Domingo, 12 de Junho de 2016

Reino Maravilhoso - Alto Tâmega e Barrroso - Da água (termal) ao vinho - Quinta do Calvário (Vilarinho de Paranheiras)

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO

 

DA ÁGUA (TERMAL) AO VINHO

 

- QUINTA DO CALVÁRIO -
(Vilarinho das Paranheiras)

02.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (2)

Enquanto, no dia 10 passado, andávamos pelo Trás-os-Montes profundo, o Barroso, inaugurava-se em Vidago o «Balneário Pedagógico de Investigação e Desenvolvimento de Práticas Termais de Vidago».

 

Se a estratégia integrada de desenvolvimento do Alto Tâmega (e Barroso) aposta num recurso endógeno - a água, e concretamente no Município de Chaves, a água termal - como recurso fundamental para o seu desenvolvimento, naturalmente que teremos de aplaudir esta iniciativa e este investimento que agora se materializou.

 

Temos já fundadas dúvidas quanto ao facto deste investimento, só por si, seja gerador do emprego de que tanto se apregoa.

 

Falámos nos nossos «discursos», na rubrica «Discursos sobre a cidade», no blogue «CHAVES», a propósito da Estratégia Integrada de Desenvolvimento do Alto Tâmega, documento mandado elaborar pela CIM - AT (Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega).

 

Mostrámos as nossas apreensões quanto ao tão apregoado desenvolvimento do Alto Tâmega (e Barroso), plasmado naquele documento, e quanto à eficácia da sua implementação no que concerne ao envolvimento dos atores (todos) locais/regionais.

 

Há uma outra vertente que não foi suficientemente abordada e que urge ser referida. Trata-se da palavra “integrado” aposta naquele documento - Estratégia integrada de Desenvolvimento do Alto Tâmega. Quando se fala em integrado quere-se dizer que tudo se faça tem a ver e está em relação, quer a montante, quer a jusante, com um determinado projeto, ação ou atividade que se considera, em princípio, fundamental (ou estruturante). Ou seja, e para sermos práticos, um balneário como aquele que se acaba de ser inaugurado em Vidago pressupõe que, ao mesmo tempo que é implementado e realizado, um outro conjunto de iniciativas e ações que, simultaneamente, devem ser levadas a cabo para que a sua eficácia seja plena (ou tenda para a sua plenitude).

 

Por isso, pergunta-se: o que foi feito, tendo em conta o que se prescreve, a páginas 83, quando se afirma, no documento Estratégia Integrada de Desenvolvimento do Alto Tâmega, quanto à “preocupação com a necessidade de funcionamento de todos os atores em articulação, interagindo num contexto de rede que ultrapasse uma lógica mais individualista e favoreça uma abordagem holística e integrada capaz de gerar benefícios para todos as partes”?

 

Se olharmos para o entorno do Balneário Pedagógico de Vidago o que vemos é, sob o ponto de vista paisagístico, uma preocupante desolação! Onde se vê o tão apregoado empreendorismo, iniciativa individual e criatividade dos particulares na reativação das suas velhas pensões, residenciais e hotéis, capazes de atrair clientela, novos clientes, para Vidago? Onde estão as infraestruturas de animação termal e turística para o local, face aos novos perfis de aquistas? Que estratégia de comunicação se usou para que os vidaguenses sintam esta obra como sua e se mobilizem, todos, revisitando a sua prestigiada história termal, e, qual Fénix renascida, contribuam para criar uma nova idade de ouro em Vidago, com desenvolvimento, emprego, qualidade de vida e justiça social?

 

Ouvimos dizer em Minas da Borralha - a quem viu a reportagem da inauguração -, por onde passámos, naquele dia 10 de junho passado, que o Presidente da edilidade flaviense depois de falar da água (termal) passou para o vinho. E elogiou a iniciativas de alguns empresários vitivinícolas da parte sul do concelho pelo seu empreendorismo e capacidade exportadora dos seus produtos. Obviamente, ficou-lhe bem aquelas palavras de apreço.

 

Mas não podemos ficar indiferentes e calados quanto ao que vemos, naquele mesmo território, em termos de gestão, ordenamento do território e preservação e valorização do nosso património agrícola.

 

Se o desenvolvimento deve ser integrado, onde pára a magistratura de influência dos nossos políticos locais, a mobilização doa atores em rede para incentivar e dinamizar a iniciativa privada na valorização do território e de um rico património, quer agrícola, quer urbano, que está a ficar em ruínas?

 

De um arquiteto paisagista exige-se a sensibilidade para entender que não é apenas uma obra termal ou uma vinha bem tratada, e de qualidade, que, depois, fala pelo todo. Positivamente, tudo tem de ser visto numa perspetiva holística!

