Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

REINO MARAVILHOSO - BARROSO:- Um dia de S. Sebastião diferente

 

 

REINO MARAVILHOSO - BARROSO

 

UM S. SEBASTIÃO DIFERENTE NO BARROSO


Foi nos anos noventa do século passado que, pela mão do nosso amigo Marcelino Lopes, fomos conhecer e partilhar a «Mesinha de S. Sebastião», no Barroso, Couto de Dornelas, concelho de Boticas.

 

Nossa curiosidade tinha mais a ver com a atividade docente que então desempenhávamos: o amigo Marcelino, como militante e, mais tarde, teórico da Animação Sociocultural; nós, como curioso daquela festa comunitária e do seu aproveitamento para o desenvolvimento de um meio rural profundo e em decadência. Ia connosco o amigo galego, Xerardo Pereiro, docente, como nós, no Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, no Pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Chaves, encarregado da lecionação da cadeira Turismo Cultural. Acompanhava-nos um punhado de alunos tão curiosos quanto nós.

 

Passaram-se vários anos, deixando de «frequentar» a «Mesinha de S. Sebastião», no Couto de Dornelas.

 

Há três, quatro anos a esta parte, aposentado das funções docentes, com alguns amigos, voltámos à «Mesinha», no dia 20 de Janeiro de cada ano.

Nossa intenção, no presente escrito, não é fazer a reportagem desta «comemoração». Se a memória não me falha, durante dois ou três anos seguidos já a fizemos nos nossos blogues, com partilha na nossa página do Facebook.

 

Podíamos agora contar a história ou a lenda desta interessante tradição comunitária, fazendo ressaltar o elemento iminentemente solidário que brota desta festa/tradição.

 

Mas outros já o têm feito com muita mais competência, engenho e arte que nós.

 

E, porque não nos queremos tornar deveras maçador, apenas queremos deixar aqui à consideração - elencando - algumas das várias motivações que, hoje em dia, leva uma multidão de gente a aproximar-se daquela «Mesinha».


Para uns, com certeza, será a fé no Santo; para outros, o partilhar de uma tradição; para outros ainda, é a partilha do pão, carne e arroz, que lhes oferecem, acompanhada do farnel da merenda que trazem, onde o garrafão de vinho nunca falta; uns gostam mais do convívio com os amigos e parentes que vêm até à «Mesinha»; outros preferem o bailarico e a música, em especial a «desgarrada», onde cada cantador, de engenho e arte diferentes, profere dichotes, conforme a sua imaginação brejeira.

 

Ultimamente, mercê da propaganda que a comunicação social fez deste «encontro», apareceu uma nova «casta de peregrinos» - os fotógrafos amadores, com pretensões a artistas profissionais. E é vê-los, autênticos «paparazzi» ou mirones, a «enxamear» as suas respetivas páginas de Facebook ou os seus bogues com fotos (ou vídeos) daquela singular «mesa».

 

Este ano deixámos de frequentar Couto de Dornelas no dia 20 de janeiro.

 

Não foi só a preguiça de mos levantarmos cedo, deliciando-nos com o «quentinho» da cama em dias de inverno. Foi mais do que isso. Um arrebate de consciência, numa atitude purista quanto à memória desta festividade ou comemoração. Como «turista» e/ou reles fotógrafo amador não queremos contribuir para o desvirtuamento, a pureza de uma festa ou comemoração, profundamente comunitária, daquela específica comunidade, infelizmente hoje transformada em mera mercadoria numa sociedade, pura e simplesmente, ávida do consumo de sensações!

 

Fomos ter, à tarde, com os nossos amigos habituais dos passeios fotográficos.

 

Contudo, nossa preocupação virou-se não para aquela festa ou comemoração ou para a feijoada, da festa do mesmo Santo, noutro lugar do Barroso, em Alturas do Barroso.

 

Nossa atenção dirigiu-se para a paisagem barrosã, aquela que ainda vai mantendo intacto um certo ar da sua pureza ancestral, apesar dos muitos e variados «atropelamentos» à sua natureza e património.

 

Pela câmara negra da nossa máquina fotográfica, passou o velho, solitário e ancestral castanheiro;

01.- AZS_9616.jpg

a aldeia barrosã, hoje já sem a sua cobertura de colmo, rodeada de lameiros;

02.- AZS_9672.jpg

a paisagem agreste da montanha a ficar coberta de nevoeiro;

03.- AZS_9717.jpg

o moinho do Porto, envolto em nevoeiro, em Vilarinho Seco,

04.- AZS_9720.jpg

e o seu velho espigueiro.

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 Na mesma localidade, o convívio humano, no largo da Adega Regional «O Palheiro».

06.- AZS_9748.jpg

«Espalhando-nos» pela aldeia, assistimos à hora do regresso do gado ao curral.

07.- AZS_9836.jpg

Eis a «ti Maria», firme sobre o seu cajado, na azáfama da recolha.

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Chegados a Alturas do Barroso, damos com uma igreja modestamente engalanada a receber-nos.

09.- AZS_9845.jpg

De pronto nos dirigimos para um lugar recomendado - a «Casa do Ferrador».

 

Por nós ficaríamos ali toda a noite naquela lareira,

10.- AZS_9862.jpg

pegando, do lareiro de fumeiro, uma chouriça

11.- AZS_9863.jpg

e, caso os vapores etílicos fossem demais para a caminhada a levar a cabo, um escano amigo bem servia para dormirmos uma valente soneca até que «desaparecessem» por completo.

12.- AZS_9908.jpg

Rude vida, é certo, por estas paragens. Mas quanto calor humano e solidariedade esta gente encerra e partilha!


publicado por andanhos às 22:14
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1 comentário:
De Lena a 20 de Janeiro de 2016 às 23:10
Belo passeio !


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