Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Por terras de Portugal:- Porto - Mais uma expressão genuinamente portuguesa nascida no Porto e duas curiosidades

 

 

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

PORTO

 

MAIS UMA EXPRESSÃO GENUINAMENTE PORTUGUESA

 E DUAS CURIOSIDADES

00.- DSCF1510.jpg

Trata-se de um parque de estacionamento enorme: cobre a área dos Clérigos, o Largo ou Praça dos Leões, o Jardim da Cordoaria e suas zonas adjacentes.


Façamos um pequeno aparte.

 

Era um parque de estacionamento como este que, nos anos 90 do século passado, nós gostaríamos de ver construído em Chaves, na Petisqueira (área adjacente ao Forte de São Francisco), com bons acessos e entradas e saídas para todas as zonas da cidade. Na altura, chamaram-nos «louco» porque teríamos, sempre, à nossa perna, os Serviços de Arqueologia. Venceu na Câmara Municipal a proposta, então defendida pelo vereador do PSD, João Rua, atual Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Chaves, e acolitada, se bem nos lembramos, pelos nossos camaradas na Câmara, em especial pelo seu Presidente, Alexandre Chaves. Aparte a «tentativa» de construir um parque subterrâneo no Largo das Freiras, no consulado do nosso camarada e amigo Altamiro Claro, no «reinado» do PSD, de João Batista, veio ao de cima, e foi por diante, a antiga proposta da construção de um parque de estacionamento em frente ao Tribunal de Chaves, pese embora, nos idos 90, a nossa argumentação da exiguidade quanto ao espaço; de toda a área central da cidade de Chaves ser um «pasto» de achados arqueológicos, tal como a Petisqueira, e, finalmente, pela proximidade do rio, ser uma zona com problemas no que se refere a infiltrações de água, desde que se pensasse em mais de um piso. E, como está evidente para todos os flavienses, foi no que deu: apareceu o «Balneário Romano» e construiu-se um «mamarracho», com uma estética «duvidosa», que nem mostra convenientemente o edifício entretanto construído, e descaracterizando, e ofuscando por completo, o edifício do Tribunal. Tudo quanto a seguir veio, no que a parques de estacionamento para chaves diz respeito, não passaram de remendos...

 

Adiante, que não foi este o assunto que hoje aqui nos trouxe.

 

Quando pretendemos estacionar a viatura na parte alta (ou média) do centro da cidade do Porto é, nomeadamente, debaixo do atual Passeio dos Clérigos, zona hoje iminentemente turística, com a Livraria Lello & Irmão por perto.

DSCF1535.jpg

Debalde procurar lugares de estacionamento gratuito. No Porto não há estacionamento que não se pague. Achá-lo é como procurar uma agulha no palheiro!

 

Vamos ao que nos trouxe à nossa escrita de hoje.

 

Numa das vezes em que tomávamos o nosso cimbalino, num dos cafés do Passeio dos Clérigos, pegámos no «Caminhar pelo Porto na companhia de Germano Silva», olhando para a Igreja dos Clérigos e a sua Torre, que nos fica em frente.

01.- DSCF1825.jpg

A páginas 17 da obra acima citada do jornalista e historiador, Germano da Silva, autor de que já no último post falávamos, lemos: “O conjunto dos Clérigos foi construído num terreno que arrastava consigo uma triste história: era conhecido pelo sítio da Cruz da Cassoa e também por Campo das Malvas. Era nele que se enterravam os cadáveres dos indivíduos que morriam na forca. Aquela expressão popular muito conhecida de «mandar alguém para as malvas» tem que ver com a utilidade que se dava ao terreno. «Mandar para as malvas» significava desejar a morte mais ignóbil. O nome da Cruz da Cassoa tem a ver com uma cruz de pedra que assinalava a existência deste cerro dos enforcados”.

 

De um lugar, quase proscrito, nasceu aqui, do traço de Nicolau Nasoni, a obra barroca mais emblemática do Porto.

 

Do cimo da sua torre, na cruz que a arremata, foi produzido o primeiro filme publicitário português de que se tem conhecimento. No ano de 1917, diz-nos o nosso guia Germano da Silva, “dois galegos, os irmãos Puertollanos (José e Miguel) escalaram a torre por fora até atingirem a cruz já no alto onde, sentados, tomaram chá e fizeram propaganda a uma marca de bolachas da época”.

 

Levantámo-nos da mesa do café com a determinação de comprovar uma curiosidade/desafio que nos havia sido proposto por um grande amigo, apesar de portista até à medula: o de ir ao encontro do prédio mais estreito da cidade do Porto.

