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19
Mar13

Gallaecia - Por terras do Alto Tâmega e Barroso: - Boticas - Pelo rio Terva e o ribeiro de Fontão

andanhos
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Boticas – Passeio Pedestre entre o rio Terva e o ribeiro de Fontão

 

(ou como um convite para uma pescaria nos põe a falar sobre o Ambiente e a Natureza Humana – suas contradições, entre encantos e desencantos – e a fé em melhores dias)

 

 

Confesso não ser amante nem da caça nem da pesca. Embora, aos “aficionados”, lhes admire a “pachorra”.

 

Antigamente, ainda bem me lembro, eram atividades que davam “algum gozo”, ou seja, trazia-se qualquer coisita para casa. E tinha-se prazer, convivendo, comendo as “peças” que se traziam. Hoje, perdem-se horas e horas, quer pelos montes acima e abaixo, quer por uma ou outra margem dos rios e, no final de um dia, nada!...

 

Mas eu entendo – pelo menos suponho entender – que tais atividades são, para além de um desposto, dizem, uma forma de “evasão”, de descompressão do “stress” e, para muitos, simultaneamente, de contato com a Natureza.

 

Mesmo assim, e para além de outras razões que possam ser aduzidas, e que não fazem parte do rol do meu entendimento, não sou fan em matar seres vivos animais por puro prazer. Já bem basta o que fazemos aos pobres animais para nossa própria sobrevivência!

 

E também compreendo que tudo o que é vivo se insere numa cadeia (dita alimentar), que faz com que o mundo e a vida funcione. Mas, sinceramente, tudo isto me faz imensa confusão. E questiona-me muito…

 

O que – vejam só para onde me leva esta discussão – nos faz pensar na nossa própria natureza, de nós, seres humanos, advindos e gerados pela Mãe-Natureza. Tanta luta! Tanta brutalidade! Tanta ubris! Mas, por outro lado, no meio de tanta “carnificina”, olhando para esta natureza, a nossa própria, e a de todos os outros seres vivos, tanta alegria, tanta beleza, tanta solidariedade e partilha, enfim, tanto amor e carinho por todos os cantos espalhados!

 

Na verdade, o mundo e a vida toda é toda ela cheia de contradições. Com as quais, inexoravelmente, teremos de viver, conviver. Numa cada vez mais e melhor compreensão dos mecanismos de que somos feitos, em ordem a uma boa e salutar partilha do “nicho” planeta Terra, que nos é (foi) dado viver!

 

Nem sempre é fácil. Mas cada vez mais se torna necessária uma consciência aguda do respeito pela Natureza e pelo Ambiente, Terra-Mãe donde viemos, aonde vivemos e onde ficaremos, como seres humanos, individualmente falando.

 

Todo este arrazoado vem a propósito de um convite que me foi feito pelo meu amigo Fábios para passar uma manhã numa pescaria que ele, e mais seu filho Roomrider, iriam levar a cabo.

 

Feito o convite também para o jantar na véspera, e dormida no atrelado-tenda, “recauchutado” de novo, graças à maestria e habilidades de Fábios, já aqui neste blog elogiadas, lá parti, sábado passado, pelas seis da tarde para os lados de Boticas.

 

O “poiso” era o recinto junto à Presa do Padre Pedro, mesmo junto ao rio Terva.

 

Comido o repasto, e após uns bons momentos de amena cavaqueira, eram horas de deitar pois, os aficionados da pesca, costumam levantar-se cedo.

 

Contudo a noite não foi assim tão meiga!

 

Mesmo assim quão agradável foi ouvir a chuva, “caindo a cântaros”, fazendo um verdadeiro “batuque picado” sobre o teto do atrelado tenda. Parecia uma verdadeira noite de invernia. Sentia-me, apesar de tudo, bem protegido no meu saco-cama. E sentia-me, todo envolto nele, protegendo-me do frio, como um verdadeiro petiz. Entretanto, o correr da água do rio Terva, apesar de revolta - não sei porquê - acalmava-me…

 

Não fora as mordomias que esta sociedade de consumo em que vivemos nos “injeta”, fazendo com que as sintamos como de verdadeiras e autênticas necessidades primárias se tratassem, quão agradável não seria viver isolado, imerso em plena e pura Natureza!

 

(Recanto de um solitário)

 

Talvez este discurso tenha a ver com o exemplo de S. Francisco. Mas, religião à parte, é um assunto que deveria servir de debate nesta sociedade que alguns já a apelidaram de narcisista e de hiperconsumo.

 

Porque, manifestamente, o modelo de desenvolvimento que persistimos em prosseguir, delapidador insaciável dos nossos recursos naturais, sempre escassos, face à gula humana, exige ser revisto, e demanda, obriga-nos a uma nova postura perante a Sociedade e a Natureza.

 

De manhã, enquanto meu amigo Fábios e seus filho Roomrider se “espalhavam” rio Terva acima e abaixo, teimando em que alguma “trutinha” lhes picasse o anzol - mas, pelos vistos, sem qualquer sucesso - fui andando também para cima e para baixo, ao longo do rio Terva e do ribeiro de Fontão, na esperança de encontrar a lontra que, na véspera, diziam os meus amigos, que andava por ali. Mas sem qualquer sucesso também…

 

Aqui vos deixo, caros leitores, uma dúzia de fotografias, de algumas que fui tirando enquanto contornava, numa distância de 6 a 7 quilómetros o rio Terva e o ribeiro de Fontão.

 

Para além da Presa do Padre Pedro, 

 
(Represa do Padre Pedro)
 
o que mais gostei de fotografar foi a paisagem envolvente,  
 
(Trecho 1)
 
 
(Trecho 2)
 
um trecho do caminho,  
 
 
um pequeno moinho, já em desuso, outrora alimentado por um riacho afluente do ribeiro de Fontão,
 
 
(Um ninho de outras primaveras)
  
o troço do rio junto à Presa do Pardo,
 
 
a Cascata do Pardo
 
 

e o respetivo Moinho do Pardo, que lhe fica ao lado.

  
 

Por último, fica-vos um pequeno vídeo/reportagem com alguns aspetos deste paradisíaco lugar, em especial o rio truteiro – o Terva.

 

 

[Nota:- Para ouvir o vídeo, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]

 

 

 

 

 
 
 

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