exteriores de clausura e, também, utilizadas para colocar as luminárias a que cada casa estava obrigada em determinadas ocasiões festivas.

12.- Penafiel - Quintandona (223)

O telhado do corpo principal há muito se apresenta efetivamente coberto de telha, embora haja quem se recorde de, cerca de meio século atrás, em algumas construções secundárias ser ainda aplicado o colmo.

 

Casa das Portas. Em frente a ela, a Casa da Cruz, datada na padieira das portas fronhas de 1759, teria apenas visíveis este elemento em granito e a cruz ressaltada, apresentando-se o paramento igualmente rebocado.

14.- Penafiel - Quintandona (45)

Duas casas fora do núcleo da aldeia: a Casa de Arques e a Casa de Valverde. 

15.- Penafiel - Quintandona (106)

(Perspetiva I)

16.- Penafiel - Quintandona (143)

(Perspetiva II)

17.- Penafiel - Quintandona (107)

(Perspetiva III)

18.- Penafiel - Quintandona (121)

(Perspetiva IV)

19.- Penafiel - Quintandona (135)

(Perspetiva V)

Trata-se de uma casa isolada, na extrema dos campos, mas em sentido oposto, parece obedecer a um planeamento ainda mais cuidado, que começa pela colocação de um portão junto da estrada a identificá-la com quinta e abrange a habitação e os anexos rurais. Estamos novamente perante paramentos regulares de granito, com boas janelas e cozinha térrea provida de grande chaminé. A data inscrita sobre as portas indica 1942. Como a Casa de Arques, pertence a Quintandona, mas não se assemelha às casas do centro antigo do lugar (…).

 

Hoje esta casa, com a designação de «Casa Valxisto» é utilizada para turismo de habitação, com o pomposo nome inglês de «country house».

3.3.- Anexos e equipamentos

(…) Em meados do século XVIII, nas Memórias Paroquiais ficou registado que o milhão ou maís, introduzido nas centúrias anteriores, era já o cereal dominante, embora ainda se produzisse centeio, milho-miúdo, trigo e painço, este relevante para a alimentação animal. Esta tendência irá sempre em crescendo, acabando por quase desaparecer tanto o trigo como o milho-miúdo, de que apesar de tudo resta memória como grão ideal para fazer papas e um pão muito fino que só se comia em dia de festa.


O centeio resistiu, pela sua condição de indispensável ao fabrico da broa, e é o representante desses cereais antigos que se debulhavam logo que colhidos, no pino do verão, sendo o grão imediatamente guardado em caixas de madeira e tulhas. O milho maís, de ciclo tardio, impôs a necessidade da eira de secagem, com a respetiva casa da eira ou palheiro para onde a espiga ou o grão era recolhido todas as noites. Trata-se também do único cereal que pode ser guardado em espiga, em local exposto ao sol, arejado, afastado do solo contra os roedores, o canastro.


Quintadona mostra uma interessante arquitetura adjetiva destinada ao cereal e a outras colheitas. As eiras de secagem ficam ao nível do solo e apresentam um empedrado de lousa delimitado por uma beira saliente, por vezes em granito. Junto delas encontra-se uma pequena casa da eira, térrea ou com dois pisos, arquitetura de xisto e granito, com beiras de lousa e cobertura de telha. A porta não é muito larga, por cima dela pode haver outro vão que facilita a movimentação direta das palhas, e as paredes têm buracos de ventilação.

20.- Penafiel - Quintandona (71)

O milho em espiga seguiria para o canastro, que aqui surge no modelo largo e quadrangular, de paredes aprumadas, peculiar de uma área dos municípios de Penafiel, Paredes e Gondar. A população designa-os por canastros, chamando espigueiro a cada um dos dois compartimentos interiores onde se colocam as espigas, separados pelo corredor central de acesso e ventilação, que apenas se enchia em ano de grande abundância (…). Acede-se ao canastro por escada amovível, sendo a porta central e de ripado (…).

 

Uma das dependências existentes nos quinteiros das casas rurais abriga o lagar, muito frequente, de dimensões ajustadas à exploração (…). A prensa tradicional compõe-se de um braço forte – o feixe – tronco de sobreiro ou outra madeira resistente, colocado por cima da linha média do lagar, com um dos topos embutido na parede, girando sobre um eixo de madeira que passa em duas argolas abertas em pedras, também elas fortemente presas à parede (…).

21a.- Penafiel - Quintandona (259a)

Entre as dependências construídas, apenas o moinho ficava mais afastado, fora da aldeia, a maioria deles implantados junto do ribeiro de Quintandona e nas levadas de rega”.

3.4.- Os campos

Neles se cultivava o milho, o centeio, o linho, a vinha…

22.- Penafiel - Quintandona (324)

3.5.- A gente

(…) O ideal de autarcia fazia convergir toda a família para a lavoura.

 

A escolarização (dos rapazes) foi neste lugar prístina, favorecida pela existência da escola privada da Casa da Lapa (…).

 

A rotina dos trabalhos do campo, diversificados nas tarefas a cumprir por cada um, tinha épocas de maior intensidade, outras de acalmia, mas sempre sem interrupção porque pelo menos os animais não poderiam passar fome. No verão os dias longos davam lugar à sesta, entre a comida e as três da tarde, descanso que desaparecia em setembro, por isso se cantava:


Senhora da Lapa
Nunca te hei-de rezar
Tiraste-me a merenda
E a hora de descansar.

 

Depois dos esforços mais violentos da lavra ou colheita, que eram experienciados com alegria, pois no final havia a perspetiva de música e baile (…).


(…) Por outro lado, também o calendário das festividades marcava o ano com interrupções no contínuo do tempo, para a realização de atos de culto coletivos, seguidos de alimentação melhorada e espaço para o imaginário, como sucedia no Natal e Páscoa, quando a 1 de maio se queimava o carrapato, em dia de Santo Antonino e da Senhora da Lapa (2 e 8 de setembro) ou por ocasião de romaria a ermidas e santuários mais ou menos distantes. O registo deste património imaterial é um dos projetos culturais da CasaXiné.

 

23.- Penafiel - Quintandona (206)

(O edifício)

24.- Penafiel - Quintandona (214)

(A entrada para o edifício)

 

4.- O despertar para o novo milénio

 

(…) A presenças de população, não muito envelhecida, foi condição essencial para justificar a proposta de requalificação gizada em 2003, que viria a dar lugar a um novo fôlego à aldeia, dinâmica em que os habitantes investiram recursos financeiros, uma vez que grande parte da recuperação do edifício privado foi comparticipado apenas a 50% por dinheiros públicos, e muita da força anímica, para se reinventarem como comunidade segundo a imagem que os técnicos e os visitantes mais valorizam, agora assumida como sua própria perceção do lugar.

 

(…) Estas políticas de reversão do tendencial abandono e depressão económica inerentes à desruralização do país parecem já estar a surtir efeito, fazendo-se notar alguma recuperação demográfica e o rejuvenescimento da população residente pela fixação ou retorno de jovens, muitas vezes com qualificação escolar e profissional, e a dinamização da base económica, dos parcos recursos já instalados e de novas atividades com capacidade de gerar rendimento e emprego. Nestes últimos anos também cresceu a procura de casas e terrenos, bem como o interesse pela recuperação de habitações pertencentes ao agregado familiar alargado, mas desabitadas, o que se espera venhas as reforçar a coerência do conjunto.

 

25.- Penafiel - Quintandona (182)

(Exemplar I)

26.- Penafiel - Quintandona (159)

(Exemplar II)

27.- Penafiel - Quintandona (91)

(Exemplar III)

28.- Penafiel - Quintandona (180)

(Exemplar IV)

28a.- Penafiel - Quintandona (176)

 (Exemplar V)

28b.- Penafiel - Quintandona (169)

(Lavadouros públicos)

(…) Outras linhas de diversificação da economia local e investimento inovador, como a agricultura biológica

29.- Penafiel - Quintandona (28)

ou a criação de raças tradicionais e a fileira da sua transformação estão por explorar, ainda que pudessem reforçar a oferta de produtos alimentares regionais já ensaiada, nomeadamente durante a Festa do Caldo [Negrito nosso].

30.- Penafiel - Quintandona (24)

A rotina e o pouco volume levam a que os frutos da lavoura fiquem quase reservados para consumo próprio ou à dádiva entre vizinhos e familiares.

 

A dinamização cultural e procura turística é em Quintandona uma novidade do século XXI, óbvio resultado da recuperação do património vernacular edificado, quando a este ativo se junta a capacidade de inovar e partilhar experiências e saberes, de valorizar o património imaterial, de inventar uma festa (Festa do Caldo e da Música Tradicional de Quintandona) que cruza a tradição com a modernidade, de apoiar a investigação e a criação artística, fazendo de tudo isto um caldo de levanta mortos que o uso das tecnologias de informação e comunicação leva longe, aguçando a curiosidade de potenciais visitantes e interventores.


(…) Quintandonga integra agora as Aldeias de Portugal bem como a Rota do Românico (...), [sendo bem patente a sua divulgação no Centro Interpretativo da aldeia].

31.- Penafiel - Quintandona (19)

O turismo em espaço rural espreita a oportunidade de oferecer mais este produto, que já se conseguiu manter genuíno, sem resvalar para o lugar comum das autenticidades encenadas. A recente decisão autárquica (setembro de 2013) de tornar Quintandona um núcleo do Museu Municipal pode transformar-se no garante do valor patrimonial, servindo de Centro Interpretativo, a fixar na entrada da aldeia, junto do parque de estacionamento, como mediador qualificado”.


O Centro Interpretativo já foi criado, como já demos conta. Veja-se um aspeto parcial exterior do mesmo.

