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Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira IV - 3

 

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

IV PARTE

(Percurso Pedestre de Pequena Rota nº 14 [PR 14 - Aldeia Mágica], em Arouca)

 

3ª Parte

(Drave e regresso a Regoufe)

 

Drave é uma aldeia pertencente à freguesia de Covelo de Paivô, concelho de Arouca, perdida numa cova, entre a serra da Freita e a serra de S. Macário.

 

Situa-se na confluência de três ribeiras: Palhais, Ribeirinho e Ribeiro da Bouça, e aí forma a Ribeira de Drave que vai desaguar no rio Paivô.

 

Para chegar a Drave pode-se tomar dois caminhos: fazer o PR 14, a partir de Regoufe, ou então, partindo do Santuário de S. Macário, para sul, em direção à Coelheira e, um pouco adiante, tomamos o estradão à direita, acessível em parte por carro, até avistarmos a aldeia, onde se destaca a capela.

 

Rodeada de altos montes, Drave é um lugar mítico, de magia especial. É a Aldeia Mágica! A visão que se tem dela, ao longe, é surpreendente. É uma experiência inesquecível!

 

O solar dos Martins e a capelinha dedicada a Nossa Senhora da Saúde, cuja festa, em sua honra, todos os anos no dia 15 de agosto, se celebrava, destacam-se de todo o casario abandonado e em ruínas.

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Trata-se de uma aldeia típica, em que as casas são feitas de pedra denominada «lousinha» e a sua cobertura é de xisto. Estamos no reino do xisto!

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Drave está isolada das aldeias vizinhas, com fracos acessos, praticamente impraticáveis no inverno.

 

Quando para ela olhamos de longe, evoca-nos o frio, a rudeza e a simplicidade. E da passagem espartana dos dias, próximos da natureza.

 

Em 1971, a aldeia de Drave alegrava-se com o último nascimento.

 

Em 1993, quando já só lá morava um casal, chegou uma linha telefónica e energia solar.

 

Há quinze anos, partiu dali o seu último habitante, Joaquim Martins, viúvo e cansado do isolamento.

 

Drave foi o berço de todos os Martins, dos grandes da aldeia, desde 1700. O padre João Nepomuceno de almeida Martins, em 1946, tomou a iniciativa de, aqui, reunir mais de 500 parentes num primeiro conclave familiar. Com direito a missa na sua singela e alba capelinha.

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Quem vem de Regoufe para Drave a panorâmica que se nos oferece é, tal como descreve Afonso Reis Cabral, na sua obra «O Meu Irmão» (prémio LeYa 2014), a de montanhas de “pele lisa e ondulada”.

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Falar hoje de Drave é também falar da sua «segunda vida».

 

Apesar de estar desabitada há 15 anos, continua a despertar a curiosidade e a seduzir as pessoas pela sua magia, pelo seu passado, pelo encanto das suas paisagens. E, por isso mesmo, passou a ser mais um ponto de atração turística situado no Geoparque de Arouca.

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Para sabermos sumariamente um pouco da sua história e do esforço de ressuscitação desta aldeia, desabitada desde 2000, sem acessos diretos a veículos, sem eletricidade, água canalizada e rede de telemóveis, vale a pena ver o DVD (também disponível em blue-ray) com o título «Uma Montanha do Tamanho do Homem», documentário realizado pelo jovem realizador portuense João Nuno Brochado.

 

Com efeito, para além da história desta pequena aldeia abandonada de habitantes, onde reina a ruina e medra o sabugueiro,

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num fim de mundo, que continua a atrair milhares de visitantes todos os anos, fazendo o PR 14 - Aldeia Mágica (Regoufe-Drave), no concelho de Arouca, o documentário relata-nos a sua transformação num centro escutista destinado a Caminheiros, levada a cabo pela Base Nacional da IV (BNIV), que é uma das bases mais emblemáticas do escutismo português, já com repercussões internacionais e pela qual passam 4 mil Caminheiros por ano.

 

Em 2003, Drave viu chegar os escuteiros da IV Seção, rapazes e raparigas, entre os 18 e 22 anos - os Caminheiros - que fizeram negócio com uma das famílias e começaram a reconstruir um terço da aldeia. Hoje são deles 8 casas, 8 terrenos, a eira, o moinho e o espigueiro.

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Foi no verão de 2003 que o realizador Nuno Brochado conheceu Drave e ajudou a fazer a futura cozinha da Base Nacional da IV do Corpo Nacional de Escutas, carregando às costas as lajes de xisto, num vaivém muito parecido com o que iria filmar dez anos depois, a convite do dirigente Paulo Natividade. Desde então, todos os fins-de-semana há escuteiros em Drave.

 

O trabalho é contínuo - de renovação de telhados, interiores, fachadas, pontes, trabalho de carpintaria. Ou seja, o trabalho de recuperação dos escutistas do BNIV vai no sentido de manter as traças originais das casas, adaptadas ao dia-a-dia dos escuteiros, onde se encontram beliches estreitos, mesas e bancos corridos, tudo de madeira, aliás como as portas das casas, de madeira grossa, e com cravelhos no lugar de chaves.

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A ideia ou princípio é modificar o menos possível a arquitetura dos edifícios para que os jovens, que estão a caminhar para adultos, sintam também o frio que se passava, a rudeza, a simplicidade, diz-nos Paulo Natividade.

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(Pormenor de uma fechadura de uma casa) 

A par destas atividades, a vivência espiritual, própria destes grupos, não está posta de lado: acreditam que, assim, a mesma até é mais favorecida pelo contacto estrito com a natureza.

 

No referido documentário podemos ver o acompanhamento do trabalho dos escuteiros, ouvir a voz do ator e encenador António Durães que nos leva até às montanhas escondidas, através de um inebriante voo de pássaro, só possível com câmaras instaladas em «drones».

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Diz-nos o realizador João Nuno Brochado que estas montanhas são especiais, são muito diferentes das do resto do país. E delira com o Vale do Paivô,

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à volta de Drave e com o Portal do Inferno, do outro lado da aldeia: “parece um manto que caiu e ficou cheio de rugas”, diz.

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Mas nós não ouvimos o balido das cabras. E o crepitar das águas nas ribeiras era muito frouxo, apesar de estarmos em abril, mês de águas de mil: os ribeiros estavam «esganados», cheios de sede de água.

 

Também, apesar de ser domingo, fim-de-semana, portanto, não vimos nenhum «escuta» ali a trabalhar. Mas vimos muitos jovens caminhantes, não se importando com o sol, em horas dele a pino, fazendo o percurso alegre e «com uma perna às costas».

