Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira II

 

 

 

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

II PARTE

(Rumo ao Museu das Trilobites)

 

 

 

 

A atividade geológica é, ou foi, tão intensa,

que numa área pequena mas bem assinalada desde a criação do Geoparque Arouca,

podemos encontrar estas e outras manifestações da vida do planeta Terra

– como uma das maiores concentrações de trilobites gigantes do mundo,

que podemos ver no CIGC Arouca

(Centro de Investigação e Interpretação Geológica de Canelas),

onde fica um museu que alberga alguns dos melhores exemplares.

Mas não é preciso ser geólogo, mesmo amador,

para apreciar a beleza do lugar.

A serra é pequena, mas a menos que por ali fiquemos uns dias,

não conseguimos assistir à transformação do planalto

numa espécie de Mongólia ao pôr-do-sol,

à mudança de cor dos charcos, de verde musgo para azul petróleo;

e se vier o nevoeiro, então,

é impossível prever o que podemos descobrir

dentro das nuvens opacas que sobem e descem pelos vales.

 

Comedores de Paisagens

 

 

No café de Alvarenga, onde reforçámos o nosso pequeno-almoço, por volta das 10 horas e 30 minutos, decidimos que o percurso pedestre PR 14 - Aldeia Mágica (Regoufe-Drave) seria feito logo a seguir ao almoço, uma refeição ligeira. Sendo assim, ainda havia tempo de fazer uma pequena visita a Canelas, ao Museu das Trilobites.

06.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

De Alvarenga até ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas (Museu de Fósseis), parámos junto à ponte de Alvarenga, sobre o rio Paiva, denominado o lugar de Garganta do Paiva.

00a.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drav

Esta ponte,

01.- MG_8639.jpg

cuja foto tomámos da associação de Defesa do Vale do Paiva - SOS rio Paiva, terá começado a ser construída por volta de 1770, ficando concluída em 1791. É provável que tivesse existido uma outra ponte no local, onde se encontra a atual, mandada construir por D. Maria I. A atual ponte é feita em cantaria e é composta por dois arcos de volta inteira, sendo o maior, com 7 metros de vão, destinado às águas do rio e o outro, muito mais pequeno, para os pescadores.

ponte%20de%20alvarenga.jpg

A extensão do vão do primeiro é de 16, 40 metros e, do segundo, de 2,50 metros. O comprimento total da ponte é de 42 metros.

 

O rio Paiva, que aqui passa, nasce na serra de Leomil, vindo depois desaguar no rio Douro. É considerado o rio menos poluído da Europa. Até quando?...

 

Conforme foto que se mostra,

02.- 919459.jpg

na margem esquerda do rio, que passa no concelho de Arouca, está a ser construído um passadiço em madeira, com a extensão de 8 Km, que tem atraído a atenção de muito curiosos e amantes da natureza. A inauguração de metade do percurso estava para ser feita ainda durante o passado mês de abril. Questões de segurança, dizem, fizeram com que aquela inauguração de metade do passadiço seja inaugurado, oficialmente, no próximo dia 20 de junho. A ver vamos... Entretanto, alguns mirones e curiosos, que fomos encontrar na net, sempre vão tirando uma ou outra foto

03.- 913634.jpg

desta estrutura sobre o rio Paiva, em madeira.

 

A foto que nos tirámos, sobre a ponte,

02.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

mostra-nos uma enorme escadaria nas proximidades da mesma, da dita Garganta do Paiva.

 

Satisfeita a curiosidade, continuámos a nossa viagem até ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC).

05.-_.jpg

E íamos munidos de uma Carta Geológica

00.-Daniela Maria Teixeira da Rocha - Inventariaç

e relendo a literatura, que, de antemão, tínhamos selecionado para uma melhor e mais eficaz observação daquilo que íamos encontrar.

 

Então constatámos que, no Geoparque de Arouca, há uma ocorrência geológica que são as Trilobites – fósseis de um ser marinho que viveu no fundo do mar há 465 milhões de anos. Estas trilobites gigantes, de Canelas, segundo Daniela Rocha, geóloga da Associação do Geoparque de Arouca (AGA), são muito valiosas por serem as maiores do mundo.

 

O Centro de Investigação e Interpretação Geológica de Canelas-Arouca, CIGC-Arouca, é um Museu de Sítio, conhecido internacionalmente pela recolha, inventariação e exposição das maiores trilobites do mundo. O CIGC, até ao momento, é um exemplo ímpar de cooperação entre a indústria extrativa, a ciência e a educação, tendo prestado um Serviço Educativo e um Turismo Científico de elevada qualidade.

 

Foi Inaugurado a 1 de Julho de 2006.

07.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

Este espaço, e estas espécies, permitiu a realização de várias publicações, artigos científicos, teses de Mestrado e Doutoramento acabando por ser reconhecido sob os auspícios da UNESCO como Património Mundial.

