Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - Versos íntimos, de Augusto dos Santos

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

VERSOS ÍNTIMOS

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Vês?! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te a lama que te espera!

O Homem que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera

 

Toma um fósforo, acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro.

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

 

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga

Apedreja essa mão vil que te afaga.

Escarra nessa boca de que beija!

 

(Augusto dos Anjos)

 

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Este é um dos poemas mais conhecidos do poeta brasileiro paraibano, considerado um dos percursores do movimento simbolista no país. Seus versos são cheios de críticas ao egocentrismo da sociedade de seu tempo, e são admirados tanto pelos críticos literários como por meros leigos.

 


publicado por andanhos às 16:55
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho Interpretativo do Megalitismo de Britelo

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

TRILHO INTERPRETATIVO DO MEGALITISMO DE BRITELO

 

16.abril.2018

(De manhã)

01.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (67)

 

 

Deixo-me levar passivamente pelas rodas do carro,

que percorre a serra em todas as direções.

Dou aos olhos plena liberdade sensorial sem lhes pedir

contas da qualidade das sensações recebidas.

Abandono-me à volúpia dum encontro meramente físico com a realidade.

Fragas, matas, rios e ribeiros, tudo entra em mim como a luz pelas vidraças.

Entra e cabe.

Não há imagens no mundo que saciem a pura transparência.

Nada entendo, e nada quero entender.

E sinto paz.

A paz de ser uma simples coisa permeável entre coisas permeáveis.

Paz que o homem primitivo certamente já experimentou,

e que talvez seja o que resta ao homem de sempre.

Atingir na identificação inconsciente com a natureza

a única consciência profunda que dela e de si pode ter.

 

Gerês, 10 de Agosto de 1964

Diário X, Miguel Torga

 

 

Nada mais impressivo do que a entrada, acima citada, de Miguel Torga, no seu Diário, para definir o nosso estado de alma, quando percorríamos este trilho. Particularmente aquela tirada, quando afirma: “Fragas, matas, rios e ribeiros, tudo entra em mim como a luz pelas vidraças”. E a finalizar: “E sinto paz. A paz de ser uma simples coisa permeável entre coisas permeáveis. Paz que o homem primitivo certamente já experimentou, e que talvez seja o que resta ao homem de sempre. Atingir na identificação inconsciente com a natureza a única consciência profunda que dela e de si pode ter”. 

 

Deixámos a serra do Gerês e penetrámos na serra Amarela.

 

Mas, o trilho, de interpretativo, no seu percurso, tem muito pouco, ou quase nada: apenas a simples sinalização.

 

O nome do trilho prometia um voltar à idade primeva, quase próxima dos homens das cavernas. Mas, nada disso aconteceu! Sim, muita pedra.

 

De verdadeiro megalitismo, em boa verdade, apenas uma anta!

 

E a serra já quase nada tem da sua vegetação primitiva!

 

O eucalipto

02a.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (188)

e o pinheiro

03.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (57)

ergueram aqui o seu «lar». Com mato à mistura…

 

O trabalho de limpeza do monte, perante arbustivas tão maduras, era bem patente, particularmente nas imediações da Anta da Lapa da Moura

04.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (55)

e no Chão de Cabanos.

 

A campanha de limpeza por causa dos incêndios também aqui chegou. Mas ficou-se pelo lugar mais emblemático do percurso – o Chão de Cabanos.

05.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (54)

As árvores autóctones aqui são raridades, digam o que disserem… Só no alto, aqui

06.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (141)

e ali, particularmente nas proximidades de Mosteirô, é que verdadeiramente as encontrámos Mas poucas e isoladas!

07.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (187)

Abstraímo-nos das expectativas que o trilho nos criou e, enquanto o percorríamos, fomos congeminando como este território antigamente seria e qual a vida das suas mulheres e homens, que nele habitavam, na sua luta pela sobrevivência. E apenas nos restaram, uma vez concluído o trilho, duas palavras – paz e tranquilidade.

 

Bem razão tinha Torga, já em 1964!

 

Vamos agora dar uma ideia dos passos que demos neste, que dizem, território mítico dos nossos antepassados.

 

Mostremos primeiramente o mapa do nosso itinerário, retirado do folheto oficial, referente ao Trilho Interpretativo do Megalitismo de Britelo.

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Mas o nosso trilho não começa, nem acaba, ou sequer passa em Britelo. Britelo é a sede de freguesia, da qual Mosteirô, local donde partimos, faz parte.

 

Terras interiores, e encravadas nas serras, sofrem do mesmo mal – a desertificação.

 

E Mosteirô não escapa a esta sina!

 

Aparcámos no largo da aldeia, onde se encontra o tanque e lavadouro público.

09.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (2)

Apenas nos cruzámos e metemos conversa com um senhor velhote, que, encostado a uma das paredes que suportam o tanque, tranquilamente fumava o seu cigarro.

 

Saímos pela rua do Portal

10.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (3)

e, deixando os subúrbios da aldeia, com os seus campo agrícolas,

11.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (5)

percorrendo uma calçada antiga,

12.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (7)

progressivamente, afastando-nos, cada vez mais da aldeia, e passando por um apiário e ao pé de um eucaliptal,

13.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (16)

começámos a embrenharmo-nos no planalto da serra Amarela,

14.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (22)

indo ao encontro da ribeira da Abelheira.

15.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (29)

Trepando,

16.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (31)

alcançámos o cume do planalto.

17.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (45)

Florens sobe até ao fraguedo para melhor apreciar a paisagem circundante.

18.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (47)

No Vale da Coelheira pastava o gado.

19.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (48)

Contristados saímos deste lugar, depois de assistirmos ao resvalo de uma vaca para uma cova, donde não conseguia sair. Tivemos receio em na ajudar e torcemos para que o pobre animal saísse daquele «flagelo» ilesa, onde se deixou cair.

 

Não era esta,

20.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (51)

que nos pareceu mais expedita. Era outra. Esta, aparentando ser humana, olhava, para o cenário que tinha em frente, contristada.

 

E chegámos ao Chão de Cabanos, onde cavalos se entretinham, pacatamente, a pastar numa restolha de mato cegado e já seco, por nos parecer que, há poucos dias, por via do(s) (medo) incêndios, e não só, ter sido cortado.

21.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (64)

E, neste chão, eis a Anta da Lapa da Moura.

22.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (65)

Não nos perguntem qual a razão de tal designação para este monumento!... Não a encontrámos. Mas que há uma explicação, isso há! O povo tem explicação para tudo!

 

Imediatamente à nossa esquerda, num grande penedo, cravado no solo, aparecem-nos as gravuras rupestres.

23.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (74)

Se, quanto à Anta da Lapa da Moura, não havia qualquer painel informativo para nos elucidar sobre a origem do nome e antiguidade do núcleo megalítico deste necrópole de Britelo – apenas o folheto acima referido –, o qual nos elucida que “será dos maiores monumentos funerários megalíticos da serra Amarela” , quanto às gravuras, no mesmo Chão de Cabanos, a informação é ainda mais escassa. Apenas, uma vez mais, o mesmo folheto nos diz que, neste afloramento granítico, estão umas gravuras, onde prevalecem as fossetes

25.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (83)

e os motivos cruciformes,

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revelando, frisa o mesmo folheto, uma longa ocupação desde a pré-história às épocas, possivelmente, medievais.

 

E, neste chão, indiferentes a tanta e tão longa história, pastoreavam, pacatamente, as nossas vaquinhas, em solo pobre que, ainda por cima, o homem o privou de um alimento mais suculento.

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Deixámos este chão «histórico» e, subindo, por um estradão florestal, embrenhámo-nos ainda mais na serra.

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No cimo deste lugar da serra Amarela, deitámos um olhar para uma das suas irmãs, que nos está em frente – a do Gerês.

28.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (87)

Até que, neste abrigo, que tem pouco menos que a nossa idade,

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parámos para descansar um pouco, hidratar-nos e tomarmos o nosso habitual reforço do pequeno-almoço.

30.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (91)

Saídos do abrigo, retomámos o nosso percurso.

