Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 1)

 

1.- Introdução (1)


1.1.- Um pouco de Enquadramento:  História e/ou Lenda

 

                 (Santiago – Catedral de Santiago de Compostela)


Caminhos de Santiago. Que Santiago? Quem era Santiago?

 

Socorramo-nos das linhas iniciais da interessante dissertação de mestrado de Ana Catarina Mendes “Peregrinos a Santiago de Compostela: uma etnografia do Caminho Português”, mestrado em Antropologia Social e Cultural, Instituto de Ciências Socias, Universidade de Lisboa, 2009, adaptando livremente aquele texto ao assunto que aqui nos interessa.

 

Segundo a Bíblia, Tiago Maior, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de São João, o Evangelista, foi um dos quatro primeiros discípulos de Jesus Cristo. O nome Tiago deriva da latinização de Ia’aqob (em hebraico) para Iacobus. Em espanhol e português a aglutinação de Sant’Iago deu origem a Santiago, em francês e inglês usa-se Jacob. Existe, também, a variação Iacomus, de onde vem o James inglês. Afrancesado vira Jacques.

 

O Novo Testamento conta-nos que nasceu em Betsaida, na Galileia, e era pescador: «E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago e João, num barco, com seu pai, Zebedeu, consertando as redes. E chamou-os. Eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.» (Mateus 4:21 e 22).

 

Era um dos escolhidos de Jesus, quando este só se fazia acompanhar por três Apóstolos, estando presente na transfiguração no Monte Tabor e no Monte das Oliveiras, pouco antes da prisão de Jesus.

 

                         (Martírio de Santiago Maior)

 

Após a morte de Cristo, e a dispersão dos Apóstolos pelo mundo, Santiago foi pregar em regiões longínquas, passando algum tempo a tentar evangelizar a Península Ibérica, em especial na região da Galiza. (…). O processo de evangelização não teve muito sucesso. Regressou à Palestina, foi preso e decapitado, a mando de Herodes Agrippa. De acordo com o escrito nos Actos dos Apóstolos, «[…] por aquele mesmo tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar. E matou à espada Tiago, Irmão de João» (Actos 12:1-2) e o seu corpo foi lançado aos cães (Isto, aproximadamente, no ano 44).

 

                                                   (Apóstolos Teodoro e Atanásio)

 

Dois dos seus discípulos, Teodoro e Atanásio, roubaram o corpo do mestre, levaram-no até ao mar e embarcaram-no "numa barca sem leme nem vela, tripulada por anjos". Passaram o estreito de Gibraltar (as colunas de Hércules), circundaram a Lusitânia, e, em sete dias, chegaram a Iria Flávia, na Galiza.

 

Já em terras galegas, os dois discípulos vivem ainda uma série de aventuras. As várias lendas contam como pediram permissão à Rainha Lupa, uma dama pagã, para enterrar o Apóstolo. Ela denuncia-os ao governador romano. São presos, mas conseguem fugir por intervenção angélica, por via da queda milagrosa de uma ponte que os livrou da perseguição romana. Vão de novo ter com Lupa, que lhes oferece uma manada de touros selvagens para transportarem o corpo. Amansam-nos em nome de Cristo; enfrentam um dragão e, finalmente, convertem Lupa ao cristianismo. Esta, então, providencia o terreno para enterrar o Apóstolo num monte em "Libredón". Neste local, os discípulos colocam as relíquias numa arca de mármore e constroem uma pequena capela, que guardam até ao fim das suas vidas.                                                            

O corpo esteve esquecido durante cerca de 800 anos. Encontramos o primeiro relato da descoberta do túmulo do Apóstolo na "Concórdia de Antealtares" (1077), um manuscrito em latim, assinado pelo abade do convento de São Paio de Antealtares e pelo bispo de Santiago, Diogo Páez. A Concórdia descreve a forma como Pelayo, um ermitão do bosque de "Libredón", teve uma visão angelical onde lhe foi dito que descobriria o túmulo do Apóstolo. Pelayo observou durante algumas noites seguidas uma "chuva de estrelas" e escutou "música sobrenatural", num monte do bosque, e avisou o bispo Teodomiro, de Iria Flávia (actual Padrón, na Galiza). Segundo o documento, o bispo ordenou escavações no local e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo e dos seus discípulos. A Concórdia não estabelece uma data para a presumível data da descoberta, mas a maioria dos autores situa-a entre 812 e 820. Pardiac, que publica um panfleto em 1863 sobre a peregrinação a Compostela, afirma que os restos mortais do Apóstolo foram descobertos no ano 816. Vasaeus, na sua "Crónica de Espanha", diz que a descoberta é anterior ao ano 798 e que as peregrinações ao túmulo começaram no ano 849.


