Sábado, 21 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão III - A Colegiada da Basílica de Santo Isidoro

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO (III) - REAL COLEGIADA DE SANTO ISIDORO

01.- 2016 - Camino del Salvador - León (136)


Se as nossas vistas ficaram cheias com tanta luz, cor e beleza que a Catedral de Leão nos proporcionou, seguramente em cerca de duas horas, quem não se encontrava tão satisfeitos eram os nossos estômagos, com tanta espera.

 

Saídos da Catedral, pelo seu lado noroeste, de imediato, fomos à procura de um bar para “tapear”.

 

Nas proximidades do pequeno Parque de El Cid, donde se pode ver um dos pináculos da Casa Botines,

02.- 2016 - Camino del Salvador - León (53)

Florens, o nosso companheiro de jornada, num recanto de um dos bares (Praça del Cid) que, por estas bandas, há-os que nunca acabam, não resistiu a tirar uma foto a esta escultura (Figura sentada com pássaro morto, de Amancio González Andrés).

03.- 2016 - Camino del Salvador - León (58)

São já proverbiais as “tapas” de Leão, mais precisamente nos seus dois bairros mais característicos do Centro - o Romantico e o Húmedo.


Foi, assim, por entre cantos e esquinas, pracinhas, ruas e ruelas, que nos embrenhámos nesses célebres bairros do “tapeo” para bebermos uma “caña” ou, pela nossa parte, que não podemos abusar muito do álcool, um “corto”.

 

Mas, perdoem-me os leoneses. Sabemos que, porventura, vamos dizer uma grande “heresia”, mas, connosco, verdade acima de tudo. Sabemos que o dia da semana (uma quarta-feira) e a hora do dia (o meio da tarde) não são alturas mais propícias para os bares apresentarem, em quantidade e qualidade, as suas melhores iguarias. Os fins-de-semana, pela noite dentro, porventura, são os mais indicados. Todavia, não são apenas estas circunstâncias que determinaram que não ficássemos tão satisfeitos quanto esperávamos. Foram "tapas" muito à base de enchidos e fritos para os nossos estômagos débeis e, por conseguinte, pouco recomendáveis. Talvez, por isso, nossa apreciação tenha de ser julgada, tal como dizem os latinos, “cum grano salis”. E não sabemos porquê, conversando com o nosso companheiro de jornada, veio-nos à lembrança umas deliciosas “tapas” que, há uns anos - é certo que também foi mais ao cair da noite - comemos num dos bares nas proximidades da Catedral de Burgos. Nem as que, na mesma época, comemos em Barcelona lhes “chegaram aos calcanhares”!

 

Contudo, estômagos satisfeitos num bar sugestivo de “tapas

04.- 2016 - Camino del Salvador - León (59)

e com pessoas, atendendo, bem prestáveis e bem dispostas,

05.- 2016 - Camino del Salvador - León (62) 

o nosso périplo pela cidade leonina continuou.

 

O nosso segundo objetivo deste dia, ou melhor, desta tarde, era uma visita completa à Real Colegiada da Basílica de Santo Isidoro.

 

Voltando aos arredores da Catedral, nas proximidades do claustro da mesma, vemos a Obra Hospitalar de Nossa Senhora de la Regla.

06.- 2016 - Camino del Salvador - León (83)

Atravessámos a antiga muralha por debaixo de um arco,

07.- 2016 - Camino del Salvador - León (87)

exibindo uma bela escultura de Nossa Senhora na sua parede,

08.- 2016 - Camino del Salvador - León (88)

e entrámos na Avenida dos Cubos,

09.- 2016 - Camino del Salvador - León (91)

contemplando, no percurso que fizemos, todas aquelas torres cilíndricas tão bem conservadas.

10.- 2016 - Camino del Salvador - León (96)

Segundo parece, estes “cubos” eram mais ou menos quadrados e de madeira, mas, por volta do século III e IV, foram substituídos por uma construção de pedra em grandes cubos semicirculares.

 

Saídos da Avenida dos Cubos, entrámos na “Calle Carreras”, seguindo sempre contemplando as muralhas.