 

A certa altura, chamou-nos a atenção uma formação rochosa, encimada por um pequeno penedo, que mais parece a cabeça de uma velha, com um nariz fortemente adunco.

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Estamos agora em pleno planalto da serra,

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com mato e um ou outro afloramento de árvores autóctones, principalmente de carvalho alvarinho,

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onde as linhas de água não faltam

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e, por entre o mato, salienta-se o omnipresente pinheiro, mesmo que solitário.

35.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (112)

O sol, por entre as nuvens, já quase a pino, começava a aquecer o ambiente. E nós começávamos a suar mais…

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E mais uma passagem por uma zona designada Chã da Escusalha, onde se encontram muitas pedras, aos montões, e que, porventura, outrora serviram para o culto mortuário, mas que hoje foram aproveitadas para abrigo dos pastores.

37.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (128)

Provavelmente, estes montões de pedras,

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e mais estes,

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teriam também sido utilizados para a construção de antas. Vá-se lá agora saber…

 

Daqui, do extremo da Chã da Escusalha, tomámos um caminho de pé posto

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e dirigimo-nos para a ribeira da Abelheira, num local mais a montante da mesma.

41.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (163)

Florens, sempre atento aos pequenos pormenores, faz uma pequena pausa para tirar umas quantas fotos.

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Atravessada a ribeira,

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começámos a descer para Mosteirô.

 

Enquanto iniciávamos a descida, ao fundo, o rio Lima.

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Estávamos nas proximidades já de Mosteirô. E é por estas paragens que avistámos, agora em mais quantidade, quer o carvalho alvarinho, quer o castanheiro, quer uma ou outro freixo, à mistura com o eucalipto e o pinheiro bravo.

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Um enorme penedo chamou-nos a atenção. Ele era muito parecido com aquela primeira silha que, no Trilho das Silhas dos Ursos, na serra do Gerês, vimos. Com certeza, o seu patamar cimeiro serviu para mais um abrigo e proteção das colmeias de abelhas, por causa dos ursos.

46.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (195)

Aproximávamo-nos cada vez mais das imediações de Mosteirô.

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Atravessada a Lameirada, fomos ao encontro do tanque ou poça de retenção de água para a rega das hortas de Mosteirô e de moinhos, que dizem que havia, mas que agora só existem ruínas, mas cujos destroços nem sequer chamou a nossa atenção!

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Percorremos esta ancestral vereda

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até ao cimo da aldeia,

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acompanhando o pequeno regueiro de água.

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Chegámos a Mosteirô pela sua parte alta. E íamos tirando uma ou outra fotografia ao seu casario antigo.

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Atravessada a aldeia, chegávamos ao local donde, duas horas e vinte e cinco minutos antes, tínhamos partido, percorrendo a distância de sete quilómetros e cento e cinquenta metros,

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à velocidade e com a elevação que o gráfico abaixo mostra.

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Enquanto atravessávamos a aldeia, nem vivalma vimos!

 

O senhor que estava no tanque, aquando da nossa partida, tinha-se recolhido.

 

Na verdade, o calor começava a apertar…

 

E nós, entrando na viatura, fomos saber do almoço.

 

De tarde, tínhamos o último trilho a percorrer nesta temporada primaveril no Parque Nacional da Peneda-Gerês – o de Germil.

 

Deste trilho feito, que, em certo sentido, face ao nome que carrega, nos desiludiu um pouco, ficou-nos de mais real e palpável aquilo que já no início deste post dizíamos -  a paz e a tranquilidade sentidas, enquanto o percorríamos, pensando em como seria por aqui a vida dos nossos antepassados…


publicado por andanhos às 10:43
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2018

Ao Acaso... O que resta de três extintas capelas de Santa Maria Maior/Chaves

 

AO ACASO…

 

… O QUE RESTA DE TRÊS EXTINTAS CAPELAS DE SANTA MARIA MAIOR - CHAVES

 

 

De tão habituados que estamos ao meio que nos rodeia, desde sempre, que nem sequer nos apercebemos em pequenos pormenores ou certas peculiaridades das nossas ruas da cidade e do seu casario. Passamos por elas, damos por elas mas… seguimos em frente!

 

Até que um dia, Ao Acaso..., algo nos desperta a curiosidade.

 

Quanto ao assunto, que hoje aqui nos traz a escrever este post, foi uma publicação, escondida entre muitos títulos da nossa biblioteca, espalhados poe três casas, que nos despertou a curiosidade.

 

A publicação em questão é o nº 8 dos «Estudos Transmontanos e Durienses», do Arquivo Distrital de Vila Real, de 1999, contendo o artigo «Roteiro dos edifícios religiosos do Concelho de Chaves», de Sofia Isabel Lourenço Mendonça.

 

A autora, naquele seu artigo refere que “para o estudo das capelas situadas nestas duas freguesias urbanas da cidade (Santa Maria Maior e Madalena) socorremo-nos, essencialmente,  da transcrição efetuada por Firmino Aires [«As capelas de Chaves», levantamento ínsito na Revista Aquae Flaviae, julho de 1990, e retirado] do livro manuscrito de Tomé de Távora e Abreu (1722-1723) – Notícias Geographicas e historicas  da provincia de Trás dos Montes”.

 

Como é evidente, não é nossa intenção reproduzir, ou sequer acrescentar, o estudo de Sofia Mendonça.

 

Para o caso em questão, e no que concerne à freguesia de Santa Maria Maior, referiremos 3 capelas que, a partir daquela data, e até hoje, foram extintas, apresentando simplesmente o que, em termos de edificado, perdurou até aos dias de hoje.

 

Comecemos pela Capela de Nossa Senhora da Encarnação.

 

Diz Sofia Mendonça, atendendo à(s) sua(s) fonte(s), no seu estudo/inventário, que a Capela de Nossa Senhora da Encarnação foi fundada no ano de 1564 pelo Licenciado Duarte Teixeira Chaves na rua da Cadeia [hoje Bispo Idácio], junto das suas casas com todos osa seus bens vinculados à mesma capela, nomeando aquele licenciado, como primeiro administrador, seu irmão Sebastião Pequeno Chaves, sendo hoje [no tempo de Tomé de Távora e Abreu] do seu 4º neto, Duarte Teixeira Chaves, fidalgo da Casa de Sua Majestade.

 

Passámos pelo local.

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 Do exterior, podemos ver um grande frontão triangular.

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No topo, dois pináculos nas extremidades do telhado, com duas volutas ao centro, a ladear um outro elemento que, tal como Sofia Mendonça, não conseguimos identificar.

03.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (19)

Deixemos o que resta desta antiga capela dedicada a Nossa Senhora da Encarnação,

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e dirijamo-nos para o Largo do Anjo.

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Encostada à Casa Joal, eis o que resta da antiga Capela do Anjo.

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Como se pode verificar, hoje serve de área habitacional.

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Diz Tomé de Távora e Abreu, citado por Sofia Mendonça: “Esta capela tem o onorifico de que vay o senado da camara desta V.a asestir às vesporas e misa cantada no domingo que se faz a festa do Anjo da Goarda, e da mesma capela say a procissão que he huã das festas do anno que se lembraõ nesta terra (…)”.

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Do Largo do Anjo descemos para a Avenida Tenente Valadim.

 

Passámos pelo edifício da PEEIE, L.tda, uma conceituada empresa de eletricidade da nossa terra, propriedade dos irmãos Louçanos.

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Sempre nos chamos a atenção, naquele edifício, este frontal de uma antiga edificação religiosa.

10.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (1)

Na construção do atual edifício, os irmãos Louçanos fizeram questão de deixar esta fachada, de uma forma digna e bem preservada.

 

Eis, pois, o que resta da antiga Capela do Nicho.

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Julga-se que esta capela teria feito “parte da Via Sacra que começava na Igreja Mariz e terminava no alto do Calvário. No seu entabulamento tem esta inscrição «este paso o fizerao os irmaos Joao Carneiro vieira e Joao Carneiro de Moraes e o Neto em (‘) ano 1747»”. Dado que o entabulamento é posterior ao manuscrito de Tomé de Távora e Abreu, é provável que se trate de um melhoramento; contudo, nos termos em que está escrito, é mesmo provável que esta capela tenha sido construída nesta data e a fonte não seja a do manuscrito daquele autor, mas de um outro, cujo nome desconhecemos. Possivelmente do Almanaque «O Comércio de Chaves», de 1937, referido na bibliografia do estudo/inventário da autora Sofia, acima referida...

