Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão (II) - La Pulchra Leonina

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO (II) - LA PULCHRA LEONINA

01.- 2016 - Camino del Salvador - León (325).jpg

Pouco mais de dez minutos foram precisos para, das instalações onde, durante dois dias, iríamos pernoitar, entrarmos na Praça Santo Domingo e, daqui, entrarmos no coração da cidade de Leão, através da “Calle Ancha”, a antiga Via Principalis, que levava ao acampamento romano da legio VII gemina, e darmos de frente com a Catedral de Leão.

 

Vejamos, antes, a panorâmica, a 360º, desta “Calle Ancha”.

 

Contudo, antes de entrarmos nesta “Calle Ancha”, dois edifícios nos chamaram a atenção. O primeiro, logo à nossa esquerda, que dá pelo nome de Casa Botines.

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A Casa Botines foi uma das três obras que Antonio Gaudí, catalão, fez fora de Catalunha. As outras duas foi a Villa Quijano, na cantábrica Comillas, mais conhecida por “El Capricho de Comillas” e o Palácio Episcopal, de Astorga.

 

A Casa Botines, um palácio neogótico, foi construído em 1891 como edifício de habitação e armazém de uma empresa têxtil pertencente à Casa Fernández y Andrés. Possui quatro pisos, um sótão e um átrio e está reforçada nas suas esquinas com quatro torres cilíndricas com pináculos.

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A entrada principal está guardada por São Jorge matando o dragão.

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Hoje em dia esta casa é propriedade da Caja España e, nela, habitualmente, fazem-se exposições.

 

Defronte a esta casa há uma escultura de Gaudí, sentado num banco, tomando notas. Não resistimos em nos sentarmos e pedirmos ao nosso companheiro de jornada que nos tirasse uma fotografia.

 

Contíguo à Casa Botines, imediatamente à sua direita,

00e.- 2016 - Camino del Salvador - León (419).jpg


vamos encontrar o segundo edifício - o Palácio dos Guzmanes -, uma das casas dd duas famílias mais nobres de Leão, (juntamente com os Quiñones), construído sobre um antigo palácio gótico mudéjar e que se encontra adoçado à antiga muralha.

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Trata-se de um bonito edifício renascentista, começado a ser construído em 1560, no qual se destaca a porta da fachada principal do século XVI, com colunas jónicas.

00g.- 2016 - Camino del Salvador - León (417).jpg


Demos uma pequena olhadela ao seu claustro interior.

00h.-2016 - Camino del Salvador - León (635).jpg


E continuámos “Calle Ancha” acima até à Praça de la Regla, local onde se situa a Catedral.

 

Aqui chegados, ficámos admirados com a imponência deste monumento! Nossos olhos foram apreciando os edifícios que, do lado ocidental e norte, ladeiam a catedral, como sejam, a Casa Museu Pambley e o edifício que lhe está adoçado,

02.- 2016 - Camino del Salvador - León (73) Museo


bem assim, do lado sul, a respetiva Fachada da catedral,

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tendo, quase à sua frente, o edifício do Paço Episcopal.

04.- 2016 - Camino del Salvador - León (321).jpg

 
Sentados num dos bancos existentes na Praça da Catedral fomos, mentalmente, recapitulando a sua história.

 

A Catedral de Leão, ou de Nossa Senhora de la Regla, é, na verdade, um dos ícones mais notáveis da cidade.

 

Trata-se de um edifício gótico, do século XIII, e, positivamente, “the most «French» of the big Gothic spanish Cathedrals”, na qual são bem visíveis a influência que, principalmente, as catedrais de Reims, Amiens e Chartres, tiveram na sua construção.

 

Como é que tudo começa?

 

No século X, durante a Reconquista Cristã, Ordoño II, recém-nomeado Rei de Leão, tendo obtido uma importante vitória contra os árabes, na batalha de Santo Estêvão de Gormaz, decidiu construir, como ato de agradecimento a Deus, uma Catedral.

 

A Catedral que, com Ordoño II, começou a ser construída, tem seu assento e origem sobre umas termas romanas do século II, onde se encontrava o acampamento (militar) da Legio VII Gemina, e mesmo pegado a umas das suas fachadas, quer na adaptação do seu palácio real para templo.

 

Contudo, a Catedral que temos hoje à nossa frente passou por várias vicissitudes e etapas, antes de se converter no magnífico templo religioso que é hoje.

 

Na verdade, a atual basílica, tendo como base o antigo Palácio de Ordoño II, só anos mais tarde, com D. Urraca, irmã do defunto Ordoño II, é que começou a iniciar-se, de traça românica, convertendo-se num templo de acordo com as aspirações da cristandade da época (românica).

 

Simplesmente, deixando para trás aquelas etapas e vicissitudes pelas quais esta Catedral passou, nomeadamente, quer com Pelaio II, quer com Afonso VI, o certo é que o levantamento da Catedral atual, que, como já afirmámos, apresenta um depurado gosto do estilo gótico francês, só começou a ser efetivamente construída a partir do ano 1205.

