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Caminho Primitivo de Santiago nas Astúrias - 3ª etapa:- Bodenaya-Campiello

 

Uma paisagem é um estado de alma (…)

é, por si mesma, independentemente do nosso humor quando a olhamos,

uma espécie de emoção (…)

 

Amiel, in Frédéric PaulhanA estética da paisagem (A paisagem como retrato da natureza)

 

 

É preciso ter-se estado lá em cima em pessoa

para ter uma noção de toda a magnificência e esplendor,

 e esse momento contará depois como o mais belo

e inesquecível da vida de uma pessoa… 

aquele momento em nos sentimos mais próximos do Espírito do mundo

 

Joachim RitterPaisagem (sobre a função do estético na sociedade moderna)

 

“Os homens deslocam-se até lá e observam, espantados,

 os cumes das montanhas, as amplas vagas dos mares,

 as correntes que fluem até ao longe, a imensidão do oceano,

o curso dos astros, mas esquecem-se de si mesmos”

 

Santo Agostinho – Confissões X, 8

 

 

 

 

9. Dezembro. 2012

 

 

Caminho Primitivo de Santiago nas Astúrias – 3ª etapa:- Bodenaya-Campiello

 
 
 
 

1º Troço – Bodenaya – El Pedregal

 

Como disse, fomos acordados, às 7 horas em ponto, por uma canção dos Madredeus, posta por Alejandro (Alex).

 

Após as nossas abluções matinais, descemos para o piso térreo do nosso albergue/espigueiro: primeiro, para arrumarmos a roupa que esteve toda a noite no estendal a secar e, consequentemente, arranjar cada uma a sua mochila; depois, para nos sentarmos à mesa e tomarmos o café que, já há algum tempo, pelo cheiro, nos estava a despertar o apetite. O pequeno-almoço, para além de contar com pão, manteiga e compotas, leite e café, também tinha presente as sobras da tortilha do dia anterior.

 

Enquanto tomávamos o pequeno-almoço, Alex sempre nos foi avisando que o dia de hoje estava «áspero»: lá fora estava uma geada daquelas! O termómetro marcava menos 1,5 graus Celsius.

 

Tirada a fotografia da praxe ao grupo, que Alex fez questão para postar no Facebook do seu albergue (Albergue Bodenaya), cada um pegou nas suas mochilas, depois de dado um forte abraço ao nosso anfitrião-albergueiro e… toca a andar que se faz tarde!

 

Não levou muito tempo a entrarmos em La Espina, é uma povoação na confluência de caminhos para quem vai em direcção à Costa bem como para Noroeste. Nesta localidade despedimo-nos da N-634 e começámos a acompanhar a AS-216. La Espina tem alguns serviços.

 
 

Noutros tempos, esta localidade teve dois hospitais de peregrinos: um, fundado pelo Arcebispo Valdés-Salas; outro, pertença da igreja de Compostela.

 

Em La Pereda fizemos uma pequena inflexão à direita. Vimos o povoado e a sua igreja mas, de pronto, voltámos ao asfalto em vez de irmos pelo verdadeiro Caminho Primitivo. Coisas de Fábios!...

 
 

Fazia um frio de rachar vindo dos picos do conjunto montanhoso que nos ficava à nossa esquerda.

 
 

Mas, passada meia hora, devidamente encapuçados, protegidos no pescoço e com luvas, o frio foi desaparecendo.

 
 

Depois de passarmos em La Millariega, logo pegada a esta, aparece-nos El Pedregal.

 

Infelizmente não passámos na ermida do «Cristo de los Afligidos», do século XV, e a Fonte do Reconco.

 
(Eremita ou capela do «Cristo de los Afligidos)
 
(Trecho de paisagem)
 
 

2º Troço – El Pedregal – Tineo

 

Na povoação de El Pedregal o que mais se destaca é a sua igreja – dos Santos Justo e Pastor.

 

 

 

Continuámos pelo asfalto e passámos em Las Pontigas e El Crucero. Aqui a camada de geada, formada durante a noite, era ainda assinalável, apesar de já termos passado bem pelo meio da manhã.

 
(Trecho de paisagem nº 1)
 
(Trecho de paisagem nº 2)
 

Tínhamos notícia que passaríamos defronte da capela de São Roque, do século XII, já perto da nossa chegada a Tineo. Mas tal não aconteceu, porventura por virmos sempre pelo asfalto.

 

Até que, a dois quilómetros e tal antes de Tineo, entrámos numa pista pedestre.

