Sábado, 29 de Abril de 2017

Por terras da Ibéria: Caminho de São Salvador - Mieres del Camino-Oviedo

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

 

8ª e última etapa:- Mieres del Camino (La Peña) - Oviedo

 

05.maio.2017

01.- Camino del Salvador-8ª etapa (452)

Introdução


Na nossa rubrica «Versejando com imagem», de 14 de maio de 2016, falávamos de Oviedo e da sua La Regenta.


Neste nosso último post sobre a reportagem do Caminho de São Salvador, não resistimos a coloca-la como figura de proa, de Oviedo, a escultura colocada defronte da Praça D. Afonso II, o Casto, com o seu rosto triste, sombrio, olhando, de soslaio, para a Catedral.


É com esta personagem e a sua história, magistralmente contada pelo escritor Leopoldo Alas «Clarin» que, nesta 8ª e última etapa, nos despedimos do Caminho de São Salvador e da cidade de Oviedo, objetivo último que nos propusemos a alcançar quando, partimos de León, província de Castela, percorrendo a Cordilheira Central Cantábrica, faz exatamente hoje um ano - 28 de abril de 2016.


Vamos, assim, hoje, deixar este Caminho.


No próximo dia 4 de maio, depois de prestarmos uma homenagem singela a uma Estrelinha que brilha no céu, sairemos a pé de nossa casa, percorrendo o Caminho Português Interior de Santiago.


Para quem está na cidade de Chaves, apenas cerca de meia etapa fazemos em território português. É que, ao chegarmos a Verin, a «rota» a seguir deste Caminho Português Interior de Santiago é a do Caminho Sanabrês, ou seja, a do Caminho da Via da Prata, para quem quer atravessar a Sanábria.


Em 2007, fizemos o Caminho Sanabrês, começando em Laza. Chegados a Verin, vamos seguir a variante que vai por Xinzo de Limia. Mas, mais pormenores, ficarão para a reportagem que faremos do Caminho Português Interior de Santiago que, como dissemos, no próximo dia 4 de maio, vamos iniciar.
Agora, vamos ao sucinto relato desta nossa 8ª e última etapa do Caminho de São Salvador.

 

1.- La Peña - El Padrún


Reproduzamos o que, a 5 de maio de 2016, dizíamos nas nossas «notas»/memórias do Caminho:
O albergue de La Peña ficou por conta de dois portugueses e de um checo, que diz que faz o Caminho só bebendo água, mas que, uma vez por outra, lá o vemos a comer fruta. E, sabe-se lá, se algo mais... Diz Florens que o «nosso» checo Buthan parece ser um semi-peregrino e um semi-turista. É que, levantando-se tão tarde, achamos que não faça o Caminho todo a pé! Who knows? Saímos os dois como sempre, entre as sete e as oito menos um quarto para darmos início à nossa jornada de hoje. Tomámos o pequeno-almoço no hotel onde ontem à noite petiscamos qualquer coisa e, de imediato, começámos a nossa «reta» final”.


Reta essa que não foi tão reta como isso: foi um caminhar constante pelo asfalto, numa estrada sem fim (As-242), sempre a subir,

02.- Camino del Salvador-8ª etapa (16)

 
passando por La Rebollá/La Rebollada, aos pés do pico Gua, pela Igreja de Santa Maria Madalena,

03.- Camino del Salvador-8ª etapa (13)


de fundação românica, mas demolida em 1921, e que guarda uma bonita imagem de São Lázaro.

04.- Camino del Salvador-8ª etapa (17)
(Um aspeto de La Rebollá/La Rebollada)


No cimo de La Rebollá/La Rebollada, e lá ao fundo, Mieres del Camino.

05.- Camino del Salvador-8ª etapa (34)


O Caminho continua a subir,

06.- Camino del Salvador-8ª etapa (52)


Entretanto, à nossa esquerda, a bacia mineira do rio Caudal, com a Central térmica La Peredo e o poço de San Nicolás.