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Drave, com as suas montanhas à volta e os seus muros de pedra de xisto solta, é difícil de adjetivar.

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Ao chegarmos a Drave, feito um pequeno reconhecimento da aldeia, entrámos numa das casas dos escuteiros. Descansámos um bocadinho, desidratámo-nos e comemos.

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E agora, sim, fomos dar uma volta a fundo à aldeia, ou ao que dela resta. Ao lado da pequena capelinha, o solar dos Martins numa

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e noutra perspetiva.

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Do alto da aldeia, esta perspetiva sobre a sua ponte e o caminho que nos levará de volta.

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Descendo da aldeia em direção ao rio, envolto em arvoredo, num lugar fresco que apelava a tomar uma banhoca. Florens, que já o ano passado aqui tinha estado, teve pena, tal como naquela altura, não saborear um bom banho numa das suas quedas de água e pequena lagoa de águas límpidas, tal como veio ao mundo. Mas hoje os «mirones» eram muitos! Talvez para uma outra altura, uma outra oportunidade.

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Já começava a fazer-se tarde. Eram horas de sair deste local cujo panorama excelente nos transmite uma paz de alma e espírito incríveis! E uma pergunta bem séria nos ficou calada bem no fundo de nós mesmos: que futuro para esta aldeia?...

 

Havia, pois, que regressar a Regoufe. Iniciámos por uma subida e por este trecho de caminho.

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No regresso, agora ao cair do sol na linha do horizonte, eis uelas esplêndidas montanhas, todas tão floridas, que, sucessivamente, se nos apresentavam em quadros saídos do mais excelente pintor, e que nos extasiaram.

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 (Quadro nº 1)

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  (Quadro nº 2)

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  (Quadro nº 3

Fizemos, logo após aquela prolongada subida desde Drave, uma pausa no Mato de Belide.

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E, uma vez mais, contemplámos a «garra».

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E descemos para Regoufe, observando, mais uma vez, o manto florido de cor amarela dos montes

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e um ou outro sobreiro que, aqui e ali, aparecia solitário.

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Chegados a Regoufe não nos saia da cabeça a entrevista dada a uma jornalista por uma habitante da aldeia - Fátima, de seu nome - com 52 anos, a mais nova do lugar, que, de educadora de infância noutras paragens, se transformou, aqui, em pastora de cabras, queixando-se dos lobos e do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF); dos jovens que daqui partem e não voltam; da vintena de pessoas (velhas) que aqui habitam e resistem; das crianças que não nascem; de um futuro incerto por estas paragens, adivinhando para Regoufe um destino ou sina idêntica a Drave.

 

Pese embora osa ares puros que aqui se respiram, da belíssima várzea,

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compartimentada, como é uso por terras de montanha deste nosso Portugal, com pequenos muros de pedra solta a dividirem as leiras.

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E desabafa Fátima para a jornalista: “Há quem tenha várias leiras, mas estão umas longe das outras, uma canseira”.

 

Infelizmente não há quem dê volta a isto! As diferentes reformas agrárias, de um país com enormes áreas incultas, não passaram de simples miragem!

 

Ultrapassada a pequena igrejinha de Regoufe,

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dirigimo-nos para a nossa viatura e seguimos em direção a Arouca, onde pernoitámos.

 

Estávamos cansados, apesar de andarmos a pé pouco mais de oito quilómetros, mas cheios de alegria por mais uma partilha de vida em contacto com a mãe-natureza.

 

Mas muito cheios de dúvidas quanto ao futuro do nosso Portugal rural mais profundo!...

 

Deixamos aqui a Introdução do filme «Uma Montanha do Tamanho do Homem» para aguçar um pouco o apetite dos nossos(as) leitores(as).

 

 

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira IV - 2

 

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

IV PARTE

(Percurso Pedestre de Pequena Rota nº 14 [PR 14 - Aldeia Mágica], em Arouca)

 

2ª Parte

(Do Mato de Belide a Drave)

 

Deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) quadros magníficos que a natureza se encarregou de pintar para nossos deleite; uma espécie de recompensa, em ramos de tufos de flores singelas, em enormes extensões, para quem se «atreveu» a visitar estas espetaculares «intimidades»...

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(Quadro nº 1) 

22.-  PR 14 - Arouca

 (Quadro nº 2)

22.-  PR 14 - Arouca

 

 (Quadro nº 3)

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 (Quadro nº 4)

O calor fazia-se sentir. Sentámos depois um pouco para descansar e nos hidratar. Mas nossas vistas, ávidas, não se cansavam de admirar o que viam.

 

Estávamos um pouco mais acima dos 700 metros de altitude. Deste lugar, do Mato de Belide, tem-se uma vista espantosa sobre toda a região: ao longe, como dizem Manuel e Jorge Nunes, “delimitando o horizonte, a cumeada recortada da serra da Arada elevando-se acima dos 1000 metros;

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aos pés, o rio Paivô que serpenteia apertado entre fragas;

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e em frente, para poente, a famosa «garra», uma gigantesca encosta entremeada de profundas linhas de água, que escorre para o vale num desmesurado punho contido”.

28.-  PR 14 - Arouca

Deliciados por estes quadros de paisagem, pusemos as mochilas às costas e, virando à esquerda, encetámos a nossa descida até Drave.

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Para trás íamos deixando a silhueta da «garra».

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E a serra da Arada sempre a seguir-nos,

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continuando a oferecer-nos quadros de paisagens magníficas.

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 (Quadro nº 6)

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(Quadro nº 7)

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(Quadro nº 8) 

E, por qualquer recanto do carreiro por onde passávamos, a mãe-natureza ia-nos oferecendo estes bonitos «bouquets» de flores.

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  (Bouquet nº 1)

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 (Bouquet nº 2) 

Aqui fica uma perspetiva

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 e um pormenor do carreiro que tivemos de percorrer para chegar a Drave.

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Até que, a páginas tantas, numa encosta sombria e pouca ensoleirada, por entre dois tufos floridos de monte,  aparece-nos Drave.

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Continuando pelo carreiro, onde as marcas dos carros de bois ainda se notam, denunciando a existência de um outro mundo e de uma outra vida que aqui já há muito deixou de existir, não perdemos de vista Drave

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e o seu estreito rio Paivô, correndo, esganado de água, no fundo daquelas vertentes íngremes.

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Numa volta do carreiro, uma cruz branca - chegávamos a Drave e ao seu núcleo secundário de casario abandonado.

