Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.1.1)

 

Nesta Secção, sob o título “Destaque(s)”, pretendo falar de três assuntos, integrados e/ou relacionados com o Caminho de Santiago “Via de la Plata”/Moçárabe, Caminho Sanabrês, a saber:

  • Ourense, cidade e capital de província com o mesmo nome, apresentando os seus aspectos artísticos, monumentais, no contexto urbano. Por esta cidade passámos na 2ª etapa do Caminho Sanabrês que vos venho relatando.
  • O Convento e Igreja de Santa Maria La Real de Oseira, cisterciense, abordando um pouco da sua história e mostrando o seu rico património arquitectónico e artístico. O local de Oseira, onde se encontra a igreja e o mosteiro,  é um percurso alternativo da 4ª etapa (Cea – A Laxe) do Caminho Sanabrês que fiz.
  • Em terceiro, e último lugar, vou apresentar quatro etapas do  Caminho Português Interior de Santiago, desde Chaves até Laza. Assim:

                           * a primeira etapa, desde a Ponte de São Roque (Chaves) até Feces de Abaixo;

                           * a segunda, desde Feces de Abaixo até Tamaguelos

                           * a terceira, desde Tamaguelos até Monterrei;

                           * a quarta, desde Monterrei até Laza.

 

A primeira e terceira etapa foram feitas cada uma em seu domingo, de manhã cedo, e tiveram-me por companheiros o inseparável Fabios e seu filho, Mito(k).

 

Na segunda (Feces de AbaixoTamaguelos), também num domingo, bem cedinho, foi realizada tendo por companheiros os mesmos protagonistas da primeira e da terceira e mais a minha filha Babela.

 

A quarta, e última etapa (MonterreiLaza), fi-la sozinho, apenas com o apoio logístico da Ni e Jeca.

 

 

A.- As Burgas

 

Ramón Otero Pedrayo pensa que os benefícios oferecidos pelas Burgas aos romanos, amigos dos banhos, e o cruzamento de caminhos, [Recorde-se que Ourense actualmente é um importante nó de comunicações, onde se cruzam três autopistas, quatro estradas nacionais, assim como quatro vias de caminho de ferro. A estação de Ourense-Empalme, é uma das estações da cidade de Ourense, a mais importante da Galiza, porquanto é daqui que se centraliza e controla todo o tráfego ferroviário do noroeste da Península.] foi o que determinou o nascimento da cidade de Ourense.

 

A origem do nome das Burgas não é clara. Alguns autores dizem que deriva do celta “beru”, que quer dizer quente. Contudo, a etimologia mais aceite é a que provém do latim “burca”, que quer dizer “pia”, em alusão aos banhos romanos.

 

As fontes termais, rodeadas de um bonito jardim, ao redor das quais se formou o primitivo núcleo populacional, formam parte da vida da capital como um adjectivo qualificador.

 

(Burgas - Vista Geral)

 

 A origem dos mananciais não está ainda muito clara. Há uma lenda que diz nascerem debaixo da capela do Santo Cristo, na Catedral, e outra que são produto de um vulcão em repouso que está na base de Montealegre e que, a qualquer momento, pode vir a explodir. Obviamente, trata-se de uma interpretação lendária, sem qualquer motivo que a justifique, a não ser a pura fantasia. O que ocorre nestas águas termais, aliás como em toda a corda galaico-portuguesa, na realidade, é uma feliz e afortunada conexão de factores naturais que propiciam este efeito, em virtude das peculiares condições geológicas do lugar, afastando qualquer explicação com base na origem vulcânica. Para mais detalhes sobre este tema, bem assim a origem do nome Burgas, veja-se o sítio www. Canedo.eu/burgas/taboa1.html.

 

As águas das Burgas, silicatadas, fluoradas, litínicas e hipertermias, com um caudal de 300 litros por minuto, brotam à temperatura que oscila entre os 60 e 0s 70 graus centígrados e são utlizadas para fins medicinais, como seja, problemas da pele (dermopatias pruriginosas), doenças reumáticas e artrites.

 

Em tempos, ainda não muito recuados alias, a exemplo do que também acontecia nas Termas de Chaves, eram utilizadas para fins domésticos, nomeadamente, para escaldar as galinhas e tirar-lhes as penas de forma mais fácil e rápida.

 

No jardim da parte superior, encontra-se a Burga de Baixo (ou Burga Nova), fonte de estilo neoclássico tardio, projectada pelo arquitecto Trillo, em meados do século XIX.

 

(Burga Nova ou Burga de Baixo)

 

Na parte superior temos a Burga do Meio e encontra-se também a Burgas de Cima (ou Burga Vella), fonte de estilo popular do século XVII

 

 

e têm, à sua direita, a réplica das quatro aras encontradas na cidade. A primeira delas, em honra das ninfas destas águas.

