Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016

Reino Maravilhoso - Património em ruínas:- Solar dos Montalvões/Outeiro Seco-Chaves

 

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO

 

PATRIMÓNIO EM RUÍNAS
O SOLAR DOS MONTALVÕES EM OUTEIRO SECO/CHAVES


Não está nos nossos intentos fazer aqui uma completa e intensa reportagem, quer sobre a origem deste solar, quer, pela passagem do tempo, do estado de degradação a que chegou.

 

Não pretendemos também lançar culpas a seja quem for, embora seja nossa convicção que - quanto ao estado a que chegou - haja pessoas e instituições mais responsáveis que outras.

 

Nosso desiderato - nas fotos que vamos apresentar - representa mais um «grito d’alma», mais um chamar de atenção para que - todos - nos consciencializemos para a importância da conservação e preservação do nosso património. Em suma, nossa atitude pretende ser mais pedagógica que acusatória.

 

Nestas questões do património e da sua ruína, não poderíamos estar mais de acordo com Vítor Serrão no Prefácio ao pequeno livro «Portugal em ruínas», de Gastão de Brito e Silva quando, a dado passo, afirma:


Estas arquiteturas destroçadas que a imagem regista e sintetiza com resíduos da sua vã glória passada deixam pressentir quase como uma recusa orgulhosa de partirem em paz, entre a longa indiferença geral, diluindo-se entre silêncios na profundeza da longa noite das des-memórias: porque em Portugal [...] «é preciso deixar que à memória coletiva mais recente caia a tinta, apodreça o teto, enferrujem as dobradiças e os carris, corroa a erva daninha, se partam com o vento as vidraças; Portugal [e, consequentemente, os flavienses] não quer[em] recordar nem quer[em] ver aquilo que foi [foram] ontem, ainda ontem, há bocadinho, e quando aceita[m] fazê-lo, esconde[m] com vergonha e o remorso debaixo da estatística [...]» . Foi assim e continua a ser assim: desdobra-se um rosário de misérias, de coisas mal conformadas com a sua triste sorte mas que enfrentam o desaparecimento, sem remédio, de ruínas que abrem uma amarga sensação de desleixo e de impotência - como estas imagens para o dizerem, na sua crueza [já] de cinzas”.

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 (Um dos aspetos exteriores do Solar)

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(O velho e desolado forno)

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(Um outro aspeto exterior do Solar)

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(O silvedo tomando conta do edifício)

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(Os seus «pergaminhos» - o brasão)

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(Entrando na capela - A desolação do seu interior, a começar pelo altar)

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(Bem assim a sua bonita traça, já praticamente inexistente)

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(O teto da capela, foi-se...)

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(Tulhas do centeio, contíguas à capela, praticamente a céu aberto)

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(Ontem já não fomos encontrar esta passagem,)

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(Tudo, em menos de um mês, desabou!)

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(O recinto e a entrada principal do Solar estão neste estado)

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(Tudo o resto é destruição, onde já não se pode entrar, como na cozinha,)

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(Bem assim nesta)

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(E noutras outras dependências daquela que foi uma Casa)

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(A imponente chaminé do Solar vista por um «janeluco» do alto muro do Solar)

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(Uma triste desolação, um verdadeiro «calvário»)

 

O que acabámos de apresentar representa, sem sombra de dúvida, um crime de lesa-património, tão próprio e característico de um país que, genericamente, dá, constantemente, um exemplo triste e esclarecedor de uma senha descontrolada de anti-património.

 

E o exemplo que acabámos de ilustrar é tanto mais grave quanto, de mãos particulares passaram para a autarquia flaviense; da autarquia flaviense para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) (mais propriamente, de Vila Real) para, finalmente, por falta de cumprimento à palavra dada por banda da UTAD, em construir no Solar e Quinta anexa um verdadeiro Pólo da UTAD em Chaves (mas também com responsabilidades de certos governantes a nível central e outras cumplicidades ou outros interesses autárquicos), voltar, de novo, para as mãos do município flaviense.

 

Ontem fomos ao local fazer-lhe mais uma visita. E mais uma trave-mestra de uma dependência caiu, como acima reportamos, e fez ruir mais uma estrutura.

 

Mas, sinceramente, a par desta degradação, o que igualmente nos confrangeu foi o estado dos terrenos da ora «Quinta», integrante do Solar. Um Solar de «pergaminhos» com os seus terrenos postos à pressão de interesses vários, como se de um verdadeiro loteamento se tratasse, transformada agora numa verdadeira montureira. Um verdadeiro escândalo em termos ambientais!

 

E dizer-se que, tudo isto, sob o patrocínio e/ou responsabilidade da atual Câmara Municipal!

 

Quando acabamos com esta onda de descaracterização, de desleixo e de abandono do nosso património? E sabermos preservar como esta peça do «calvário» de Outeiro Seco?...

11.- AZS_7909.jpg


publicado por andanhos às 14:53
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