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Em frente víamos a velha capela, destacando-se das demais construções pela sua cor branca,

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 o seu moinho abandonado,

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a sua ponte, por onde um fio de água límpida ora corre,

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ora se precipita em pequenas cascatas.

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O sonho que acalentávamos durante alguns anos havia-se cumprido. Tínhamos chegado à Aldeia Mágica. Mágica mais pelas evocações que nos desperta. De outros tempos, em urbanos românticos. Porque, em tudo o mais, não passa de um fantasma. Abandonada. Sem almas e sem gentes. Numa lenta e demorada recuperação, que jamais se saberá no que a transformará. Num ambiente já quase selvagem. Num fim de mundo!

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira IV - 1

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

IV PARTE

(Percurso Pedestre de Pequena Rota nº 14 [PR 14 - Aldeia Mágica], em Arouca)

 

1ª Parte

(De Regoufe ao Mato de Belide)

 

 

Serras que se sucedem em altura, umas a seguir às outras;

vales espartilhados que desaguam, estreitos, uns nos outros;

caminhos que levam a lugar nenhum e aldeias perdidas,

vazias de gente, de nomes esquecidos e histórias por contar,

eis o retrato da vertente oriental do maciço da Gralheira,

um pedaço recalcado de terra que este percurso há-de revelar

em toda a sua plenitude, ou não fosse esta a terra que a má fortuna dos homens,

entre o degredo dos coutos mineiros de «volfro»

e a canseira das leiras de terra cravadas em magros socalcos,

fez bravia e arisca,

plena de lendas e fantasias que perduraram no tempo até aos dias de hoje.

 

Manuel Nunes e Jorge Nunes,

Passeios e Percurso Irrepetíveis, Portugal - 30 itinerários a pé, 2008: 103

 

Descido o Monte de Nossa Senhora da Mó, e comida uma refeição ligeira num café da aldeia de Paradela, dirigimo-nos para Regoufe.

 

O ambiente serrano e das pequenas aldeias começa a rodear-nos.

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Mal nos aproximamos de Regoufe, deparamo-nos com vestígios que ainda nos guardam a história e nos incitam a ouvir as «estórias» de outros tempos. Dos tempos do ouro negro, da invasão destes territórios longínquos pela febre da procura do volfrâmio destinado a enrijecer as armas e munições dos exércitos em contenda durante a II Guerra Mundial.

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Aqui, em Regoufe, vemos ainda os vestígios desses tempos da corrida ao volfrâmio: edifícios arruinados, convivendo com a cascalheira e velhas minas, palco onde só agora os morcegos cavernícolas as frequentam.

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Antes de entrarmos na aldeia, esta espécie de «atalaia».

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Estacionámos a carrinha muito perto desta paragem de autocarros,

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olhando para a serra, para o pequeno souto e o pequeno campo verdejante de centeio, com o regato correndo a seu lado.

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E iniciámos a descida até à igrejinha ou capela da aldeia,

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local do início do nosso percurso.

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Atravessada a povoação, onde a par de uma chusma de caminhantes de fim-de-semana, que começam, cada vez mais, a invadir estas bandas, poucos habitantes vimos. Vimos, isso sim, ruas pejadas de gado galináceo e um ou outro cão servindo de guarda, como este que a foto apresenta.

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Deixámos a aldeia através de esta pequena ponte sobre a ribeira de Regoufe.

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E iniciámos uma escalada por entre um terreno repleto de cascalho de xisto solto

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e velhos castanheiros,

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alguns deles apenas servindo de simples peças de decoração na paisagem num terreno tão declivoso.

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No alto, na primeira parte da subida, eis Regoufe à nossa frente, com o seu casario agarrado à serra, a sua pequena veiga e a sua ribeira quase sem água.

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Um pouco mais acima, vemos uma perspetiva quase total do casario de Regoufe.

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Ultrapassada a escalada, feita aos pequenos «soluços», continuámos a subida agora já por um carreiro rodeado, quer de um lado,

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quer de outro, de montes de carqueja florida.

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Quase chegados ao alto, de Regoufe, apenas vislumbrámos as suas arruinadas instalações mineiras e a parte alta da aldeia.

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Ao nosso redor, um manto amarelo, de tufos de carqueja florida, sempre nos acompanhando. E, ao longe, serras cobertas com um manto de urze e carqueja, tocando as nuvens.

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Percorrido que foi não mais de um quilómetro, inopinadamente, pelo carreiro que seguíamos, fomos «desaguar» ao promontório do Mato de Belide. E, aqui, embora um pouco cansados, não parámos de andar para um lado e para outro: ficámos «siderados» com o que víamos!

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Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira III

 

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

III PARTE

(Monte de Nossa Senhora da Mó)

 

“Também no reino de Deus há ricos e pobres.

Os que vivem nas sedes do poder e os que vegetam nas sucursais.

Lá em baixo, no convento, a segurança, a opulência, o convívio;

aqui, nesta pequena ermida, a incerteza, a miséria, a solidão.

Mas são os divinos desafortunados que eu admiro.

Negam na própria desgraça a graça sobrenatural,

e proclamam de cada píncaro a extensão maravilhosa do sobrenatural.”

 

 

Miguel Torga escreveu no seu diário

(“Diário X”, 23 de Agosto de 1965),

aquando da visita ao Monte de Nossa Senhora da Mó

 

 

Distando do centro da vila de Arouca cerca de 8 Km, o monte da Senhora da Mó eleva-se à altitude de 711 metros.

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 Foi erigida neste local uma capela de beleza singela e contornos pouco convencionais no contexto da região, a qual se presume ser do séc. XVI, dedicada a Nossa Senhora da Mó.

02.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

 Em Arouca, Nossa Senhora da Mó é considerada a advogada dos campos, das colheitas e dos animais e protetora contra as secas e as trovoadas.

 

A festa em sua honra realiza-se anualmente nos dias 7 e 8 de Setembro, reunindo neste local milhares de visitantes e devotos, em ambiente de oração e confraternização.

 

Diz-se também que a Senhora «tem mais seis irmãs», por igual número serem as ermidas de invocação mariana que se avistam da sua capela, localizadas nos montes em redor: Senhora do Monte; Senhora da Laje; Senhora das Amoras; Senhora do Castelo; Senhora Guia e Santa Maria do Monte.