07.- Camino del Salvador-8ª etapa (56)
(Um aspeto)

08.- Camino del Salvador-8ª etapa (65)
(Outro aspeto)


Seguem-se depois os bairros ou aldeias de La Rebollá/La Rebollada, como Repitaneo, El Rollu/Rollo, Copián (que teve uma albergaria), Santa Lucía e Aguilar.

09.- Camino del Salvador-8ª etapa (77)


Até que chegámos a El Padrún.

10.- Camino del Salvador-8ª etapa (86)

 

2.- El Padrún - Olloniego


Em El Padrún, fizemos um desvio à direita, em direção a Casares, observando a paisagem circundante,

11.- Camino del Salvador-8ª etapa (115)


e, aqui, descendo,

12.- Camino del Salvador-8ª etapa (124)


voltámos à AS-242 para, logo de seguida, entrarmos em Olloniego, deparando-nos com a sua estação de caminho-de-ferro, pormenores do seu casario,

13.- Camino del Salvador-8ª etapa (134)

 
e com a fonte barroca de Los Llocos.

14.- Camino del Salvador-8ª etapa (144)


Depois de passarmos por debaixo da A-66, voltámos a entrar na AS-242 para acedermos ao centro de Olloniego.


Olloniego encontra-se dividida a meio pelas vias de comunicação (estrada, autoestrada e caminho-de-ferro) e nela podemos encontrar, praticamente, todos os serviços que um peregrino necessita.


Terra de mineiros, não podia faltar o monumento àqueles que já morreram, mas que não deixam de perdurar na memória dos vivos.

15.- Camino del Salvador-8ª etapa (173)


Parámos num dos cafés para o reforço do nosso pequeno-almoço.


No centro, a sua Igreja Matriz.

16.- Camino del Salvador-8ª etapa (176)


Saímos,

17.- Camino del Salvador-8ª etapa (184)


observando o seu casario típico, onde pinturas, nele apostas, refletem o folclore asturiano.

18.- Camino del Salvador-8ª etapa (163)


Até que fomos ao encontro do Conjunto Histórico de Olloniego.


O conjunto é constituído pela capela,

19.- Camino del Salvador-8ª etapa (190)


pelas ruinas de um Palácio de Quirós e a Torre Muñíz

20.- Camino del Salvador-8ª etapa (212)


e, ainda, pela ruínas de uma ponte.

21.- Camino del Salvador-8ª etapa (214)


Este complexo de edificações é de origem medieval, reunindo uma obra religiosa, outra civil e uma obra de engenharia, ligadas a um caminho e a um manancial natural.


A ponte medieval foi destruída no século XVII. Na altura contava com 5 arcos, de diferentes alturas. Foi outrora um antigo caminho para a Meseta. Atualmente apenas vemos 3 arcos, sendo o do centro o mais alto. Foi, possivelmente, construída no século XV para ultrapassar o rio Nalón, o maior rio das Astúrias. Em 1676, devido a uma grande cheia, o leito do rio desviou e, por isso, deixou de, por ela, passar o rio.


Este conjunto de ruínas, em 1991, foi declarado Conjunto Monumento Histórico.

 

3.- Olloniego - Picullanza


Depois de passarmos pela Ponte, pela Torre Muñiz e Palácio de Quirós, deixámos Olloniego, e, ainda pela AS-242, com prados à nossa volta,

22.- Camino del Salvador-8ª etapa (220)


atravessámos o rio Nalón,

23.- Camino del Salvador-8ª etapa (231)


pela ponte por onde passa a Estrada de Castela, no final da qual se localiza o edifício que servia de portagem - a Real Portazgo -, sempre presente nas grandes vias de comunicação.

24.- Camino del Salvador-8ª etapa (241)


À saída da ponte sobre o rio Nalón, virámos à direita para, por uma vereda íngreme,

25.- Camino del Salvador-8ª etapa (242)


nos dirigirmos para Picullanza.