 

 

Junto à Burga do Meio, está actualmente uma moderna piscina pública, de água quente ao ar livre, com 200 metros quadrados, com vários jactos de água.

 

(Piscina, com a "Casa da Nube", escultura em ferro)

 

Em 2005, em virtude de escavações não autorizadas, e relacionadas com a construção de um novo balneário, foi perfurado um dos poços que alimentam as Burgas. Como consequência, 40% do seu manancial perdeu-se, tendo secado um dos canos principais das fontes. Redução tão drástica de caudal só se verificou em 1755, aquando do Terramoto de Lisboa.

 

A partir deste facto, deu-se início ao processo de declaração de “Bem de Interesse Cultural” deste sítio histórico das Burgas, declaração essa que, oficialmente, veio a acontecer em 2007, com a aprovação desse interesse pela Junta da Galiza.

 

Já em 1975, estes mananciais foram declarados “Conjunto histórico artístico”.

 

Num recanto das Burgas, incrustado no muro do colégio de freiras, aparece-nos este nicho, dedicado, e com a imagem de Nossa Senhora "Del Carmen" ou de Nossa Senhora do Posío, de muita devoção na cidade. A imagem foi trasladada da sua eremita original, no Jardim (Botânico) do Posío, depois da sua destruição, com a abertura da estrada Vigo-Villacastín (agora Rua do Progreso). Quando falarmos da capela de São Cosme e Damião, e a propósito do "Belén de Ourense", voltaremos a falar deste recanto.

 

 

As Burgas, em conjunto com a Ponte Romana, chamada Ponte Maior ou Ponte Vella e a Catedral, são o símbolo da cidade de Ourense, também conhecida como Cidade das Burgas.

 

B.- Ponte Romana, Ponte Maior ou Ponte Vella

 

Segundo se depreende do Itinerário Antonino Pio, por Ourense devia passar uma via secundária que partia da mansão “Salientibus” (tradicionalmente considera-se a vila de Banhos de Molgas como a  mansão romana conhecida como "Salientibus", que se menciona no Itinerario Antonino), da via XVIII.

 

Esta via secundária parece que atravessava Ourense, passando pelo rio Minho, através de uma ponte que dataria do tempo do Imperador Trajano. [Na obra "Ourense - Guía Monumental", da Deputacion Provincial de Ourense, de 1986, diz-se que embora a tradição suponha a obra como do tempo de Trajano, o mais provável é que seja da época de Augusto. Mas não apresenta razões para tal afirmação].

 

Dessa ponte conservamos, segundo certos estudos:

  • as bases;
  • os propianhos que lhes estão assentes;
  • os arcos extremos, de meio ponto, que unem com a terra e
  • os pilares, em forma circular, semelhantes aos torreões das muralhas romanas.

A ponte foi completamente (re)fundada pelo bispo D. Lourenço, que esteve à frente da diocese de Ourense, entre 1218 e 1248, e apoiada a sua construção pelo rei D. Fernando III, o Santo.

 

Em 1432, afundou-se o arco central e, assim, todos os ourensanos apuraram-se a prestar recursos para a sua reconstrução, impondo-se impostos especiais para o efeito. Após estas obras, já em 1449, há um novo derrubamento.

 

Face aos transtornos ocasionados aos peregrinos, o bispo D. Pedro Silva, a suas próprias expensas, paga os gastos da nova reconstrução. Mas as obras iam devagar e, só em 1484, graças à ajuda do bispo D. Diego da Fonseca, é que as obras de restauração terminaram. Entretanto funcionavam as barcas.

 

Em 1527 surge uma nova ameaça de ruína e voltam a funcionar as barcas.

 

Em 1671, pede-se ao rei ajuda para a reconstrução de partes afectadas da ponte, ao mesmo tempo que se projectou a construção de um castelo sobre o primeiro arco, partindo da cidade, que se chamará Torre Nova, para a defender. Restos desta Torre podem-se ver no escudo (brasão) de Ourense.

 

 

Em 1597 ainda se trabalha na obra do arco central. E não foi obra definitiva pois, em 1645, o concelho denuncia o estado de ruína da ponte e as obras de reforma começam em 1625, tendo ficado concluídas em 1694.

 

Fizeram retoques pontuais em 1835, 1837, 1874 e 1880, data em que Sebastián Martínez Risco efectuou as últimas reformas.

 

 

É uma ponte com 370 metros de cumprimento, com um arco central de 43, 70 metros de largura por 38 de altura.

