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andanhos

Memórias de um andarilho - Pequena caminhada entre Carva-Asnela-Carva (Concelho de Murça)

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PEQUENA CAMINHADA ENTRE CARVA-ASNELA-CARVA

 

(INDO AO ENCONTRO DE LUGARES DE MEMÓRIA, AFETOS E… TRISTEZA!)

 

 

01.- 2019.- Carva-Asnela-Carva (134)

Este ano foi, para nós, parco em saídas e caminhadas pela Natureza. Apenas pequenas passeatas, de pouca monta, e uma repetição do Caminho de Santiago – o Epílogo. Circunstâncias, que não vêm aqui ao caso, impediram-nos de fazermos aquilo que mais gostamos: caminhar, apreciar a Natureza e captar todos os momentos do caminhar com a nossa objetiva.

 

Com Florens, o nosso inseparável companheiro nestas lides, aconteceu o mesmo. Possivelmente pelas mesmas circunstâncias, pelo seu horário laboral, bem assim outras contrariedades em que a vida, às vezes, nos prega e sacode.

 

Mas Florens, mais que nós, é um inveterado amante da Natureza. Por ele, vivia, tal qualmente, em pleno monte ou floresta, usando simplesmente uma simples e cómoda cabana. Aí, julgamos, é que se sente feliz, quiçá, realizado

 

No mês passado, juntamente com o seu amigo Achim, convidou-nos para visitarmos uma aldeia, lugar cheio de memórias familiares e rica em afetos – Carva, aldeia do concelho de Murça.

 

E desafiou-nos para, percorrendo menos de 4 Km, irmos visitar uma outra aldeia, pertencente à mesma freguesia de Vilares – Asnela, uma localidade prestes a ficar sem gente.

 

Iniciámos o caminho e nele nos cruzámos com um pequeno rebanho de ovelhas. Aqui fica uma delas.

2019.- Carva-Asnela-Carva (1)

Apreciámos as macieiras de montanha, carregadas de fruto

2019.- Carva-Asnela-Carva (6)

e, saindo da aldeia, embrenhámo-nos pelo campo dentro.

 

Ora aqui nos aparece um pequeno castanheiro isolado;

2019.- Carva-Asnela-Carva (7)

Ao, mais na linha do horizonte, em verdadeiro esplendor, as árvores exibindo as suas cores outonais.

2019.- Carva-Asnela-Carva (9)

Fizemos uma pequena pausa num souto da família cujas pragas não o deixam medrar.

2019.- Carva-Asnela-Carva (13)

Vingam, contudo, nesta época do ano, os cogumelos, de todas as espécies, como este boleto.

2019.- Carva-Asnela-Carva (17)

e este, já velho, – o cantarelos (Cantharellus cibarius) ou frade ou gasalho (Macrolepiota procera)?

2019.- Carva-Asnela-Carva (18)

Saindo do jovem souto, e voltando ao caminho, ao longe, vislumbrámos o carvalhal (Quercus rubra), a joia da coroa de Florens.

2019.- Carva-Asnela-Carva (22)

Desviámo-nos do caminho para, mais in loco, o conhecer

2019.- Carva-Asnela-Carva (27)

e percorrer,

2019.- Carva-Asnela-Carva (30)

apreciando-o melhor.

2019.- Carva-Asnela-Carva (33)

No seu chão, no seu manto de folhas, a linda – mas traiçoeira – Amanita muscaris.

2019.- Carva-Asnela-Carva (44)

Achim, aqui e ali, vai olhando para trás à procura de mais espécies de cogumelos, enquanto Florens se faz para a fotografia.

2019.- Carva-Asnela-Carva (50)

E, saindo do pequeno bosque de carvalhos, prosseguimos caminho.

2019.- Carva-Asnela-Carva (61)

Lentamente fomos deixando para trás o carvalhal, junto a um riacho, aconchegado pelo pequeno monte que o protege.

2019.- Carva-Asnela-Carva (63)

Começámos agora a subir para Asnela e, por entre giestas, inesperadamente, aparece-nos uma vaca solitária em remansoso sossego e descanso,

2019.- Carva-Asnela-Carva (68)

vendo bem a cena, reparámos que estava acompanhada de mais duas companheiras.

 

Para nós e para Achim, a pequena subida, que começávamos a enfrentar, já requeria outros vagares, enquanto Florens, conversando sobre o tema da sua eleição – as nossas árvores autóctones – vai observando, folgadamente, o nosso esforçado ritmo.

2019.- Carva-Asnela-Carva (70)

Quase no cimo da subida, uma olhadela para trás mostra-nos o vale de Carva e o colorido das árvores em época outonal.

2019.- Carva-Asnela-Carva (76)

Entretanto, Florens, à frente, vai marcando o ritmo, que sabe ter de ser lento, face à companhia de dois septuagenários!

2019.- Carva-Asnela-Carva (77)

Florens, a determinada altura, refere-nos que, há uns anos, poucos, ficou encantado com o carvalhal (Quercus pirenaica) que confina com o caminho que percorríamos, agora um estradão, que há bem pouco o fizeram, por via dos incêndios.

2019.- Carva-Asnela-Carva (79)

Entrámos dentro do carvalhal murado. Impossível penetrar, porque verdadeiramente a monte! Florens ficou desanimado com o que via – o terreno dos seus sonhos, onde gostaria de ali ter uma cabana para habitar, transformado num verdadeiro matagal!

 

Apenas se aproveitou um pequeno lameiro, onde se reconhecia as patadas do javali e todo pejado com flores de crocus (açafrão selvagem).

2019.- Carva-Asnela-Carva (85)

Repare-se nesta singela flor.

2019.- Carva-Asnela-Carva (85a)

Ao fundo do lameiro, dois castanheiros: um, viçoso; outro, desfalecido, quase moribundo pela maldita doença.

2019.- Carva-Asnela-Carva (86)

Chamou-nos a atenção  esta bétula, que não resistimos em lhe captar a sua silhueta.

2019.- Carva-Asnela-Carva (89)

Num último, derradeiro esforço da subida, eis que se nos desponta os telhados do casario de Asnela – que Achim persistia em lhe chamar, na sua pronuncia arrascanhada, em que se denotava a sua língua mãe – o alemão – Asneira.

2019.- Carva-Asnela-Carva (91)

Ultrapassado este castanheiro à beira do caminho,

2019.- Carva-Asnela-Carva (93)

com os ouriços e as suas castanhas bem pequenas,

2019.- Carva-Asnela-Carva (95)

e desfeita a curva, entrávamos na aldeia de Asnela.

2019.- Carva-Asnela-Carva (99)

Dizia, a 4 de dezembro de 2012, o autor do blogue «O Rouxinol de Pomares», quando dá início ao seu post sobre Asnela, aldeia da União de freguesias de Carva e Vilares, do concelho de Murça:

Muitos procuram roteiros turísticos que vêem nas revistas da especialidade, procuram aldeias ou vilas que foram "produzidas" para turista ver, eu também gosto de as ver, geralmente são agradáveis à vista, mas a minha preferência vai para o real, para o Portugal profundo, onde o turista ainda não chegou e para onde o poder politico tarda em olhar. A minha preferência vai para as ruas que me ‘contam’ a estória do esforço humano, e onde os sulcos dos rodados dos carros de bois atestam que em tempos a atividade humana foi intensa...”.