11.- 2016 - Camino del Salvador - León (101)

Até que nos aproximámos da Puerta del Castillo ou Arco do Cárcere,

12.- 2016 - Camino del Salvador - León (105)

(Porta vista do lado da "Calle das Carreras")

13.- 2016 - Camino del Salvador - León (106)

 (Porta vista dentro das muralhas)

uma das quatro portas que havia para se entrar na cidade, e a única que conserva ainda a sua estrutura medieval, ainda que reconstruída no século XVIII. O seu nome deve-se ao castelo que se encontrava a seu lado e que serviu de prisão. Na atualidade, este edifício (o castelo) é o Arquivo Histórico da Cidade de Leão.

 

Ao lado do Arquivo Histórico vamos encontrar a Real Colegiada de Santo Isidoro, à frente da Praça que leva o seu nome.

14.- 2016 - Camino del Salvador - León (142)

Uma coluna, perto do Arquivo Histórico tem a inscrição “LEG VII GEM F.

 

Foi aqui, essencialmente dentro deste espaço que Leão nasceu. Primeiro como acampamento militar romano da VI Legião Victrix, no ano 29 a. C., contudo, o seu verdadeiro caráter de cidade consolidou-se definitivamente com a VII Legião Gemina, a partir do ano 74 d. C..

 

Não vamos aqui tratar do contexto histórico artístico desta Real Colegiada, desde os seus primórdios, com a igreja de D. Sancho I, o Craso (Grosseiro), a igreja de S. João Batista, passando pelo Infantado de São Pelaio, pela sua devastação, em 988, pelo Almançor, pela igreja de Afonso V, o Nobre, para chegarmos ao edifício românico que D. Fernando I e sua mulher D. Sancha construíram e, depois, a restauração e ampliação que a Infanta Urraca, a Zamorana, fez até que D. Afonso VII, e sua irmã D. Sancha, dão por acabado este edifício de traça românica.

 

Não vamos também aqui falar do templo do tempo de D. Fernando II; das reformas nos séculos XV e XVI bem assim dos enormes maus tratos que sofreu nos séculos XIX e XX, quer com as Invasões Francesas, quer, em 1835, com a desamortização de Mendizábel, quer ainda com a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Quem queira, com relativo pormenor, inteirar-se da história desta Real Colegiada da Basílica de Santo Isidoro pode consultar o artigo “Basílica de San Isidoro de León” da Wikipédia  e aí encontrará manancial suficiente para se informar.

 

Para nosso desiderato, é suficiente referir que estamos perante um dos conjuntos arquitetónicos, de estilo românico, mais importante de Espanha, quer quanto à sua história, como arquitetura, escultura e objetos sumptuários romanos que se puderam conservar, bem assim a primeira igreja românica que se ergueu no Reino de Leão, seguindo as modernas correntes deste estilo.

 

A Real Basílica de Santo Isidoro de Leão teve as suas origens no ano 956, encostada e implantada sobre o solo vizinho da muralha romana da VII Legião Gemina, pelo seu lado noroeste, estando, desta forma, toda a sua parte ocidental do edifício adossada e sobreposta nela.

 

Destaquemos as suas principais componentes:

 

a).- A Basílica ou Templo


a1).- Exterior da Basílica

 

O edifício tem três naves e possui uma planta de cruz latina. A sua abside central, do século XV, é hispano-flamenga, que substituiu a anterior, românica. Do lado de fora apenas se pode ver a Fachada Sul (meridional), porquanto, o resto do edifício, encontra-se rodeado de outras construções, estando o lado poente (ocidental), como referimos, oculto pela muralha romana.

 

Na sua Fachada Meridional realçamos as suas duas Portas românicas:

 

- A Porta do Cordeiro

 

É a mais antiga. Encontra-se dividida em dois corpos: o mais elevado é um “pente” de adorno barroco

15.- 2016 - Camino del Salvador - León (118)

e arrematado por Santo Isidoro montado a cavalo;

16.- 2016 - Camino del Salvador - León (119)

o segundo, mais abaixo, é o que se nos oferece mais atenção - o tímpano do Cordeiro - o primeiro tímpano conhecido no Reino de Leão, contendo diversas cenas, pertencendo ao mais puro românico do século XI, esculpido em mármore branco, representando o sacrifício de Isaac.