Sob a cidade de Santiago de Compostela foram encontradas ruínas de um mausoléu pagão datado do século I à volta do qual foi construída uma vila romana com um cemitério cristão que foi utilizado até ao século VII. Os historiadores debatem ainda hoje a origem da palavra Compostela apontando duas proveniências possíveis: Campus Stellae (Campo das Estrelas) ou uma derivação da palavra compositum (cemitério). A fundação da cidade é do ano 830. Foi erigida uma capela para proteger a tumba do apóstolo e o bispo de Iria Flavia mudou o assento episcopal para Santiago.

 

Veja-se, a este propósito, o sítio www.foros.catholic.net/viewrtopic.php?=45663 bem assim http://www.vallenajerilla.com/berceo/arbeiter/arquitecturasenlaaltaedadmedia.htm.

 

                        (Miniaturas – Teodomiro e o Sepulcro de Santiago; Afonso III, Rei das Astúrias)

 

Em 899, no reinado de Afonso III, Rei das Astúrias, começou-se a construção de uma nova basílica que, em 997,  foi incendiada pelas tropas muçulmanas de Almançor. A reconstrução da basílica foi iniciada, já como catedral românica, em 1075, por iniciativa do Rei Afonso VI da Galiza, sendo bispo Diego Peláz.

 

A lenda e a história misturam-se neste ponto. A maioria dos autores adopta datas diferentes para todos estes acontecimentos. Mas uma coisa é certa: a necessidade politica de unificação, e a luta religiosa entre o cristianismo e o Islão estão na base da "descoberta" do sepulcro e da adopção de Santiago como patrono. Alguns autores sugerem mesmo que teria sido obra de Afonso II, rei das Astúrias, do bispo Teodomiro ou mesmo de Pelayo.

 

A maioria dos autores concorda que a adopção de Santiago como patrono da cristandade deve ser atribuída à necessidade de adopção de um símbolo para a Reconquista. As especiais condições políticas existentes na época, nomeadamente a necessidade de fortalecimento da monarquia asturo-leonesa e a sua guerra contra os muçulmanos, estão na base da importância histórica que um facto inexistente ou duvidoso, como a descoberta do sepulcro do Apóstolo Santiago, viria a assumir.

 

Johannes Vasaeus, historiador e humanista flamengo, afirma na sua "Rerum Hispaniae memorabilium annales" (1577) que as peregrinações ao túmulo do apóstolo começaram no ano 849. Para este acontecimento, a abadia de Cluny, fundada em 910 pelo duque Guilherme da Aquitânia, constitui-se num dos principais centros dinamizadores das peregrinações jacobeias. Os seus monges estabeleceram-se preferencialmente ao longo dos Caminhos de Santiago, onde fundaram mosteiros, ergueram igrejas, estabeleceram refúgios, hospícios e outras casas ou instituições de assistência aos peregrinos. Pode dizer-se que a Ordem de Cluny foi a primeira agência de propaganda na Europa das peregrinações a Santiago.

 

                                     (Arcebispo Diego Gelmirez)

 

Diego Gelmírez, um antigo escriba do conde D. Raimundo de Borgonha, senhor da Galiza, eleito em 1102 arcebispo de Santiago de Compostela, é o responsável pela compilação de um conjunto de documentos conhecidos como a "História Compostelana". A divulgação deste documento serviu para difundir a um vasto público a ideia de que Compostela era o pólo mais importante da cristandade depois de Roma ou, talvez mesmo, depois de Jerusalém. Foi a partir do ano 1000 que as peregrinações a Santiago se popularizaram, tornando-se a cidade um dos principais centros de peregrinação cristã (a par de Roma e Jerusalém). A cidade de Santiago é de facto o último grande centro de peregrinação na Idade Média, e fulcral não só para o processo de reconquista cristã como também para o fomento e consolidação da cultura europeia. Os reis que mais apoiaram o Caminho, construindo uma série de infra-estruturas e locais de assistência aos peregrinos, foram Sancho III, o Grande, de Navarra, e Afonso VI, o Valente (Rei de Leão, entre 1065 e 1109; Rei da Galiza, entre 1071 e 1109 e Rei de Castela, entre 1072 e 1109).

 

Foi nesta altura que surgiram os primeiros relatos de peregrinações a Compostela.

 

                                                                                                (Codex Calixtinus ou Liber Sancti Jacobi)

 

 

O Codex Calixtinus ou «Liber Sancti Jacobi» é uma obra incontornável quanto a esta matéria. A autoria desta obra é uma "vexata quaestio". Mas não se andará longe da verdade atribuir, pelo menos, a autoria moral da mesma ao papa Calisto II, dado o nome do Codex, bem assim o conteúdo da obra e, pelo menos, o Livro V, o primeiro guia de peregrinos que se conhece (hoje diríamos, guia turístico), a Aymeric Picaud, monje franês de Poitou, cluniacense.