 

Outrora, durante a romaria, decorria uma feira junto da ermida, situada no alto da serra da Mó, acendiam-se fogueiras de pinhas, que ardiam a noite inteira, e fazia-se, segundo parece, uma procissão desde Arouca até ao santuário. Hoje, em vez das fogueiras da noite do dia 7, o povo reúne-se na chamada «Casa da Ceia», ao lado da capela,

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 para tomar parte na já tradicional «bacalhoada arouquense» a lembrar, talvez, os piqueniques de tempos idos. No dia 8 é celebrada missa pelas onze horas, seguida de procissão, a cumprir o ritual de dar a volta ao antigo cruzeiro. A imagem primitiva da Senhora da Mó, em pedra de Ançã,

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com o Menino ao colo – supostamente do século XIV – encontra-se num nicho aberto na parede da capela. Posteriormente, foram-lhe acrescentados o pequenino arcão e a mó, em madeira, que se veem a seus pés - em alusão à «lenda do cristão e do mouro» - à semelhança dos atributos que apresenta a imagem atual, que se encontra no altar-mor e que sai na procissão. No templo veneram-se ainda as imagens de Nossa Senhora das Neves e de Santa Bárbara.

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A lenda de Nossa Senhora da Mó conta que no ano de 1027 um cristão de Arouca, feito prisioneiro dos Mouros, foi amarrado com uma corda dentro de um arcão do milho, com a pedra de uma mó colocada por cima e um mouro sentado nela, assim se mantendo à espera da morte. Pediu então à Virgem que lhe valesse, acontecendo que a arca com o cristão, a mó e o mouro apareceram, por milagre, junto da capela. Ao ouvir o sino, espanta-se o mouro por se encontrar num lugar religioso e desconhecido, e pede ao cristão que não lhe faça mal e aquele assim faz. A lenda encontra-se retratada num grande quadro em madeira (ex-voto) pintado em 1827,que se encontra na capela. É o que diz o livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VII - Edição Círculo de Leitores, citado pelo portal Auto caravanista, e pelo blog Sarrabal.

 

Do Sistema de Proteção para o Património Arquitetónico consta: “Planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, volumetricamente distintos, com cobertura homogénea em telhado de 2 águas aos quais se une, a O., adossada do lado direito à frontaria, torre sineira quadrangular coberta com coruchéu bulboso. Fachada principal com portal axial, retangular, com moldura em granito; parede espessa com remate irregular, subindo acima da parede lateral e ocultando a cumeeira do telhado, apenas se vendo, no vértice, cruz latina simples. Torre sineira de registo único implantando-se sobre afloramento rochoso afeiçoado; dois vãos de arco redondo dos lados O. e S. (fachadas principal e lateral direita) e beiral de xisto. Fachada lateral esquerda, a N., com duas portas travessas, uma na nave e a outra na capela-mor, retangulares com moldura em granito. Fachada lateral direita, a S., implanta-se sobre afloramento rochoso, tendo a remate irregular ocultando o remate do telhado; duas frestas retangulares diferentes, ambas no corpo da capela-mor; três gárgulas não alinhadas colocadas acima da linha média. Fachada posterior com parede subida acima da linha da empena, tendo os lados horizontais e o troço médio em ângulo coroado por cruz latina simples. INTERIOR com pavimento de mosaico industrial, escada talhada no afloramento rochoso no ângulo SO. Para acesso à torre sineira, nicho de arco redondo aberto na parede do lado da Epístola albergando imagem de Nossa Senhora da Mó em pedra policroma; na mesma parede, ex-voto em madeira pintada com legenda e data. Arco triunfal redondo com impostas e chanfro na curva, púlpito na capela-mor, do lado da Epístola, com bacia de pedra moldurada e balaustrada de madeira. Retábulo-mor de madeira pintada com três arcos conopiais nos nichos e duas portas de arco redondo aos lados para acesso a arrumos situados do lado posterior. Coberturas internas de madeira de secção poligonal”.

 

Refere a revista Fugas, do Público, na sua edição, aquando de uma entrevista a Sobrinho Simões, uma referência mundial na área de investigação das doenças cancerígenas, nascido no Porto, mas com profundas raízes, advindas dos seus ascendentes que eram naturais de Arouca, que, aquela que outrora era uma aldeia virou vila, distante do Porto e do mar. E que o professor-investigador orgulha-se das suas serras a perder de vista, de aldeias de pouca gente, que aprendeu a tirar da terra o que precisa para viver, de um geoparque que tem pedras parideiras que saltam das rochas e uma cascata numa frecha que nunca se fecha. Orgulha-se do que tem de genuíno. E isso agrada-lhe. “Há um universo local de uma intensidade extraordinária”, refere. “A banda tocava no coreto”, lembra naquela entrevista.

 

No primeiro dia das férias da escola, diz ainda, apanhava no Porto, onde vivia e estudava, a camioneta que o iria levar a casa dos avós em Arouca. Cinco horas de viagem com condutores à antiga, que paravam sempre que fosse necessário. Ou para matar a sede com um copo de vinho americano, ou para as urgências das bexigas dos passageiros no café mais próximo. Na aldeia dos avós paternos, o tempo passava devagar e o pequeno Simões sentia-se imortal. Ia com os amigos nadar para os rios Paiva e Paivó. A estratégia era sempre a mesma, encontrar um taxista que também gostasse de mergulhar no rio para juntar o útil ao agradável e conseguir um preço mais barato. “Não íamos para o rio Arda, era perigoso.” À noite, depois do jantar, juntavam-se no clube local com mesas de bilhar e cartas para a jogatina. “Jogávamos muitas cartas, principalmente sueca e king”, recorda. Quando havia, assistiam às sessões de cinema ao ar livre com os bancos de pau que levavam de casa. Ainda hoje chora no cinema, sobretudo com coisas boas, muito mais com as chegadas do que com as partidas. “O barco parte e não me acontece nada, mas quando regressa, é uma choradeira.” Nunca perdeu o fascínio por essa magia que o cinema tem de fazer acreditar em qualquer coisa. “Gosto que me aldrabem.” Que o aldrabem com classe, que o façam acreditar no impossível. Palavras estas de um célebre investigador, mas que também bem poderíamos ouvir de um bom e anónimo campónio de qualquer das terras portuguesas!

 

Apreciando as construções ali existentes, bem assim os candeeiros que, naquela imensidão pouco alumiam,

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servindo mais como peças de decoração, nossa vista virou-se para o vale de Arouca, a nossos pés, e, mais perto de nós, a vila, destacando-se, no seu casario, duas emblemáticas construções:

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 uma, em segundo plano, representando o poder divino, dos «céus» - O Mosteiro de Arouca -; outra, em primeiro plano, o poder terreno local - a Câmara Municipal.

