Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - Termas de S. Pedro do Sul

 

 

VISITA RELÂMPAGO AO COMPLEXO TERMAL DE SÃO PEDRO DO SUL

 

Apesar de relativamente próximas do Douro onde nasci, as Terras de Lafões, particularmente o concelho de S. Pedro do Sul, nunca me despertaram particularmente a atenção. Coisas que a gente nem sempre sabe explicar! Talvez seja o inconsciente a funcionar, «descriminando». É que S. Pedro do Sul, em termos termais, rivaliza com Chaves. Que o diga o nosso amigo António Manuel Pires de Almeida que, durante alguns anos, enquanto vereador da Câmara Municipal de Chaves, foi responsável pelas Caldas de Chaves. E sabemos bem como ele e toda a vereação, com o seu Diretor Clínico da altura, Dr. Mário Carneiro, se bateram para modernizar aquela infraestrutura, pondo-a no topo das termas de Portugal. Contudo, há que reconhecê-lo, pelo menos em número de aquistas, S. Pedro do Sul sempre esteve à frente. Para além de razões históricas, há também o fator espaço (geografia do lugar). S. Pedro do Sul teve todas as condições para se transformar num verdadeiro complexo termal, porque fora do espartilho do seu aglomerado urbano; Chaves, e as suas Caldas, estão demasiado próximas do núcleo urbano e, diga-se em abono da verdade, nem sempre houve no passado a intenção, as condições e o propósito de uma aposta firme neste setor.

 

Hoje, por opção pessoal, afastado das lides político-partidárias, e com tempo disponível, por via da nossa aposentação da política e do ensino, vai-nos sobrando, pelo menos algum tempo, para irmos, de vez em quando, dar uma volta e conhecer, a pé, ou de viatura, como andarilho, certos andanhos (recônditos preciosos) deste nosso Portugal. Mas não o podemos fazer tantas vezes quanto gostaríamos. Viajar de automóvel, nos tempos que correm, em Portugal, tornou-se uma atividade para certos, poucos, privilegiados.

 

Como o(a) caro(a) leitor(a), nos posts anteriores, tem dado conta, o que mais nos tem seduzido, nesta época do ano, é o Maciço da Gralheira, com as suas serras floridas e as suas recônditas e típicas aldeias. As terras de S. Pedro do Sul integram este Maciço.

 

Quando aqui há uns dias partíamos de casa para conhecer mais uma das suas aldeias - a aldeia da Pena - já quase abandonada no Maciço, tornou-se-nos praticamente obrigatório passar por S. Pedro do Sul. Na agora cidade, pouco tempo estivemos. Mas deu para perceber que, como todas as sedes de concelho deste país, com o 25 de Abril e o poder local, apesar de muito «despilfarro», como dizem os nossos «hermanos» espanhóis, muita coisa se fez. Algumas delas completamente desproporcionais e até faraónicas, em razão da escala concelhia. Nem tudo, quase completados 40 anos de poder local democrático, nas autarquias, correu bem. Fala-se demais de reformas, particularmente no poder local. O que, na realidade, presenciamos é a um constante cortejo de palavras, saídas simplesmente da boca para pora, enquanto continuamos mergulhados na mentalidade despesista, sem programação e planificação do futuro, e os únicos que neste país pagam a fatura são os mais pobres e a classe média. Tudo continua na mesma. Diria, pior ainda! Mas não é coisa para admirar. Em alguns escritos tenho enfatizado que o 25 de Abril trouxe-nos a liberdade, mas falta ainda cumprir a democracia, assente numa autêntica mudança cultural da população portuguesa, assumida na construção de verdadeiros e autênticos cidadãos(ãs). Cidadãos(ãs) que sabem aquilo que querem e para onde vão. Não manipuláveis por políticos demagógicos e por medias nas mãos do capitalismo financeiro internacional, todos possidentes, que outra coisa não fazem, ou representam, senão a voz do dono do dito mercado, «intoxicando» a nossa opinião, «fragilizando» a nossa vontade.

 

Feito este aparte, em modos de desabafo, que nada tem a ver com S. Pedro do Sul e seus responsáveis políticos, regressemos à nossa reportagem.

 

Saímos da malha urbana de S. Pedro do Sul em direção ao dito Complexo Termal, que lhe fica a pouco mais de 3 Km, partindo desta bonita Igreja da Misericórdia

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (1).j

tendo, nas suas proximidades, um bonito painel de azulejos

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (4).j

e, a seu lado, casario típico de vilas e cidades do interior, como a nossa Chaves.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (3).j

Ao entrarmos no dito Complexo Termal de S. Pedro do Sul, ficámos agradavelmente surpreendidos por este bonito e limpo espelho d’água que aqui faz o rio Vouga,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (12).

bem mais agradável que o nosso Tâmega, na proximidade das Caldas.

 

Estacionada a viatura no parque de estacionamento, e atravessado o rio Vouga, deparámos com este bem bonito edifício - as instalações do INATEL.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (15).

Claro que é de fazer inveja a Chaves!

 

«Deslizámos» pela rua principal, do lado esquerdo do Vouga, com as suas características pensões

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (18).

e fomos tomar um café ao Quiosque das Termas, no largo da instância termal

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (34).

onde duas empregadas de limpeza, lavando chão do recinto,

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (35).

faziam um pequeno intervalo para descanso.

 

Mas, antes de «abalarmos» deste complexo termal, lembremos um pouco da história das Termas de S. Pedro do Sul. A sugestão e a narrativa está aposta numa placa informativa junto a estas ruínas romanas e medievais.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (20).

