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Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.3.3)

 

 

Homenagem ao saudoso Tijak

 

Hoje levantei-me com vontade de acabar a última parte deste Destaque(s) referente ao Caminho Português Interior de Santiago – as duas etapas: Tamaguelos-Verin-Monterrei e Monterrei-Laza.

 

A etapa Tamaguelos-Monterrei  fi-la com o meu amigo Fabios e seu filho Mito(k), em 2 de Abril de 2011.

Mas, não sei porquê, ao acordar, não me saía da cabeça uma outra etapa, feita já no longínquo 2008, num Dezembro frio e coberto de neve, entre Samos e Portomarin, do Caminho Francês, mais propriamente no troço perto de Sarria.

 

O inseparável trio - eu, Fabios e Mito(k) - e mais o recente amigo Emídio, depois de uma véspera de pagode no albergue do Mosteiro de Samos (que frio ali estava, caramba!), e de uma despedida da minha filha Babela que, por falta de treino e não estar habituada a condições climatéricas tão severas não pôde continuar o Caminho connosco, acordámos bem dispostos e cheios de energia para pormos os pés a caminho.

 

Contudo, uma simples chamada de Chaves, haveria de modificar toda a dinâmica do grupo neste caminho, pelo abandono prematuro de Fabios e Mito(k): o pai de Fabios tinha sido hospitalizado por problemas cardíacos. Fabios não queria deixar seu pai apenas entregue aos cuidados hospitalares e aos de sua bondosa mãe e dedicada esposa. Tinha que ir embora. Apressaram o passo Fabios e Mito(k) e, de Sarria, tomaram autocarro para Chaves.

 

A partir de Sarria fiz o Caminho Francês sozinho com Emídio. E foi o começo de uma linda e refrescante amizade.

 

Por isso, quando de manhã abro a minha página do Facebook e pus os olhos numa ligação que Emídio partilhava com Júlio Machado Vaz, não hesitei também em partilhá-la com eles. Trata-se de uma música do The Beatles – In My Life (1965). Que fala da amizade (e do amor).

 

Porque a amizade, a verdadeira amizade, anda hoje muito arredia das nossas vidas, porventura dos nossos corações. Porque a amizade, sendo uma dádiva, quando aparece, devemos sabê-la guardar. E nestes tempos de mais ter do que ser, do instante imediato, do que tenho pressa para viver, é muito difícil cultivá-la.

 

Já numa outra ocasião discorria, parafraseando longamente Alberto Alberoni, muito do que se diz sobre ela (a amizade).

 

Mas hoje, e aqui, quero não só trazer à colação aquilo que foi o início de uma bonita amizade com o Emídio como, e principalmente, recordar a figura de um homem integro, solidário, impoluto, amigo do amigo, humilde, de uma alma do tamanho deste mundo – o Tijak, pai do Fabios, que, pela sua morte física, nos privou do seu convívio há já mais de um mês.

 

 Ficará, todavia, sempre no meu coração, representado naquela  figura graciosa de um homem elegante, sempre de boina preta na cabeça, à boa maneira de um republicano e anarquista galego, e para quem a dignidade e a aristocracia não se herdam, criam-se e moldam-se pela vida, no dia-a-dia; pelo exemplo, na vida de cada um. Só hoje, Tijak, consigo deitar para cá para fora aquilo que meu peito, há vários dias, abafava.

 

 Descansa em paz e vivifica na alma de teus netos, que tanto adoravas!

 

 

3.3.3. – Tamaguelos – Monterrei

 

No que respeita a esta etapa propriamente dita, queria, sucintamente, apresentar quatro apontamentos.

 

O primeiro deles para referir, e conforme fotos que se mostram, que o ambiente nas aldeias dos nossos vizinhos galegos não é muito diferente do das nossas: a mesma desolação;

 

 

o mesmo abandono.

 

 

Fica simplesmente na paisagem a marca daquilo que a assemelha a tantas outras – a sua arquitectura rural e os símbolos da religiosidade destas comunidades envelhecidas pelo tempo e pela vida.

 

 

O segundo para vos mostrar aspectos de uma cidade fronteiriça que pugna por acompanhar o ritmo dos tempos modernos, com urbanizações arejadas

 

 

e casas abertas e airosas, numa Verin que procura integrar e construir o novo conceito de eurocidade, juntamente com Chaves.

 

 

O terceiro apontamento para referir o gosto que, depois da visita ao albergue de Verin,

 

 

e da contemplação do seu brasão (a chamada Casa do Escudo),

 

 

tive depois ao subir umas escadas e um quelho,

 

e percorrer a calçada que, de Verin,

 

 

nos leva à “Acrópole” mais antiga e mais importante da Galiza, implantada sobre um castro galaico, e contemplar o palácio-fortaleza de Monterrei.

 

 Inicialmente mandado construir pelo nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, cedo foi para Espanha e para as mãos das linhagens dos Ulloa, Zuñiga, Viedma, Fonseca, Acevedo e dos duques de Alba.

 

Representou um importante e estratégico enclave, na Idade Média, na defesa e salvaguarda da fronteira com Portugal.

 

 

A fortaleza eleva-se na confluência de Caminhos entre Sanabria e Ourense, perto do rio Tâmega.

 

Foi-se adaptando a diferentes estilos ao longo da sua história.

 

 

A Torre das Damas foi edificada no século XIV.

 

 

Entre os séculos XV e XVI I os sucessivos condes de Monterrei construíram o palácio renascentista.

 

 

 (Exposição do Caminho de Santiago patente no Palácio - Pórtico da Glória/Catedral de Santiago)

 

 (Exposição do Caminho de Santiago patente no Palácio - Pórtico da Glória/Catedral de Santiago - Pormenor) 

 

 (Elemento da exposição)

 

 (Elemento da exposição) 

A Torre de Homenagem (ou de D. Sancho),

 

O Hospital de Peregrinos

 

 

 

 (Hospital dos Peregrinos, hoje albergue - Pormenor do timpano da portada)

 

e a Igreja gótica de Santa Maria da Gracia, dos séculos XIV e XV, com uma só nave coberta por madeira e abside rectangular com abóbada.

 

 (Igreja vista da Torre de Homenagem)

 

 

Destaca-se, para além de um belo retábulo gótico de pedra, uma portada lateral, formada por três arquivoltas muito decoradas e um tímpano, com o Cristo ao centro e os tetramorfos.

 

 (Portada da Igreja)

 

 (Portada da Igreja - Pormenor)

 

 

 (Retábulo - Pormenor)

 

 (Retábulo do Altar-Mor - Pormenor)

 

Na idade moderna construíram-se os dois recintos abaluartados que encerravam os conventos de franciscanos e jesuítas, sob a direcção dos engenheiros militares de Filipe IV, Juan de Vilarroel e Carlos de Grunemberg, para além do convento dos mercedários.

 

A função militar do conjunto fortificado completou-se com uma importante vida cultural daquela pequena corte. Aqui se imprimiu o primeiro incunábulo galego e se administrou a docência em gramática, artes e teologia.

 

 (Vista sobre o Parador Nacional e a cidade de Verin da Torre de Homenagem ou Managem)

 

(Parador Nacional de Monterrei) 

 

Por último queria referir a descida até Verin. “Picar pulpo” e outras tapas, acompanhadas por uma “caña”, num dos bares da rua principal de Verin, foi o nosso entretém, enquanto esperávamos duas deliciosas “empanadas”, de uma conceituada Casa de Verin, especialista nestes pitéus, para as entradas, e como aperitivo, do nosso almoço, e fazendo horas até que a “dona” do Fabios nos viesse buscar para nos levar a casa.

 

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