No começo desta vereda, aparece-nos um leguário, que nos indica a distância a que estamos de Oviedo: uma légua e meia.

26.- Camino del Salvador-8ª etapa (236)


No século XVI, a légua castelhana correspondia, sensivelmente, a 20 000 pés, ou seja, 5, 572 Km.


Para chegarmos a Picullanza, penetrámos na montanha, e, sempre a subir, alcançámos uma antiga calçada,

27.- Camino del Salvador-8ª etapa (261)


por entre campos verdejantes

28.- Camino del Salvador-8ª etapa (256)


e com este lindo panorama ao longe.

29.- Camino del Salvador-8ª etapa (277)


O espigueiro asturiano está sempre presente na paisagem.

30.- Camino del Salvador-8ª etapa (278)


Chegados a Picullanza, eis a paisagem próxima à nossa volta.

31.- Camino del Salvador-8ª etapa (286)


À saída de Picullanza, concelho de Ribeira de Arriba, na descida, começámos a vislumbrar Oviedo com o seu casario, distinguindo-se nele o Palácio de Exposições e Congressos, obra de Santiago Calatrava.

32.- Camino del Salvador-8ª etapa (283)


4.- Picullanza - Manjoya


Continauando a descer, no final, passámos pela venta del Aire e San Miguel e pelos arroios de La Ceprosa e Morente, rodeados pela paisagem verdejante asturiana, em tempos de primavera,

33.- Camino del Salvador-8ª etapa (296)


não nos largando de vista o espigueiro asturiano dentro das aldeias,

34.- Camino del Salvador-8ª etapa (307)


e, nos campos, as medas de palha, feitas à nossa moda.

35.- Camino del Salvador-8ª etapa (315)


Ainda na descida, e até aos arroios de La Ceprosa e Morente, o Caminho não para de nos surpreender, com as suas árvores

36.- Camino del Salvador-8ª etapa (325)


e o seu verde.

37.- Camino del Salvador-8ª etapa (320)


No começa da subida, que agora tínhamos pela frente até ao início da sede de Manjoya, mais um espigueiro asturiano ao longo do Caminho,

38.- Camino del Salvador-8ª etapa (339)


enquanto íamos percorrendo os lugares de Caxigal, Los Prietos, Los Barreros e El Caserón, todos da paróquia de Manjoya.


Num desses lugares, numa pequena área de descanso, junto a esta fonte,

39.- Camino del Salvador-8ª etapa (361)


parámos.


Um «maior» aproximou-se de nós e, os três sentados, fomos conversando. O tema da conversa foi a vida, difícil, de labuta, do nosso «maior»: a sua luta e, agora, as suas mazelas. No meio da conversa, uma olhadela para o nosso entorno que, de perto e ao longe, nos rodeava.

40.- Camino del Salvador-8ª etapa (359)


E pusemo-nos a caminho até à sede da paróquia de Manjoya.


À nossa frente, e já muito mais próxima, uma panorâmica de Oviedo.

41.- Camino del Salvador-8ª etapa (375)


Até que, chegados perto das ruínas da ermida de Santiago,

42.- Camino del Salvador-8ª etapa (379)


deparámos com o pináculo da torre da Catedral de Oviedo.

43.- Camino del Salvador-8ª etapa (383)


Diz-nos o Eroski Consumer, citando Juan Uría, que Manjoya deriva de Monxoi (Monte do Gozo), como expressão de júbilo que os peregrinos, chegados aqui, experimentavam quando se encontram próximos do final da sua viagem.

 

5.- Manjoya - Oviedo


Junto à moderna Igreja de Santiago,

44.- Camino del Salvador-8ª etapa (385)


passámos debaixo da A-66 para acedermos ao bairro de São Lázaro.

