Quinta-feira, 19 de Julho de 2018

Palavras soltas - Sistelo:- Maravilha ou pesadelo?

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

SISTELO:- MARAVILHA OU PESADELO?

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(Fonte:- http://www.minhodigital.com/news/paisagem-cultural-de-sistelo)

 

Tínhamos conhecimento da Candidatura de Sistelo a 7 Maravilhas de Portugal - Aldeias, na categoria de Aldeias Rurais, no Concurso promovido pela RTP o ano passado e da sua consequente Candidatura ganhadora.

 

Ficámos curioso.

 

Sabíamos da construção da Ecovia do Vez, partindo de Jolda S. Paio e até à aldeia de Sistelo, num total de 32 Km, em três etapas: Jolda S. Paio-Arcos de Valdevez (12. 586 Km); Arcos de Valdevez-Vilela (9. 859 Km) e Vilela-Sistelo (10. 266 Km).

 

Tivemos «ganas» de a percorrer.

 

Tomámos conhecimento da classificação de Sistelo como Paisagem Cultural e Monumento Nacional.

 

Mais espicaçada ficou a nossa curiosidade em conhecer esta aldeia.

 

Finalmente, uma vez que andávamos a fazer trilhos no território do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e tendo familiares em Arcos de Valdevez, não deixámos perder esta oportunidade, não só para conhecermos Sistelo, como também efetuarmos o percurso da Ecovia do Vez, desde Sistelo a Arcos de Valdevez (22. 445 Km).

 

Assim, no dia 15 de abril passado, num domingo, levantámo-nos cedo e dirigimo-nos a Sistelo para, a partir dali, percorrermos, a pé, a Ecovia do Vez até Arcos de Valdevez.

 

Todavia, hoje, não é do percurso pedestre na Ecovia que vamos falar. Esse ficará para uma outra altura, noutra rubrica ou num outro nosso blogue. É de Sistelo, a tão propalada Aldeia Rural, como uma das 7 Maravilhas de Portugal e da sua classificação como Paisagem Cultural e Monumento Nacional. Ou seja, do que, a partir daqui, tudo isto tem a ver com o seu futuro.

 

Lê-se no MINHO DIGITAL – Semanário do Alto Minho, de 13 de julho de 2018, da autoria de Armando Fernandes de Brito: “O Conselho de Ministros consumou, no passado dia 7 de dezembro, a classificação da Paisagem Cultural de Sistelo como Monumento Nacional. Trata-se da primeira paisagem a obter tal reconhecimento em Portugal.

 

O decreto que classifica os socalcos agrícolas que moldam a paisagem de Sistelo como Monumento Nacional vem no seguimento da anterior distinção como Paisagem Cultural

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sem esquecer, noutro âmbito, a eleição de Sistelo, em setembro último, como uma das «7 Maravilhas de Portugal», na categoria de «Aldeia Rural» (…).

2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (609)

 

O referido autor, Armando de Brito, na mesma local, faz três perguntas ao Presidente da Junta de Sistelo, o qual considera que, com este decreto, se deu “«mais um passo para a caminhada do desenvolvimento sustentável»”:

 

1 - Os socalcos de Sistelo são a primeira paisagem portuguesa com o estatuto de Monumento Nacional. O que é que representa para a freguesia este reconhecimento?

 

Para nós, que ansiávamos por esta classificação (com um desfecho, talvez, mais célere do que esperávamos), é muito importante. Este reconhecimento vem valorizar o trabalho iniciado há anos e é um marco para Sistelo e para o concelho. É mais um passo para a caminhada do desenvolvimento sustentável.

2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (604)

 

2.- Para além do turismo, que setores podem vir a ser impulsionados com esta classificação inédita?

 

O futuro passa por aliar o turismo à reinvenção da agricultura e dos setores tradicionais para gerar rendimento e combater o isolamento e o despovoamento.

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Digamos que o turismo pode alavancar o setor primário (cultivo do feijão…), a restauração e o alojamento. Com esta nova realidade, será reforçada, por consequência, a oferta turística e as infraestruturas em torno da restauração e do alojamento. Há projetos a germinar que vão criar vários postos de trabalho.

 

3.- A ecovia, a classificação dos socalcos como Paisagem Cultural e a eleição como “Maravilha de Portugal” já tinham colocado Sistelo na ribalta. Quantas pessoas visitam a freguesia por semana?

 

Em média, mesmo em época baixa, há, pelo menos, quinhentas pessoas que visitam Sistelo por semana. Há sempre dois ou três autocarros a cada fim de semana… E o projeto de prolongamento da ecovia até Padrão aumentará a visitação, atraindo ainda mais forasteiros para a sustentabilidade de Sistelo”.

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Que, em pouco menos de meia hora, esvaziaram o Largo.

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Por sua vez, no Público – Fugas, com data de 1 de maio de 2018, e sob a epígrafe «Sistelo, a aldeia-monumento, vive dias agitados com a "invasão" de turistas», pode ler-se (a citação é aleatório à sequência do artigo):

 

Localizada nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês [Sistelo] é conhecida como o ‘pequeno Tibete português’,

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devido aos seus socalcos, a aldeia do Sistelo tem cerca de 270 habitantes e é eminentemente rural.

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Mais de 70% da população, garante o Presidente da Junta, tem mais de 60 anos e habitantes com menos de dez anos são apenas três. O gado anda à solta pelos montes da freguesia e, volta e meia, decide «passear» calmamente pelo meio das estradas, habituado que está à falta de trânsito.

 

Mas aquele é um «passeio» que nos últimos dois ou três anos se tornou mais arriscado, já que Sistelo começou a ser uma das prioridades dos roteiros turísticos dos amantes da natureza, desde logo por causa dos cerca de 10 quilómetros de passadiços, integrados na ecovia do Vez.

 

O risco aumentou depois de, em finais de 2017, em pleno hospital, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter promulgado o diploma que classifica Sistelo como monumento nacional, enquanto paisagem cultural. Sistelo foi, assim, assolada por uma espécie de ‘surto turístico’, que obrigou a aldeia a ‘medidas de contingência’.

 

Os cerca de dez quilómetros de passadiços, primeiro, e, bem recentemente, a classificação como monumento nacional, enquanto paisagem cultural evolutiva viva, tiraram do anonimato a até aqui pacata aldeia do Sistelo, em Arcos de Valdevez, que agora vive dias agitados com a crescente «invasão» de turistas.

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Dantes não se passava nada, mas agora é uma coisa nunca vista. Ainda no domingo era aqui gente que eu sei lá’, atira a «tia» Amélia, dona de uma típica tasquinha instalada bem no coração do Sistelo.

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Para dar vazão à procura, está a remodelar e a ampliar o estabelecimento, que outrora foi mercearia e que agora funciona como café, mas também como restaurante, servindo petiscos e refeições.

 

O problema é que nunca mais me acabam o «diacho» das obras’, queixa-se, numa altura em que na tasquinha entra mais um grupo de turistas, desta vez espanhóis.

 

Além da «tia» Amélia, também o padre Bruno decidiu colaborar, tendo cedido a residência paroquial para ali ser instalado um restaurante, que abre no próximo sábado. ‘Até as minhas missas passaram a ter mais gente e a serem mais animadas’, refere o jovem pároco.

 

A falta de unidades de alojamento é uma das lacunas que a crescente procura turística pôs a nu. No total, diz o Presidente da Junta, há meia dúzia de alojamentos, com oito camas. ‘Mas há já muita gente a manifestar interesse de investir aqui nessa área’, assegura Sérgio Rodrigues [Presidente da Junta de Sistelo].

 

Paralelamente, ao abrigo de uma candidatura ao programa Valorizar, no valor de 250 mil euros, a Casa do Castelo

 

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está a ser transformada em centro interpretativo da paisagem cultural, para acolher os turistas e os «guiar» para os vários recantos da aldeia,

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e um velho moinho está a ser recuperado.

 

À espera de aprovação está mais uma candidatura, de 180 mil euros, para juntar mais meio quilómetro aos passadiços, dar nova vida a uma eira com 31 espigueiros, requalificar um miradouro e construir um parque de merendas.

 

Temos de fazer pela vida e aproveitar a nossa galinha dos ovos de ouro. Se os turistas nos procuram, há que saber prendê-los e fidelizá-los’, remata o Presidente da Junta.

 

Em Sistelo, nas faldas do Parque Nacional da Peneda-Gerês,

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o balir e o mugir ainda são os sons mais ouvidos, mas o roncar dos motores dos automóveis já lhes começa a fazer concorrência. Os mais velhos - a «tia» Amélia é uma das poucas exceções - olham com alguma perplexidade para a violação da pacatez da aldeia, mas os jovens encaram a nova realidade como uma oportunidade para construírem o seu futuro na terra que os viu nascer”.

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E, a partir desta última passagem, gera-se um diálogo, no sítio deste artigo, à volta de dois «mundos», assim protagonizados:

 

manusreis20  02.05.2018 00:35

Turismo é bom mas cuidado é uma faca com dois gumes depois não se lamentem que perderam o sossego os amimais não poderão mais andar livremente por onde lhes agrada. Enfim mais dinheirinho dá cabo de tudo por onde passa”.

 

Um outro leitor, responde:

 

Anjo Caído  do Outro Mundo 02.05.2018 08:29

manus, não se preocupe. O que não falta em Portugal são aldeias muito autênticas, onde o gado só não se passeia porque já não há gente para o criar. Aí não foi o dinheirinho que deu cabo de tudo, foi a falta dele. Se nascer e crescer num dos muitos "Sistelos sem turismo", quer que a sua vida seja só pastorícia e agricultura de subsistência ou vai mas é para um centro urbano?

 

Um terceiro, que entra na discussão, procurando uma outra ordem de pensamentos:

 

A. Luís Fernandes  Edmonton AB Canada 01.05.2018 19:02

Se vamos viver do turismo também aqui em Sistelo há que encará-lo a sério preservando as ricas características que estão na sua génese e o podem justificar, isto é, a topografia natural e a paisagem cultural que é imprescindível manter. A oferta de serviços de qualidade e infraestruturas materiais aos turistas não pode ser feita à margem da rejeição da arquitetura e população locais mas sim fundindo e integrando estas num todo evolutivo que as mantenha vivas e fortes no presente e futuro. Em suma, sustentabilidade é indispensável e obrigatória para não cairmos uma vez mais no erro que se tem repetido vezes sem conta neste país e que acaba na descaracterização local, destruição de riquezas únicas, e no fim numa maior pobreza quando não miséria para a nossa gente!”.

 

Obviamente que não vamos ter a Sistelo dos nossos antanhos. Por duas ordens de razões. A primeira, porque não aceitamos, em pleno século XXI, aquele estilo de vida pobre, miserável, em que então se vivia; em segundo, porque, conforme lemos, já não existem gentes. Estivemos um pouco a observar a dinâmica da aldeia, em hora de missa, ao domingo.

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Pelas suas remodeladas ruas e casario, apenas vemos maiores, como estas duas viúvas.

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Entrámos na igreja. O panorama era idêntico.

 

À saída, as mesmas pessoas, à mistura com um ou outro turista/caminheiro

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para fazer um dos trilhos, anunciados nos placares informativos, logo à entrada da aldeia.

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Ao longo da nossa vida profissional, enquanto no ativo, dedicando-nos à problemática do desenvolvimento local/regional, batíamo-nos pela animação destes territórios, periféricos aos da vida urbana, predominantes na sociedade do século XXI. Sempre dissemos que ninguém desenvolve ninguém a não ser nós próprios. Indo buscar às raízes profundas das nossas comunidades aquilo com que, ao longo das suas histórias mais os identificaram.

 

Fala-se na vertente material da valorização do nosso património rural,

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e em muito outro que há para recuperar.

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Mas onde existe uma política, integrada, de desenvolvimento do mundo rural no nosso país?

 

Já num nosso escrito, em 2008, sob o tema «O Desenvolvimento local e a Animação turística» defendíamos que o turismo sustentável: “é um instrumento de fixação das populações. Mas pensar em estratégias baseadas na sustentabilidade implica um questionamento que não tenha somente em conta o equilíbrio do crescimento turístico ou a proteção do património e das áreas naturais protegidas. Um turismo sustentado é um modelo que apela a uma lógica de autenticidade, porque integrador de sentidos múltiplos e vários agentes, sendo, para isso necessário alargar a noção de experiência turística para além do olhar do visitante e da estratégia do vendedor.

 

A haver uma ética na indústria turística atual, ela deverá passar por uma política que privilegie a relação:

 

            Dos visitantes com as comunidades locais

A indústria turística não pode privilegiar unicamente os turistas, esquecendo que os produtos culturais têm origem em atores sociais, com uma dignidade intrínseca, e uma palavra a dizer do património e dos espaços que partilham com aqueles que os visitam. A qualidade de vida das populações e o enriquecimento mútuo entre população e visitantes deve ser uma preocupação dos modelos turísticos. Nos contactos culturais está sempre presente uma possibilidade de conflito, o qual não pode ser alimentado pela indústria turística.

 

            Dos atores sociais com o meio ecológico e o património histórico e cultural

Não se pode continuar a desenvolver um turismo ecológico meramente com a gestão de visitantes e com a defesa do ambiente. Os atores devem assumir uma experiência de relação com o meio que visitam, em que o próprio processo turístico seja planeado como forma de o preservar e valorizar. A relação com o meio ambiente deverá resultar num sistema sócio natural criativo e em constante renovação.

