Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

andanhos

andanhos

Gallaecia - Caminho Primitivo de Santiago nas Astúrias - 4ª etapa:- Campiello-Pola de Allende

 

 

Entre a alma humana e as paisagens revelam-se

 surpreendentes analogias. Estas analogias prendem-se, entre outras,

também com as impressões de depressão ou de excitação,

de tristeza ou de alegria que recebemos da natureza

ou dos seres humanos, sem frequentemente,

compreendermos bem a causa.

Uma paisagem não possui «alma», manifestando-se como a nossa,

por sofrimentos conscientes e por ideias ponderadas.

A sua alma consiste num conjunto de caracteres gerais, de fenómenos,

de funções que variam de uma paisagem para outra,

mas que exprimem ou constituem a vida das coisas,

a sua natureza, a sua destinação”.

 

Frédéric PaulhanA estética da paisagem (A paisagem como retrato da natureza)

 

 

 

10.Dezembro.2013

 
 

Caminho Primitivo de Santiago nas Astúrias – Campiello – Pola de Allende

 
 
 
 

1º Troço – Campiello – La Mortera

 

Planeámos esta etapa um pouco mais curta para estarmos um pouco mais frescos para a etapa rainha do Caminho, no dia seguinte.

 

Acordei cansado e com vontade de dormir mais. Mas, quem pára Pé D’Vento?

 

Às sete em ponto lá nos encontrámos todos, outra vez, no comércio da Dona Hermínia para tomarmos o pequeno-almoço. Serviu-nos torradas com azeite, compotas e café com leite.

 

Enquanto tomavamos o pequeno-almoço, numa das paredes do comércio, a seguinte quadra: "Cuando marchamos, cerramos; cuando llegamos, abrimos; si vienes y no estamos, es que no coincidimos".

 

Estava um frio de morrer e tinha caído uma senhora geada!

 

Paga a conta, mochilas às costas e… toca a andar. Nesta localidade ganhámos mais um companheiro para o Caminho – um cão preto que, já na véspera, tinha simpatizado com Fábios.

 

Nas primeiras passadas, ao longo da estrada TI-3, por onde no dia anterior tinhamos vindo, e enquanto passávamos por El Freno e El Espín, fomo-nos apercebendo que o frio, vindo dos lados dos Picos da Europa, não estava nada meigo. E como se entranhava no corpo...

 

O que nos valeu, durante os primeiros quilómetros, para nos distrair, foram as «pantominices» do cão que fez questão de não nos largar. Rebolava-se pelos prados cheios de geada que até nos metia impressão!... e depois vinha, até junto de nós, como que nos incitando a entrarmos nas suas brincadeiras juvenis. Quem mais admirava as suas «maquequices» era Fábios. Este «fiel amigo», seguramente, acompanhou-nos em cerca de dois terços do nossos caminho de hoje. Até que, e sem darmos conta, depois de se ter encontrado com uma amiga cadela, desapareceu da nossa vista e nunca mais lhe pusemos a vista em cima. Lá continuou com a sua vida… de cão.

 
 

À saída de Campiello, Careca & Silva, compadeceu-se com meia dúzia de cavalos que, tendo dormido ao ralento, no meio do prado, exibiam, nos respectivos cerros uma espessa camada de geada.

 

Já para não falar das árvores!

 
 

Com o transcorrer da manhã, e com o ritmo da caminhada, o frio foi-se atenuando e, depois, desaparecendo.

 
(Panorama 01)
 
(Panorama 02)
 

Depois de El Espín, saímos da estrada à esquerda e, através de um caminho, a subir, a cerca de 300 metros, passámos por Borres, uma pequena localidade do concelho de Tineo, na qual é bem nítido o abandono a que este lugar está votado. Vislumbrámos, ao cimo de uma colina, o albergue de peregrinos, embora aqui não tivessemos ido visitar uma das igrejas mais antigas do concelho de Tineo.

 
 

Ao sairmos de Borres, cruzámoa a AS-219 e, depois, tomámos, à esquerda, um caminho que corre paralelo a um pinhal. E, antes de passarmos por Samblismo, um marco («mojón») mostra-nos a direcção de uma outra variante da etapa – a via ou rota dos Hospitales, mais montanhosa, que sobe até aos 1 200 metros, e até às ruínas do Hospital de Fonfaraón, para descer até Montefurado, após também ter passado pelo Puerto de El Palo. Esta via encurta, até Montefurado, sensivelmente 12 Km. Contudo, durante o inverno, ou com mau tempo, apesar da sua boa sinalização, é desaconselhável fazê-la: as condições meteorológicas são demasiado agrestes, dizem.

 
(Panorama 03)
 
 

Virámos, apesar de estar um bom tempo de sol, à esquerda, em direcção a Pola de Allende. Por se tratar de uma época do ano de inverno, em que decidimos efectuar este Caminho, a nossa planificação não contou com esta alternativa.

 
 
 

2º Troco – La Mortera - Porciles

 

 
(Panorama 01)
 
(Panorama 02)
 

Três quilómetros depois deste local, passámos em La Mortera, em plena As-219 e, daqui em frente, estamos de acordo com o que se diz no sítio do Eroski Consumer quando diz, referindo-se a este troço do Caminho, que: “comienza un verdadero trazado rompepiernas que asciende a Porciles”, a 770 metros de altitude.