 

Conservam-se hoje sete arcos dos 11 que, porventura, deveriam existir. Destes arcos, três são apontados, indicando-nos um antigo traço gótico. O primeiro arco, que está na margem esquerda do rio, conserva intacta a sua construção romana.

 

A rampa actual é uma herança típica gótica e deve-se aos arcos apontados. A pendente foi suavizada na última reforma de 1880.

 

Foi declarada monumento histórico-artístico por D. 647/1961, junto à capela que lhe está próxima - dos Remédios - fundada em 1522 poe D. Francisco Mendes Montoto e hoje totalmente destruída por um violento incêndio.

 

Apesar dos séculos e de muitas restaurações, que alteraram de algum modo o aspecto primitivo, a Ponte Vella de Ourense é um dos monumentos civis, de traça medieval, mais importantes da Península Ibérica.

 

 

C.- Catedral de São Martinho

 

A Catedral de São Martinho é a manifestação artística mais importante de Ourense.

 

A sua primitiva estrutura românica viu-se enriquecida com novas manifestações artísticas até aos nossos dias, resultando, assim, um conjunto onde se conjuga, com graça, o românico, o gótico, o renascentista e o barroco.

 

A planta românica da Catedral, começada em 1157, com D. Pedro Seguín, é de clara influência compostelana, enriquecida com novas ideias.

 

A obra foi continuada com o bispo D. Afonso (1174 – 1169), que consagrou o altar-mor em 1188, estando presentes os arcebispos de Braga, Lugo e Tui, como convidados, e com as relíquias de São Martinho, trazidas de Tours, a pedido do rei D. Fernando II.

 

Foi concluída por D. Lourenzo (1218-1248), a quem se atribui o Pórtico do Paraíso, réplica do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela do mestre Mateo.

 

O exterior do templo, de planta românica, está rodeado de edificações recentes que impedem a leitura completa do edifício pelo exterior: na parte norte, a pesada torre sineira, obra de Pedro de Arén, e as capelas de São João e do Santo Cristo; pela parte leste, o deambulatório e a sala do sacristão e pela parte sul, o claustro novo, a sala capitular, a secretaria e a biblioteca do cabido.

 

Apresenta uma planta de cruz latina, com três naves, rematando a cabeceira uma grande abside. A girola tem cinco capelas e o cruzeiro está coberto por um monumental zimbório.

 

Tal como podemos comprovar, depois das restaurações do edifício, este foi concebido como fortaleza defensiva, tal como muitos edifícios religiosos da altura, rematando os seus muros em torres e ameias, na sua maioria suprimidas no século XV. Foi cenário de lutas, de triste fama entre os condes de Lemos e de Benavente, assim como de levantamentos populares contra o poder feudal dos bispos.

 

 

Até ao século XIII era um templo com a cabeceira rematada em três absides semicirculares. Da obra primitiva hoje apenas se conservam, no exterior, três portais, embora com muitas intervenções.

 

A Catedral de Ourense foi declarada monumento nacional em 1931.

 

Exterior da Catedral

 

Podemos dizer, que o seu estilo é intermédio, entre o românico e o gótico, chamado “protogótico”.

 

Portal Principal (Ocidental)

 

Acede-se por umas escadas de recente construção, que nascem da Praça de São Martinho, desenhadas por Palacios primeiro e depois por Pons Soraya. Compõe-se  de dois corpos, acompanhados por dois grossos contrafortes e franqueados por duas torres: a dos sinos (ou sineira), de origem românica, mas recoberta com trabalhos barrocos, e a de São Martinho.

 

No corpo inferior abriram-se três vãos, no século XIII, reformados no século XVIII. No segundo corpo, uma roseta de rica traça, ilumina o Pórtico do Paraíso.

 

O carácter proto-gótico deste portal manifesta-se na altura do arco do vão central, ligeiramente apontado, na decoração das arquivoltas e na rosácea.

 

 

ligeiramente apontado, na decoração das arquivoltas e na rosácea.

 

Portal sul

 

Acede-se pela Praça ou Praceta do Trigo, uma das praças mais antigas de Ourense, do século XIV.

 

Este portal foi empreitado ao mestre Mateo, de Santiago de Compostela, com grande influência em toda a Galiza nesta arte.

 

Está integrado por um vão e o tímpano não tem decoração.

 

Este portal está incompleto, porquanto lhe falta os primitivos fustes. Os baseamentos têm tripla arquivolta e estas estão decoradas com ricos motivos.

 

 

Portal norte

 

Acede-se a este portal pela rua de Lepanto.

 

Primitivamente românico, ainda que as colunas de fuste nos fale de vestígios anteriores. Sofreu muitas alterações.

 

O tímpano tem um tema alusivo à Paixão, proveniente de uma reforma do século XIII, pertencente ao gótico final.

