Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.1.4)

 

 

 

G.- Ourense – Capital termal da Galiza

 

Enquanto compilava apontamentos sobre a cidade de Ourense, por forma a elaborar a presente reportagem, neste Destaque, fui-me dando conta que havia muita coisa que desconhecia desta antiga, culta (cheia de “chispa”) e bonita cidade.

 

Particularmente estava interessado em ver e aprofundar melhor:

  • o seu centro histórico, as suas ruas mais antigas, profundas, cheias de história;
  • as três ruas, e respectivas perpendiculares, que abriram a cidade, retirando-a do casco medieval: Santo Domingo, Progreso e Paseo, zonas nobres de comércio e onde se concentram a maior parte dos afamados exemplares de arquitectura modernista;
  • as suas zonas verdes, em especial aa áreas termais ao longo das margens do rio Minho.

Por isso, um dia – 29 de Março do corrente ano -, sob um céu lindo de sol, de mochila às costas, munida de literatura adequado para o efeito, de um mapa da cidade, da minha inseparável Nikon D200 e de alguns líquidos e mantimentos sólidos, sozinho, pus-me a caminho, embrenhando-me pelas ruas da urbe.

 

Meu destino inicial era a Livraria Torga, (como os galegos ourensanos são carinhosos para com os nossos escritores!), mesmo em pleno centro histórico, onde queria munir-me de uma obra que fala detalhadamente sobre a História de Ourense, de José Somoza Medina, que me foi indicada pelo amigo Luís, ourensano de gema, editada pela Duen de Bux.

 

Mas dei com o nariz na porta. 29 de Março de 2012 foi dia de Greve Geral (Folga Geral) em toda a Espanha. E a Livraria Torga, fazendo jus aos seus pergaminhos de esquerda, não abriu nesse dia.

 

Nem tão pouco o comboio turístico que, partindo da Praça Maior, nos faz todo o percurso pedonal do Itinerário Ambiental do rio Minho, pela sua margem esquerda, estava em funcionamento.

 

Desta feita, ultrapassada a rua do Progreso e transposta a Ponte Maior, penetrei no bairro de A Ponte.

 

Na Estação de Caminho de Ferro de Ourense-Empalme tomei o pequeno-almoço e, daqui, desci até junto das pontes Ribeiriño e Milenio, disposto a efectuar, a pé, aquele percurso ambiental até às burgas de Outariz e Canedo.

 

1.- As águas termais de Ourense


Enquanto tomava o pequeno almoço, fui abrindo a mochila, e, de uma das suas bolsas, peguei em dois pequenos livrinhos: “Roteiros da Água – Balneários do Eixo Atlântico”, de Francisco J. Gil, de 2008, Edições Nigra Trea, SL e “Ourense – Vive y Descubre”, da Editorail Everest.

 

De dentro daquelas páginas fui (re)assimilando que o principal apelativo de Ourense é o de Cidade das Burgas, o que se deve às três fontes hipertermias que se encontram em pleno coração do seu núcleo histórico.

 

(Alegoria das Ninfas - escultura de Acisclo Manzano)

 

“As Burgas são o coração e o pulso íntimo da terra que brota em solo milenário, de uma urbe que procurou nas águas a sua razão de ser”, assim diz o manual do Everest.

 

Já no século XIX, Antonio Casares Rodrigo, que foi reitor da Universidade de Santiago de Compostela, e um dos pioneiros na catalogação e análise das águas minerais da Galiza, tinha dito que, se se juntassem todas as torrentes das fontes termais da cidade de Ourense, formariam um rio mais caudaloso que o Manzanares.

 

E não foi por acaso que os suevos, que aqui tiveram a capital do seu reino, chamavam a esta cidade Warmsee (o lago quente), nome do que, talvez, e como já disse num outro post, derive o actual topónimo Ourense.

 

As águas termais de Ourense são alcalinas, bicarbonatadas-sódicas, fluoradas, silicatadas e clorado-sódicas.

Em 2007, Ourense foi declarada, pelo governo galego, capital termal da Galiza.

 

Logo a seguir à cidade de Budapeste, Ourense é a segunda cidade europeia em riqueza termal.

 

Na actualidade, as águas das burgas do seu centro servem para converter, em piscina aquecida, a que existe no Pavilhão dos Remédios, entre as pontes Vella e Milenio.

 

Além das fontes das Burgas, em Ourense há notícia do uso, pelo menos, de quatro instalações de balneoterapia e um importante número de fontes nas margens do rio Minho.

 

Quanto às instalações de balneoterapia. Aqueles quatro estabelecimentos encontram-se agora abandonados. Dois deles estavam nas imediações das Burgas: a Casa de Banhos, muito perto do Mercado Municipal, que se nutria dos três mananciais, que lhe forneciam água a 47º C, com características similares às das Burgas. A segunda instalação eram os Banhos de Outeiro, ao pé da antiga prisão. As outras duas instalações, de modestas pretensões, encontravam-se em Mende e em Santiago das Caldas.

 

As burgas ao longo do rio Minho, agora integradas no Itinerário Ambiental do Rio Minho, ao contrário da deterioração e desleixo que provocaram a desaparição das instalações termais acima referidas, nestes últimos anos, têm sido objecto de recuperação.

 

As instalações termais (burgas, poças, pias, piscinas) ao ar livre, ao longo do passeio do Itinerário Ambiental do Rio Minho são gratuitas.

 

A Chavasqueira e Outariz  também têm instalações privadas, oferecendo piscinas interiores e ao ar livre, assim como serviço de cafeteria. São um complexo termal para o disfrute e a saúde, com sauna e massagens, e num contexto que pretende causar o menos impacto possível nas margens do rio. Definem-se em termos de um conceito típico de inspiração japonesa, portanto oriental, de íntima relação entre a água, a pedra e a energia, num jogo com a música do rio e ar (natureza). Os preços que se cobram são relativamente acessíveis.