 

 

O "Liber Sancti Jacobi" (Codex Calixtinus) é uma obra complexa, difícil de delimitar e, consequentemente, de estudar: por um lado, por causa da distância cronológica; por outro, em razão da sua diversidade de estilos pelos quais é composto o Codex, constituído por 5 livros. Com efeito, para além de ser um guia religioso e espiritual, canção de gesta e guia de peregrinações, contém, por sua vez ilustrações, partituras musicais, missas e récitas de todo o género.

 

 

O Caminho de Santiago, tal como relatado no Codex Calixtinus, é, em terra, o desenho da Via Láctea, que indica a direcção de Santiago, servindo assim, na Idade Média, de orientação durante a noite aos peregrinos. Esta associação deu ao Caminho o nome de Caminho das Estrelas e fez com que a chuva de estrelas fosse um dos símbolos do culto Jacobeu, juntamente com a Vieira, a Cabaça e o Bordão. Estes dois últimos objectos faziam parte da indumentária do peregrino: a cabaça servia para guardar água ou vinho e o bordão para afugentar cães e lobos e ajudar a caminhar.

 

 

Segundo o «Caminho de Santiago de Compostela - Portal Peregrino -», no sítio http://www.caminhodesantiago.com/walter/lendas/calixtino.htm, existem seis exemplares (cópias) desta obra em todo o mundo: uma na Catedral de Santiago de Compostela, a par do suposto original, que segundo  o «Público» (http://www.publico.pt/Cultura/codice-calixtino-roubado-em-santiago-de-compostela-nao-tinha-seguro_1501836), de 7 de Julho de 2011, teria sido furtado da caixa forte do arquivo da catedral de Santiago de Compostela, onde estava guardado, e as restantes cinco em: Londres, Paris, Roma, Ripoll e Portugal, Mosteiro de Alcobaça.

 

 

Para além do conteúdo desta obra, convém ter em devida conta também os protagonistas que estão por detrás dela, no contexto de uma época turbulenta e conturbada, de profunda insegurança e instabilidade política em que se vivia nos reinos da Península Ibérica. Instabilidade não só por via da força e do poder islamita em grande parte do território da península, mas também pela divisão e pretensão dos diferentes reinos cristãos, e respectiva aristocracia(s) local(is), em tentarem a sua hegemonia sobre as restantes, para além da luta das sedes eclesiásticas metropolitanas (Braga, Toledo e depois a recém-criada Santiago de Compostela) em obterem o maior número de dioceses sufragâneas na península, competindo, assim, pela hegemonia.

 

                                                           (Papa Calisto II)

 

Recordemo-nos o que nos diz Maria do Amparo Tavares Maleval, ilustre medievalista, no seu escrito "O poligrafismo do Codex Calixtinus. Seu contributo à história do teatro medieval": «o Liber Sancti Jacobi, o Codex Calixtinus, assim chamado por atribuir-se a sua autoria ao papa Calisto II (1119-1124), que era irmão do conde de Galiza, Raimundo de Borgonha, e tio de Afonso VII, rei de Galiza (1111) e, posteriormente, de Leão e Castela (1135). Foi escrito na chamada Era Compostelana, que foi a época de maior esplendor da Galiza, graças à atuação de Diego Xelmírez (1065-1140), primeiro arcebispo de Santiago de Compostela (1120), tornada Sé Metropolitana graças ao seu empenho e argúcia política junto a Roma. Dessa forma, o poder que antes pertencia a Braga passou a Compostela, o que “acelerou a separación da Galicia de entre Douro e Miño – o nacente Portugal – do resto do país”. (...) Diego Xelmírez, descendente de família da baixa nobreza galega, “educado como clérigo na escola catedralícia compostelana e como cavaleiro na corte de Afonso VI”, tomou importantes medidas administrativas e culturais para fomentar a peregrinação, que nesse século XII atingiria o seu auge, e para embelezar a catedral românica e a cidade, inclusive construindo o palácio arcebispal. Contou com o beneplácito da poderosa abadia borgonhesa de Cluny». Convém lembrar que quer Calisto II quer Diego Gelmirez eram cluniacenses.

 

 

                                                                       (D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal; D. João Peculair, Arcebispo de Braga)

 

 

Para quem goste de estudar esta época, de um modo especial o período da Reconquista Peninsular, os reinos da Península bem assim a acção dos altos dignatários da Igreja, recomendo a leitura de um interessante livro de Stephen Lay, «Os Reis da Reconquista Portuguesa», da Texto Editora. No que concerne a este exacto período, veja-se, nomeadamente, não só a acção de Afonso Henriques como também a do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, também um cluniacense.