 

Nas duas esculturas adoçadas, uma de cada lado, destaca-se o tratamento das pregas das vestes das duas figuras e a perfeição anatómica das cabeças.

 

As arquivoltas têm temas ou motivos vegetais e animais.

 

 

 

Interior da Catedral

 

O Pórtico do Paraíso

 

É uma das bíblias em granito, uma página escrita posta diante do visitante, turista, investigador, curioso ou peregrino, dado que a arte medieval é um símbolo com uma finalidade doutrinal, e não só estética.

 

 

Como dissemos, pretender ser uma réplica do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela. Contudo, não consegue lá chegar, tendo em vista a abstracção das formas. As esculturas deste Pórtico reflectem pouco as ideias do mestre Mateo. Quando este Pórtico foi feito, entre 1218 e 1248, já se tinha adulterado a tradição mateísta.

 

A obra foi coberta de policromia no século XVI e perdeu o tímpano das suas três arcadas.

 

(Pórtico do Paraíso - Pormenor)

 

No século XVII colocaram no centro uma imagem alheia ao conjunto.

 

 

É uma das construções do protogótico que se conservam em Espanha, segundo Henrique Bande Rodríguez e Luís Fernández Rodríguez, autores da obra “Guía Histórico-Artística da cidade de Ourense”.

 

Retábulo da Capela-mor

 

Coroa o templo um retábulo renascentista de Cornualles de Hollanda. Está decorado em alto relevo, com alusivas cenas da vida de Cristo, da Virgem e de São Martinho.

 

 

O Deambulatório (ou girola)

 

Trata-se da “nave” que rodeia a capela-mor e é obra de Simón de Monasterio e de Gómez de la Sierra, do século XVII.

 

Esta girola desarticulou por completo a cabeceira do templo, obrigando-lhe a tirar as absides das naves laterais. Ao longo do trascoro (girola), podemos ver as capelas de São Paulo ou de Armada, de Santa Isabel ou de Arrojo, da Conceição, da Ressurreição, da Assunção e a do Cristo dos Desamparados, iconografia de finais do século XII.

 

 

Capela do Santo Cristo

 

Foi construída entre 1565 e 1578, quando era bispo D. Fernando Tricio de Arenzana. Tem dois corpos: o primeiro, coberto com abóbada de cruzeiro, foi feito pelo arquitecto Juan de Herrera e o segundo, obra de Diego de Arén, datando de 1685.

 

 

O baldaquino que cobre o retábulo, onde se venera a imagem do Santíssimo Cristo, é obra de Domingo de Andrade e a decoração é de Castro Canseco.

 

A imagem do Santíssimo Cristo foi trazida de Finisterra pelo bispo Pérez de Mariño,em 1332.

 

 

Exterior e Interior da Catedral

 

Zimbório

 

Destaca-se o airoso zimbório sobre o cruzeiro, que construído no século XV por Rodrigo Badajoz, com três corpos e profusamente adornados de esculturas.

 

(Zimbório - Construção Exterior)
(Zimbório - Aspecto Interior)
(Zimbório - Pormenor Interior)
(Quadro - Pormenor, de uma capela da Catedral)
(Cristo dos Desamparados, românico)

 

 Vejamos o aspecto da Catedral em foto 3D:

 

 

D.- Museu Arqueológico de Ourense

 

Um pouco de história.

 

Sabemos que Ourense, nos tempos dos suevos, teve uma grande importância. Mas, por falta de documentos, a história deste tempo é pouca conhecida.

 

A cidade que nasceu junto do “Presidium”, construído para defesa da ponte sobre o rio Minho, ou junto das Burgas, estaria rodeada de um núcleo agrícola que se foi formando nas proximidades dos mananciais das Burgas e que rapidamente se transformou num “vilar” – agrupamento de casas de lavoura. Fixa, assim, na encosta e no que hoje ocupa o museu arqueológico, a praça da Madalena e a Catedral.

 

A chegada dos suevos alterou a configuração daquela primitiva cidade herdada dos romanos.

 

Dizem-nos as crónicas que os suevos se fixaram na Galiza em princípios do século V. Em 550, o rei Carriarico, assentou corte em Ourense, no paço que alberga o “presidium” romano. Teve um filho que lhe ficou doente – e nós sabemos quão importante eram os filhos para efeitos de sucessão – e, face a essa circunstância, envia emissários a Tours, onde estava enterrado o corpo de São Martinho, para lhe pedir (às relíquias) um milagre [Haveremos, um dia, de falar da importância das relíquias para o Homem da Idade Média, deste período]. O Santo curou-lhe o filho e, em sinal de agradecimento, converteu-se ao cristianismo, erguendo um templo, com nova planta, ou restaurando outro mais antigo, no lugar onde hoje se levanta a Igreja de Santa Maria Mãe.