33a.- Penafiel - Quintandona (319)

Finda a visita guiada, fomos ter à «winebar»,

36.- Penafiel - Quintandona (199)

«Casa da Viúva»

35.- Penafiel - Quintandona (200)

onde, face ao calor que fazia e à fome que já levávamos, bebemos e comemos umas tapas (à portuguesa).

 

Trata-se de uma boa casa de lavoura antiga, recuperada, como poderemos ver pelas fotas que, de seguida, mostramos:

37.- Penafiel - Quintandona (226)

(Cenário I)

38.- Penafiel - Quintandona (242)

(Cenário II)

39.- Penafiel - Quintandona (230)

(Cenário III)

40.- Penafiel - Quintandona (288)

(Cenário IV)

41.- Penafiel - Quintandona (251)

(Cenário V)

42.- Penafiel - Quintandona (250)

(Cenário VI)

43.- Penafiel - Quintandona (252)

(Cenário VII)

44.- Penafiel - Quintandona (274)

(Cenário VIII)

 

 

 

5.- Breve reflexão


“[…] não é o turismo que permite o desenvolvimento,
mas o desenvolvimento […] que torna o turismo rentável”.

Ascher


Não é uma simples visita guiada a uma comunidade que se vê a sua dinâmica de desenvolvimento, pese embora a informação obtida através dos respetivos guias locais e do excelente trabalho de Teresa Soeiro sobre esta aldeia, ao qual fomos haurir numerosos parágrafos para apresentar a nossa reportagem fotográfica.

 

Embora Teresa Soeiro na sua obra apele, tal como citávamos no início deste post, a que observássemos o território e o edificado, e contactássemos os residentes para acompanhar a sua memória vivida e as suas referência e desejos quanto ao tempo por que passamos, o certo é que o contacto havido foi apenas, como dissemos, com os respetivos guias. Mesmo a proprietária da capela (privada) limitou-se simplesmente a «abrir as portas»…

 

Os guias, principalmente o seu principal responsável, mostrava-se crente quanto ao futuro de Quintandona, aldeia que ficou às portas de entrada do referido «show» da RTP 1. Embora, como é evidente, no «contar da história», nas entrelinhas, se detetassem algumas dificuldades, naturalmente…

 

Face ao objetivo apostado no livro de Teresa Soeiro, temos alguma dificuldade em entender o querer-se construir uma comunidade viva, para o século XXI - tendo em conta a sua específica identidade e verdadeira autenticidade -, ao mesmo tempo que vemos assistir à implantação de um Centro Interpretativo da aldeia e a sua integração no (Eco?) Museu do Penafiel. Ou seja, para que se pretende a preservação desta aldeia? Querer-se uma comunidade autêntica e viva? A sua integração num (eco?)museu em que termos são compatíveis?

 

Esta interrogação suscitou-nos uma reflexão que, há uns poucos anos atrás, fizemos e que apresentámos num congresso de Animação Sociocultural sob o título «Desenvolvimento Local e Animação Turística».

 

Porque nos pareceu que Quintandona está a assentar fortemente a sua aposta de desenvolvimento na vertente turística, deixamos aqui parte da reflexão feita naquele trabalho:


“Quando falamos em desenvolvimento turístico, devemos entender que esta expressão não é sinónimo de desenvolvimento pois nenhuma atividade económica sectorial pode assegurar um desenvolvimento global que contemple todas as dimensões da vida social.


O fenómeno turístico, aliás como em todos os aspetos da sociedade do século XXI, está em profunda mudança. E as grandes mudanças do turismo de hoje, implicam e reforçam o aparecimento de novos modelo(s) turístico(s) alternativo(s), culminando naquilo que autores classificam de lógica da sustentabilidade.


O turismo sustentável é um instrumento de fixação das populações. Mas pensar em estratégias baseadas na sustentabilidade implica um questionamento que não tenha somente em conta o equilíbrio do crescimento turístico ou a proteção do património e das áreas naturais protegidas. Um turismo sustentado é um modelo que apela a uma lógica de autenticidade, porque integrador de sentidos múltiplos e vários agentes, sendo, para isso, necessário alargar a noção de experiência turística para além do olhar do visitante e da estratégia do vendedor.


A haver uma ética na indústria turística atual, ela deverá passar por uma política que privilegie a relação:


Dos visitantes com as comunidades locais


A indústria turística não pode privilegiar unicamente os turistas, esquecendo que os produtos culturais têm origem em atores sociais, com uma dignidade intrínseca, e uma palavra a dizer do património e dos espaços que partilham com aqueles que os visitam. A qualidade de vida das populações e o enriquecimento mútuo entre população e visitantes deve ser uma preocupação dos modelos turísticos. Nos contactos culturais está sempre presente uma possibilidade de conflito, o qual não pode ser alimentado pela indústria turística.


Dos atores sociais com o meio ecológico e o património histórico e cultural


Não se pode continuar a desenvolver um turismo ecológico meramente com a gestão de visitantes e com a defesa do ambiente. Os atores devem assumir uma experiência de relação com o meio que visitam, em que o próprio processo turístico seja planeado como forma de o preservar e valorizar. A relação com o meio ambiente deverá resultar num sistema sócio natural criativo e em constante renovação.


O património, por outro lado, constrói-se, ‘activa-se’, significando que toda a operação de construção ou de ativação patrimonial comporta em si mesma um propósito ou finalidade, uma idealização construída por uma sociedade sobre quais são os seus próprios valores culturais, revelando, por conseguinte, a sua identidade coletiva, veiculando uma consciência e um sentimento de grupo, para os próprios e para os demais, erigindo, nesse processo, fronteiras diferenciadoras que permitem manter e preservar a identidade coletiva.


O património, como interpretação do passado, é uma recriação da história, que emana visões essencialistas do passado e neutraliza as contingências históricas.


O legado patrimonial é, assim, ‘um legado falsificado para fins de identificação coletiva, apesar de beber nos factos históricos e na diversidade cultural os motivos para a sua formulação’. Tem, assim, um uso de identificação simbólica.


Para além dos fins de identificação simbólica, o património serve também, intrinsecamente, os propósitos de quem ativa esses repertórios patrimoniais, ou seja, serve fins políticos, quando fornece os símbolos que ‘favorecem a coesão social ao mesmo tempo que legitima as instituições sociais que emanam estes mitos ma medida em que suprimem a contradição e a tensão dialécticas desfragmentadoras da realidade e a contestação’.


Por outro lado, o património tem ainda um outro uso. Por via do seu aproveitamento turístico, ou uso económico, ‘no contexto de uma sociedade 'pós-tradicional’, nostálgica e carente de elementos de identificação coletiva, confere ao património uma nova vitalidade.


A dimensão mais explicitamente utilitária do património, como é a turística, convive com as duas anteriores numa relação de complementaridade e de retro alimentação, pois os referentes simbólicos fornecem os motivos que alimentam a indústria turística e a indústria turística recria os elementos culturais e a própria história, emanando novos referentes simbólicos que dão substância à imaginação coletiva, integrando-se naquilo a que Hobsbawm designa na nova ‘mitologia retrospectiva’ que sobre o património é erigida e acrescentando-lhes novos elementos.


Sendo a autenticidade um constructo, o património que é inventado para satisfazer a procura turística não é menos autêntico do que aquele que é resgatado de um ‘corpus’ cultural, nem a cultura que resulta desse processo de recriação será, como refere Santana Talavera, uma cultura ‘bastarda’.
Contextualizar o turismo não significa unicamente salientar a dimensão local e estabelecer as relações com os espaços envolventes, no sentido de turismo aberto. Contextualizar significa, aqui, partilhar os «textos» (estratégias e discursos) de realidades diferentes num espaço comum, de modo a que os agentes desta relação de partilha possam entender os vários sentidos presentes. Só dentro desta lógica da relação de partilha se pode compreender hoje o turismo, nas variadas dimensões de que ele se reveste.


E, assim, evitar-se, como aconteceu na última década, ‘ao florescimento de aldeias cenário, fantasmas, propriedade de citadinos, que nos poucos fins de semana que passam na aldeia alentejana, carregados de compras dos hipermercados da capital, se arriscam a ir aliviar o stress, para um Alentejo sem alentejanos’.


Como diz Giddens: ‘Uma tradição que é esvaziada de conteúdo, comercializada, torna-se uma herança ou um kitsch, um berloque sem valor que se compra na loja do aeroporto. Quando tratada pela indústria da herança, a herança é a tradição refeita em termos de espetáculo. Os edifícios reconstruídos em locais de interesse turístico podem parecer esplêndidos, e a reconstrução pode ter sido autêntica até ao mais ínfimo pormenor. Mas a herança assim protegida deixa de ser alimentada pelo sangue vital da tradição, a qual está em conexão com a experiência da vida corrente’.


Mas aqui devemos também ter em devida conta Augusto Santos Silva quando nos alerta para o carácter dinâmico do património ao nos alertar que ‘o que definimos hoje como valor patrimonial não é o mesmo que definíamos noutras épocas. E o que valorizamos hoje como referência patrimonial – por exemplo um sítio monumental – é o resultado de múltiplas e, muitas vezes, contrárias intervenções humanas. Não vejo, pois, como haveremos de pensar produtivamente, em matéria de conservação e salvaguarda, se teimarmos em procurar autenticidades e primordialidades imaginárias’.


Conceitos como inovação e tradição, num contexto de sustentabilidade, pressupõem em primeiro lugar, espaços vividos, habitados, com estratégias realistas de desenvolvimento socioeconómico, onde a fixação de populações é o fator determinante.