10.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (2

Deitando nossos olhos ao largo, para nordeste, vemos a serra de Montemuro

08.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (2

 e o cume de S. Macário com o seu parque eólico;

11.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (2

 para leste, a serra da Arada.

06.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (2

 Depois de observarmos meia dúzia de «motoqueiros»

13.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

subindo e descendo pelos montes ajardinados de carqueja,

14.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

 despedimo-nos do Santuário,

15.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

deitando uma última vista de olhos para Arouca, a nossos pés, sob o olhar atento da santa cruz,

16.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

bem assim do arvoredo,

17.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (2

que, em dias de sol abrasador, nos afaga com a sua sombra.

 

E, deleitados com a contemplação destes horizontes, fomos tomar uma aligeirada refeição para, logo bem no início da tarde, darmos início ao nosso percurso pedestre PR 14 - Aldeia Mágica (Regoufe-Drave).

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira II

 

 

 

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

II PARTE

(Rumo ao Museu das Trilobites)

 

 

 

 

A atividade geológica é, ou foi, tão intensa,

que numa área pequena mas bem assinalada desde a criação do Geoparque Arouca,

podemos encontrar estas e outras manifestações da vida do planeta Terra

– como uma das maiores concentrações de trilobites gigantes do mundo,

que podemos ver no CIGC Arouca

(Centro de Investigação e Interpretação Geológica de Canelas),

onde fica um museu que alberga alguns dos melhores exemplares.

Mas não é preciso ser geólogo, mesmo amador,

para apreciar a beleza do lugar.

A serra é pequena, mas a menos que por ali fiquemos uns dias,

não conseguimos assistir à transformação do planalto

numa espécie de Mongólia ao pôr-do-sol,

à mudança de cor dos charcos, de verde musgo para azul petróleo;

e se vier o nevoeiro, então,

é impossível prever o que podemos descobrir

dentro das nuvens opacas que sobem e descem pelos vales.

 

Comedores de Paisagens

 

 

No café de Alvarenga, onde reforçámos o nosso pequeno-almoço, por volta das 10 horas e 30 minutos, decidimos que o percurso pedestre PR 14 - Aldeia Mágica (Regoufe-Drave) seria feito logo a seguir ao almoço, uma refeição ligeira. Sendo assim, ainda havia tempo de fazer uma pequena visita a Canelas, ao Museu das Trilobites.

06.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

De Alvarenga até ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas (Museu de Fósseis), parámos junto à ponte de Alvarenga, sobre o rio Paiva, denominado o lugar de Garganta do Paiva.

00a.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drav

Esta ponte,

01.- MG_8639.jpg

cuja foto tomámos da associação de Defesa do Vale do Paiva - SOS rio Paiva, terá começado a ser construída por volta de 1770, ficando concluída em 1791. É provável que tivesse existido uma outra ponte no local, onde se encontra a atual, mandada construir por D. Maria I. A atual ponte é feita em cantaria e é composta por dois arcos de volta inteira, sendo o maior, com 7 metros de vão, destinado às águas do rio e o outro, muito mais pequeno, para os pescadores.

ponte%20de%20alvarenga.jpg

A extensão do vão do primeiro é de 16, 40 metros e, do segundo, de 2,50 metros. O comprimento total da ponte é de 42 metros.

 

O rio Paiva, que aqui passa, nasce na serra de Leomil, vindo depois desaguar no rio Douro. É considerado o rio menos poluído da Europa. Até quando?...

 

Conforme foto que se mostra,

02.- 919459.jpg

na margem esquerda do rio, que passa no concelho de Arouca, está a ser construído um passadiço em madeira, com a extensão de 8 Km, que tem atraído a atenção de muito curiosos e amantes da natureza. A inauguração de metade do percurso estava para ser feita ainda durante o passado mês de abril. Questões de segurança, dizem, fizeram com que aquela inauguração de metade do passadiço seja inaugurado, oficialmente, no próximo dia 20 de junho. A ver vamos... Entretanto, alguns mirones e curiosos, que fomos encontrar na net, sempre vão tirando uma ou outra foto

03.- 913634.jpg

desta estrutura sobre o rio Paiva, em madeira.

 

A foto que nos tirámos, sobre a ponte,

02.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

mostra-nos uma enorme escadaria nas proximidades da mesma, da dita Garganta do Paiva.

 

Satisfeita a curiosidade, continuámos a nossa viagem até ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC).

05.-_.jpg

E íamos munidos de uma Carta Geológica

00.-Daniela Maria Teixeira da Rocha - Inventariaç

e relendo a literatura, que, de antemão, tínhamos selecionado para uma melhor e mais eficaz observação daquilo que íamos encontrar.

 

Então constatámos que, no Geoparque de Arouca, há uma ocorrência geológica que são as Trilobites – fósseis de um ser marinho que viveu no fundo do mar há 465 milhões de anos. Estas trilobites gigantes, de Canelas, segundo Daniela Rocha, geóloga da Associação do Geoparque de Arouca (AGA), são muito valiosas por serem as maiores do mundo.

 

O Centro de Investigação e Interpretação Geológica de Canelas-Arouca, CIGC-Arouca, é um Museu de Sítio, conhecido internacionalmente pela recolha, inventariação e exposição das maiores trilobites do mundo. O CIGC, até ao momento, é um exemplo ímpar de cooperação entre a indústria extrativa, a ciência e a educação, tendo prestado um Serviço Educativo e um Turismo Científico de elevada qualidade.

 

Foi Inaugurado a 1 de Julho de 2006.

07.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

Este espaço, e estas espécies, permitiu a realização de várias publicações, artigos científicos, teses de Mestrado e Doutoramento acabando por ser reconhecido sob os auspícios da UNESCO como Património Mundial.

 

Visitar o CIGC é fazer uma viagem às origens da vida,

08.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

observando os fosseis dos primeiros animais que existiram no nosso planeta à cerca de 465 milhões de anos!!!

 

Segundo Daniela Maria Teixeira da Rocha, na sua obra - Inventariação, Caracterização e Avaliação do Património Geológico do Concelho de Arouca - as trilobites eram artrópodes marinhos que viveram exclusivamente nos mares do período Paleozóico. As principais espécies encontradas em Canelas são: Ectillaenus giganteus, Hungioides boehmicus, Neseuretus avus, Nobiliasaphus delesse, Ogyginus forteyi, Placoparia cambriensis, Retamaspis melendezi, Colpocoryphe thorali conjugens.