 

(Antigo Paço Espiscopal, século XII)

 

Perto do “presidium” construiu também um paço para o bispo. As crónicas contam-nos (Cronicão, de Idácio de Chaves) que este facto ocorreu quando Ourense já era sé episcopal, dado que a origem da diocese dar-se como fixada no ano de 433 quando foi consagrado, na vizinha sé de Lugo, um bispo para Ourense, demonstrando-nos, desta forma, que havia já um bispo, antes da conversão dos suevos.

 

Outros, não concordando, afirmam que a diocese de Ourense nasce com o bispo Witimiro, por volta de 570.

 

Com Carriarico, também chamado Teodomiro, a partir de 551, começa uma fecunda época para Ourense.

 

Em virtude da conversão dos suevos, veio à Galiza Martinho Dumiense, bispo de Braga, panegirista de Martinho de Tours e verdadeiro apóstolo da Galiza. Martinho de Braga, antes de ser bispo, realizou um intenso trabalho monacal, fundando a vida eremita à volta dos rios Minho e Sil. Como bispo, tinha a faculdade de administrar, desde Braga, um extenso território do reino suevo, propondo ao rei Teodomiro a criação de novas sés episcopais, como sejam, as de Ourense e Astorga, no antigo convento jurídico de Braga.

 

A invasão muçulmana, conforme nos relatam os cronistas da época, afectou também as terras de Ourense, ao ponto de a sua ponte ficar totalmente destruída. Isto passava-se em 716, ano em que os muçulmanos destruíram completamente a cidade. Mas não a ocuparam. Periodicamente, iam-lhe infligindo invasões e terríveis devastações, como a de 738, quando o seu bispo foi obrigado a fugir com as relíquias da Catedral.

 

Possivelmente, por via do relevo e do clima, os muçulmanos nunca se estabeleceram em Ourense.

 

Após um período conturbado, entrámos no último terço do século XI, em que Sancho II, exercendo o poder por uns meses, leva a cabo a repovoação e restauração definitiva da cidade, depois de três séculos e meio de despovoamento.

 

(Claustro do Museu)

 

Nos primeiros anos do século XII, rege a diocese de Ourense um dos seus mais preclaros pastores – D. Diego Velasco que, imitando a figura do seu conterrâneo D. Diego Xelmírez, de Santiago de Compostela (e já aqui falado), obteve, de D. Urraca, o privilégio de uma espécie de carta-foro para a cidade, restaurou o paço episcopal, reedificou a ponte (de que também já falámos), e ampliou a Igreja de Santa Maria (levantada em 1071 pelo bispo D. Ederonio, sob as ruínas de um templo suevo do século VI).

 

(Porta de Entrada do Museu)

 

Concomitantemente, no meio das lutas entre o reino da Galiza e o Condado Portucalense, com Ourense no meio, em 1122, D. Teresa de Portugal concede ao bispo D. Diego Velasco a jurisdição sobre Ourense e o título de cidade, suspensa desde a destruição pelos árabes. Dizem Henrique Bande Rodríguez e Luís Fernández Rodríguez, na obra já citada “Guía Histórico-Artistica da Cidade de Ourense”, que vimos seguindo, que D. Teresa teve este gesto, aquelas “simpatias” para com a cidade por forma a incorporá-la definitivamente no seu projectado reino de Portugal.

 

(Escudo episcopal por cima da Porta de Entrada do Museu)

 

Abrindo aqui um parênteses, diria que, na minha óptica, este autores não estão totalmente correctos. Se entendermos tal gesto no sentido de ampliar o condado, tudo certo; pensar agora D. Teresa no futuro Reino de Portugal, já é mais discutível, face aos posteriores acontecimentos que, quer ela, quer seu filho, Afonso Henriques, protagonizaram, e que culminaram com a batalha de São Mamede, em 1128.

 

Supõe-se que o velho paço episcopal – hoje Arquivo-Museu Arqueológico – provável sede do antigo “presidium” romano, pelo seu carácter de fortaleza, que não perdeu ao longo da Idade Média, deveria ter sido morada, pelo menos ocasionalmente, de alguns reis suevos até que passou depois da conversão destes à fé católica a paço episcopal, mantendo-se até metade do século passado como tal, altura em que se transforma em museu, graças ao fecundo trabalho de um grande homem ourensano – Xesús Ferro Couselo.

 

 

E.- Igrejas

 

1.- Igreja de Santa Maria Maior (Santa Maria Mãe)

 

Dissemos já que, com a conversão do rei suevo Carriarico (Teodomiro) ao cristianismo, por via do milagre da cura do filho, aquele mandou erguer um templo dedicado a São Martinho, no lugar que hoje ocupa a Igreja de Santa Maria (século VI).