 

 

Mas continuando a falar do O Codex Calixtinus ou "Liber Sancti Jacobi", vale a pena ler atentamente o supra escrito de Maria do Amparo Tavares Maleval para aquilatarmos da importância que esta obra tem para o estudo do teatro medieval. Finalizemos esta parte destacando «a importância documental do Líber Santi Jacobi, ou Codex Calixtinus, para a comprovação do caráter dramatizado dos ofícios e ritos religiosos desenvolvidos na basílica de Santiago de Compostela no século XII. Esquecida pelos estudiosos da história do teatro na Península Ibérica (e não só), essa obra é um importantíssimo documento-monumento histórico, literário, litúrgico, musical... Escrita em latim, provavelmente entre os anos 1160-1170, contém matéria de várias procedências,(...)  O códice oferece assuntos próprios para a representação, além de apresentar farta demonstração de recursos que caracterizariam a linguagem do teatro, como diálogos (veja-se, por exemplo, a homilia atribuída a São Jerônimo e a São João Crisóstomo no capítulo XVI – Liber I), recitações e cânticos antecedidos de rubricas que os destinam a diferentes leitores e/ou cantores, como se fossem embriões dos "actores" teatrais. Nem é absurdo imaginarmos que os eclesiásticos, para a leitura das palavras de personagens da Bíblia e da História Eclesiástica, pudessem entrar "em cena" vestidos de apóstolos, ou de outras personagens bíblicas, tal como sucedia em Vich, na procissão de Corpus Christi, segundo Donovan. Ou que São Tiago pudesse estar nas procissões com "seu bordom e cabaaça e soombreiro", como mais tarde, em 1435, figuraria no registro da procissão de Corpus Christi em Alcobaça, por exemplo».

 

 

A partir do século XIV, o Caminho entrou em declínio com a Peste Negra. A Reforma Protestante foi também fulcral para o declínio do Caminho. No início do século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) abraçando as ideias dos pré-reformadores, iniciou o movimento reformista cristão contestando diversos pontos da doutrina da Igreja católica e propondo uma reforma no catolicismo. Vários pensadores da Reforma Protestante como João Calvino e Erasmo de Roterdão opuseram-se à prática da peregrinação que apelidavam de “viagens inúteis”, consideraram o culto das relíquias como idolatria e puseram em causa o significado das indulgências. O surgimento do protestantismo e a Cisão da Cristandade (entre protestantes e católicos) afectou a vinda de peregrinos dos países que aderiram à Reforma (Inglaterra, muitas zonas de Alemanha, Países Baixos, Escandinávia, Países Bálticos, etc.).

 

 

A Igreja Católica Romana respondeu com a Contra-Reforma iniciada com o Concílio de Trento (1545-1563) e, através da influência dos Jesuítas e da Inquisição, conseguiram evitar a divulgação dos ideais reformadores em países católicos como Portugal, Espanha e Itália. Embora a Reforma Protestante tenha feito arrefecer um pouco a devoção jacobeia, o certo é que, já a partir do século XVII, se pode verificar um vigoroso renascimento das peregrinações. Nos séculos XVII e XVIII, as redes de comunicação foram melhoradas e o Caminho recuperou. Mas voltou a decair com a Revolução Francesa e a dissolução das congregações religiosas em 1790 e no século XIX, com a Revolução Industrial e os progressos científicos e intelectuais.

 

 

Hoje em dia, parece que a peregrinação retoma, em novos moldes, a sua importância. O Caminho de Santiago foi declarado «Conjunto Histórico-Artístico» em 1962. Em 1985, a cidade de Santiago de Compostela foi declarada “Património da Humanidade” pela UNESCO. Em 1987, foi reconhecido pelo Conselho da Europa como "Primeiro Itinerário Cultural Europeu". E, em 1993, o Caminho Francês foi considerado “Património da Humanidade” pela UNESCO por estar repleto de marcos arquitectónicos (dos períodos românico, gótico, barroco e neoclássico). Dezenas de milhares de pessoas peregrinam anualmente a Santiago de Compostela, considerada a terceira cidade mais sagrada do cristianismo depois de Jerusalém e Roma.

 

 

1.2.-  O Caminho “Via de la Plata” (O seu traçado e a razão do nome) (2)

 

 

No contexto do território galego, são estes os principais caminhos que nos levam a Santiago:

 

 

                                                                        (Mapa dos Principais Caminhos de Santiago, Turgalicia)
Vejamos agora um outro mapa que nos mostra todo o traçado da "Via de la Plata", que corre pelo Sudeste da Península Ibérica, por forma a compreendermos melhor a discussão que se segue:

A.- Controvérsia à volta do traçado da “Via de la Plata"

 

A questão que hoje em dia se põe é a seguinte: o actual Caminho de Santiago, “Via de la Plata”, o seu traçado, corresponde ao traçado daquela antiga calçada romana? E onde começa e acaba? É em Mérida, Sevilha ou Cádiz que começa? E acaba onde? Em Astorga?... A “Via de la Plata” é apenas a que o Itinerário Antonino refere como os tramos de Mérida a Zamora e Astorga, ou também de Sevilha a Mérida, Zamora e Astorga, ou porventura, desde Cádiz até Astorga e depois até Santiago?