12.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (3)

O acaso e, Ao Acaso…, levou-nos a descortinar um pouco da história e do património religioso que foi da nossa cidade.

 

E aqui fica para quem não tem tempo e paciência de «vasculhar» artigos de revistas especializadas, de mais folgo, ou em trabalhos manuscritos, de complicada e difícil leitura, como o referido de Tomé de Távora e Abreu.


publicado por andanhos às 18:32
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - Amor, Álvares de Azevedo

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

AMOR

 

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Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração! 
Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão! 
Na tu’alma, em teus encantos 
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 

Quero em teus lábios beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 
Quero viver d’esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 

Vem, anjo, minha donzela, 
Minha’alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 
E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
Morrer contigo de amor!

 

(Álvares de Azevedo)

 

NB - Considerado um ultrarromântico, Álvares de Azevedo é um poeta típico da segunda fase do Romantismo Brasileiro, também conhecido como o “Mal do Século”.

Mesmo abordando o lado mais trágico e pessimista do amor, o autor não deixa de conquistar os corações e almas daqueles que leem a sua curta, mas intensa obra (Álvares de Azevedo morreu com apenas 21 anos, vítima de tuberculose).


publicado por andanhos às 11:22
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - José, Carlos Drummond de Andrade

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

JOSÉ

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E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

 

E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?

 

(Carlos Drummond de Andrade)

 

NB - Graças ao poema de Drummond de Andrade - outro que está no rol dos mais populares da literatura nacional – surgiu a famosa gíria “e agora, José?”, utilizada ainda hoje para expressar a indecisão perante situações difíceis.


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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - Canção do exílio, de Gonçalves Dias

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

CANÇÃO DO EXÍLIO

 

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Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar — sozinho, à noite —

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Gonçalves Dias


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Sábado, 21 de Julho de 2018

Versejando com imagem - Via Láctea, de Olavo Bilac

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

 

VIA LÁCTEA

 

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“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto

A Via Láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 

(Olavo Bilac)


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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018

Palavras soltas - Sistelo:- Maravilha ou pesadelo?

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

SISTELO:- MARAVILHA OU PESADELO?

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(Fonte:- http://www.minhodigital.com/news/paisagem-cultural-de-sistelo)

 

Tínhamos conhecimento da Candidatura de Sistelo a 7 Maravilhas de Portugal - Aldeias, na categoria de Aldeias Rurais, no Concurso promovido pela RTP o ano passado e da sua consequente Candidatura ganhadora.

 

Ficámos curioso.

 

Sabíamos da construção da Ecovia do Vez, partindo de Jolda S. Paio e até à aldeia de Sistelo, num total de 32 Km, em três etapas: Jolda S. Paio-Arcos de Valdevez (12. 586 Km); Arcos de Valdevez-Vilela (9. 859 Km) e Vilela-Sistelo (10. 266 Km).

 

Tivemos «ganas» de a percorrer.

 

Tomámos conhecimento da classificação de Sistelo como Paisagem Cultural e Monumento Nacional.

 

Mais espicaçada ficou a nossa curiosidade em conhecer esta aldeia.

 

Finalmente, uma vez que andávamos a fazer trilhos no território do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e tendo familiares em Arcos de Valdevez, não deixámos perder esta oportunidade, não só para conhecermos Sistelo, como também efetuarmos o percurso da Ecovia do Vez, desde Sistelo a Arcos de Valdevez (22. 445 Km).

 

Assim, no dia 15 de abril passado, num domingo, levantámo-nos cedo e dirigimo-nos a Sistelo para, a partir dali, percorrermos, a pé, a Ecovia do Vez até Arcos de Valdevez.

 

Todavia, hoje, não é do percurso pedestre na Ecovia que vamos falar. Esse ficará para uma outra altura, noutra rubrica ou num outro nosso blogue. É de Sistelo, a tão propalada Aldeia Rural, como uma das 7 Maravilhas de Portugal e da sua classificação como Paisagem Cultural e Monumento Nacional. Ou seja, do que, a partir daqui, tudo isto tem a ver com o seu futuro.

 

Lê-se no MINHO DIGITAL – Semanário do Alto Minho, de 13 de julho de 2018, da autoria de Armando Fernandes de Brito: “O Conselho de Ministros consumou, no passado dia 7 de dezembro, a classificação da Paisagem Cultural de Sistelo como Monumento Nacional. Trata-se da primeira paisagem a obter tal reconhecimento em Portugal.

 

O decreto que classifica os socalcos agrícolas que moldam a paisagem de Sistelo como Monumento Nacional vem no seguimento da anterior distinção como Paisagem Cultural

02.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (1)

sem esquecer, noutro âmbito, a eleição de Sistelo, em setembro último, como uma das «7 Maravilhas de Portugal», na categoria de «Aldeia Rural» (…).

2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (609)

 

O referido autor, Armando de Brito, na mesma local, faz três perguntas ao Presidente da Junta de Sistelo, o qual considera que, com este decreto, se deu “«mais um passo para a caminhada do desenvolvimento sustentável»”:

 

1 - Os socalcos de Sistelo são a primeira paisagem portuguesa com o estatuto de Monumento Nacional. O que é que representa para a freguesia este reconhecimento?

 

Para nós, que ansiávamos por esta classificação (com um desfecho, talvez, mais célere do que esperávamos), é muito importante. Este reconhecimento vem valorizar o trabalho iniciado há anos e é um marco para Sistelo e para o concelho. É mais um passo para a caminhada do desenvolvimento sustentável.

2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (604)

 

2.- Para além do turismo, que setores podem vir a ser impulsionados com esta classificação inédita?

 

O futuro passa por aliar o turismo à reinvenção da agricultura e dos setores tradicionais para gerar rendimento e combater o isolamento e o despovoamento.

05.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (7)

Digamos que o turismo pode alavancar o setor primário (cultivo do feijão…), a restauração e o alojamento. Com esta nova realidade, será reforçada, por consequência, a oferta turística e as infraestruturas em torno da restauração e do alojamento. Há projetos a germinar que vão criar vários postos de trabalho.

 

3.- A ecovia, a classificação dos socalcos como Paisagem Cultural e a eleição como “Maravilha de Portugal” já tinham colocado Sistelo na ribalta. Quantas pessoas visitam a freguesia por semana?

 

Em média, mesmo em época baixa, há, pelo menos, quinhentas pessoas que visitam Sistelo por semana. Há sempre dois ou três autocarros a cada fim de semana… E o projeto de prolongamento da ecovia até Padrão aumentará a visitação, atraindo ainda mais forasteiros para a sustentabilidade de Sistelo”.

06.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (18)

Que, em pouco menos de meia hora, esvaziaram o Largo.

06a.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (51)

Por sua vez, no Público – Fugas, com data de 1 de maio de 2018, e sob a epígrafe «Sistelo, a aldeia-monumento, vive dias agitados com a "invasão" de turistas», pode ler-se (a citação é aleatório à sequência do artigo):

 

Localizada nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês [Sistelo] é conhecida como o ‘pequeno Tibete português’,

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devido aos seus socalcos, a aldeia do Sistelo tem cerca de 270 habitantes e é eminentemente rural.

7a.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (25)

Mais de 70% da população, garante o Presidente da Junta, tem mais de 60 anos e habitantes com menos de dez anos são apenas três. O gado anda à solta pelos montes da freguesia e, volta e meia, decide «passear» calmamente pelo meio das estradas, habituado que está à falta de trânsito.

 

Mas aquele é um «passeio» que nos últimos dois ou três anos se tornou mais arriscado, já que Sistelo começou a ser uma das prioridades dos roteiros turísticos dos amantes da natureza, desde logo por causa dos cerca de 10 quilómetros de passadiços, integrados na ecovia do Vez.