 

Devastada e arrasada a cidade pelos árabes, com Afonso III, o Magno, em 864, a igreja foi restaurada, sob a dedicação da mesma a Santa Maria e São Martinho, sendo na altura bispo D. Sebastião.

 

Em 997, Almançor arrasou a cidade e, em 1084, o bispo Ederónio, reconstrói o templo, sob dedicação do mesmo a Santa Maria, conforme se pode ver numa inscrição colocada na antiga porta lateral.

 

Com a construção da actual Catedral, esta igreja ficará reduzida a capela funerária até que, em 1722, D. Marcelino Siuri, bispo de Ourense, derruba aquela igreja e manda construir a actual.

 

Uma enorme escadaria dá acesso a Santa Maria Maior, a partir da rua Bispo Carrascosa.

 

A parede do lado sul da igreja está encoberta pelo Museu Arqueológico – Antigo Paço Episcopal. A parede norte dá para a Praça da Madalena. A cabeceira, rectangular, dá para a rua Hernán Cortéz ou de Cisneros.

 

 

A fachada desta igreja possui três corpos, separados por uma imposta corrida.

 

 

O corpo alto está coroado com motivos heráldicos, com frontão e dois torreões dos lados.

 

 

O interior é de uma grande simplicidade.

 

A Igreja de Santa Maria Mãe esteve sempre sujeita à jurisdição do Cabido, com um interregno que vai de Março de 1922 até 1983.

 

 

2.- Igreja da Santíssima Trindade

 

Construída no século XIII, e objecto de muitas reformas nos séculos XV, XVI e XVII, trata-se de uma igreja em que o gótico e o plateresco são patentes.

 

Formava um todo com o Hospital dos Peregrinos, também chamado dos pobres, dos transeuntes, da Trinidade e Hospital Vello, que já existia em 1158, e ampliado em 1492.

 

Acede-se ao adro da igreja através de um arco plateresco [de meio ponto, decorado com medalhões, com colunas estriadas e capitéis coríntios, num frontão que acolhe a imagem de São Roque], que foi trazido para aqui, em 1927, e que pertencia ao Hospital de São Roque, mandado construir, na Horta do Concello, pelo bispo D. Francisco Blanco, entre 1556 e 1567. No sítio onde se encontrava edificado o Hospital de São Roque, encontra-se, actualmente, o edifício dos Correios.

 

(Vista parcial do Portal)
(Pormenor do Portal - Parte Superior)

 

A igreja, voltada ao exterior, assemelha-se a um castelo feudal, por estar organizado em função de múltiplos inimigos. Nas suas origens teve ameias para evitar revoltas, assaltos e atropelos, aliás, o mesmo também aconteceu com a Catedral, o Convento de São Francisco e o Paço Episcopal.

 

O primeiro impacto com que o visitante se depara, depois de vir da Praceta de Rastro e subir a Praça da Tinidade, é de uma fachada flanqueada por dois torreões cilíndricos, de carácter defensivo, feitos no século XVI. Os dois torreões comunicam-se por uma galeria.

 

 

Na fachada principal deparamo-nos com um portal no qual podemos destacar colunas triplas, de fuste liso, com motivos antropomórficos, zoomórficos e fitomórficos, denotando que foram várias as mãos que os moldaram e em diferentes épocas. Esta fachada, do século XIII, e com modificações posteriores, é a mais antiga do edifício.

 

 

Salienta-se que esta igreja, até ao século XIX, encontrava-se extramuros da cidade, junto ao Campo (hoje Jardim) do Posío.

 

Na sua fundação, os bispos de Ourense, como donos da cidade, constituíram, como dote para esta igreja, os coutos de Valenzá, Seixalbo e a vila de San Cibrao da Viñas.

 

Segundo Henrique Bande Rodríguez e Luís Fernández Rodríguez, em “Guía Histórico-Artístico da cidade de Ourense”, de 1993, «dos abades da Trinidade sabemos que uns eram opulentos senhores que disfrutavam de abundantes rendas, tinham assento no Cabido da Catedral, sendo dignatários da mesma, e apresentavam os curas que exerciam o cuidado pastoral na dita paróquia. Outros faziam as vezes de abades comendatários como é o caso de D. Ochoa de Espinosa, a quem lhe dão como poder a abadia de Oseira, sem que deixe a sua da Trinidade. Este abade foi morto pelos lavradores de Villanfesta, armados com estadulhos». (ob. cit., pág. 52)

 

 

3.- Igrejas ligadas a Ordens Religiosas

 

3.1.- Igreja e Convento de São Francisco (Franciscanos)

 

Os Franciscanos chegaram a Ourense nos meados do século XIII e começaram a residir no ano de 1252.