 
 

Ao longo deste passeio, e do nosso lado esquerdo, aparecem-nos belos panoramas de montanhas e, a cada quinhentos metros, bancos em cimento, tendo, ao lado, placards com poemas de Rosa Arbelo, Alberto Cortez e Agustin Garcia Calvo.

 
 

A sensivelmente um quilómetro da entrada em Tineo aparece-nos uma escultura dedicada a Juan Carlos Fernández Fernández (1966-2008), fundador do Clube de Atletismo de Tineo, erigida a 26 de Junho de 2006, com a seguinte dedicatória: «A essência do teu espírito está connosco». Este monumento foi realizado por subscrição pública.

 
 

Um pouco mais à frente, a seguinte placa: «Tineo – ciudad amiga de la infância – 2010-2014».

 

Porque não descemos bem ao povoado, não passámos pelo Paseo de los Frailes e, desta forma, não podemos observar a escultura de ferro que representa um peregrino, assente sobre um relógio de sol.

 
 

Tineo, sede de concelho com o mesmo nome, já era importante durante o Império romano. Os romanos aproveitaram as ruínas de um antigo povoado celta, levantaram muralhas, uma fortaleza, e instalaram um centro administrativo que, com o passar do tempo, converteu-se numa vila medieval, a quem D. Afonso IX, em 1222, elevou à categoria de «puebla», povoação real.

 

Assim, o momento de maior esplendor desta terra foi durante os séculos XII e XV, em que aqui afluíam muitos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela, passando, obrigatoriamente, pelo Mosteiro de Santa Maria La Real de Obona, perto desta localidade.

 

Tieneo actualmente é o segundo concelho das Astúrias em extensão.

 

Mostra-se, de seguida, o que de mais interessante, durante a rápida passagem pela vila, só com uma paragem para tomar um café, podemos apreciar:

  • Edifício do Ayumtamiento:
 
 
  • Igreja Paroquial de São Pedro e respectiva portada. Foi outrora convento que os franciscanos levantaram no século XII. Do edifício original apenas se conserva a porta da antiga clausura. Hoje já nada subsiste do claustro nem da antiga sala capitular. No século XVII fizeram-se várias reformas, entre elas, as da capela funerária de Merás. Em 1880 o convento de São Francisco passa a ser Igreja de São Pedro, da paróquia de Tineo;

 

  • Museu de Arte Sacra de Tineo. Está sito nas dependências do antigo convento de São Francisco, hoje, como se disse, Igreja Paroquial. Possui uma grande colecção de peças oriundas do concelho, que o pároco José Fernández Villamil, cuidou de comprar e reuniu ao longo dos anos. Nele podemos encontrar várias talhas medievais e barrocas e uma vasta amostra de ourivesaria;
 
(Igreja Paroquial de São Pedro, sita no antigo Convento Franciscano)
 
(Portada)
  • Dois trechos de arquitectura popular do século XVIII:
 
(Trecho nº 1)
 
(Trecho nº 2)
 
  • O faustoso Palácio de Merás, do sécilo XVI, hoje hotel:
 
 
  • A Casa da Cultura "Conde de Campomanes", de Tineo. No segundo andar encontra-se a Biblioteca. É um palácio urbano do século XIV e uma das poucas amostras do renascimento nas Astúrias:
 
 
  • A escultura do Conde de Campomanes
 
 

Para um melhor aprofundamento deste tema, aconselha-se a consulta do seguinte sítio da internet - http://www.asturnatura.com/turismo/tineo/2609.html.

 

Agora, aqui se mostra a “ratoeira” onde Tâmara_Júnior jogou um «bitacu» e que, não fora a mochila que trazia às costas, poderia trazer consequências bem mais graves. Ficou apenas com um simples arranhão no braço direito e com a sua máquina fotográfica meio espatifada.

 

 Pensou-se, inicialmente, que iríamos ficar sem reportagem fotográfica. Felizmente, o essencial do mecanismo não sofreu danos de maior e continuou a fotografar.

 
 

A coisa foi, mais ou menos, assim: o percurso pedonal que nos leva a Tineo tem escorrências de água, vindas dos terrenos contíguos. De noite, com o frio, e as temperaturas abaixo de zero, aquela água transforma-se em gelo. Ao longo de toda a manhã a água dos terrenos contíguos continuam a escorrer mas o gelo não derreteu todo, encontrando-se, desta feita, sob a água que continuava a escorrer pelo passeio, representando um enorme perigo para quem por aqui passa.

 

Ainda bem que tudo não passou de um susto, mas que aquela obra não está bem feita, não está, não senhor! Falta-lhes caleiras suficientemente amplas e desentupidas para que a água não se espalhe pelo passeio. O senhor alcaide de Tineo, ou quem de direito, tem de ver melhor esta obra. Até porque há muitos residentes que faz este pequeno percurso matinal, como verificámos.