Entre o liberalismo selvagem, que não reconhece valores ecológicos e culturais, e o ambientalismo radical que só reconhece florzinhas e passarinhos, o desafio para as comunidades locais que queiram apostar no turismo como uma das estratégias para o seu desenvolvimento é o de abrirem-se ao exterior, modernizando-se pela função turística e, ao mesmo tempo, implicarem-se num reinvestimento do seu passado, reestruturação do seu património, na manutenção e revitalização das suas tradições, realçando a topofilia, o elo emocional entre uma pessoa e um lugar ou envolvente física, o mesmo que dizer, o sentimento de pertença a um lugar ou região de origem, de residência, de trabalho ou de lazer.


Como alguém afirmou, ‘temos todas as razões para acreditar que para além dos efeitos benéficos derivados da coesão entre as «forças» locais e regionais, um forte sentido de topofilia entre os atores e agentes de desenvolvimento individuais e institucionais poderão favorecer a compatibilização com as «forças» globalizadas no processo de (re)valorização das identidades territoriais. Dado que a topofilia reflete bem o nível de satisfação das pessoas com os vários parâmetros da qualidade de vida sobre um dado território (de carácter ambiental, económico, cultural e político, entre outros), então será de esperar que um mais forte sentido de pertença territorial poderá ser complementar ao fortalecimento do poder de atração dos lugares e das regiões’, ou, como outros dizem, ‘importa vitalizar construções culturais dos espaços, associadas à capacidade de afirmação das singularidades locais adequadas a um nível global’.


A sustentabilidade, que alguns autores já designaram de a quadratura do círculo, ao postular a simultaneidade da rentabilidade económica, equidade social e preservação dos ecossistemas, é um desafio que as populações locais enfrentam, dispondo atualmente de um conjunto de instrumentos onde a tradição materializada pelas especificidades locais e a inovação, produto do partenariado local com os poderes públicos e a comunidade científica, se torna hoje possível, pela profunda alteração do perfil dos visitantes em curso”.


Por fim, queríamos deixar aqui o nosso modo de ver quanto ao que entendemos por animação turística em termos de desenvolvimento local. Que deve ter sempre como filosofia, fundamento da ação, a comunidade residente recetora que, no ato da relação e da partilha, se apresenta em toda a plenitude do seu ser, evidenciando e partilhando com o outro (o turista) o seu saber e saber fazer, sabendo estar e aprendendo juntos.


Assim, todo e qualquer produto turístico, simples ou compósito, como seja o território como destino, que não se impregne e comprometa com a construção de uma «identidade» e «autenticidade», própria e específica, de cada sítio, local ou região, sujeita-se a não passar de uma simples e fugaz mercadoria, num mercado turístico global, prenhe de agressividade e cada vez mais exig


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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Palavras soltas... Entre as 7 Maravilhas de Portugal - Aldeia e a realidade

 

 

PALAVRAS SOLTAS

 

ENTRE AS 7 MARAVILHAS DE PORTUGAL© /ALDEIAS - E A RELAIDADE

Penafiel - Quintandona (205)

Este post deveria ser subordinado ao tema «Por terras de Portugal», a propósito de uma visita que fizemos recentemente a uma aldeia rural, dita preservada, no concelho de PenafielQuintandona.

 

Mas as palavras são como as cerejas. Quando começamos a rabiscar o texto, a pena fugiu-nos para uma série de considerações, soltas.

 

Considerações essas suscitadas a propósito da realidade do Portugal que somos e que a tragédia dos incêndios deste ano pôs a nu. Para uma aprofundada análise e reflexão da forma como o nosso território está ordenado e desenvolvido.

 

Mas também suscitadas pelo Programa que passou este ano na RTP 1 sobre as 7 Maravilhas de Portugal© - Aldeias.

 

E, naturalmente, por Quintandona, a tal aldeia que visitámos, que ficou à porta de entrada deste Programa/Concurso promovido pela RTP 1.

 

Funciona, assim, este post, «Palavras Soltas», da autoria de nona, como a Introdução ao próximo post «Por terras de Portugal – A aldeia de Quintandona».

 

Nos termos da legislação portuguesa (Lei nº 11/82, de 2 de junho), uma aldeia é uma localidade que tem um número de eleitores inferior a 3 000.

 

Para a Professora Helena Freitas, da Universidade de Coimbra e Coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior (nome tão pomposo para tão pouca obra!), “aldeia é também um lugar vivo, um espaço de comunidade, com uma vivência quotidiana de trabalho, de partilha, de identidade territorial e de memória coletiva”.

 

Na Nota Explicativa do Regulamento do Concurso «7 Maravilhas de Portugal© - Aldeias», a Rádio Televisão Portuguesa, Canal 1, justificava este seu Concurso/Programa, que foi para o ar este ano, dizendo que “Na diversidade dos contextos geográficos e biofísicos de Portugal nasceram distintas aldeias, em estreita sintonia com a vocação e natureza dos territórios, cada uma expressando à sua maneira a dinâmica das suas comunidades, e respondendo com resiliência aos desafios dos tempos”.

 

Palavras bonitas para uma realidade tão dura por que passa o nosso Interior português!

 

A tragédia dos fogos, a que assistimos este verão e outono, é o lado epifenomenal de uma realidade mais dura e dramática de cerca de 2/3 de Portugal, como território que somos.

 

Que assenta num modelo de desenvolvimento que se esqueceu positivamente da íntima realidade que somos e em que assenta a nossa identidade mais profunda – a província, tal como a capital do império nos apodou. Que traz à colação a raiz primeva da nossa ruralidade.

 

O urbano lisboeta, ou alfacinha, que já se esqueceu da nossa origem, fala da província como se de um corpo estranho se tratasse a realidade que sempre fomos…

 

E os que do Interior partem para a capital do “reino” e para o Litoral depressa se esquecem do berço onde nasceram. E são facilmente tentados com as “delícias” custeadas, por igual, e sem qualquer discriminação positiva, por todos nós.

 

Há dois escritores portugueses que, de uma forma clara e lapidar, nos mostram bem esta dupla realidade em que o Portugal de hoje assenta e se debate.

 

Falamos de duas obras - «Poemas Ibéricos», de Miguel Torga e a «Mensagem», de Fernando Pessoa.

 

Já em fevereiro de 2013, António Zassu, no seu blogue «Voilá é Zassu», num post sob o título «Entre os “Poemas Ibéricos” (de Torga) e a “Mensagem” (de Pessoa) – Ao encontro de um Portugal com os pés bem assentes na terra», abordava esta problemática. Perspetiva com a qual estamos totalmente de acordo.

 

Torga acaba o último poema de «Poemas Ibéricos» com estes versos:
Venha o Sancho da lança e do arado,
E a Dulcineia terá, vivo a seu lado,
O senhor D. Quixote verdadeiro!”.

 

Para Pessoa, nesse áureo período em que nos revelámos aos nossos próprios olhos, fomos «navegadores e criadores de impérios». A mensagem da «Mensagem» é o contrário da dos «Poemas Ibéricos».

 

Para Torga, somos humildes filhos de uma mãe rude e pobre, a Ibéria, mas dotada de uma grandeza de que nos devemos de orgulhar. É ao seu apelo que devemos acudir, não ao do mar, a tal sereia traiçoeira. Por isso é que ele exorta Sancho a que regresse ao seu arado.

 

Será que o ser português é eternamente estar se confrontando ou ao apelo da estreita faixa marítima ou do amanhar da terra?

 

Fernando Pessoa, em prosa, explica melhor a sua «Mensagem», dizendo que pretendia que os portugueses se afirmassem no presente de uma forma que fosse equivalente à das Descobertas do passado, mas apenas no domínio do ser, não do ter, como então. Por isso incita os seus concidadãos a reencontrarem-se «Nós, Portugal, o poder ser».

 

Por isso, estamos aqui com Torga quando insiste: «Olha esta Ibéria que te foi roubada e que só terá paz quando for tua». Porque é preciso que Sancho a recupere, de arado em punho, rejeitando traiçoeiros sonhos de grandeza e volte a cultivar os seus campos e a travar a tal quotidiana «batalha de ser fiel à vida». Para Torga Terra e Vida se equivalem.

 

Na miragem dos euros que a Europa nos «cedia» (e vai cedendo), e que, para nós representa(va)m o cravo e a canela de outras índias e o oiro dos brasis, fomo-nos esquecendo da lição dos dois grandes mestres da nossa portugalidade, - o de ser português: sonhar com os pés bem assentes na terra, no nosso terrunho, recuperando, «com o arado em punho» a terra que, pelo nosso descuido, incúria e negligência, «nos está sendo roubada» e desenvolvendo, todos, toda – do mar à planície, da planície ao planalto, do planalto à montanha, do norte a sul, do litoral para o interior – numa nova gesta que nos faça, de novo, dignos do nobre nome que, ao longo dos tempos, nossos antepassados tão bem souberem erguer e preservar – PORTUGAL.

 

Mas, tal postura, exige uma mentalidade outra do querer desenvolver o Portugal que hoje somos. Porque nos esquecemos também do «interior» que fomos e somos. Deixámo-lo ao abandono. Entregue à sua sorte, na avalanche do dito Progresso. E, de vez em quando, para apaziguar a nossa consciência pesada, lembramo-nos ir beber à fonte da nossa própria identidade profunda – a nossa essência. E os media, mais que ninguém, sabem como fazê-lo nos tempos de correm – o das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).

 

Por isso, quando olhamos para programas como aquele que a RTP 1 apresentou durante o corrente ano sobre as nossas «maravilhas» (as nossas aldeias), ficamos um pouco perplexo. Percebemos a filosofia dos media e, os de grande divulgação, o que pretendem.

 

Mas não podemos estar totalmente de acordo com a sua filosofia, apesar de iniciativas com esta terem aspetos bem positivos – o do apelar ao nosso amor próprio e auto estima, suscitando profunda reflexão sobre o Portugal que fomos, o que somos e o que temos e o que deveriamos quer.