 

O património, por outro lado, constrói-se, «ativa-se», significando que toda a operação de construção ou de ativação patrimonial comporta em si mesma um propósito ou finalidade, uma idealização construída por uma sociedade sobre quais são os seus próprios valores culturais, revelando, por conseguinte, a sua identidade coletiva, veiculando uma consciência e um sentimento de grupo, para os próprios e para os demais, erigindo, nesse processo, fronteiras diferenciadoras que permitem manter e preservar a identidade coletiva.

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O património, como interpretação do passado, é uma recriação da história, que emana visões essencialistas do passado e neutraliza as contingências históricas.

 

O legado patrimonial é, assim, «um legado falsificado para fins de identificação coletiva, apesar de beber nos factos históricos e na diversidade cultural os motivos para a sua formulação». Tem, assim, um uso de identificação simbólica.

 

Para além dos fins de identificação simbólica, o património serve também, intrinsecamente, os propósitos de quem ativa esses repertórios patrimoniais, ou seja, serve fins políticos, quando fornece os símbolos que «favorecem a coesão social ao mesmo tempo que legitima as instituições sociais que emanam estes mitos ma medida em que suprimem a contradição e as tensões dialéticas desfragmentadoras da realidade e a contestação».

 

Por outro lado o património tem ainda um outro uso. Por via do seu aproveitamento turístico, ou uso económico, «no contexto de uma sociedade ‘pós-tradicional’, nostálgica e carente de elementos de identificação coletiva, confere ao património uma nova vitalidade».

 

A dimensão mais explicitamente utilitária do património, como é a turística, convive com as duas anteriores numa relação de complementaridade e de retroalimentação, pois os referentes simbólicos fornecem os motivos que alimentam a indústria turística e a indústria turística recria os elementos culturais e a própria história, emanando novos referentes simbólicos que dão substância à imaginação coletiva, integrando-se naquilo a que Hobsbawm designa na nova «mitologia retrospetiva» que sobre o património é erigida e acrescentando-lhes novos elementos.

 

Sendo a autenticidade um constructo, o património que é inventado para satisfazer a procura turística não é menos autêntico do que aquele que é resgatado de um «corpus» cultural, nem a cultura que resulta desse processo de recriação será, como refere Santana Talavera, uma cultura «bastarda».

 

Contextualizar o turismo não significa unicamente salientar a dimensão local e estabelecer as relações com os espaços envolventes, no sentido de turismo aberto. Contextualizar significa, aqui, partilhar os «textos» (estratégias e discursos) de realidades diferentes num espaço comum, de modo a que os agentes desta relação de partilha possam entender os vários sentidos presentes.

 

Só dentro desta lógica da relação de partilha se pode compreender hoje o turismo, nas variadas dimensões de que ele se reveste.

 

E, assim, evitar-se aquilo que, como afirma um autor, em que  a preservação da tradição leve, como aconteceu na última década, «ao florescimento de aldeias cenário, fantasmas, propriedade de citadinos, que nos poucos fins de semana que passam na aldeia alentejana, carregados de compras dos hipermercados da capital, se arriscam a ir aliviar o stress, para um Alentejo sem alentejanos».

 

Como diz Anthony Giddens: «Uma tradição que é esvaziada de conteúdo, comercializada, torna-se uma herança ou um kitsch, um berloque sem valor que se compra na loja do aeroporto. Quando tratada pela indústria da herança, a herança é a tradição refeita em termos de espetáculo. Os edifícios reconstruídos em locais de interesse turístico podem parecer esplêndidos, e a reconstrução pode ter sido autêntica até ao mais ínfimo pormenor. Mas a herança assim protegida deixa de ser alimentada pelo sangue vital da tradição, a qual está em conexão com a experiência da vida corrente».

 

Mas aqui devemos também ter em devida conta Augusto Santos Silva quando nos alerta para o carácter dinâmico do património ao nos alertar que «o que definimos hoje como valor patrimonial não é o mesmo que definíamos noutras épocas. E o que valorizamos hoje como referência patrimonial – por exemplo um sítio monumental – é o resultado de múltiplas e, muitas vezes, contrárias intervenções humanas. Não vejo, pois, como haveremos de pensar produtivamente, em matéria de conservação e salvaguarda, se teimarmos em procurar autenticidades e primordialidades imaginárias».

 

Conceitos como inovação e tradição, num contexto de sustentabilidade, pressupõem em primeiro lugar, espaços vividos, habitados, com estratégias realistas de desenvolvimento socioeconómico, onde a fixação de populações é o fator determinante.

 

Entre o liberalismo selvagem, que não reconhece valores ecológicos e culturais, e o ambientalismo radical que só reconhece florzinhas e passarinhos, o desafio para as comunidades locais que queiram apostar no turismo como uma das estratégias para o seu desenvolvimento é o de abrirem-se ao exterior, modernizando-se pela função turística e, ao mesmo tempo, implicarem-se num reinvestimento do seu passado, reestruturação do seu património, na manutenção e revitalização das suas tradições, realçando a topofilia, o elo emocional entre uma pessoa e um lugar ou envolvente física, o mesmo que dizer, o sentimento de pertença a um lugar ou região de origem, de residência, de trabalho ou de lazer.

 

Ora, todo este desafio para um interior sem gentes, não passa de uma quadratura do círculo, transformando a realidade, daqueles que ainda têm esperança numa renovação destes nossos territórios deprimidos, num autêntico e verdadeiro pesadelo.

 

Sistelo é, positivamente, uma maravilha de aldeia, como património, aliás como muitas outras aldeias espalhadas por este nosso Portugal.

 

Falta ainda muito – se é que algum dia acontecerá – para efetivamente ser, como monumento nacional que é, uma maravilha viva. Com gentes frequentando os seus espaços públicos, hoje praticamente vazios!

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Eram estas as reflexões que congeminávamos, enquanto saíamos da aldeia

21.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (57)

para percorrer a Ecovia do Vez até Arcos de Valdevez

22.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (50)


publicado por andanhos às 15:53
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês - Trilho dos Moinhos de Parada

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

 

01.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (4)

 

TRILHO DOS MOINHOS DE PARADA

 

14.abril.2018

 

 

 

 

Gosto de rever certas paisagens,

ainda mais do que reler certos livros.

São belas como eles, e nunca envelhecem.

O tempo não degrada a linguagem que as exprime.

Pelo contrário, enriquece-a, até, num esforço de perfeição constante que,

embora involuntário, parece intencional.

Faz alargar a copa a um carvalho,

e reforça determinado volume;

outoniça precocemente algumas folhas,

e esbate um pouco a cor afogueada de uma encosta;

entoira um ribeiro, e gera um lago onde se espelha o perfil dos montes.

E eu olho, olho e não me canso de admirar uma placidez

assim permanentemente movimentada.

Pobre artista que sou, sei que é esse renovo ininterrupto

que falta às obras puramente humanas.

Mesmo as geniais, são apenas momentos vibráteis

Na quietude da eternidade,

Ilhas vulcânicas no mar morto do tempo.

Agitam-se, mas dentro do seu anquilosamento histórico.

 

 

Gerês, 03 de Agosto de 1959

Diário VIII, Miguel Torga

 

 

Hoje abandonámos a Porta do Campo de Gerês, no concelho de Terras do Bouro, e dirigimo-nos para a do Lindoso, no concelho de Ponte da Barca.

 

Abandonámos a Porta do Campo de Gerês e a serra do Gerês, trocando-a pela serra Amarela.

 

Antes de nos dirigirmos às instalações da Porta, situadas mesmo em frente à Igreja Matriz de Lindoso, fomos, uma vez mais, dar uma volta pelo magnífico conjunto de espigueiros e pelo seu histórico Castelo.

 

Não deixamos aqui qualquer imagem pois, quer na nossa página do Facebook, quer nos nossos blogues, já, noutras ocasiões, fizemos reportagem sobre Lindoso, com o seu conjunto de espigueiros e Castelo. Florens quis conhecer, mais a fundo, este conjunto de Lindoso; por isso, demorámo-nos nesta localidade um pouco mais e só efetuámos o Trilho dos Moinhos de Parada da parte de tarde.

 

Consultando o mapa com o ponto da situação, no que respeita aos percursos com sinalização convencional nos terrenos existentes no território do PNPG, da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), informação de setembro de 2017, damo-nos conta que o percurso nº 19 – Trilho dos Moinhos de Parada, cujo folheto ou brochura é da responsabilidade da ADERE, é desaconselhável fazê-lo.

 

Aliás, esta mesma informação é-nos também dada pelo blogue «CARRIS». 

 

Dirigindo-nos às instalações da Porta do Lindoso, fomos recebidos por um seu funcionário, biólogo, que, muito simpaticamente, nos forneceu informação sobre todos os trilhos transitáveis desta Porta, e transitáveis com segurança.

 

Quanto ao Trilho dos Moinhos de Parada, informou-nos que está a ser objeto de reestruturação, ou seja, e pelo que nos apercebemos, pretende-se juntar o Trilho dos Moinhos de Parada com o Trilho do Penedo do Encanto.

 

Perante o nosso interesse em efetuar o Trilho dos Moinhos de Parada, o nosso biólogo aconselhou-nos a que tivéssemos cuidado e atenção na sinalização provisória, a vermelho.

02.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (1)

E foi o que tentámos fazer, embora não tenhamos ido até ao cimo do Penedo do Encanto, uma vez que, noutra ocasião, já o tínhamos feito.

 

Grosso modo, o nosso itinerário cobriu mais de metade do Trilho dos Moinhos de Parada e parte, embora pequena, do Trilho do Penedo do Encanto, em especial a aldeia de Parada, conforme mapa que a seguir se mostra, com traçado a amarelo.

03.- Mapa do trilho dos Moinhos de Parada

De acordo com a brochura da ADERE, saindo da estrada, no local onde exibimos a penúltima imagem, começámos a descer

04.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (2)

até ao ribeiro de Mulas.

05.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (3)

Foi este o nome que os senhores Adérito e Manuel Ribeiro nos deram, quando nos cruzámos com eles, mais ao fundo do percurso, nas proximidades da represa.

06.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (5)

Imediatamente a seguir a esta corrente de água do ribeiro Mulas, aparece-nos um moinho.

07.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (1)

Saindo do leito do ribeiro, subindo um pouco, entrámos na aldeia de Parada.

08.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (8)

Percorremos as suas antigas ruas,

09.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (9)

quase sempre cobertas de vinha em latada.

10.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (7)

(Cenário I)

11.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (12)

(Cenário II)

12.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (13)

(Cenário III)

O seu bonito casario é praticamente todo em granito.

13.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (10)

E não nos podemos esquecer que Parada já foi sede do concelho de Lindoso. A testemunha-lo, temos o edifício dos Paços do Concelho, o Tribunal,

14.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (11)

e a antiga Prisão.

15

Terra minhota que se preze, por estas bandas, não dispensa a sua eira, com os seus espigueiros,

16.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (15)

como esta - a Eira das Leijas.

17.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (14)

E, quanto a água, aqui também não falta, como este depósito/represa, para regar as hortinhas ao pé das casas.

18.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (16)

Saímos de Parada pelo Chão da Cabeça e, descendo por um bosque, constituído essencialmente por eucaliptos,

19.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (17)

observámos restos «arqueológicos» - carris utilizados para a construção de um túnel, mais abaixo - deixados aquando da construção da barragem do Lindoso, que nos fica a montante.

20.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (18)

Depois, veio a parte mais interessante e bonita deste trilho, com uma componente ambiental e paisagística, sobranceira à encosta da serra Amarela, virada para o vale do rio Lima.

 

Deixemos aqui aos nossos leitores partes do troços e cenários que nos conduziram até ao fundo do nosso trilho – a represa do ribeiro Mulas.

21.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (19)

(Troço e cenário I)

22.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (20)

(Troço e cenário II)

23.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (21)

(Troço e cenário III)

24.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (22)

(Troço e cenário IV)

25.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (23)

(Troço e cenário V)

A certa altura, os meandros do rio Lima, depois de sair da represa da albufeira do Lindoso.

26.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (24)

Uns metros mais à frente, vemos a estrada, que vai à Central da barragem de Lindoso, e a boca do túnel.

27.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (28)

Florens espera por nós. E contempla o apertado vale do rio Lima, atento a uma das suas prolongadas cascatas,

28.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (27)

tendo como pano de fundo a serra Amarela.

29.-2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (26)

E continuámos caminho, observando, do outro lado da margem, as aldeias de Campo Grande e Cunhas.

30.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (29)

O caminho de terra deu lugar a um carreteiro, por onde passavam os carros puxados por juntas de bois,

31.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (30)

que nos leva a descer até ao açude do ribeiro de Mulas.

32.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (31)

Na descida, o açude, a ponte do ribeiro de Mulas e a cancela, que dá continuidade ao nosso percurso.

33.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (32)

Até que chegámos à margem do ribeiro,

34.-2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (33)

lugar fresco e aprazível, de águas límpidas.

35.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (34)

Aqui fizemos uma pequena pausa, fazendo o reconhecimento do terreno e da sua flora.

36.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (35)

O lugar exigia contemplação. E que captássemos a correnteza das suas  águas.

37.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (36)

(Cenário I)

38.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (37)

(Cenário II)

39.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (38)

(Cenário III)

O sol, ao alto, aquecia, cada vez mais, o ambiente. E tínhamos uma razoável subida pela frente até chegarmos a Parada.

 

Despedimo-nos das águas do ribeiro

40.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (39)

e da sua presa.

41.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (41)

Abrimos a cancela,

42.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (40)

e, pelo estradão acima, despedindo-nos dos apertados meandros do rio Lima.