 

 

3º Troço - Tineo – Villaluz

 

A partir de Tineo, iniciámos uma progressiva subida,

 

 

 

depois de passarmos pela Fonte de San Juan,

 

(Fonte de San Juan)
 
(Fonte de San Juan - zona de descanso)
 

ao longo da ladeira meridional do Alto de Navariego. Daqui vêem-se vistas espectaculares que não resistimos em mostrar.

 
(Paisagem nº 1)
 
(Paisagem nº 2)
 
(Paisagem nº 3)
 
(Paisagem nº 4)
 

Após vários cruzamentos, chegámos ao Alto La Guardia, a 867 metros de altitude.

 
 

E continuam as belas paisagens do nosso lado esquerdo.

 
(Paisagem nº 5)
 
(Paisagem nº 6)
 

A partir daqui começámos a descer. Mais de meio quilómetro à frente, em asfalto (estrada), e pela esquerda, numa forte descida, alcançámos a estrada TI-3, em Piedratecha, a 796 metros de altitude.

 

Seguindo pela direita, e paralelo à estrada, meio quilómetro depois, entrámos num caminho, à esquerda, a descer.

 
 

Após dois quilómetros de descida, numa área de bosque, chegámos a um cruzamento. Aqui, optámos por andar mais 500 metros para irmos ver o Mosteiro de Obona, que está a uma altitude de 700 metros, cruzando um riacho com o nome de Deyna.

 
 

O Mosteiro,

 

 
 

beneditino, foi fundado, segundo reza a tradição, em 780, por um filho natural do rei Silo. Em 1222, o rei Afonso IX, de León, outorgou-lhe privilégio de cenóbio em função do qual todos os peregrinos de Santiago deveriam passar, obrigatoriamente, por ele, razão pela qual se desviou o traçado do caminho.

 
 
(Escudo do Mosteiro)
 

Depois de uma vista de olhos pelo mosteiro, em ruínas já,

 
(Ruínas 01)
 
(Ruínas 02)
 

à excepção da sua igreja, que não entrámos nela por se encontrar fechada e sem ninguém por perto para pedir a chave, aproveitámos para comer uma bucha que trazíamos no farnel e descansar um pouco.

 
 

 

Pé D’Vento ficou sem água. Os restantes também não traziam grande coisa para que o saciasse. Bem se procurou pelas redondezas mas… nada. Apesar de escorrer em abundância neste local, não se encontrou água potável. Nem sequer no cemitério, que se encontra ao lado da igreja do mosteiro.

 

E, quase todos sediados, lá tivemos que voltar para trás, fazendo os 500 metros que nos levou até ao desvio do Caminho.

 

Prosseguimos em zona de bosque com muitas folhas, e ainda muita mais lama, até à povoação de Villaluz.

 

 

4º Troço - Villaluz – Campiello

 

 
 

Aqui, num lavadouro e fontenário, saciámo-nos de água. Já fazia algum calor. O céu estava todo aberto, coberto de sol. Já passava da uma e meia da tarde.

 

Continuámos à esquerda até desembocarmos na estrada TI-3 e, pela direita, continuámos no asfalto passando por Vega del Rey, Berrugoso e Las Tiendas (apenas com uma casa), para, finalmente, já fartos de verde e asfalto, chegarmos a Campiello.

 
(Trecho de paisagem nº 1)
 
(Trecho de paisagem nº 2)
 

O melhor que Campiello tem são as lojas/armazéns de Francos e de Dona Hermínia. E, obviamente, tudo quanto diga respeito a prados, vacas e leite, e seus derivados: estamos em plena comarca dita vaqueira.

 
 

Tínhamos decidido ficar no albergue privado de Dona Hermínia. Por isso, dirigimo-nos à sua loja/comércio para tratar do alojamento e da comida para a ceia.

 
 

Depois de petiscarmos uns «bocadilhos» e bebermos, fomos então atendidos pela senhora Dona Hermínia que, prontamente, nos encaminhou para as instalações onde deveríamos ficar. Pelo caminho foi-nos dizendo que não iríamos para o pavilhão: que era muito grande e, nesta altura do ano, não se justificava a sua abertura, por excesso de gasto de combustível com aquecimento. Levou-nos para umas instalações a que lhe chamou «Casa Rural». Quando entrámos na dita Casa Rural deparámos que estava gelada. Chamou o marido para por a caldeira a funcionar mas o mesmo não soube dar conta do recado. Por isso tiveram de chamar o tio Chispas, o electricista de serviço da terra. E entre o compõe a caldeira e não compõe, o tempo ia-se passando e nós esfriando e sem tomar banho e nos acomodarmos devidamente.