45.- Camino del Salvador-8ª etapa (395)


Pela rua Malatería, junto ao pequeno parque de inverno, fomos ter à rua Gil Blas para, depois, nos dirigirmos à de Aurélio del Llano, confluindo na de Muñoz Degrain, até chegarmos ao monumento ao peregrino.


Antes de entrarmos no Centro Histórico de Oviedo, há que passar pela rua Campomanes e observar o monumento/escultura erguida a este homem asturiano, que foi político, jurisconsulto e economista espanhol.

46.- Camino del Salvador-8ª etapa (410)


Entrámos no Centro Histórico de Oviedo pela rua Magdalena, em dia de feira,

47.- Camino del Salvador-8ª etapa (416)
(Perspetiva I)

48.- Camino del Salvador-8ª etapa (418)

(Perspetiva II)

49.- Camino del Salvador-8ª etapa (419)

(Perspetiva III)

50.- Camino del Salvador-8ª etapa (420)

(Perspetiva IV)


O mesmo Juan Uría diz-nos que os peregrinos, antigamente, entravam em Oviedo “às vezes em tropel, trazendo candeias de cera e cebo, acompanhados pelos albergueiros”.


E nós

51.- Camino del Salvador-8ª etapa (435)


passámos pelo Arco do Ayuntamiento, praça Fontán,

52.- Camino del Salvador-8ª etapa (427)


onde se encontra a bonita escultura (à nossa esquerda, na imagem acima) da Bella Lola, para, finalmente, pela rua Cimadevilla e La Rua entrarmos na praça Afonso II, o Casto, presidida pela Santa Ovetensis, e onde nos espera a não menos bela La Regenta.

53.- Camino del Salvador-8ª etapa (445)


Chegámos à praça Afonso II, o Casto, eram horas do almoço. No meio da etapa, tínhamos apenas comido uma peça de fruta. A fome, por isso, já apertava.


Numa das esplanadas de um restaurante situado na praça D. Afonso II, sentámo-nos para nos «deliciarmos» com as «iguarias» asturianas, onde não faltou o célebre queijo de Cabrales, tão apreciado pelo meu companheiro Florens, mas «pólvora» para a nossa dieta.


Pedimos aos simpáticos donos para nos guardarem as mochilas durante a tarde, enquanto visitávamos a Catedral de Oviedo, o Museu e a sua Câmara Santa.


Feito o percurso turístico cultural e religioso na Catedral, Museu e Câmara Santa, foi a hora de irmos, na Catedral, levantar a nossa Salvadorana, documento comprovativo de que fizemos o Caminho de São Salvador.


Decidimos ficar no albergue de peregrinos «El Salvador», de Oviedo e, durante o resto da tarde, descobrir, mais em pormenor, a cidade/capital das Astúrias.


Quando fizemos o Caminho Primitivo, partimos daqui desta cidade. Mas não tivemos grande tempo para uma visita mais demorada a esta cidade.


No albergue de peregrinos de Oviedo tivemos direito a um quarto só para os dois. Foi uma noite de sono repousante.


Quando, de manhã, nos levantámos para nos dirigirmos para a estação de caminho-de-ferro, que nos havia de levar de Oviedo a Ourense, o dia apresentava-se plúmbeo e chuvoso.


Gostaríamos, ainda antes de partir, de ir ver a Igreja pré-românica asturiana de Santa María del Naranco. Mas o tempo não convidava muito a esta deslocação para a visitarmos.


Ficou para outra oportunidade.


Tomámos o pequeno-almoço na cafetaria da estação de Oviedo e fomo-nos entretendo a ver o movimento, até que a hora da nossa partida chegasse.


Gostámos da viagem de comboio de Oviedo para León. A de León para Ourense já a tínhamos feito quando pretendemos iniciar o Caminho e ficámos em León para conhecer esta cidade castelhana.