17.- 2016 - Camino del Salvador - León (122)

Para uma mais completa informação sobre os diferentes tipos escultóricos desta Porta, consultar o artigo da Wikipédia acima mencionado.

 

- A Porta do Perdão

 

18.- 2016 - Camino del Salvador - León (120)

Está aberta no cruzeiro da igreja e chama-se assim por ser por esta Porta por onde os peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela entravam para obterem indulgências e o perdão dos seus pecados. É mais recente que a Porta do Cordeiro, mas, a sua arte, é também do mais puro estilo românico. No seu tímpano podemos observar as seguintes cenas: a Ascensão de Cristo; a Descida da Cruz e a Contemplação do Sepulcro vazio pelas três Marias. Também para mais aprofundamento dos elementos escultóricos desta Porta, aconselha-se a visita do artigo acima citado da Wikipédia.

 

- A Porta do Norte ou Capitular

 

Tal como o nome indica, sutua-se na parte norte do templo. Todavia, hoje em dia, encontra-se encerrada e sem possibilidades de ser vista pelo exterior, porquanto a família Quiñones, na sala capitular do claustro, a que a mesma dava acesso, construíram uma capela, tendo, por tal facto, ser vista através desta mesma capela. É semelhante à Porta do Cordeiro, contudo, apresenta um tímpano liso que, porventura, noutros tempos, estaria pintado: tal é a informação que o aretigo da Wikipédia, que vimos referindo, nos dá.

 

Antes de entrarmos no interior da Basílica, aqui fica uma panorâmica, a 360º,  da Praça de Santo Isidoro, onde a Real Colegiada está situada.

 

a2).- Interior da Basílica - Capela-mor

 

19.- 2016 - Camino del Salvador - León (126)

Deixemos a Capela da Santíssima Trindade ou a de São Martinho e o coro, que podemos ver nesta panorâmica, a 360ºe prestemos mais atenção à Capela-mor. Como já referido, a Capela-mor românica, de Urraca, a Zamorana, no século XVI, mais precisamente em 1513, foi substituída por uma gótica. Nela se destaca o seu retábulo, com 24 tábuas pintadas que, segundo consta, vieram da paróquia de Pozuelo de la Orden (valladolid) e que, na opinião do perito Chandler R. Post, são atribuídas a um mestre de Pozuelo.

 

- Custódia

 

20.- 2016 - Camino del Salvador - León (127)

Ainda na Capela-mor está exposta uma custódia em prata, da autoria de M. García Crespo, e que guarda a hóstia consagrada, exposta de noite e dia, por privilégio papal antigo, compartilhando este privilégio com o da Catedral de Lugo.

 

- Urna

 

Por debaixo da custódia, em lugar de destaque, encontra-se uma urna em estilo neoclássico. Nela se guardam os restos mortais de Santo Isidoro. É obra do joalheiro leonês Antonio Rebollo, realizada em 1847.

 

b).- Museu


b1).- Panteão Real

 

É por esta entrada que nos dirigimos para as restantes dependências da Colegiada que visitámos.

22.- 2016 - Camino del Salvador - León (191)

O Panteão Real encontra-se situado na parte ocidental da Basílica, adossado à muralha romana. A historiografia moderna atribui o resultado final, daquilo que é hoje o Panteão Real, à Infanta Urraca, a Zamorana, filha de D. Fernando I e de D. Sancha. Quer a cabeceira, quer os pés da Basílica foram utilizados para lugar de enterro de bispos, reis e nobres leoneses. É deste “cemitério”, aos pés da Basílica, que “nasce” o Panteão Real, que também tomou o nome de Capela de Santa Catarina (de Alexandria) e de Capela dos Reis. A sua estrutura é abobadada e toda ela recoberta de pinturas. O tema pictórico corresponde à segunda metade do século XII e, sobre um fundo branco, recorta-se, em traços negros, toda a temática, preenchendo-se os fundos com cores ocres, amarelas, rojas e grisáceas.