 

O risco aumentou depois de, em finais de 2017, em pleno hospital, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter promulgado o diploma que classifica Sistelo como monumento nacional, enquanto paisagem cultural. Sistelo foi, assim, assolada por uma espécie de ‘surto turístico’, que obrigou a aldeia a ‘medidas de contingência’.

 

Os cerca de dez quilómetros de passadiços, primeiro, e, bem recentemente, a classificação como monumento nacional, enquanto paisagem cultural evolutiva viva, tiraram do anonimato a até aqui pacata aldeia do Sistelo, em Arcos de Valdevez, que agora vive dias agitados com a crescente «invasão» de turistas.

08.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (43)

Dantes não se passava nada, mas agora é uma coisa nunca vista. Ainda no domingo era aqui gente que eu sei lá’, atira a «tia» Amélia, dona de uma típica tasquinha instalada bem no coração do Sistelo.

08.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (48)

Para dar vazão à procura, está a remodelar e a ampliar o estabelecimento, que outrora foi mercearia e que agora funciona como café, mas também como restaurante, servindo petiscos e refeições.

 

O problema é que nunca mais me acabam o «diacho» das obras’, queixa-se, numa altura em que na tasquinha entra mais um grupo de turistas, desta vez espanhóis.

 

Além da «tia» Amélia, também o padre Bruno decidiu colaborar, tendo cedido a residência paroquial para ali ser instalado um restaurante, que abre no próximo sábado. ‘Até as minhas missas passaram a ter mais gente e a serem mais animadas’, refere o jovem pároco.

 

A falta de unidades de alojamento é uma das lacunas que a crescente procura turística pôs a nu. No total, diz o Presidente da Junta, há meia dúzia de alojamentos, com oito camas. ‘Mas há já muita gente a manifestar interesse de investir aqui nessa área’, assegura Sérgio Rodrigues [Presidente da Junta de Sistelo].

 

Paralelamente, ao abrigo de uma candidatura ao programa Valorizar, no valor de 250 mil euros, a Casa do Castelo

 

09.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (14)

está a ser transformada em centro interpretativo da paisagem cultural, para acolher os turistas e os «guiar» para os vários recantos da aldeia,

10.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (13)

e um velho moinho está a ser recuperado.

 

À espera de aprovação está mais uma candidatura, de 180 mil euros, para juntar mais meio quilómetro aos passadiços, dar nova vida a uma eira com 31 espigueiros, requalificar um miradouro e construir um parque de merendas.

 

Temos de fazer pela vida e aproveitar a nossa galinha dos ovos de ouro. Se os turistas nos procuram, há que saber prendê-los e fidelizá-los’, remata o Presidente da Junta.

 

Em Sistelo, nas faldas do Parque Nacional da Peneda-Gerês,

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o balir e o mugir ainda são os sons mais ouvidos, mas o roncar dos motores dos automóveis já lhes começa a fazer concorrência. Os mais velhos - a «tia» Amélia é uma das poucas exceções - olham com alguma perplexidade para a violação da pacatez da aldeia, mas os jovens encaram a nova realidade como uma oportunidade para construírem o seu futuro na terra que os viu nascer”.

12.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (26)

E, a partir desta última passagem, gera-se um diálogo, no sítio deste artigo, à volta de dois «mundos», assim protagonizados:

 

manusreis20  02.05.2018 00:35

Turismo é bom mas cuidado é uma faca com dois gumes depois não se lamentem que perderam o sossego os amimais não poderão mais andar livremente por onde lhes agrada. Enfim mais dinheirinho dá cabo de tudo por onde passa”.

 

Um outro leitor, responde:

 

Anjo Caído  do Outro Mundo 02.05.2018 08:29

manus, não se preocupe. O que não falta em Portugal são aldeias muito autênticas, onde o gado só não se passeia porque já não há gente para o criar. Aí não foi o dinheirinho que deu cabo de tudo, foi a falta dele. Se nascer e crescer num dos muitos "Sistelos sem turismo", quer que a sua vida seja só pastorícia e agricultura de subsistência ou vai mas é para um centro urbano?

 

Um terceiro, que entra na discussão, procurando uma outra ordem de pensamentos:

 

A. Luís Fernandes  Edmonton AB Canada 01.05.2018 19:02

Se vamos viver do turismo também aqui em Sistelo há que encará-lo a sério preservando as ricas características que estão na sua génese e o podem justificar, isto é, a topografia natural e a paisagem cultural que é imprescindível manter. A oferta de serviços de qualidade e infraestruturas materiais aos turistas não pode ser feita à margem da rejeição da arquitetura e população locais mas sim fundindo e integrando estas num todo evolutivo que as mantenha vivas e fortes no presente e futuro. Em suma, sustentabilidade é indispensável e obrigatória para não cairmos uma vez mais no erro que se tem repetido vezes sem conta neste país e que acaba na descaracterização local, destruição de riquezas únicas, e no fim numa maior pobreza quando não miséria para a nossa gente!”.

 

Obviamente que não vamos ter a Sistelo dos nossos antanhos. Por duas ordens de razões. A primeira, porque não aceitamos, em pleno século XXI, aquele estilo de vida pobre, miserável, em que então se vivia; em segundo, porque, conforme lemos, já não existem gentes. Estivemos um pouco a observar a dinâmica da aldeia, em hora de missa, ao domingo.

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Pelas suas remodeladas ruas e casario, apenas vemos maiores, como estas duas viúvas.

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Entrámos na igreja. O panorama era idêntico.

 

À saída, as mesmas pessoas, à mistura com um ou outro turista/caminheiro

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para fazer um dos trilhos, anunciados nos placares informativos, logo à entrada da aldeia.

16.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (11)

Ao longo da nossa vida profissional, enquanto no ativo, dedicando-nos à problemática do desenvolvimento local/regional, batíamo-nos pela animação destes territórios, periféricos aos da vida urbana, predominantes na sociedade do século XXI. Sempre dissemos que ninguém desenvolve ninguém a não ser nós próprios. Indo buscar às raízes profundas das nossas comunidades aquilo com que, ao longo das suas histórias mais os identificaram.

 

Fala-se na vertente material da valorização do nosso património rural,

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e em muito outro que há para recuperar.

18.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (32)

Mas onde existe uma política, integrada, de desenvolvimento do mundo rural no nosso país?

 

Já num nosso escrito, em 2008, sob o tema «O Desenvolvimento local e a Animação turística» defendíamos que o turismo sustentável: “é um instrumento de fixação das populações. Mas pensar em estratégias baseadas na sustentabilidade implica um questionamento que não tenha somente em conta o equilíbrio do crescimento turístico ou a proteção do património e das áreas naturais protegidas. Um turismo sustentado é um modelo que apela a uma lógica de autenticidade, porque integrador de sentidos múltiplos e vários agentes, sendo, para isso necessário alargar a noção de experiência turística para além do olhar do visitante e da estratégia do vendedor.

 

A haver uma ética na indústria turística atual, ela deverá passar por uma política que privilegie a relação:

 

            Dos visitantes com as comunidades locais

A indústria turística não pode privilegiar unicamente os turistas, esquecendo que os produtos culturais têm origem em atores sociais, com uma dignidade intrínseca, e uma palavra a dizer do património e dos espaços que partilham com aqueles que os visitam. A qualidade de vida das populações e o enriquecimento mútuo entre população e visitantes deve ser uma preocupação dos modelos turísticos. Nos contactos culturais está sempre presente uma possibilidade de conflito, o qual não pode ser alimentado pela indústria turística.

 

            Dos atores sociais com o meio ecológico e o património histórico e cultural

Não se pode continuar a desenvolver um turismo ecológico meramente com a gestão de visitantes e com a defesa do ambiente. Os atores devem assumir uma experiência de relação com o meio que visitam, em que o próprio processo turístico seja planeado como forma de o preservar e valorizar. A relação com o meio ambiente deverá resultar num sistema sócio natural criativo e em constante renovação.

