Sábado, 30 de Maio de 2015

REINO MARAVILHOSO - DOURO - Murça (II)

 

 

ATIVAMENTE, EXERCENDO O DIREITO À NOSSA PREGUIÇA (II)

 

- VIA ROMANA DE MURÇA -

(22.maio.2015)

 

Falta dizer às(aos) nossas(os) leitoras(es) que, antes de regressarmos para assistirmos a parte do Painel II do Congresso, subordinado ao tema «Animação Sociocultural na Terceira Idade: Cidadania e Participação», e, principalmente, à Conferência do Padre Fontes - «A medicina popular e o envelhecimento ativo», ultrapassado o edifício da Escola Profissional de Murça, enfiámo-nos, em jeito de caminhada, pela tineira do calor, pela Via Romana de Murça, cujo placard que a anuncia, logo no início, contém os seguintes dizeres:

01.- Via romana de Murça.jpg

Neste placard, sucintamente, tem tudo o que é necessário saber sobre a história desta via. Mas, nós, quisemos aprofundar um pouco mais o nosso saber sobre as estradas romanas por esta zona. E, assim, fomos consultar na internet o sítio - http://viasromanas.planetaclix.pt/ - «Itinerário das vias romanas em Portugal».

 

Da sua leitura e análise, damo-nos conta que a Via Romana de Murça, de acordo com o Itinerário Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no século III, não fazia parte de nenhum itinerário principal. Trata-se de um itinerário secundário, a norte do rio Douro, e que, vulgarmente, juntamente com outros, são designados por «Viae Aquilonem Fluminis Durius».

 

Diz-se, a dada altura, neste sítio:

 

Viação romana secundária a norte do Rio Douro

A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana como Viae Vicinales e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. É provável que existisse pelo menos uma via romana Este-Oeste ligando Braga a Zamora e Salamanca, passando em Terras de Panóias, hoje a região de Vila Real, continuando por Murça, Mirandela e Miranda do Douro para Zamora (OCELO DURUM), ou por Carlão, Vila Flor, Vale da Vilariça, Torre de Moncorvo rumo a Salamanca (SALMANTICA). Também é provável uma via N-S que cruzava com estes trajetos no Alto do Pópulo e em Carlão rumo às civitates da margem sul do Douro como Freixo de Numão. Os possíveis miliários de Vila Marim e Constantim, ambos próximos de Vila Real, parecem estar alinhados com a direção da via e marcariam a sua passagem na região de Vila Real, mas na ausência de outros miliários, também é possível que estes miliários pertencessem a vias no sentido N-S, o miliário de Constantim inserido na Rota Chaves - Aguiar - Rio Douro e o miliário de Vila Marim (tombado junto à capela da Nossa Senhora da Paz) que poderia ser integrado numa via também entre Chaves e o rio Douro, mas que passava a leste de Vila Real, seguindo em direção a Cidadelhe (Mesão Frio), onde também se achou um miliário. Na ausência de dados mais precisos, tenta-se equacionar um conjunto de ligações entre os principais focos de desenvolvimento, integrando os vestígios existentes num corpo mais ou menos coerente de itinerários. Sem novos dados é difícil esclarecer as rotas com precisão”.

 

E quanto à nossa Via Romana de Murça, diz:

 

Vila Real - Murça - Mirandela

Itinerário medieval de Vila Real a Mirandela com possível origem romana que atravessa o rio Corgo na Ponte de Piscais e segue por Mouçós, Lagares, Justes e Vila Verde rumo ao Alto do Pópulo, continuando depois na direção de Murça, onde fazia a travessia do rio Tinhela; apesar das principais pontes deste itinerário não evidenciarem sinais de romanidade (Ponte de Piscais no rio Corgo e Ponte de Murça no rio Tinhela), é muito provável que este itinerário já existisse em época romana, atendendo à intensa romanização dos povoados castrejos ao longo do seu trajeto, como Santa Cabeça (Mouçós), Murada (Lagares), Cerca (Vila Verde) e Castelo dos Mouros (Murça); equacionam-se também possíveis variantes rumo ao Rio Douro.

(...)

Alto do Pópulo (nó viário e provável mutatio no cruzamento com a via N-S entre Chaves e o rio Douro; sai da EN15 pelo Alto da Bobela/rua Fontelas) Cadaval, Fiolhoso (a via continua pelo caminho que passa na Fonte do Linhar e junto do cabeço da Seixigueira, descendo daqui à ponte sobre o rio Tinhela, passando assim a sul do Castro romanizado do Castelo dos Mouros, onde há um troço de calçada de acesso ao castro) Murça (atravessa o rio Tinhela na Ponte Romana?-Filipina sobre o rio Tinhela e sobe por calçada à povoação, cruza a EN15 e segue pela rua Marquês de Valle Flôr) Murça a Mirandela, seguindo por Palheiros (castro; rua da Estrada Velha), Franco, Lamas de Orelhão (provável nó viário atendendo à fortificação romana junto do cemitério e à inscrição HEINC LETERAM, possível marco territorial, achado na igreja), continuando por Passos e Golfeiras até Mirandela (vestígios nos povoados do Castelo Velho/Monte de S. Martinho e junto da ribeira de Mourel que corre no seu sopé, hoje a Qta. da Raposeira; Ponte Romana? de S. Sebastião sobre a ribeira de Carvalhais, junto ao campo de futebol).

Possível diverticulum para o território Baniense, derivando em Palheiros e seguindo para sudeste por Montefebres, indo atravessar o Rio Tua na Ponte do Abreiro, 100 m a montante da ponte atual (Castro romanizado na capela de Sta. Catarina e povoado em Poço dos Mouros) continuando depois por Vieiro (habitat em S. Domingos) em direção a Vila Flor e daqui ao Vale da Vilariça (Torre de Moncorvo), território da civitas Baniensis”.

 

Intrigados ainda quanto à designação deste itinerário secundário com o nome de «via» e não de «calçada», ainda no mesmo sítio, obtivemos a seguinte resposta:

  • Via - é todo o caminho na rota da antiga via romana, seja em terra batida, calçada em pedra ou por estrada moderna (sublinhado nosso);
  • Calçada - é todo o caminho com possível origem romana ainda com vestígios de pavimento antigo.

Segundo esta definição, o caminho que percorremos, naquela tarde de sol, no dia 22 de maio passado, é uma via, porquanto não estamos em presença de um caminho com origem romana e ainda com vestígios de pavimento antigo (calçada), que está na rota de uma antiga via romana. O que percorremos, sob o itinerário romano, é um caminho que foi romano, medieval, reconstruído no século XVII, com Filipe II de Espanha (Flipe I, de Portugal) e, sucessivamente reconstruído e melhorado até aos nossos dias.

Começando a percorrer esta Via, logo de início, deparámos com este sobreiro, trespassado pelos raios do sol, nas imediações do casario.

02.- Via romana de Murça.jpg

E, à margem da Via, que aqui começa em forte declive,

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esta figura, em granito,

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assente num plinto quadrado, também de granito, sob uma rocha.

05.- Via romana de Murça.jpg

Quanto a esta figura, não encontrámos lugar algum que dela fale. Mas tudo leva a crer que seja recente, feita por mãos habilidosas, de um «escultor» popular.

 

Enquanto descíamos a Via, à nossa frente e direita, monte;

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à nossa esquerda, pequenos socalcos de vinha e horta, descendo para o rio.

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Enquanto nos entretínhamos a olhar para as flores que cresceram «ao deus dará», pela berma da Via, a páginas tantas, a Via apresenta-se-nos com este aspeto.

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Estávamos nas proximidades da ponte sobre o rio Tinhela, que vai desaguar ao rio Tua. Atravessámo-la.

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Mas, antes, parámos, junto de um penedo, para vermos, mais de perto, o que estava «esculpido» a seu lado.

10.- Via romana de Murça.jpg

Observámo-lo ao pormenor. Naturalmente, trata-se de um escudo. Dizem-nos que do tempo de Filipe II, de Espanha (Filipe I, de Portugal).

 

De Francisco Ribeiro da Silva, numa História de Portugal, a páginas 245, começa a ser reproduzido um seu texto publicado como introdução ao livro Filipe II de Espanha, Rei de Portugal (Coletânea de documentos filipinos guardados em Arquivos Portugueses), 2 volumes, Zamora, Fundação Rei Afonso Henriques, 2000, e que, a certa altura, diz da ação deste monarca quanto ao fomento económico, quando procede ao “lançamento e melhoria das infraestruturas: construção e reconstrução de pontes”, entre elas, a Ponte de Coimbra cujo pagamento levantou muita polémica; a reconstrução da ponte de Canaveses, na Comarca de Guimarães; a ponte do Prado, no Arcebispado de Braga; a ponte de Mirandela e a da Guarda, estas de maior envergadura, para não falar na reconstrução de outras mais pequenas como esta, na Via Romana de Murça, sobre o rio Tinhela.

 

Assim, e em boa verdade, estamos em presença de uma ponte que não é romana, nem tão pouco medieval. Construída no século XVII, sobre uma ponte provavelmente medieval, que tinha já sido romana, encontra-se no alinhamento da rota romana.

11.- Via romana de Murça.jpg

Sobre esta ponte, o sítio da internet - http://www.guiadacidade.pt/ptpoi-via-romana-de-murca-20875 - «Guia da cidade», refere que “mesmo na atualidade, há cerca de duas décadas, era por ali que as povoações do Vale do Cunho, Pópulo e sobretudo Cadaval, nomeadamente para irem à feira, ou aquando da apanha da azeitona [passavam]”.

 

Ultrapassada a ponte, continuámos o nosso percurso, subindo esta bem conservada calçada.

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Ao cimo da calçada, numa ampla curva, em noventa graus,

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aparece-nos este marco que, segundo supomos, deve ser da mesma época filipina.

14.- Via romana de Murça.jpg

Percorrida a Via até ao casebre que se vê na figura anterior - e porque começava a fazer-se horas para assistir à Conferência do Padre Fontes, iniciámos o retorno a Murça, ao Auditório Municipal.

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Mas, intrigados com aquele escudo, tentámos perceber a razão da sua «mutilação», ao ter aposto uma cruz de ferro. Mais tarde, já no Auditório, um técnico da Câmara Municipal de Murça, a solicitação do Presidente da edilidade, informou que aquela «mutilação» tinha a ver com a oposição a tudo quanto fosse filipino, durante o período da Restauração. Contudo, ficou por explicar a razão da «mutilação» do escudo ser feita com uma cruz de ferro.