2019.- Carva-Asnela-Carva (99a)

Mais à frente, o autor afirma que “há muito os seus naturais foram procurando melhores condições de vida noutras paragens...mas à chegada à aldeia os cães deram o alerta, e poucos segundos depois estavam perto...perceberam que sou um amigo...”.

 

Mas, connosco, não aconteceu o mesmo!...

2019.- Carva-Asnela-Carva (100)

Positivamente, a única coisa que nos pareceu manter-se viva é natureza. E uma ou outra casa  - não mais de três ou quatro –

2019.- Carva-Asnela-Carva (100a)

(Perspetiva I)

2019.- Carva-Asnela-Carva (100b)

(Perspetiva II)

que, muito possivelmente, postas à venda, foram sendo, ou recuperadas por um impenitente saudosista da terra ou pelos novos ermitas do século XXI.

2019.- Carva-Asnela-Carva (100c)

(Casa I)

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(Casa II)

Tudo o resto, é puro abandono. E tudo à venda,

2019.- Carva-Asnela-Carva (100e)

estas autênticas ruínas…

2019.- Carva-Asnela-Carva (101)

(Ruina I)

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(Ruina II)

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(Ruina III)

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Ruina IV)

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(Ruina V)

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(Ruina VI)

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(Ruina VII)

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(Ruina VIII)

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(Ruina IX)

que Achim

2019.- Carva-Asnela-Carva (102)

e Flrorens vão observando e fotografando.

2019.- Carva-Asnela-Carva (115)

Olhando para estas ruínas, há quem teime em vender a preços bem exagerados! Cuidamos nós…

 

Veja-se, nomeadamente, o sítio da web do Idealista. A especulação também chega a estas bandas. Não se pensa em estratégia de desenvolvimento para estes territórios nas periferias da periferia! Nem proprietários, associando-se, nem autarcas, nem o os sucessivos governos. Territórios de baixa intensidade demográfica não dão votos!... Infelizmente.

 

Antes, na verdade, era a agricultura de subsistência que prevalecia.

2019.- Carva-Asnela-Carva (116)

Hoje, e no dia em que no passado mês por lá passámos, apenas vislumbrámos  uma equipa de três operários, recuperando e arranjando uma casa e um habitante e a sua esposa, que teima aqui em fazer vida e viver.

 

Estes dois habitantes pensamos serem os mesmos que, em 23 de novembro de 2017, foram entrevistados pelo jornal Voz de Trás-os-Montes.

 

Vejamos o que o senhor Herculano Rainho diz àquele jornal:

Nestes últimos 30 anos, o despovoamento tem sido cada vez maior. Quando vim para aqui, ainda haviam nove crianças na escola e hoje não há nenhuma”.

 

Diz o senhor Herculano que “escolheu Asnela para passar os dias enquanto reformado, depois de ter estado em Lisboa muitos anos a trabalhar. (…) No entanto, conta-nos que ‘esta realidade não se passa apenas em Asnela, mas também por toda a região transmontana’, pelo que acredita que ‘só vive bem nas aldeias quem tem boas reformas ou uma vida feita, pois para os jovens não há razões para ficar’.

 

Herculano Rainho conseguiu ser um empresário de sucesso, recorrendo aos recursos da aldeia. Teve a seu cargo 40 vacas de leite que lhe permitiram exportar, durante vários anos, leite para a vizinha Espanha. Contudo, com a crise financeira que abalou Portugal e com o agravamento do custo de vida, Herculano foi obrigado a desistir.

 

‘Desisti há sete ou oito anos de exportar leite porque caímos no zero. Não havia maneira de sobreviver com o preço que pagavam pela carne e pelo leite. Por isso, reformei-me e por aqui vivo, ainda que continue a ter gado’, conta-nos.

 

Já Maria Lurdes refere que não se sente isolada nem aborrecida pela falta de mais vizinhos, pois o carro permite com que vá a ‘todo lado’.

 

‘Quando temos bons carros, vamos onde queremos. Vou muitas vezes a Vila Real e ao Porto e quando necessitamos de ir às compras, vamos sem nenhuma dificuldade’.

 

Maria Lurdes, com os seus filhos em Lisboa, revela que não passa muito tempo sozinha porque vai, muitas vezes, para junto deles passar o Natal ou mesmo até o inverno, de forma a fugir do frio. Por vezes, passa também o Natal na Alemanha, onde estão emigrados os filhos (…)”.

 

Mas, para sermos mais precisos, quanto a habitantes, atentemo-nos no que, no dia 27 de novembro do mesmo ano de 2017 - ano de eleições autárquicas -, já se vê, Olímpia Mairos, jornalista da Rádio Renascença, no «País das Freguesias», nos diz:

A aldeia rural de Asnela, situada no coração de Trás-os-Montes, pertence à União de Freguesias de Carva e Vilares, concelho de Murça. Quase toda construída em granito, oferece a quem a visita uma beleza rural estrondosa.

2019.- Carva-Asnela-Carva (117)

Mas a emigração e a imigração encarregaram-se da sua desertificação. Há 50 anos, a aldeia tinha 250 pessoas. Atualmente, são seis os habitantes. O mais novo tem 70 anos e o mais velho 88 anos.

 

Maria de Lurdes tem 72 anos e gosta ‘muito’ da aldeia. ‘Nasci cá, vivi cá… e agora, morrer… não sei onde vou morrer’, diz com um sorriso bem disposto.

 

‘Já fui três vezes à Alemanha e já fui a Lisboa, umas quatro ou cinco vezes’, conta. ‘Já lá estive três meses a viver com o meu marido. O meu marido adoeceu e estivemos lá até que ele melhorou e, depois, viemos embora’.

 

Em Asnela encontramos apenas três ou quatro casas habitadas, com construção recente, no enquadramento das já existentes mas em ruínas.

 

Quantos são? - perguntámos. ‘Quantos somos? Não tem conta! [risos, muitos risos…] Nem tem conta’, repete, ‘quantos somos! No mês de Agosto há aí muita gente. Agora foram governar a vida deles. Mas, depois, no mês de Agosto voltam’.

 

Na pequena aldeia não há padaria, café ou supermercado. Quando precisa de alguma coisa, Maria de Lurdes abastece-se no ‘merceeiro’, que todas as quintas-feiras se desloca a esta povoação ou vai a Murça e traz o que lhe faz falta”. Prática comum a muitas centenas de aldeias por este nosso Trás-os-Montes profundo.

 

O autor de «Fotografias com História», resume-nos o que em Asnela, bem assim por muitas centenas de aldeias deste Portugal profundo e esquecido se passa:

“(…) vive, assim, uma dura realidade causada por diversos fatores, sobretudo pela falta de oportunidade para os mais jovens, levando-os a emigrar desde muito cedo. O envelhecimento, a desertificação e o isolamento são problemas com os quais estas aldeias têm lidado nos últimos anos. De acordo com os Censos Sénior 2017, realizados pela Guarda Nacional Republicana (GNR), quase 5 mil idosos vivem sozinhos na região transmontana e mais de 100 estão completamente isolados”.

 

Demos uma volta à pequena aldeia, com um grande largo, onde, num dos seus lados se encontra a singela capela.