 

Assomámos a nossa vista até à Praça Gomes Teixeira, um matemático célebre, mas mais conhecida por Praça dos Leões (pela existência de uma fonte/chafariz, adornada com leões, e construída em 1887),

04.- DSCF1826.jpg

mas arrepiámos caminho e fomos pelas traseiras do edifício da Reitoria da Universidade do Porto, onde também está localizado, entre outros serviços, o Museu de História Natural, pela frescura dos plátanos do Jardim da Cordoaria.

 

Não resistimos a deitar os olhos a estes jovens conversando à fresca das árvores do Jardim, em tarde de canícula, uns deitados e outros sentados,

DSCF1622.jpg

bem assim à realização, cremos, de mais um filme publicitário.

DSCF1621.jpg

Contornando o edifício da Reitoria da Universidade do Porto, entrámos na Praça de Parada Leitão (professor catedrático de Física, que combateu no Cerco do Porto pelo liberalismo) e fomo-nos sentar na esplanada do Café Âncora D’Ouro, mais conhecido por «Piolho», defronte destas duas igrejas.

DSCF1749.jpg

Diz-nos ainda Germano da Silva “que de comum [estas duas igrejas] têm somente o estarem ligadas ao culto de Nossa Senhora do Carmo. Na sua conceção arquitetónica são diferentes. [...] A que nos fica à esquerda fazia parte do Mosteiro dos Carmelitas Descalços, cujas instalações (adjacentes, na Rua do Carmo) estão ocupadas por uma Brigada da Guarda Nacional Republicana. A da direita é a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. A Igreja dos Carmelitas, como é conhecida a primeira, foi construída entre 1619 e 1628. A Igreja do Carmo (designação comum da segunda) teve início em 1756 e ficou concluída em 1768 [...] a torre da Igreja dos Carmelitas estava do outro lado. Mudaram-na para onde está agora em 1754 para facilitar à Ordem do Carmo a construção do seu templo. Externamente, a Igreja dos Carmelitas ostenta uma fachada simples, quase desgraciosa. Ao contrário da do Carmo, que é já um belo exemplo do barroco portuense com uma fachada rasgada por janelas e uma vistosa frontaria, que contou com a colaboração de Nasoni. Em 1912, a parede exterior deste templo foi toda revestida com azulejos do italiano Silvestre Silvestri”.

 

Estou adivinhando no que estará o leitor(a) recocando: a que propósito todo este razoado; que curiosidade guardam estas duas igrejas de que vimos falando?

 

Duas igrejas separadas por...

06.- DSCF1524.jpg

Citemos, uma vez mais, Germano da Silva, respondendo ao repto do nosso amigo e ferrenho portista:

Ao observarmos em pormenor estes dois templos, preste atenção a um edifício, porque de um edifício se trata, que está no meio de ambos. É, sem dúvida, o mais estreito da cidade. Lá está, com a sua porta, protegida por um portal de ferro e duas janelas”.

 

07.- DSCF1523.jpg


publicado por andanhos às 18:42
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Domingo, 11 de Setembro de 2016

Versejando com imagem - Antes da noite inteira II

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

Antes da noite inteira (II)

 

rosa_tingida_de_sangue.jpg

 
Não me peçam ternura ou solidão ou água
Não me digam que ainda estou no tempo
Do desfocado azul
Que amanhecia sorrisos, claridades
Sangue de rosas brancas, palpitando...

 


Deixem-me estar assim. Fechar os olhos
Escutando o vento frio, onde nada nasceu
Para embalar nos braços, como um poema morto

 

 

Maria da Purificação - «Antes da noite inteira»


publicado por andanhos às 23:47
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Ao Acaso... - A história da expressão «fino como o alho»

 

 

AO ACASO...

 

A HISTÓRIA DA EXPRESSÃO «FINO COMO O ALHO»

 


Vamos frequentemente ao Porto. Umas vezes, por questões de saúde, pois, infelizmente, o nosso interior está cada vez mais desertificado, reestando apenas os nossos «maiores», pois os jovens deslocam-se para o litoral e os grandes centros, onde se concentra tudo o que é de especialidades, nomeadamente as médicas; outras vezes, para «arejar» e sair desta pasmaceira em que estão transformadas a nossas cidades do interior; e, finalmente, visitar amigos e familiares, ou porque vivam na área metropolitana do Porto, ou porque se encontram retidos em diferentes instituições de saúde da Invicta.

 

Nestas nossas deslocações à apregoada capital do Norte, sempre que podemos, aproveitamos para a conhecer melhor, na sua vida quotidiana e na sua história.