Os seus ricos e bem trabalhados capiteis e, fundamentalmente, estas pinturas (ou frescos) deram a esta sala o sobrenome de “A Capela Sixtina da Arte Românica”.

21.- sanisidoro.png

Desconhece-se o autor destas pinturas, mas uma coisa é certa: foram realizadas em 1149, antes da consagração da Basílica.

 

Nestas pinturas (ou frescos), em diferentes murais, estão representadas cenas bíblicas e do quotidiano medieval. Destacam-se os seguintes murais: a Anunciação aos Pastores; a Degolação dos Inocentes; a Última Ceia; a Visão de São João; o “Pentocrátor” e um curioso Calendário Agrícola.

 

Nos seus capitéis, para além de elementos escultóricos vegetais, destaca-se a simbologia bíblica, como a representação da Ressurreição de Lázaro e a Cura dos Leproso.

 

Apresenta-se um pequeno vídeo deste singular Panteão Real, apelidado de “A Capela Sixtina do Românico”.

 

 

b2).- Tribuna (Museu de Ourivesaria ou Câmara de D. Sancha)

 

De acordo com a tradição, este espaço era exclusivo da Rainha D. Sancha, mulher do Rei D. Fernando. Quando, no século XII, este espaço foi reformado, converteu-se numa dependência do palácio da Infanta Sancha Raimúndez. Mais tarde, converteu-se numa capela - a de Santa Cruz; no século XVI, passou a Sala Capitular e, desde 1962, alberga o Museu de Ourivesaria, também conhecido como Câmara de D. Sancha. A partir de 1982, esta antiga Tribuna passou a ser a sede do Museu ou Tesouro Capitular, com peças românicas muito valiosas.

 

De entre o acervo do Museu, que também é chamado Tesouro, na Câmara de D. Sancha, podemos observar as peças mais importantes e representativas, entre outras:

 

• Num espaço de destaque, numa pequena sala anexa, o Cálice de D. Urraca, também conhecido como o Santo Graal. Para o leitor(a) se inteirar, mais profundamente, sobre a importância histórica desta peça, bem assim sobre “A Capela Sixtina do Românico”, recomenda-se, vivamente, a atenção e o visionamento destes vídeos: https://www.youtube.com/watch?v=yeBB3MNnfjs; https://www.youtube.com/watch?v=UcVFWJvUiEE e https://www.youtube.com/watch?v=g2EUFUqhJac.

Q1VMVFVSQSAvIFNBTiBJU0lET1JPIC8gQ0FMSVogREUgRE/RQSBVUlJBQ0EgLyBTQU5UTyBHUklBTCAvIFZJVFJJTkEgLyBWSVRSSU5BUyA=

• A Arqueta de Santo Isidoro;

• A Arca de Marfins;

• O Portapaz de marfim;

• A Arca de Esmaltes com a representação da Crucifixão de Cristo e o “Pantocrátor”;

• O Lignum Crucis;

• A Cruz de Altar de Enrique de Arfe;

• Um tríptico renascentista representando a Anunciação, a Visitação, a Adoração dos Reis Magos e o Calvário;

• O Pendão de Baeza, do século XIV.

 

b3).- Galeria

 

24b.- 2016 - Camino del Salvador - León (166)

Para conhecer um pouco a história deste lugar, uma das partes integrantes do Museu ou Tesouro, nada melhor do que, uma vez mais, ler atentamente a o artigo citado da Wikipédia que fala sobre esta Colegiada e que, logo de início, fizemos referência.

 

Hoje em dia, este espaço contíguo ao Panteão Real, restaurado nos anos 60 do século XX, é também apelidado de Capela dos Arcos, sendo, atualmente, o Panteão dos Infantes, após a trasladação dos restos mortais de infantes reais e membros da nobreza leonesa de outros locais.