 

Para melhor elucidação desta questão, é de aconselhar a leitura de um interessante artigo de Diego Muñoz Hidalgo, na Revista El Nuevo Miliario, nº 11, de Dezembro de 2010.

 

Este autor, polemizando com Roldán Hervás, autor de uma tese doutoral “Iter ab Emerita Asturicam. El Camino de la Plata”, apresentada em 1971, em Salamanca, defendia como Caminho de la Plata somente aquele que vai de Mérida até Astorga.

 

Diego Muñoz Hidalgo, pelo contrário,  afirma naquela revista, sob o artigo “Sobre el topónimo «Caminho de la Plata» y ele eje S.-N./N.-S. del occidente hispânico. Nuevas consideraciones, aportaciones e reflexiones”, que, com o nome de “Via de la Plata” se vem identificando um traçado ancestral muito mais vasto e com contornos não completamente elucidados quanto ao seu início e fim, através do qual se geraram importantes acontecimentos para a história.

 

E começa por referir a passagem do homem do Paleolítico (como aqueles grupos de caçadores que seguiam a fauna selvagem quando os rigores do inverno e do verão obrigavam a procura de melhores pastos); do homem do Neolítico (com o aparecimento da incipiente transumância e a domesticação dos animais); com o homem da Idade do Bronze e da Idade do Ferro (em que vemos aqui uma série de elementos artísticos vindos do outro lado do Mediterrâneo – Médio Oriente, Egipto e Grécia – introduzidos pelo comércio fenício e pelo mítico reino de Tartessos – relevando-se o papel fundamental que gozou a colónia fenícia de Gades [Cádiz] - ); não esquecendo que, a somar às necessidades anteriores, outra lhe sobreveio, a militar, (sobre um território que se pretendia controlado para o uso de certas matérias primas, como o estanho - como foi a incursão de Aníbal para conquistar Salmantice [Salamanca], em 220 a.C. -), como os iniciadores de um corredor, neste território, necessário não só para a satisfação das necessidades cinegéticas, transumantes e comerciais mas também militares. E aberto quase de uma forma rectilínea.

 

 

(Mapa «Hispalensis Conventvs Delineatio», de Jerónimo de Chaves, 1579)

É assim, neste contexto, afirma Diego Muñoz Hidalgo, que Roma irrompe com força neste território, num processo paulatino de séculos, com fins não só militares, de aquisição e controlo de recursos mas também administrativos, construindo, desta forma, uma infra-estrutura viária eficaz para possibilitar o rápido acesso, o controlo e exploração deste espaço e, por sua vez, para a saída e comercialização de certas produções. Daqui o papel de Cádiz (Gades) nas Guerras Púnicas; a fundação de Santiponce (Itálica) depois da vitória na Batalha de Ilipa (Alcalá del Río), em 206 a.C., contra Cartago, primeira colónia romana em Hispania, num lugar estratégico para controlar os movimentos do Guadalquibir e da Serra Morena. À volta destes vaus surgem importantes povoações como Hispalis (Sevilha) que, junto com Corduba (Córdova) foram as bases da conquista romana Sul-Norte do território ocidental nas Guerras Lusitanas.

 

A “Via de la Plata” romana começou assim a construir-se em meados do século II a.C., no quadro da guerra que o cônsul Quinto Servilio Caepio encetou contra o caudilho lusitano Viriato. As obras continuaram no século I a. C. como infra-estrutura de apoio contra as hostes do também lusitano Sertório. Mas foi, em finais deste século, quando o imperador Octávio Augusto lhe dá o principal impulso, quer ordenando a construção de novos traçados, quer fundando Mérida como colónia de descanso para os soldados das guerras lusitanas, quer ainda transformando Astorga em praça forte militar e como base para controlar a exploração dos recursos mineiros, especialmente ouro e estanho, dos territórios conquistados aos cantábricos e ástures.

 

As obras de consolidação continuaram nos séculos posteriores com os imperadores Tibério, Trajano e Adriano.

 

Aquilo que hoje em dia chamamos a “Via de la Plata”, é um itinerário que vai de Sevilha até Santiago de Compostela, e aproveita, em grande medida, até à sua desembocadura em Astorga, uma antiga calçada romana, cuja descrição se encontra numa obra muito mais antiga que o Codex Calixtinus ou “Liber Sancti Jacobi” (séc. XII): o Itinerário de Antonino (séc- III).

 

O Itinerário de Antonino, é um “guia de estradas”, escrito no século III, porventura no tempo do Imperador Antonino Pio, e no qual se descrevem todas as calçadas do império romano do seu tempo. A descrição consistia na enumeração das cidades, “mansões” e “estações” que se encontravam ao longo do seu percurso, assim como as distâncias que separavam uma das outras, através da informação dada pelos “marcos miliários”, apostos ao longo das calçadas.