2019.- Carva-Asnela-Carva (119)

Sentámo-nos no parapeito de um dos muros que a limitam, a comermos umas bolachas, a rilhar meia dúzia de castanhas, que fomos encontrando pelo caminho e a hidratarmo-nos e, quando lhe tirámos uma foto, a fazerem momices.

2019.- Carva-Asnela-Carva (119a)

Saímos da capelinha, pela rua de baixo do povo, fomos ao

2019.- Carva-Asnela-Carva (120)

encontro da fonte de mergulho da aldeia,

2019.- Carva-Asnela-Carva (121)

Enquanto, numa cortinha ao lado, dois burrinho aguardavam um «carinho» nosso.

2019.- Carva-Asnela-Carva (126)

O tanque do povo aqui lá como «relíquia» e testemunho de um passado que já não volto: por serem outros tempos e por falta de gentes.

2019.- Carva-Asnela-Carva (127)

Enquanto, descendo a rua da capela nos dirigíamos para o caminho de volta,

2019.- Carva-Asnela-Carva (128)

despedíamo-nos deste velhinho castanheiro da aldeia, à falta de pessoas para o fazer.

2019.- Carva-Asnela-Carva (140)

Numa curva do caminho de volta, o que julgamos ser o senhor Herculano, no seu tratar, devagarinho, lá vai levando as suas três vaquinhas, que à ida nos surpreenderam, entre giestas, para a sua coorte.

2019.- Carva-Asnela-Carva (173)

No regresso, o pé foi mais ligeiro, deixando apenas aqui, e mais uma vez, uma perspetiva do bonito recanto do tão estimado carvalhal do nosso companheiro Florens.

2019.- Carva-Asnela-Carva (184)

À chegada a Carva, este pequeno recanto com um singelo castanheiro e um campinho de nabiças. Duas coisas que bem nos apetecia comer.

2019.- Carva-Asnela-Carva (187)

Não comemos as nabiças, mas, em casa da prima do Florens, tínhamos sobre a mesa um lauto lanche, onde, nesta época, as castanhas não faltaram.

 

Os transmontanos são assim…

Memórias de um andarilho - Caminhada pelas Termas de Ourense - Capital Termal da Galiza

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADA PELAS TERMAS DE OURENSE – CAPITAL TERMAL DA GALIZA

 

 

Já lá vão mais de 9 anos! Foi em 24 de abril. E os adolescentes que, em 2012 me acompanharam nesta caminhada de cerca de 5 Km – Edu e Tonho – hoje já são dois homens feitos!

 

Descrevamos sumariamente a pequena caminhada, atendendo mais ao encanto e beleza do que encontrámos por aqueles escassos cinco quilómetros, paralelos ao rio Minho.

 

Partimos das proximidades da Ponte Milenuium,

02.-  2012 - Ourense 02 197

seguindo a rota cujo mapa, que se mostra, nos indica.

03.- ruta-termal-en-ourense

Saindo debaixo do trilho da ponte, subimos até à rotunda. A perspetiva da Ponte Milenium, com o casario da cidade de Ourense, é deveras bonita.

04.- 2012 - Ourense 02 261

Na rotunda, com um interessante arranjo escultórico em ferro,

05.-  2012 - Ourense 02 249

Deparámos com esta bonita escultura – «Príamo e Tisbe – Amor da Juventude».

06.- 2012 - Ourense 02 256

Voltando ao trilho, iniciámos aqui verdadeiramente o trilho das Termas de Ourense, mesmo junto a esta obra de Acisclo Manzano - «Os Maios».

01.- 2012 - Ourense 02 264

E, logo de imediato, aparece-nos as primeiras Termas e Pozas da Chavasqueira.

07.- 2012 - Ourense 02 269

Aqui, em frente do rio Minho, mais uma obra de arte, em bronze fundido, também de Acisclo Manzano - «A Vénus do Minho», recebendo em seu regaço um casal.

08.- 2012 - Ourense 02 271

Prosseguindo sempre em caminho plano,

09.-  2012 - Ourense 02 279

não largando as margens do rio Minho, onde os corvos marinhos também tomam sol em cima de penedos,

10.- 2012 - Ourense 02 287

chegámos à Fonte do Tinteiro.

11.- 2012 - Ourense 02 288

(Perspetiva I)

12.- 2012 - Ourense 02 290

(Perspetiva II)

O rio Minho neste lugar encanta-nos com a sua água e a sua vegetação ripícola.

13.-  2012 - Ourense 02 301

Como se vê, o trilho está bem tratado, convidando os jovens a agradáveis passeios de bicicleta.

14.- 2012 - Ourense 02 296

Quase sem darmos conta, apreciando a paisagem do nosso entorno, falando da beleza desta paisagem, estávamos nas Termas ou Pozas do Moiño da Vega.

15.- 2012 - Ourense 02 306

Estas foram as que mais nos encantaram.

16.- 2012 - Ourense 02 310

Vale a pena fazer aqui uma ligeira paragem e apreciarmos bem o lugar.

17.- 2012 - Ourense 02 314

Estas termas fazem justiça ao seu lindo moinho que, por isso, lhe dá o nome.

18.- 2012 - Ourense 02 316

(Perspetiva I)

19.- 2012 - Ourense 02 321

(Perspetiva II)

Prosseguindo a nossa pequena caminhada, logo logo passávamos nas Termas de Outariz, no complexo termal,

20.- 2012 - Ourense 02 324

E seguindo caminho

21.- 2012 - Ourense 02 335

 até às Pozas de Outariz que tem nas suas proximidades a designada «passarela» de Outariz, que outra coisa não é senão uma ponte pedonal, facilitando a passagem para a outra margem do Minho.

22.- 2012 - Ourense 02 340

Aqui fizemos, nas Pozas de Outariz, uma longa pausa e fomos até uma das «pozas»,

23.- 2012 - Ourense 02 348

Tomando um banho e experimentar as suas águas «calientes».

24.- 2012 - Ourense 02 341

No relvado contíguo, descansámos um pouco e tomámos sol.

25.- 2012 - Ourense 02 343

Restabelecidos das forças pelo banho, junto à «passarela», fomos apreciar o rio Minho.

26.- 2012 - Ourense 02 349

Mas as termas ou «pozas» de Ourense não acabam aqui. Percorridos meia dúzia de metros, por debaixo da «passarela», temos as Termas do Canedo.

27.- 2012 - Ourense 02 354

(Perspetiva I)

28.- 2012 - Ourense 02 353

(Perspetiva II)

Despedindo-nos da «passarela» de Outariz,

29.- 2012 - Ourense 02 360

fomos até à para até à paragem do comboio turístico que, daqui, vão até ao centro da cidade de Ourense, mais propriamente até à sua Praça Maior.

 

Como se vê, o trilho é espetacular

30.- 2012 - Ourense 02 368

e, enquanto refastelados nos macios assentos do comboio turístico, dávamos mais uma olhadela para as «Pozas» ou Termas do Moiño da Vega,

31.- 2012 - Ourense 02 373

apreciávamos os parques-merendeiros bem tratados e asseados.

32.- 2012 - Ourense 02 378

Sem darmos por ela, encontrávamo-nos no cruzamento das Termas com as «Pozas» da Chavasqueira.

33.- 2012 - Ourense 02 382

O pessoal continuava na relva, tomando banhos de sol primaveril,

34.- 2012 - Ourense 02 386

Enquanto outros, na «poza», tomavam banho.