43.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (42)

Sensivelmente a meio da nossa subida, encontrámos os nossos já referidos senhores Adérito e Manuel Ribeiro. E, a eles, uma pergunta sacramental se impunha que lhes fizéssemos:

- Então, afinal, onde estão os moinhos de Parada?

 

A resposta veio pronta:

- Existem cerca de trinta, a montante do açude, ao longo da margem direita do ribeiro. Estão em completa ruína. Para se lá chegar, é difícil. Seria necessário proceder à limpeza da sua respetiva margem.

 

E é pena!

 

Para um trilho designado de moinhos, encontrar, até agora, apenas um, não é praticamente nada, fazendo muito pouco jus ao nome do trilho…

 

Os amigos Adérito e Manuel lá foram às suas vidas, ver  e/ou cuidar das suas leiras. E nós continuámos caminho. Até que chegámos à estrada, nas proximidades de Parada, onde tínhamos estacionado a nossa viatura.

 

Faltava-nos ver o segundo moinho bem como o designado Poço da Gola.

 

Pegámos na viatura e, num largo, mesmo perto desta fonte,

44.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (63)

iniciámos um percurso – que não chegou a 1 Km -, indo ao encontro, uma vez mais, do ribeiro de Mulas,

45.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (43)

onde Florens se ocupou a tirar fotos a estas pequenas quedas de água.

46.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (44)

Seguindo a vereda, fomos ao encontro do 2º moinho do nosso percurso.

47.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (45)

Abrimos a porta para ver o que tinha lá dentro: velhos utensílios. Mas já sem uso!

48.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (58)

Junto ao moinho, passámos por esta ponte de madeira para a outra margem

49.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (47)

e, subindo um pouco, pusemo-nos em contacto com este lugar tão aprazível, deixando aqui alguns cenários, quer da correnteza das águas, quer do dito Poço da Gola e sua cascata.

50.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (46)

(Cenário I)

51.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (48)

(Cenário II)

52.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (49)

(Cenário III)

53.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (50)

(Cenário IV)

54.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (54)

(Cenário V)

55.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (51)

(Cenário VI)

56.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (52)

(Cenário VII)

57.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (53)

(Cenário VIII)

Sentámo-nos nesta fraga-lajedo a descansar e contemplar todo este bonito entorno. Florens, com a sua máquina fotográfica, captava pormenores.

58.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (55)

Saímos deste tão bonito lugar pela mesma ponte por onde tínhamos entrado,

59.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (56)

despedindo-nos do velho moinho

60.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (57)

e do ribeiro de Mulas, com as suas linhas de água, brotando para o seu leito,

61.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (59)

observando a ponte medieval (?).

62.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (64)

Florens, por cima do seu tabuleiro, continua a tirar fotos ao lugar, à ponte e ao ribeiro.

 

Eram já horas de regressar. Metemo-nos na viatura e, numa hora e pico, chegámos à Vila do Gerês, onde continuávamos alojados.

 

Apesar de não vermos muitos moinhos, foi um passeio de 6. 650 Km (valor acumulado), feitos em cerca de duas horas (fora os tempos de paragem, claro!),

64.- Trilho dos Moinhos de Parada - Dados técnicos 01

com a elevação e velocidade que o gráfico abaixo mostra.

65.- Trilho dos Moinhos de Parada - Dados técnicos 02


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Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho dos Currais

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

01.- 2018.- Trilho dos Currais (97)

 

TRILHO DOS CURRAIS

(Percurso de âmbito cultural e paisagístico)

 

13.abril.2018

 

 

 

Sou, na verdade, um geógrafo insaciável,

Necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição.

Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal,

e atiro-me às serranias como à broa da infância.

É fisiológico, isto.

Comer terra é uma prática velha do homem.

Antes que ela o mastigue, vai mastigando ele.

O mal, no meu caso particular, é que exagero.

Empanturro-me de horizontes e de montanhas,

e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal.

Uma província ainda mais pobre do que as outras,

que apenas produz uns magros e tristes versos...

 

Gerês, 17 de Agosto de 1958

Diário VIII, Miguel Torga

 

 

Na preparação deste Trilho dos Currais, os sítios da internet e os blogues consultados, invariavelmente, na descrição do percurso, apoiam-se todos no prospeto – PR 3-Trilho dos Currais (Património Histórico e Cultural), do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)  e o PR 3 – Trilho dos Currais (Património Histórico e Paisagístico), do município de Terras do Bouro/Adere Peneda-Gerês.

 

Quanto à fauna.

 

Diz este último panfleto ou brochura: “Ao calcorrear este trilho de admiráveis paisagens naturais, observam-se os animais em pastoreio; as cabras (Capra), as vacas (Bos taurus) e os cavalos (Equus caballus), as aves de rapina e outros animais. Selvagens.

As aves são de fácil observação e destacam-se na paisagem natural. Desta espécie podem ser observadas a águia-de asa-redonda (Buteo buteo), o falcão peregrino (Falco peregrinus), o penereiro (Falco tinnunculus) e a gralha-de-bico vermelho (Pyrrochorax pyrrochorax).

Destaca-se, ainda, o corço (Capreolus capreolus), o lobo (Canis lupus), o javali (Sus scrofa), o esquilo (Sciurus vulgaris). Devido aos seus hábitos mais esquivos, torna-se difícil a sua observação, contudo deve dar-se atenção aos seus indícios – as pinhas roidas, os dejetos, as tocas, as pegadas, os vestígios de alimentação – que traduzem a sua presença”.

 

Acreditamos sinceramente que esta fauna possa ser oncontrada neste trilho. Nós, por pouca sorte, ou talvez falta de hábitos de observação, nem sequer indícios vimos!

 

Porventura, ao chegarmos a Pedra Bela, nos arredores da Casa Florestal e Posto de Vigia, por entre aquelas pequenas pinhas,

02.-2018.- Trilho dos Currais (73)

algum esquilo fugitivo tenha passado por nós sem, contudo, nos tenhamos apercebido.

 

De quem nos apercebemos, isso sim, foi, depois de treparmos aquela «dolorosa» subida do primeiro terço do percurso, e quando chegámos ao estradão florestal, foi destas duas simpáticas jovens norte-americanas.

03.- 2018.- Trilho dos Currais (188)

Trocámos apenas meia dúzia de palavras. As chacopas, de pronto, continuaram, continuando o estradão por onde vinham, o seu percurso, com que levadas pelo vento!

 

Portanto, de presença, e fugitivas, apenas estas duas meninas norte-americanas. Mais nemhuma vivalma vimos até que chegámos a Pedra Bela!

 

É possível que os animais indicados no panfleto andem por aqui... às horas do dia em que efetuámos o trilho, precaveram-se de aparecer... vá lá o diabo tecê-las!...

 

No ar, vimos uma ou outra ave, voando rapidamente. Mas não deeu para as identificarmos. E infelizmente também não ouvimos o trinar ou as lindas sinfonias dos passariformes. O tempo para eles não estava convidativo, preferindo arranjar os ninhos ou, talvez, nos ninhos, cuidando das suas crias.

 

Agora quanto à flora.

 

Diz o mesmo documento que vimos citando que “é rico em valores florísticos, quer a nível arbóreo, quer arbustivo. Na área envolvente do trilho estão representadas as espécies de resinosas: pinheiro silvestre (Pinus Sylvestris), pinheiro bravo (Pinus pinaster) e pinheiro negral (Pinus nigra). Das folhosas destancam-se os carvalhos (Quercus robur) e (Quercus pyrenaica), o azevinho (Ilex aquifolium), o medronheiro (Arbustus unedo), a pereira brava (Pytrus pyraster), o padreiro (Acer pseudoplatanus) e o cornogodinho ou tramazeira (Sorbus aucuparia).

A sua composição florística diversifica-se conforme a altitude e os microclimas. À medida que se sobe em altitude as espécies de mato tornam-se dominantes. Observam-se os tojais (Ulex minor) e (Ulex europaeus), a torga (Calluna vulgaris), carqueja (Chamaespartium tridentatum) e as urzes (Erica arborea) e (Erica cinerea), encontrando-se em zonas de maiores altitudes o zimbro (Juniperus)”.

 

Quanto à flora, apesar da maior expansão das espécies resinosas, o trilho é, como mais adiante mostraremos, rico em apresentação de outras espécies arbóreas e arbustivas.

 

Falemos agora do trilho propriamente dito. Tomemos as palavras, quer do prospeto da ADERE Peneda-Gerês, quer do ICNF. Ambos, ipsis verbis, dizem:

O Trilho dos Currais, inserido na temática «tradições comunitárias», percorre uma área de singular beleza natural da Serra do Gerês.

Percorre-se ao longo de três currais do Baldio de Vilar da Veiga: o Curral da Espinheira, o Curral da Carvalha das Éguas e o Curral da lombaq do Vidoeiro, constituindo um percurso de pequena rotaq (PR) cuja distância a percorrer é de 10 Km, sendo o grau de dificuldade médio a elevado.

Inserido no âmbito Cultural e Paisagístico, o Trilho dos Currais proporciona um contacto direto com o espírito e tradições comunitárias locais, a partir da organização silvopastoril na forma de vezeira.

Esta prática comunitária, peculiar da Serra do Gerês, decorre de Maio a Setembro, sendo o gado bovino da comunidade emcaminhado pelos caminhos carreteiros até à serra alta, onde se situam os currais.

Os vezeiros – proprietários do gado – acompanham durante dias ou semanas o gado, consoante o número de cabeças que possuem, transportando os utensílios para a alimentação e estadia nas cabanas dos currais.

A manutenção destas estruturas comunitárias é assegurada anualmente. Todos os anos, previamente à subida do gado para a serra, no dia dos cubais, os proprietários limpam os caminhos carreteiros, arranjam as cabanas e as fontes”.

 

Este ano a primavera veio mais tardia e o verão, por isso, vai fazer-se mais tarde.

 

O nosso percurso por este trilho fez-se em meados de abril. Por isso, nem o gado nos currais e os seus vezeiros, nem tão pouco o arranjo dos caminhos carreteiros, vimos: apenas as infraestruturas permanentes dos currais!

 

Descrevamos, agora sumariamente, o nosso percurso no Trilho dos Currais.

 

1.- Primeiro terço do percurso – a beleza do bosque e o enorme esforço da subida

 

O trilho inicia-se junto da estrada nacional não muito longe do Centro de Interpretação Ambiental do Vidoeiro.

04a.- 2018.- Trilho dos Currais Samsung) (1)

Após passar ao lado do parque de merendas do Vidoeiro

05.- 2018.- Trilho dos Currais (3)

e de algumas casas,

06.- 2018.- Trilho dos Currais (10)

 inicia-se a subida.

07.- 2018.- Trilho dos Currais (19)

(Troço I)

08.- 2018.- Trilho dos Currais (27)

(Troço II)

09.- 2018.- Trilho dos Currais (46)

(Troço III)

10.- 2018.- Trilho dos Currais (52)

(Troço IV)

11.- 2018.- Trilho dos Currais (61)

(Troço V)

Ficou na nossa retina os seguintes cenários.

12.- 2018.- Trilho dos Currais (50)

(Cenário I)

13.- 2018.- Trilho dos Currais (55)

(Cenário II)

14.- 2018.- Trilho dos Currais (62)

(Cenário III)

A certa altura, uma pequena pausa. Era necessário hidratar-nos: o esforço da subida e o calor, que começava a surgir, assim o exigiam.

15.- 2018.- Trilho dos Currais (76)

Até que chegámos ao estradão florestal, percorridos sensivelmente cerca de 4 Km, onde encontrámos as duas norte-americanas já referidas.

16.- 2018.- Trilho dos Currais (81)

Mas o percurso continuava a subir

 

2.- Os três currais

2.1.- Curral da Espinheira

 

até que chegámos ao Curral da Espinheira, no vale de Teixeira.

17.- 2018.- Trilho dos Currais (89)

Aqui, água não faltava.

18.- 2018.- Trilho dos Currais (90)

Percorremo-lo todo para o conhecermos,

19.- 2018.- Trilho dos Currais (94)

indo até ao singelo e apertado abrigo, encimado por uma mariola, e todo construído com a pedra local – o granito.

20.- 2018.- Trilho dos Currais (96)

Não podíamos abandonar o local sem uma fotografia da praxe, junto a este abrigo do Curral da Espinheira.

21.- 2018.- Trilho dos Currais (96a) (Samsung)

Depois, já com um percurso mais confortável para andar, sem aquela desconfortável subida para gente da nossa idade, entrando no vale do Ribeiro da Lomba do Vidoeiro, rapidamente chegámos ao segundo curral.

 

2.2.- Curral da Carvalha das Éguas

 

Este curral tem um enorme lameiro, todo cercado.

22.- 2018.- Trilho dos Currais (111)

Deixamos aqui duas perspetivas do abrigo – contrução recente –

23.- 2018.- Trilho dos Currais (102)

enquanto, continuando caminho, ultrapassavamos o cercado,

24.- 2018.- Trilho dos Currais (107)

e, penetrando no nosso trilho, fomos em direção ao Varejeiro.

25.- 2018.- Trilho dos Currais (116)

Aqui ficam, à visualização dos nossos leitores, partes dos troços e respetivos cenários,

26.- 2018.- Trilho dos Currais (119)

 (Troço e cenário I)

27.- 2018.- Trilho dos Currais (123)

(Troço e cenário II)

28.- 2018.- Trilho dos Currais (124)

(Troço e cenário III)

29.- 2018.- Trilho dos Currais (128)

(Troço e cenário IV)

30.- 2018.- Trilho dos Currais (130)

(Troço e Cenário V)

31.- 2018.- Trilho dos Currais (131)

(Troço e cenário VI)

32.- 2018.- Trilho dos Currais (133)

(Troço e cenário VII)

33.- 2018.- Trilho dos Currais (144)

(Troço e cenário VIII)

34.- 2018.- Trilho dos Currais (146)

(Troço e cenário IX)

até ao

 

2.3.- Curral da Lomda do Vidoeiro.