 

A coleção de fósseis do Centro de Interpretação Geológica de Canelas é formada, quase na sua totalidade, por fósseis resgatados durante a exploração de ardósias do Ordovícico Médio da pedreira gerida pela empresa “Ardósias Valério & Figueiredo, Lda.”. Em exploração desde 1988, trouxe à luz do dia achados paleontológicos em excelente estado de conservação, como trilobites, moluscos, braquiópodes, equinodermes, hiolitídios, conulárias, ostracodes e graptólitos (Sá & Gutiérrez-Marco, 2006), diz ainda a referida Daniela Rocha.

 

E, a mesma autora, referenciando Sá e Gutiérrez, na obra por eles editada em 2006, continua: “a coleção de fósseis do Centro de Interpretação Geológica de Canelas Aberto ao público desde 1 de Julho de 2006 e localizado a cerca de 8 km do centro de Arouca, na freguesia de Canelas e nas cercanias da “Pedreira do Valério”, o Centro de Interpretação Geológica de Canelas reúne em exposição uma diversificada e singular coleção de fósseis, recolhida nas ardósias aflorantes na sua envolvente, resultantes de sedimentos finos depositados nas margens do paleocontinente Gondwana, há cerca de 465 milhões de anos (Período Ordovícico). Esta excecional coleção paleontológica, referenciada internacionalmente, consiste numa fauna de invertebrados fósseis do Ordovícico Médio, onde se destacam bivalves, rostroconchas, gastrópodes, cefalópodes, braquiópodes, crinóides, cistóides, hiolítidos, conulárias, ostracodes, graptólitos, trilobites e icnofósseis. Aqui merece particular destaque o acervo de trilobites onde, para além da excecionalidade científica dos exemplares expostos, muitas delas correspondem aos maiores exemplares do mundo para as referidas.

O registo paleontológico das trilobites disponíveis neste Museu de Sítio não é apenas importante pelo gigantismo alcançado pela generalidade das espécies.

Do ponto de vista paleo-ambiental, o meio protegido e disaeróbico favoreceu a conservação de exúvios articulados junto a cadáveres completos de algumas espécies que viviam no limite das suas possibilidades vitais, de modo que muitas trilobites são fósseis únicos que completam o conhecimento de alguns taxones e inclusive evidenciam novas espécies. O maior contributo desta coleção ao nível da biologia das trilobites é a descoberta de associações mono e pluriespecíficas dos géneros Ogyginus, Asaphellus, Ectillaenus, Bathycheilus, Salterocoryphe, Placoparia, Pateraspis e Retamaspis. A concentração, em pequenos espaços, de grupos de indivíduos em estado ontogénico similar, é agora interpretada como indicativa do comportamento gregário alcançado por muitas trilobites durante a muda ou a reprodução”.

 

Entusiasmados por toda esta literatura, estudada com tanto interesse, lá fomos até ao Centro. Azar o nosso: estava fechado. Nem queríamos acreditar! Por pensarmos ser um museu, nem nos passou pela cabeça que ao domingo fechava! Será que há algum problema com o referido Centro.

 

Ficámos descoroçoados por ali não podermos entrar para ver aqueles fósseis. Mas aos nossos leitores aqui deixamos uma pequena amostra resultante de uma visita que, no ano anterior, ali tínhamos feito.

09.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

Oxalá lhes desperte a curiosidade por coisas cuja idade se perde porventura com a formação do planeta Terra em que nos é dado viver.

10.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 1)

11.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 2 e 3) 

12.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 4) 

14.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 4) 

15.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 5)  

16.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

 (Peça nº 6) 

17.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 7) 

A nossa vista deleitou-se pelas cores da vegetação característica nesta altura do ano

18.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

e, daqui, abalámos até à Senhora da Mó para conhecermos, do alto, os «longes» (e o que lhe fica aos pés) deste lugar tão aprazível.

 

Mas a Senhora da Mó ficará para um outro post.

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira I

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

I PARTE

(De Castro Daire a Alvarenga)

 

 

«Porque tem de tudo: cerros que atingem e passam os 1100 metros;

pontos de onde a vista abrange grande parte do Norte e, a bem dizer,

o Centro do País em toda a sua largura;

o extenso planalto de Albergaria,

revestido de amarelo na época da floração da carqueja e do tojo mourisco,

manchas extensas do roxo da urze, a maior queda de água do País,

grande diversidade e várias curiosidades geológicas,

ribeiros e rios que tanto se precipitam tumultuosamente do alto da serra,

cavando na pedra formas e espaços de singular beleza,

como deslizam mansamente por entre arvoredo frondoso,

formando poças e poços onde o prazer de mergulhar

na água límpida e macia é incomparável,

vales profundos de vertentes íngremes

– alguns, verdadeiros desfiladeiros – escarpas e locais

que convidam à aventura, aldeias isoladas,

de velhas casas de pedra ainda cobertas de lajes,

encostas transformadas ao longo de gerações

em extensas escadarias de leiras muito verdes,

matas frondosas, recantos inesperados,

paisagens surpreendentes,

fontes onde a água muito fria parece dessedentar melhor,

sei lá que mais!»

 

Mário de Araújo Ribeiro,

O Maciço da Gralheira - Da Freita a S. Macário: Um enigma com algumas crónicas

 

MontanhasMagicas-logox200.png

 

Quando, em fevereiro de 2008, saiu a 2ª edição da obra Passeios e Percurso Irrepetíveis - Portugal, 30 itinerários a pé, de Manuel Nunes e Jorge Nunes, logo aí ficámos com «ganas» de realizar a maior parte deles. Circunstâncias várias, umas relacionadas com a saúde; outras com o compromisso de levar a cabo os principais Caminhos de Santiago na Galiza, a par de obrigações académicas pendentes com colegas, após a nossa saída da Universidade, impediram-nos de os realizar.

 

Na área da Peneda-Gerês, no Douro Internacional e nas Serras do Alvão e Marão já tínhamos efetuado alguns. Novidade e gosto era percorrer a pé algumas áreas daquilo que é designado pelo Maciço da Gralheira.

 

Partes daquele maciço já as tínhamos percorrido de carro. Mas nosso gosto, mesmo, era fazer alguns deles a pé.

 

E a oportunidade apareceu. Florens, nosso sobrinho, e companheiro de alguns Caminhos de Santiago, arranjou maneira de encontrar, no serviço onde trabalha, um pequeno furo, em meados de abril passado e, mochila às costas, propusemo-nos realizar dois, para nós, dos mais emblemáticos percursos na área do concelho de Arouca: o PR 14 - Aldeia Mágica (de Regoufe a Drave) e o PR 7 - Nas escarpas da Misarela.

 

Acompanhou-nos o nosso amigo Achim, alemão, que já havia feito, particularmente connosco, o percurso na Serra do Alvão - Lamas do rio Olo.