 

b4).- Claustro

 

Numa das capelas do Claustro principal desta Colegiada podemos observar duas importantes peças:

 

- O Galo catavento

 

24.- Leon_Colegiata_San_Isidoro_gallo_veleta

Foi, durante séculos, o Galo catavento da Torre de Santo Isidoro, o símbolo mais apreciado da cidade de Leão. Este Galo catavento estava situado no alto da Torre românica pertencente a esta Basílica de Santo Isidoro. Consta de três partes bem distintas: o galo, a esfera e o cone. Não se sabe a sua origem, nem a sua data. O único dado certo é que foi instalado na Torre no século XI.

 

O galo que se mostra na figura acima, é o autêntico, que está musealizadonuma capela do Claustro, em ambiente atmosférico adequado e protegido por uma vitrina, com a finalidade de investigadores e curiosos o puderem contemplar com comodidade. Para uma mais cuidada informação sobre esta interessante peça, consulte-se o artigo da Wikipédia sobre a designação “Gallo-veleta de la basílica de San Isidoro de León”.

 

Nos primeiros anos do século XXI, mais precisamente em 2002, levou-se a cabo a restauração, quer interior, quer exterior, da Torre. Uma das primeiras peças a ser retirada para restauro foi o Galo catavento. Arqueólogos, historiadores e restauradores deram-se conta, nesta altura, quando o observaram, que estavam perante uma obra de excecional qualidade. Desta feita, o Galo catavento foi retirado da Torre para um estudo mais aprofundado deste objeto. Os estudos realizados - e até houve um congresso sobre este Galo - apontavam para uma data aproximada do seu fabrico - finais do século VI, começos do século VII -, embora o seu suporte seja de uma época mais tardia. Trata-se de uma peça persa-sasánida, anterior ao Islão.

 

O galo que hoje se vê no alto da Torre da Colegiada de Santo Isidoro é uma réplica em bronze fundido, com uma capa em ouro.

26.- 2016 - Camino del Salvador - León (185)

 

- O Sino "Laurentina"

 

25.- 2016 - Camino del Salvador - León (168)

O Sino, designado “Laurentina”, é o mais antigo de Espanha. É do ano 1086 e está exposto na mesma capela do Claustro onde se encontra o Galo catavento.

 

c) Arquivo-Biblioteca

 

24a-

(Pormenor do teto do Arquivo-Bilbioteca)

 

Trata-se de um edifício independente, construído nos finais do século XVI por Juan de Badajoz, o Moço.


Consta de dois espaços, situados sobre o teto do recinto que ocupa o vestíbulo de entrada da Basílica. Pode-se, hoje em dia, aceder-se a este espaço por meio de umas escadas em caracol, construídas nas costas do Panteão Real, ou então, desde o Claustro alto.

 

Este Arquivo contém uma excecional biblioteca, que comporta mais de 300 incunábulos; 800 pergaminhos e 150 códices. A peça mais importante é a Bíblia visigótico-moçárabe, do século X (960).

 

Para além desta obra, outras nos chamaram a atenção, como a Bíblia romana, do século XII; o Códice Morales de Job; o Chronicon Mundi; a obra de São Martinho, bem assim diversos cantorais, como o miniaturado por Nicolás Francés.

 

d).- A Torre

 

Mais conhecida por Torre do Galo,  e já acima a sua figura reproduzida, está situada no lado ocidental da Basílica, a seus pés. É quadrada e está oblíqua em relação à igreja. Forma parte da muralha romana, razão pela qual o seu primeiro corpo integra um “cubo” da mesma.

 

Para além deste corpo, possui mais três. O último é onde se localizam os sinos, com a cúpula arrematada pela já réplica do referido Galo catavento.

 

e).- Claustro

 

26a.- 2016 - Camino del Salvador - León (175)

Construído no século XI, foi o Claustro românico mais antigo e conhecido em Espanha. Nos dias de hoje apenas conserva a parte da Galeria, românica, que constitui o Panteão dos Infantes.

 

O segundo andar do Claustro tem planta barroca.

30.- 2016 - Camino del Salvador - León (165)

A partir do século XVI, as diferentes capelas do Claustro destinaram-se a capelas mortuárias das diferentes famílias que tomaram sobre o seu patrocínio.