 

É um lugar bastante húmido.

35.- 2018.- Trilho dos Currais (156)

(Perspetiva I)

36.-2018.- Trilho dos Currais (154)

(Perspetiva II)

37.- 2018.- Trilho dos Currais (158)

(Perspetiva III)

38.- 2018.- Trilho dos Currais (159)

(Perspetiva IV)

39.- 2018.- Trilho dos Currais (160)

(Perspetiva V)

40.- 2018.- Trilho dos Currais (161)

(Perspetiva VI)

Mas, aqui não vislumbrámos qualquer estrutura de abrigo ou alojamento.

 

Continuámos caminho.

41.- 2018.- Trilho dos Currais (162)

Em poucos metros, depois de ultrapassada esta mariola,

42.- 2018.- Trilho dos Currais (167)

e percorridos os últimos metros deste estradão,

43.- 2018.- Trilho dos Currais (165)

Entrávamos no cruzamento do caminho florestal que, a partir daqui, ia para a Ermida do Gerês e à cascata do Arado, num sentido, e, noutro, à Pedra Bela.

 

Nosso percurso era seguir até à Pedra Bela. Mas, antes, tínhamos de fazer uma pequena paragem. O lugar justificava.

 

3.- A Casa da Floresta e o Miradouro da Pedra Bela

 

Tratava-se de dar uma vista de olhos a esta Casa da Floresta e Posto de Vigia,

44.- 2018.- Trilho dos Currais (177)

(Perspetiva frontal)

45.- 2018.- Trilho dos Currais (183)

(Perspetiva posterior)

seus anexos,

46.- 2018.- Trilho dos Currais (186)

(Anexo I)

47.- 2018.- Trilho dos Currais (190)

(Anexo II)

Seu tanque e escadas para um posto de observação e miradouro.

48.- 2018.- Trilho dos Currais (180)

À saida do lugar, ainda demos uma vista de olhos aos arredores. Este enorme tanque e sistema de rega indiciava outrora, aqui, a existência de viveiros de alguma importância.

49.-2018.- Trilho dos Currais (168)

Decorridas duas ou três cdentenas de metros, estávamos na Pedra Bela.

50.- 2018.- Trilho dos Currais (193)

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi este poema de Miguel Torga, cinzelado em chapa de ferro, por detrás de uma fraga granítica. Seu nomé é Pátria.

51.- Trilho dos Currais

Nada mais apropriado o poema para o lugar!

 

Subimos ao Miradouro de Pedra Bela, um dos mais bonitos do país.

 

A nossos pés, a linda barragem da Caniçada

52.- 2018.- Trilho dos Currais (200)

e parte da sua panorâmica envolvente.

53.- 2018.- Trilho dos Currais (196)

Descemos do Miradouro, ainda com a Caniçada na retina.

54.- 2018.- Trilho dos Currais (214)

 

 

4.- O regresso à Vila do Gerês

 

Agora tínhamos pela frente uma descida vertiginosa até às proximidades da Vila de Gerês,

55.- 2018.- Trilho dos Currais (217)

até que chegámos ao asfalto, nas proximidades da Fonte do Curral do Gaio.

56.- 2018.- Trilho dos Currais (219)

A omnipresença do verde e... do carvalho!

57.- 2018.- Trilho dos Currais (221)

Asfalto, água escorrendo pelo monte, pedra e, encoberto por um muro, coberto de musgo, o parque público da Vila do Gerês, decrépito, mas com tantas memórias de vidas passadas para contar...

58.- 2018.- Trilho dos Currais (223)

Descemos até ao vale cavado pela Falha do Gerês-Lobios, com cenários fantásticos,

59.- 2018.- Trilho dos Currais (225)

(Cenário I)

60.- 2018.- Trilho dos Currais (233)

(Cenário II)

61.- 2018.- Trilho dos Currais (234)

(Cenário III)

que não resistimos a captar.

62.- 2018.- Trilho dos Currais (231)

Até que chegámos

63.- 2018.- Trilho dos Currais (236)

ao fim do nosso percurso do Trilho dos Currais.

64.- 2018.- Trilho dos Currais (237)

Agora era apenas uma pequena subida, passando por esta antiga Casa Florestal

65.- 2018.- Trilho dos Currais (240)

para chegarmos ao lugar onde tím«nhamos estacionado a nossa viatura.

 

E descansar dos 11, 810 Km, feitos em 3 horas e 54 minutos,

66.- Sem título-1

à velocidade e com a elevação de o gráfico abaixo mostra.

67.- Sem título-2

Na despedida, deixamos aos nossos leitores esta mariola.

68.- 2018.- Trilho dos Currais (152)


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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Versejando com imagem - Timidez, Cecília Meireles

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

TIMIDEZ

foto_preto_e_branco_de_rua-40538

 

Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve…

- mas só esse eu não farei.

 

Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras mais distantes…

- palavra que não direi.

 

Para que tu me adivinhes,

entre os ventos taciturnos,

apago meus pensamentos,

ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

 

E, enquanto não me descobres,

os mundos vão navegando

nos ares certos do tempo,

até não se sabe quando…

e um dia me acabarei.

 

Cecília Meireles


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Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês

 

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

01.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (238)

 

TRILHO DO SOBREIRAL DA ERMIDA DO GERÊS

 

12.abril.2018

 

 

 

 

Quatro horas de serra.

De vez em quando gosto de por à prova

a fibra herdada dos maternos avós almocreves,

para que lá na eternidade não se sintam atraiçoados

Junto dos paternos cavadores,

que rememoro como posso diariamente.

Meti a direito pelos fraguedos,

e foi até o corpo dizer basta.

Gargantas temerosas que engolem o tempo e o silêncio, e que o vento –

respiração da natureza – atravessa a uivar,

ribeiros que se despenham nos abismos num ímpeto lírico e suicida,

lagoas límpidas e secretas onde ninguém lava a impureza.

Graníticos e orgulhosos, os píncaros viam-me aproximar e cerravam a catadura.

Mas levei ao alto de todos a minha cordialidade humana.

Por honra da firma, como já disse,

e por serem a única grandeza de Portugal com que apetece a gente medir-se.

 

Gerês, 26 de Agosto de 1958

Diário VIII, Miguel Torga

 

 

 

Ermida do Gerês, aldeia serrana do Parque Natural da Peneda-Gerês, pertencente à freguesia de Vilar da Veiga, está situada a 550 metros de altitude.

 

Desta aldeia, começa e acaba um percurso pedestre de Pequena Rota – PR 14, de caráter ambiental e paisagístico, das Terras do Bouro, com a designação de Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês

 

O nome deste trilho prende-se como facto de, ao longo do percurso, existir, na paisagem montanhosa, um sobreiral.

 

Para além da paisagem so sobreiral, este trilho tem também como motivos de interesse a célebre cascata do Arado e os currais utilizados pelos pastores, quando prartica(va)m a(s) vezeira(s), trazendo, para a montanha, no período do verão, o gado.

 

Chegados à Ermida do Gerês, no largo, onde existe um posto de informação, fechado,

02.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (11)

 

e, pertinho, a Casa Florestal,

03.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (2)

Subimos ao miradouro.

04.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (4)

Daqui observámos parte da aldeia com os seus lameiros, a linha de horizonte com as cumeadas da serra do Gerês

05.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (5)

e a sua respetiva igreja.

06.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (6)

Depois de nos termos dirigido a um pequeno super para nos abastecermos de víveres para a caminhada do dia, enveredámos pelo bosque, essencialmente constituído por pinhal, por meio de um estradão.

07.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (17)

Nas proximidades de um parque aventura - «Selvagem Aventura» - por entre arvoredo, eis a paisagem que se vislumbra.

08.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (18)

Na nossa linha de horizonte, a aldeia da Ermida do Gerês.

09.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (24)

No «Selvagem Aventura», por entre penhascos, o Gerês com toda a sua imponência e rudeza granítica.

10.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (28)

Florens para a apreciar a paisagem. Até parece um pastor do local!

11.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (31)

E continuámos pelo estradão, em subida suave,

12.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (34)

até que nos cruzámos com três garranos

13.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (44)

e, em pleno pinheiral, por entre pedregulhos, uma cabra montesa.

14.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (47)

A partir daqui,

15.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (42)

começámos a descer, com este cenário em frente,

16.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (49)

ao encontro da estrada do Arado, passando pela Fonte do Arado,

17.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (54)

cruzando-nos com o pastor Paulo, com o seu cãozito, num merendeiro, rodeado de cupressos,

18.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (57)

e passando ainda pela Fonte da Chã do Arado.

19.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (58)

Começámos este trilho a chover. E, ao longo do mesmo, a chuva não parou.

 

Nas proximidades da ponte do Arado,

20.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (65)

começou a chover ainda mais intensamente.

 

Pelos montes, formavam-se abundantes regos de água,

21.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (61)

debitando o seu caudal ao rio Arado.

22.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (66)

Enquanto subíamos as escadas para nos posicionarmos no miradouro da cascata do Arado,

23.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (75)

Florens, ficava por debaixo de um dos arcos da ponte do Arado, protegendo-se da chuva, para mudar de roupa, pois estava todo encharcado.

24.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (77)

Deixamos aos nossos leitores 5 cenários da cascata do Arado.

25.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (114)

(Cenário I)

26.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (91)

(Cenário II)

27.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (119)

(Cenário III)

28.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (107)

(Cenário IV)

29.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (111)

(Cenário V)

Saídos do miradouro da cascata do Arado, por estradão,

30.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (147)

passando ao lado da Fonte das Letras,

31.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (149)

por um pinheiral e um vidoedo,

32.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (152)

fomos ter ao curral da Malhadoura, com um pequeno merendeiro, sob enormes fraguedos,

33.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (166)

a Fonte da Malhadoura,

34.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (174)

e o abrigo dos pastores.

35.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (172)

Saímos do curral da Malhadoura, continuando pelo estradão,

36.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (180)

 passando pelo Forno da Ribeira e indo até à Tribela.

36a.- Trilho do Sobreiral da Ermida (Samsung) (65)

Continuava a chover copiosamente.

37.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (183)

Passámos pela Fonte da Malhadoura

38.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (181)

e pelo curral dos Portos,

39.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (186)

com uma construção relativamente recente.

40.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (187)

Logo a seguir, seguindo orientação para sul, a partir de Tribela, entrámos em pleno sobreiral, iniciando uma longa descida que nos levará, pelo Carvalhal Escuro, a atingirmos a estrada Ermida/Fafião.

41.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (199)

(Cenário I)

42.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (206)

(Cenário II)

43.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (225)

(Cenário III)

Aproximámo-nos do curral das Cortes.

44.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (192)

O curral das Cortes fica já em pleno sobreiral.

45.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (213)

(Cenário I)

46.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (219)

(Cenário II)

47.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (220)

(Cenário III)

48.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (224)

(Cenário IV)

Florens, qual pastor celta, em pose de guarda, no «seu» abrigo.

49.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (222)

Continuámos nosso percurso pelo sobreiral abaixo.

50.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (233)

(Cenário I)

51.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (240)

(Cenário II)

52.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (244)

(Cenário III)

53.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (250)

(Cenário IV)

A determinada altura, na descida, vislumbrámos o encontro do rio Arado com o rio Fafião.

54.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (253)

Enquanto descíamos, encontrámos o amigo Argentino, de Fafião, casado com uma senhora da Ermida do Gerês. Acompanhava-o a cadela Pála.

55.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (266)

Andava a guardar o seu gado, mas, quer a cadela Pála, quer o pachorrento cão pastor, já andavam cansados:

55a.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (277)

andava por ali um corço, mas não o conseguiram apanhar. As buscas foram em vão!

 

Antes de chegarmos à estrada da Ermida/Fafião, eis uma lama (chã) da Ermida do Gerês.

56.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (274)

Chegados à estrada,

57.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (280)

a determinada altura, o senhor Argentino, que agora nos acompanhava, com o seu cajado, aponta para uma pedra, com uns dizeres quase ilegíveis e diz-nos: aqui são os limites de Terras de Bouro (Ermida do Gerês) e de Montalegre (Fafião).

58.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (288)

O amigo Argentino, depois de ultrapassarmos a estrada, indica-nos o percurso que devíamos seguir pelo bosque,

59.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (296)

acompanhando-nos, bosque dentro,

60.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (306)

até determinada altura.

 

Aqui nos despedimos do senhor Argentino, que, posta a conversa em dia, a propósito da vida de cada um,

61.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (291)

foi saber do seu gado. E nós, fomos estradão fora,

61.-2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (312)

acompanhados pelo bosque, essencialmente de carvalhos,

63.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (315)

fomos em direção à Ermida do Gerês, passando pela ponte de Relvas

64.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (316)

sobre o rio Arado.

65.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (323)

(Cenário I)

66.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (351)

(Cenário II)

67.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (356)

(Cenário III)

A partir da ponte de Relvas, foi uma curta, mas penosa subida, até à aldeia de Ermida.

 

Ao chegarmos à aldeia, encantou-nos este lameiro, com este penedo e a vinha de forcado.

68.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (371)

Vejamos o penedo um pouco mais de perto.

69.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (372)

bem como as lamas.

