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Gallaecia - Alto Tâmega e Barroso I

 

 

 

XXVI Congresso de Medicina Popular

 

Vilar de Perdizes

 

 

Estive hoje em Vilar de Perdizes. Numa atitude de “curioso”: nem de bruxo, nem de turista; apenas observar.

 

Já estive em edições anteriores, por sinal bem mais concorridas. É certo que a vida está no que se vê. E não há dinheiro que chegue para tudo. Mas não penso que tal situação tenha exclusivamente a ver com isso.

 
 

Li hoje no Correio do Minho que, Orlando Alves, vice-presidente da edilidade de Montalegre, ao dar início à abertura do certame, acompanhado do Padre Fontes, disse que as edições futuras terão de ter outro formato.

 

E vai bem quem pensa que o evento tem de mudar. Mudar de figurino, creio. E espero que não seja tão só por questões economicistas, provocadas pela actual crise.

 

Porque é aqui que a questão bate o pé.

 

Levou-se por diante – durante anos – um certame que, em vez de representar a “jóia da coroa” de uma das tradições mais genuínas da cultura barrosã, e ser um escaparate, uma vitrina viva, do “pulsar” de uma comunidade, os congressos de Medicina Popular de Vilar de Perdizes deixaram-se “turistificar”, transformando-se num mero negócio, e sem critérios de sustentabilidade.

 

 Hoje assisti, tendo como pano de fundo a crise em que todos (ou quase todos) estamos metidos, a uma espécie de “velório” de uma iniciativa que, na sua infância e adolescência, estava carregada de virtualidades e de futuro. Agora, mostra-se algo decrépita ou caduca.

 
 
 

É certo – bem podemos dizer – que já não tem alma porque lhe faltam as gentes, neste desatino que é a desertificação do mundo rural. Contudo, se é bem certo que tal razão pode ser aduzida para a compreensão deste estado de coisas, urge, mesmo assim, ir mais além. Urge saber das causas, das verdadeiras causas, porque um evento que, vindo e/ou arrancado por iniciativa de uns “carolas”, que tão bem souberam «encarnar» as tradições mais intimas e ancestrais de um povo, acabou por se transformar num negócio, quase exclusivamente, feito por “participantes”, ainda por cima, estranhos à comunidade.

 
 
E não deveria entrar em descrédito. Porque a medicina popular, apesar de vivermos, no mundo da saúde, dominados pelas grandes indústrias farmacêuticas, e por uma filosofia hegemónica de encarar o ser humana tão só à lupa do dito espírito científico, tem ainda inúmeras virtualidades para a saúde da alma e do corpo do ser humano, sem ser necessário ir pela via, muitas vezes vergonhosa, da “crendice”. 
  

 

Haverá que, de uma forma mais profícua, aqui, neste terreno da ancestralidade dos nossos modos de cuidar da saúde do homem, encontrar novas e inovadoras formas de diálogo entre as diferentes “medicinas”. Quer sejam ou não alternativas…

 

Mas creio que, apesar de tudo, não está tudo perdido. 

 

Oxalá que este seja o fim de um ciclo e o começo da reflexão para o início de um outro. Assim o desejo que seja!

 

 

Do livro de António Lourenço Fontes “Os chás dos Congressos de Vilar de Perdizes”, que fiz questão de adquirir, retive a informação de que o limonete, ou lúcia lima, ou a chamada erva Luísa, tem também propriedades calmantes e é indicado, entre outras, para os nervos e coração. Também gosto do seu aromático sabor. Comprei cinco doses.

 

 

Salvou-me o dia da visita a Vilar de Perdizes o afável convívio com as suas gentes e a companhia que levava.

 

E sempre se foram “batendo” umas fotos. Que aqui vos deixo para vossa contemplação.

  

 

Enquanto percorria as ruas do aglomerado mais antigo e tradicional de Vilar de Perdizes, ia “ruminando”. Os aglomerados das nossas aldeias expandiram-se para fora dos seus núcleos tradicionais. Trouxeram, como é evidente, mais conforto e outras comodidades, mas também mais custos para a manutenção dos sistemas, desde a rede viária (ruas, caminhos e estradas, etc.), às redes do saneamento básico, água, luz electricidade, gaz, lixo, etc..

 

 

 A falta de atenção (e investimento) nos núcleos centrais tradicionais fez com que, nas nossas aldeias, apareçam “ilhas” ao abandono e sem vida.

 

 

 Vilar de Perdizes, tal como a maioria das aldeias espalhadas por este nosso Portugal, não fugiu à regra.

 

 

Urge combater esta falta de atenção e desmazelo.  E, com engenho, arte, gosto, saber fazer feito e alicerçado na tradição, trazer estes núcleos à apropriação e convívio das gentes, transformando-os em territórios partícipes de e para uma verdadeira comunidade.

 

Sua(s) silhueta(s), quase se transformando em fantasmas,  aí está (ão). Pedindo-nos que lhe demos a mão…

 

 

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