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REINO MARAVILHOSO - BARROSO:- Um dia de S. Sebastião diferente

 

 

REINO MARAVILHOSO - BARROSO

 

UM S. SEBASTIÃO DIFERENTE NO BARROSO


Foi nos anos noventa do século passado que, pela mão do nosso amigo Marcelino Lopes, fomos conhecer e partilhar a «Mesinha de S. Sebastião», no Barroso, Couto de Dornelas, concelho de Boticas.

 

Nossa curiosidade tinha mais a ver com a atividade docente que então desempenhávamos: o amigo Marcelino, como militante e, mais tarde, teórico da Animação Sociocultural; nós, como curioso daquela festa comunitária e do seu aproveitamento para o desenvolvimento de um meio rural profundo e em decadência. Ia connosco o amigo galego, Xerardo Pereiro, docente, como nós, no Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, no Pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Chaves, encarregado da lecionação da cadeira Turismo Cultural. Acompanhava-nos um punhado de alunos tão curiosos quanto nós.

 

Passaram-se vários anos, deixando de «frequentar» a «Mesinha de S. Sebastião», no Couto de Dornelas.

 

Há três, quatro anos a esta parte, aposentado das funções docentes, com alguns amigos, voltámos à «Mesinha», no dia 20 de Janeiro de cada ano.

Nossa intenção, no presente escrito, não é fazer a reportagem desta «comemoração». Se a memória não me falha, durante dois ou três anos seguidos já a fizemos nos nossos blogues, com partilha na nossa página do Facebook.

 

Podíamos agora contar a história ou a lenda desta interessante tradição comunitária, fazendo ressaltar o elemento iminentemente solidário que brota desta festa/tradição.

 

Mas outros já o têm feito com muita mais competência, engenho e arte que nós.

 

E, porque não nos queremos tornar deveras maçador, apenas queremos deixar aqui à consideração - elencando - algumas das várias motivações que, hoje em dia, leva uma multidão de gente a aproximar-se daquela «Mesinha».


Para uns, com certeza, será a fé no Santo; para outros, o partilhar de uma tradição; para outros ainda, é a partilha do pão, carne e arroz, que lhes oferecem, acompanhada do farnel da merenda que trazem, onde o garrafão de vinho nunca falta; uns gostam mais do convívio com os amigos e parentes que vêm até à «Mesinha»; outros preferem o bailarico e a música, em especial a «desgarrada», onde cada cantador, de engenho e arte diferentes, profere dichotes, conforme a sua imaginação brejeira.

 

Ultimamente, mercê da propaganda que a comunicação social fez deste «encontro», apareceu uma nova «casta de peregrinos» - os fotógrafos amadores, com pretensões a artistas profissionais. E é vê-los, autênticos «paparazzi» ou mirones, a «enxamear» as suas respetivas páginas de Facebook ou os seus bogues com fotos (ou vídeos) daquela singular «mesa».

 

Este ano deixámos de frequentar Couto de Dornelas no dia 20 de janeiro.

 

Não foi só a preguiça de mos levantarmos cedo, deliciando-nos com o «quentinho» da cama em dias de inverno. Foi mais do que isso. Um arrebate de consciência, numa atitude purista quanto à memória desta festividade ou comemoração. Como «turista» e/ou reles fotógrafo amador não queremos contribuir para o desvirtuamento, a pureza de uma festa ou comemoração, profundamente comunitária, daquela específica comunidade, infelizmente hoje transformada em mera mercadoria numa sociedade, pura e simplesmente, ávida do consumo de sensações!

 

Fomos ter, à tarde, com os nossos amigos habituais dos passeios fotográficos.

 

Contudo, nossa preocupação virou-se não para aquela festa ou comemoração ou para a feijoada, da festa do mesmo Santo, noutro lugar do Barroso, em Alturas do Barroso.

 

Nossa atenção dirigiu-se para a paisagem barrosã, aquela que ainda vai mantendo intacto um certo ar da sua pureza ancestral, apesar dos muitos e variados «atropelamentos» à sua natureza e património.

 

Pela câmara negra da nossa máquina fotográfica, passou o velho, solitário e ancestral castanheiro;

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a aldeia barrosã, hoje já sem a sua cobertura de colmo, rodeada de lameiros;

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a paisagem agreste da montanha a ficar coberta de nevoeiro;

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o moinho do Porto, envolto em nevoeiro, em Vilarinho Seco,

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e o seu velho espigueiro.

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 Na mesma localidade, o convívio humano, no largo da Adega Regional «O Palheiro».

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«Espalhando-nos» pela aldeia, assistimos à hora do regresso do gado ao curral.

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Eis a «ti Maria», firme sobre o seu cajado, na azáfama da recolha.