70.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (374)

Rapidamente atravessámos a aldeia.

71.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (386)

Continuava a chover abundantemente.

 

Ultrapassado este espigueiro,

72.- 2018.- Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês (384)

o que mais desejávamos era encontrar um café aberto. Estávamos todos encharcados de água da chuva.

 

Felizmente estava um café aberto.

 

Entrámos. Mudámo-nos. Tomámos uma bebida quente.

 

Nunca tínhamos feito um percurso com tanta chuva!

 

Os caminhos florestais que percorremos, permitiu-nos apreciar locais de beleza paisagística, como a cascata do Arado, os currais utilizados pelos pastores, e um bonito sobreiral, sobranceiro aos rios Arado e Fafião.

 

Foi, apesar da chuva, um dos percurso mais bonitos que fizemos.

 

Apresentam-se os dados técnicos, como a distância e horas que levou o percurso,

73.- IMG-20180704-WA0001

bem assim a velocidade e a elevação.

74.- IMG-20180704-WA0002

 

 


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Sábado, 7 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho da Preguiça

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

01.- 2018.- Trilho da Preguiça (182)

 

TRILHO DA PREGUIÇA

(Percurso Interpretativo da Ecologia do Carvalhal)

 

11.abril.2018

(Parte da tarde)

 

 

 

 

Subo, subo, subo.

Mas de nada vale.

Não consigo chegar ao cimo de qualquer Sinai de transfiguração.

A sarça ardente que me envolve em cada píncaro

É um delírio dos sentidos exasperados pelo próprio cansaço.

As tábuas da lei que me ficaram nas mãos depois do transe

São as mesmas tristes normas de vida que já trazia.

A abóbada celeste desenvolve-me apenas

o eco da minha própria humanidade.

 

Gerês, 16 de Julho de 1976

Diário XII, Miguel Torga

 

 

Este trilho, que se desenvolve na Encosta do Arnado, na vertente esquerda do vale da Falha Geológica do Gerês-Lobios, na serra do Gerês e no seu vale, é composto por três traçados, quase todos coincidentes na maior parte do trajeto. O mais difícil e longo, com cerca de 5,5 Km é o «trilho I», com uma ingreme subida logo no início. Os «trilhos II e III» são mais curtos e de menor grau de dificuldade, conforme o leitor pode ver no panfleto do Trilho da Preguiça - Percurso Interpretativo da Ecologia do Carvalhal (PR 10).

 

Através da copa das árvores, localizamos as manchas de pinhal, carvalhal,

02.- 2018.- Trilho da Preguiça (147)

medronhal,

03.- 2018.- Trilho da Preguiça (18)

outras resinosas, matos e espécies infestantes, como as mimosas (Acacia dealbata).

04.- 2018.- Trilho da Preguiça (96)

É nesta grande diversidade de coberto vegetal que reside o principal interesse desta região, e principalmente deste trilho, para a Educação Ambiental.

 

Neste trilho, encontrámos formações vegetais com uma diversidade de espécies e uma estrutura relativamente próximas da vegetação primitiva que cobria toda a região – o carvalhal.

05.- 2018.- Trilho da Preguiça (60)

Apresenta outras formações vegetais que evidenciam o impacte de atividades humanas, nomeadamente a agricultura, a pastorícia,

06.- 2018.- Trilho da Preguiça (187)

a produção florestal, o fogo

07.- 2018.- Trilho da Preguiça (82)

(Cenário I)

08.- 2018.- Trilho da Preguiça (101)

(Cenário II)

09.- 2018.- Trilho da Preguiça (85)

(Cenário III)

e a introdução de espécies exóticas sobre a cobertura vegetal original.

10.- 2018.- Trilho da Preguiça (83)

(Cenário I)

11.- 2018.- Trilho da Preguiça (12)

(Cenário II)

Sob a copa do carvalhal ou do medronhal, apesar do esforço, principalmente na subida, sentíamos a sombra,

12.- 2018.- Trilho da Preguiça (115)

a frescura do ar,

13.- 2018.- Trilho da Preguiça (114)

o burburinho da água na ribeira ou a brisa que movimenta a folhagem.

14.- 2018.- Trilho da Preguiça (36)

(Cenário I)

15.- 2018.- Trilho da Preguiça (64)

(Cenário II)

Por isso, este é um habitat hostil para muitas espécies, para todas aquelas que não toleram a sombra.

 

Chama-nos a atenção o panfleto, acima citado, que nenhum dos nossos sentidos deverá ficar indiferente e, consequentemente, devem estar atentos.

 

Positivamente caminhámos ao nosso ritmo – pausado – , não só para apreciar a natureza da floresta primitiva dos nossos antepassados, como também para a captar com a nossa objetiva. Não sucessivas pausas que íamos fazendo, também para recuperar o folego da subida, principalmente da primeira parte do percurso, foi bem verdade a sensação de sermos parte integrante desta peculiar natureza, pisando  um território – o carvalhal, a nossoa floresta primitiva - onde os nossos antanhos aqui viveram as suas vidas, sentindo-nos parte integrante das mesmas. Aqui, o sentido de comunidade do passado, ainda hoje, para nós, faz todo o sentido.

16.- 2018.- Trilho da Preguiça (26)

Na verdade, estamos de acordo com o(s) autor(es) do panfleto deste trilho quando nos alertam de que o carvalhal é uma parte do nosso património natural que urge preservar, não apenas pela sua diversidade vegetal ou pela forma como valoriza a nossa paisagem, mas também, pela diversidade animal que abriga e sustenta.

17.- 2018.- Trilho da Preguiça (23)

(Cenário I)

18.- 2018.- Trilho da Preguiça (124)

(Cenário II)

O Homem tem sido o principal agente desestabilizador e responsável pelas ações agressivas neste ecossistema.

19.- 2018.- Trilho da Preguiça (117)

Estas intervenções desestabilizaram, total ou parcialmente, as condições ambientais existentes e, como consequência, toda a comunidade acabou por ser eliminada e substituída por outra, que pouco ou nada tem em comum com a anterior, dando origem a comunidades degradativas, ditas de regressão – os matos – como os tojais, giestais, urzais e carquejais dominados, respetivamente, pelo tojo (Ulex sp.), giesta (Cytisus sp.), urze (Erica sp.) e carqueja (Chamaespartium tridentatum).

20.- 2018.- Trilho da Preguiça (107)

Outras estão ocupadas por áreas agrícolas e de silvicultura, como os pinhais (Pinus pinaster e Pinus sylvestris) e eucaliptais.

21.- 2018.- Trilho da Preguiça (105)

Toda esta biodiversidade, que constitui agora um património natural, biológico e genético, de um valor  incalculável, deve ser preservado e transmitido às gerações vindouras. Não o devemos degradar mais!...

22.- 2018.- Trilho da Preguiça (99)

Descrevamos sumariamente este nosso trilho.

 

O percurso («trilho I») que fizemos é de tipologia circular, com uma duração média de 3 horas.

 

Foi a sua dificuldade inicial que nos sugeriu a entrada do Diário XII, de Miguel Torga, acima citada.

 

O trilho inicia-se junto da Casa da Preguiça – daí o nome do trilho.

23.- 2018.- Trilho da Preguiça (1)

e após baixar ligeiramente até perto da Curva da Morte,

24.- 2018.- Trilho da Preguiça (130)

penetra na floresta

25.- 2018.- Trilho da Preguiça (6)

ascendendo de uma cota de 665 metros até aos 852 metros,

26.- 2018.- Trilho da Preguiça (102)

(Ponto I)

27.- 2018.- Trilho da Preguiça (110)

(Ponto II)

28.- 2018.- Trilho da Preguiça (104)

(Pormenor - Cabeça de serpente)

passando por zonas de pinhal e carvalhal secular.

29.- 2018.- Trilho da Preguiça (94)

(Cenário I)

30.- 2018.- Trilho da Preguiça (109)

(Cenário II)

31.- 2018.- Trilho da Preguiça (131)

(Cenário III)

A partir daqui, o trilho inicia um percurso descendente que o leva a atravessar a estrada nacional EN 308 em direção à Cascata de Leonte,

32.- 2018.- Trilho da Preguiça (123)

(Cenário I)

33.- 2018.- Trilho da Preguiça (144)

(Cenário II)

34.- 2018.- Trilho da Preguiça (146)

(Cenário III)

passando pelo ribeiro da Cantina,

35.- 2018.- Trilho da Preguiça (164)

(Cenário I)

36.- 2018.- Trilho da Preguiça (166)

(Cenário II)

37.- 2018.- Trilho da Preguiça (160)

(Cenário III)

pelo curral do rio Gerês (Curral da Mijeceira),

38.- 2018.- Trilho da Preguiça (148)

pela peculiar ponte de madeira

39.- 2018.- Trilho da Preguiça (191)

sobre o rio Gerês,

40.- 2018.- Trilho da Preguiça (242)

atravessando parte da calçada portuguesa ali existente.

41.- 2018.- Trilho da Preguiça (176)

até subir ligeiramente e indo ter à  cascata de Leonte.

42.- 2018.- Trilho da Preguiça (199)

(Perspetiva I)

43.- 2018.- Trilho da Preguiça (202)

(Perspetiva II)

44.- 2018.- Trilho da Preguiça (213)

(Perspetiva III)

45.- 2018.- Trilho da Preguiça (232)

(Perspetiva IV)

Daqui, voltamos para trás

46.- 2018.- Trilho da Preguiça (243)

até á indicação da cascata da Laja, por um antigo caminho florestal que ligava as Caldas do Gerês e a Portela de Leonte,

47.- 2018.- Trilho da Preguiça (152)

para, de novo começamos a perder altitude até perto do rio Gerês,

48.- 2018.- Trilho da Preguiça (198)

caminhando sempre pelo carvalhal.

49.- 2018.- Trilho da Preguiça (183)

O trilho leva-nos ao cural da Laja,

50.- 2018.- Trilho da Preguiça (201)

ao ribeiro da Laja, passando por uma ponte de madeira, junto da cascata da Laja,

51.- 2018.- Trilho da Preguiça (203)

 (Perspetiva I)

52.- 2018.- Trilho da Preguiça (254)

53.- 2018.- Trilho da Preguiça (251)

(Perspetiva III)

54.- 2018.- Trilho da Preguiça (263)

(Perspetiva IV)

já perto do final do percurso.

 

Subindo agora um pouco, chegámos ao fim do nosso percurso.

55.- 2018.- Trilho da Preguiça (214)

Atravessando a estrada, deixámos a Casa da Preguiça ao lado

56.- 2018.- Trilho da Preguiça (216)

e, entrando no carro, fomos em direção à Vila do Gerês.

 

Andámos 5, 150 Km, em 2 horas e 40 minutos,

57.- Trilho da Preguiça (2)

Tendo em conta a velocidade e a elevação registadas pelo nosso app S Health, de acordo com gráfico que se mostra.

58.- Trilho da Preguiça (3)


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Terça-feira, 3 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho Interpretativo das Silhas dos Ursos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

 

01.- 2018.- Trilho da  Silha dos Ursos (81a)

 

TRILHO INTERPRETATIVO DAS SILHAS DOS URSOS

 

11.abril.2018
(Parte de manhã)

 

 

É possível que esta paixão telúrica que me faz divinizar as fragas,
os rios e os carvalhos signifique, afinal de contas,
que não consegui desembaraçar-me da placenta de ovelha
que o destino me atirou à figura, como certo inimigo fez a Maomé.
Mas não me desagrada a hipótese. Estou sinceramente convencido
de que a realidade campestre nem é inferior à outra, nem se lhe opõe.
Por detrás das pedras roladas e das ravinas,
pulsa o mesmo coração inquieto da vida.
A solução, portanto, consiste apenas em auscultá-lo
com a finura de ouvido que é obrigatória nas consultas citadinas.
E a mágoa que me punge não é de ser montanhês por devoção:
é de não ser capaz de revelar todos os mistérios
que se escondem nas dobras da estamenha.
Bem rústicas parecem as urzes, e
a abelha tira das suas flores mel perfumado .
Nada mais agressivo do que um silveiredo,
e o melro faz o ninho no meio dele (...).

 

Gerês, 10 de Setembro de 1954
Diário VII, Miguel Torga

 

 


Este trilho está localizado nas freguesias de Vilar da Veiga e Campo de Gerês, no concelho de Terras de Bouro.

 

Começa na Casa de Guarda Florestal de Junceda, a 915 metros de altitude.

02.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (26a)

Tem uma extensão de 5 Km e uma duração de 3 horas. Possui uma cota mínima de 900 metros e máxima de 1100 metro. Contudo, o nosso desnível foi maior, pois tivemos de andar mais 3 Km, sempre a subir, por um caminho florestal, desde este cruzamento da EM 533, vindos da Vila do Gerês,

03.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (2)

até à Casa de Junceda, porquanto a funcionária da Porta do Campo do Gerês, na véspera, nos afirmou esta estrada florestal estar intrasitável para viaturas automóveis ligeiros, o que, no terreno, viemos a verificar não ser totalmente verdade, uma vez feita uma condução com cuidado.

 

Desenvolve-se na serra do Gerês, sobre uma das vertentes do vale de Falha Geológica do Gerês-Lobios, tendo como pano de fundo o rio Gerês. A falha em questão está relacionada com tensões tardihercínicas que levaram a uma fraturação que cortou e deslocou os granitos desta região. Possui uma direção NNE-SSW, sendo responsável pela deslocação dos vales dos rios Cávado e Homem e pelas nascentes termais da Vila do Gerês e do rio Caldo (Lobios, Galiza). Os sistemas hidrominerais do Gerês e Lobios têm umja mineração incomum, especificadamente em termos de teores de flúor e boro.