 

Depressa nos demos conta, quer nós quer o amigo Achim, que estávamos um pouco «enferrujados». Na verdade, a idade já vai pesando, bem assim as mazelas que cada um carrega e que se vão entranhando, debilitando a frescura física. Contudo, podemos dizer que, em certo sentido, cumprimos com o objetivo que nos propúnhamos realizar. Se não realizámos os percursos mais depressa, como desejaríamos, fizemo-lo como as nossas forças e condições físicas o exigiam.

 

Eram, pois, 7 horas da manhã, do dia 19 de abril passado, um domingo, portanto, quando fomos buscar a sua casa o Achim e abalámos, via A24, de Vila Real até Castro Daire.

 

Da A24 não se fala. A não ser a quantia exorbitante que se paga neste país pobreta, com costela de rico, para se ir, comodamente, para qualquer lado. O troço de estrada entre Castro Daire e Alvarenga, nosso primeiro ponto de contacto com as terras do Maciço da Gralheira, esse já é outra coisa - a Nacional 225, numa extensão de, aproximadamente, 37,5 Km.

 

Era de manhã cedo ainda. Havia alguma neblina levantando. Mas os quadros de paisagem que tínhamos pela frente ofereciam-nos, aqui e ali, uma oportunidade para «esticar» os pés e fazer alguns «cliques» com a máquina fotográfica para registar o momento. Aqui deixamos cinco quadros de paisagem:

01.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

(Quadro nº 1)

02.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

(Quadro nº 2)

03.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

(Quadro nº 3)

04.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

(Quadro nº 4)

05.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

(Quadro nº 5)

Mas localizemos e identifiquemos, no mapa do Centro do país, o Maciço da Gralheira.

06.- Maciço da Gralheira.jpg

Neste mapa, a cores, estão identificadas as serras que João Domingues de Almeida designa como Serras Beira-Durienses, podendo observar-se individualizadas, ainda segundo este autor, as sete serras mais significativas, numeradas por ordem decrescente das altitudes dos seus pontos mais altos:

1) Serra de Montemuro [cor azul turquesa]

1.1) Serra de Montemuro, incluindo as serras das Meadas, de Fonte da Mesa ou do Poio (1 122 m), e de Santa Helena (1102 m);

1.2) Serra da Nave/Leomil, incluindo as serras da Senhora da Piedade (902 m) e de Castelo (768 m). Considera-se a porção da cordilheira de Montemuro situada a Este dos rios Covo, ribeira da Mourisca e rio Varosa, e a Oeste dos rios Paiva e Távora, estando maioritariamente localizada nos concelhos de Moimenta da Beira, Tarouca e Vila Nova de Paiva.

1.3) Serra da Lapa, incluindo as serras de Aguiar da Beira (800 m) e de S. Lourenço ou de Arco (929 m). Consideras-e a porção da cordilheira de Montemuro situada a Este do rio Paiva, estando maioritariamente localizada nos concelhos de Sernancelhe e Aguiar da Beira. A Serra de S. Lourenço (ou de Arco), considera-se a porção da Cordilheira de Montemuro situada mais a SW e que se encontra separada da área principal da cordilheira pela Estrada Nacional 323.

2) Serra da Freita/Arada/Arestal/S. Macário [cor verde]

2.1) Serra da Freita [sensu stricto]

2.2) Serra de Arada/Chãs

2.3) Serra de S. Macário

2.4) Serra do Arestal. Considera-se a porção da cordilheira da Arada/Freita (ou Maciço da Gralheira) situada mais a SW e que se encontra separada da área principal da cordilheira pela Estrada Nacional 550.

3) Serra do Caramulo (ou de Alcoba ou de Besteiros) [cor salmão]

4) Serra de Penedono/Sernancelhe/Trancoso/Meda [cor amarela], incluindo as serras Laboreira (1000 m), do Sirigo (Penedono, 989 m), do Pereiro, do Pisco (989 m), de Moreira e da Meda. A Serra da Meda ou de Casteição considera-se a porção da cordilheira de Penedono situada a E da Ribeira da Teja e a N e a NW de uma ribeira que coincide aproximadamente com o limite S e SE do concelho da Meda, situado na zona de Vale de Fojo e até Gracião, a SE da povoação de Casteição (859 m).

5) Serra de Chavães (entre a Serra de Montemuro e o Rio Távora) [cor azul/violeta]

6) Serra da Senhora do Viso [cor azul turquesa]

7) Serra da Senhora do Monte (ou Senhora do Vencimento) [cor verde escura].

Do conjunto de serras acima identificadas, as que, para o caso, nos interessam são as que estão identificadas a cor verde - Serra da Freita/Arada/Arestal/S. Macário - designadas com o nome genérico de Maciço da Gralheira.

 

Citemos o que João Domingues Almeida, na sua obra acima referida no Quadro, nos diz a propósito deste maciço:

Esta cadeia montanhosa localiza-se entre os rios Paiva e Vouga, e entre as serras de Montemuro, a norte, e do Caramulo, a Sul, estando totalmente implantada no Maciço Antigo ou Hespérico (FERREIRA, 1978; ROCHETTE CORDEIRO, 1988: 91). É uma das cordilheiras geologicamente mais complexas da área em estudo. Constituída por rochas graníticas em cerca de 50 % da sua área, também possui xistos do Complexo Xisto Grauváquico ante-Ordovícico, assim como xistos e grauvaques do Ordovícico e Carbónico de fácies continental, assim como alguns afloramentos quartzíticos. Possui abundantes xistos luzentes, que surgem sobretudo nas zonas de contacto entre as formações graníticas e os xistos do Complexo Xisto-Grauváquico ante-Ordovícico, podendo ter-se formado através de metamorfismo de contacto.