Ao chegarmos a Ourense, esperámos um pouco até que o irmão mais velho do Florens chegasse de Chaves e nos devolvesse às terras tameganas de Aquae Flaviae, com o nosso objetivo atingido.


publicado por andanhos às 12:27
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2017

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Pola de Lena-Mieres del Camino

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

001.- 7ª etapa CSS (323)

 

7ª etapa:- Pola de Lena - Mieres del Camino

 


Prólogo

 

Desde 22 de fevereiro que não entramos neste nosso blogue.


Às vezes faz-nos falta uma pequena pausa, estarmos um pouco afastados, de um modo especial das redes sociais, para não nos deixarmos viciar e, porque não dizê-lo, dar espaço mais à reflexão.


Na dita Galáxia de Gutenberg, costuma(va)-se dizer que uma imagem vale (ia) mais que mil palavras. Hoje, em plena Galáxia da Internet, a Era da Informação, da rede, propicia-nos estar praticamente em todos os cantos do mundo, ao toque de um simples clique, no mesmo instante em que escrevemos. É, positivamente, um novo paradigma e uma nova sociedade em que as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) nos moldam e, por sua vez, nós as moldamos.


Daí que refletir sobre o valor da imagem nos tempos que correm é uma tarefa importante e urgente. As imagens na rede «rolam» a uma velocidade estonteante. Provocam certamente, e momentaneamente, sensações e emoções. Mas será que serão duradouras? Será que suscitam a nossa reflexão? Das mil palavras eventualmente nela contidas, não resta espaço para qualquer reflexão. Tão depressa aparecem como tão depressa se esquecem! Será que contribuem para a construção de uma sociedade outra, de um outro Homem, mais ativo, consciente e responsável pelos problemas da sociedade em que vive? Ou tudo não passa de uma comédia (ou tragicomédia), num mundo onde reina a alienação, por via do virtual?


Se inevitavelmente não podemos fugir ao novo paradigma ou nova Galáxia que criámos, inevitavelmente também é forçoso refletir que sociedade queremos construir com os portentosos meios de comunicação que constantemente estamos a criar e a aperfeiçoar.


Fazer pausas, não nos deixarmos «ir na onda», distanciarmo-nos para melhor refletir, às vezes, é necessário.


Feito este pequeno prólogo, melhor apelidado de inquietação/reflexão, vamos ao que hoje aqui nos trouxe.

 

Introdução

 

A pouco mais de um mês de iniciarmos mais uma peregrinação rumo a Santiago de Compostela, não queríamos iniciar esta caminhada sem fazer a reportagem da que, no ano passado, fizemos pelos trilhos e veredas do Caminho de São Salvador.


Estamos a duas etapas da nossa chegada a Oviedo, término do nosso percurso. Esta, a sétima, é, portanto, a penúltima.


Vamos, então, pegando nas nossas memórias registadas no nosso moleskine, dar umas breves pinceladas sobre o itinerário desta etapa. Etapa de 15 Km e pico, aproximadamente, que, afinal de contas, não passou de um verdadeiro passeio fluvial.


Antes de partirmos de Pola de Lena, saídos do albergue, fomos tomar o pequeno-almoço ao Hotel via da Prata.


E aqui deixamos um pequeno aparte, constante das nossas notas/memórias deste dia. Rezam assim: “pensávamos que neste Caminho íamos emagrecer um pouco. Puro engano! O andar puxa o apetite e as comidas castelhanas e asturianas, grande parte delas à base de enchidos e queijos, muito «puxadas», não são propensas a favor da estética. Que saudades já temos das sopas lá de casa!


Quando nos dirigíamos para tomar o pequeno-almoço, demos com a presença da nossa companheira Justina na praça principal de Pola de Lena. A partir daqui nunca mais a vimos. Fez uma direta de Pola de Lena até Oviedo para, depois, continuar, pelo Caminho Primitivo, até Santiago de Compostela. Grande resistência a da miúda, vinda já de Madrid. Valente esimpática, esta jovem!


Tomado o pequeno-almoço, pusemo-nos a caminho.