 

Há um certo tempo a esta parte, os livros do penafidelense Germano da Silva, jornalista e historiador, profundo conhecedor e amante do Porto e da sua história, normalmente, acompanha-nos.

 

Se bem que vamos a meio dos itinerários propostos pela publicação da Editora Educação Nacional «Porto - Guia Turístico», deste vez, durante estes últimos dias de permanência na área metropolitana do Porto, pegámos no livro «Caminhar pelo Porto na companhia de Germano da Silva» e propomo-nos a fazer dois, dos sete percursos, sugeridos pelo autor.

 

O primeiro deles leva-nos da Praça da Liberdade a São Bento.

 

Enquanto deambulávamos, descendo de São Bento, pela rua das Flores, a determinado passo, à nossa esquerda, deparámos com uma pequena rua, que mais parece uma travessa, e que vai de encontro à monumental rua de Mouzinho da Silveira. Pelos passos nela dados, e segundo os curiosos que a mediram, não deve ter mais de 30 metros.

DSCF3040.jpg

O seu nome era-nos totalmente estranho - Rua de Afonso Martins Alho.

 

Abrimos o livro de Germano da Silva e, no final da página 31, o autor, em destaque, escreve: “Rua de Afonso Martins Alho - a mais pequena artéria da cidade. O homem que deu nome à curta artéria foi um rico mercador do século XIV que em 1353, em nome do rei português, assinou, em londres, com Eduardo III da Inglaterra, o primeiro tratado de comércio e pesca entre Portugal e Inglaterra”.

 

Sentámo-nos no café da esquina, que a liga à rua de Mouzinho da Silveira

DSCF3045

e, enquanto tomávamos o nosso «cimbalino», pegámos no telemóvel, ligámos os dados móveis (a internet, via wifi, não está ainda tão generalizada, como gostaríamos, nos nossos estabelecimentos comerciais) e procurámos aprofundar a história do homem que dá o topónimo a esta artéria (rua) mais pequena do Porto.

 

Assim, no sítio da internet «ncultura.pt/a-rua-mais-pequena-do-porto», podemos ler, reproduzindo sucintamente o essencial que vem aqui para o caso:


Afonso Martins alho esteve ligado à administração municipal, chegou a ser Vereador da Câmara mas foi, sobretudo, um negociador nato!“.

 

Com efeito, Afonso Martins Alho, mercador do Porto (século XIV), juntamente com Gomes de Limpas, o mercador Limpas, foi enviado por D. Afonso IV a Londres, em 1353, para negociar e firmar o primeiro tratado comercial anglo-luso. Os dois enviados limitaram-se a obter do soberano inglês um salvo-conduto anual para todos os mercadores e navios portugueses nos portos britânicos.

 

Afonso Martins Alho voltou de novo a Londres como mensageiro e procurador dos mercadores e comunidades das cidades marítimas de Lisboa e Porto para celebrar um tratado de comércio, composto por oito artigos, válido por 50 anos, e assinado em Londres em 20 de outubro de 1353.

 

Segundo José Pedro de Lima-Reis no livro «Algumas notas para a história da alimentação em Portugal» (Campo das Letras), constante no sítio da internet acima citado, o acordo com Eduardo III da Inglaterra trata-se do primeiro tratado comercial firmado entre Portugal e Inglaterra e, uma das trocas que resultou deste entendimento, terá sido referente à importação de bacalhau contra o envio de vinho verde, expedido de Viana do Castelo.

 

Diz-se que, graças à sagacidade e à grande habilidade de negociador de Afonso Martins Alho, a partir de certa altura, começou a usar-se a expressão «fino como o alho» ou «fino que nem um alho», passando, tal expressão, a incorporar-se na língua portuguesa, querendo-se significar com ela que certo indivíduo ou personalidade em questão é muito esperto, muito sagaz e astucioso.

 

Lamenta Germano da Silva: “Um homem tão importante numa artéria tão pequena...

 

Infelizmente, em termos de toponímia, nem sempre damos importância às artérias de uma cidade em função do passado das suas mulheres e homens. Outros interesses se metem pelo meio...

 

Quanto a nós, basta a eternização da expressão para, com ela, eternizar o homem que a ela está ligado.

 

A rua Afonso Martins Alho não tem a monumentalidade da rua de Mouzinho da Silveira, nem a beleza e graciosidade da rua das Flores, contudo, nos seus escassos 30 metros, apresenta a verdadeira, típica arquitetura portuense.

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publicado por andanhos às 18:40
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