 

De acordo com o panfleto informativo do Trilho Interpretativo das Silhas dos Ursos, este percurso pedestre de Pequena Rota (PR 11), do Parque Nacional da Peneda-Gerês, tem os seguintes postos ou pontos de interesse, entre outros: Casa de Junceda; Silha dos Ursos I; Silha dos Ursos II; Prado de Gamil; Prado da Tojeira e caminho de retorno à Casa de Junceda.

 

O tema do trilho é a apicultura e a arquelogia rural, para além, evidentemente, da natureza e paisagem.

 

O espaço territorial que o trilho percorre é constituído por encostas de matos, linhas de água, pequenos bosques de carvalhos, vidoeiros e azevinhos e prados de altitude gerados por depósitos glaciares, fluviais e de vertente.

 

Neste território, continua o panfleto, é frequente a observação de animais silvestres, em especial aves, sendo a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) a mais comum.

 

O trilho desenvolve-se sempre por caminho de pé posto, com piso irregular e inclinado nas encostas; e piso regular e pouco acentuado nas zonas de prado.

 

Afinal, o que é uma silha, nome que dá a designação a este trilho?

 

Silha é uma estrutura que protegia os cortiços do apetite por mel do urso-pardo (Ursus arctos), que vagueou por estas terras até meados do século XVII. As silhas eram construídas com blocos de granito (abundante na região), em parede dupla, com muros ligeiramente inclinados para fora, sendo a fiada superior ligeiramente saída e com altura sempre superior a 2,8 m. No seu interior, dispostos em pequenos socalcos e travados por pedras, eram colocados os cortiços, de forma circular e feitos de cortiça (daí o nome) e cobertos com um telhado de colmo. Algumas das silhas tinham pequenas portas que davam acesso ao interior. As silhas, de forma a favorecer o trabalho e a saúde das abelhas, eram sempre construídas em encostas ensolaradas e abrigadas do vento, voltadas a nascente/sul. Eram construídas perto da água e de vastas extensões de matos formados por plantas melíferas, compostos por urzes (Erica spp), carqueja (Pterospartum tridentatum subsp. tridentatum), tojo (Ulex spp) e giestas (Cytisus spp).

 

Vamos, então, dar início ao nosso percurso de hoje, focando os postos ou os pontos de interresse mais significativos neste trilho já acima enunciados:

 

1.- Pela estrada florestal até à Casa de Junceda

 

Foram 3 Km numa ascenção não muito dura, em terreno largo, tendo sempre como pano de fundo os cocurutos de granito, por um lado,

04.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (16)

e os pequenos lameiros, por outro, envoltos pelas penedias da serra do Gerês, reluzentes, após o nascer do sol, e onde o carvalho é omnipresente.

05.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (5)

O piso do estradão apresentava-se com poças de água, da chuva caída no dia anterior e de noite.

06.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (26)

A aldeia de Covide, ao fundo, do lado esquerdo, abrigada pelos montes da serra e rodeada de lameiros...

07.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (23)

E, sem darmos conta, na conversa, chegámos à Casa Florestal de Junceda.

08.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (32)

Aqui parámos ligeiros minutos para apreciarmos esta bonita arquitetura, com uma casa ao abandono, totalmente desabitada. O que é pena!

09.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (26b)

 

2.- Da Casa de Junceda à 1ª e 2ª Silha dos Ursos

 

É exatamente neste sítio que o nosso percurso Interpretativo das Silhas dos Ursos, ligado aos temas da paisagem e da arqueologia rural, começa.

10.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (32c

Poucos metros percorridos, à sombra de um velho carvalho, onde o verde do musgo abunda, aparece-nos esta fonte.

11.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (40)

abastecemo-nos de água fresca e continuámos o nosso caminho que, logo começa a subir.

12.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (45)

Ultrapassada uma cancela,

13.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (42)

cerca de 100 metros da Casa de Junceda, aparece-nos a 1ª silha, que foge um pouco à descrição do conceito que acima deixámos.

14.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (51b)

Esta apenas nos mostra um perqueno montículo de pedras em cima de um grande penedo e, no placar informativo, diz ser do século XVII.

15.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (51a)

Continuando a seguir a sinalização,

16.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (48)

subindo mais um pouco, fomos ao encontro da 2ª silha.

17.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (55)

A determinada altura, o nosso caminho de pé posto, é em forte declive, e por entre penedos. Há que ter muito cuidado para ultrapassar esta íngreme descida. Mas, como em tudo, logo após a tempestade vem a bonança, e, por entre enormes rochedos, em piso suave, o nosso caminho de pé posto, deu-nos um certo descanso.

18.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (63)

As penedias, a paisagem que tanto encantava o nosso Torga quando, como andarilho, por aqui andava, por todo o lado nos rodeia.

19.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (64)

Mais ao longe, ainda com neve, o pico Meda de Recalva, com 1431 de altura.

20.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (64)

Passado um regueiro de água,

21.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (72)

em poucos metros, estamos na silha nº 2.

22.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (83)

Aqui já se aparenta mais com a definição que acima demos, embora, porque toda coberta de entulho,

23.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (77)

e parcialmente destruída, não dá para se ter uma ideia exata do que efetivamente foi. Vale, para o efeito, uma aproximação, a partir dos vestígios que aqui se deixam.

 

Chegados agora aqui, o caminho não tem continuação. Há que voltar para tràs. Mas o caminho de volta já não passa pelo caminho de vinda, evitando, desta feita, agora aquela íngreme subida. Segue outro traçado,

24.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (96)

que nos levará ao Prado de Gamil.

 

3.- Prado de Gamil

 

Traçado esse que decorre por entre pastos de montanha,

25.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (104)

entre pequenas descidas, e outras subidas, relativamente acentuadas,

26.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (109)

com regatos de água, e certo declive.

27.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (117)

Antes de chegarmos ao Prado de Gamil, num regato, Florens pára para tirar uma foto, tão inebriado estava com a paisagem à sua frente.

28.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (113)

Poucos metros percorridos, mais à frente, por entre água escorrendo por todos os cantos, aparece-nos o pequeno Prado de Gamil.

29.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (122)

Um pequeno prado com uma fonte e um bebedouro para os animais.

30.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (127)

Porque já perto de meio-dia e com o calor apertando, o nosso reservatório de água esgotou-se. E, neste fonte do prado, aproveitámos para nos abastecer.

31.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (132)

Aqui fizemos uma pausa mais prolongada: por um lado, para, neste lugar fresco, onde apenas se ouvia o sons dos pequenos passariformes e os pequenos regatos a escorrer para as linhas de água, observar este pequeno e aprazível pasto, quase no cume da serra granítica;

32.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (137)

por outro lado, subindo um pouco mais, mesmo perto do cume do monte, para observar, lá no fundo, parte da albufeira de Vilarinho da Furna, encaixada entre as serras Amarela e a do Gerês.

33.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (140)

 

4.- Caminho de retorno à Casa de Junceda com passagem pelo Prado da Tojeira

 

Nossos principais atrativos tinham sido vistos. Florens, de satisfeito, faz-nos uma careta para a objetiva.

34.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (145)

Havia que voltar ao lugar de partida - a Casa de Junceda - seguindo, a determinada altura, um outro itinerário, conforma vem explicitado no panfleto oficial do trilho, passando pelo Prado da Tojeira, onde ali podemos ver vacas a pastar

35.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (149)

e, por entre o mato, o azevinho.

36.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (154)

No caminho de pé posto, nas proximidades do Prado da Tojeira, um filão de quartzo na rocha de xisto.

37.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (153)

Florens, como sempre, aproveita para levar uma pedra como recordação do trilho que fez.

38.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (152)

Até que nos aproximámos da Casa de Junceda, nosso lugar de partida e chegada deste trilho interpretativo.

39.-2018.- Trilho da Silha dos Ursos (159)

Ultrapassada a Casa, e seus anexos,

40.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (160)

a vegetação, nas suas proximidades, denota intervenção, no sentido de introdução de espécies não apenas autóctones, mas também exóticas.

41.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (161)

 

5.- Miradouro de Junceda

 

Uma vez aqui, não podíamos deixar para trás o Miradouro da Junceda.

42.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (168)

Neste lugar aproveitámos não só para descansar um pouco como também para comer fruta. Já passava da uma da tarde. íríamos almoçar tarde, pois ainda tínhamos 3 Km para percorrer até ao cruzamento onde deixámos a viatura, voltando pela mesma estrada florestal.

43.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (168a)

E, tratando-se de um miradouro, não podíamos perder as vistas que ele nos oferecia. Destacamos duas: a primeira, e numa outra perspetiva, o pico Meda de Recalva;

44.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (169)

a segunda, o profundo vale do rio Gerês, resultante da aludida Fallha Geológica, com a Vila do Gerês nele encaixado.

45.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (172)

Na despedida do lugar, uma olhada para a beleza desta vaca barrosã a pastar, entre muitas, nas proximidades do miradouro.

46.- 2018.- Trilho da Silha dos Ursos (167)

Dados técnicos: o nosso percurso foi aquele que vem assinalado na imagem abaixo, tendo percorrido 11, 820 Km, em 3 horas e 22 minutos,

47.- Trilho da Silhas dos Ursos (2)

com a elevação e velocidade que o gráfico abaixo mostra.

48.- Trilho da Silhas dos Ursos (3)


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Sábado, 30 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Os Moinhos de Folón e de Picón

 

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ADARILHO

00.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (74)


- «Andaina» pelos Moinhos de Folón e Picón -

20.maio.2018

 

1.- Os Moinhos de O Folón e O Picon

 

Estamos no Baixo Minho galego.

 

Os moinhos de que vamos falar estão situados nos lugares de Martín e Picón, paróquia de Santa Mariña, município de O Rosal, na encosta do Monte Campo do Couto, por onde corre o rio Cal, (afluente do Tamuxe ou Carballas), que, nas proximidades do Alto dos Olleiros, já no caminho de San Martiño, no Nivel, se divide em dois regatos - o Folón e o Picón.

 

O município de O Rosal, sob o ponto de vista geográfico, está situado entre o oceano Atlântico, o rio Minho e flanqueado por montanhas - a serra do Argallo e o Pico de Poza dos Corvos, que o delimitam e lhe dão a forma de uma vieira.

 

Diz a lenda de que quando Himicón, chefe dos Cartagineses, chegou a este vale de O Rosal, acreditou ter chegado ao Éden, ao Paraíso Terreal.

 

Apesar de O Rosal ser rico em vestígios pré-históricos, o que lhe dá mais fama é o conjunto etnográfico dos Moinhos de Folón e de Picón.

 

Trata-se de um conjunto de 67 moinhos hidráulicos, dispostos em cascata, em duas vertentes: 36, servidos pelas águas do Folón e, noutra vertente, 31 servidos pelas águas do Picón.

 

É considerada a maior concentração de moinhos hidráulicos em toda a Galiza e, porventura, uma das mais importantes concentrações de moinhos fluviais da Europa.

 

A orografia da zona permite-nos disfrutar de uma bonita paisagem e vistas para o Monte de Santa Tecla, para as localidades de Portugal, ribeirinhas com o Minho e com a foz, no Atlântico, do rio Minho.

 

A maioria destes moinhos estruturam-se em dois pisos de pedra, com o moinho situado na parte supeior e, no piso inferior, está localisada toda a maquinaria que move o moinho. Alguns deles possuem um bebedouro para os animais.

 

A maior parte dos moinhos datam dos séculos XVIII e XIX, embora existam referências quanto à sua existência já no século XVII.

 

Este moinhos tinham a função principal de moer o grão do milho maiz, trigo e centeio, embora, excecionalmente, tenha sido utilizado para moer mineral, tendo, por isso, sido mantidos a funcionar até ao século XX, altura em que se dá o quase seu total abandono.

 

Francisco Javier Torres Goberna, a 1 de maio de 2013, no seu blogue «Historia y arqueología. Naturaleza: Flora y fauna. Rutas e itinerarios», quanto a estes moinhos diz-nos que durante muito tempo pensou-se que a sua construção de deveu originalmente aos monjes do Mosteiro de Santa Maria a Real de Oia; contudo, na extensa bibliografia sobre este mosteiro não aparece nenhum documento que o confirme, o que faz pensar que, muito provavelmente, a sua edificação se deve a vizinhos ricos ou às «juradías» (uma forma de organização e distribuição da população durante a Idade Média) de Fornelos e Martín.

 

Aconselha-se vivamente os leitores a que se reportem ao blogue de Francisco Javier Torres Goberna para, aí, se inteirarem de como funcionam estes moinhos hidráulicos.

 

Em 1991, os alunos da Casa de Ofícios de O Rosal começaram os trabalhos de reabilitação dos moinhos de «Rogelio» e «A Duca». no ano de 1996, a Escuela Taller del Concello de O Rosal começou a reabilitação dos moinhos de Folón, que estavam totalmente abandonados.

 

Hoje em dia os moinhos estão cedidos, pelos seus proprietários, ao concelho de O Rosal para a sua exploração turística durante um período de 25 anos.