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Chegados a Alturas do Barroso, damos com uma igreja modestamente engalanada a receber-nos.

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De pronto nos dirigimos para um lugar recomendado - a «Casa do Ferrador».

 

Por nós ficaríamos ali toda a noite naquela lareira,

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pegando, do lareiro de fumeiro, uma chouriça

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e, caso os vapores etílicos fossem demais para a caminhada a levar a cabo, um escano amigo bem servia para dormirmos uma valente soneca até que «desaparecessem» por completo.

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Rude vida, é certo, por estas paragens. Mas quanto calor humano e solidariedade esta gente encerra e partilha!

Palavras soltas - Sapiens/De animais a deuses

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

Sapiens - De Animais a Deuses.jpg

 

Somos todos os dias, e a toda a hora, «acossados» pela imagem. Mesmo os mais brilhantes pedagogos não se cansam de afirmar que «vale mais uma imagem que mil palavras».


A sociedade da Informação, que temos vindo a criar, cada vez mais realça a importância do papel que a imagem tem no mundo de hoje.


Na verdade, não queremos aqui questionar a importância e o valor que a imagem tem na comunicação e na aprendizagem.


Contudo, a forma como hoje em dia a utilizamos, tornamo-la num objeto efémero, não raras vezes sem qualquer significado em termos da construção da dimensão humana, ou seja, não passa de uma pura banalidade (veja-se o que o Facebook está a fazer à imagem!...)


Mas não é só do império da imagem, utilizada de uma forma efémera e banal, que nos preocupa. É o pouco uso que lhe damos para a reflexão sobre as relações sociais, a natureza e a criatividade. Passam nos diferentes écrans que utilizamos a velocidades estonteantes... Tornámo-nos simples e compulsivos «comedores de imagens». Delas, nos tempos que correm, muito pouco nos servimos para a reflexão, compreensão e criatividade do ser humano como tal.


Por isso, pela nossa parte, ainda vamos preferindo (não abandonando) o mundo das palavras. Palavras que nos dão espaço para a reflexão/meditação necessária que hoje devemos fazer sobre o nosso viver, a nossa condição humana, nas relações com o nosso semelhante bem assim com a mãe-natureza donde provimos.


Homem da galáxia de Gutenberg, não dispensamos o papel, o livro. O seu manuseamento, intimamente, nos obriga a uma postura diferente - ler para aprender, conhecer, refletir...


Acabamos há dias de ler um livro que, verdadeiramente, nos fascinou. O seu título é: Sapiens - De Animais a Deuses (História Breve da Humanidade).


Gostaria de partilhar com o leitor as reflexões/síntese que o seu autor - Yuval Noah Harari - deixa no posfácio que leva o título de «O animal que se tornou deus»:


Há 70 000 anos, o Homo Sapiens ainda era um animal insignificante preocupado consigo próprio, num canto de África. Nos milénios que se seguiram transformou-se no senhor do mundo inteiro e num dos flagelos do ecossistema. Hoje está prestes a tornar-se num deus, preparado para adquirir não só juventude eterna como também as capacidades divinas da criação e da destruição.


Infelizmente, o domínio do sapiens na Terra produziu, até agora, pouco de que possamos orgulharmo-nos. Dominámos o meio envolvente, aumentámos a produção de alimentos, construímos cidades, estabelecemos impérios e criámos extensas redes de comércio. Mas diminuímos o nível se sofrimento no mundo? Vezes sem conta, um aumento considerável do poder humano não correspondeu, necessariamente, ao bem-estar do sapiens individual, provocando também, por norma, um enorme sofrimento a outros animais.


Ao longo das últimas décadas conseguimos, por fim, fazer um progresso real no que diz respeito à condição humana, com a redução da fome, de pragas e das guerras. No entanto, a situação dos outros animais está a deteriorar-se mais rapidamente do que nunca e os melhoramentos da humanidade são demasiado recentes e frágeis para serem certos.


Além disso, apesar das coisas espantosas que os humanos são capazes de fazer, continuamos sem ter a certeza dos nossos objetivos e parecemos estar mais desligados do que nunca. Avançámos das canoas para as caravelas, para o barco a vapor, para vaivéns espaciais - mas ninguém sabe para onde vamos. Estamos mais poderosos do que alguma vez estivemos, mas não fazemos a mínima ideia do que fazer com todo esse poder. Ainda pior: os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses autoproclamados, com apenas as leis da física para nos fazerem companhia, não somos responsabilizados por ninguém. Estamos, assim, a espalhar o caos sobre os nossos companheiros animais e o ecossistema envolvente, em busca de pouco mais do que o nosso conforto e divertimento, sem, no entanto, nos darmos por satisfeitos.