 

O património, por outro lado, constrói-se, «ativa-se», significando que toda a operação de construção ou de ativação patrimonial comporta em si mesma um propósito ou finalidade, uma idealização construída por uma sociedade sobre quais são os seus próprios valores culturais, revelando, por conseguinte, a sua identidade coletiva, veiculando uma consciência e um sentimento de grupo, para os próprios e para os demais, erigindo, nesse processo, fronteiras diferenciadoras que permitem manter e preservar a identidade coletiva.

19.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (5)

O património, como interpretação do passado, é uma recriação da história, que emana visões essencialistas do passado e neutraliza as contingências históricas.

 

O legado patrimonial é, assim, «um legado falsificado para fins de identificação coletiva, apesar de beber nos factos históricos e na diversidade cultural os motivos para a sua formulação». Tem, assim, um uso de identificação simbólica.

 

Para além dos fins de identificação simbólica, o património serve também, intrinsecamente, os propósitos de quem ativa esses repertórios patrimoniais, ou seja, serve fins políticos, quando fornece os símbolos que «favorecem a coesão social ao mesmo tempo que legitima as instituições sociais que emanam estes mitos ma medida em que suprimem a contradição e as tensões dialéticas desfragmentadoras da realidade e a contestação».

 

Por outro lado o património tem ainda um outro uso. Por via do seu aproveitamento turístico, ou uso económico, «no contexto de uma sociedade ‘pós-tradicional’, nostálgica e carente de elementos de identificação coletiva, confere ao património uma nova vitalidade».

 

A dimensão mais explicitamente utilitária do património, como é a turística, convive com as duas anteriores numa relação de complementaridade e de retroalimentação, pois os referentes simbólicos fornecem os motivos que alimentam a indústria turística e a indústria turística recria os elementos culturais e a própria história, emanando novos referentes simbólicos que dão substância à imaginação coletiva, integrando-se naquilo a que Hobsbawm designa na nova «mitologia retrospetiva» que sobre o património é erigida e acrescentando-lhes novos elementos.

 

Sendo a autenticidade um constructo, o património que é inventado para satisfazer a procura turística não é menos autêntico do que aquele que é resgatado de um «corpus» cultural, nem a cultura que resulta desse processo de recriação será, como refere Santana Talavera, uma cultura «bastarda».

 

Contextualizar o turismo não significa unicamente salientar a dimensão local e estabelecer as relações com os espaços envolventes, no sentido de turismo aberto. Contextualizar significa, aqui, partilhar os «textos» (estratégias e discursos) de realidades diferentes num espaço comum, de modo a que os agentes desta relação de partilha possam entender os vários sentidos presentes.

 

Só dentro desta lógica da relação de partilha se pode compreender hoje o turismo, nas variadas dimensões de que ele se reveste.

 

E, assim, evitar-se aquilo que, como afirma um autor, em que  a preservação da tradição leve, como aconteceu na última década, «ao florescimento de aldeias cenário, fantasmas, propriedade de citadinos, que nos poucos fins de semana que passam na aldeia alentejana, carregados de compras dos hipermercados da capital, se arriscam a ir aliviar o stress, para um Alentejo sem alentejanos».

 

Como diz Anthony Giddens: «Uma tradição que é esvaziada de conteúdo, comercializada, torna-se uma herança ou um kitsch, um berloque sem valor que se compra na loja do aeroporto. Quando tratada pela indústria da herança, a herança é a tradição refeita em termos de espetáculo. Os edifícios reconstruídos em locais de interesse turístico podem parecer esplêndidos, e a reconstrução pode ter sido autêntica até ao mais ínfimo pormenor. Mas a herança assim protegida deixa de ser alimentada pelo sangue vital da tradição, a qual está em conexão com a experiência da vida corrente».

 

Mas aqui devemos também ter em devida conta Augusto Santos Silva quando nos alerta para o carácter dinâmico do património ao nos alertar que «o que definimos hoje como valor patrimonial não é o mesmo que definíamos noutras épocas. E o que valorizamos hoje como referência patrimonial – por exemplo um sítio monumental – é o resultado de múltiplas e, muitas vezes, contrárias intervenções humanas. Não vejo, pois, como haveremos de pensar produtivamente, em matéria de conservação e salvaguarda, se teimarmos em procurar autenticidades e primordialidades imaginárias».

 

Conceitos como inovação e tradição, num contexto de sustentabilidade, pressupõem em primeiro lugar, espaços vividos, habitados, com estratégias realistas de desenvolvimento socioeconómico, onde a fixação de populações é o fator determinante.

 

Entre o liberalismo selvagem, que não reconhece valores ecológicos e culturais, e o ambientalismo radical que só reconhece florzinhas e passarinhos, o desafio para as comunidades locais que queiram apostar no turismo como uma das estratégias para o seu desenvolvimento é o de abrirem-se ao exterior, modernizando-se pela função turística e, ao mesmo tempo, implicarem-se num reinvestimento do seu passado, reestruturação do seu património, na manutenção e revitalização das suas tradições, realçando a topofilia, o elo emocional entre uma pessoa e um lugar ou envolvente física, o mesmo que dizer, o sentimento de pertença a um lugar ou região de origem, de residência, de trabalho ou de lazer.

 

Ora, todo este desafio para um interior sem gentes, não passa de uma quadratura do círculo, transformando a realidade, daqueles que ainda têm esperança numa renovação destes nossos territórios deprimidos, num autêntico e verdadeiro pesadelo.

 

Sistelo é, positivamente, uma maravilha de aldeia, como património, aliás como muitas outras aldeias espalhadas por este nosso Portugal.

 

Falta ainda muito – se é que algum dia acontecerá – para efetivamente ser, como monumento nacional que é, uma maravilha viva. Com gentes frequentando os seus espaços públicos, hoje praticamente vazios!

20.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (46)

Eram estas as reflexões que congeminávamos, enquanto saíamos da aldeia

21.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (57)

para percorrer a Ecovia do Vez até Arcos de Valdevez

22.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (50)


publicado por andanhos às 15:53
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês - Trilho dos Moinhos de Parada

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

 

01.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (4)

 

TRILHO DOS MOINHOS DE PARADA

 

14.abril.2018

 

 

 

 

Gosto de rever certas paisagens,

ainda mais do que reler certos livros.

São belas como eles, e nunca envelhecem.

O tempo não degrada a linguagem que as exprime.

Pelo contrário, enriquece-a, até, num esforço de perfeição constante que,

embora involuntário, parece intencional.

Faz alargar a copa a um carvalho,

e reforça determinado volume;

outoniça precocemente algumas folhas,

e esbate um pouco a cor afogueada de uma encosta;

entoira um ribeiro, e gera um lago onde se espelha o perfil dos montes.

E eu olho, olho e não me canso de admirar uma placidez

assim permanentemente movimentada.

Pobre artista que sou, sei que é esse renovo ininterrupto

que falta às obras puramente humanas.

Mesmo as geniais, são apenas momentos vibráteis

Na quietude da eternidade,

Ilhas vulcânicas no mar morto do tempo.

Agitam-se, mas dentro do seu anquilosamento histórico.

 

 

Gerês, 03 de Agosto de 1959

Diário VIII, Miguel Torga

 

 

Hoje abandonámos a Porta do Campo de Gerês, no concelho de Terras do Bouro, e dirigimo-nos para a do Lindoso, no concelho de Ponte da Barca.

 

Abandonámos a Porta do Campo de Gerês e a serra do Gerês, trocando-a pela serra Amarela.

 

Antes de nos dirigirmos às instalações da Porta, situadas mesmo em frente à Igreja Matriz de Lindoso, fomos, uma vez mais, dar uma volta pelo magnífico conjunto de espigueiros e pelo seu histórico Castelo.

 

Não deixamos aqui qualquer imagem pois, quer na nossa página do Facebook, quer nos nossos blogues, já, noutras ocasiões, fizemos reportagem sobre Lindoso, com o seu conjunto de espigueiros e Castelo. Florens quis conhecer, mais a fundo, este conjunto de Lindoso; por isso, demorámo-nos nesta localidade um pouco mais e só efetuámos o Trilho dos Moinhos de Parada da parte de tarde.