 

Em 1998, por Decreto 27/1998, de 22 de janeiro, a Consellería de Cultura, Comunicación Social e Turismo, da Xunta da Galicia, declarou este conjunto de moinhos com um BIC (Bem de Interesse Cultural). No diploma que o decreta diz-se que se consideram partes integrantes do lugar de valor etnográfico, para além das próprias edificações, que são os moinhos, também os sistemas hidráulicos para captação, retenção e distribuição das águas, em especial as de lugar de pesca, assim como os canais e regatos que conduzem a água até aos «cubos»; ao mesmo tempo, a ermida de San Martiño também será protegida, bem assim os caminhos tradicionais, em especial o de San Martiño, no qual ainda se conserva algum «posadero» e uma parte de pavimento aberto pela própria pedra com fundas rodeiras dos carros de bois. Sendo, desta feita, também parte integrante da proteção BIC - em termos de conservação, funcionalidade e localização - os caminhos de Martín e Cereixeira (onde estão situados e dispostos, em escada, no primeiro e segundo lanço, os moinhos do Folón).

 

Como nota final, o incêndio que assolou O Rosal, em 2013, após a posterior limpeza da zona, acometida à comunidade de montes, deixou a descoberto as pedreiras onde foi extraída a pedra para o conjunto de moinhos que estamos tratando. As primeiras pedras encontram-se perto do rio Cal, entre o Alto da Carboeira e o Rego da Enxubligada. São duas pedreiras donde se extrairam as pedras para os pés e para as mós dos moinhos, desde o século XVII até meados do século XX, quando deixaram de funcionar.

 

2.- O percurso


Saímos já um pouco tarde do Parque Natural do Monte Aloia e, o nosso percurso circular, entre 3,5 a 4 Km, com 205 metros de desnível, ao longo dos Moinhos de Folón e de Picón não se pode fazer com o tempo e a calma que mais desejaríamos para apreciar não só este belo conjunto como todo o seu entorno. Nomeadamente, e infelizmente, não tivemos tempo de ir visitar a capela de San Martiño bem assim, no rio Cal, as poças e saltos (cascatas de água).

 

Apresenta-se o Plano do nosso circuito.

01.- Plano-del-circuito

Esclarece-se que este trilho está homologado pela Federação Galega de Montanhismo como «ruta de senderismo» PR-G 94.

 

De autocarro, chegámos ao parque de estacionamento da «Ponte das Penas».

02.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (5)

 De imediato, começámos o nosso percurso, iniciando-o pelo lado esquerdo, no sentido dos Moinhos do Folón.

 

Imediatamente aparece-nos o Moinho das Laxes, onde se localiza o Posto de Informação Turística, que estava fechado.

03.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (2)

No início do nosso percurso,

04.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (10)

que corre paralelo ao ribeiro de Padín, começam a aparecer os moinhos,

05.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (9)

designados como Moinhos de Padín.

06.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (11)

Num deles, - explorado como bar, que não estava em funcionamento -, identificado como o nº 5, deste vertente do Folón, possui(a) uma estrutura para guarda ou recolha de animais.

07.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (13)

Cruzada uma pequena ponte de madeira,

08.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (21)

vamos ao encontro dos Moinhos de Maceira.

09.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (19)

O local, com o regato do Folón acompanhando-nos, com sua vegetação autóctone

10.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (31)

e suas pequenas cascatas, é encantador.

 

Vamos, agora, subindo mais um pouco.

11.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (33)

E os Moinhos de Maceira continuam a acompanhar-nos.

12.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (36)

Veja-se o rego de água que leva ao «cubo» do moinho que vimos na imagem anterior.

13.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (38)

Ultrapassada mais uma pequena ponte de madeira e uma pequena cascata de água, entrámos no Chan de Martín e

14.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (53)

eis os célebres Moinhos de O Folón, em cascata, no seu primeiro lanço!

15.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (49)

O nosso pessoal começa a trepar pelas escadas.

16.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (60)

 (Cenário I)

17.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (66)

(Cenário II)

Passámos pelo moinho nº 16, do conjunto de 36 desta vertente. Na ombreira da sua porta uma data - 1715.

18.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (58)

Ultrapassado o primeiro lanço de moinhos em cascata, e atravessado o Folón, com a sua pequena cascata,

19.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (78)

enfrentámos o segundo lanço de moinhos, também em cascata, no Chan da Cereixeira.

20.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (72)

Sensivelmente a meio deste segundo lanço, há uma espécie de miradouro. Deste miradouro, captámos, um primeiro cenário, com uma perspetiva dos seus moinhos;

21.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (80)

 um segundo cenário, tendo, ao fundo, a passagem do primeiro lanço de moinhos para o segundo lanço, ultrapassando o Folón;

22.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (91)

um terceiro cenário, com a perspetiva de alguns dos nossos companheiros a subirem esta ladeira pedregosa;

23.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (100)

um quatro cenário - uma pausa para descanso, pois a subida não é «pêra doce»!

24.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (101)

Deste miradouro, virando um pouco o nosso olhar para a esquerda - o Monte de Santa Tecla -, envolto em nevoeiro; ao fundo o vale de O Rosal.

25.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (109)

Continuámos trepando pelo Chan da Cereixeira acima, passando pelos últimos moinhos deste segundo lanço.

26.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (110)

Este moinho, datado, cremos, de 1848, tem uma inscrição, mas não sabemos o que seja.

27.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (116)

Estes são os dois últimos moinhos do segundo lanço de O Folón, no Chan da Cereixeira, já muitíssimo perto do Alto dos Olleiros.

28.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (120)

Muito perto deste último moinho do segundo lanço de Moinhos de O Folón,

29.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (145)

aproveitámos para descansar e esperar pelos mais retardadores, ainda, em dificuldades, subindo esta íngreme encosta.

30.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (143)

(Perspetiva I)

31.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (151)

(Perspetiva II)

32.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (153)

 (Perspectiva III)

Enquanto esperávamos e descansávamos, nossa objetiva não parava de trabalhar: veja-se, do Alto dos Olleiros, o primeiro lanço, em cascata, dos Moinhos de O Folón. Um espetáculo!

33.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (138)

Foi pena não termos virado à esquerda e, como já referido, não termos ido visitar a capela ou ermida de San Martiño...

 

Todos chegados ao Alto, e um pouco mais revigorados pelo descanso no fresco da erva, virando à direita, começámos a percorrer a segunda vertente do Monte Campo do Couto, indo ao encontro do caminho de San Martiño e aos 31 Moinhos de O Picón, também em cascata, mas mais dispersos, pelo meio de um pinhal.

34.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (155)

Por aqui passa o rio Cal e, exatamente neste local, perto destes dois moinhos, é o conhecido Nivel, onde, num pequeno depósito, e com o mesmo nível, são divididas as águas - para evitar as disputas dos vizinhos -, que vão formar o regato do Folón, para a esquerda, e o do Picón, para a direita.

35.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (157)

Vejamos mais em pormenor:

35a.- WDS.

O companheiro Adelino, à saída do pequeno depósito do regato do Picón, aproveita para beber água fresca e abastecer-nos.

36.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (162)

Já alguém dizia que este trajeto, por onde agora passamos, é de uma grande beleza. Concordamos. Não só pelo caminho em si, mas, fundamentalmente, pelas vistas que nos oferece, entre as quais, o vale de O Rosal e o Monte de Santa Tecla neste dia envolto de nuvens.

37.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (168)

Começámos a descer

38.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (173)

pelo caminho de San Martiño, uma antiga via por onde transitaram os carros de bois que transportavam o grão e a farinha,

39.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (182)

deixando gravadas na rocha as marcas das suas rodas (rodeiras).

40.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (180)

Uma nota. Em cada 11 de novembro, por este caminho,

41.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (194)

sobem os crentes de San Martiño, que vão em romaria até à sua capela/ermida.

 

Deixamos aos nossos leitores dois cenários referentes aos Moinhos de O Picón,

42.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (191)

(Cenário I)

43.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (198)

(Cenário II)

bem assim o término do caminho mais declivoso de San Martiño,

44.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (203)

no final do qual, o nosso amigo e companheiro Lucas, ao lado de Adelino, já vem com uma certa dificuldade.

45.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (210)

Mesmo quase no final do percurso, em frente à Casa da Pintora, o atleta Luís espera pelo grupo.

46.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (213)

Eis o grupo chegando.

47.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (217)

Rosa, feliz, embeleza-se ainda mais com as flores de uma sebe.

48.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (218)

Registámos, neste lugar, estas pinturas murais, referentes aos Moinhos.

49.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (215)

(Pintura I)

50.-. Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (216)

(Pintura II)

51.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (219)

(Pintura III)

Estávamos todos com pressa. Não só porque já se fazia tarde, mas também porque as empadas que o Lucas nos ofereceu para comermos no final do nosso dia, comemorando o seu dia de «cumpleaños», estavam impacientes para serem comidas. E que delíca estavam!

52.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)

Contas feitas: neste trilho, percorremos a distância de 3, 540 Km, numa hora e 13 minutos,

53.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)a

à velocidade e com a elevação que o quadro abaixo mostra.

54.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)b

 

 

3.- Notas finais

 

Este trilho, apesar de ser pequeno, merece um dia inteiro a ele dedicado, não só pelo conjunto de moinhos em si e pelo percurso, mas também pelo seu entorno e pelas paisagens que dele disfrutamos.

 

Para os amantes de fotografia é um local ideal para se captarem boas imagens: com calma e paciência.

 

E estamos com o autor do post PR - G 94 - Muíños de Folón e Picón [Galiza] (darasola), quando lhe dá 5 estrelas e considera este PR um "must do".

 

Para a elaboração deste post, servimo-nos da seguinte literatura:


* De Francisco Xavier Torres Goberna - Muíños de O Folón y O Picón (O Rosal) no seu blogue «Historia y arqueología. Naturaleza: Flora y fauna. Rutas e itinerarios», foi o texto mais consultado. E depois:

Cultura de Galicia - Todos los molinos do Folón y do Picón (O Rosal) son ya Lugar de Interés Etnográfico

Destino Infinito

El País - La ladera de los molinos

Galicia Máxica - Molinos de O Folón | GALICIA MAXICA

PR - G94 - Muíños de Folón e Picón [Galiza] (darasola)

Geocaching - Muiños de Folón-Picón

La Ruta de los Muiños do Folón e do Picón - Paisajes bucólicas e historia viva

La Voz de Galicia - Una reparadora escalada a los molinos de O Picón e O Folón

La Voz de Galicia - Localizan las canteras de las ruedas de los molinos del Folón y el Picón


Unarutacadadia - Molinos del Folón y del Picón

* Vigo en Familia - Muiños do Folón e do Picón. Una ruta única en Europa

VISITA A LOS MOLINOS DE O FOLÓN Y DE O PICÓN

Wikipedia - Molinos del Folón y del Picón

55.- WDS 02.- Molinos_del_Folón_y_del_Picón_-_Folón_&_Picón_watermills


publicado por andanhos às 21:08
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (III)

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

49a.- Rota do Monte Aloia (498)

 

- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -


20.maio.2018

 

"Unha paisaxe chamativa
é o esqueleto que aproveitan
moitos pobos primitivos
para ergue-los seus mitos de importancia social".

 

KevinLynch

 


C.- TROÇOS («TRAMOS») DA PARTE DE TARDE


6.- Trilho Botânico

 

Este troço («tramo») da nossa «andaina» atravessa o «arboreto ilustrado» do Parque Natural,

50.- Rota do Monte Aloia (441)

onde a mão do Eng. Rafael Areses aqui teve mais intervenção, como seja, a introdução de espécies exóticas.

51.-Rota do Monte Aloia (451)

Percorrendo este troço, onde os regos de água não faltam,

52.- Rota do Monte Aloia (527)

em especial o ribeiro Tabernas,

53.- Rota do Monte Aloia (484)

 com as suas pequenas quedas de água e poças.

54.- Rota do Monte Aloia (513)

Através dos placares informativos, podemos identificar e conhecer as diversas espécies exóticas, à mistura com as autóctones.

55.- Rota do Monte Aloia (456)

Percorrido o pequeno trilho botânico, com o calor a apertar, apesar das sombras, um ou outro caminheiro(a) aproveita, nos vários bancos pelo percurso espalhados, para descansar.

56.- Rota do Monte Aloia (532)

No final do trilho, vamos ao encontro da Casa dos Engenheiros Florestais (do Monte)

57.- Rota do Monte Aloia (511)

bem assim do Centro de Receção e de Interpretação do Parque - «Casa Engenheiro Rafael Areses».

58.- Rota do Monte Aloia (501)

Aqui nos demoramos um bocadinho a ver este edifício tão característico e, saindo definitivamente do bosque botânico,

59.- Rota do Monte Aloia (539)

juntámo-nos para percorrer um outro troço («tramo») - o trilho do Rego de Pedra.

60.- Rota do Monte Aloia (537)

Mas os nossos amigos caminheiros de AndaTui não nos deixaram sair deste local sem, com um pequeno desvio, ir ver uma das «joias da coroa» do «seu» Parque - a Faia.

61.- Rota do Monte Aloia (553)

Estará muito perto dos 100 anos, dizem. A sua copa cobre mais de 40 metros de superfície. O seu tronco, é o que se vê,

62.- Rota do Monte Aloia (556)

com, estas duas caminheiras, entre muitas outras, a abraçarem o seu tronco.

 

7.- Trilho do Rego de Pedra


O Rego da Pedra

63.- Rota do Monte Aloia (589)

 que dá o nome a este troço, bem assim a um trilho, foi construído entre 1955 e 1958. A sua finalidade era o transporte de água para os campo de cultivo de Frinxo.

64.- Rota do Monte Aloia (592)

Hoje em dia, é apenas uma memória. Percorrendo este trilho,

65.- Rota do Monte Aloia (600)

quer o seu «rego»,

66.- Rota do Monte Aloia (593)

quer os pequenos «embalses», que o constituíam,

67.- Rota do Monte Aloia (605)

(«Embalse» I)

68.- Rota do Monte Aloia (603)

(«Embalse» II)

estão totalmente secos.