 

Não vemos, por isso, as nossas aldeias a entrarem numa competição, andarem numa «passerelle», onde apenas se exibem as «top models».

 

Não temos apenas 322 selecionadas, com apenas 49 a terem direito à «desfilarem»!

 

Temos todo um país «interior», rural, a necessitar de um outro «olhar», de uma outra forma de ser tratado.

 

Onde, no «interior», temos as ditas comunidades, vivas?

 

E quantas delas – as sobreviventes – são resilientes?

 

Os «rostos» do nosso mundo interior e rural estão em despedida

 

Muitos já se foram e não poderão jamais ser recuperados. Porque não têm gente. Partiram para “outros mundos”. Estão ao abandono!...

 

Mas muitas outras ainda podem ser recuperadas.

 

Desde que as autoestradas do nosso desenvolvimento, que tão aleatoriamente construímos e tão caras, todos, estamos pagando, não circulem só num único sentido – o da saída.

 

Exige-se nova(s) mentalidade(s).


Urje uma verdadeira mudança.

 

Será que a tragédia dos incêndios nos despertou, desafortunadamente, para esta mudança?

 

Duvidamos.

 

Mas não devemos desistir. E termos esperança.

 

E todo este arrazoado vem a propósito de Quintandona, uma aldeia que também se posicionou para desfilar na «passerelle» da RTP 1, mas que ficou à sua porta de entrada.

 

Em que termos foi feita a sua preservação? Que novidade nos traz ao desenvolvimento (sustentado) das nossas aldeias e do nosso mundo rural. Que lição podemos dela extrair?

 

Estas questões serão, genericamente, objeto de tratamento, no próximo post, do autor deste blogue.

Penafiel - Quintandona (96)

 

 

nona

 


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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Ao Acaso... Lago de Sanábria

 

 

AO ACASO…

 

LAGO DE SANÁBRIA - ENTRE A LENDA E AS PREMONIÇÕES DE ESCRITORES


Onde existem lugares e aldeias isoladas e pobres, em sítios recônditos, tudo favorece ao espicaçar dos espíritos para, face à não existência de explicações lógicas de certos fenómenos, se alimentar a imaginação com lendas e crenças populares.

 

Sanábria, na nossa vizinha Espanha, mais propriamente na província de Zamora, é um desses lugares. Os seus lugares e aldeias isoladas são o caldo onde se cultivam lendas e crenças populares.

 

Uma dessas lendas está ligada ao Lago de Sanábria.

 

Relatemos, sucintamente, uma das versões da lenda que explica a origem do Lago de Seabra (Lago de Sanábria).

 

Conta-se que, num certo dia, chegou à aldeia de Vilaverde de Lucerna um peregrino pedindo esmola. Mas ninguém o atendeu. Aproximando-se do forno do povo, umas mulheres que estavam a cozer o pão no forno, apiedando-se dele, deixaram-no entrar para se aquecer, protegendo-se da inclemência do frio que fazia. Entretanto pegaram num pequeno bocado de massa e deitam-no ao forno. Aquele pão pequenino cresceu desmesuradamente, ficando aquelas mulheres boquiabertas, não conseguindo encontrar explicação para tanto pão de um bocadinho de massa havia produzido. O peregrino, que outra pessoa não era senão Jesus Cristo, vira-se para aquelas mulheres e escutam da sua boca que, face ao comportamento daquele povo – a sua falta de caridade – iria aplicar-lhe um castigo, solicitando aquelas mulheres que fugissem de suas casas e se refugiassem no monte. De seguida, o peregrino crava o bastão que trazia no chão e profere:


"Aquí cravo o meu bastón
aquí saia un gargallón
aquí cavo o meu ferrete
que saia un gargallete."

 

E, meu dito, meu feito, a água jorrou em cachão, inundando a aldeia de Vilaverde de Lucerna, salvando-se das águas somente o forno, o qual conforma hoje em dia a pequena ilha que existe no Lago de Seabra.


Ainda segundo a lenda, os vizinhos dos arredores quiseram salvar os dois sinos da igreja afundada. Para o efeito, utilizaram dois bois (o “Redondo” e o “Bragado”).
Mas um, o “Bragado”, estava mal alimentado, não tinha forças. E ouviu do “Redondo”:


"Tira boi bragado
que o leite aquí muxiron
polo lombo foille botado
Ven aquí bragado.
-Non podo, aquí muxido, contestoulle".


Mas apenas um sino foi tirado do fundo das águas.

 

Entretanto a campa que, cada vez mais se afundava, dizia para a outra:


"Ti vaste, Verdosa,
eu quédome Bamba
e ata o fin do mundo
non serei sacada".


No dia 24 de junho, dia de São João, as pessoas que são mais caritativas e generosas, diz-se, ouvem o tinir do sino que repousa no fundo do lago, logo de manhã, antes de nascer do sol - diz a minha amiga Adélia.

 

Positivamente esta lenda é premonitória da Catástrofe de Ribadelago, acontecida em 9 de janeiro de 1959.

 

O escritor espanhol, natural de Montejos, León, adepto e seguidor do costumbrismo e do realismo social, na sua novela «Tierra de promisión», ao longo da sua trama, apresentou a rotura do paredão de uma barragem, provocando uma cheia (“riada”) de mortos.


Sete anos após a apresentação a concurso desta novela, em 1952, o paredão da barragem de Vega de Tera rompeu-se, provocando 144 mortos na aldeia de Ribadelago.
O presságio lendário fez-se realidade numa noite fria de janeiro

.

Já na década de 30 do século passado, o grande Miguel de Unamuno, quando pretendia escrever a sua novela «San Manuel Bueno, mártir», fixa-se num rincão, nas margens do Lago de Sanábria – o Balneário Bouzas – para melhor ambientar o cenário das angústias do padre (cura) da sua novela maior.


Deixamos, Ao Acaso… estes dois poemas de Unamuno, ínsitos no prólogo daquela obra, e escritos no primeiro dia em que chega a Sanábria. Referem-se não só a lenda da aldeia de Vilaverde Lucerna como são também premonitórios da mesma Catástrofe de 1959.


Ei-los:


San Martín de Castañeda,
espejo de soledades,
el lago recoge edades
de antes del hombre y se queda
soñando en la santa calma
del cielo de las alturas
en que se sume en honduras
de anegarse, ¡pobre!, el alma…
Men Rodríguez, aguilucho
de Sanabria, el ala rota
el cotarro no alborota
para cobrarse el conducho.
Campanario sumergido
de Valverde de Lucerna,
toque de agonía eterna
bajo el caudal del olvido.
La historia paró, al sendero
de San Bernardo la vida
retorna, y todo se olvida
lo que no fuera primero.” 

 

              ***

 

Ay, Valverde de Lucerna,
hez del lago de Sanabria,
no hay leyenda que dé cabría
de sacarte a luz moderna.
Se queja en vano tu bronce
en la noche de San Juan,
tus hornos dieron su pan,
la historia se está en su gonce.
Servir de pasto a las truchas
es, aun muerto, amargo trago;
se muere Riba del Lago,
orilla de nuestras luchas.”

 


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Domingo, 12 de Novembro de 2017

Por terras de Portugal - O museu da Broa

 

 

POR TERRAS DE PORTUGAL – TERRAS DO SOUSA

 

MUSEU DA BROA – CAPELA/PENAFIEL

01.- Penafiel - Museu da Broa (60)

Na freguesia de Capela, concelho de Penafiel, Terras do Sousa, fomos ao encontro do Museu da Broa.

 

Trata-se de um conjunto de seis moinhos, pertencentes a entidades particulares da aldeia (ou freguesia) e que, por um contrato de comodato, de vinte anos, foram cedidos à autarquia penafidelense (ou penafielense) para, com eles, constituírem o Museu da Broa.

 

O projeto foi levado a cabo por diversas entidades, conforme se pode ver no placard afixado num dos lados da pequena ponte sobre o ribeiro da Trunqueira, na Estrada Nacional 319, fundamentalmente financiado por Fundos Comunitários.

01a.- Penafiel - Museu da Broa (4)

A Junta de Freguesia da Capela propicia as visitas ao Museu, inserido num pequeno percurso pedestre linear que leva o visitante até ao Parque de Merendas da Capela.

 

Numa das nossas passagens este verão, por Penafiel, cheios de curiosidade, não deixámos de fazer um pequeno desvio e dirigirmo-nos até Capela para visitar o tão falado Museu da Broa.

 

A broa, de milho, lembra-nos a nossa infância quando, em Santa Maria de Oliveira, terra duriense, corríamos muitas vezes à mercearia do senhor Lucas para comprar a broa fresquinha e que tão bem nos sabia, mesmo comida em seco, sem qualquer presigo. O que mais gostávamos era de trincar a côdea, tão estaladiça.

 

Este Museu da Broa insere-se no conceito de Ecomuseu.

 

Privilegia-se o contacto puro com o entorno/natureza dos artefactos que se querem visitar, apreciando, concomitantemente, a paisagem e o património recuperado.

 

Simultaneamente, propicia a convivência social pela participação em atividades que estão diretamente ligadas ou conexas com os diferentes elementos visitados, que faziam (e alguns ainda fazem) parte da atividade humana dita tradicional, no seu dia a dia.

 

Para visitar este Museu não contactámos previamente a Junta de Freguesia para nos propiciar uma visita guiada. Conhecemos suficientemente bem as diferentes atividades do ciclo do pão, em particular da broa de milho. E recordamos, com muita saudade, quando íamos com a nossa mãe para o ribeiro das Redoídas, enquanto ela, com outras suas vizinhas, ali lavavam e secavam a roupa da semana, escapadelas sem conta que davamos aos moinhos da “tia” Felizarda, que por ali se encontravam. 

 

Quantos minutos ali passávamos a ver as mós moerem o milho!