 

Os tramos desta “via”, apresentados por partes no Itinerário Antonino, representam um corredor pré e proto-histórico, desde as costas de Cádiz até às terras leonesas. Ou seja, Roma foi consolidando, pela primeira vez, e por épocas, um caminho primitivo, traduzido no Itinerário Antonino como um traçado quase rectilíneo, formado por cinco tramos de cinco iter distintos: o nº 7, (Gades-Hispalis) – Cádiz-Sevilha; o nº 9, (Hispalis-Itálica) – Sevilha-Santiponce; nº 23, (Itálica-Emérita) – Santiponce-Mérida); nº 24, (Emérita-Ocelo Duri) – Mérida-Zamora e nº 26, (Ocelo Duri-Astúrica) – Zamora-Astorga, unindo-se, desta forma, quatro capitais administrativas: Gades, Hispalis, Emérita e Astúrica, num mesmo traçado vertical.

 

 A consolidação e manutenção desta via foram abandonadas, após a queda e a decadência do império romano, e com a chegada das tribos visigodas que ocuparam este território: os suevos, os vândalos e os alanos. Contudo, a calçada ainda se encontrava em bom estado quando chegaram os invasores muçulmanos, no século VIII.

 

Os muçulmanos aproveitaram esta via não só na sua conquista, rápida, da Península Ibérica, como nas sucessivas incursões pelo noroeste peninsular.

 

 

(Pormenor do Mapa «Hispalensis Conventvs Delineatio», de Jerónimo de Chaves, 1579)
Refira-se, a este propósito, a terrível campanha de Almançor a Santiago de Compostela, em 11 de Agosto de 997, que culminou com a derrota dos cristãos e o saque dos sinos da catedral que foram levados pelos cristãos prisioneiros, tornados escravos, para fabricar com eles os candeeiros da mesquita de Córdova.

 

[Um dos capítulos do romance histórico “A escrava de Córdova”, de Alberto S. Santos, editado pela Porto Editora, relata-nos não só este episódio como também a circunstancia, ou razão, (trata-se da parte obviamente romanceada da obra) por que a catedral não foi destruída. Aqui não se tratou de uma moura encantada mas sim de um mouro encantado por uma escrava, cristã].

 

Esta via representou um eixo fundamental de todo o norte na expansão dos reinos cristãos em direcção ao sul, na Reconquista. E, logo após ter servido de instrumento militar, foi via de emigração até às terras recém conquistadas.

 

No contexto da Reconquista esta via foi utilizada como Caminho de Santiago pelos cristãos das importantes comunidades moçárabes de Sevilha, Mérida e Córdova que acolhiam a Santiago de Compostela. Daí o chamarem-lhe Caminho Moçárabe.

 

Foi, na Idade Média e no Renascimento, Caminho Real, desde Sevilha, a Salamanca e Valladolid, continuamente percorrido não só por reis e suas cortes também por personalidades ligadas às Descobertas, ao comércio e por intelectuais.

 

Foi caminho, itinerário de Postas; Canada Real dos pastores da Mesata.

 

foi Caminho de Castela ou Vereda dos Galegos.

 

 Foi também eixo vertebrador do Caminho de Ferro e da Rede Viária (estrada nacional 630 e Autovia 66).

 

Por isso, as designações de caminho, calçada, via, canada, estrada, rota, autoviade la Plata.

 

Enfim, a “Via de la Plata” é uma realidade histórica que não deve ter o troço Mérida-Astorga como o seu cunho de exclusividade histórica. A designação de la Plata vai mais além daquele traçado histórico romano. Representa uma memória colectiva, consubstanciada numa realidade viária secular mais ampla do que aquele troço  romano Mérida-Astorga.

 

 

B.- Controvérsia sobre o topónimo "Caminho ou Via de la Plata" e quando surgiu


 

Roldán Hervás, na sua obra atrás citada, apresenta uma extensa literatura sobre a origem etimológica deste topónimo «Plata»

  •  Em primeiro lugar, diz ele que a raiz última viria do grego plateia e platôs: largo, plano; dando para o latim platea: rua larga, praça pública; e platus: plano;
  •  Em segundo lugar, advém do latim lata: larga, extensa, dilatada;
  • Em terceiro lugar, do árabe al-balath ou balata: pavimento, calçada ou caminho, com o primeiro «a» fechado, sem sonoridade, passando de b(a)lata a plata;
  •  Em quarto lugar, do substrato pétreo da calçada, que podia ser de pedras brancas de quartzo, o que, em quilómetros, daria um aspecto mais claro, diferente do restante terreno;
  •  Em quinto lugar, adviria da expressão latina tardia delapidada, que quer dizer, empedrada;
  •  Em sexto e último lugar, Roldán Hervás vem apresentando uma última razão etimológica, a saber, como leito ou local de transporte das riquezas (fundamentalmente prata) proveniente do comércio com as Índias.