 

Consultando o mapa com o ponto da situação, no que respeita aos percursos com sinalização convencional nos terrenos existentes no território do PNPG, da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), informação de setembro de 2017, damo-nos conta que o percurso nº 19 – Trilho dos Moinhos de Parada, cujo folheto ou brochura é da responsabilidade da ADERE, é desaconselhável fazê-lo.

 

Aliás, esta mesma informação é-nos também dada pelo blogue «CARRIS». 

 

Dirigindo-nos às instalações da Porta do Lindoso, fomos recebidos por um seu funcionário, biólogo, que, muito simpaticamente, nos forneceu informação sobre todos os trilhos transitáveis desta Porta, e transitáveis com segurança.

 

Quanto ao Trilho dos Moinhos de Parada, informou-nos que está a ser objeto de reestruturação, ou seja, e pelo que nos apercebemos, pretende-se juntar o Trilho dos Moinhos de Parada com o Trilho do Penedo do Encanto.

 

Perante o nosso interesse em efetuar o Trilho dos Moinhos de Parada, o nosso biólogo aconselhou-nos a que tivéssemos cuidado e atenção na sinalização provisória, a vermelho.

02.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (1)

E foi o que tentámos fazer, embora não tenhamos ido até ao cimo do Penedo do Encanto, uma vez que, noutra ocasião, já o tínhamos feito.

 

Grosso modo, o nosso itinerário cobriu mais de metade do Trilho dos Moinhos de Parada e parte, embora pequena, do Trilho do Penedo do Encanto, em especial a aldeia de Parada, conforme mapa que a seguir se mostra, com traçado a amarelo.

03.- Mapa do trilho dos Moinhos de Parada

De acordo com a brochura da ADERE, saindo da estrada, no local onde exibimos a penúltima imagem, começámos a descer

04.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (2)

até ao ribeiro de Mulas.

05.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (3)

Foi este o nome que os senhores Adérito e Manuel Ribeiro nos deram, quando nos cruzámos com eles, mais ao fundo do percurso, nas proximidades da represa.

06.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (5)

Imediatamente a seguir a esta corrente de água do ribeiro Mulas, aparece-nos um moinho.

07.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (1)

Saindo do leito do ribeiro, subindo um pouco, entrámos na aldeia de Parada.

08.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (8)

Percorremos as suas antigas ruas,

09.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (9)

quase sempre cobertas de vinha em latada.

10.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (7)

(Cenário I)

11.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (12)

(Cenário II)

12.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (13)

(Cenário III)

O seu bonito casario é praticamente todo em granito.

13.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (10)

E não nos podemos esquecer que Parada já foi sede do concelho de Lindoso. A testemunha-lo, temos o edifício dos Paços do Concelho, o Tribunal,

14.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (11)

e a antiga Prisão.

15

Terra minhota que se preze, por estas bandas, não dispensa a sua eira, com os seus espigueiros,

16.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (15)

como esta - a Eira das Leijas.

17.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (14)

E, quanto a água, aqui também não falta, como este depósito/represa, para regar as hortinhas ao pé das casas.

18.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (16)

Saímos de Parada pelo Chão da Cabeça e, descendo por um bosque, constituído essencialmente por eucaliptos,

19.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (17)

observámos restos «arqueológicos» - carris utilizados para a construção de um túnel, mais abaixo - deixados aquando da construção da barragem do Lindoso, que nos fica a montante.

20.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (18)

Depois, veio a parte mais interessante e bonita deste trilho, com uma componente ambiental e paisagística, sobranceira à encosta da serra Amarela, virada para o vale do rio Lima.

 

Deixemos aqui aos nossos leitores partes do troços e cenários que nos conduziram até ao fundo do nosso trilho – a represa do ribeiro Mulas.

21.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (19)

(Troço e cenário I)

22.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (20)

(Troço e cenário II)

23.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (21)

(Troço e cenário III)

24.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (22)

(Troço e cenário IV)

25.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (23)

(Troço e cenário V)

A certa altura, os meandros do rio Lima, depois de sair da represa da albufeira do Lindoso.

26.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (24)

Uns metros mais à frente, vemos a estrada, que vai à Central da barragem de Lindoso, e a boca do túnel.

27.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (28)

Florens espera por nós. E contempla o apertado vale do rio Lima, atento a uma das suas prolongadas cascatas,

28.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (27)

tendo como pano de fundo a serra Amarela.

29.-2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (26)

E continuámos caminho, observando, do outro lado da margem, as aldeias de Campo Grande e Cunhas.

30.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (29)

O caminho de terra deu lugar a um carreteiro, por onde passavam os carros puxados por juntas de bois,

31.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (30)

que nos leva a descer até ao açude do ribeiro de Mulas.

32.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (31)

Na descida, o açude, a ponte do ribeiro de Mulas e a cancela, que dá continuidade ao nosso percurso.

33.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (32)

Até que chegámos à margem do ribeiro,

34.-2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (33)

lugar fresco e aprazível, de águas límpidas.

35.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (34)

Aqui fizemos uma pequena pausa, fazendo o reconhecimento do terreno e da sua flora.

36.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (35)

O lugar exigia contemplação. E que captássemos a correnteza das suas  águas.

37.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (36)

(Cenário I)

38.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (37)

(Cenário II)

39.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (38)

(Cenário III)

O sol, ao alto, aquecia, cada vez mais, o ambiente. E tínhamos uma razoável subida pela frente até chegarmos a Parada.

 

Despedimo-nos das águas do ribeiro

40.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (39)

e da sua presa.

41.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (41)

Abrimos a cancela,

42.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (40)

e, pelo estradão acima, despedindo-nos dos apertados meandros do rio Lima.

43.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (42)

Sensivelmente a meio da nossa subida, encontrámos os nossos já referidos senhores Adérito e Manuel Ribeiro. E, a eles, uma pergunta sacramental se impunha que lhes fizéssemos:

- Então, afinal, onde estão os moinhos de Parada?

 

A resposta veio pronta:

- Existem cerca de trinta, a montante do açude, ao longo da margem direita do ribeiro. Estão em completa ruína. Para se lá chegar, é difícil. Seria necessário proceder à limpeza da sua respetiva margem.

 

E é pena!

 

Para um trilho designado de moinhos, encontrar, até agora, apenas um, não é praticamente nada, fazendo muito pouco jus ao nome do trilho…

 

Os amigos Adérito e Manuel lá foram às suas vidas, ver  e/ou cuidar das suas leiras. E nós continuámos caminho. Até que chegámos à estrada, nas proximidades de Parada, onde tínhamos estacionado a nossa viatura.

 

Faltava-nos ver o segundo moinho bem como o designado Poço da Gola.

 

Pegámos na viatura e, num largo, mesmo perto desta fonte,

44.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (63)

iniciámos um percurso – que não chegou a 1 Km -, indo ao encontro, uma vez mais, do ribeiro de Mulas,

45.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (43)

onde Florens se ocupou a tirar fotos a estas pequenas quedas de água.

46.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (44)

Seguindo a vereda, fomos ao encontro do 2º moinho do nosso percurso.

47.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (45)

Abrimos a porta para ver o que tinha lá dentro: velhos utensílios. Mas já sem uso!

48.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (58)

Junto ao moinho, passámos por esta ponte de madeira para a outra margem

49.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (47)

e, subindo um pouco, pusemo-nos em contacto com este lugar tão aprazível, deixando aqui alguns cenários, quer da correnteza das águas, quer do dito Poço da Gola e sua cascata.

50.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (46)

(Cenário I)

51.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (48)

(Cenário II)

52.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (49)

(Cenário III)

53.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (50)

(Cenário IV)

54.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (54)

(Cenário V)

55.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (51)

(Cenário VI)

56.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (52)

(Cenário VII)

57.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (53)

(Cenário VIII)

Sentámo-nos nesta fraga-lajedo a descansar e contemplar todo este bonito entorno. Florens, com a sua máquina fotográfica, captava pormenores.

58.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (55)

Saímos deste tão bonito lugar pela mesma ponte por onde tínhamos entrado,

59.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (56)

despedindo-nos do velho moinho

60.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (57)

e do ribeiro de Mulas, com as suas linhas de água, brotando para o seu leito,

61.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (59)

observando a ponte medieval (?).