 

Não é por acaso que os habitantes de Santa Maria de Oliveira são apelidados de "papeiros"!

 

Outros tempos. Que já lá vão e não voltam mais!...

 

Obtivemos informação que existem dez painéis, distribuídos pelo conjunto dos seis moinhos, explicando todo o ciclo da produção do pão, em concreto a broa de milho.

 

Como apenas queríamos conhecer o lugar e fazer o percurso que nos levava até cada um dos moinhos e, daqui, ao Parque de Merendas, dispensámos todo o labor educativo e pedagógico que, com certeza, caso quiséssemos uma visita guiada, nos seria propiciado.

 

Embora nossa terra natal, Santa Maria de Oliveira, não seja terra de produção de milho, pois o que impera é a monocultura da vinha e, nos lugares mais próximos de linhas de água e riachos, pequenas hortas para a produção dos “legumes” da casa de cada pequeno lavrador, sabemos muito bem o trabalho árduo no campo que a produção do milho acarreta, bem assim as suas diferentes atividades até que o grão vai para o moinho.

 

Pena foi que, na altura em que fizemos a visita – particularmente num ano tão seco como o que passámos, e o outono que estamos passando – tivéssemos visto tão pouca água correndo pelo ribeiro da Trunqueira, que serve este conjunto de moinhos com água para os mover!

 

Vindos, como dissemos, de Penafiel, estacionámos a nossa viatura nas proximidades do primeiro conjunto de três moinhos.

02.- Penafiel - Museu da Broa (5)

Ni, que nos acompanhava, dirigiu-se ao Moinho d’Aldeia.

03.- Penafiel - Museu da Broa (16)

É neste moinho que, segundo cremos, se procede às diferentes atividades com a farinha, que levam, depois, formatados os pães, à cozedura, no pequeno forno ali feito, com fins nitidamente pedagógicos.

04.- Penafiel - Museu da Broa (17)

Na verdade, não é costume os moinhos terem ao seu lado fornos para cozer o pão.

 

Do conjunto dos três moinhos, o que está no topo deste ecomuseu, ou cenário, é o Moinho do Barbosa.

4.-Penafiel - Museu da Broa (26)

O terceiro, mais abaixo, numa posição central, é o Moinho do Coelho.

05.- Penafiel - Museu da Broa (36)

Veja-se agora o pormenor de um dos artefactos deste moinho – o rodízio e as “pás” -, praticamente todo ele feito de madeira.

06.- Penafiel - Museu da Broa (38)

Deixámos o primeiro conjunto de moinhos e, por debaixo da pequena ponte rodoviária da EN 319,

07.- Penafiel - Museu da Broa (51)

Atravessando-a, através de um passadiço metálico,

08.- Penafiel - Museu da Broa (48)

Fomos ter a uma bonita vereda, ladeada de diferentes árvores, na sua maioria folhosas,

09.- Penafiel - Museu da Broa (53)

e ao encontro do quatro moinho – o Moinho do “Iteiro”.

10.- Penafiel - Museu da Broa (61)

E, logo a seguir, o Moinho da Mabilde.

11.- Penafiel - Museu da Broa (63)

Continuando pela vereda,

12.- Penafiel - Museu da Broa (64)

(Pormenor I)

13.- Penafiel - Museu da Broa (73)

(Pormenor II)

avistámos, ao fundo, o Moinho do Jardim.

14.- Penafiel - Museu da Broa (75)

Mas, antes, temos de passar o ribeiro para o vermos mais de perto.

15.- Penafiel - Museu da Broa (80)

E, assim, ficou completado o nosso périplo pelos seis moinhos.

 

Deixando o Moinho do Jardim,

16.- Penafiel - Museu da Broa (82)

dirigimo-nos, inicialmente, por um trilho mais amplo,

17.- Penafiel - Museu da Broa (84)

para o Parque de Merendas da Capela.

18.- Penafiel - Museu da Broa (104)

Neste Parque fomos encontrar um pinhal bem tratado, com uma pequena “lagoa” (artificial), bancos e mesas, e locais para churrasco.

 

E, como não podia deixar de ser, para além dos equipamentos de uso coletivos necessários a uma zona ou área recreativa ou de lazer, o tradicional espigueiro ou canastro.

19.- Penafiel - Museu da Broa (119)

O percurso pedonal do Museu da Broa é, como dissemos, linear. Não nos apetecendo percorrer de volta o mesmo itinerário, daqui subimos, por uma calçada em paralelo, passando por um pequeno núcleo de casario, até à EN 319.

 

A meio da subida, captámos esta vista parcial da aldeia de Capela.

20.- Penafiel - Museu da Broa (86)

Quando, já em pleno asfalto da EN 319, e muito perto da nossa viatura, chamou-nos a atenção esta vivenda, isolada.

21.- Penafiel - Museu da Broa (90)

E pensávamos que, com aquele eucaliptal ali tão perto, neste período de seca severa, sobre o perigo que o mesmo representava para quem nela tinha investido, com tanto custo, porventura, as suas tão “soadas” economias!...

 

Do Google Earth, o Mapa de Localização do Museu da Broa.

22.- Museu da Broa

Deixamos à visualização dos nossos leitores este pequeno vídeo sobre o Museu da Broa e do pequeno percurso pedestre, da responsabilidade da Ader Sousa (Associação de Desenvolvimento Rural das Terras do Sousa).

 

MUSEU DA BROA
CAMINHO PEDONAL DE LIGAÇÃO DO MUSEU DA BROA AO PARQUE DE MERENDAS


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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Por terras da Ibéria - Ribadelago, aldeia mártir

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA – RIBADELAGO

 

- A ALDEIA MÁRTIR –

01.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (348)

Na década de 50 e princípios da década de 60 do século passado, na Península Ibérica, nos “reinos” dos ditadores Franco e Salazar, houve uma corrida aos caudais dos mais importantes rios, que corriam a norte da Península, num autêntico porfiar em se empresar água para ela extrair energia elétrica.

 

O território que hoje constitui o Parque Natural do Lago da Sanábria e Arredores foi um desses lugares privilegiados para levar a cabo empreendimentos elétricos.

 

A barragem (embalse) de Vega de Tera fazia parte de um sistema maior de lagos artificiais e canais, denominado “Salto de Moncabril”, nos anos 50 do século passado, durante a ditadura franquista.

 

Caso as coisas não tivessem dado para torto, em vez da magnífica natureza que, apesar de tudo, ainda contemplamos, hoje teríamos um enorme “oceano de água”, repartido por diferentes mares (albufeiras/embalses), produzindo milhões de quilovátios de energia para levar a cabo, principalmente nas grandes cidades, o tão prometido Progresso, que outra coisa não era (e porventura não continua a ser?) o imenso lucro de uns tantos, poucos, senhores disto tudo, à custa de uns tantos, muitos, donos de praticamente nada!

 

Mas vamos à história, sucinta embora, que hoje nos trouxe aqui.

 

A cerca de 8 quilómetros acima de Ribadelago, na província de Zamora (Espanha), no alto da garganta/desfiladeiro (canhão/«cañón») do rio Tera, em 1953, o regime franquista, pela empresa Moncabril, começou a contruir uma presa ou paredão, denominada Vega de Tera, com 33 metros de altura e 200 de longitude. Era um pequeno empreendimento destinado a empresar água (albufeira/embalse) para a produção de energia elétrica.

 

Em 1956, Franco inaugura este empreendimento.

 

Começava a correr o ano de 1959. Chuvoso e frio.

 

A chuva e a água da neve acumulada nas montanhas do Maciço de Peña Trevinca acabaram por encher totalmente a albufeira da barragem de Vega de Tera.


No dia 9 de janeiro de 1959, pela uma hora da manhã (outros dizem meia noite), quando a grande maioria da gente da aldeia de Ribadelago estava a dormir, 8 milhões de metros cúbicos de água, irrompendo da albufeira de Vega de Tera, por via da derrocada de mais de metade do seu paredão, 

02.- Perspetiva I

(Perspetiva I)

02a.- Perspetiva II

(Perspetiva II)

 em 15 minutos (outros dizem 12; e outros ainda, 20), a água, naquela fatídica noite de 9 de janeiro de 1959, trazendo à sua frente, e na sua fúria, enormes blocos de pedras e possantes árvores, vencendo um desnível de 630 metros, chega a Ribadelago, atingindo a altura de 9 metros.

 

Salvou-se quem estava ou pôde chegar ao cimo do povo.

 

A catástrofe de Ribadelago foi a 2ª maior de Espanha em número de vítimas, por via da rotura do paredão da albufeira.

 

Mais de metade da aldeia (75%) ficou destruída. Animais domésticos morreram. E 144 almas foram levadas pelos escombros e rochas, indo ter ao Lago de Sanábria, transformado num autêntico cemitério lacustre.

 

Naquela fatídica noite de 9 de janeiro, de chuva intensa e com uma temperatura de 18 graus negativos, a morte desceu da montanha, coisa jamais acontecida em tempos pretéritos!

 

Dos 144 corpos mortos, apenas 28 apareceram. 116 cadáveres ficaram desaparecidos, porventura sepultados no Lago de Sanábria que, naquela altura, subiu mais de 3 metros.

 

Quando, em 26 de outubro passado, com o nosso amigo Pablo Serrano, levámos a cabo um “passeio fotográfico” «Ao redor do Lago de Sanábria», depois de, no Lago, presenciarmos o nascer do sol,

03.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (161)

não quisemos deixar em branco a nossa passagem pelo lugar deste território assolado pela rotura da barragem do paredão de Vega de Tera, na noite de 9 de janeiro de 1959.

 

E notámos uma circunstância, para nós, estranha. O nome, único, de «Ribadelago» simplesmente já não existe.