Segundo Diego Muñoz Hidalgo, o topónimo aparece na Idade Média, no eixo entre Sevilha e Mérida, antes do Descobrimento da América. Depois, no Renascimento, estendeu-se de Cádis e até Salamanca. O  certo é que a sociedade e as novas gerações foi esquecendo a sua antiga origem e foi associando-a ao trânsito de riquezas vindas das Índias, desde os portos de Cádis, mas sobretudo de Sevilha, em direcção a Salamanca e a Valladolid, onde muitas vezes estava a corte.

 

Assim, o topónimo plata, seja por um ou outro motivo, não é mais que uma expressão popular, surgida na Idade Média, em relação a caminhos com certa identidade, sejam calçadas romanas, caminhos reais ou para o trânsito de riquezas, tendo a designação Caminho de la Plata mais uso no corredor Sevilha, Mérida, Astorga. Trata-se, pois, de um nome medieval que pretende, desde o ponto de vista de uma óptica ou percepção popular, dar título a um fenómeno viário em evolução, não expressamente a uma calçada, mas também.

 

Concluiremos com Diego Muñoz M. Hidalgo: «Aún así esa memoria colectiva há seguido evolucionando, adaptándose y rebautizando com este nombre las nuevas infraestructuras de comunicación que han ido surgiendo en este mismo corredor geográfico, herederas de trazados primitivos, y no menos históricas pues responden y son reflejo de momentos y necessidades históricas surgidas en cada época; un processo natural en el que, queramos o no, estamos “encaminhados”».

 

1.3.- O Caminho de Santiago Via de la Plata  -  Seus traçados na parte mais setentrional

(em especial o Sanabrês e a variante portuguesa)

 

De acordo com o mapa que acima apresentámos, o Caminho de Santiago “Via de la Plata” ao chegar de Sevilha a Granja de la Moreruela, na província de Zamora, apresenta duas alternativas:

 

  • Ou se segue até Benavente, em direcção a Astorga e, aqui, entroncamos com o Caminho (de Santigo) Francês;

 

  • Ou, então, segue-se até Tábara e vamos em direcção a Puebla de Sanábria, passando por A Gudiña, Laza, Orense e daqui até Santiago.

 

Assim, e porque se faz em Tábara a derivação para a Sanábria, a este troço se dá o nome de “Sanabrês”.

 

Para complicar mais as coisas, neste troço, e no território da Galiza, temos uma outra alternativa:

  • Em vez de seguirmos de A Gudiña para Laza, podemos descer até Verin e, daqui, Xinzo de Limia, Allariz, Orense até Santiago, conforme ilustra mapa que abaixo se exibe:

O Caminho Sanabrês passando por Verin, Xinzo de Limia e Allariz tem mais 20 Km de percurso do que aquele que indo por Laza e Xunqueira de Ambía vai até Orense.

 

A opção mais curta do Caminho de Santiago Via de la Plata para quem vem de Sevilha, ou da parte mais meridional de Zamora, é aquela que escolhe o troço do Caminho Francês em Astorga, e não o troço Sanabrês. Enquanto aquele tem, desde Sevilha, 963 Km, este tem 980, pela variante mais curta que é Laza.

 

Para complicar ainda mais as coisas, convém referir o troço (ou variante) portuguesa da Via de la Plata:

  • A partir de Zamora deriva para Bragança, Vinhais e Chaves e entra na Galiza por Verin, entroncando com a segunda alternativa do troço Sanabrês.

 

1.4.- Notas finais
O Caminho "Via de la Plata" atravessa cinco rios importantes da Península Ibérica: o Guadalquibir, o Guadiana, o Tejo, o Douro e Minho.
Há que assinalar que existe uma outra denominação para o trajecto que vai desde Salamanca até Santiago de Compostela, seguindo o Caminho Sanabrês: a Rota do Caminho Fonseca. Esta denominação refere-se ao vínculo eclesiástico-cultural entre Salamanca e Santiago de Compostela, desde a Renascença, e que tem na sua origem o Arcebispo Fonseca, que dá o nome ao Caminho Jacobeu. O Arcebispo Fonseca - Alonso Fonseca y Acevedo III - foi Arcebispo de Santiago e Toledo e uma importante personagem do Renascimento espanhol, ligado ao pensamento humanista cristão. Devido à sua proximidade como Imperador Carlos V e o seu interesse pelas artes, foi mecenas, sufragou e mandou erigir os Colégios Maiores de Santiago, o Zebedeu, em Salamanca, e o de Santiago Alfeu, em Santiago de Compostela. Morreu em Alcalá de Henares, em 1534. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Colégio Maior, o Zebedeu, de Salamanca. Esta rota foi muito usada pelos jornaleiros e trabalhadores galegos que desciam das terras galegas para irem trabalhar para a meseta castelhana nos campos da ceifa ou em diversos ofícos temporários.
O símbolo do Caminho Sanabrês é a figura do Apóstolo, peregrino, que se encontra na fachada da porta principal da Igreja de Santa Maria de Tera. É, na verdade, o seu melhor reclamo, face à sua beleza, sobriedade e mistério. Em 1993, ano jubilar, foram cunhadas moedas de cinco pesetas com a imagem do apóstolo no anverso. Deixamo-la abaixo reproduzida.