 

Visitar o CIGC é fazer uma viagem às origens da vida,

08.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

observando os fosseis dos primeiros animais que existiram no nosso planeta à cerca de 465 milhões de anos!!!

 

Segundo Daniela Maria Teixeira da Rocha, na sua obra - Inventariação, Caracterização e Avaliação do Património Geológico do Concelho de Arouca - as trilobites eram artrópodes marinhos que viveram exclusivamente nos mares do período Paleozóico. As principais espécies encontradas em Canelas são: Ectillaenus giganteus, Hungioides boehmicus, Neseuretus avus, Nobiliasaphus delesse, Ogyginus forteyi, Placoparia cambriensis, Retamaspis melendezi, Colpocoryphe thorali conjugens.

 

A coleção de fósseis do Centro de Interpretação Geológica de Canelas é formada, quase na sua totalidade, por fósseis resgatados durante a exploração de ardósias do Ordovícico Médio da pedreira gerida pela empresa “Ardósias Valério & Figueiredo, Lda.”. Em exploração desde 1988, trouxe à luz do dia achados paleontológicos em excelente estado de conservação, como trilobites, moluscos, braquiópodes, equinodermes, hiolitídios, conulárias, ostracodes e graptólitos (Sá & Gutiérrez-Marco, 2006), diz ainda a referida Daniela Rocha.

 

E, a mesma autora, referenciando Sá e Gutiérrez, na obra por eles editada em 2006, continua: “a coleção de fósseis do Centro de Interpretação Geológica de Canelas Aberto ao público desde 1 de Julho de 2006 e localizado a cerca de 8 km do centro de Arouca, na freguesia de Canelas e nas cercanias da “Pedreira do Valério”, o Centro de Interpretação Geológica de Canelas reúne em exposição uma diversificada e singular coleção de fósseis, recolhida nas ardósias aflorantes na sua envolvente, resultantes de sedimentos finos depositados nas margens do paleocontinente Gondwana, há cerca de 465 milhões de anos (Período Ordovícico). Esta excecional coleção paleontológica, referenciada internacionalmente, consiste numa fauna de invertebrados fósseis do Ordovícico Médio, onde se destacam bivalves, rostroconchas, gastrópodes, cefalópodes, braquiópodes, crinóides, cistóides, hiolítidos, conulárias, ostracodes, graptólitos, trilobites e icnofósseis. Aqui merece particular destaque o acervo de trilobites onde, para além da excecionalidade científica dos exemplares expostos, muitas delas correspondem aos maiores exemplares do mundo para as referidas.

O registo paleontológico das trilobites disponíveis neste Museu de Sítio não é apenas importante pelo gigantismo alcançado pela generalidade das espécies.

Do ponto de vista paleo-ambiental, o meio protegido e disaeróbico favoreceu a conservação de exúvios articulados junto a cadáveres completos de algumas espécies que viviam no limite das suas possibilidades vitais, de modo que muitas trilobites são fósseis únicos que completam o conhecimento de alguns taxones e inclusive evidenciam novas espécies. O maior contributo desta coleção ao nível da biologia das trilobites é a descoberta de associações mono e pluriespecíficas dos géneros Ogyginus, Asaphellus, Ectillaenus, Bathycheilus, Salterocoryphe, Placoparia, Pateraspis e Retamaspis. A concentração, em pequenos espaços, de grupos de indivíduos em estado ontogénico similar, é agora interpretada como indicativa do comportamento gregário alcançado por muitas trilobites durante a muda ou a reprodução”.

 

Entusiasmados por toda esta literatura, estudada com tanto interesse, lá fomos até ao Centro. Azar o nosso: estava fechado. Nem queríamos acreditar! Por pensarmos ser um museu, nem nos passou pela cabeça que ao domingo fechava! Será que há algum problema com o referido Centro.

 

Ficámos descoroçoados por ali não podermos entrar para ver aqueles fósseis. Mas aos nossos leitores aqui deixamos uma pequena amostra resultante de uma visita que, no ano anterior, ali tínhamos feito.

09.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

Oxalá lhes desperte a curiosidade por coisas cuja idade se perde porventura com a formação do planeta Terra em que nos é dado viver.

10.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 1)

11.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 2 e 3) 

12.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 4) 

14.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 4) 

15.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 5)  

16.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

 (Peça nº 6) 

17.- 2014 - Anos Lau (Serra da Freita e Arouca) (3

(Peça nº 7) 

A nossa vista deleitou-se pelas cores da vegetação característica nesta altura do ano

18.- 2015 - Alvarenga-Senhora da Mó-Regoufe-Drave

e, daqui, abalámos até à Senhora da Mó para conhecermos, do alto, os «longes» (e o que lhe fica aos pés) deste lugar tão aprazível.

 

Mas a Senhora da Mó ficará para um outro post.


publicado por andanhos às 10:29
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