 

O primeiro convento no qual se albergaram estava localizado dentro dos muros da cidade, no lugar que depois foi ocupado pela Casa do Deão e pelo Corregedor, na actual Praça do Correxidor.

 

Aí levantaram os franciscanos, por volta de 1253, uma igreja e convento, onde residiram até que um incêndio, provocado pelo bispo D. Pedro Yáñez de Nóvoa, para eliminar os cavaleiros que ali se refugiaram, destruiu aquele primitivo convento de finais do século XIII.

 

Em consequência de tal facto, o Papa obrigou aquele prelado a construir um novo edifício, constituído por igreja, claustro e convento, na parte alta da cidade, no lugar a que passaram a chamar de Campo de São Francisco.

 

Igreja, claustro e convento permaneceram neste lugar até 1835, altura em que, pela lei de Mandizábal, foi “desamortizado”, passando ali a se instalar o quartel de infantaria, até 1984.

 

Em 1867 é devolvida aos franciscanos a Igreja do convento, passando esta para propriedade daqueles.

 

Nos finais do século XIX, os franciscanos instalaram-se em Vista Alegre e, em 1971, é-lhes autorizado estabelecerem-se, como casa, no Campo de São Lázaro.

 

Foi então nesta altura que se trasladou a igreja do Campo de São Francisco para aqui, ou seja, a cabeceira e respectiva fachada.

 

Em Janeiro de 1928 começou a reedificação e, em finais de 1929, é inaugurada a nova igreja e convento de São Francisco.

 

Do antigo convento do Campo de São Francisco somente se conserva a Sala do Capítulo e o Claustro, hoje em obras, que foi declarado Monumento Nacional em 1932.

 

 

O claustro forma um exemplar de arte cisterciense, com arcos apontados, sustidos em colunas pareadas, com capitéis ornamentados, de corte ogival, e com muitos elementos românicos. Tem 63 arcos. É obra de canteiros anónimos, galegos.

 

Com o passar do tempo foi objecto de algumas intervenções, sendo a principal a de 1730, tal como nos relata o livro da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Celanova.

 

(Igreja de São Francisco na Praça de São Lázaro - Frontal trasladado)

A igreja constitui um exemplar de transição românica para o gótico – o mesmo se passando com o convento.

 

Apresenta uma planta de cruz latina, de uma só nave, longitudinal, e três absides semicirculares. A capela-mor alberga os sepulcros góticos e platerescos da família Nóvoa – senhores de Maceda.

 

A fachada principal tem retábulo de dois corpos: no superior, uma rosácea e, no inferior, abre-se um portal com dois contrafortes, tripla arquivolta que descansa em colunas de fuste liso e estriado, com capiteis fitomorfos – folhas e frutos; zoomorfos – entrelaçados de homens e animais – e antropomorfos – um gaiteiro. É a primeira vez que aparece um gaiteiro, exemplificado neste tipo de obra.

 

 

Também aparece a Virgem e o Anjo, na cena da Anunciação.

 

Pegado à Igreja, do Campo de São Francisco, pelo lado sul, encontra-se a capela da Venerável Ordem Terceira, hoje transformada em albergue de peregrinos e espaço expositivo que mostra uma antologia de escultura das colecções do Museu Arqueológico Provincial de Ourense.

 

 

3.2.-Igreja de Santa Eufémia do Norte ou  Igreja de São Domingos (Dominicanos)

 

A Ordem dos Pregadores entrou em Ourense e fundou convento em 1607. O Padre Vigário Provincial, Frei Juan Fernández, diz-nos que o indiano Domingo Fernández de Araújo, natural da Vila Noa dos Infantes, da comarca de Celanova, morreu em Potosí, deixando uma doação pia para que se levantasse um convento de São Domingos em Ourense.

 

A fundação atrasou-se até 1634, data em que o dinheiro a doação pia cresceu (rendeu) de forma necessária para se começar a obra.

 

Nesta altura instalam-se em Ourense cinco frades, quando D. Juan de Valdevieso era bispo da diocese.

 

Em 1641, o Vigário Provincial empenhou-se, junto do Concelho, solicitando permissão para construir um convento para a comunidade de São Domingos.

 

A Cooperação Municipal indicou-lhe o mesmo lugar onde já estavam os cinco primeiros frades, que tinham começado a cimentar o dito convento.

 

As obras da igreja demoraram longos anos. No arco toral lemos 1659, contudo, a sua inauguração não se verificou senão em 1666, tal como consta de uma acta do Cabido que diz ter sido no dia 14 de Fevereiro do dito ano que foi celebrada a primeira missa na igreja.