 

Depois de 1959, existem duas aldeias ou localidades com o mesmo nome – Ribadelago. Simplesmente, uma, chama-se Ribadelago Viejo; a outra, Ribadelago de Franco, tal como a placa que vos mostramos.

04.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (380)

Só há bem pouco é que se passou a chamar Ribadelago Nuevo.

 

Quisemos saber da razão da existência destas duas localidades apenas distantes uma da outra um escasso quilómetro a separá-las, após a catástrofe de 1959.

 

Pablo, o nosso companheiro de jornada, explicou-nos. Franco, o ditador, em vez de mandar reconstruir Ribadelago, abandonou simplesmente esta aldeia naquela ancestral localidade, após aquele fatídico dia 9 de janeiro de 1959. E mandou contruir, a sudeste, num lugar sombrio, já bem mais nas proximidades do Lago de Sanábria, uma outra aldeia.

 

Quando, para nos dirigirmos às proximidades dos três “cañones” por onde passam os três rios – Segundera, que desagua no Cárdena e Cárdena, que desagua no Tera, vindo de Peña Trevinca, na antiga Ribadelago – ao percorrermos as ruas desta nova aldeia, achamo-la estranha.

05.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (384)

A explicação veio rápida e bastante crítica da boca de Pablo: o ditador pegou no modelo de repovoamento do Plano de Badajoz, com materiais que nada têm a ver com os materiais em uso na zona

06.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (226)

e uma arquitetura de todo estranha à arquitetura local,

07.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (210)

aqui mandou construir a “sua” aldeia, bem ao gosto e maneira andaluza. Com habitações, dado o rigor do clima, pouca aconchegadoras, frias. Sem “cómodos” próprios e necessários para uma aldeia rural da montanha sanabresa. E com edifícios públicos que nada tinham a ver com aqueles a que estavam habituados a frequentar.

 

Esta é a fachada principal, com campanário, que se fez deslocar para aqui - início da povoação -,

08.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (204)

da antiga igreja de Ribadelago arrasada,

09.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (207)

 (Pormenor)

Em Ribadelago Viejo permaneceu o campanário,

2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (278)

exclusivamente utilizado para os fins que numa placa estão inscritos.

2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (273)

Entretanto, em Ribadelago Nuevo, construir-se uma nova igreja,

10.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (369)

de todo diferente da arquitetura tradicional das igrejas sanabresas,

11.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (371)

embora de lindo efeito visual.

12.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (379)

Percorrendo Ribadelago Nuevo (antiga de Franco), Pablo encontra-se com um sobrevivente da catástrofe de Ribadelago, seu amigo – Avelino, de seu nome, que era um adolescente de 15 anos, na altura.

13.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (378)

Salvo erro, salvou-se por, naquela hora, se encontrar no bar/taverna da aldeia, que ficava no cimo da aldeia. Seu pai também se salvou, porque não se encontrava na aldeia: estava em Zamora, tratando da sua abalada saúde. Infelizmente, sua irmã, na altura com 24 anos, encontrando-se a dormir em casa, foi levada pela enorme “riada”. E contou a Pablo toda a sua história como sobrevivente daquele dia. E não só a daquele fatídico dia.

14.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (373)

Também toda a sua história de vida, percorrida pelos quatro cantos da Ibéria. E não só. De como pretendem criar um museu relacionado com este fatídico acontecimento. De como tem dado, por todo o lado, inclusive por terras do Norte de Portugal, testemunho daquele trágico acontecimento e da vida daquele tempo. E, como com alguns sobreviventes e outros descendentes dos infelizes desaparecidos, sonham em contruir ou reconstruir casa no lugar onde nasceram – o agora Ribadelago Viejo.

 

Saídos de Ribadelago de Nuevo, fomos ao encontro de Ribadelago Viejo, depois de termos feito um desvio para, mais in loco, apreciarmos os três “cañones” por onde correm os três rios – Tera,

15.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (309)

Cárdena e Segundera.

16.-2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (322)

O desenvolvimento deste lugar e deste território faz-se, agora, à custa do Turismo de Natureza. Deste lugar, junto a esta pequena ponte de madeira,

17.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (302)

partem 3 trilhos de montanha (“senderos”):

* Trilho 1 - «El Lago y los Monjes»;
* Trilho 3 - «Cañon del Tera»;
* Trilho 4 - «Los cañones del Cárdena y Segundera».


Percorrendo as ruas desta martirizada aldeia, vê-se o que resta da antiga Ribadelago

18.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (260)

(Cenário I)

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(Cenário II)

20.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (266)

(Cenário III)

21.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (279)

(Cenário IV)

e uma vontade teimosa, de alguns, que lutam em fazê-la ressuscitar.

22.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (276)

Impressionou-nos sobremaneira, por entre o casario,

23.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (261)

o seu antigo campanário.

24.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (272)

Tanto deveriam ter tocado, naquela fatídica noite de janeiro, para arrancar dos seus leitos as pessoas que neles dormiam para não serem arrastadas por aquela enorme e gigantesca “riada” (cheia)!…

 

Do meio milhar de pessoas que a aldeia possuía (uns dizem 516; outros, 540; outros ainda, 549) restaram pouco mais de 350.

 

Fomos descendo pelas ruas das aldeias de Ribadelago Viejo.

 

Queríamos ver, mais de perto, a junção ou foz do rio Cárdena no Tera.

25.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (360)

Na aproximação ao rio Tera em Ribadelago Viejo, eis que nos aparece - a Estátua Comemorativa do 50º Aniversário da Catástrofe de Ribadelago.

26.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (335)

Olhámos para o conjunto, observando cada elemento, um por um.

 

Aqui, a placa da efeméride;

27.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (338)

 No pedestal da Estátua, a Lista de todos os mortos e desaparecidos

28.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (341)

e, finalmente, a Estátua.

29.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (340)

Chamou-nos a atenção esta Estátua: uma mãe com seu filho ao colo.

 

Uma habitante de Ribadelago - Carmen Puente -, comentando connosco os elementos desta Estátua, informou-nos que a mesma representa a sua avó e, quem está a seu colo, é ela.

 

O sol que, por detrás dela raiava, não tratava, este símbolo de tragédia, como uma simples mulher ou mãe ou avó, com seu filho ou neta ao colo, fazendo-nos espelhar na sua alma o luto do infortúnio por que passava.

30.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (352)

Aqui, a esta hora, perfilava-se-nos como se fora a aparição de uma santa!

31.- 2017.- Ao redor do Lago de Sanábria (344)

E interrogávamo-nos sobre, efetivamente, qual a razão da escolha de tal símbolo para se comemorar o 50º aniversário desta tragédia.

 

Haveria algum significado particular?

 

Não “vasculhámos” saber das “razões” oficiais.

 

Uma mulher e uma criança ao colo é aqui, para nós, sinal de esperança, de renovação, no meio de tanta tristeza que lhe subjaz. É continuidade da vida e persistência em viver neste rincão, com olhos postos na lonjura do tempo passado e daquele que há de vir.

 

Viemos para casa. Querendo conhecer mais e melhor a história deste trágico acontecimento, fomos lendo artigos e visionando documentários.

 

Deixamos aqui aos nossos leitores os seguintes sítios da internet para, entre muitos outros, querendo, se inteirarem, mais a fundo, sobre este tema:
* Catástrofe de Ribadelago;
* Embalse de Vega de Tera;
* Regresso a Sanábria (do blogue «Por fragas e pragas…»).

 

E deixamos, para visualização, estes três documentários, na sua grande maioria, feitos com testemunhos de sobreviventes e com fotos tiradas à época da tragédia.

 

Numa das fotos da 1ª parte do 1º documentário aparece-nos uma mulher (mãe/avó) com o filho (neta criança) ao colo.

 

Se bem repararmos para a Estátua comemorativa do 50º aniversário da Catástrofe de Ribadelago, damo-nos conta que é a cópia quase fiel da foto da mãe/avó, com o filha/neta ao colo, daquela época!!!

 

E não podíamos estar mais de acordo com a escolha: ao símbolo das cruzes (de morte), espalhadas pela arrasada Ribadelago, uma mãe/avó com a filha/neta ao colo, símbolo de vida e de esperança renovada…

 

ROTURA DE LA PRESA DE VEGA DE TERA EM RIBADELAGO – 1ª PARTE

 

ROTURA DE LA PRESA DE VEGA DE TERA EM RIBADELAGO – 2ª PARTE

 

VEGA DE TERA (PRESA ROTA)

 

LA CATASTROFE DE RIBADELAGO

 

 


publicado por andanhos às 21:53
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2017

Versejando com imagem - Liberdade (Por Kátia Storch Moutinho)

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

LIBERDADE

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Não basta olhar-me.
Não sou decifrável a olho nu.
Há que se despir de modismos
Resgatar lirismos esquecidos.
Moro nas encostas verdes
Durmo nas redes entre coqueiros
Acordo com o adeus das estrelas
Logo o sol abraça-me inteira!
Sou de alma fina feito organza
Transparente, leve e livre.
Tudo que me toca, sinto
Tudo que sinto é intenso.
Nada de emoções mofadas!
Gosto do amor fraterno e puro
Que me acolhe e se doa
Sem medo de revelar-se.
Sempre me revelo por demais
Mas só podem me alcançar
Aqueles que se revelam também
Pois a verdade se reconhece.
A beleza se mostra no acreditar
Em olhar além do que se vê
Em doar-se sem medidas.
Chega de protocolos e manuais de afeto!
Quero o direito de ser autêntica e sempre serei.
Meus abraços não são registrados em cartórios.
Minhas palavras não precisam de métricas.
Eu quero é a liberdade de ser, ser poética!
Isto é tudo e nada mais.