 

1.- Pola de Lena - Villallana (Villayana)

 

Fomos, durante os dois primeiros quilómetros, acompanhados pelo rio Lena,

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caminhando ao lado de uma estrada asfaltada, praticamente sem nenhum trânsito, utilizada todos os dias pelos locais para fazerem as suas matinais caminhadas, apelidando-a, como tal, por «estrada do colesterol».

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Ao longo da mesma estrada, projeta-se o polígono industrial de Pola de Lena,

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tendo, à nossa esquerda, a margem do rio Lena, pejada de vegetação, em tempo primaveril, evocando-nos lugares bucólicos de outros tempos, e, do nosso lado direito, correndo paralela ao nosso Caminho, a Estrada AS-242,

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com o casario dependurado mais acima.

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O início do dia começou um pouco fresco, com neblina.


Em pouco tempo, estávamos na gasolineira.

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Nas suas traseiras, mais uma vez o rio Lena, com as suas águas límpidas, fugidias.

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Da gasolineira, uma vista parcial do casario de Villallana (Villayana).

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Não parámos no café da gasolineira. O pequeno-almoço, tomado no Hotel da via da Prata, ainda se impunha nos nossos estômagos. Continuámos caminho por entre o casario de Villallana (Villayana), destacando, na passagem, para além da sua igreja matriz, na Praça de Cristo, este típico espigueiro asturiano.

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Até que fomos ter à estrada asfaltada - a AS-242. Tínhamos percorrido 3,8 Km.

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2.- Villallana (Villayana) - Ujo (Uxo)

 

À saída de Villallana (Villayana), o traçado da As-242, sem praticamente berma nenhuma, é perigoso.

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Valeu a paisagem, ao longo das margens do rio Lena, verdejantes e com o seu casario.

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Percorrida a AS-242, o rio Lena junta-se ao rio Aller, dando origem ao rio Caudal, já muito próximo de Ujo (Uxo), pertencente à paróquia de Mieres del Camino.

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Tempo de pausa para o nosso companheiro tirar uma foto aos primeiros metros do recém-nascido rio Caudal.

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E, em Ujo (Uxo), começa verdadeiramente o nosso passeio fluvial.

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Esta etapa não nos indica qualquer desvio para o centro de Ujo (Uxo). Como hoje o nosso percurso era curto e fácil de percorrer, estando um dia lindo de sol, não resistimos e fomos dar uma espreitadela ao centro.


O que nos chamou mais a atenção foi a sua igreja românica, de Santa Eulália.

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A localização e posicionamento das suas respetivas fachadas não são as primitivas. As necessidades do progresso, nomeadamente a via-férrea que passa por estas bandas, obrigou a que a localização fosse ligeiramente alterada bem assim as respetivas fachadas.


Enquanto esperávamos para ver o seu interior,

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ao seu lado, um plantio de batatas.

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Parámos no adro, ou grande largo da Igreja, e, num café, agora sim, fizemos o reforço do nosso pequeno-almoço.

 

3.- Ujo (Uxo) - Mieres del Camino


Comidos, pusemo-nos novamente a caminho,

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indo ao encontro do nosso trajeto, um autêntico passeio fluvial,

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que nos levou, ao longo do rio Caudal

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até Mieres del Camino.


Deixamos aos leitores (as) pequenos recortes do nosso passeio fluvial, ora com o nosso companheiro Florens,

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ora com o Florens cruzando-se com os residentes do local, no seu passeio de fim manhã,

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ora, do outro lado do rio, de uma estação de caminho-de-ferro,

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bem assim, as instalações do Recinto Ferial de Meires,

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ou, ainda por fim, um dos aspetos da paisagem do rio Caudal.

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Saídos do passeio fluvial, atravessámos a A-66 por um túnel

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e por uma das vias do FEVE, através de um passadiço, observando a Estação.

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 Entrámos em Mieres del Camino por esta ponte/observatório.