16.- Via romana de Murça.jpg

Um pescador furtivo, queixando-se da pouca sorte da «apanha», nessa tarde, no rio, indicou-nos o melhor sítio para tirarmos uma foto à ponte da sua margem direita; da margem esquerda, à vinda, foi mais fácil - tratou-se, apenas, de seguir um caminho pedregoso, ao lado do penedo, e que acompanha, em poucos metros a margem esquerda. Aqui fica a foto, com menos visibilidade desta margem, em virtude das árvores que lhe estão próximas.

17.- Via romana de Murça.jpg

Saídos da ponte sobre o Tinhela, na Via Romana, e confessemos, com um pouco de esforço, dado o calor que fazia, encetámos a íngreme subida até à vila de Murça. Antes de chegarmos ao casario que ladeia o cimo da Via, à entrada para a vila, cortámos à esquerda e seguimos, por um caminho empedrado (de paralelos) até à estrada das «Curvas de Murça». No alto da estrada, junto de uma fonte, protegida por dois grossos e vetustos eucaliptos, observámos duas pontes: a antiga, da Via Romana, à nossa direita;

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a nova, da que faz a ligação à A4, à nossa esquerda.

19.- Via romana de Murça.jpg

Quando chegámos ao Auditório Municipal de Murça, Marichu Jesús Calvo de Mora González ainda estava a fazer a sua apresentação.

2015 - Murça (Via Romana)+Vistas Douro S.ta Marin

Assistimos ao debate do Painel e, naturalmente, à Conferência do amigo Padre Lourenço Fontes.

 

À noite houve fados, a cuidado do grupo «Os Transmontanos», espetáculo aberto à comunidade e a outras vozes da plateia.

 

A colega Susana brilhou. E ficámos com a certeza, se, nos tempos difíceis por que correm os profissionais da Animação Sociocultural, não tiver grande futuro, sempre a sua voz fadista lhe dará uma «mãozinha». Mas, pelo que vimos - e ouvimos - na plateia havia mais.

 

Somos o país do fado e, infelizmente, de muitos outros «fados»!...

 

A nossa participação neste Congresso limitou-se a coordenar um Painel. Tivemos pena em não permanecermos até ao dia do seu encerramento, domingo. Afazeres inadiáveis impediram a nossa permanência nele e na linda vila duriense de Murça, de Trás-os-Montes!


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Quarta-feira, 27 de Maio de 2015

REINO MARAVILHOSO - DOURO - Murça (I)

 

ATIVAMENTE, EXERCENDO O DIREITO À NOSSA PREGUIÇA (I)

 

Não é uma calamidade

não alcançar as estrelas;

é uma calamidade

não ter estrelas para alcançar.

 

(Anónimo)

 

No passado fim-de-semana, Murça foi palco do Congresso Internacional de Animação Sócio Cultural subordinado ao tema «Gerontologia|Educação Intergeracional. Estratégias e Métodos de intervenção para um envelhecimento ativo». A organização do evento foi da responsabilidade da associação Intervenção que, ao longo destes últimos tempos, tem dado provas da sua intervenção e empenhamento sobre a problemática da animação sociocultural na sociedade moderna em ordem a uma sociedade mais livre, democrática e participativa, propiciando uma cidadania mais ativa das pessoas na res publica.

 

Da Sessão Inaugural, a cargo do Meritíssimo Juiz Laborinho Lúcio, ministro da Justiça de um dos governos de Cavaco Silva, fiquei deveras surpreendido, diria mesmo, pasmado! Este Meritíssimo, que insistentemente apelava para que o chamassem velho e não idoso, pois, pelos vistos, já vai na escala dos setenta e tais, na circunstância, proferiu uma intervenção que, se não soubesse quem tinha sido, parecia ter ultrapassado o discurso oficial do PS pela esquerda!...

 

Não é este o lugar para o resumo da sua intervenção. Outros, oficialmente, o farão. Pela nossa parte, apenas gostaríamos de deixar aqui, do conjunto da sua intervenção, o que mais nos «tocou».

 

Em primeiro lugar, quando apelava a todas as pessoas da plateia, a maioria delas jovens, para que, e desde já, se pusessem no lugar de velhos, enfatizando a necessidade de sairmos, metodologicamente, da posição de considerarmos o velho uma classe, um «outro», objeto de intervenção ou estudo. Ao assumirmos o velho como um inter pares, a nossa postura e as nossas atitudes para com os tais ditos velhos vão necessariamente mudar consideravelmente.

 

Em segundo lugar, relevou que o envelhecimento é uma questão problemática, exigindo soluções problemáticas, numa sociedade complexa, diferente, diversa, em que a cooperação e a corresponsabilidade têm, necessariamente, de estar presentes para, em liberdade, vivermos juntos, construindo uma sociedade solidária, num tempo em que o espaço (território) desapareceu, cedendo o terreno à economia e ao mercado, interessado apenas na competição, no ganhar tempo, num tempo que se quer e se constrói só com o instantâneo. Na verdade, hoje, em vez de territórios, de vida e partilha, temos velocidade. E esta velocidade gera novos marginais, que não são os marginais do espaço, mas do tempo, porque estão fora do tempo, do «nosso» tempo. Por isso, os conflitos que hoje vivemos são entre novos e velhos, empregados e desempregados, ricos e pobres. E fez, neste passo da sua intervenção, a seguinte pergunta: quem são os senhores do tempo? A resposta para o Meritíssimo é óbvia: é este mercado que só vive em função do tempo, que a todos despersonaliza e reduz a mercadoria. E, logo de seguida, a segunda pergunta: qual o lugar da pessoa nesta sociedade em que vivemos? Entendendo a cidadania como o reconhecimento de cada pessoa desenvolver as suas capacidades para participar ativamente na vida pública, apelou ao direito ao direito, ou seja, ao direito à voz, à participação. Porque cada um, esteja em que estádio da vida estiver, é protagonista de uma sociedade. De uma sociedade diversa. Em que cada um, porque diferente, deve reivindicar a igualdade (nacional) na diversidade. Se a vida é um continuum, há, pois, que construir uma coesão intergeracional, em ordem a um projeto comunitário, contando com a solidariedade, embora individual, egoísta, de cada um. Mas a solidariedade (individual, egoísta) exige de nós prudência. E essencialmente severidade em não tolerar a hipocrisia que por aí crassa contra os ditos velhos, os idosos...

 

E, lapidarmente, deixamos aqui três frases que mais nos «tocaram»:

  • Não nos devemos apear cedo demais das nossas utopias;
  • A tragédia da vida é não ter objetivo algum para alcançar;
  • Tolerar o idoso é uma indecência social.

 

No Painel que coordenámos, subordinado ao tema «Envelhecimento ativo e Autonomia», causou algumas dúvidas e posições críticas a intervenção do nosso amigo galego Manuel Vieites quando, citando Paul Lafargue (http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Lafargue), apelava ao direito à preguiça do velho, contestando alguns significados do envelhecimento ativo, próprios de uma sociedade consumista que nos reduz, todos, a meros objetos de produção/consumo da sociedade capitalista em que vivemos. Sem querer desprestigiar e por em causa o trabalho dos diferentes técnicos que trabalham para os idosos, principalmente os institucionalizados, pôs, contudo, em causa a sua filosofia de funcionamento, aliás na «onda» da intervenção Inaugural de Laborinho Lúcio.

 

Houve aceso debate. Discutimos e partilhámos diferenças. Temos, cada um, as suas convicções. Respeitamos a diversidade. E, acima de tudo, assumimos que o viver em sociedade não é o partilharmos o mesmo, mas sim vivermos com a diferença e assumirmos o conflito como conatural ao ser humano e às sociedades. É nesta postura de assunção da diferença, do conflito, e da aceitação e respeito pelo outro, que é diferente, que a participação faz todo o sentido.

 

Findo o painel, e, como já empossados do estatuto de velho, recentemente, (embora, em casa, já há mais de vinte anos, sejamos o velhote), seguimos o conselho do amigo Vieites: saímos porta-fora do Congresso e fomos exercitar, livre e ativamente, o direito à nossa preguiça, indo aprofundarmos melhor o território desta linda terra duriense, do vinho e do azeite, que é Murça.

 

Desta feita, aqui vos deixamos quadros desta linda terra, que fomos tirando, e que aqui vos ficam «pendurados» para vossa apreciação estética (?).

 

Antes de chegarmos a Murça, a terra da célebre «Porca»,

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vindos de Chaves, pela estrada Regional 314, três quadros de paisagem:

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(Quadro nº 1)

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(Quadro nº 2)

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(Quadro nº 3) 

Logo, ao chegarmos, se não sabemos, ficamos logo cientes de três coisas: a primeira, que Murça, como boa terra do Douro, é terra de vinho

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 (Sugestiva escultura representando a terra do vinho)06. - Murça (Vila) (45).jpg

 (*ormenor da escultura do vinho)

e de azeite.

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E que daqui, do seu concelho, de Valongo de Milhais, é natural, um mito da Grande Guerra, o lendário Soldado Milhões.

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Mas, tal como a antiguidade da sua «Porca», por aqui passaram (e viveram) muitos povos. Dentre eles, os romanos, que aqui construíram calçadas

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e pontes

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para, do Império, virem a outras paragens, deixando por aqui os seus vestígios de passagem.

 

O símbolo do poder religioso, político e civil dominam o centro da vila, com a Igreja Matriz,

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o Pelourinho,

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com um elegante e bem trabalho ornamento no topo,

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 e o edifício da Câmara Municipal.

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Mas também houve casas senhorias, embora algumas já em ruínas,

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E o seu casario típico destaca-se no aglomerado urbano, com fachadas respeitando a traça própria

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e de cara lavada,

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embora uma

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 ou outra espere recuperação.

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Mas, positivamente, o que põe Murça do Roteiro Regional é a Saúde, com o  seu Hospital,

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prestando Serviços Continuados, através de uma instituição privilegiada, não só em termos locais, mas também, e, pelo menos, regionais - a sua Santa Casa da Misericórdia.

 

Aliás, não foi por acaso quer este Congresso aqui se realizou!...

 

Seguimos a rua do seu centro antigo que vai dar ao Hospital,

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um edifício antigo recuperado para o efeito.

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Na mesma rua está a residência para estudantes e, ao fundo da mesma, a Escola Profissional de Murça.

 

Quer na ida,

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quer no regresso ao centro, não podemos deixar de reparar naquilo a que  chamamos a «joia da coroa» de Murça - a bonita capela da Misericórdia,

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a precisar de intervenção, bem como a sua envolvente.

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Não nos foi possível entrar no seu interior. De fora, fica-nos aqui estes três belos panos da sua frontaria.

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 (Pano de cima)

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 (Pano do meio) 

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 (Pano da base)

 

E os pormenores, lavrados em granito, com temas da videira (parra e cacho de uvas).