35.- 2012 - Ourense 02 388

Desta vez,  «A Vénus do Minho» estava esperando que alguém se fosse encostar no seu regaço.

36.- 2012 - Ourense 02 387

Passámos ao lado das Termas,

37.- 2012 - Ourense 02 389

ultrapassámos a escultura «Os Maios» e fomos ao encontro da Ponte Milenium, passando, uma vez mais por debaixo dela.

38.- 2012 - Ourense 02 396

(Perspetiva I)

39.- 2012 - Ourense 02 397

(Perspetiva II)

No rio Minho exibiam-se aos passantes duas lindas gaivotas brancas.

40.- 2012 - Ourense 02 400

E, neste percurso, não podia deixar de se exibir a célebre Ponte Vella, a românica.

41.- 2012 - Ourense 02 402

(Perspetiva I)

42.- 2012 - Ourense 02 413

(Perspetiva II)

Ao passarmos pelo Parque da Ribeira do Canedo,

43.- 2012 - Ourense 02 411

vislumbrámos, em primeiro plano, a Ponte Nova.

44.- 2012 - Ourense 02 414

E, passando ao lado do Parque Minho,

45.- 245.- 012 - Ourense 02 426

não nos ficou desapercebida a escultura do «Homem em pé»,

46.- 2012 - Ourense 02 424

um pombal, no meio do seu relvado, visto ao longe,

47.- 2012 - Ourense 02 431

e, fazendo um pouco de zoom à objetiva, aproximando-o de nós.

48.- 2012 - Ourense 02 435

Num pequeno lago, minúscula,

49.- 2012 - Ourense 02 437

a escultura, em bronze fundido, da «Sereia aleitando um filho».

50.- 2012 - Ourense 02 436

Do Parque Minho, mais uma perspetiva da Ponte Nova.

51.- 2012 - Ourense 02 443

Em pouco tempo chegávamos ao nosso destino – a Praça Maior, de Ourense, onde impera a sua Casa do Concello ou, como nós em Portugal dizemos, edifício da Câmara Municipal.

52.- 2012 - Ourense 02 590

O périplo das Termas de Ourense não ficaria completo se não fossemos as célebres Burgas (Fontes Romanas),

53.- 2012 - Ourense 02 544

onde aqui é bem visível a passagem dos romanos, nestas duas «aras».

54.- 2012 - Ourense 02 545

E o nosso passeio termal acabou aqui.

 

Deixamos agora aos(às) nossos(as) leitores(as) uma perspetiva ou vista das pontes da cidade de Ourense.

55.- 2012 - Ourense 02 668

 

Memórias de um andarilho - «Ruta del albariño de interior»

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

«RUTA DEL ALBARIÑO DE INTERIOR»

 

01.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (101)

Já há muito tempo que o amigo Pablo nos convidou para darmos uma passeata pela vinha situada na localidade onde mora.

 

A ocasião propiciou-se na passada sexta-feira.

 

O dia, a partir do meio da manhã, apresentava-se solarengo. Por isso, madruguei um pouco, em relação à hora aprazada para aparecer em sua casa para a dita passeata pela vinha.

 

E aproveitámos o tempo para dar uma saltadela até Sotochao, na Galiza, pertinho de Segirei, concelho de Chaves, bem assim da célebre «rota do contrabando» e da cascata de Cidadelhe.

 

Foi a primeira vez que fomos a Sotochao, apesar de, por várias vezes, andarmos por estas bandas a pé e de carro.

 

Trata-se de uma aldeia pequena. A sua fama vem-lhe pela quantidade de soutos que tem, pelos seus castanheiros anciãos e, naturalmente, pela produção de castanha. Castanha essa que já foi mais a riqueza desta pequena localidade. Hoje, segundo nos dizem, já pouco cuidam dos castanheiros e a castanha que há – pois apanhá-la custo já caro – é mais alimento dos animais, principalmente dos javalis, que dos humanos.

 

Um habitante com quem nos cruzámos e nos pusemos à conversa, queixa-se disso mesmo: hoje cuidam pouco dos soutos. E particularmente de um castanheiro, que nos indicou, afiançando-nos ser milenar, mas cujo seu rendeiro, pouco cuida em no tratar!

 

Alguns, também velhos, são autênticos fantasmas dentro do espaço da aldeia-souto.

 

Vejamos dois deles, que mais nos despertaram a atenção:

02.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (2)

Atentamo-nos, mais em pormenor,  ao que está em primeiro plano;

03.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (1)

e, depois, o que está em segundo plano.

04.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (3)

Observe-se este colosso defunto.

05.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (22)

Subimos para mais próximo do verdadeiro souto.

 

Enquanto fotografávamos este ancião,

06.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (11)

apanhámos do chão duas ou três castanhas, por ali espalhadas, já fora dos ouriços, e fomos rilhando-as. Saborosas, de verdade!

 

Chegado a casa de Pablo Serrano, aceitámos o café que Délia, sua esposa, nos ofereceu.

 

E, aperaltados para a dita caminhada pela vinha, com um bonito sol a raiar, daqueles a que estamos habituados como sendo do «verão de S. Martinho» , atravessámos a estrada, que vai para Vilardevós, e embrenhámo-nos por entre monte e soutos, ao encontro da célebre vinha.

 

Délia acompanhou-nos. E, logo no início do percurso, dá com um «boleto».

07.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (63)

Pega nele da terra e diz-nos que, por aquelas bandas, lhe dão o nome de «boleto de cabra». Prosseguimos caminho, não questionando a razão de tal nome…

 

Na berma do caminho por onde passávamos, aqui e ali, «crocus» ou flor de açafrão selvagem.

08.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (62a)

A páginas tantas, postado num souto, encostado à sachola, esta figura típica da terra – o tio Cassiano.

09.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (55)

Pelo que soubemos, apesar da sua inexistente «instrução primária», Cassiano é um verdadeiro livro aberto sobre todas as coisas da localidade e de tudo quanto nela se passa. Figura típica e fina. Se se tivesse iniciado na leitura e na escrita, iria longe este tio Cassiano!...

 

Para além de ser imbatível nas novidades da pequena aldeia, é um verdadeiro campeão, nesta época, na apanha dos «boletos». Tio Cassiano faz uma boa maquia com esta apanha. Quase se diria que não é ele que os encontra, são os «boletos» que vêm até esta figura simpática e afável.

10.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (57)

Deixámos o tio Cassiano nas suas lides e prosseguimos caminho rumo a tal dita cuja vinha.

 

Estávamos nós convencido de que a passeada que estávamos fazendo era ao longo da vinha do nosso amigo Pablo. Depressa, por ele, fomos devidamente informado que não!

 

Manifestamente, adiantou-nos Pablo, trata-se de uma vinha com mais de 200 hectares, implantada em terrenos que eram montes vicinais – por cá, chamar-lhe-íamos «baldios» - e que na sua conceção, construção e manutenção, usa a mais sofisticada tecnologia e engenharia.

 

É uma área a perder de vista,

11.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (117)

de uma só casta – o alvarinho.

12.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (125)

Com a sua graça habitual, Pablo diz-nos que estamos fazendo a «ruta del albariño de interior».

13.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (92)

E assim, acabámos por intitular este post – RUTA DEL ALBARIÑO DE INTERIOR.