62.- 2018.- Trilho dos Moinhos de Parada  (64)

Florens, por cima do seu tabuleiro, continua a tirar fotos ao lugar, à ponte e ao ribeiro.

 

Eram já horas de regressar. Metemo-nos na viatura e, numa hora e pico, chegámos à Vila do Gerês, onde continuávamos alojados.

 

Apesar de não vermos muitos moinhos, foi um passeio de 6. 650 Km (valor acumulado), feitos em cerca de duas horas (fora os tempos de paragem, claro!),

64.- Trilho dos Moinhos de Parada - Dados técnicos 01

com a elevação e velocidade que o gráfico abaixo mostra.

65.- Trilho dos Moinhos de Parada - Dados técnicos 02


publicado por andanhos às 19:54
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho dos Currais

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

01.- 2018.- Trilho dos Currais (97)

 

TRILHO DOS CURRAIS

(Percurso de âmbito cultural e paisagístico)

 

13.abril.2018

 

 

 

Sou, na verdade, um geógrafo insaciável,

Necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição.

Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal,

e atiro-me às serranias como à broa da infância.

É fisiológico, isto.

Comer terra é uma prática velha do homem.

Antes que ela o mastigue, vai mastigando ele.

O mal, no meu caso particular, é que exagero.

Empanturro-me de horizontes e de montanhas,

e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal.

Uma província ainda mais pobre do que as outras,

que apenas produz uns magros e tristes versos...

 

Gerês, 17 de Agosto de 1958

Diário VIII, Miguel Torga

 

 

Na preparação deste Trilho dos Currais, os sítios da internet e os blogues consultados, invariavelmente, na descrição do percurso, apoiam-se todos no prospeto – PR 3-Trilho dos Currais (Património Histórico e Cultural), do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)  e o PR 3 – Trilho dos Currais (Património Histórico e Paisagístico), do município de Terras do Bouro/Adere Peneda-Gerês.

 

Quanto à fauna.

 

Diz este último panfleto ou brochura: “Ao calcorrear este trilho de admiráveis paisagens naturais, observam-se os animais em pastoreio; as cabras (Capra), as vacas (Bos taurus) e os cavalos (Equus caballus), as aves de rapina e outros animais. Selvagens.

As aves são de fácil observação e destacam-se na paisagem natural. Desta espécie podem ser observadas a águia-de asa-redonda (Buteo buteo), o falcão peregrino (Falco peregrinus), o penereiro (Falco tinnunculus) e a gralha-de-bico vermelho (Pyrrochorax pyrrochorax).

Destaca-se, ainda, o corço (Capreolus capreolus), o lobo (Canis lupus), o javali (Sus scrofa), o esquilo (Sciurus vulgaris). Devido aos seus hábitos mais esquivos, torna-se difícil a sua observação, contudo deve dar-se atenção aos seus indícios – as pinhas roidas, os dejetos, as tocas, as pegadas, os vestígios de alimentação – que traduzem a sua presença”.

 

Acreditamos sinceramente que esta fauna possa ser oncontrada neste trilho. Nós, por pouca sorte, ou talvez falta de hábitos de observação, nem sequer indícios vimos!

 

Porventura, ao chegarmos a Pedra Bela, nos arredores da Casa Florestal e Posto de Vigia, por entre aquelas pequenas pinhas,

02.-2018.- Trilho dos Currais (73)

algum esquilo fugitivo tenha passado por nós sem, contudo, nos tenhamos apercebido.

 

De quem nos apercebemos, isso sim, foi, depois de treparmos aquela «dolorosa» subida do primeiro terço do percurso, e quando chegámos ao estradão florestal, foi destas duas simpáticas jovens norte-americanas.

03.- 2018.- Trilho dos Currais (188)

Trocámos apenas meia dúzia de palavras. As chacopas, de pronto, continuaram, continuando o estradão por onde vinham, o seu percurso, com que levadas pelo vento!

 

Portanto, de presença, e fugitivas, apenas estas duas meninas norte-americanas. Mais nemhuma vivalma vimos até que chegámos a Pedra Bela!

 

É possível que os animais indicados no panfleto andem por aqui... às horas do dia em que efetuámos o trilho, precaveram-se de aparecer... vá lá o diabo tecê-las!...

 

No ar, vimos uma ou outra ave, voando rapidamente. Mas não deeu para as identificarmos. E infelizmente também não ouvimos o trinar ou as lindas sinfonias dos passariformes. O tempo para eles não estava convidativo, preferindo arranjar os ninhos ou, talvez, nos ninhos, cuidando das suas crias.

 

Agora quanto à flora.

 

Diz o mesmo documento que vimos citando que “é rico em valores florísticos, quer a nível arbóreo, quer arbustivo. Na área envolvente do trilho estão representadas as espécies de resinosas: pinheiro silvestre (Pinus Sylvestris), pinheiro bravo (Pinus pinaster) e pinheiro negral (Pinus nigra). Das folhosas destancam-se os carvalhos (Quercus robur) e (Quercus pyrenaica), o azevinho (Ilex aquifolium), o medronheiro (Arbustus unedo), a pereira brava (Pytrus pyraster), o padreiro (Acer pseudoplatanus) e o cornogodinho ou tramazeira (Sorbus aucuparia).

A sua composição florística diversifica-se conforme a altitude e os microclimas. À medida que se sobe em altitude as espécies de mato tornam-se dominantes. Observam-se os tojais (Ulex minor) e (Ulex europaeus), a torga (Calluna vulgaris), carqueja (Chamaespartium tridentatum) e as urzes (Erica arborea) e (Erica cinerea), encontrando-se em zonas de maiores altitudes o zimbro (Juniperus)”.

 

Quanto à flora, apesar da maior expansão das espécies resinosas, o trilho é, como mais adiante mostraremos, rico em apresentação de outras espécies arbóreas e arbustivas.

 

Falemos agora do trilho propriamente dito. Tomemos as palavras, quer do prospeto da ADERE Peneda-Gerês, quer do ICNF. Ambos, ipsis verbis, dizem:

O Trilho dos Currais, inserido na temática «tradições comunitárias», percorre uma área de singular beleza natural da Serra do Gerês.

Percorre-se ao longo de três currais do Baldio de Vilar da Veiga: o Curral da Espinheira, o Curral da Carvalha das Éguas e o Curral da lombaq do Vidoeiro, constituindo um percurso de pequena rotaq (PR) cuja distância a percorrer é de 10 Km, sendo o grau de dificuldade médio a elevado.

Inserido no âmbito Cultural e Paisagístico, o Trilho dos Currais proporciona um contacto direto com o espírito e tradições comunitárias locais, a partir da organização silvopastoril na forma de vezeira.

Esta prática comunitária, peculiar da Serra do Gerês, decorre de Maio a Setembro, sendo o gado bovino da comunidade emcaminhado pelos caminhos carreteiros até à serra alta, onde se situam os currais.

Os vezeiros – proprietários do gado – acompanham durante dias ou semanas o gado, consoante o número de cabeças que possuem, transportando os utensílios para a alimentação e estadia nas cabanas dos currais.

A manutenção destas estruturas comunitárias é assegurada anualmente. Todos os anos, previamente à subida do gado para a serra, no dia dos cubais, os proprietários limpam os caminhos carreteiros, arranjam as cabanas e as fontes”.

 

Este ano a primavera veio mais tardia e o verão, por isso, vai fazer-se mais tarde.

 

O nosso percurso por este trilho fez-se em meados de abril. Por isso, nem o gado nos currais e os seus vezeiros, nem tão pouco o arranjo dos caminhos carreteiros, vimos: apenas as infraestruturas permanentes dos currais!

 

Descrevamos, agora sumariamente, o nosso percurso no Trilho dos Currais.

 

1.- Primeiro terço do percurso – a beleza do bosque e o enorme esforço da subida

 

O trilho inicia-se junto da estrada nacional não muito longe do Centro de Interpretação Ambiental do Vidoeiro.

04a.- 2018.- Trilho dos Currais Samsung) (1)

Após passar ao lado do parque de merendas do Vidoeiro

05.- 2018.- Trilho dos Currais (3)

e de algumas casas,

06.- 2018.- Trilho dos Currais (10)

 inicia-se a subida.