 

Vejamos o que, de Chaves, descendo para Vidago, em Vilarinho das Paranheiras, um dia, nossos olhos foram encontrar:

01.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (1).


Parámos o carro e atrevemo-nos a ir ao local.

16.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (22)

Pensávamos ser uma casa, mais uma entre muitas outras, que deveria ter alguns “pergaminhos”, os seus tempos áureos e, agora, possivelmente, expectante no mercado imobiliário. Tudo à sua volta está inculto e ao abandono. Não sabemos quem seja o seu proprietário (ou proprietários). Mas, pelo estado total de abandono, já não lhes preocupa o imóvel. Provavelmente apenas o local, naquele que outrora foi uma rica propriedade agrícola (vinha) e agora, espartilhada pela EN nº 2 e pela A24.

 

Nossa curiosidade foi tanta que não resistimos entrar. Aliás, as suas portas estão completamente abertas de par em par...

 

E ficámos de boca aberta quando, a nível do rés-do-chão, damos com isto:

03.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (3).

 Quatro grandes lagares feitos em boa pedra trabalhada de granito. E tudo ao completo abandono!

 

Demos a volta à casa. Sua arquitetura do século passado não seria para preservar?

04.- 016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (13)

 Do lado oposto, e ainda a nível do rés-do-chão, mais espantados ficámos quando vimos isto:

05.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (12)

 Reparámos numa porta,

06.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (10)

 e entrámos para uma outra dependência. O espetáculo ainda era mais desanimador!

07.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (8)

 E, intimamente, interrogávamo-nos: como isto é possível?

 

De patamar em patamar, nossa curiosidade ia aumentado. Subimos as escadas rumo ao 1º andar.

 

Do terraço maior da casa, eis a paisagem que se vislumbra:

08.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (19)

 E, noutro ângulo, do mesmo:

09.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (15)

 De resto, tudo quanto à volta da casa se vê e dentro dela é só abandono, ruínas e desolação.

10.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (14)

 Vejamos apenas um "quadro" - até dos menos deprimentes - da mesma e digam se não é uma “dor de alma”!...

11.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (18)

 E, mais uma vez nos interrogávamos: como isto é possível?

 

Contudo, no meio deste total abandono, eis esta janela, mostrando o seu entorno. Será que funcionará como uma “janela de oportunidades” para este espetáculo tão deprimente?

12.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (17)

 Saímos do interior da casa e regressámos ao exterior.

 

Nossos olhos dirigiram-se para este canto de um terraço.

13.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (20)

 Vejamos, agora, o pormenor do telhado.

14.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (21)

 Tristes, saímos deste local fantasma, que já teve o seu período de esplendor, olhando, uma vez mais para o vulto que deixávamos para trás.

15.- 2016 - Quinta do Calvário (Paranheiras) (4)

 E, por uma terceira e última vez, nos interrogávamos: como isto é possível?

 

No mundo do futebol há “olheiros” para, observando, detetarem as novas promessas, capazes de dar glórias, muitas alegrias aos adeptos e dinheiro para os clubes.

 

Os nossos (pseudo) neoliberais, que governam os destinos desta nossa terra, não têm “olheiros” para verem isto e irem à procura de quem se interesse por este património, incentivando os privados na rentabilização deste “valor”?

 

Afinal de contas onde anda a "magistratura de influência", a inovação e o empreendorismo dos políticos de turno da praça que nos governa? Elegemo-los para promoverem o desenvolvimento do nosso território, quer público, quer privado, ou apenas para “governarem”, a seu bel-prazer, com os impostos de todos nós, apenas fazendo obras, que, no final, não passam de fachada?

 

Falamos hoje muito do bom vinho que no sul do concelho se produz. O do que ficou do vinho que se produziu nesta Quinta do Calvário, em Paranheiras?

Livro da Quinta

 É desta forma que promovemos uma estratégia integrada de desenvolvimento para o concelho e para a região?

 

Passo agora a palavra ao leiotr (a)...


publicado por andanhos às 20:13
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2 comentários:
De Adolfo a 8 de Julho de 2017 às 22:47
Boa noite, essa quinta está aberta ao público ou as fotos que tirou do interior da propriedade trataram-se de invasão de propriedade? Esses documentos que retrata na última foto foram lhe facultados por alguem ou pegou em propriedade alheia? Apesar de tudo fiquei preocupado com este retrato público de invasão de espaço privado que funciona quase como convite a vandalismos e roubos.


De andanhos a 12 de Julho de 2017 às 01:05
Meu caro Adolfo,
Como se pode falar de invasão de propriedade quem da sua propriedade minimamente não cuida!..
Não vale a pena perdermos mais palavras... é só passar por lá...


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