27.- 2016 - Camino del Salvador - León (170)

Nos tempos de hoje, muitas dessas capelas, como já fizemos referência, integram espaços do Museu.

28.- 2016 - Camino del Salvador - León (180)

Outras estão destinadas a serviços académicos e educacionais, bem assim o antigo refeitório, hoje sede da Cátedra de Santo Isidoro.

31a.- leon%20cuna02claro 

Este Claustro, ao longo dos tempos, foi palco de várias vicissitudes. De entre elas, existe uma que não podemos aqui deixar de referir. No começo do reinado de D. Afonso IX de Leão, celebraram-se aqui, no ano de 1188, as Cortes de Leão. Os seus “Decreta” foram reconhecidos pela UNESCO como “o testemunho documental mais antigo do sistema parlamentar europeu”. Em boa verdade, assim, este Claustro pode-se considerar o “berço” do Parlamentarismo.

 

Depois da iniciativa de D. Afonso IX de Leão, vários reinos europeus convocaram Cortes com a participação de representantes da cidade, como foi o caso do Reino de Inglaterra (27 anos depois, em Westminster) e que, até agora, com a sua “Magna Carta” tinha sido considerada como a ata fundacional do parlamentarismo ocidental.

31.- 2016 - Camino del Salvador - León (173).jpg

Foi aqui, neste lugar, que se deu o primeiro passo, e abriu-se caminho, em termos históricos, para que o Terceiro Estado participasse nas decisões do governo.

32.- 2016 - Camino del Salvador - León (187).jpg

Em conclusão, e parafraseando o artigo acima citado da Wikipédia sobre a Basílica de Santo Isidoro, “A Colegiada mostra-se, no século XXI, em todo o seu esplendor, tanto físico como espiritual [...] Goza, por outro lado, de uma vida intelectual muito intensa. O recinto [tal como a foto que se mostra]

33.- sanisidorodeleonvistaaerea01.jpg

pertencente à Basílica é muito mais extenso do que o observador pode ver desde a Praça de Santo Isidoro, [e tal como a panorâmica, a 360º, que acima mostrámos]. Existem uma série de edifícios, alguns muito antigos que, com as sucessivas reformas, foram recuperados para serem utilizados, nomeadamente com fins educacionais".

 

Para os amantes da arte, uma explicação muito mais detalhada sobre a arte das diferentes componentes desta Colegiada de Santo Isidoro pode ser vista e explicada no artigo “Viajar con el Arte”, o qual se recomenda vivamente para um mais completo e aprofundado conhecimento da arte desta Colegiada.

 

Destilando arte, principalmente românica, por todos os poros do corpo, saímos do Museu/Tesouro desta Colegiada para fora, através da sua receção e pequena livraria.

 

Deste lado ocidental, donde saímos, observámos parte de um “cubo” da muralha romana

34.- 2016 - Camino del Salvador - León (190).jpg

e, com um sol radiante sobre o espaço urbano que lhe está contíguo,

35.- 2016 - Camino del Salvador - León (192).jpg

deambulámos, outra vez, pelas ruas e ruelas desta lindo Centro Histórico, passando pelo Albergue (Universitário) Unamuno,

36.- 2016 - Camino del Salvador - León (203).jpg

tendo-nos despertado, a dado momento, um aspeto do seu tradicional casario, cheio de cor e luz.

37.- 2016 - Camino del Salvador - León (199).jpg

Aproximámo-nos de um recanto típico de uma das suas ruelas.

38.- 2016 - Camino del Salvador - León (150).jpg

Aí parámos para fazer uma refeição mais substancial, pois o fim do dia já se aproximava.

39.- 2016 - Camino del Salvador - León (148).jpg

Voltámos, outra vez, à Praça de Santo Domingo (São Domingos), a placa giratória da nossa estadia em Leão e, Via São Marcos em frente, dirigimo-nos para o nosso alojamento.

40.- 2016 - Camino del Salvador - León (642).jpg

Outro dia nos esperava em Leão...

41.- 2016 - Camino del Salvador - León (97).jpg

 


publicado por andanhos às 16:18
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