Existirá algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?”.

 

Nona

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO:- Evocação de um outro viver

 

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO

 

EVOCAÇÃO DE UM OUTRO VIVER


Fomos hoje, uma vez mais, e apesar do frio, até às margens do nosso remansoso Tâmega.

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Sentados nesta pedra musgosa,

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e olhando para a envolvente

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 (Quadro I)

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 (Quadro II) 

deste casebre em ruínas,

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deu-nos para a reflexão/meditação.

 

O sentido da História vai pelas grandes concentrações e aglomerações urbanas, com toda a rede dos ditos confortos que a sociedade pós-industrial nos trouxe.

 

É certo que, ainda não vão muitos anos atrás, locais como este são uma evocação de uma vida de subsistência e pobreza.

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Mas não será que um certo afastamento de uma vida vivida sob a pressão do ter e haver não nos fará aspirar por um outro tempo em que, no contacto direto com a mãe-natureza,

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nos encontrávamos mais connosco mesmos?...

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É verdade que certos lugares, a que um certo romantismo lhe chama de aprazíveis e bucólicos para se estar, hoje estão completamente entregues a uma natureza quase selvagem, desordenada, a que o homem, em definitivo, deixou de frequentar.

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 (Quadro I) 

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(Quadro II)

Mas quanta beleza encerra e reflexão suscita esta quietude das águas

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encerrada nas margens deste rio Tâmega que nos banha!

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E que vidas passadas estes moinhos nos evocam!

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Não que queiramos um regresso aquela forçada e agreste existência...

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Mas quanta reflexão/meditação nos obriga a fazer

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  (Quadro I)

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  (Quadro II)

 

quanto a um património, cuja incúria e/ou ignorância nós, lentamente, tal como estas lentas águas tameganas,

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vamos, cada vez mais, deixá-lo reduzir a pó, a cinza!...

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Memórias - Palace Hotel do Bussaco

 

 

MEMÓRIAS

 

PALACE HOTEL DE BUSSACO

 

01.- AZS_9482.jpg

Talvez já seja por força da idade.

 

O certo é que, sem darmo-nos conta, encontramo-nos a remexer em gavetas que não nos passaria algum dia abrir, a quem, pomposamente, hoje em dia, lhe chamamos «Arquivo Morto». Que nos trazem à lembrança, à memória, a vida, a nossa vida!...

 

Desta vez, após a «borrasca» deste fim-de-semana, aventurámo-nos numa ida até ao centro do país. Dirigimo-nos para o Bussaco, ao encontro do seu Palace Hotel.

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Da nossa lembrança, creio termos passado por lá já lá vão perto de 50 anos. Num daqueles passeios a que nós, adolescentes espigadotes do Seminário Diocesano de Vila Real, lhe chamávamos «Passeio Grande», que efetuávamos quase todos os anos.

 

Desde esse ano de 1967 nunca mais lá fomos!

 

Lá chagados, amante como somos da fotografia, fomos batendo umas dezenas delas.

 

À noite, quando as visionávamos na câmara, lembrávamo-nos vagamente que ali, com um colega amigo, tínhamos tirado uma ou outra fotografia.

Uma série de fotos evocávamo-nos o lugar onde então nós tínhamos tirado uma delas. Aqui mostramos o lugar ao nosso leitor.

04.- AZS_8718.jpg

 (Palace Hotel com a sua «floreira» e, do lado esquerdo, a «Casa dos Brasões»)

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 (A «floreira» do Palace Hotel e, em baixo, a «taça»)

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 (Da «floreira» a vista sobre a «taça» e parte do jardim)

Bem assim um outro lugar nos evocava uma outra foto que sabíamos ter de uma grande colega-amigo da adolescência - o Filinto -, o atual proprietário da Casa da Mata (Casa de Turismo de Habitação). Aqui mostramos o lugar ao nosso leitor.

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 (As «arcadas» do Palace Hotel)

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 (Pormenor das «arcadas» com os azulejos do mestre Jorge Colaço)

Chegados a casa, fomos ao «baú», abrindo as gavetas e desenterrando o velho álbum.


Eis as fotografias de há cerca de 50 anos.

 

A minha fotografia foi tirada numa taça, por debaixo daquilo que lhe chamam a «floreira» do Palace Hotel.

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A do meu amigo Filinto foi tirada nas arcadas do Hotel.

09.- Filinto - Palace de Bussaco  (1967).jpg

Agora, as duas juntas.

10.- Sousa e Silva e Filinto no Palace de Bussaco

Tudo continua na mesma. Nós - eu e o amigo Filinto - é que fomos envelhecendo, seguindo a lei natural da vida...

11.- AZS_9484.jpg

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