07.- 2018.- Trilho dos Currais (19)

(Troço I)

08.- 2018.- Trilho dos Currais (27)

(Troço II)

09.- 2018.- Trilho dos Currais (46)

(Troço III)

10.- 2018.- Trilho dos Currais (52)

(Troço IV)

11.- 2018.- Trilho dos Currais (61)

(Troço V)

Ficou na nossa retina os seguintes cenários.

12.- 2018.- Trilho dos Currais (50)

(Cenário I)

13.- 2018.- Trilho dos Currais (55)

(Cenário II)

14.- 2018.- Trilho dos Currais (62)

(Cenário III)

A certa altura, uma pequena pausa. Era necessário hidratar-nos: o esforço da subida e o calor, que começava a surgir, assim o exigiam.

15.- 2018.- Trilho dos Currais (76)

Até que chegámos ao estradão florestal, percorridos sensivelmente cerca de 4 Km, onde encontrámos as duas norte-americanas já referidas.

16.- 2018.- Trilho dos Currais (81)

Mas o percurso continuava a subir

 

2.- Os três currais

2.1.- Curral da Espinheira

 

até que chegámos ao Curral da Espinheira, no vale de Teixeira.

17.- 2018.- Trilho dos Currais (89)

Aqui, água não faltava.

18.- 2018.- Trilho dos Currais (90)

Percorremo-lo todo para o conhecermos,

19.- 2018.- Trilho dos Currais (94)

indo até ao singelo e apertado abrigo, encimado por uma mariola, e todo construído com a pedra local – o granito.

20.- 2018.- Trilho dos Currais (96)

Não podíamos abandonar o local sem uma fotografia da praxe, junto a este abrigo do Curral da Espinheira.

21.- 2018.- Trilho dos Currais (96a) (Samsung)

Depois, já com um percurso mais confortável para andar, sem aquela desconfortável subida para gente da nossa idade, entrando no vale do Ribeiro da Lomba do Vidoeiro, rapidamente chegámos ao segundo curral.

 

2.2.- Curral da Carvalha das Éguas

 

Este curral tem um enorme lameiro, todo cercado.

22.- 2018.- Trilho dos Currais (111)

Deixamos aqui duas perspetivas do abrigo – contrução recente –

23.- 2018.- Trilho dos Currais (102)

enquanto, continuando caminho, ultrapassavamos o cercado,

24.- 2018.- Trilho dos Currais (107)

e, penetrando no nosso trilho, fomos em direção ao Varejeiro.

25.- 2018.- Trilho dos Currais (116)

Aqui ficam, à visualização dos nossos leitores, partes dos troços e respetivos cenários,

26.- 2018.- Trilho dos Currais (119)

 (Troço e cenário I)

27.- 2018.- Trilho dos Currais (123)

(Troço e cenário II)

28.- 2018.- Trilho dos Currais (124)

(Troço e cenário III)

29.- 2018.- Trilho dos Currais (128)

(Troço e cenário IV)

30.- 2018.- Trilho dos Currais (130)

(Troço e Cenário V)

31.- 2018.- Trilho dos Currais (131)

(Troço e cenário VI)

32.- 2018.- Trilho dos Currais (133)

(Troço e cenário VII)

33.- 2018.- Trilho dos Currais (144)

(Troço e cenário VIII)

34.- 2018.- Trilho dos Currais (146)

(Troço e cenário IX)

até ao

 

2.3.- Curral da Lomda do Vidoeiro.

 

É um lugar bastante húmido.

35.- 2018.- Trilho dos Currais (156)

(Perspetiva I)

36.-2018.- Trilho dos Currais (154)

(Perspetiva II)

37.- 2018.- Trilho dos Currais (158)

(Perspetiva III)

38.- 2018.- Trilho dos Currais (159)

(Perspetiva IV)

39.- 2018.- Trilho dos Currais (160)

(Perspetiva V)

40.- 2018.- Trilho dos Currais (161)

(Perspetiva VI)

Mas, aqui não vislumbrámos qualquer estrutura de abrigo ou alojamento.

 

Continuámos caminho.

41.- 2018.- Trilho dos Currais (162)

Em poucos metros, depois de ultrapassada esta mariola,

42.- 2018.- Trilho dos Currais (167)

e percorridos os últimos metros deste estradão,

43.- 2018.- Trilho dos Currais (165)

Entrávamos no cruzamento do caminho florestal que, a partir daqui, ia para a Ermida do Gerês e à cascata do Arado, num sentido, e, noutro, à Pedra Bela.

 

Nosso percurso era seguir até à Pedra Bela. Mas, antes, tínhamos de fazer uma pequena paragem. O lugar justificava.

 

3.- A Casa da Floresta e o Miradouro da Pedra Bela

 

Tratava-se de dar uma vista de olhos a esta Casa da Floresta e Posto de Vigia,

44.- 2018.- Trilho dos Currais (177)

(Perspetiva frontal)

45.- 2018.- Trilho dos Currais (183)

(Perspetiva posterior)

seus anexos,

46.- 2018.- Trilho dos Currais (186)

(Anexo I)

47.- 2018.- Trilho dos Currais (190)

(Anexo II)

Seu tanque e escadas para um posto de observação e miradouro.

48.- 2018.- Trilho dos Currais (180)

À saida do lugar, ainda demos uma vista de olhos aos arredores. Este enorme tanque e sistema de rega indiciava outrora, aqui, a existência de viveiros de alguma importância.

49.-2018.- Trilho dos Currais (168)

Decorridas duas ou três cdentenas de metros, estávamos na Pedra Bela.

50.- 2018.- Trilho dos Currais (193)

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi este poema de Miguel Torga, cinzelado em chapa de ferro, por detrás de uma fraga granítica. Seu nomé é Pátria.

51.- Trilho dos Currais

Nada mais apropriado o poema para o lugar!

 

Subimos ao Miradouro de Pedra Bela, um dos mais bonitos do país.

 

A nossos pés, a linda barragem da Caniçada

52.- 2018.- Trilho dos Currais (200)

e parte da sua panorâmica envolvente.

53.- 2018.- Trilho dos Currais (196)

Descemos do Miradouro, ainda com a Caniçada na retina.

54.- 2018.- Trilho dos Currais (214)

 

 

4.- O regresso à Vila do Gerês

 

Agora tínhamos pela frente uma descida vertiginosa até às proximidades da Vila de Gerês,

55.- 2018.- Trilho dos Currais (217)

até que chegámos ao asfalto, nas proximidades da Fonte do Curral do Gaio.

56.- 2018.- Trilho dos Currais (219)

A omnipresença do verde e... do carvalho!

57.- 2018.- Trilho dos Currais (221)

Asfalto, água escorrendo pelo monte, pedra e, encoberto por um muro, coberto de musgo, o parque público da Vila do Gerês, decrépito, mas com tantas memórias de vidas passadas para contar...

58.- 2018.- Trilho dos Currais (223)

Descemos até ao vale cavado pela Falha do Gerês-Lobios, com cenários fantásticos,

59.- 2018.- Trilho dos Currais (225)

(Cenário I)

60.- 2018.- Trilho dos Currais (233)

(Cenário II)

61.- 2018.- Trilho dos Currais (234)

(Cenário III)

que não resistimos a captar.

62.- 2018.- Trilho dos Currais (231)

Até que chegámos

63.- 2018.- Trilho dos Currais (236)

ao fim do nosso percurso do Trilho dos Currais.

64.- 2018.- Trilho dos Currais (237)

Agora era apenas uma pequena subida, passando por esta antiga Casa Florestal

65.- 2018.- Trilho dos Currais (240)

para chegarmos ao lugar onde tím«nhamos estacionado a nossa viatura.

 

E descansar dos 11, 810 Km, feitos em 3 horas e 54 minutos,

66.- Sem título-1

à velocidade e com a elevação de o gráfico abaixo mostra.

67.- Sem título-2

Na despedida, deixamos aos nossos leitores esta mariola.

68.- 2018.- Trilho dos Currais (152)


publicado por andanhos às 16:48
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