 

2.- Percurso Pedonal do Itinerário Ambiental do Rio Minho


Partindo do Parque da Ribeira de Canedo, logo à saída da Ponte Vella, o percurso tem, sensivelmente, seis quilómetros (três para lá e três para cá). Foi exactamente o que fiz.

 

(Passando debaixo da Ponte Milenio)

 

Um pouco logo à saída da Ponte Ribeiriño, aparece-nos esta bela escultura, em ferro, de Acisclo Manzano:

 

 

2.1.- Pozas e Termas de A Chavasqueira


A A Chavasqueira, também chamada Fonte do Bispo, possui águas alcalinas, de mineralização média, fluoradas, litínicas, bicarbonatadas-sódicas e sulfurosas.

 

 

As primeiras instalações foram construídas à custa do cardeal Quevedo, quando era bispo de Ourense, recebendo, desta forma, esse nome. Hoje são conhecidas popularmente como d’A Chavasqueira.

 

 

São recomendadas para artrites e infecções respiratórias. Emergem a 64º C pelo que é preciso arrefecê-las para os banhos.

 

 

As instalações privadas oferecem serviços todo o ano, em horário que vai desde a nove e meia da manhã até às onze e meia da noite. Às sextas, sábados e vésperas de feriados estão abertas até às três da manhã. Convém sempre confirmar estes horários.

 

 

Aqui na A Chavasqueira, e banhando-se no rio, uma outra escultura de Acisclo Manzano - A Vénus do Minho:

 

 

A 500 metros de A Chavasqueira, aparece-nos o

 

2.2.- Manancial de O Tinteiro


Tem escasso caudal.

 

 

As cheias do rio marginaram este manancial que, apesar de tudo, tem muitos defensores pelas suas qualidades na cura de problemas relacionados com a pele e as vias respiratórias.

 

(Corvos marinhos no rio Minho)

 

Emergem a 43ºC.

 

 

A fonte do Tinteiro possui a infra-estrutura que a fotografia mostra.

 

(Entrada na área do manancial)
(Infra-estrutura)

 

Sensivelmente a dois quilómetros de O Tinteiro, aparece-nos

 

2.3.- Pozas do Moiño da Veiga


O passeio ao longo da margem do rio leva-nos até Moinho da Veiga, na freguesia de Quintela de Canedo.

 

(Margem do rio Minho)
(Uma bonita pega empoleirada)

 

Esta águas possuem uma temperatura que oscila entre os 65 e os 72º C.

 

(Perspectiva geral das "pozas" do Moiño da Veiga)
(O moinho)
(Uma outra perspectiva do moinho)

 

O seu generoso manancial, com um caudal de 20 litros por segundo, permite encher uma grande piscina a cujo uso é possível, graças a que é arrefecida previamente para os banhistas poderem realizar, assim, os seus banhos terapêuticos, ou simplesmente lúdicos.

 

2.4.- Pozas e Termas de Outariz


A mais recente área termal está formada pelas fontes de Outariz, com quatro piscinas muito semelhantes às de A Chavasqueira.

 

(Em direcção a Outariz)
(Termas de Outariz)

 

Estas águas são bicarbonatadas-sódicas, fluoradas, litínicas e sulfurosas, de mineralização débil, com uma temperatura de emergência de 60ºC.

 

(Perspectiva da "pozas" de Outariz)
(Uma outra perspectiva das "pozas" de Outariz)

 

Tem um caudal que, se somarmos todas as nascentes, supera os 30 litros por segundo.

 

2.5.- Burga de Canedo


Está mesmo colada a Outariz, quase sob a “passarela” de Outariz.

 

(De Outariz a Canedo - muito perto)
(Burga de Canedo - placard de informação)
(Perspectiva da Burga de Canedo)
( A "passarela" de Outariz que faz ligação à margem direita do rio Minho)
(Mais uma pega, de entre muitas, na paisagem)

 

Aqui, por esta “passarela”, comunicamos com a margem esquerda do rio Minho, e com o seu respectivo passeio pedonal, que nos leva até à

 

2.6.- Fonte de Reza


Fonte de Reza, na paróquia com o mesmo nome, fica mesmo em frente ao Manancial de O Tinteiro.

 

O seu manancial também é conhecido como Fonte Santa.

 

É também de utilização pública e gratuita.

 

A partir daqui, o Passeio das Ninfas, paralelo ao rio, vai  até ao Poço Maimón, onde existe um parque, restaurante e uma paragem de autocarros. [Vale a pena perder escassos dois ou três minutos e inteirarmo-nos do conteúdo da lenda de Ana Manana e do Poço Maimón: cheia de filosofia de vida!].

 

3.- Parque Miño


De regresso à cidade, depois de passar no Parque da Ribeira de Canedo,

 

(Uma perspectiva do Parque da Ribeira do Canedo)
(A Ponte Vella vista do Parque da Ribeira do Canedo)

 

e atravessar a “passarela” que nos transporta ao Centro comercial Ponte Vella, desci ao Parque Miño.

 

Aqui ficam algumas vistas do Parque:

 

(Entrada do Parque do lado da Estrada 525 - Ourense-Santiago)
(Um de dois pombais sitos no Parque)
(A Ponte Nova vista do Parque)
(Uma perspectiva do Parque)
(Uma outra perspectiva - do lado esquerdo, duas esculturas)

 

As esculturas que nele proliferam, levou-me a pensar na importância e no papel do nome das ruas, da estatuária e das esculturas urbanas como forma de conhecimento da história de uma cidade e da afirmação da sua identidade.

 

Será este, pois, o tema do próximo post.


publicado por andanhos às 02:13
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