 

Na verdade, ficámos deveras admirado com o que víamos… Uma vinha – na localidade de Bustelo, Vilardevós – usando da melhor e sofisticada tecnologia no que concerne ao tratamento e controlo do solo, humidade e casta de uva alvarinho. Toda ela com sistema de rega, a partir de dois enormes reservatórios de água,

2019.- Vinha de Bustelo (Vilardevós-Ourense)-GOPRO (11)

proveniente da captação, por furos.

14.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (85)

Na imensidão da casta de alvarinho, 6 hectares são da casta autóctone, – «Mencía» –, tinta, comumente associada aos vinhos tintos de Bierzo, do noroeste peninsular, e que não pertence ao mesmo proprietário dos 200 hectares de alvarinho, dizem-nos Délia e Pablo.

15.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (99)

E Pablo acrescentava que, muito provavelmente, este ano, a produção da uva alvarinho deveria ter alcançado os 3 milhões de quilos.

 

Mas, se os mais de 200 hectares de vinha nos impressionava e nossa vista não podia alcançar por inteiro, mais impressionado ficámos com a quantidade de frades ou rocas

16.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (84)

que íamos encontrando ao longo do nosso percurso: quer pelos largos caminhos que atravessavam a vinha,

17.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (107)

(Panorama I)

18.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (116)

(Panorama II)

quer pelos caminhos que a ladeavam.

19.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (144)

Pablo, orgulhoso pelo passeio que nos estava proporcionando, quis posar para a objetiva com uma roca ou frade - entre outros nomes que esta «Lepiotaceae» tem.

20.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (154)

A não ser a roca que Pablo pegou para posar, não apanhámos nenhum. Deixámo-los na natureza, grandes e pequenos.

21.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (120)

Este ano, por todo o lado, foi uma «epidemia» de rocas ou frades. Mas aqui eram demais!

 

Quando dois terços do nosso trilho estava percorrido, somos apanhados por uma «tormenta» de chuva. Ficámos num «pito»! Mas sempre andando.

 

A certa altura, perante o inesperado desta surpresa – quando nada o previa, Pablo, em tom de desabafo, queixava-se, dizendo: «es o cambio climático!».

 

Já muito perto da casa de Délia e Pablo, na borda do caminho por onde passávamos, ao lado de carvalhos (quercus pirenaica) e souto, eis que nos aparece a bonita – mas traiçoeira - «Amanita muscaris»

22.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (191)

Foram as espécies mais bonitas que, neste outono, conseguimos fotografar!

23.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (213)

(Conjunto I)

24.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (216)

(Conjunto II)

25.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (217)

(Conjunto III)

26.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) (210)

(Conjunto IV)

Tendo parado de chover, 20 minutos antes de chegarmos a casa, estávamos enxutos.

 

A chuva fez-nos encurtar o nosso passeio em cerca de 3 Km. Não percorremos, portanto, todo o perímetro da célebre vinha do «alvarinho de interior».

 

Pelo nosso Wikiloc, percorremos 7,32 Km.

27.- 26.- 2019.- Castaños de Soutochao+viña del albariño interior (Bustelo) - Wikiloc

P.S. - Acabámos de ler, em La Voz de Galicia,  o seguinte «lead»: «Martín Códax se apunta a los orange wine e saca su primer albariño sin D.O.». Será que este vinho e as 926 garrafas que vão ser postas à venda na web,

A08N9032

a 63€ cada, serão desta vinha de Bustelo-Vilardevós?

 

Palpita-nos que seja.

Palavras soltas... Como viver uma vida plenamente vivida no mundo em que vivemos?

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

COMO VIVER UMA VIDA PLENAMENTE VIVIDA NO MUNDO EM QUE VIVEMOS?

 

 

 

 

Hoje, na tradição católica, é Dia de Fiéis Defuntos.

 

Já há alguns meses, tio nona, nos enviou um pequeno texto, com algumas reflexões, para inserirmos na rubrica deste blogue «Palavras Soltas…»

 

Mas não as publicamos!...

 

Desde 16 de março passado, este blogue não registou qualquer atividade.

 

Os nossos(as) leitores(as) mais próximos(as) sabem, ou deduzem, a razão de tal circunstância se ter passado e até do facto  daquela nossa “entrada” no «Versejando com Imagem», no «O outro pé da sereia».

 

Foram alguns «outonos» que por nós passaram e nos deixaram física e mentalmente mais debilitado, verdadeiros vendavais que, por muito seguidos, nos deixaram muito aturdido.

 

E se nos perguntarem porque hoje estamos aqui, em boa verdade, não lhes saberei bem responder.

 

Talvez dois poemas, que não resisto em aqui  vos reproduzir: um, escrito por um nosso bom amigo, por ocasião do passamento de uma nossa colega que, a ele, particularmente, lhe era muito querida; o outro, “ditado” pela pessoa a quem mais devemos na vida, e que nos foi – e continuará a ser – muito querida e amada.

 

Eis o primeiro:

 

 

 

Um Brunheiro de dor

 

 

Arde o Brunheiro!

Arde sem fumo,

sem fogo que é fogo.

Arde nas suas entranhas

um ardor que é dor

que queima sem brasas.

A borboleta-colibri do teu jardim

bate as asas.

Não foge do fogo,

que não há.

Mas sente... ou pressente

que o Brunheiro está triste,

que a saudade é saudade sem fim,

que a morte existe.

E enquanto o Brunheiro arde

cai a noite, que é tarde,

e a colibri, mariposa,

não larga aquela flor.

Bate as asas,

em movimentos de dor,

em redor, sempre em redor

da flor...que é rosa.

 

 

 

Gastão Bianchi

Chaves, 05 Maio 2019

 

Rosas e mariposa

O segundo:

 

Não choreis!

 

Podeis chorar porque parti

ou podeis sorrir porque vivi.

 

Podeis fechar os olhos e rezar para que volte,

ou podeis abri-los e ver tudo quanto vos disse e deixei;

 

Vosso coração pode estar vazio porque já não me podereis ver

ou  podeis estar cheios de amor por tudo quanto comigo partilhastes.

 

Podeis chorar, fechar a vossa mente, sentir o vazio e virar as costas a tudo,

ou podeis fazer o que eu mais gostava de fazer:

- Sorrir, abrir os olhos, amar e seguir na vida que nos foi dada por Deus viver.

 

***

 

Agora, as reflexões de tio nona, apaixonado leitor da obra de Carlo Strenger, «O medo da insignificância – Como dar sentido às nossas vidas no Século XXI».

 

***

 

Para quem o homem é o único animal que sabe que o tempo é limitado,  a tese central sobre a qual se debruça a psicologia existencial parte da seguinte interrogação: será que eu vivo uma vida que vale a pena ser vivida?

 

A consciência da finitude está no centro da existência humana. E é uma das características dominantes da nossa vida.

 

O terror instintivo da morte, contra o qual todos temos de nos defender, requer a defesa de uma visão do mundo. E visões de mundo vamos encontrar ao longo da existência da humanidade, pelas mais diversas formas.

 

***

 

Lucrécio, em  De Rerum Natura, defende exaustivamente que o medo da morte é irracional.

 

Num argumento célebre, que se destacou ao longo da História da Filosofia, Lucrécio afirma: “a morte não me acontece a mim, porque, quando eu estiver morto, nada me pode acontecer, já que não existo. Portanto, o medo da morte é irracional”.