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E daqui uma panorâmica sobre o casario ao redor de Mieres.

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Bonito, mesmo!

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E, finalmente, entrámos no Centro de Mieres del Camino, percorridos que estavam 14, 1 Km.

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E, atravessando Mieres del Camino, deixamos aqui aos leitores(as) uma vista do colégio local,

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um conjunto escultórico dedicado a Teodoro Cuesta,

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e, passando ao lado da Igreja Matriz,

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entrámos na Praça de São João, mais conhecida por do Requeixu.

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Nesta Sidraría, sentámo-nos na esplanada para almoçar.

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Enquanto aguardávamos pelo nosso repasto, nosso olhar se entretinha na observação do entorno da praça, que nos rodeava.

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

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(Pormenor III)


E, como não podíamos deixar passar, eis uma cena das «habilidades» de um dos empregados das sidrarías locais, servindo a sidra.

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Leiamos o relato do blogue O Viajante Comilão quanto a este ritual:
"A maneira de servir a sidra é bem peculiar:
1) Em uma das mãos, braço esticado acima da cabeça, fica a garrafa; na outra, fica o copo, o mais abaixo possível, normalmente com o braço colado ou à frente do corpo; possível, normalmente com o braço colado ou à frente do corpo;
2) Importante dizer que não se deve beber todo o conteúdo da garrafa – como a bebida normalmente não é 2) Importante dizer que não se deve beber todo o conteúdo da garrafa – como a bebida normalmente não é filtrada, no fundo da garrafa ficam depositados resíduos da bebida. Antes de abrir a garrafa, portanto, deve-se filtrada, no fundo da garrafa ficam depositados resíduos da bebida. Antes de abrir a garrafa, portanto, deve-se agitá-la brevemente, a fim de que os resíduos depositados no fundo da mesma misturem-se à bebida, o que agitá-la brevemente, a fim de que os resíduos depositados no fundo da mesma misturem-se à bebida, o que trará sabor à bebida; trará sabor à bebida;
3) Para servir a sidra, deve-se derramar o líquido da garrafa contra a lateral do copo, de forma que o contato 3) Para servir a sidra, deve-se derramar o líquido da garrafa contra a lateral do copo, de forma que o contato com o mesmo provoque a oxigenação (gaseificação) da bebida. Na Espanha, esta ação é chamada de com o mesmo provoque a oxigenação (gaseificação) da bebida. Na Espanha, esta ação é chamada de “escanciar”, “echar” ou “tirar”. Uma garrafa de sidra deve servir, normalmente, de quatro a seis doses; “escanciar”, “echar” ou “tirar”. Uma garrafa de sidra deve servir, normalmente, de quatro a seis doses;
4) É normal cair um pouco no chão – por isso normalmente a bebida é servida ao ar livre, e nos casos dos 4) É normal cair um pouco no chão – por isso normalmente a bebida é servida ao ar livre, e nos casos dos restaurantes/sidrerias é comum existir serragem no chão para absorver o que espirra, ou até mesmo um restaurantes/sidrerias é comum existir serragem no chão para absorver o que espirra, ou até mesmo um baldinho para evitar sujeira; baldinho para evitar sujeira;
5) Não se deve colocar mais do que 2 dedos de bebida no copo, a mesma deve ser consumida imediatamente, 5) Não se deve colocar mais do que 2 dedos de bebida no copo, a mesma deve ser consumida imediatamente, normalmente numa única golada; normalmente numa única golada;
6) Não se bebe todo o conteúdo do copo – deve-se deixar um restinho, que será jogado fora. Como é hábito 6) Não se bebe todo o conteúdo do copo – deve-se deixar um restinho, que será jogado fora. Como é hábito que numa sidreria várias pessoas partilhem o mesmo copo, o que sobra no copo normalmente esteve em que numa sidreria várias pessoas partilhem o mesmo copo, o que sobra no copo normalmente esteve em contato com a boca do último que bebeu. Joga-se fora e coloca-se uma nova dose para o próximo. Além do contato com a boca do último que bebeu. Joga-se fora e coloca-se uma nova dose para o próximo. Além do mais, a tradição asturiana diz que “deve-se devolver à terra um pouco daquilo que ela nos dá”;
7) Importante dizer que também não se deve beber todo o conteúdo da garrafa – os resíduos que sobrarem ao final não devem ser consumidos.
Quem tiver a chance de visitar a região das Astúrias, vale a pena conhecer uma sidreria".