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(Pormenor nº 1) 

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 (Pormenor nº 2) 

Regressando ao centro da vila pela mesma rua, com o seu casario típico,

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não se nos escapou a observação da Fonte da Santa,

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e à sua frente, um edifício recente, cuja primeira pedra foi de justiça erguer mas que, nos tempos que correm, não serve para Justiça nenhuma...

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Deixamos os (as ) nossos (as Leitores (as) com o centro emblemático de Murça - «Porca» e Igreja,

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Igreja e Pelourinho.

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E com um adeus até amanhã que, quanto a Murça, há mais um pouco para contar.

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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - Capela visigótica de S. Frutuoso de Montélios

 

 

 

CAPELA DE SÃO FRUTUOSO DE MONTÉLIOS

(Freguesia de Real, Braga)

 

 

Desta vez foi de vez. Havia muito tempo que desejávamos visitar a capela de São Frutuoso de Montélios, situada na freguesia de Real, Braga.

 

Trata-se de um monumento religioso visigótico.

 

Peguemos na obra de D. Fernando de Almeida, Arte Visigótica em Portugal, para definirmos Arte visigótica como o “conjunto de manifestações artísticas surgidas na Península Ibérica entre o período final da dominação romana, desde que nela foi pregado o cristianismo, e a invasão árabe: entre o século IV (antes, portanto, da chegada dos Visigodos ao solo peninsular) e os princípios do século VIII”. O autor afirma que o seu “início parece um contrassenso; mas, efetivamente, para a Arte Visigótica, a contribuição dos visigodos, no surgir de novas formas artísticas foi mínima (...) A designação escolhida tem simplesmente caráter político e não étnico, pois o período em que essa forma de Arte se manifestou corresponde, sensivelmente, ao da existência do reino visigótico e não à produção artística do povo visigodo”.

 

Afirma, a dada altura, nesta sua obra, D. Fernando de Almeida que, “no Congresso Internacional de História de Arte, realizado em Lisboa e Porto em 1949, Manuel Monteiro disse: «A representação da Arte Pré-românica em Portugal é muito fraca, limitando-se, a bem dizer, aos três monumentos acima apontados e às ruínas de Idanha-a-Velha». Os três monumentos referidos eram as igrejas de S. Pedro de Balsemão, Lourosa e Montélios. Notemos que Lourosa é mozárabe e ficamos reduzidos a três ao todo e nada mais: ora a verdade é bem outra (...)”. Na verdade, este historiador aponta as seguintes obras, de caráter visigótico:

  • Monumentos de caráter religioso:
    • O «Batistério da Tróia (Setúbal);
    • Basílica do Arnal (Leiria);
    • Basílica de Odrinhas (entre Sintra e Ericeira);
    • Basílicas da Torre de Palma (entre Monforte do Alentejo e Vaiamonte);
    • Basílica de S. Pedro de Balsemão (Lamego);
    • São Frutuoso de Montélios (freguesia de Real, Braga);
    • São Torcato (Guimarães);
    • Basílica Catedral de Idanha-a-Velha;
    • São Manços (Évora);
    • Santo Amaro (Beja);
  • Monumentos de carácter civil, como as Torres Visigóticas de Évora e outros monumentos ainda pouco estudados;
  • Peças várias de escultura, ourivesaria, bronze, etc..
  1. Fernando Almeida tem a sua obra organizada nos seguintes temas:
  • A Península Ibérica no decair do Império Romano;
  • As Invasões;
  • Os povos Germânicos (Francos, Suevos, Vândalos e Visigodos). E dos Alanos;
  • Do Reino dos suevos e Reino Visigótico;
  • Os Bizantinos na Península;
  • Os antecedentes da Arte Visigótica. Da Ibéria Pré-romana. Das suas influências várias - Escandinávia, Irão, Síria, Egito-copta, Norte de África, Bizâncio, Ravena e Sicília;
  • A arte paleocristã e o seu lugar na Arte Visigótica, para depois entrar no tema da Arte Visigótica, com os seus motivos arquitetónicos e decorativos.
  • De seguida, faz-nos um resumo da Arte Visigótica em Espanha e França para, só então, no capítulo VIII, entrar no tema específico da obra - Arte Visigótica em Portugal.

 

Este historiador de arte enfatiza e refuta que, ao contrário do suposto por autores estrangeiros, em Portugal a Arte medieval não se iniciara com o românico, ao passarem a ser justamente considerados pré-românicos alguns monumentos que até por estarem escondidos, metidos em recantos, haviam passado desapercebidos, e, consequentemente, não devidamente classificados.

E, neste contexto, fala-nos do mais belo monumento bizantino da Península - a capela de São Frutuoso de Montélios -, construída no século VII, envergonhada ao lado da igreja de São Francisco,

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«dez» vezes maior, deturpada, ou melhor, estropiada, nem ao feliz «descobridor» se lhe deparou no verdadeiro significado da planta em cruz grega que tinha à sua frente, de cariz nitidamente visigótico. Aqui a temos vista de um

02.- S. Frutuoso.jpg

 e outro ângulo.

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Abordemos agora um pouca da história de São Frutuoso, através da pena do autor que vimos citando.

São Frutuoso, cheio de zelo religioso, quis seguir o exemplo dos monges do Egito; percorreu, para isso, Leão, Castela, Andaluzia, Lusitânia fundando mosteiros e pregando a fé. O seu zelo apostólico levou o rei Recesvinto a dar-lhe a diocese de Dume e o X Concílio de Toledo, segundo Nuno Valério, seu biógrafo e conterrâneo, a entregar-lhe a de Braga, vaga em 656, pela deposição de Potâmio.

Perto e Braga, na vila romana de Montélios, onde parece ter existido um templo dedicado a Esculápio, fundou um mosteiro beneditino consagrado a São Salvador; na capela, o seu corpo deveria repousar em paz eterna. Para que tal pudesse realizar-se, foi necessário trabalhar dia e noite na construção do pequeno templo, e ali foi efetivamente depositado o corpo de Frutuoso num túmulo colocado em um arco sólio aberto na parede exterior da abside principal.

04.- S. Frutuoso.jpg(Vista interior de um ângulo) 

05.- S. Frutuoso.jpg (Vista interior de um outro ângulo) 

O futuro Beato

06.- S. Frutuoso.jpg

havia sido «desde a meninice, sem mágoa e justo» e tinha tais virtudes que «com sua religião e alteza de vida contemplativa iluminava os segredos dos corações». Não admira, pois, que cedo começasse o povo a considerá-lo Santo e a venerar o seu corpo guardado na pequenina igreja por ele mandada construir e conhecida, «segundo velhas memórias» (...) «pela designação de Torre Capitolina».

Os Árabes chegaram a Braga em 716; mas não destruíram nem a capela, nem o mosteiro.

(...) Para confirmar o não arrasamento da capela de S. Frutuoso [constatámos] ter lá ido o bispo Xelmírez, em 1102, roubar o corpo do Santo.

Em 1522, segundo reza uma inscrição guardada na capela, o grande arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, mandou reconstruir o mosteiro e chamou os Franciscanos para o habitarem. Desejavam os frades uma igreja maior, para o que destruíram a antiga, mas não foram autorizados a fazê-lo pelo arcebispo D. Rodrigo De Moura Teles. Não desistiram do seu intento, guardaram-no para mais tarde: embora com a obrigação de ficar lembrança da velha capela, em 1728 iniciaram a construção da igreja para anexar e destruir parte da capelinha de São Frutuoso. Resistira aos Mouros, mas os Franciscanos tiveram maior fúria. E lá ficou truncado e amesquinhado um dos templos mais antigos do país, no seu género e de maior interesse na Península!”.

07.- S. Frutuoso.jpg (Vista interior virada para a entrada a partir da Igreja de S. Francisco)

07a.- S. Frutuoso.jpg(Entrada a partir da Igreja de S. Francisco, com o órgão da Igraja por cima)  

 

08.- S. Frutuoso.jpg

(Pormenor do 'deselegante' portão de acesso e cadeado) 

Esperamos que, com este pequeno apanhado, tenhamos contribuído para um melhor conhecimento deste valioso património religioso peninsular.

Vamos agora entrar na igreja de S. Francisco, matriz da paróquia de Real.

Comecemos pelo altar-mor;

09.- S. Frutuoso.jpg

tenhamos uma panorâmica da igreja

10.- S. Frutuoso.jpg

e um pormenor do coro alto;

11.- S. Frutuoso.jpg

o Santo António, num dos altares laterais;

12.- S. Frutuoso.jpg

ao lado do acesso da igreja para a capela, uma imagem antiga de S. Frutuoso,

13.- S. Frutuoso.jpg

tendo aos seus pés, numa pequena urna, algumas das suas relíquias.

14.- S. Frutuoso.jpg

O senhor Carvalho, responsável pela igreja e respetiva capela, que nos acompanhou na visita, mostrou-nos a sacristia, na qual se destacam estas duas peças interessantes: um altar encimado com um crucifixo, com talha dourada

15.- S. Frutuoso.jpg

e a parte de cima do móvel dos paramentos, em bonita e trabalhada fina talha.

16.- S. Frutuoso.jpg

Num dos próximos posts falaremos da Basílica de S. Pedro de Balsemão (Lamego) e, conforme a oportunidade de visita dos restantes monumentos acima elencados, deles faremos também um post. Mas só depois de falarmos também de duas, aqui próximas de nós, na vizinha Galiza - a capela de São Miguel, em Celanova, e a igreja de Santa Comba, em Bande.


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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - Rumo à aldeia da Pena

 

 

RUMO À ALDEIA DA PENA

 

O Município de São Pedro do Sul, com o seu Complexo Termal, considera-se a capital do termalismo em Portugal.

 

Esta cidade beirã, que se situa em pleno vale de Lafões, é emoldurada pelos maciços das serras da Arada, Gralheira e S. Macário.

 

No sítio da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, a certa altura, afirma-se: “nas cercanias a vida corre ao sabor da calmaria do tempo e num espaço que chega para que todos vivam em harmonia com a natureza e é cesta que se extrai o xisto para construir as casas típicas, das típicas aldeias da Pena, do Fujaco, de Covas do Monte ou Covas do Rio. Aldeias abençoadas pelas centenárias capelas de São Macário de Cima e a eremita de São Macário de Baixo. Todo este maciço montanhoso do «Monte Magaia» vive envolto em tradições, rituais, mitos, lendas, crenças de cabras que matam lobos, de serpentes que comem homens e de Santos que transportam brasas nas mãos, cujas memórias não se apagam no correr dos nossos tempos”.

 

Por hoje apenas vamos mostrar aos nossos(as) leitores(as) o que vimos quando, saindo do Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, percorremos o CM 1123 até à aldeia da Pena.