 

(1)    Para efeitos de leitura e aprofundamento de conteúdos do tema desta secção, neste capítulo, recomenda-se uma vista de olhos sobre as seguintes obras:

 

  • LAY, Stephen (2011), Os Reis da Reconquista Portuguesa. Texto Editores, L.da, Alfragide
  • MALEVAL, Maria do Amaro Tavares (2006), O poligrafismo do Codex Calixtinus. Seu contributo à história do teatro medieval. Comunicação apresentada ao 8º Congresso da AIEG (Associação Internacional de Estudos Galegos), realizada na UFBA (Universidade Federal da Baía), de 12 a 15 de Stembro de 2006;
  • MENDES, Ana Catarina (2009), Peregrinos a Santiago de Compostela: Uma Etnografia do Caminho Português. Dissertação de mestrado em Antropologia Social e Cultural apresentada no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa;
  • VIANT, Florence (2005), Le Livre de Saint Jacques ou Liber Santi Jacobi (Codex Calixtinus). École National Superieur de Sciences de l’Information e des Biblioteques, Raport de Recherche Bibliographique/Fevrier, 2005;

 

(2)    Para efeitos de leitura e aprofundamento de conteúdos do tema desta secção, neste capítulo, recomenda-se uma vista de olhos sobre as seguintes obras e sítios da web:

 

  • MUÑOZ HIDALGO, Diego M., (2010), “Sobre el topónimo «Camino de la Plata» y el eje S.-N./N.-S. del Occidente Hispano. Nuevas consideraciones, aportaciones y reflexiones”, Revista El Nuevo Miliario, nº 11, de Dezembro de 2010;
  • http://caminodesantiago.consumer.es [Caminho Sanabrês]: sítio interessante. Fala sobre a história do Caminho Sanabrês, de Granja de Moreruela até Santiago;  as etapas; a descrição dos itinerários, com as respectivas dificuldades, observações e o que ver e fazer;
  • caminho.xacobeo.es/…/caminho/10539_camino-de-sudeste-via-da-… [Caminho do Sudeste – Via da Plata (Os Caminhos de Santiago na Galiza – Guia da Xunta da Galicia, Xacobeo 2010]: sendo uma publicação da Xunta da Galicia, por ocasião do Xacobeo 2010, a fidelidade das informações sobre a história do Caminho, suas respectivas etapas (na Galiza), descrição dos itinerários e consequente elenco do património está, em princípio e a partida, assegurada;
  • http://www.caminosantiago.org/cpperegrino/caminos/caminover.asp?... [Federação das Associaciones de Amigos del Camino de Santiago: Camino de Santiago – Caminos a Santiago – Via de la Plata];
  • http://www.godesalco.com/camino/plata [La Via de la Plata: de Sevilha a Compostela por el Camino Mozárabe]: sítio interessante. Tem um planificador para organizar a viagem, com um gerador de imagens com os perfis das altitudes, as localidades de passagem e as distâncias das etapas; para além da história do Caminho, com a descrição actual do mesmo, possui abundante informação sobre os aspectos paisagísticos, arte e monumentos; informação ainda muito detalhada sobre alojamento em todo o percurso e ao longo das diferentes etapas; informação sobre os diferentes guias que tratam este Caminho; abundantes relatos de experiências (testemunhos) de peregrinos que fizeram o Caminho, todo, ou em parte, bem assim uma lista enorme de links de outros sítios na web úteis para o peregrino da Via de la Plata;
  •  http://www.santiago.org.br/camihnos-via-de-la-plata.asp [ACACS-SP - Associação dos Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, São Paulo, Brasil];
  •  http://www.revistaiberica.com/grandes_repotajes/viadelaplata/laviadel... [Revistaibérica.com, Revista de Turismo, Viajes y Vacaciones];
  • http://sites.google.com/site/trilhandocaminhospelomundo/rotas-peregr... [Via da Prata – Trilhando Caminhos];
  •  http://meiabotabotaemeia.blogspot.com/2008/06/via-la-plata-caminho-... [Blogue Meia Bota, Bota e Meia];
  •  http://campusstellae1.blogspot.com/2009/12/diario-da-via-da-plata-fec... [Campus Stellae: Diário da Via da Prata].

publicado por andanhos às 19:16
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