 

Tal postura é também defendida por Epicuro e seus discípulos.

 

***

 

A estrutura básica do nosso eu é, entre outros fatores, determinada pela cultura em que nascemos. Contudo, no mundo em que vivemos, porque temos acesso a diferentes paradigmas culturais, podemos até chegar ao ponto de escolhermos a cultura que será a central nas nossas vidas.

 

Mas, tal facto, não significa que a nossa cultura desapareça ou que deixe de ter um papel.

 

Ora, é considerando a tensão entre a facticidade do nosso nascimento e o desejo que vamos desenvolvendo de transformar as nossas vidas numa criação nossa, de integrar paradigmas que encontramos, e com os quais sentimos alguma afinidade, que podemos viver a nossa vida plenamente.

 

Contudo, o que vemos à nossa volta?

 

***

 

Cada visão do mundo e cada sistema cultural afirmam que se revestem de importância única em relação aos demais!...

 

Por isso, no nosso entendimento, defender uma visão de mundo, ou mesmo argumentar a seu favor, torna-se uma tarefa de algum modo complicada, nos tempos que correm.

 

Na verdade, não deveriam todas as visões de mundo ser iguais?

 

Quando se atacam os sistemas de crenças, as pessoas, inevitavelmente, entrincheiram-se ainda mais nas suas visões do mundo.

 

É por isso que nenhum sistema de crenças está imune aos perigos inerentes à propensão humana para a defesa violenta da «sua» visão, tal como mostra a História, desde a Inquisição aos gulags.

 

***

 

E aqui surge a questão do politicamente correto. Que inculca em todos nós o dogma de que as crenças têm de ser respeitadas, apenas porque alguém as sustenta. E por em causa ou criticar crenças não é só indelicado como um verdadeiro «pecado».

 

A tolerância relativista revelou-se uma faca de dois gumes. Foram-se criando realidades políticas e estruturas sociais que iriam enfraquecer a própria tolerância, que deu lugar a todas as formas de crença.

 

A questão, todavia, mais premente era: podem todas as visões de mundo realmente conviver dentro da mesma política? Será realmente possível que os seres humanos respeitem as respetivas visões de mundo, independentemente das diferenças? Se existem perspetivas diferentes sobre a realidade, como podemos ultrapassar o relativismo que tem tido um papel tão importante no pensamento sobre as preocupações existenciais últimas?

 

***

 

A universidade moderna é uma das maiores criações da humanidade. A sua estrutura foi concebida no início do século XIX na Alemanha. O seu princípio orientador era o de que uma educação para a liberdade da mente deveria fazer mais do que transmitir conhecimentos, embora o conhecimento fosse uma condição sine qua non.

 

Os estudantes deveriam ter a experiência da forma como o conhecimento era gerado.

 

Foi por esta razão que a universidade teve necessidade da investigação e do ensino e os professores não deveriam estar envolvidos apenas na transmissão do pensamento, mas também deveriam estar envolvidos ativamente na procura da verdade e os estudantes tinham, naturalmente, que participar dessa experiência.

 

Somos, obviamente, racionalista!

 

***

 

Contudo, somos também capaz de nos maravilharmos perante a diversidade de ficções criadas coletivamente para dar sentido à vida humana em vez de vociferar contra aqueles de que gostamos menos.

 

Claro está que os antiteístas e os crentes religiosos continuarão a desdenhar das visões de mundo de uns dos outros. Mas não vemos nisso qualquer problema, desde que esse desdém não se transforme numa questão de vida ou de morte.

 

Por tal circunstância, gostamos da expressão de C. Strenger quando fala de desdém civilizado. Um desdém amigável que pode constituir-se como um modelo para todas as ideologias – religiosas e seculares – substituindo o seu sentimento de superioridade moral pelo riso; e pode fazer-nos ver a História humana como algo que é mais comparável a um concurso para o melhor trabalho de ficção do que com um choque mortal de civilização.

 

***

 

O objetivo do desdém civilizado não é respeitar as crenças dos outros, embora os antiteístas possam respeitar os líderes religiosos como o Papa Francisco ou Dalai Lama, enquanto seres humanos, e os crentes religiosos possam respeitar alguns antiteístas pelas suas qualidades humanas. É encontrar uma maneira de coexistir, cooperar e conseguir o respeito mútuo, enquanto seres humanos que somos.

 

Temos de nos exercitar para ampliar a nossa imaginação moral para compreendermos que podemos cooperar com visões de mundo muito diferentes das nossas, porque temos uma Causa Comum.

 

Devemos ser capazes de desdenhar alegremente dos estilos de vida, das crenças e das religiões dos outros e inversamente e, ainda assim, tentar salvar a possibilidade de a Humanidade continuar a sua História.

 

***

 

Ao se falar de desdém civilizado, não estamos apenas a defender uma maior autenticidade ou afirmar que os antiteístas têm tanto direito aos seus sentimentos como as pessoas religiosas. A ênfase não é menor no “civilizado” do que no “desdém”. A história do conflito religioso e também do conflito entre as visões de mundo, em geral, mostra que é preciso uma enorme disciplina mental para sentir desdém e, ainda assim, continuar a ser civilizado. O processo de nos tornarmos civilizados, como mostrou Norbert Elias, diz respeito à capacidade de interiorizar os processos e de manter o espaço público limpo de aspetos procedimentais e físicos que esta esfera não pode conter, sob pena de deterioração.

 

Sentir raiva, mágoa e desdém sem violência.  E continuar a comunicar com aquelas visões de mundo que não respeitamos e que não respeitam as nossas, é a base para o tipo de cidadania mundial que se tornou uma necessidade vital num mundo globalmente interligado.

 

 

E vivermos uma vida mais plenamente vivida no mundo em que vivemos…

 

 

nona

Versejando com imagem, Mia Couto, «O outro pé da sereia»

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

«O OUTRO PÉ DA SEREIA»

 

 

Lendo o romance de Mia Couto - «O outro pé da sereia» -, a certa altura, demo-nos conta com estas duas passagens:

 

"A viagem acontece quando acordamos fora do corpo,

longe do último lugar onde podemos ter casa"

 

***

 

"Os que morrem

não se retiram:

eles viajam.

Na água que vai fluindo

eles são a água que dorme".

am14

 

 

Palavras soltas - A Casa Grande de Gogim

 

 

PALAVRAS SOLTAS

 

A CASA GRANDE DE GOGIM (ARMAMAR)

01.- 2018.- Armamar (Gojim) (11)

Nas nossas deambulações frequentes pelas terras do Douro, certo dia, passando pelo centro de Armamar, onde impera a sua igreja matriz, de raiz românica,

03.- 2018.- Armamar (Gojim) (19)

fomos ter a Gogim, um pouco mais à frente, considerada aldeia preservada, onde impera o seu velho e caraterístico casario.

04.- 2018.- Armamar (Gojim) (15)

Armamar é célebre pela sua produção de maçã de montanha.

 

Contudo, situada no coração do Douro, no Cima Corgo, é também terra de vinho,

05.- 2018.- Armamar (Gojim) (18)

onde não falta o vinhedo.

06.- 2018.- Armamar (Gojim) (17)

O que nos levou a Gogim foi uma visita à sua Casa Grande.