 

Numa das suas inúmeras curvas, num piso em adiantado estado de degradação, eis que nos aparece este bonito quadro da serra.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (208)

Parámos para o contemplar.

 

Numa outra curva, mais larga, com lugares em terra batida para estacionar as viaturas, mais um quadro da serra, em primeiro plano, e as terras de Lafões em redor.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (219)

Um pouco mais acima, à nossa esquerda, aparece-nos a serra da Arada, com a sua célebre «garra» toda ela em tons primaveris, vendo-se ainda parte da estrada que leva ao Portal do Inferno.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (226)

Ultrapassado o cruzamento da estrada do Portal do Inferno, a serra continua vestindo-se de cores, qual rua de vila ou cidade minhota em domingo de Ascensão.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (239)

Até que, ultrapassado o parque eólico, e já nas proximidades do cruzamento que nos levará, em íngreme e sinuosa descida, à aldeia da Pena, este espetáculo!

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (242)

Percorrendo, com cuidado, a sinuosa e íngreme estrada, onde só aqui e ali se cruzam dois carros, continuámos a ver ao fundo a aldeia e a mãe-natureza a oferecer-nos estes lindos «bouquets» de flores de carqueja e urze.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (244)

E a nossa descida cautelosa, e ziguezagueante, continua. Os tufos de flores do monte em constante oferta; as fragas protetoras e possantes dizendo o porquê da sua serventia; a pequena veiga, imprescindível para o sustento das suas já poucas gentes; a aldeia, cada vez mais se aproximando; a estrada do Portal do Inferno, por cima da aldeia, quase tocando as nuvens.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (257)

Por fim, estamos chegando à Pena,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (258)

com o seu casario típico, encostado ao monte,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (267)

numa convivência pacífica e harmoniosa com as suas fragas protetoras.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (276)

Manuel Nunes, quando escreve sobre a aldeia da Pena no sítio da internet - http://naturlink.sapo.pt/Lazer/Turismo-na-Natureza/content/Serra-de-S-Macario-viagem-ao-Jardim-da-Pena?bl=1 -, diz: “A aldeia da Pena é uma daquelas aldeias ditas “Históricas” que as entidades responsáveis souberam preservar e projetar nos roteiros turísticos de Verão. Por isso, quando a canícula se vai, a maioria dos turistas vai com ela deixando a aldeia entregue às suas lides de sempre, que é como quem diz mergulhada numa paz profunda e sonolenta, quebrada apenas pelo ocasional caminhar arrastado de algum dos seus oito habitantes [Hoje, parece, já serem menos]. Uma mão cheia de casas em xisto com telhados negros cor de fuligem, aninhadas no regaço apertado da cova do monte e envoltas por leiras de lameiros, hortas e bosques de carvalhos (Quercus pyrenaica e Quercus faginea) e castanheiros (Castanea sativa), eis a imagem que pode descrever, à primeira vista, a aldeia da Pena. Contudo, há mais. Há as gentes, que hoje são poucas, mas que há trinta anos eram “umas cinquenta”, conta o Sr. Agostinho, o ancião da aldeia. Da população do passado, que era a riqueza e a razão de ser da aldeia, hoje pouco resta para além das histórias, das amarguras, das alegrias e das memórias dignas de figurarem num compêndio de sabedoria popular. Hoje, já quase não se ouvem vozes nem risos. O cacarejar ocasional de uma galinha, o mugido próximo de uma vaca, talvez. Mas as vozes, só se forem as dos turistas no Verão, porque os aldeões, esses, velhos como as casas que habitam, esquecidos como o vale fundo e escondido que os abrigou da serpente, que a lenda conta tê-los martirizado, há muito que deixaram de se fazer ouvir”.

 

Na aldeia fizemos uma pausa para entrarmos na Adega Típica da Pena, conversarmos um pouco com o jovem casal, seus proprietários, saber da sua história de vida, enfim, constatando e confirmando o que por aí corre nas redes sociais e nos nossos media.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (277)

Depois deambulámos um pouco pelo seu pequeno aglomerado e suas redondezas,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (284)

apreciando as suas singelas construções.

 

A determinada altura, aparece-nos este espetáculo!

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (302)

Da pena do mesmo Manuel Nunes, e da mesma fonte, fomos encontrar estas palavras que não resistimos em reproduzir, pois representam um verdadeiro elogio desta mãe-natureza: “Se há alturas em que «uma imagem vale mil palavras», então esta é, sem dúvida, uma delas. O carreiro que parte da aldeia da Pena, não se demora muito pelos campos e vinhas do vale. Rapidamente, chega ao promontório entre as fragas, onde uma fenda natural nas rochas se abre para, subitamente, revelar um estreito e abrupto vale que corre encaixado ao longo do Ribeiro de Pena. E se as profundezas verdes e luxuriantes do vale constituem uma visão soberba e arrebatadora, as sonoridades que ecoam livres pelo bosque não o são menos: chilreios, flauteios, gorjeios, assobios, trineios, tudo serve para as inúmeras espécies de passeriformes que habitam a mata demarcarem territórios, intimidarem rivais ou atraírem eventuais parceiros. Por entre a cacofonia generalizada, porém, alguns intérpretes destacam-se dos demais. Distingui-los a “ouvido nu” não é fácil e requer algum treino, mas qualquer veterano de anteriores andanças ao ar livre, depressa associa o seu a seu dono: o gorjeio sonoro e admirável da carriça (Troglodytes troglodytes), o assobio aflautado do papa-figos (Oriolus oriolus), o doce trinado do pintassilgo (Carduelis carduelis) ou o chamamento áspero e característico da felosa-comum (Phylloscopus collybita). Entretanto, o carreiro que parecia morrer junto aos rochedos, continua o seu percurso descendente mas agora sob a forma de uma imensa escadaria em ziguezague talhada na rocha. Mais do que a descida quase vertical ou o gorgolejo furioso e ruidoso do ribeiro lançando-se em cascata por entre a penedia, o que impressiona é sobretudo a frondosa mancha florestal que povoa este recanto húmido e abrigado. São às dezenas as espécies vegetais que aqui se podem observar. Desde logo saltam à vista os magníficos fetos (Asplenium onopteris, Asplenium billotii e Athyrium filixfemina) que crescem nos troncos das árvores, nas paredes rochosas ou no solo e que acompanham toda a descida. Depois, há os líquenes que pendem das árvores como cachos e que recobrem as superfícies rochosas com tons laranja e amarelo de grande beleza, sendo de destacar as espécies, Dimelaena oreina, Xanthoria parietina, Evernia sp. e Cladonia sp.. Por fim, temos os arbustos e as árvores. De todos os feitios, de todos os tamanhos, adornam e ensombram uma boa parte do percurso pelo “Jardim da Pena”. E se muitas espécies são discretas, ocupando os lugares mais recônditos do vale, como o azereiro (Prunus lusitanica), o abrunheiro-bravo (Prunus spinosa), o amieiro-negro (Frangula alnus) e o pilriteiro (Crataegus monogyna), algumas são enormes e corpulentas, como os carvalhos, os castanheiros ou os sobreiros (Quercus suber) quase desproporcionais a tão exíguo espaço; e outras ainda são estreitas, esguias e tão altas que dir-se-ia poderem quebrar com uma simples brisa, como acontece com o salgueiro (Salix alba), a tramazeira (Sorbus aucuparia), a bétula (Betula pubescens) ou a cerejeira-brava (Prunus avium). Todas juntas, contudo, formam uma cobertura verde de tal forma densa que os raios solares raramente tocam o solo, o que acaba por propiciar o habitat ideal às espécies faunísticas associadas a ambientes húmidos e sombrios, como os anfíbios. De resto, é bastante comum aos caminheiros vislumbrarem os saltos aflitos de uma rã-ibérica (Rana ibérica) procurando a segurança da água, ou encontrar larvas de tritão (Triturus boscai e Triturus marmoratus) nos pequenos açudes que se formaram ao longo do curso do ribeiro que seguimos durante 3 deliciosos quilómetros, sempre acompanhados pelo bosque que nunca nos deixa sair da sua sombra acolhedora. Mesmo quando uma velha azenha que ameaça ruir irrompe por entre o arvoredo, o bosque mantém o seu apertado abraço como que aconchegando a si o velho edifício e lembrando os tempos em que este carreiro era a única via de ligação entre as aldeias da Pena e de Covas do Rio. Hoje, porque íngreme e extenuante, já ninguém o percorre. Talvez por isso, a mata continue a existir, longe da cobiça que no passado devastou a floresta primitiva da serra”. Quem sabe, se um dia o não faremos também?...

 

Enquanto nos vinha à lembrança este texto, parámos uns momentos junto deste espigueiro

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (305)

e, subindo um pouco mais, junto a um outro, encostado a uma tosca e singela casa, não nos cansámos de contemplar aquela fenda que nos apresentava um outro mundo,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (308)

bem mais calmo e bem diferente daquele que todos os dias habitamos e vivemos nas nossas «sofisticadas» e modernas cidades.

 

Mas havia que regressar a esse mundo. Saindo das redondezas da aldeia e do seu regato, atravessámos o casario protegido pelos montes e fragas que o rodeiam.

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Na despedida, fomos até ao pequeno cemitério e à sua singela capelinha.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (364)

E, mais uma vez, nos lembrávamos das palavras de Manuel Nunes quando, a propósito deste pequeno sino, refere que já só raramente ecoa pelo vale.

 

Antes de encetarmos o caminho de volta, procurámos saber da origem do nome da aldeia. E, mais uma vez, Manuel Nunes, sucintamente, nos transcreve a lenda da Pena, neste termos: “(...)diz então a lenda que «em tempos idos existia uma aldeia no coração da Serra de S. Macário, no lugar a que chamam Cova da Serpe. O local, para além de albergar a aldeia, era também residência de uma enorme e malévola serpente-dragão. O animal, daninho como era, descia pela noite ao povoado e provocava verdadeiras razias em gentes e animais, deixando estéreis os campos por onde se arrastava». E é aqui que as histórias se separam. A lenda da Pena continua da seguinte forma: «a população, amedrontada e farta de perder assim o seu parco sustento resolveu abandonar a aldeia e mudar-se para um outro local. O sítio escolhido foi um vale vizinho, do outro lado da serra (onde hoje se encontra a aldeia), profundo e quase inacessível protegido por gigantescas fragas. Finalmente livres do assombro da serpente os habitantes respiraram de alívio. No entanto, nunca lograram esquecer totalmente a sua antiga aldeia, e por isso se lamentavam pelo seu abandono: que pena... que pena que foi - diziam! A verdade é que o desgosto e a pena foram de tal ordem que o nome acabou mesmo por ficar, e hoje não há nesta região quem não conheça a sorte das gentes da Pena»”.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (375)

Despedimo-nos da Pena, das suas fragas e da estrada do Portal do Inferno, com a promessa que, hoje (28.abril.2015) apenas foi o começo de mais jornadas que, por estas paragens, teremos intenção de cumprir, a pé!...


publicado por andanhos às 17:59
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Por terras e aldeias de Portugal - Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões

 

 

UMA BREVE VISITA AO MOSTEIRO DE S. CRISTÓVÃO DE LAFÕES

 

No sítio oficial da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, a certa altura, podemos ler: “A serra da Gralheira é um maciço que começa a elevar-se a partir das margens do rio Baroso, onde se situa o antiquíssimo «Real Mosteiro de São Cristóvão de Lafões», remontando a sua origem a um período anterior à fundação da nação, e num local, onde a proximidade com os elementos da natureza faz estimular as virtudes do espírito”.