 

Tio Chispas, pessoa aliás simpática e conversadora, debalde tentou pôr a caldeira a funcionar. Tentou, tentou, até que se deu por vencido, comunicando tal facto à senhora Dona Hermínia. E, nisto, passaram-se duas horas!...

 

Coube, desta feita, a Nona dirigir-se à senhora Dona Hermínia dizendo-lhe que assim não podia ser: que nos íamos para Pola de Allende arranjar alojamento condigno. A senhora, de pronto, ofereceu-se para telefonar a um taxista, apesar de Nona já trazer consigo um contacto.

 

Vendo-nos assim tão resolutos, Dona Hermínia informou-nos que tinha, pegado à Casa Rural, um hotel, onde nos poderíamos alojar. E que, quanto ao aquecimento, não haveria problema, pois este era aquecido a electricidade. Mas o preço era outro, foi adiantando a Nona. Nona, achando uma exorbitância o preço que a senhora pedia, agradeceu e começou a providenciar a chamada para o contacto do taxista que tinha na sua agenda. É, nesta altura, que Dona Hermínia, resoluta, apresenta a Nona (e creio que também a Fábios) uma proposta que nos pareceu justa e razoável. E, assim, acabámos por ficar.

 

O hotel, embora modesto, tinha razoáveis condições.

 

Ainda levou um pouco de tempo até que os quartos aquecessem e a água quente sanitária chegasse mas depois tudo correu pelo melhor.

 

À hora aprazada para a ceia saímos dos nossos quartos e fomos ter ao comércio da Dona Hermínia. Já fazia um frio de rachar.

 

Diga-se, de passagem, que Dona Hermínia (que nos pareceu dona e senhora da terra, possuidora, inclusive, de um clube seu na terra), serviu-nos uma ceia que se visse e com fartura, não faltando, no início da refeição, a célebre «fabada» asturiana.

 

Ainda vimos um bocadinho do jogo do Barcelona, quentinhos juntos a uma salamandra postada à entrada do comércio, mas cedo fomos para a cama.

 

Calhou-me ficar no quarto com Pé D’Vento. E que pé-de-vento o dito toda a noite fez! Ora porque eu «roncava» demais, ora porque, a determinada altura da noite, achou que o aquecimento se tinha ido abaixo e sentia frio, o certo é que, como já não bastasse o final de dia que tivemos, a noite foi um teatro, no melhor sentido de drama. Um verdadeiro suplício, aturando as «caturrices» de Pé D’Vento.

 

Considerações/Impressões finais

 

  • Foi uma etapa relativamente fácil, comparada com as duas anteriores;

 

  • Contudo o frio, pelo menos durante a primeira hora do percurso, incomodou um pouco;

 

  • Foi pena na primeira parte do percurso andarmos pela estrada e não seguirmos pelo traçado do verdadeiro Caminho;

 

 

  • Foi pena também não termos previsto mais tempo para permanecermos em Tineo e visitar, com mais pormenor, o seu centro urbano;

 

  • Compensou, apesar de tudo, o troço de Tineo até Villaluz: por um lado, pelo espectacular panorama que a subida do Alto de Navariego e do Alto de La Guardia nos propiciaram – parecia até que estávamos em presença do melhor que há em termos de paisagem na Suiça!; por outro, pelo desvio e visita ao Mosteiro de Obona. Apesar de estar em ruína, a sua visita valeu a pena. Eu e Nona, particularmente, gostámos.

 

  • Como já referi, a não ser a primeira parte do percurso, feito em asfalto, desviando-nos do Caminho, por opção de Fábios, e nosso assentimento, o restante foi do agrado geral, por se efectuar em caminhos que, embora em alguns troços com alguma lama, eram aprazíveis bosques, essencialmente de castanheiros e robles (carvalhos);

 

  • O mais desagradável do percurso foi a sua parte final – em asfalto – e as iniciais condições de alojamento. Apesar de tudo, Dona Hermínia mostrou-se não só uma mulher de fibra, na conduta do(s) seu(s) negócio(s), mas também uma sensata albergueira;

 

  • Pela minha parte, uma queixa ao companheiro de quarto. Pé D’Vento quase que me não deixou pôr olho toda a noite. Lá diz o ditado: «Não há dona sem senão»!

 

Diaporama da etapa

 

Segue-se um diaporama com algumas imagens dos troços percorridos nesta terceira etapa.

 

(Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue).

 

 

 

 

 

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