 

Kátia Storch Moutinho
(http://www.bhmulher.com.br/poesia-liberdade-por-katia-storch/)


publicado por andanhos às 09:51
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

Palavras soltas... em Dia de Fiéis Defuntos (Uma visita a um emblemático cemitério do Porto-Prado do Repouso)

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

EM DIA DE FIÉIS DEFUNTOS


- UMA VISITA A UM EMBLEMÁTICO CEMITÉRIO DO PORTO –

00.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (16)

 

BALADA DO CAIXÃO

 

O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte:
Ponteia e coze, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda a sorte:
Mogno, debruados de veludo
Flandres gentil, pinho do norte…
Ora eu que trago um sobretudo
Que já me vai a aborrecer,
Fui-me lá, ontem: (era Entrudo,
Havia imenso que fazer!...)
- Olá, bom homem, quero um fato,
Tem que me sirva? – Vamos ver…
Olhou, mexeu na casa toda…
- Eis aqui um e bem barato.
- Está na moda? – Está na moda.
(Gostei e nem quis apreçá-lo:
Muito justinho, pouca roda…)
Quando posso mandar busca-lo?
- Ao por do sol. Vou dá-lo a ferro.
(Pôs-se o bom homem a aplainá-lo…)
Ó meus amigos! Salvo erro,
Juro-o pela alma, pelo céu!
Nenhum de vós ao meu enterro,
Irá mais dandy, olhai! do que eu!

Paris, 1981
António Nobre, Só, pág.s 104 e 105
(Fonte:- http://purl.pt/125/6/l-61159-v_PDF/l-61159-v_PDF_24-C-R0072/l-61159-v_0000_capa-guardas2_t24-C-R0072.pdf)

01.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (14)

Futebolisticamente falando, sou benfiquista assumido. Há coisas do coração que a razão desconhece. Mas não somos fanático!

 

Gostamos de Lisboa, a cidade, capital do “reino”.

 

Nela passámos cerca de 10 anos da nossa mais viçosa juventude, enquanto estudante, na universidade Clássica, e enquanto na tropa.

 

Ali temos familiares queridos que nos unem profundos sentimentos de amizade e afeto. Sempre que podemos, não dispensamos a eles uma visita. Para matar saudades. Para, com eles, recordar lugares e peripécias que, indelevelmente, fazem parte das nossas vidas. E, sempre que temos oportunidade e tempo, tentamos descobrir na cidade das 7 colinas algo mais que, na afoiteza dos anos e um jovem ansioso por viver a vida, deixou para trás. Lugares esses que fazem parte da nossa História e que nós passámos muito ao de leve por cima dela. Nesses anos de boémia jovem, o que mais queríamos era construir “história”. A nossa própria história…

 

Mas não é Lisboa, ou sobre Lisboa, que hoje nos traz aqui à escrita.

 

É o Porto!

 

Somos transmontano e alto duriense. Pertencemos, e amamos, o Reino Maravilhoso de que tanto nos fala o nosso maior Miguel Torga.

 

Somos assumidamente um regionalista. Que pugnou – e ainda ingloriamente acredita – pela identidade própria de Trás-os-Montes e Alto Douro como uma região verdadeiramente genuína e distante de outras deste nosso Portugal.

 

Orgulhamo-nos de integrar uma região mais vasta – o Norte de Portugal – que foi o berço da nossa nacionalidade. Que adora a cidade que deu o nome a este rincão à beira mar plantado, que é Portugal. Mas que lhe expurga e repele, de algumas das suas gentes, certos “gostos imperialistas”, de um querer ser uma imitação da imperatriz Lisboa. Lisboa, politicamente centralizadora e despótica. À custa do viver à sombra de todos nós, e por todos o que para lá vão, embalados e seduzidos pelo seu canto de sereia, convertendo-se e, depois, dominando-nos. Coitados, perderam o norte, as “delícias”, embora duras, do seu berço! E esqueceram-se donde vieram!...

 

A imperatriz, tal qual um enorme eucalipto, sugou o sangue das gentes de todos os lugares do nosso Portugal, deixando-os cada vez mais pobres, cheios de velhos, que teimam em ficar naquilo que é seu, mas literalmente abandonados, sós, nas mãos de toda a casta de “pirómanos”. E, porque incapaz de matar a fome a todos quantos daqui fogem tentando a sua sorte, lança milhares deles pelos quatro cantos do Planeta, numa diáspora imensa, sem igual!

 

Mas deixemos este desabafo de um velho rabugento quanto a uma cidade madrasta, e outras tantas candidatas, que, querendo ser donas de tudo isto, mal enxergam que, no final desta luta, o que a todos nos resta outra coisa não é que a mesma sorte de… penúria!

 

Falemos então do Porto. Do nosso Porto. Não o do futebol! Esse tem a mesma mentalidade da Imperatriz Lisboa. Do nosso Porto genuíno, carago!

 

Porque, sempre que podemos, vamos ao seu encontro. Para o percorrer e melhor o conhecer e assimilar. A pé. Despido de quaisquer fanatismos. Principalmente os futebolísticos. Se o FCP joga lá fora, torço e sou portista.

 

Quando percorremos o Porto, normalmente quem nos “acompanha” é um velho jornalista, oriundo das terras do Sousa. Um verdadeiro amante do “seu” Porto. Germano da Silva é o seu nome.

 

Com ele, e na companhia da sua obra (principalmente do seu livro «Caminhar pelo Porto»), na primavera passada, seguimos o itinerário por ele sugerido – «De Santa Clara ao Prado do Repouso».

 

Já publicámos e postámos muitas fotografias sobre este itinerário pedestre que fizemos, levando na nossa pequena mochila o livro de Germano Silva e, a tiracolo, a nossa máquina fotográfica.

 

Quando chegámos à última “estação” do nosso percurso, um certo pudor nos estancou. E deixámos de postar as fotos que, entretanto, havíamos tirado.

 

Quando a vida de todos nós é um mero e micro instante na imensa eternidade de tempo que vem com a morte, falar de cemitério parece ser um assunto tabu. Normalmente, damo-nos mal. Muito mal com a ideia da morte – a coisa mais certa, segura e definitiva que temos na vida!

 

Mas, num mundo em total e profunda mudança, tudo pode acontecer. Quer seja por pura imitação ou por que, à falta de outro engenho e arte, todo o nosso território está-se “turistificando”. Esperamos que nos lugares mais impensados, para muitos “sagrados”, como os cemitérios, não se transformem em locais de mercadoria.

 

Infelizmente, por esta Europa “desnorteada” não é essa a tendência! E por cá… (Veja-se esta reportagem no sítio da internet - Cemitério do Prado do Repouso faz parte da Rota Europeia de Cemitérios ).

 

Ou seja, vemos com bons olhos este cartaz. Mas, em certo sentido, também ficamos apreensivos.

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 Aqui se fala do XII Ciclo Cultural dos Cemitérios do Porto, onde, nos seus diferentes espaços, desde ruas, a capelas, jazigos e mausoléus, se “operam” eventos culturais, quer sejam na área da música, da literatura, da História ou da fotografia.

 

Os cemitérios são, sem dúvida, lugares onde a arte também acontece. E aí repousam homens e mulheres que deram vida à nossa História, local, regional e nacional, é à nossa arte.

Apesar de sermos mais amante, para estes locais, de coisas muito mais simples - (os nossos cemitérios “arrepiam-nos” pela tremenda falta de bom gosto em tudo quanto neles se constrói!) -, em sintonia com a natureza mais pura, tal como se veem em muitos cemitérios fora da nossa tradição religiosa e cultural, não nos repugna aceitar que os vivos homenageiem a vida “ressuscitando” as obras dos nossos mortos.

 

Mas, por favor, não se faça destas atividades um comércio!

 

Nem tudo na Vida e no Homem é (deve ser) reduzido ao vil metal!...

 

Em Dia de Fiéis Defuntos, perdemos os nossos “medos”. E vamos falar dos mortos. Melhor, do lugar onde eles repousam, mormente, e na nossa maior tradição, – os cemitérios.

 

E vamos falar de um deles em especial. Precisamente do Porto. Na “companhia” e pela pena de Germano da Silva. O Prado do Repouso.

 

Leiamo-lo, então, acompanhadas (os) das fotos que, entretanto, naquele lugar calmo, silencioso e solitário, íamos tirando, ao mesmo tempo que ímos “levantado” uma ou outra lápide tumular, descobrindo e conhecendo pequenas/grandes histórias de um ou outro (ou vários) portuenses.

 

Acompanhemos a pena de Germano da Silva:
Chegamos […] a um espaçoso largo diante de uma das entradas para o Cemitério do Prado do Repouso - a entrada ocidental. No centro do espaço ajardinado desta praça está um busto em bronze que representa o padre Baltazar Guedes.

02.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (1)

 Este sacerdote, que também deu o nome ao largo, fundou, em 1651, o Colégio de Nossa Senhora da Graça dos Meninos Órfãos, que funcionou onde hoje está o edifício da Reitoria da universidade do Porto, na Cordoaria. Em 1903, o colégio foi transferido para o edifício que se alcandora na parte oriental deste pequeno morro. O imóvel, começado a construir em 1804, em terrenos da Quinta do Prado, estava destinado, inicialmente, para seminário da diocese – o Seminário de Santo António. Havia a intenção de instalar, também, no mesmo prédio, o Tribunal do Santo Ofício, ou seja, a Inquisição. O seminário chegou a funcionar e o primeiro ano letivo arrancou em 1811-1812. Em 1832 ainda houve aulas. Mas, com a entrada do exército liberal de D. Pedro IV no Porto e a fuga do bispo, D. João Magalhães de Avelar, o edifício foi abandonado e incendiado. Atualmente, o colégio é dirigido pelos Padres Salesianos que assumiram a administração e a orientação pedagógica do Estabelecimento.