 

Raul Proença, no «Guia de Portugal», 3ª edição, 3º Volume: Beira: II Beira Baixa e Beira Alta (1984), a páginas 760, diz-nos: “(...) afundada em verdura, jaz a velha trapa de S. Cristóvão de Lafões.

Fundou-o em 1122 o bispo do Porto D. João, para monges de S. Bento. D. Afonso Henriques doou-o aos cistercienses. O primitivo edifício consumiu-o um grande incêndio e mais recentemente (1943) um outro incêndio devorou uma grande área das matas que o envolviam, chegando as chamas a lamber as paredes do velho pardieiro conventual.

O sítio é duma sombria e selvática beleza (...)”.

 

Deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) meia dúzia de fotos tiradas aquando da visita que efetuámos, depois de um repasto típico «à Lafões»,

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 no Restaurante «O Solar», em Oliveira de Frades.

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As leis de 1834, de Mouzinho da Silveira (1780-1849), culminaram com a nacionalização de uma larga percentagem dos bens de raiz eclesiásticos e consequente alienação do património da Igreja, com o respetivo exclausuramento das Ordens Religiosas. A este Mosteiro aconteceu-lhe o mesmo, indo parar a mãos particulares.

Apesar de particular, é possível a sua visita, pagando uma modesta «propina». Basta tocar à campainha e uma senhora, encarregada das instalações, abre-nos o portão

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e entramos no recinto que dá acesso ao mosteiro

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e que integra uma unidade de turismo rural.

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O que mais nos encantou foi uma azálea branca

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no claustro.

 

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Das suas dependências, o refeitório,

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um bonito recanto com mobília e «bibelots» de outras eras,

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um crucifixo,

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um Santo António

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e duas imagens de S. Cristóvão em estilos bem diferentes uma

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da outra.

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Na saída do Mosteiro, não deixámos de olhar para um pequeno espigueiro e uma azálea florida que quase o cobria por inteiro.

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Saímos do Mosteiro para visitar a igreja. Mas não nos foi possível nela entrar, por se encontrar em obras. Fica-nos apenas três aspetos exteriores da mesma: um, da sua frontaria principal com um pequeno cemitério, de frente, no seu lado direito;

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outro, de um ângulo à saída do Mosteiro

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e, finalmente, um outro do seu campanário.

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A paisagem é mágica, recheada de espécies autóctones – carvalhos, loureiros, castanheiros, aveleiras,

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e ainda pontuada pela genialidade dos monges de Cister: o Aqueduto das Águas Reais,

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construído para levar a água ao mosteiro, desde a mãe-de-água.

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Embora o lugar convidasse a uma maior estadia, estivemos aqui o tempo estritamente necessário de uma rápida visita. Nosso objetivo principal de hoje era «Rumo à aldeia da Pena».


publicado por andanhos às 13:37
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Por terras e aldeias de Portugal - Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce

 

 

 

DAS TERMAS DE S. PEDRO DO SUL A MANHOUCE

 

 

No sítio da internet - http://retratoserecantos.pt/freguesia.php?id=1886 - Cantos e Recantos, diz-se, quanto a Manhouce: “A freguesia de Manhouce é uma das maiores do concelho de S. Pedro do Sul. Fica no seu extremo ocidental, no limite com o concelho vizinho de Oliveira de Frades e ainda com o distrito de Aveiro (concelho de Vale de Cambra). Situa-se em pleno maciço da Gralheira, na zona limítrofe da Beira Alta e Beira Baixa. No que respeita ao povoamento inicial da área que hoje alberga a freguesia de Manhouce, os vestígios arqueológicos são em grande número e permitem fazer remontar a épocas pré-históricas esse povoamento inicial. É o caso das cinco mamoas do sítio de Alto do Barro Vermelho. Apesar de terem uma cronologia indeterminada, revelam uma grande antiguidade. A primeira e segunda mamoas encontram-se no limite com Vale de Cambra e têm pequenas dimensões, sendo muito numerosos os elementos líticos recolhidos. A terceira mamoa era maior do que as anteriores e estava revestida de blocos graníticos e quartzo, tendo albergado, no passado, uma cista megalítica. A quarta, de pequenas dimensões, está bem conservada e também terá albergado em tempos uma sepultura tipo cista; e a quinta revela ainda a presença de dois dos esteios originais. O sítio arqueológico de Alto do Espinhaço é composto por duas mamoas pré-históricas. Superficialmente, as mamoas são constituídas por lajes e blocos de xisto e quartzo. Parecem ter definido uma estrutura tumular tipo "cairn”. O povoado fortificado de Calçadas foi habitado durante a Idade do Ferro. Um castro onde ainda são visíveis as muralhas que prolongam o afloramento granítico natural e que proporcionavam excelentes condições defensivas aos povos locais. Da Idade do Bronze é o sítio de arte rupestre das Corgas de Valongo da Grávia. No afloramento granítico, foram gravados vários motivos, de uma gramática afim da arte rupestre. No Juncal, foram descobertas quatro mamoas, construídas durante a Idade do Bronze, Calcolítico e Neolítico. A Ponte de Manhouce foi construída no período Romano, no âmbito da rede viária do Império. Ponte de um arco simples de volta inteira, assente diretamente em alicerce de rocha emergente do leito e margens do rio, deve ter sido construída entre o século II a. C. e o séc. I d. C. integrando a Estrada Imperial, denominada por Via Cale, que ligava Emérita Augusta (Mérida) a Bracara (Braga), passando por Viseu. Articulada com esta ponte, estaria a Via do Campo das Eirós. Uma via de travessia de plataforma das Chãs, entre o campo das Eirós e as Minas das Chãs. O nome da freguesia parece estar relacionado com manhoça, derivado de manho – terra, baldio, mato inculto. Assim seriam, com efeito, estas terras nos alvores da Nacionalidade ou após as guerras da Reconquista Cristã. Não se conhece a data exata da instituição de Manhouce como freguesia. Através do Numeramento da População, de 1527, são referidas as seguintes povoações: Giestoso, com dois casais; Giestozinho, com um; Bondança, com um; Salgueiro, com três; Vilarinho, com quatro; Manhos, com três; Calçadas, com quatro; Sequeiro, com dois; e Sernadinha, com quatro. Relativamente ao património da freguesia, para além dos templos e dos edifícios senhoriais, temos o Museu Etnográfico de Manhouce, que reúne parte importante do passado das gentes da freguesia, passado esse corporizado pelo famoso Rancho Folclórico de Manhouce”.

 

Da programação da nossa visita às terras de Lafões, no concelho de S. Pedro do Sul, tínhamos uma visita a Manhouce.

 

Independentemente daquilo que acima reproduzimos de Cantos e Recantos, tratava-se, pessoalmente, apenas de uma simples curiosidade: conhecer a terra onde a célebre cantora portuguesa, Isabel Silvestre, aí exerceu a docência, como professora do Ensino Primário, onde acabou por fixar residência, e fundou, em 1978, o Grupo de Cantares e Trajes de Manhouce.

 

Mas também íamos entusiasmados para ver a sua envolvente, a sua ponte, alguns troços de calçada romana e a reserva de azevinhos, em Bondança, um pouco mais à sua frente.

 

E, quase tudo, «ficou por terra». Apenas, em Manhouce, na sede de freguesia, fizemos uma visita «de médico», como é costume dizer-se, sem sair do carro.

 

Quer a Ponte de Manhouce, seiscentista, de arco pleno e com guardas reconstruídas;

00a.- 74_ponte_antiga_manhouce.jpg

a pequena cascata e os moinhos de água

0ab.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce - 1

na margem esquerda da Ribeira de Vessa, depois de Gestosinho, em direção a Alagoa; a calçada romana bem assim a reserva de azevinhos, situados em pleno meio rural, implicava andar um pouco a pé e, como demorámos demais no Complexo Termal de S. Pedro do Sul, o nosso programa da tarde iria ficar muito prejudicado.

 

Sacrificámos Manhouce para, noutra altura, e com mais vagar, a visitarmos e percorrermos o seu território a pé, de acordo com o prospeto do Percurso de Pequena Rota «Manhouce».

 

Mas, confessamos, pensávamos ir encontrar uma aldeia mais típica. Manhouce, a sua sede de freguesia, entrou já na «modernidade» e as suas casas típicas, castiças, «já eram»!

 

Registámos, na ida para Manhouce, em Serrazes, o Solar dos Malafaias;

01.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

o vale de Lafões e o rio Vouga ao longe;

02.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

dois quadros coloridos de paisagem;

03.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

(Quadro nº 1)04.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

(Quadro nº 2)

e o traço de paisagem de uma aldeia anexa - Sequeiro - quer à ida,

05.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

quer à vinda.

06.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

De resto, o seu núcleo urbano não nos surpreendeu de todo, a não ser a escola,

07.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce.jpg

a sua igreja paroquial,

08.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce

o seu Centro Social,

09.- Das Termas de S. Pedro do Sul a Manhouce - 12

e pouco mais.

 

E nem sequer entrámos no Museu Etnográfico de Manhouce!