Para quem deseje conhecer um pouco a história da sidra, aconselha-se a visita ao sítio da internet - https;//es.wikipedia.org./wiki/sidra.


Bem comidos e melhor bebidos, saímos desta típica Praça do Requeixu para completar o quilómetro e meio que nos separava do albergue onde iríamos pernoitar, situado nas redondezas de Mieres del Camino - em La Peña.


Ao longo deste 1,5Km, duas impressivas panorâmicas.

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(Casario)

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(Meio rural)


E entrámos em La Peña. Eram, aproximadamente, 3 horas da tarde.

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Ao chegarmos ao albergue, o nosso companheiro peregrino Buthan já estava à entrada da porta.

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Mas, infelizmente, o albergue só abre às 5 da tarde. Havia, pois, que esperar.


Pusemo-nos à vontade e, cada um a seu jeito, foi-se entretendo.


Florens pegou no nosso cajado e começou a trabalhar nele, acrescentando-lhe alguns pormenores «artísticos».

047.- 7ª etapa CSS (388)


Pela nossa parte, porque, mesmo ao lado ao albergue, se encontrava a igreja da localidade de La Peña,

048.- 7ª etapa CSS (384)


entrámos para lhe dar uma olhadela.

049.- 7ª etapa CSS (396)


Vinte minutos antes da 5 da tarde, a senhora Carmiña, que mora nas redondezas do albergue, vendo que já estávamos ali há já bastante tempo, tendo a chave do albergue, veio abri-lo para nós entrarmos.


Passado pouco tempo chega o albergueiro, de nome Paulino, pouco amante das caminhadas, mas apaixonado por um dedo de conversa. Passou connosco quase duas horas, ora falando de si, da sua vida e da sua terra. Tendo algumas responsabilidades na comunidade de La Peña, foi-nos mostrar, com orgulho, a Escola de Música. Tudo isto depois de tomarmos banho, lavado a roupa e posta e secar ao sol radiante daquela tarde.


antes de irmos jantar, ou melhor, de irmos comer um «bocadillos» com cerveja no hotel local, fomos ver o lavadouro El Batan.

050.- 7ª etapa CSS (427)


Aqui se limpa(va) o carvão, dado a zona ser essencialmente mineira. Tirámos fotos e observamos os viadutos das diferentes entradas que por aqui passam.

051.- 7ª etapa CSS (420)


E já que falamos em lavadouros, aqui fica o lavadouro público de La Peña.

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Ao nos dirigirmos para o hotel local para apaziguar o nosso apetite,

053.- 7ª etapa CSS (457)


eis três pormenores do que mais típico e peculiar da zona fomos encontrando pelo trajeto.

054.- 7ª etapa CSS (449)
(Pormenor I)

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(Pormenor II)

056.- 7ª etapa CSS (448)
(Pormenor III)


Enquanto comíamos, assistimos à primeira parte da partida de futebol entre o Real Madrid e o Manchester City (Champions). O Real Madrid ganhava, na 1ª parte, 1-0.


Ao intervalo saímos e fomos para o albergue. Pela internet, pelos vistos, o resultado deste jogo manteve-se até ao final.


Eram horas de dormir para, no dia a seguir, enfrentarmos a última etapa desta nossa aventura pelos trilhos e veredas do Caminho de São Salvador que, de Leon (Castela), nos levou até Oviedo (Astúrias).


publicado por andanhos às 18:16
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