Gostámos de ver, no final da descida, em Frinxo, a sua bonita capela, com uma linda oliveira, por perto.

69.- Rota do Monte Aloia (608)

 

8.- Trilho dos Moinhos de Tripes


O rio Tripes, conhecido geograficamente como o «Rego Cotarel»,

70.- Rota do Monte Aloia (748)

 nasce no Monte Aloia, no Alto de San Xiao. É um afluente do rio Minho e divide as paróquias tudenses de Pazos de Reis e Randufe.

 

Os Moinhos de Tripes estão situados na parte inferior do Parque Natural do Monte Aloia, perto do Castro do Monte dos Castros (que, infelizmente, não tivemos tempo de visitar).

 

As suas margens estão salpicadas de moinhos

71.- Rota do Monte Aloia (668)

atravessando bosques,

72.- Rota do Monte Aloia (623)

com vegetação variada.

73.- Rota do Monte Aloia (671)

Fizemos este percurso, a partir de Frinxo, descendo.

 

A maior parte destes moinhos tê mais de 200 anos,

74.- Rota do Monte Aloia (647)

bem como uma ou outra casa, que fomos encontrando, - são casas-moinho.

75.- Rota do Monte Aloia (714)

Valeu a pena fazermos uma ou outra paragem - apesar da pressa e da horas tardia -, pois ainda tínhamos um percurso pedestre para fazer, para contemplarmos a beleza destes moinhos,

76.- Rota do Monte Aloia (710)

pelos quais correm águas cristalinas,

77.- Rota do Monte Aloia (684)

as suas pontes de madeira e passarelas

78.- Rota do Monte Aloia (627)

e as suas cascatas.

79.- Rota do Monte Aloia (662)

Na parte final do nosso troço («tramo») - início oficial do trilho dos Moinhos de Tripes -, existe esta curiosa varanda («balcón»). Nela, uma imagem.

80.- Rota do Monte Aloia (734)

Em frente a esta varanda, um moinho, casario, campos de cultivo, vinhedo e uma ponte.

81.- Rota do Monte Aloia (718)

(Perspetiva I)

82.- Rota do Monte Aloia (732)

(Perspetiva II)

Feito o troço («tramo») dos Moinhos de Tripes, há que regressar ao autocarro

83.- Rota do Monte Aloia (755)

para, conforme Mapa abaixo, sairmos do ponto 1 - Parque Natural do Monte Aloia - nos deslocarmos ao ponte 2 - O Rosal -, para, em final de dia, ainda fazermos um pequeno percurso de 4 Km, para visitarmos e contemplarmos um conjunto de moinhos espetaculares - os Moinhos do ribeiro O Folón e os Moinhos do ribeiro O Picón.

84.- Mapa das andainas Monte Aloia e Molinos O Folón e O Picón

O nosso percurso pelo Parque Natural do Monte Aloia foi de 17, 8 Km, conforme app do nosso S Health indica,

85.- IMG-20180619-WA0003

com uma velocidade e um desnível que o quadro abaixo exibe.

86.- IMG-20180619-WA0005

 


publicado por andanhos às 18:07
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (II)

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

00.-

 (Fonte:- https://spotlight.it-notes.ru/images/eaaeab9bfd03bb68bb9a1835b51b6882)


- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -


20.maio.2018

 

 

"Hoy el Monte Aloia es una sinfonía de color en las alturas
que cambia con cada estación:
el amarillo del tojo y la retama, el blanco de la jara, el lilaz del brezo...".

 

 


B.- TROÇOS («TRAMOS») DA PARTE DA MANHÃ

 

Os percursos pedestres, no Parque Natural Monte Aloia, na sua maior parte, partem da Casa do Engenheiro Rafael Areses Vidal ou Casa Forestal Enxeñeiro Areses, construída em 1921, atual Centro de Receção de Visitantes e Centro de Interpretación de la Naturaleza.

 

Oficialmente são conhecidos os seguintes:


* Trilho de Cabaciñas - Poza de Cabanas: uma pequena subida ao miradouro de Cabaciñas;
* Trilho dos Moinhos de Paredes: parte da Casa Florestal Eng. Rafael Areses, visitando o lugar de Paredes.
* Trilho do Rego da Pedra: atravessamento do sulco ou Rego de Pedra e pela «Senda» Botânica.
* Trilho do Castro Alto dos Cubos: vai desde Frinxo, subindo até às excavações do Castro.
* Trilho dos Moinhos de Tripes: percurso paralelo ao rio Tripes, visitando seus moinhos.
* «Senda» Botánica: em 400 metros, e mediante jogos, mostra-se a variedade da flora do Parque.
* PR-G1 Galiñeiro: desde este pico Galiñeiro (709 m) domina-se um extenso panorama do sul da província de Pontevedra.
* PR-G2 Aloia: bonito e fácil percurso que nos conduz, de norte a sul, pelas encostas da serra do Galiñeiro, finalizando no Monte Aloia ou de San Xiao (São Julião).

 

O Club de Sendeiristas de Monterrei, em colaboração com os amigos(as) caminheiros(as) do Club Deportivo AndaTui RegodaPedra, no passado dia 20 de maio, organizou um conjunto de troços («tramos») que nos permitiu, a pé, conhecer, na sua glabalidade, o essencial do Parque Natural Monte Aloia.

 

Neste sentido, vamos dar a conhecer aos nossos leitores - muito esquematicamente - o que foi o nosso percurso («andaina»), por troços («tramos») ao longo do Parque Natural Monte Aloia:

 

01.- Rota do Monte Aloia (4)

 

1.- Trilho dos moinhos de Paredes ou de O Deique

 

02.- Rota do Monte Aloia (6)

 Começámos o nosso percurso pedestre no Parque Natural do Monte Aloia seguindo este trilho, que se desenvolve por um conjunto de 7 moinhos,

03.- Rota do Monte Aloia (18)

 (Aspeto de um dos moinhos)

04.- Rota do Monte Aloia (28)

 (Aspeto de outro moinho)

ao longo do ribeiro O Deique, um afluente do rio Louro, que nasce no Monte Aloia,

05.- Rota do Monte Aloia (25)

correndo por entre uma abundante vegetação, em que primam, pela sua presença, estes fetos endémicos.

06.- Rota do Monte Aloia (16)

Mas com subidas de meter respeito!

07.- Rota do Monte Aloia (15)

 

2.- Dos moinhos de Paredes à capela de San Fins


Foi um percurso menos aliciante.

08.- Rota do Monte Aloia (53)

A vegetação era pouco apelativa para o nosso gosto. Neste troço, a vertente da exploração do monte, para fins vincadamente económicos, é bem patente, imperando, particularmente, as espécies como o eucalipto e o pinheiro bravo.

09.- Rota do Monte Aloia (64)

Seria de todo bem melhor continuarmos ao longo das margens de O Deique. Para o efeito, seria necessário o seu desmate e limpeza. Aqui fica uma sugestão.

 

Valeu, contudo, a boa disposição

10.- Rota do Monte Aloia (78)

e a camaradagem das gentes do Club de AndaTui,

11.- Rota do Monte Aloia (55)

bem assim, à chegada, por uma estrada local asfaltada,

12.- Rota do Monte Aloia (98)

o reencontro com o ribeiro de O Deique, com a sua água cristalina

13.- Rota do Monte Aloia (87)

e a zona de lazer, onde se encontra a capela de San Fins.

14.- Rota do Monte Aloia (114)

 

3.- Da capela de San Fins à Pedra do Acordo


Saindo da aprazível zona de lazer da capela de San Fins,

15.- Rota do Monte Aloia (121)

há que, atravessando a estrada local, saltar para o monte.

16.- Rota do Monte Aloia (125)

este troço foi mais aprazível, não só quanto ao esforço

17.- Rota do Monte Aloia (138)

como à paisagem envolvente, acompanhada de curiosas formações rochosas.

18.- Rota do Monte Aloia (151)

Num «tiro»,

19.- Rota do Monte Aloia (141)

fomos ter à Pedra do Acordo.

20.- Rota do Monte Aloia (158)

Nesta Pedra

21.- Rota do Monte Aloia (162)

se estabelecem os limites de 3 concelhos - Gondomar, Porriño e Tui - e de 5 paróquias - Malvas, Pazos de Reis, Rebordans, Morgadans e Chenlo. As informações que obtivemos dos amigos caminheiros de AndaTui apontavam para as seguintes paróquias: Rebordans, Malvas, Randufe, Pazos de Reis e San Xosé de Prado.

 

Esta Pedra, que parece insignificante, tem 10 séculos de história.

 

4.- Percurso dos Miradouros


4.1.- Miradouro Cabaciñas


Da Pedra do Acordo, o nosso percurso agora decorre pela zona dos miradouros. Decidiu-se não fazer todos os miradouros, mas apenas três, percorrendo um trilho a subir, no qual, para além de formações rochosos tão peculiares como esta,

22.- Rota do Monte Aloia (168)

à nossa direita, encontrávamos o pico mais alto da serra do Galiñeiro.

23.- Rota do Monte Aloia (177)

Até que, numa ligeira subida, vamos ao encontro do miradouro natural de Cabaciñas.

24.- Rota do Monte Aloia (188)

(Perspetiva I)

25.- Rota do Monte Aloia (208)

 (Perspetiva II)

Ao longe, o encontro de terras portuguesas e galegas, através da ponte internacional, tendo como fronteira natural o rio Minho.

26.- Rota do Monte Aloia (189)

À saída deste promomtório, uma figura granítica sui generis, aparentada com uns socos holandeses.

27.- Rota do Monte Aloia (226)


4.2.- Miradouro Eng. Areses


Em breve trecho, naproximámo-nos do Miradouro do Engenheiro Rafael Areses Vidal.

28.- Rota do Monte Aloia (265)

Gravada na enorme rocha que o suporta, esta citação:

 

"El arbol es la belleza en las cumbres,
Es la abundancia y la fertilidad en los valles,
Es pan y riqueza en las regiones"


                                                       Acervino

29.- Rota do Monte Aloia (248)

Eis o miradouro, trabalhado, artisticamente, em cimento.

30.- Rota do Monte Aloia (259)

E algumas das «belezas» do grupo aqui possando para a objetiva.

31.- Rota do Monte Aloia (254)

Deste miradouro, a panorâmica não é grande coisa. Possivelmente, a frondosa vegetação que o rodeia tirou-lhe as vistas.

32.- Rota do Monte Aloia (261)

 

4.3.- Miradouro Grande Cruz de Pedra

 

É o mais conhecido. Nele se encontra uma grande cruz, construída em 1900, para celebrar, naquele ano, o Ano Santo.

33.- Rota do Monte Aloia (302)

Daqui pode-se contemplar, numa ampla panorâmica, todo o vale do rio Minho.

34.- Panorâmica desde o Miradouro da Cruz - Monte Aloia

(Cenário I)

35.- Rota do Monte Aloia (350)

(Cenário II)

Antes de aqui chegarmos, temos de fazer a nossa via crucis,

36.- Rota do Monte Aloia (294)

ladeada de variado arvoredo.

37.- Rota do Monte Aloia (300)

E, como não podia deixar de ser, num lugar como destes, a fotografia da praxe do grupo.

38.- Rota do Monte Aloia (344)

À saída do miradouro, não faltaram as incrições, na pedra granítica, de exaltação à árvore.

39.- Rota do Monte Aloia (355)

E, à vinda para o Santuário/Ermida de San Xiao, de Nossa Senhora das Angústias e de San Fins, onde, numa das suas dependências, se realizou o nosso almoço, não deixámos de dar uma olhadela para a «cama de San Xiao».

40.- Rota do Monte Aloia (360)


5.- Santuário de San Xiao, San Fins e Nossa Senhora das Angústias


Este lugar é o mais conhecido e visitado no Parque Natural Monte Aloia. Não só por ser um recinto de peregrinação, festa e romaria , mas por ser também uma área recreativa, com apoio de serviços, nomeadamente, restaurante com café/bar.

41.- Rota do Monte Aloia (433)

Como já aludimos, é um Santuário/Ermida,simples, de origem românica, reconstruido no século XVIII, e no qual se veneram três santos: San Xiao (São Julião), a Virgem das Angúatias e San Fins.

42.- Rota do Monte Aloia (393)

Vejamos agora dois pormenores desta Ermida, como a sua fachada principal,

43.- Rota do Monte Aloia (401)

e, na mesma, lateralmente, um relógio de sol.

44.- Rota do Monte Aloia (408)

Nas suas proximidades, e nas imediações da área de serviços, umas largas e longas escadas levam-nos à Fonte do Santo (San Xiao) ou, como também é mais conhecida, a Fonte do Bispo.

45.- Rota do Monte Aloia (369)

Perante o porte de algumas das suas árvores neste lugar, algumas das nossas companheiras/caminheiras não resistiram em abraçá-las.

46.- Rota do Monte Aloia (377)

Foi numa das dependências do Santuário /Ermida que foi servido o nosso repasto.

47.- Rota do Monte Aloia (411)

No fim do mesmo, cantámos os parabéns ao companheiro/caminheiro Lucas que neste dia fazia anos.

48.- Rota do Monte Aloia (423)

Quantos? Não sabemos. Melhor, sabemos, mas não dizemos. A partir de certa altura, a idade já não conta. A experiência é que vale tudo. E, no nosso club, as funções de ecónomo e de amunuense é com ele. Não tem rival!

49.- Rota do Monte Aloia (418)


publicado por andanhos às 10:48
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