 
(Panorama 03)
 
(Panorama 04)
 
(Panorama 05)
 

Antes da aldeia de Porciles, entrámos num bar, à beira da estrada, para nos refrescarmos. O seu proprietário era pessoa muito simpática. Ao lado, a singela capela de São Roque de Porciles.

 
 
 

3º Torço – Porciles – Pola de Allende

 

Continuando no asfalto (estrada), seguimos até ao alto da Lavadoira, a 815 metros de altitude.

 
 

A partir daqui foi uma dolorosa descida: primeiro, até Ferroy; depois, daqui até Pola de Allende.

 
 

Não sei que jeito Fábios deu ou se foi a extrema irregularidade e descida do caminho ou, inclusive, ambas, o que é certo é que, de todos, foi o que mais «roto» chegou a Pola de Allende: estava desesperado.

 
(Panorama 01)
 
(Panorama 02)
 
(Panorama 03)
 
(Panorama 04)
 
(Panorama 05)
 

Chegados ao albergue, bem arejado e ensoleirado, ao lado da Gurda Civil, tomámos banho e fomos almoçar. Fábios trazia um Hotel/Restaurante já referenciado, com a indicação que se comia bem a um preço em conta: Hotel Nueva Allandesa.

 

Todos comemos a célebre «fabada» asturiana, como entrada, seguida de uns suculentos lombos grelhados de vaca e, como sobremasa («postre»), um bolo à base de chocolate, muito saboroso, acompanhado de café.

Apenas Nona saíu da «norma», comendo vegetais cozidos com duas postas de salmão grelhado. Dizia já ter saudades de comer peixe.

 

Todos prescindiram do «menu» do peregrino que esta casa seve especialmente para os peregrinos.

Após o almoço, enquanto Fábios, ainda ressentido da jornada, foi descansar para o albergue, o restante grupo foi dar uma volta pela localidade. Eis o que mais nos despertou a atenção:

 

  • O edifício do Ayuntamiento – Casa Consistorial:
 
  • A Igreja de San Andrés. É um templo gótico, dedicado a Santo André, de princípios do século XVI, ainda que tenha acrescentos posteriores. Desempenha hoje as funções de Igreja Paroquial de Pola de Allende. O retábulo do altar é de meados do século XVI, de estilo maneirista. Tem uma abóboda em cruz nervada:
  • O Palácio de Cienfuegos de Peñalba. Alcandorado numa espectacular colina próxima de Pola de Allende, é um edifício com origem no século XV mas que conserva traços da época gótica. A sua primeira construção começou no sécilo XIV; foi reedificado no século XVI pelo novo senhor de Cienfuegos. Tem uma planta em L, ressaltando três sólidas torres. Tem um aspecto sóbrio, dado o seu carácter defensivo. Foi reformado no século XVIII e adaptado a residência pelo conde de Peñalba. O alçado exterior apresenta uma austeridade decorativa, ainda que no pátio posterior se conservem diversos elementos decorativos de carácter renascentista:
  • O edifício chamado Chalet de Cadierno:
  • e o respectivo pormenor heráldico(?): 
  • O Monumento ao Emigrante. Sito no Parque do Toural. Tem, no seu plinto, os seguintes dizeres: “Agnes Fuertes de Caravajal e um grupo de Allandeses residentes em Puerto Rico e Santo Domingo em homenagem a todos os emigrantes asturianos que com a sua presença e trabalho contribuiram para a formação do continente americano. Setembro de 1990”. A escultura é da autoria do catalão Antonio Prats Ventós, com réplicas em Puerto Rico e Santo Domingo:
  • O rio Nisón na passagem pela área urbana de Pola de Allende:
  • O casario «ensombrado» pelo pináculo ameaçador do Puerto de El Palo;
  • O entorno, profundamente rural, de Pola de Allende:
  • O edifício da Guardia Civil:
  • As escadas de acesso ao albergue de Pola de Allende:
  • O placard da etapa a realizar no dia seguinte junto à paragem de autocarros:
 

 

Considerações gerais

  

  • Etapa curta, mas com um início muito frio, amaciada por um jovem buliçoso canino;

 

  • As serras e as faldas dos montes foram uma constante durante o Caminho;

 

  • Foi um percurso realizado em plena Astúrias profunda, do ocidente;

 

  • Uma etapa em que se notou, mais claramente, a serenidade e tranquilidade do Caminho, em conjunto com paisagens de média montanha, ora aqui e ali com um prqueno povo (aldeia) ou casario isolado, convidando-nos a fazer constantes paragens para observar e contemplar toda a envolvente por onde passávamos;

 

  • A parte final, de Porciles até Pola de Allende, foi um troço duro, não só pelo declive orográfico como pelas condições instáveis e irregulares do terreno;

 

 

  • Pola de Allende é uma cidade ou vila nos confins do mundo, protegida pelo pináculo do Alto de El Palo;

 

  • O repasto no Hotel Nueva Allendesa foi não só uma alegria para os nossos esfomeados estômagos mas também, pelo atendimento, para as nossas solitárias almas.

 

Diaporama da etapa

 

 

Segue-se um diaporama com algumas imagens dos três troços percorridos nesta quarta etapa.

 

(Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue).

 

 

Mais sobre mim

imagem de perfil

StatCounter


View My Stats

rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar
blog-logo

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

A espreitar

online