E vamos entrar no cemitério. Neste terreno havia uma enorme propriedade que pertencia ao bispo do Porto desde o século XVI – era a Quinta do Prado, que aquele prelado ainda utilizou como espaço de repouso e de recreio. A necessidade da construção de um cemitério no Porto surgiu na sequência de um regulamento publicado em 1845 que proibia os enterramentos nas igrejas, em cemitérios particulares e em valas comuns e estabelecia que os enterramentos deviam ficar sob a alçada do Estado. Em 1838 foi feito um acordo entre a Câmara e o bispo do Porto, na altura D. Frei Manuel de Santa Inez, segundo o qual este, mediante determinadas condições, cedia a Quinta do Prado à autarquia, para nela à autarquia, para nela ser contruído o cemitério que viria a ser solenemente benzido, por aquele mesmo prelado, no dia 1 de dezembro de 1839. Foi o primeiro cemitério público a ser inaugurado no Porto.
Já na parte de dentro do cemitério salta-nos logo à vista a fachada da capela.

03.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (28)

 Quando se começou a construir o edifício do seminário deu-se início, também, à construção de uma igreja que devia apoiar esta instituição. Mas não se foi além da capela-mor. Quando se transformou a Quinta do Prado em cemitério, o que estava construído da igreja foi aproveitado para servir como capela, para a celebração das últimas cerimónias fúnebres antes do enterramento. A capela é de invocação de São Vitor, nome (…) [da rua daqui próxima].

Um pouco antes da capela, à esquerda, quando se entra, ergue-se o monumento «aos vencidos» que evoca a memória dos que tombaram na Revolta Republicana de 31 de janeiro de 1891, a primeira tentativa em Portugal para derrubar a monarquia.

04.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (2)

Olhando lá para o fundo vemos outro monumento em forma de meia-lua. É uma escultura de Zulmiro de Carvalho e foi inaugurada durante as comemorações dos 150 anos do cemitério.

05.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (21)

Atrás de nós está uma coluna de pedra que assinala o local onde está o ossário dos bombeiros portuenses.

06.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (27)

Uma curiosidade: o sino que nesta entrada se toca de cada vez que chega um funeral, pertenceu à Igreja do Convento de São José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças que fora construído, em 1704, no quarteirão ainda hoje chamado das Carmelitas, junto aos Clérigos.

07.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (26)

Agora, olhe para a esquerda. O busto em bronze, esculpido pelo grande Soares dos Reis, é de Francisco de Almada e Mendonça.

08.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (25)

[Veja-se onde o busto assenta e respetivas inscrições]

09.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (24)

Francisco de Almada sucedeu a seu pai, João de Almada e Melo, na obra da remodelação do Porto. A cidade deve-lhe a maior parte dos grandes melhoramentos que se fizeram nos finais do século XVIII. Francisco desempenhou os mais importantes cargos políticos e administrativos da cidade; geriu imensos capitais e… morreu pobre em 1804.

Foi um grupo de amigos que pagou o funeral. Foi sepultado na Igreja de Santa Casa da misericórdia do Porto de que fora provedor. Em 1839, a Câmara do Porto, como forma de, digamos assim, legitimar o novo cemitério, fez transladar os restos mortais de Francisco de Almada para o Prado do Repouso. A colocação do busto só aconteceu mais tarde, em 1883.
Vamos continuar aqui junto ao muro que separa o cemitério do Colégio dos Salesianos. E vejam este mimo: um portal manuelino incrustado na parede.

10.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (4)

Pertencia a uma porta do Mosteiro das Freiras de São Bento da Ave-Maria que esteve no sítio onde foi construída a Estação de São Bento. Foi para aqui que vieram, após as demolições do mosteiro e da igreja, os restos mortais das abadessas e das freiras que haviam sido sepultadas nos claustros ou no interior do templo.

Continuando por este passeio, e no cruzamento com a rua principal, eis que surge um enorme crucifixo.

11.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (6)

Foi oferta de um particular e é grande a devoção popular por esta imagem de Jesus crucificado.

Certa ocasião, o vereador municipal Santos Henriques, discordando do culto de que aquela cruz era alvo, mandou-a arrancar e ordenou que fosse entregue a um museu. Por pouco tempo lá esteve. Voltou depressa ao lugar onde estava e o vereador ficou com o triste epíteto do «arranca Cristos».
Já agora, mais um passo em frente para admirarmos outra pequena relíquia, aquele cruzeiro todo lavrado em pedra, que está ao cimo da escadaria que dá acesso à secção inferior do cemitério.

12.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (7)

O povo deu-lhe um nome: «Senhor do Assobio»; mas ninguém sabe porquê. É obra do século XVII de canteiro popular. Veio para aqui do Mosteiro de São Bento da Ave-Maria, segundo consta de uma lápide aposta no pedestal.

Regressemos à rua principal, junto do enorme crucifixo, para subir em direção à saída norte do cemitério. E logo aqui, numa esquina à esquerda, topamos com um curioso jazigo, uma espécie de gruta toda engrinaldada de heras e como que protegida, na frente, por uma grade de ferro, a imitar troncos de árvores entrelaçados. Em cima, meio escondido pela folhagem, está o busto de quem aqui foi sepultado: o alfaiate António Pereira Baquet, o fundador do célebre Teatro Baquet, que ardeu em 1888.

13.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (15)

O teatro tinha uma entrada principal na Rua de Santo António e uma de saída para a Rua de Sá da Bandeira, onde agora está um hotel que se chama precisamente «Teatro».

Continuemos na rua principal do cemitério

14.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (11)

e, sensivelmente a meio desta subida, do lado esquerdo, aparece-nos o setor 33. Viramos à esquerda na parte superior desse quarteirão e, lá ao fundo, do lado esquerdo, aparece-nos uma bela imagem de São Francisco de Assis esculpida em mármore. Tão preciosa, que os serviços de manutenção do cemitério pedem para não colocarem cera junto da estátua para preservar de possíveis danos causados pelo fumo das velas.

15.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (10)

A imagem de São Francisco identifica o jazigo que uma tal Henriqueta Emília da Conceição mandou construir em 1868, em honra de Teresa de Jesus. A este túmulo anda ligada uma estranha história em que o macabro se ligou a uma intensa paixão ou, se pretender, ao mais acrisolado amor (…).

Antes de sair desta zona, uma chamada de atenção para a capela-jazigo que se situa à direita da campa de Teresa de Jesus, já no setor 34. Aparentemente nada tem de anormal, mas há ali uma lápide e uma pequena escultura de Péssimo. Lembra de neste jazigo, em 19 de maio de 1900, foram enterrados os restos mortais do poeta António Nobre e que, em 5 de maio de 1946, os levaram daqui para um mausoléu especial, no cemitério de Leça de Palmeira.
Antes de sairmos, e de novo pela rua principal do cemitério, mais duas curiosidades, mas desta feita na secção privativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto. É aí, mais adiante, à esquerda. Cá está. Entremos e vamos até junto da porta da capela, lá ao fundo. Olhe agora à esquerda. Aí está um jazigo original. Repare naqueles quadros moldados em bronze. Representam duas tecelagens. Em cima, um medalhão de Francisco José Nogueira,

16.- IMG_9798[8]

(Busto de Francisco José Nogueira;

Fonte:- http://www.orienteeterno.org/2015/11/prado-do-repouso-oporto.html) 

o proprietário da Fábrica de Sedas Nogueira que ocupou um vasto quarteirão entre as ruas da alegria e de Fernandes Tomás, onde agora está o centro comercial Plaza. Um pouco mais atrás vemos outro túmulo, este imponente, todo feito em granito e rematado por uma pirâmide. É o mausoléu onde repousam os despojos dos Mártires da liberdade.

17.- 5531840_orig

(Fotografia de Ruy F. de Brito e Cunha, 2008)


[Cuja lista de nomes se pode observar na respetiva lápide:]

18.- 5463823_orig

(Fotografia de Ruy F. de Brito e Cunha, 2008)


Foram doze os liberais que, em 1829, participaram numa revolta contra o reinado absolutista de D. Miguel e foram enforcados na então chamada Praça Nova, que hoje, em honra desses patriotas, se chama Praça da Liberdade. Após as execuções, os corpos foram decapitados e as cabeças, espetadas cem altas varas, foram colocadas diante das casas dos parentes mais próximos das vítimas. Os corpos foram sepultados no «Adro dos Enforcados», que se situava, à altura, onde agora está a Urgência do Hospital de Santo António. Em 1836, já em pleno regime liberal, os cadáveres dos Mártires da Liberdade foram metidos num sarcófago que foi colocado na Igreja de Santa Casa da Misericórdia do Porto. Em 1878 vieram daquele templo para este lugar.
Como já deve ter reparado, há neste cemitério um enorme conjunto de obras de arte: estátuas e imagens de grande interesse artístico;

19.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (12)

(Mausoléu de um empresário portuense, em forma de diamante, com ornamentos de cobra)

20.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (17)

(Mausoléu de Francisco Martins e Castro, negociante que foi de Iguassu, Império do Brazil)


jazigos-capela de enorme valor arquitetónico;

21.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (18)

(Exemplar I)

22.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (19)

(Exemplar II)


lápides com legendas que vale a pena conhecer; e uma arborização fora de série, onde se misturam ciprestes, cameleiras, tulipeiros, palmeiras, araucárias e magnólias (…)”

23.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (5)

(Cenário I)

24.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (13)

(Cenário II)

25.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (8)

(Cenário III)

26.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (9)

(Cenário IV)

27.- Porto - Cemitério Prado do Repouso (20)

(Cenário V)

29.- unnamed


(Planta do cemitério do Prado do Repouso.
Fonte:- https://www.flickr.com/photos/teodias/8120349966/in/photostream/)


nona


publicado por andanhos às 09:00
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