Reza assim:Encontramo-nos perante duas construções distintas: o balneário romano e o Hospital Real. O primeiro, designado pelos romanos de Balneum, já com mais de dois mil anos de existência, era composto por Caldarium, Trepidarium, Frigidarium, Sudatorium e Laconicum. Se as escavações da década de 50 e 80 tivessem continuado, teríamos a certeza de estarmos perante os vestígios do maior Balneum romano da Península Ibérica [?] (interrogação nossa). Do que resta do mesmo, o que se consegue ver é uma piscina a descoberto, com 20,5 metros de comprimento por 9 de largura e 1, 5 metro de profundidade. Sabe-se que ainda existem mais duas piscinas romanas e que sobre uma delas se requalificou a denominada piscina de D. Afonso Henriques, na qual este se tratou dos achaques sofridos na batalha de Badajoz. Em 1515, foi mandado edificar, por D. Manuel I, o Hospital Real das Caldas de Lafões. Tanto a presença d’El Rei D. Afonso Henriques como a de D. Manuel I, e após as terem distinguido com foral dado por cada um destes monarcas [o 1º, por D. Afonso Henriques, em 1151; o segundo, por D. Manuel I, em 1514], as Caldas de Lafões tiveram um incremento, que se vem refletindo até aos dias de hoje, com aumento do número de pessoas a marcar presença neste paradisíaco canto do vale do Vouga”.

 

Andámos. E mais um pouco à frente, também ao lado da via principal, esta capelinha, dedicada a São Martinho.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (41).

Em outra placa informativa, lê-se: “Como recompensa às Caldas de Lafões, pelo uso das águas curativas e também pela sua estadia na região, D. Afonso Henriques, antes de se despedir deste magnífico recanto banhado pelo rio Vouga e aconchegado por estas verdejantes encostas, onde permaneceu durante dois meses, mandou construir uma capela em honra de São Martinho. Esta capela foi trasladada do local onde foi erguida, muito perto do antigo castro romano, na encosta direita do rio Vouga, para o local onde se encontra hoje. Nas traseiras da capela podemos encontrar uma pedra trabalhada que remonta ao período entre o século II e V. É uma pedra primitiva cristã que, provavelmente, foi trazida das ruínas romanas, aquando da construção da capela. Devido ao seu formato, crê-se que possa ter sido, em tempos, uma fonte ou ter feito parte duma pia batismal”.

 

Enquanto tomávamos o cafezinho, líamos o texto do sítio da internet das Termas de S. Pedro do Sul (http://www.termas-spsul.com/historia.asp): “No século XIX e XX as Termas de S. Pedro do Sul conhecem um novo impulso e modernização. Em 1884, a Câmara municipal de S. Pedro do Sul decide construir um moderno Balneário que substituirá o tricentenário Hospital Real das Caldas de Lafões. E, passados dez anos, em 1894, a rainha D. Amélia vai mesmo a banhos pela primeira vez no novo balneário, tratando de alguns problemas físicos que a apoquentavam... E com tais resultados que, um ano depois, é aprovado um Decreto Real determinando que as Caldas de Lafões se passem a denominar Caldas da Rainha D. Amélia. É já no século XX, com a República, em 1910, que estas se passam a denominar Termas de S. Pedro do Sul. E é ainda no final do século, em 1987, que é inaugurado um novo balneário, O Centro Termal, iniciando-se, na mesma altura, a modernização do Balneário existente e então já denominado Rainha D. Amélia”.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (29).

E o texto continua: “A primeira década do século XXI, correspondente ao início do 3º milénio das termas de S. Pedro do Sul, assinala o maior e mais significativo impulso de modernização e ampliação de toda a sua história. No espaço de 8 anos, as novas Termas de S. Pedro do Sul estão irreconhecíveis: mais modernas, com equipamentos termais de última geração, mais atraentes e com um atendimento profissional altamente qualificado (...) É a entrada das Termas de S. Pedro do Sul na era do Turismo de Saúde & Bem-Estar, com novas exigências dos públicos, de diferentes perfis, a exigir uma crescente sofisticação das ofertas, uma gestão moderna, profissional e atenta às novas tendências deste segmento de mercado, mas também para corresponder às suas enormes potencialidades”.

 

Enquanto líamos e tomávamos o cafezinho, nossa vista virou-se para um alto edifício á nossa frente - o Balneário D. Afonso Henriques.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (30).

E continuámos com a leitura: “(...) A abertura do renovado Balneário D. Afonso Henriques remete definitivamente para as páginas da história, a imagem de instalações associadas a unidades hospitalares, a ultrapassados centros de saúde, feios e frios, estreitos e escuros (...) O novo Balneário D. Afonso Henriques garante capacidade para acolher mais de dez mil termalistas por ano e, principalmente, para lhes oferecer um serviço de excelência, moderno, sofisticado, tecnicamente exemplar. As condições que hoje oferece, aliadas à magia das suas águas termais, proporcionam condições ímpares para fidelizar quem já conhece, na sua saúde, os resultados dessas mesmas águas. E para conquistar quem, recusando a resignação, a repetição contínua e sem resultados das mesmas soluções, decida experimentar estas águas, decida reencontrar um novo equilíbrio do seu corpo com as potencialidades regeneradoras que a natureza nos oferece e que, entre muitos outros, seduziram gregos, romanos e o primeiro Rei de Portugal”.

E, cá para os meus botões, pensava nas Caldas de Chaves...

 

Levantámo-nos do Quiosque das Termas onde tomámos o café. Reparámos na velha ponte romana.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (43).

Esta não tão bela e com a história da de Chaves.

 

E dirigimo-nos para o parque de estacionamento.

2015 - S. Pdro do Sul (Termas+Manhouce+Pena) (45).

Manhouce esperava-nos...


publicado por andanhos às 07:14
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