 

Positivamente, Manhouce, com as suas gentes, a sua história, os seus sítios arqueológicos, o seu património natural e construído, ainda conservado, a requerer uma estadia mais demorada, algo que só uma estadia de um dia e o seu percurso pedestre satisfará...


publicado por andanhos às 13:17
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Por terras e aldeias de Portugal - Termas de S. Pedro do Sul

 

 

VISITA RELÂMPAGO AO COMPLEXO TERMAL DE SÃO PEDRO DO SUL

 

Apesar de relativamente próximas do Douro onde nasci, as Terras de Lafões, particularmente o concelho de S. Pedro do Sul, nunca me despertaram particularmente a atenção. Coisas que a gente nem sempre sabe explicar! Talvez seja o inconsciente a funcionar, «descriminando». É que S. Pedro do Sul, em termos termais, rivaliza com Chaves. Que o diga o nosso amigo António Manuel Pires de Almeida que, durante alguns anos, enquanto vereador da Câmara Municipal de Chaves, foi responsável pelas Caldas de Chaves. E sabemos bem como ele e toda a vereação, com o seu Diretor Clínico da altura, Dr. Mário Carneiro, se bateram para modernizar aquela infraestrutura, pondo-a no topo das termas de Portugal. Contudo, há que reconhecê-lo, pelo menos em número de aquistas, S. Pedro do Sul sempre esteve à frente. Para além de razões históricas, há também o fator espaço (geografia do lugar). S. Pedro do Sul teve todas as condições para se transformar num verdadeiro complexo termal, porque fora do espartilho do seu aglomerado urbano; Chaves, e as suas Caldas, estão demasiado próximas do núcleo urbano e, diga-se em abono da verdade, nem sempre houve no passado a intenção, as condições e o propósito de uma aposta firme neste setor.

 

Hoje, por opção pessoal, afastado das lides político-partidárias, e com tempo disponível, por via da nossa aposentação da política e do ensino, vai-nos sobrando, pelo menos algum tempo, para irmos, de vez em quando, dar uma volta e conhecer, a pé, ou de viatura, como andarilho, certos andanhos (recônditos preciosos) deste nosso Portugal. Mas não o podemos fazer tantas vezes quanto gostaríamos. Viajar de automóvel, nos tempos que correm, em Portugal, tornou-se uma atividade para certos, poucos, privilegiados.

 

Como o(a) caro(a) leitor(a), nos posts anteriores, tem dado conta, o que mais nos tem seduzido, nesta época do ano, é o Maciço da Gralheira, com as suas serras floridas e as suas recônditas e típicas aldeias. As terras de S. Pedro do Sul integram este Maciço.

 

Quando aqui há uns dias partíamos de casa para conhecer mais uma das suas aldeias - a aldeia da Pena - já quase abandonada no Maciço, tornou-se-nos praticamente obrigatório passar por S. Pedro do Sul. Na agora cidade, pouco tempo estivemos. Mas deu para perceber que, como todas as sedes de concelho deste país, com o 25 de Abril e o poder local, apesar de muito «despilfarro», como dizem os nossos «hermanos» espanhóis, muita coisa se fez. Algumas delas completamente desproporcionais e até faraónicas, em razão da escala concelhia. Nem tudo, quase completados 40 anos de poder local democrático, nas autarquias, correu bem. Fala-se demais de reformas, particularmente no poder local. O que, na realidade, presenciamos é a um constante cortejo de palavras, saídas simplesmente da boca para pora, enquanto continuamos mergulhados na mentalidade despesista, sem programação e planificação do futuro, e os únicos que neste país pagam a fatura são os mais pobres e a classe média. Tudo continua na mesma. Diria, pior ainda! Mas não é coisa para admirar. Em alguns escritos tenho enfatizado que o 25 de Abril trouxe-nos a liberdade, mas falta ainda cumprir a democracia, assente numa autêntica mudança cultural da população portuguesa, assumida na construção de verdadeiros e autênticos cidadãos(ãs). Cidadãos(ãs) que sabem aquilo que querem e para onde vão. Não manipuláveis por políticos demagógicos e por medias nas mãos do capitalismo financeiro internacional, todos possidentes, que outra coisa não fazem, ou representam, senão a voz do dono do dito mercado, «intoxicando» a nossa opinião, «fragilizando» a nossa vontade.

 

Feito este aparte, em modos de desabafo, que nada tem a ver com S. Pedro do Sul e seus responsáveis políticos, regressemos à nossa reportagem.

 

Saímos da malha urbana de S. Pedro do Sul em direção ao dito Complexo Termal, que lhe fica a pouco mais de 3 Km, partindo desta bonita Igreja da Misericórdia

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (1).j

tendo, nas suas proximidades, um bonito painel de azulejos

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (4).j

e, a seu lado, casario típico de vilas e cidades do interior, como a nossa Chaves.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (3).j

Ao entrarmos no dito Complexo Termal de S. Pedro do Sul, ficámos agradavelmente surpreendidos por este bonito e limpo espelho d’água que aqui faz o rio Vouga,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (12).

bem mais agradável que o nosso Tâmega, na proximidade das Caldas.

 

Estacionada a viatura no parque de estacionamento, e atravessado o rio Vouga, deparámos com este bem bonito edifício - as instalações do INATEL.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (15).

Claro que é de fazer inveja a Chaves!

 

«Deslizámos» pela rua principal, do lado esquerdo do Vouga, com as suas características pensões

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (18).

e fomos tomar um café ao Quiosque das Termas, no largo da instância termal

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (34).

onde duas empregadas de limpeza, lavando chão do recinto,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (35).

faziam um pequeno intervalo para descanso.

 

Mas, antes de «abalarmos» deste complexo termal, lembremos um pouco da história das Termas de S. Pedro do Sul. A sugestão e a narrativa está aposta numa placa informativa junto a estas ruínas romanas e medievais.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (20).

Reza assim:Encontramo-nos perante duas construções distintas: o balneário romano e o Hospital Real. O primeiro, designado pelos romanos de Balneum, já com mais de dois mil anos de existência, era composto por Caldarium, Trepidarium, Frigidarium, Sudatorium e Laconicum. Se as escavações da década de 50 e 80 tivessem continuado, teríamos a certeza de estarmos perante os vestígios do maior Balneum romano da Península Ibérica [?] (interrogação nossa). Do que resta do mesmo, o que se consegue ver é uma piscina a descoberto, com 20,5 metros de comprimento por 9 de largura e 1, 5 metro de profundidade. Sabe-se que ainda existem mais duas piscinas romanas e que sobre uma delas se requalificou a denominada piscina de D. Afonso Henriques, na qual este se tratou dos achaques sofridos na batalha de Badajoz. Em 1515, foi mandado edificar, por D. Manuel I, o Hospital Real das Caldas de Lafões. Tanto a presença d’El Rei D. Afonso Henriques como a de D. Manuel I, e após as terem distinguido com foral dado por cada um destes monarcas [o 1º, por D. Afonso Henriques, em 1151; o segundo, por D. Manuel I, em 1514], as Caldas de Lafões tiveram um incremento, que se vem refletindo até aos dias de hoje, com aumento do número de pessoas a marcar presença neste paradisíaco canto do vale do Vouga”.

 

Andámos. E mais um pouco à frente, também ao lado da via principal, esta capelinha, dedicada a São Martinho.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (41).

Em outra placa informativa, lê-se: “Como recompensa às Caldas de Lafões, pelo uso das águas curativas e também pela sua estadia na região, D. Afonso Henriques, antes de se despedir deste magnífico recanto banhado pelo rio Vouga e aconchegado por estas verdejantes encostas, onde permaneceu durante dois meses, mandou construir uma capela em honra de São Martinho. Esta capela foi trasladada do local onde foi erguida, muito perto do antigo castro romano, na encosta direita do rio Vouga, para o local onde se encontra hoje. Nas traseiras da capela podemos encontrar uma pedra trabalhada que remonta ao período entre o século II e V. É uma pedra primitiva cristã que, provavelmente, foi trazida das ruínas romanas, aquando da construção da capela. Devido ao seu formato, crê-se que possa ter sido, em tempos, uma fonte ou ter feito parte duma pia batismal”.

 

Enquanto tomávamos o cafezinho, líamos o texto do sítio da internet das Termas de S. Pedro do Sul (http://www.termas-spsul.com/historia.asp): “No século XIX e XX as Termas de S. Pedro do Sul conhecem um novo impulso e modernização. Em 1884, a Câmara municipal de S. Pedro do Sul decide construir um moderno Balneário que substituirá o tricentenário Hospital Real das Caldas de Lafões. E, passados dez anos, em 1894, a rainha D. Amélia vai mesmo a banhos pela primeira vez no novo balneário, tratando de alguns problemas físicos que a apoquentavam... E com tais resultados que, um ano depois, é aprovado um Decreto Real determinando que as Caldas de Lafões se passem a denominar Caldas da Rainha D. Amélia. É já no século XX, com a República, em 1910, que estas se passam a denominar Termas de S. Pedro do Sul. E é ainda no final do século, em 1987, que é inaugurado um novo balneário, O Centro Termal, iniciando-se, na mesma altura, a modernização do Balneário existente e então já denominado Rainha D. Amélia”.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (29).

E o texto continua: “A primeira década do século XXI, correspondente ao início do 3º milénio das termas de S. Pedro do Sul, assinala o maior e mais significativo impulso de modernização e ampliação de toda a sua história. No espaço de 8 anos, as novas Termas de S. Pedro do Sul estão irreconhecíveis: mais modernas, com equipamentos termais de última geração, mais atraentes e com um atendimento profissional altamente qualificado (...) É a entrada das Termas de S. Pedro do Sul na era do Turismo de Saúde & Bem-Estar, com novas exigências dos públicos, de diferentes perfis, a exigir uma crescente sofisticação das ofertas, uma gestão moderna, profissional e atenta às novas tendências deste segmento de mercado, mas também para corresponder às suas enormes potencialidades”.

 

Enquanto líamos e tomávamos o cafezinho, nossa vista virou-se para um alto edifício á nossa frente - o Balneário D. Afonso Henriques.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (30).

E continuámos com a leitura: “(...) A abertura do renovado Balneário D. Afonso Henriques remete definitivamente para as páginas da história, a imagem de instalações associadas a unidades hospitalares, a ultrapassados centros de saúde, feios e frios, estreitos e escuros (...) O novo Balneário D. Afonso Henriques garante capacidade para acolher mais de dez mil termalistas por ano e, principalmente, para lhes oferecer um serviço de excelência, moderno, sofisticado, tecnicamente exemplar. As condições que hoje oferece, aliadas à magia das suas águas termais, proporcionam condições ímpares para fidelizar quem já conhece, na sua saúde, os resultados dessas mesmas águas. E para conquistar quem, recusando a resignação, a repetição contínua e sem resultados das mesmas soluções, decida experimentar estas águas, decida reencontrar um novo equilíbrio do seu corpo com as potencialidades regeneradoras que a natureza nos oferece e que, entre muitos outros, seduziram gregos, romanos e o primeiro Rei de Portugal”.

E, cá para os meus botões, pensava nas Caldas de Chaves...

 

Levantámo-nos do Quiosque das Termas onde tomámos o café. Reparámos na velha ponte romana.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (43).

Esta não tão bela e com a história da de Chaves.

 

E dirigimo-nos para o parque de estacionamento.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (45).

