Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

Reino Maravilhoso - Incursão no mundo rural que não conhece os feriados civis

 

 

REINO MARAVILHOSO

 

INCURSÃO NO MUNDO RURAL QUE NÃO CONHECE OS FERIADOS CIVIS


Já vem sendo hábito os quatro mosqueteiros - amadores da fotografia e amantes do reino onde habitam - em alguns dos seus feriados e fins-de-semana, fazerem incursões no país profundo do Alto Tâmega e Barroso.

 

Expliquemo-nos, para o leitor(a) entender melhor esta espécie de fixação.

 

Praticamente esgotado o reportório da apresentação dos lugares do concelho de Chaves, o autor do Blogue CHAVES pretende cobrir todos os lugares do Alto Tâmega e Barroso.

 

Nesta sua tarefa acompanham-no, de uma forma um tanto irregular, três amigos Lumbudus. Quer dizer, nem sempre vão os três. Mas há sempre um, pelo menos, que o acompanha. Não é apenas o gosto fotográfico que os une. É também a amizade que os liga. Ou a «pica» de se pegarem uns com os outros sobre questões importantes da nossa polis, mas, cuja orientação da conversa, a maior parte das vezes, é de lana-caprina, e, no final de contas, as conclusões ficam em nada. E, não menos despiciendo, no gosto que têm em contactar com o povo genuíno - infelizmente pouco e, a grande maioria, constituído por «maiores» - quando estão tratando das suas lavouras, e com eles nos cruzamos, ou nos campos, ou nas bermas das estradas e caminhos, ou nos becos e ruas das aldeias, e assomem à porta ou à janela de suas casas, quando estão tratando das suas lides domésticas.

 

Dia 5 de Outubro, feriado comemorativo da Implantação da nossa República, deixamos o fato e a gravata das cerimónias oficiais e, vestindo traje aparentado de quem trabalha na terra, ou anda lá por casa, partimos, uma vez mais, para o nosso Portugal profundo, aquele que se encontra encravado entre as serras do Leiranço, das Alturas (Barroso) e Larouco.

 

Levantámo-nos cedo - uma particularidade para a maioria de nós, que raras vezes vemos o sol a nascer - e partimos, determinados, para percorrer as aldeias, devidamente assinaladas em diferentes mapas, constantes do dossiê que o «chefe» da equipa, antecipadamente, elaborou e preparou, com respetivo itinerário e, como não podia deixar de ser, com a sinalização do local onde se iria proceder à «janta».

 

Enquanto percorríamos a Estrada Nacional 103, que, de Chaves, se dirige a Braga, depois de passarmos Sapiãos, o nosso D’Artagnan parou a viatura, obrigando os outros três mosqueteiros, já de idade avançada, e não tão jovens como os do Alexandre Dumas - Athos, Porthos e Aramis - a saírem dos seus respetivos habitáculos na viatura, por ele conduzida, para apreciarem a paisagem.

 

E de facto, o panorama que à nossa frente se apresentava, com Boticas como pano de fundo, era digno para que se dessem umas tantas «clicadas» nas respetivas máquinas fotográficas que cada um levava.

 

Pela nossa parte, aqui fica o pequeno contributo, ou «troféu de guerra» que Aramis obteve com a sua máquina fotográfica para «sacar» aquela paisagem, esta imagem:

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Naturalmente que não é nosso desiderato ou intento apresentar aqui a reportagem do dia. Essa tarefa é de direito próprio (e legítimo) do nosso D’Artagnan.

 

Nós apenas pretendemos registar uma particularidade do nosso mundo rural profundo, da qual Barroso é um dos seus lídimos representantes. Ou seja, e tal qual se passa pelas terras rurais e da Montanha de Chaves: os feriados civis não são aqui para respeitar e cumprir; trabalha-se. Apenas se guardam e respeitam os dias santos, feriados religiosos, para se ir à missa e descansar.

 

Assim, quando passámos por Cervos, o trator do amigo do tio Joaquim de Sousa dirigiu-se para os seus campos, com o cão a acompanhá-lo

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e, numa das esquinas de uma rua, esta simpática residente, com quem trocámos meia dúzia de palavras, entretinha-se a debulhar o seu milho.

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Avançando no nosso percurso, em Vilarinho de Arcos, não vimos muita gente. Uma das poucas pessoas com quem trocámos palavra foi com o senhor António, que andava a limpar o espaço público que, provavelmente, as suas lides da lavoura, sujou.

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Ao chegarmos a Arcos, era hora de deitar as vacas para o monte.

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Bem assim, em Antigo de Serraquinhos, com o sol já a pique, levar as cabras e os cordeiros para a loja.

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Chegados a Zebral, deparámos com a tia Adelaide a espalhar as espigas de milho para secarem ao sol.

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Aqui, o nosso mosqueteiro Porthos, que alguns anos atrás andou por estas paragens exercendo magistério, fez uma pequena pausa para se lembrar de tempos idos e saber da paragem dos seus quatro pupilos de então.

 

Seguindo rua abaixo, aparece-nos a nossa jovem Idalina, amontoando o esterco da coorte no tratar para o levar para as suas terras e de seu marido.

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À saída de Zebral, quando já íamos saber da nossa «janta», deparámo-nos com um rancho de gente, já em fins de apanha da batata,

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 ensacando-as

DSCF4785.jpg

e, no trator, transportando-as para casa.

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Depois de um opíparo almoço, bem prolongado, cujo prato forte foi o cozido à barrosã, nas proximidades de Pisões e da sua barragem, rumámos, por via de Vilarinho de Negrões e Negrões, com uma passagem por Vilarinho da Mó, concelho de Boticas,

DSCF4849.jpg

em direção a Carvalhais.

 

Deixamos aqui um agradecimento especial à senhora D. Luísa, de Carvalhais, pelos figos que nos deu

DSCF4943.jpg

e pelos morangos biológicos que nos deu a provar.

 

Em Carvalhais, em fim de tarde, ainda se foi vendo um pouco mais de pessoas. Todos elas já «maiores», aos pares ou a três, dando dois dedos de conversa, tal como a senhora D. Luísa estava fazendo, sentada num banco, perto da propriedade que lhe deixaram os seus ascendentes. Para aqui vem, sempre que pode, depois do trabalho na vila de Montalegre, como neste feriado, para cuidar do seu «pedaço».

 

Com o sol prestes a se meter na linha do horizonte, descemos até Morgade e, no lugar que outrora foi uma colónia, Criande, parámos para uma última sessão de fotografias ao por do sol sobre a barragem do Alto Rabagão.

 

Aqui ficam duas imagem do lugar, em momentos diferentes,

DSCF4967.jpg

acompanhando o escurecer.

DSCF4985.jpg

Depois de uma paragem no Barracão para alimentar a «máquina», já necessitada de «combustível», regressámos a penates, depois de mais uma jornada de luta com a máquina fotográfica para «captar» o incaptável, mas que, cada um, achou ser (o) possível.


publicado por andanhos às 21:37
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2 comentários:
De Fer.Ribeiro a 8 de Outubro de 2016 às 21:52
Gosto!


De Lena a 8 de Outubro de 2016 às 23:55
Belo passeio e fotos sublimes, gostei em particular das duas ultimas...
as paisagens sao majestuosas e ir o encontro das pessoas é muito agradavel....

beijos


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