 

A Casa Grande de Gogim, ou Solar, foi residência dos Condes de Vila Flor e Alpedrinha.

 

Residência nobre, é o único solar existente no Município de Armamar.

 

Na página oficial do Município de Armamar, no que concerne ao seu património arquitetónico, ali pode ler-se:
A fachada do solar tem dois pisos: existem frestas gradeadas no piso inferior e o piso nobre é composto pelo mesmo número de janelas emolduradas e debruadas de granito. No cunhal apresenta brasão, peça da heráldica dos proprietários. Em ligação com a fachada vê-se um muro alto que faz a ligação com a capela particular, de invocação a S. Domingos e onde estão sepultados os Condes de Samodães (1756-1866),

06a.- 2018.- Armamar (Gojim) (9)

muro esse só interrompido no portal mas que impede por completo que se veja o interior da propriedade.

07.- 2018.- Armamar (Gojim) (8)

Passando o portal deparamo-nos com um amplo pátio onde se pode apreciar a escada de acesso ao piso superior e um pequeno tanque situado sob uma janela de balcão”.

 

Não pudemos ultrapassar o portal principal da casa por se encontrar fechado. Ainda uma senhora do local nos informou qual o senhor que, tendo a chave, nos poderia facilitar a entrada. Porque chovia abundantemente, deixámos a visualização do amplo pátio para outra ocasião.

 

Fica, contudo, aqui a sua imagem, retirada do sitio da internet «Turismo Porto e Norte de Portugal». 

08.- Solar dos Condes de Vila Flor e Alpedrinha

Na mesma página oficial do Município de Armamar diz-se que aquele imóvel sofreu em 1713 obras de reconstrução para receber a boda de D. Miguel Teixeira de Carvalho (1669-1756) com D. Maria Engrácia de Albuquerque.

 

Este acontecimento marcou a memória dos habitantes de Gogim e de todas as gentes do Concelho pela dimensão da festa com grande número de convidados, e pela abundância das sedas e dos damascos e o luxo dos coches que ali se viram.

 

Saindo do meio da povoação, por esta rua,

09.- 2018.- Armamar (Gojim) (10)

fomos reconhecer a envolvente da Casa, chegando à estrada.

10.- 2018.- Armamar (Gojim) (12)

Pela vinha que lhe está anexa,

11.- 2018.- Armamar (Gojim) (14)

demo-nos conta do estado de degradação avançada em que a Casa se encontra.

12.- 2018.- Armamar (Gojim) (13)

É pena!

 

Trata-se de um imóvel que, apesar de pertencer a ditas pessoas de «sangue azul», sendo propriedade dos herdeiros do último conde: D. Francisco Maria Martinho de Almeida Manuel de Vilhena, é, na verdade, «pertença» de toda uma comunidade que não só a construiu, como a manteve, servindo os seus legítimos donos durante muitos anos. A autarquia de Armamar (apesar de sabermos dos inúmeros entraves que a aquisição de um imóvel destes tem, quando estão em causa certos «pergaminhos» e, possivelmente, muitos herdeiros), bem podia tomar mão deste património, pondo-o ao serviço do Município de Armamar para as inúmeras funções que, nos termos da lei, lhe são atribuídas.

 

Voltámos para trás, rumo a Peso da Régua, deixando os vinhedos

13.- 2018.- Armamar (Gojim) (16)

das terras de Armamar.

14.- 2018.- Armamar (Gojim) (20)

Ao Acaso... A Casa do Penedo

 

 

AO ACASO...

A CASADO PENEDO


- Moreira do Rei – Fafe –
(domingo.9.dezembro.2918)

01.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (1)

Ontem, um dia solarengo, num outono em declínio, à entrada do inverno, fomos dar uma volta.

 

Como sempre, o nosso território eleito é o do Reino Maravilhoso.

 

Neste Reino há duas áreas que nos seduzem particularmente – o Douro, onde nascemos; o Alto Tâmega e Barroso, onde, há mais de 50 anos, vivemos.

 

Só que, desta vez, ao chegarmos ao limite do Barroso de Baixo, mais propriamente, na chamada Carreira da Lebre, onde aproveitámos para, num dos seus restaurantes, comermos um cozido à barrosã que, no nosso estomago já estafado, demorou horas a ser digerido, decidimos remar até às Terras de Basto, mais exatamente, Cabeceiras de Basto.

 

Ao chegarmos ao centro de Cabeceiras, nas proximidades do Convento de S. Miguel de Refojos, fizemos uma pequena pausa para, do outro lado do Mundo, via WhatsApp, darmo-nos conta das novas habilidades da nossa pequena netinha.

 

Depois de aqui chegados, Ao Acaso… decidimos dirigirmo-nos para a serra de Fafe.

 

Já há alguns anos que nossa curiosidade nos pedia que fossemos ver a célebre Casa do Penedo. Mas, infelizmente, a oportunidade nunca surgiu. Desta vez, tinha de ser de vez. E assim foi!...

2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (13)

Afinal de contas, o que tem a Casa do Penedo para merecer, de propósito, uma deslocação?

02.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (40)

 

Contemos, sumariamente, um pouco da sua história.

 

Segundo Ana Cristina Pereira, num seu artigo no jornal o «Público», de 5 de outubro de 2009, esta bizarra Casa, entre quatro grandes rochas, foi construída, em 1974, por um engenheiro de Guimarães, já falecido.

 

A sua originalidade levou a que, a partir de certa altura, fosse devassa de muitos forasteiros e outras gentes menos bem intencionadas, e, com o correr do tempo, transformar-se numa atração turística, mas agora devidamente vedada, ao ponto de, para nos aproximarmos, para a ver mais de perto por fora, termos de pagar um euro.

 

Hoje é considerada uma obra de arte.

03.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (31)

Situada no limite de Fafe, ladeada pela Estrada Nacional 311, em Moreira do Rei, na fronteira com Celorico de Basto, a sua fama ultrapassou fronteiras.

 

Diz Ana Cristina que parece saída da série animada «The Flintstones», imaginário da Idade da Pedra, criada pela dupla Hanna-Barbera.

04.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (24)

Para Vítor, o filho herdeiro do engenheiro construtor, puxando das suas memórias, seu pai, como já se disse, de Guimarães, costumava vir para aqui, para a serra de Fafe, caçar perdizes. Na primavera de 1972, acompanhou o pai para estes lugares, onde costumava apanhar grilos. A certa altura, deu-se conta que o velho engenheiro, não tirava os olhos daqueles quatro penedos. E ali, na Lameirinha, acabou por construir uma casa de fim-de-semana, tendo como pano de fundo, por um lado, a serra do Marão, a Senhora da Graça (Mondim de Basto); por outro, os montes do Sameiro (Braga) e da Penha (Guimarães).

 

Ficou registada como abrigo de montanha.

 

Não pudemos entrar dentro. Mas, diz-nos a já referida Ana Cristina, que possui uma estreita escada de madeira, que nos conduz ao primeiro andar, onde estão situados os quartos. Cada quarto tem uma forma – triangular, retangular -, conforme os penedos o permitiam. Daí que as camas tivessem de ser feitas sob medida, em função do espaço disponível. No rés-do-chão, fica a cozinha e as partes comuns da casa.