Manhouce esperava-nos...


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Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira VII

 

  

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

VII PARTE

 

(Visitando dois geossítios emblemáticos [PR 15 - Viagem à Pré-História])

 

- PEDRAS BOROAS E PEDRAS PARIDEIRAS -

 

Saímos do Restaurante do Parque de Campismo do Merujal seguindo o percurso da PR 15 (Viagem à Pré-História), em direção ao Junqueiro.

 

Quem vem pela estrada, do lado esquerdo, observa este aspeto do planalto.

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Parámos o veículo e percorremos aproximadamente 100 metros

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para nos aproximarmos do local

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onde desejávamos ver as «Pedras Boroas».

 

O geossítio «Pedras Boroas» do Junqueiro, segundo Lúcia Maria de Jesus Vasquez, «Estratégia de Valorização no Geoparque Arouca», da Universidade do Minho, a páginas 57 e 58, “localiza-se num dos relevos residuais graníticos do planalto da serra da Freita, sendo constituído por um conjunto de blocos, um dos quais fendido e deslocado por rotação basal de cerca de 90º da sua posição original, provavelmente devido à ação da gravidade. A superfície que define o plano de fratura encontra-se fortemente fissurada, com estrutura poligonal.

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As fissuras têm apenas alguns centímetros de profundidade e estendem-se por toda a superfície, delineando relevos de forma poligonal, regra geral com 5 a 6 lados irregulares”.

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Sinceramente, gostámos do geossítio e de andar um pouco a pé no planalto. Não gostámos muito foi da estrutura que ali foi implantada para seu acesso e visualização. Poder-se-ia ter realizado uma estrutura com a utilização mais próxima dos materiais líticos ali existentes. Opiniões...

 

Gostámos da envolvente,

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dos riachos que abastecem o Caima que aqui pertinho nasce, dando os seus primeiros passos como rio

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e, mais à frente, em Portelo de Anta, um antigo pontão

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por onde passa a Grande Rota 28 (percurso pedestre).

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O nosso passo seguinte foi chegar à povoação de Castanheira, onde se localiza o geossítio «Pedras Parideiras».

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Enquanto nos dirigíamos para aquela localidade, parámos num dos sítios da estrada. Florens acaba por nos mostrar uma série de «Pedras Parideiras», arranjando-nos, aquilo e ali, alguns «filhotes».

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Antes de chegarmos à aldeia, três quadros de cena rural:

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(Quadro nº1)

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(Quadro nº 2)

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(Quadro nº 3) 

Demos uma visita relâmpago à aldeia vendo o seu casario típico, envelhecido e pouco restaurado,

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mas persistindo em resistir;

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observámos uma cepa velha, resistindo em dar sarmentos;

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Uma habitante com um fardo de carqueja em flor, provavelmente para a «cama» ou aconchego do gado

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e depois fomos ver o geossítio, do qual se alcança uma grande vista para o casario da aldeia, seus campos, serra e ainda, do lado esquerdo, a aldeia da Mizarela.

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Focalizámos mais a nossa atenção numa «recém-parideira», já sem «filhotes»,

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centralizando a nossa atenção num dos «úteros» de uma delas.

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De mesmo autor Carlos Franquinho, acima citado, no sítio da internet - http://carlos.franquinho.info/2011/04/geoparque-arouca-2011/ - com data de 26 de abril de 2011, escreve quanto às «Pedras Parideiras»:Trata-se de um granito com cerca de 320 milhões de anos, que se distingue dos restantes pela presença de nódulos de quartzo-feldspático envolvidos em biotite. Estes nódulos, mais resistentes à meteorização que a rocha encaixante, acabam por se ir libertando lentamente. A este curioso fenómeno se deve o nome por que são habitualmente conhecidos: pedras parideiras.

Se à extrema raridade e interesse científico desta rocha associarmos os ancestrais mitos de fertilidade que lhe são atribuídos, facilmente se encontra explicação para a delapidação a que este património único tem sido sujeito. Compreende-se, assim, que a câmara municipal tenha sido forçada a cercar parte da área onde se verifica este fenómeno. Infelizmente, a cerca diminui consideravelmente o valor estético do local mas parece ser um mal necessário…”.

 

Olhando, do alto do geossítio, para a direita vemos uma estação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), vista de um ângulo

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e de outro;

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De um outro local, e, dirigindo a nossa vista para a esquerda, vemos a Frecha da Mizarela.

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Saímos do geossítio e dirigimo-nos para o fim da aldeia para dar a volta ao nosso veículo e regressarmos a casa.

 

De frente, a Frecha da Mizarela, vista ao longe e

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em aproximação.

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Saímos do carro para dar uma vista de olhos final ao local e, pasme-se, à nossa frente o rio Caima com algumas das suas quedas de água que, de manhã, não conseguimos ver, e o caminho sinuoso, nosso «calvário» de fim de manhã, que tivemos de subir a pé,

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enquanto não «apareceu» a nossa «águia» para nos transportar.

 

E a visão da «Frecha», em primeiro plano, com a aldeia da Mizarela atrás.

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À nossa volta, vacas arouquesas pastando,

18a.- PR 15A.jpg

e o senhor Manuel Tavares, seu proprietário, por perto, vigiando.

 

Quisemos meter conversa com ele, pedindo-lhe até autorização para lhe tirar uma foto. Mostrou-se resistente. Aceitámos não se querer ver objeto de exposição para turista ver. De conversa puxa conversa, fomos dar a Chaves, dizendo um dos componentes do grupo que era daquela terra. E foi então ver o senhor Manuel Tavares se transfigurar. Que conhecia muito bem aquela cidade. Dali, do seu BC 10, foi mobilizado para Moçambique. Corria o ano de 1967. Tempos difíceis. Que deixaram marcas e pesadelos que, de vez em quando, lhe aparecem. Enfim, demorámos mais do que esperávamos. Mas é sempre um prazer ouvir outros falar sobre a nossa terra, das saudades com que dela ficaram, ouvindo histórias de vida, passadas, quer naquela que é a nossa cidade, quer na guerra, quer em terras de emigração até que, num certo dia, cansado de tanta diáspora, acaba como o Senhor Ventura do nosso Torga, em terras de fim do mundo de Arouca.

 

Para o fim não só se deixou fotografar

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como, com afeição e bonomia, se despediu de nós com um grande aperto de mão.

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Entretanto, sob já um sol encoberto de nuvens, as arouquesas continuavam pastando,

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sob o olhar atento do seu dono.

 

À saída de Castanheira duas senhoras, aflitas, perguntaram-nos se tínhamos visto um cão, que se perdeu delas. Não resistimos em «roubar» para registo este simpático rosto de mulher da Castanheira.

23.- PR 15A.jpg

Não da Castanheira da Montanha, de Chaves. Mas doutras montanhas. De Arouca. O Portugal que somos faz-se com rostos como este!

 

Não deixámos Arouca sem cumprir outro «Calvário». Mas este foi bem mais suave e reconfortante. De ver.

 

Sob o manto protetor dos galhos de uma árvore multicolor, em fim de tarde,

01.- Calvário de Arouca.jpg

é constituído por diversas cruzes

02.- Calvário de Arouca.jpg

e um púlpito, em granito.

03.- Calvário de Arouca.jpg

O Calvário assenta numa penedia a norte da vila de Arouca, datando a cruz central de 1627.

03a.- Calvário de Arouca.jpg

Na Semana Santa é aqui que termina a Procissão dos Fogaréus, uma manifestação religiosa que deve o seu nome aos archotes que iluminavam o caminho de Cristo até ao Calvário.

04.- Calvário de Arouca.jpg

Reconciliados, agraciados e reconfortados com as vicissitudes do dia, em paz, regressámos a nossas casas, em Trás-os-Montes, depois de a família Silva afavelmente nos presentear - a nós e ao Achim - com um jantar à boa maneira transmontana, servido, no fim, obviamente, com o café, a doçaria conventual de Arouca.


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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira VI

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

VI PARTE

 

(História da atribulada tentativa de um percurso pedestre [PR 7 - Nas Escarpas da Mizarela])

 

 

A história da manhã deste dia resume-se a pouco mais de meia dúzia de parágrafos.

 

De Arouca, fomos subindo para a serra da Freita, com umas pequenas paragens para apreciar ora um

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ora outro aspeto da paisagem envolvente.

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De acordo com a conversa da véspera, no alojamento onde ficámos alojados, tínhamos a indicação que o melhor seria não fazermos todo o PR 7 (Nas Escarpas da Mizarela), mas sim um misto, partes do PR 7 e do PR 15, aproveitando para vermos, tanto perto quanto possível, a Frecha da Misarela, as sucessivas quedas de água do rio Caima e da Ribeira da Castanheira, e, indo por Cabaços, chegarmos ao planalto e dirigirmo-nos à Castanheira, para vermos as Pedras Parideiras, e ao Junqueiro para vermos as Pedras Boroas, onde nasce perto o rio Caima, passando ainda pela Portela da Anta.

 

Chegámos ao Miradouro da Frecha da Mizarela

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e descemos a estrada sinuosa até à Ribeira.

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Estacionada no fim do asfalto a viatura todo terreno, na Ribeira, por um carreiro  e escadas íngremes, descemos até ao pontão sobre o rio Caima,

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junto a um moinho já abandonado que lhe está pegado.

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Atravessámos o pontão. Apreciámos a água do Caima correndo entre penedos

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e preparámo-nos para escalar aquele carreiro que nos levaria até Cabaços, para apreciarmos as quedas de água do Caima e da Ribeira da Castanheira.

 

No princípio, ainda subsistia um pouco de entusiasmo, na companhia de vetustos castanheiros,

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olhando para as poucas casas da Ribeira agarradas e encavalitadas encosta acima.

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Mas, para além do carreiro íngreme que tínhamos pela frente, o seu piso era muito irregular e bastante escorregadio.

 

Porque não quisemos correr riscos, voltámos para trás.

 

Na descida, do alto, víamos o moinho arruinado quase colado ao pontão de madeira

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e o rio Caima vindo dos lados da Frecha da Mizarela.

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Na subida da Ribeira, demos mais atenção a este singelo espigueiro

05.- PR 7.jpg

e esta construção.

13.- PR 7.jpg

Chegados ao asfalto, entrámos na carrinha e, um pouco mais acima da estrada, tentámos um outro trecho do percurso para procurarmos ver melhor, pelo menos, a «Frecha». Começámos a descer, mas cedo nos apercebemos que, por aquelas bandas, para além de o caminho continuar a ser íngreme, não veríamos, dali, grandes quedas de água, nem, tão pouco, nos aproximaríamos da queda de água da Mizarela. Aquele trecho de percurso, afinal, ia dar à Ribeira, donde vinhamos. Lá tivemos de voltar a subir os poucos metros que havíamos feito e tratarmos de ir saber do almoço cedinho para, de tarde, fazermos parte do PR 15 (Viagem à Pré-História) e vermos as Pedras Parideiras e as Pedras Boroas.