Na Serra da Freita, as rochas intrusivas ou graníticas em sentido lato são datadas do Pré-Câmbrico, podendo dividir-se em diversos tipos, de acordo com MOURA (2001): 1) Rochas pós-hercínicas e hercínicas tardias: filões de quartzo, aplitos e pegmatitos associados (disseminados), pórfiros granitóides [filões intruídos no Maciço de Arouca, nos xistos do Complexo das Beiras e nos granitos da Serra da Freita], doleritos [filões que cortam o Maciço de Arouca, posteriores aos granitos tarditectónicos] e lamprófiros [rochas filonianas básicas, intrusivas no Maciço de Arouca, assinaladas em Tebilhão, no complexo xistoso] (MOURA, 2001: 37); 2) Rochas hercínicas tarditectónicas: quartzodiorito biotítico [Maciço de Arouca ou plutão de Arouca, maciçamente intruído no Complexo Xistoso das Beiras, formando um maciço bastante homogéneo mineralogicamente, de natureza quartzo-diorítica mas com tendência para os granodioritos (ASSUNÇÃO, 1970, cit. por MOURA, 2001: 37)]; granitos alcalinos, moscovíticos de grão médio e diques de pórfiros [Maciço de Regoufe, com pequena representação na Serra da Freita]. 3) Rochas hercínicas sintectónicas: microgranitos alcalinos com pegmatitos e quartzo associados (localizadas sobretudo na charneira do anticlinal dos xistos do Complexo das Beiras). Estas rochas são granitos moscovíticos, alcalinos, sódicos, localizando-se sobretudo na charneira do anticlinal dos xistos do Complexo das Beiras (MOURA, 2001: 38); 4) Rochas hercínicas: granitos sintectónicos de duas micas, com tendências alcalinas [um dos afloramentos mais interessantes deste tipo de granito é o da Castanheira, um pequeno afloramento granítico no meio dos xistos, que apresenta curiosos nódulos biotíticos, em forma de disco convexo, popularmente designados por “ovos estrelados” ou “pedras paridas”, sendo designados por “pedras parideiras” os granitos nos quais se encontram incluídos os nódulos ovóides] (MOURA, l.c.); 5) Rochas ante-hercínicas: rochas básicas anfibolizadas, que se mostram em filões pequenos, essencialmente constituídos por horneblenda e plagioclase com quartzo, epídoto, esfena e óxidos. Estes filões de rochas básicas localizam-se sobretudo na bordadura ou nos enclaves da faixa granítica ocidental da Serra da Freita, tendo provavelmente derivado da metamorfização de rochas básicas intruídas durante um período de actividade básica da fase geossinclinal pré-ordovícica (MOURA, 2001: 39). No Complexo Xistoso das Beiras inclui-se uma série de metassedimentos, desde os xistos aos grauvaques e quartzitos, sem sequência determinada nem homogeneidade de sedimentação devido a repetição ocasional de fácies (MOURA, 2001: 36).

O Complexo Xistoso das Beiras ou Complexo Xisto-Grauváquico ante-Ordovíco das Beiras, cuja idade tem sido amplamente discutida [de difícil cronologia, talvez do Câmbrico ou Infra-Câmbrico (TEIXEIRA, 1955, cit. por ROCHETTE CORDEIRO, 1988: 91)], possui vasta representação regional, dispondo-se na Serra da Freita em anticlinal de charneira orientada NW-SE, destruída pela erosão e intruída por duas faixas graníticas que se vão perdendo naquele sentido (MOURA, l.c.). Este complexo sofreu metamorfismo regional intermédio entre os tipos de baixa pressão e o barroviano, denunciado por uma intensidade crescente no sentido NW (MOURA, l.c.). Na Serra da Freita, o complexo xistoso é constituído por diversas rochas de diferentes graus de xistosidade: quartzitos, grauvaques castanhos, xistos pelíticos e gresopelíticos de cor diversa, grés metamorfizados e, muito localmente conglomerados. Os xistos metamórficos apresentam, por vezes em quantidade, bons cristais de estaurolite, que se distinguem bem pela sua forma característica em cruz de Santo André e grega (MOURA, l.c.).

Na superfície culminante da Serra da Freita/Arada, maioritariamente acima dos 1000 m, existem diversas formas crio-nivais em concha –nichos de nivação–, por vezes já em fase de desmantelamento (ROCHETTE CORDEIRO, 1986: 162). Observa-se também a existência de vales em berço, muito visíveis e de extraordinária beleza paisagística. Os nichos de nivação apresentam orientações variadas, mas com predominância dos quadrantes de Sul e ter-se-ão formado através de uma acumulação imóvel de neve nos períodos mais frios (ROCHETTE CORDEIRO, l.c.). Durante a idade glaciar do Würm recente, a cumeada da Serra da Freita terá estado numa situação próxima do limite das neves perpétuas, que andaria então pela cota dos 1200 m (ROCHETTE CORDEIRO, l.c.). Esta superfície culminante, actualmente com valores altimétricos entre os 1000 e os 1100 metros, terá sido uma região periglaciar durante o Pleniglaciário Würmiano, ocorrendo então uma situação de manutenção de neve e formação de gelo, com alternância sazonal na acção gelo-degelo (ROCHETTE CORDEIRO, l.c.).

Um fenómeno geológico particularmente curioso que ocorre na Serra da Freita é constituído pelas popularmente designadas «pedras parideiras». AMORIM GIRÃO (1984: 617) descreve-as da seguinte forma: “Na Costa da Castanheira a mesma rocha apresenta, em pontos isolados, mas em grande quantidade, aglomerações lenticulares de mica escura com o carácter de verdadeiros micaxistos, reluzindo ao sol, como um mosaico de efeito surpreendente. Estas aglomerações, por vezes com a forma característica e dimensões aproximadas de ovos estrelados, separam-se com facilidade da rocha envolvente, devido à sua constante desagregação pelos agentes atmosféricos. É o fenómeno das «pedras que parem pedras» da linguagem popular”. Este autor (AMORIM GIRÃO, 1984: 616-617), aborda a geologia da Serra da Freita, referindo a zona de contacto entre os xistos do Pré-Câmbrico e o maciço granítico, na qual se encontram “micaxistos luzentes, acompanhados de cristais de estaurolito em grande profusão”, assim como “possantes assentadas de quartzito, provavelmente silúrico”. Também atribui a esta transição entre a zona granítica e a zona xistosa, “em virtude do diferente grau de dureza das duas rochas”, originando “descidas de nível muito acentuadas” e produzindo-se quedas de água, a existência da imponente Frecha da Mizarela (AMORIM GIRÃO, l.c.)”.

 

E, para finalizar esta lição de geografia física, deixamos aqui um quadro sobre a História da Terra,

 

07.- História da Terra.jpg

 antes de chegarmos a Alvarenga, onde, aqui, depois de registarmos o contorno da rural da sede de freguesia,

08.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

darmos uma vista de olhos à sua igreja matriz

09.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

e tirarmos uma foto ao espigueiro ou canastro que está nas suas proximidades,

10.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

fizemos uma paragem num dos seus cafés para reforçar o pequeno-almoço, mesmo em frente ao seu antigo pelourinho.

11.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

O seguinte passo do nosso périplo por terras do Maciço da Gralheira será objeto do próximo post.

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