 

Ali não há telefone (a não ser, agora, o telemóvel), jornais ou televisão. Não há, tão pouco, eletricidade ou água canalizada.

 

Ao fundo do terreno da Casa, há uma pequena piscina, que mais parece um tanque, apoiada num rochedo.

04a.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (35)

Veja-se mais de perto.

04b.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (36)

O herdeiro, engenheiro filho, desde que lhe nasceu o seu primeiro filho, há 11 anos, não dorme ou habita a Casa. Segundo ele, o sossego e a paz, aqui, acabaram, pela excessiva curiosidade que a Casa desperta.

 

Foi em tempos objeto de grande devassa e pilhagem, que obrigou o seu proprietário a vedá-la convenientemente e a reforçar as respetivas portas e janelas,

05.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (22)

com material feito em ferro.

05a.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (39)

Nas suas redondezas, em 2006, nasceu um bem visível parque eólico.

06.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (44)

A uns metros da Casa, considerada “uma das casas mais loucas do mundo”, fica o salto da Lameirinha, que foi, durante anos, uma das grandes atrações do Rali de Portugal.

07.- 2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (43)

Na nossa modesta opinião, esta atração bem podia ter uma outra função turística mais digna, como uma infraestrutura de montanha. Todavia a conversa sobre este tema não foi o que nos levou lá: apenas a pura curiosidade.

 

A sua (possível?) função futura é questão de «outros quintos»!...

2018.- Casa do Penedo (Fafe-Moreira de Rei) (48)

Deixámos ao nosso leitor uma pequena vista aérea, em 4K Ultra HD, da Casa e da sua envolvente, de Hélder Afonso.

Palavras soltas... Braga - Miradouro do Sagrado Coração de Jesus

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

BRAGA – O MIRADOURO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

01.- 2018.- Braga I (Samsung) (132)

Tudo que englobe a antiga Gallaecia, a romana, nos fascina.

 

Naturalmente que mais as terras do nosso Reino Maravilhoso.

 

Mas não podemos de deixar de olhar para o lado e apreciar as terras verdes do nosso Minho. E, naturalmente à cabeça, vem a sua mais antiga, milenar e emblemática cidade – Braga.

 

Não visitamos e frequentamos a cidade tanto quanto gostaríamos. Mas sempre que lá vamos – e ali temos familiares e bons amigos – não resistimos a vaguear pelas suas praças, avenidas, ruas e ruelas, apreciando o seu rico património, em que o estilo barroco aqui impera.

 

Nas nossas últimas incursões temos ido munido de um interessante livro - «Segredos de Braga – Braga Top Secret» -, com texto e coordenação de Eduardo Pires de Oliveira e fotografia de Libório Manuel Silva, 1ª edição de 2014, da Editora Centro Atlântico.

 

Desta vez andámos por um escondido miradouro – o do Sagrado Coração de Jesus.

 

Diz-nos, a certa altura, Eduardo Pires de Oliveira:
“No edifício da Faculdade de Filosofia vale a pena aceder às varandas dos últimos andares de onde se observa uma bela panorâmica sobre a zona do Campo Novo”.

 

Não subimos às varandas da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica.

 

Viemos, a pé, do centro da cidade, atravessámos a Praça Mouzinho de Albuquerque (Campo Novo),

02.- 2018.- Braga I (Samsung) (118)

(Perspetiva I)

03.- 2018.- Braga I (Samsung) (122)

(Perspetiva II)


observando a estátua/monumento de D. Pedro V,

04.- 2018.- Braga I (Samsung) (119)

dirigimo-nos à rua Guadalupe; subimos um lanço de escadaria e fomos dar de caras com o portão, fechado, da capela de Guadalupe.

05.- 2018.- Braga I (Samsung) (123)

Percorremos a rua Camões e entrámos em território da Universidade Católica.

 

Nosso intuito não era receber ou sequer dar qualquer palesta a muitas e muitos pios estudantes e ou outros ímpios, que frequentam ou que também por lá passaram…

 

Fomos de imediato, para um miradouro excecional.

06.- 2018.- Braga I (Samsung) (136)

Diz-nos Eduardo Pires de Oliveira, na sua obra citada, que “está colocado no ponto mais alto de Braga – foi ali, a seus pés, que foi implantado o reservatório de água que vem do rio Cávado destinada ao abastecimento da metade Norte da cidade – como, ainda por cima, tem uma torre bastante alta onde foi colocada uma imagem do Sagrado coração de Jesus em cujo topo existe [existia] uma lâmpada que server de aviso aos aviões”.

07.- 2018.- Braga I (Samsung) (189)

Está situado no polo da rua de Camões, no denominado Monte da Barquinha.

 

E continua aquele autor: “A vista que se tem é de 360º. Dali se pode perceber, melhor que qualquer outro local, como é que a cidade tem crescido, podendo mesmo servir para se fazer o planeamento das várias zonas da cidade”.

 

Na panorâmica que daqui se tem, o que nos chama mais a atenção são, ao longe, os 3 (três) dos seis miradouros da cidade de Braga:
Miradouro do Bom Jesus do Monte
Miradouro do Monte Sameiro
Miradouro da capela de Nossa Senhora de Guadalupe,

08.- 2018.- Braga I (Samsung) (182)

para além do miradouro do Monte Picoto e da Torre de Santiago.

09.- 2018.- Braga I (Samsung) (150)

(Panorâmica)

Do miradouro, a nossos pés, as instalações da Universidade Católica-Pólo de Braga.

10.- 2018.- Braga I (Samsung) (142)

Mas estamos de acordo com o autor dos «Segredos de Braga» quando afirma que Braga, ao contrário de Lisboa, descura os seus miradouros. A exceção, diz, é feita ao do Bom Jesus do Monte que aqui deixamos uma imagem.

11.- 2016 - Braga - Bom Jesus do Monte (356)

O nosso amigo Varico mostrou-nos, numa dependência do Santuário do Bom Jesus do Monte, o telescópio original daquele miradouro. Aqui fica uma imagem do mesmo.

12.- 2018.- Braga - bom Jesus do Monte - telescópio

E, hoje, por aqui ficamos até ao próximo «segredo» de Braga, neste nosso vaguear pelas suas artérias e recantos, acompanhado da obra de Eduardo Pires de Oliveira.

Versejando com imagem - D'après D. Francisco de Quevedo, Manuel António pina

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

D’APRÈS D. FRANCISCO DE QUEVEDO

 

B 830

(Copie d'après La Barque de Dante de Delacroix - Edouard_Manet)

 

Também eu ceei com os doze naquela ceia
em que eles comeram e beberam o décimo terceiro.
A ceia fui eu, e o servo; e o que saiu a meio;
E o que inclinou a cabeça no Meu peito.


E traí e fui traído,
e duvidei, e impacientei-me, e descartei-me;
e pus com Ele a mão no prato e posei para o retrato
(embora nada daquilo fizesse sentido).


Não subi aos céus (nem era caso para isso),
mas desci aos infernos (e pela porta de serviço):
comprei e não paguei, faltei a encontros,
cobicei os carros dos outros e as mulheres dos outros.


Agora, como num filme descolorido,
chegou o terceiro dia e nada aconteceu,
e tenho medo de não ter sido comigo,
de não ter sido comido nem ter sido Eu.


Manuel António Pina
In « Poesia, Saudade da Prosa – uma antologia pessoal»

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