 

E, quando chegámos ao local onde deixámos a viatura... viatura «de grilo». Tinha-se sumido, sem sabermos porque artes tal tinha acontecido! Melhor, voou.

 

Entretanto, os dois mais velhotes, pela tineira do calor do meio-dia, encetam a penosa subida pelo asfalto até ao Miradouro da «Frecha», enquanto Florens aguardava que a sua «águia» pusesse os «rodados» no asfalto.

 

Pelo caminho íamos ora aqui, ora ali,

15.- PR 7.jpg

nesta ou naquela curva,

16.- PR 7.jpg

tirando uma foto à célebre queda d’água, de mais de 60 metros de altura - a tão célebre «Frecha da Mizarela», ex-libris do Geoparque de Arouca. Segundo Carlos Franquinho em «Naturalmente!», de 26 de abril de 2011, "a Frecha da Mizarela é a maior queda de água de Portugal (...). Situa-se na zona de contato entre os granitos da Serra da Freita e as rochas xisto-grauváquicas. Como o granito é mais resistente à erosão fluvial do Caima, formou-se este desnível de cerca de 70 metros" (http://carlos.franquinho.info/2011/04/geoparque-arouca-2011/).

 

Enquanto esperávamos por Florens e o seu «pássaro», Achim foi à povoação de Mizarela saber de água para bebermos. E nós, pelas proximidades, fomos ao encontro de mais um geosítio:

01.- PR 7 A.jpg

Do sítio da internet - http://caminhosecalhaus.blogspot.pt/2011/04/contacto-litologico-mizarela-e-aspectos.html - pode ler-se: “Localiza-se a uns 50 metros do aglomerado de casas da povoação da Mizarela. Situa-se num caminho próximo da estrada.

Neste local, observa-se nitidamente o contacto entre as formações do Complexo Xisto-Grauváquico ante-ordovício (rocha metamórfica) e o granito intrusivo da Serra da Freita (rocha magmática).

Os xistos e os grauvaques são rochas metamórficas que sofreram metamorfismo de grau-médio. Estas foram formadas no fundo dos mares a partir de sedimentos finos, essencialmente de origem arenosa e argilosa.

O xisto contém os seguintes minerais: estaurolite, andaluzite e silimanite (esta ultimo apenas reconhecido ao microscópio). A estaurolite aparece em maior abundância, podendo atingir vários centímetros e apresenta-se, por vezes, maclada (mineral sobre mineral, formando uma cruz).

O granito é constituído por duas micas com granularidade média, como todo o granito da Serra da Freita. Contém quartzo, feldspato potássico, plagioclases, biotite, moscovite e silimanite. Em diversas partes apresenta foliação, resultando esta de um alinhamento de minerais magnéticos anteriores ao processo metamórfico e ainda da orientação de novos minerais”.

Passado um pontão de estrada sobre o rio Caima

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (123).j

com um velho e abandonado moinho ao lado,

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (112).jà nossa esquerda, na direção da Castanheira, e num encontro de percursos pedestres, eis dois aspetos deste dito «Contacto Litológico»:

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (126).j

(Aspeto nº 1)

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (130).j

(Aspeto nº 1

Concordamos com Carlos Franquinho, no sítio da internet - http://carlos.franquinho.info/2011/04/geoparque-arouca-2011/ - com a designação «Naturalmente!», de 26 de abril de 2011, quando escreve: “O geossítio, bem próximo do miradouro da Frecha da Mizarela, é facilmente acessível. A falta de qualquer informação no local, no entanto, torna-o totalmente desinteressante para leigos. Uma vez lá, como identificar «o contacto nítido entre os metassedimentos anto ordovícicos e o granito da Serra da Freita» ou «a rocha metamórfica (que) apresenta grande concentração de cristais de estaurolite»??”.

 

Do nosso ponto de encontro, via-se, lá ao fundo, a povoação de Castanheira:

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (132).j

Por estas bandas, pedaço de terra fértil, é por todos cobiçada, retalhada e aproveitada para hortinha:

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (161).jEntretanto chega Achim com a água ao nosso ponto de encontro - o Miradouro da Frecha da Mizarela - e enquanto esperamos por Florens, que ficou a aguardar, com a ajuda dos instrumentos de comunicação que, felizmente, por aquelas bandas, ainda iam funcionando, que a sua «águia» pousasse no asfalto, fomo-nos entretendo a «bater», do miradouro, mais uma foto à «Frecha»

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (139).j

e outra às pedras à nossa frente.

2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (137).j

Quase duas horas e meia de espera, chega junto de nós, praticamente incólume, apenas com um ou outro aranhão, a nossa «águia».

 

 A fome apertava. Em Mizarela não serviam refeições. Fomos até ao Parque e Campismo de Merujal a ver se petiscavamos alguma coisa.

 

Eram praticamente três horas da tarde quando lá chegámos.

17.- PR 7.jpg

Felizmente que, nestas alturas, ainda há «almas» não só destemidas como solidárias, não só para nos confortar o espírito mas, dada a hora, o corpo.

 

Comeu-se do que havia no momento e àquela hora e, após café, deixando de lado, o PR 15 feito a pé, fomos de automóvel à procura das Pedras Boroas e das Pedras Parideiras.

 

Mas este percurso de viatura pelo planalto será objeto do próximo post.


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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira V

 

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

V PARTE

(Interlúdio - entre o PR 14 e o PR7 - no Geoparque de Arouca)

 

 

Falemos do fim do dia em que fizemos o PR 14 - Aldeia Mágica (Regoufe-Drave).

 

Vindos de Regoufe, de imediato, dirigimo-nos ao alojamento que tínhamos previamente feito reserva, um pouco afastado do bulício da vila de Arouca, em quase pleno meio rural,

00a.- Arouca QN.jpg

num ambiente aberto, arejado e familiar.

00b.- Arouca QN.jpg

Tomado o banho e descansado um bocadinho, enquanto víamos as fotos que tínhamos tirado no percurso desse dia, saímos do quarto para irmos jantar à vila.

 

Na receção trocámos umas impressões, quer com a rececionista, quer com o proprietário do alojamento, bem assim com um colaborador que presta serviços na unidade de alojamento no que concerne ao planeamento e desenvolvimento de atividade de animação de natureza na área do Geoparque de Arouca.

 

E, conversa puxa conversa, sempre lhes fomos dando conta de quais eram os nossos projetos quanto à passagem de dois dias por terras de Dona Mafalda: que tínhamos decidido fazer dois percursos pedestres - um, já feito, o PR 14 (Aldeia Mágica); o outro, o PR 7 (Nas Escarpas da Misarela) para o dia seguinte.

 

O técnico de animação olhou para os três, principalmente para os dois mais velhos, e sempre nos foi dizendo que o PR 7 não era «flor que se cheire», que não era empreitada para toda a gente, e que tinha as suas dificuldades. Percebemos perfeitamente o «recado». E mudámos de «registo» de conversa, dizendo: “nós apenas gostaríamos chegar de perto da queda da Frecha da Misarela e da cascata da ribeira de Castanheira”. Mostrámos-lhe o mapa que tínhamos da zona e o mapa do percurso, interiorizando as indicações alternativas que o animador nos ia dando, evitando fazer, desta feita, o percurso completo, também de oito quilómetros, mas de dificuldade média/alta que, de acordo com a Ficha Técnica do respetivo panfleto, demora a percorrer três horas e meia. E, ali, combinámos os três então a alternativa que teríamos de efetuar do percurso pedestre do dia a seguir.

 

Depois, partimos do alojamento para Arouca para jantarmos. Não no «Parlamento» ou na «Assembleia», mas numa dita «tasquinha» que nos indicaram, onde também se comia bem a célebre vitela arouquesa.

 

Estacionámos a carrinha nas proximidades onde pretendíamos jantar;

01.- Arouca à noite.jpg

observámos um solar

02.- Arouca à noite.jpg

e uma capela ao lado;

03.- Arouca à noite.jpg

uma sugestiva casa, numa rua mais acima,

03a.- Arouca à noite.jpg

e, mais abaixo, um recanto castiço

04.- Arouca à noite.jpg

e uma casa, com este pormenor «rural»,

05.- Arouca à noite.jpg

nas proximidades do Restaurante, que afinal não era uma tasquinha, mas cujo nome era «Tasquinha da Quinta».

07.- Arouca à noite.jpg

Enquanto nos entretínhamos a tirar umas fotos, Florens e Achim, à entrada, viam a ementa e esperavam que chegássemos junto deles.

08.- Arouca à noite.jpg

Entrámos.

09.- Arouca à noite.jpg

Consolámo-nos com o naco de vitela arouquesa que nos serviram.

 

Satisfeitos e bem comidos, enquanto o Florens punha a sua conversa em dia, grudado no telemóvel, quer nós, quer o Achim fomos dar uma volta pelo arruamento principal de Arouca.

10.- Arouca à noite.jpg

Vimos os seus mais emblemáticos edifícios, como o mosteiro, com o seu portão de entrada,

11.- Arouca à noite.jpg

 e, deste portão, o pormenor de uma entrada de acesso ao Mosteiro,

12.- Arouca à noite.jpg

a Igreja da Misericórdia e o anfiteatro que lhe fica de frente

13.- Arouca à noite.jpg

e o jardim anexo ao mosteiro, com o lago e a estátua da rainha D. Mafalda.

14.- Arouca à noite.jpg

Por fim, acabámos por nos deslocar para o alojamento para dormirmos pois, no outro dia, tínhamos pela frente mais uma caminhada, e esta, pelos vistos, digna de respeito.

 

Durante o percurso para o alojamento, Achim referiu-nos a boa impressão com que tinha ficado de Arouca, com o seu centro emblemático urbanisticamente bem tratado.

 

Deitámo-nos e dormimos como anjos, tal foi o desabafo unânime enquanto tomávamos o pequeno-almoço,

15.- Arouca QN.jpg

no meio de um clima rural, de paz e perfeita tranquilidade.

16.- Arouca QN.jpg

Feitas as despedidas ao nosso anfitrião, tomámos a direção de Arouca, passando por Santo António, com o seu Memorial (românico),

17.- Arouca QN.jpg

evocando a morte e a passagem do corpo de Dona Mafalda por estas paragens. 

 

E dirigimo-nos para a serra da Freita.

18.-Placa Geoparque.JPG


publicado por andanhos às 16:47
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