 

Sabemos dos dominicanos de Ourense que tiveram a seu cuidado a “cátedra” de Teologia Moral e Artes.

 

Em 1835 foram expulsos do convento, pela “desamortização” e, desde então, o edifício conventual teve vários destinos, nomeadamente: em 1849 instala-se aí a Deputação Provincial; serviu de Escola Normal e de Armazém do Regimento de Mérida. Hoje nada mais resta que pouco mais de uma pequena construção destinada a Casa Paroquial. O resto foi demolido para ali se levantar a actual Delegação da Fazenda.

 

A igreja paroquial é de estilo renascentista, coroada por uma majestosa cúpula, que foi começada em 1659.

 

O exterior tem pouco valor artístico: uma fachada em retábulo coroada por espadana e pirâmides dos lados, à qual se acede, descendo uma ampla escada, desde a rua de Santo Domingo.

 

 

O interior da igreja tem planta em cruz latina, com uma só nave longitudinal, de trinta e nove metros de cumprimento por nove de altura e dezanove de largura. O cruzeiro apresenta braços pouco salientes. A nave longitudinal e o cruzeiro estão cobertos com abóbadas de canhão, que descansam numa imposta corrida e que coroa as paredes laterais com abertura de janelas de iluminação. No transepto ergue-se uma airosa cúpula, de um só tambor.

 

Apresenta ainda vistosa talha nos retábulos do altar-mor e nos dois altares sitos no transepto, de traço barroco.

 

(Capela-mor e respectivo retábulo do altar-mor)
(Retábulo do altar direito do transepto)

 

3.3.- Igreja de Santa Eufémia do Centro (Jesuítas)

 

Localizada a antiga rua Nova – mais tarde do Instituo e hoje Lamas Carbajal  -, onde, na idade média, se encontrava uma sinagoga, ergue-se a Igreja de Santa Eufémia, uma das jóias mais apreciadas do barroco ourensano, ainda que serôdio, como nos mostram os múltiplos motivos neoclássicos.

 

 

Em 1615 sabemos que D. Pedro de Mondragón Alcorraba Zabal, natural e notário do Santo Ofício na Vila de Posí de Perú, deixou uns bens para fundar e edificar em Ourense uma Casa Colégio, com a sua respectiva igreja.

 

O templo inicia-se em 1653 e, desta forma, nascia a igreja, que mais tarde se chamaria de Santa Eufémia do Centro, adstrita ao colégio dos jesuítas.

 

Em 1689 já estava fundado o colégio com a sua igreja monacal, mas as obras pararam até ao primeiro terço do século XVIII, data a partir da qual se lhe apõe uma fachada cheia de monumentalidade e ornamentação. E a obra continua até aos finais do século XIX.

 

O exterior da igreja de Santa Eufémia apresenta-se encoberta por dois lados, não se podendo fazer uma leitura completa da mesma.

 

A única parte exterior em que o visitante pode olhar é a fachada principal que dá para a rua de Lamas Carbajal.

 

Esta fachada foi construída por Frei Plácido Iglésias, monge de Celanova, natural das terras de Montes, arquitecto que também trabalhou no mosteiro de Celanova e no Santuário dos Milagros.

 

Trata-se de uma fachada encurvada para dentro e consta de três corpos. O primeiro e o segundo estão separados por uma imposta, encurvada no meio, com nicho, onde se alberga a imagem de Santa Eufémia. Esta imagem foi feita pelo escultor ourensano, Xosé Cid. É uma imagem de arte naturalista e simbólica e, como dizem Henrique Bande Rodríguez e Luís Fernández Rodríguez, em “Guía Histórico-Artístico da cidade de Ourense”, de 1993, feita por um autor que «soube arrancar formas belas e doces ao granito galego».

 

 

O segundo corpo está coroado por um frontão roto, típico do barroco galego, que alberga uma cruz que parece surgir da mesma fachada.

 

Os panos da fachada são três, apresentando-se o central mais largo que os laterais, simétrico, e separados por colunas jónicas, no primeiro corpo, e coríntias, no segundo.

 

A decoração é composta por folhas e frutos que simbolizam a fecundidade da  terra galega.

 

 

Encontram-se também motivos heráldicos e pináculos, do século XVIII, que foram acrescentados em 1927.

 

 

A planta é de cruz latina, com três naves longitudinais e um cruzeiro com braços pouco salientes. As naves laterais têm dois pisos, abrindo-se, no segundo, balcões que dão para a nave central. As pilastras dão a sensação de excessivo peso à estrutura e dificultam a visibilidade ao público.

 


publicado por andanhos às 01:38
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