 

É desde essa altura que se começam a erigir, primorosamente trabalhados, os Pórticos que hoje em dia vemos; os coloridos vitrais; as gloriosas e flamejantes rosetas; um dos mais antigos coros de Espanha e as esculturas de grande beleza, como a Virgem da Esperança,

04a.- 2016 - Camino del Salvador - León (242).jpg


dando, estas características, a fama, o brio e a imagem impressionante que esta Catedral tem.

 

Em 1255, sob o patrocínio do bispo Martín Fernández, e com o apoio do Rei Afonso X, o Sábio, a obra do templo consegue financiamento para a sua efetiva construção, tendo, como seus principais obreiros, três mestres: Simón (de origem francesa); Enrique (que também participou na construção da catedral de Burgos e que, dizem, ser também de origem francesa, tendo sido responsável pelas obras até 1277) e Juan Pérez.

 

A origem francesa dos seus primeiros construtores explica a razão do aspeto gótico francês tão característico desta Catedral.

 

Os acrescentos que, ao longo dos tempos lhe foram feitos, descaracterizaram-na um pouco, tendo perdido a sua pureza original.

 

a).- O Exterior da Catedral

 

Para além da Torre dos Sinos - a primeira a ser acabada - e a Torre do Relógio - terminada quase 100 anos depois -, o que mais nos desperta nesta catedral é o seu Fachada Principal (ocidental), do século XIII, e que dá acesso ao templo.

05.- 2016 - Camino del Salvador - León (71).jpg


É, a partir dos Pórticos, aliás como em muitos outros templos, que se faz a catequese.

 

O Pórtico Central, da Fachada Ocidental,

05a.- 2016 - Camino del Salvador - León (74).jpg

com o seu parteluz, tem a réplica da Virgem Branca, uma imagem no mais puro estilo gótico leonês, e cuja imagem original se encontra numa capela no interior da Catedral,

06.- 2016 - Camino del Salvador - León (238).jpg

 
é dedicado ao Juízo Final; o Pórtico da esquerda, a São Francisco, e o da direita, a São João Batista, com temas do nascimento de Cristo.

 

Todos eles conservam a talha muito bem cuidada, com passagens bíblicas, esculturas de apóstolos e reis, figuras que sobreviveram, mais ou menos incólumes, ao longo dos tempos.

 

Na parte superior da Fachada Principal pode-se observar a Grande Roseta Central, cujo vitral é do século XIII, vista do seu interior.

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Na Fachada Sul, que é visível ao longo de toda a “Calle Ancha” (a antiga Via Principalis romana), conta também com três Pórticos, como vimos na figura acima já reproduzida: o Pórtico da esquerda, é mais conhecido pelo Pórtico da Morte, porquanto nele está representado um esqueleto, para além de mostrar decoração heráldica; o Pórtico Central, mais conhecido pelo nome de Sacramental, tem imagens de Cristo com o Livro da Lei, rodeado de ícones teromorfos, e evangelistas escrevendo sobre mesas; entre o Pórtico da Morte e o Sacramental, no parteluz, está representada a imagem de São Froilán, patrono da diocese de Leão. O Pórtico de São Froilán, situado no extremo direito da Fachada Sul, é inteiramente dedicado a São Froilán, mostrando imagens relativas à vida do santo, sua morte e trasladação das suas relíquias para a Catedral de Leão.

 

Antes de entrarmos no interior da Catedral, deixamos aos leitores mais curiosos e amantes destes monumentos e desta Catedral uma panorâmica da mesma a 360º, vendo o entorno da mesma, com a Praça da Regla e os edifícios que a contornam e mais dois vídeos, (https://www.youtube.com/watch?v=bSJAO801KFY e https://www.youtube.com/watch?v=H1VQsUeAbWw&feature=plcp) mostrando-nos - e explicando-nos - os conteúdos escultóricos da Fachada Ocidental e Sul.

 

b).- O Interior da Catedral

 

No interior da Catedral pode-se disfrutar das diferentes cores que se desprendem dos 125 vitrais, que ocupam uma superfície aproximada de 18 mil metros quadrados, inundando de luz as três naves, o cruzeiro, o coro e o deambulatório com as suas capelas radiais.

 

O efeito da pedra clara com os deslumbrantes raios de sol que se infiltram pelos vitrais

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 (Vitral I)

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 (Vitral II)

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 (Pormenor de um vitral)

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 (Vitrais do alter-mor)


dão razão ao apodo deste templo - A Catedral da Luz.

 

A Catedral possui o coro de silharia, em madeira de nogueira, mais antigo de Espanha, feito por artistas flamengos, com imagens gravadas e relacionadas com figuras do Antigo Testamento.

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No altar-mor realça-se o retábulo, obra de Nicolás Francés, elaborado na metade do século XV, uma mistura de estilo gótico internacional e gótico flamengo, no qual se representa a vida de São Froilán, a trasladação do seu corpo, através de um carro de bois, e a apresentação da Virgem no Templo. Aos pés do retábulo, pode-se ver um relicário de prata com as relíquias de São Froilán.

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No centro do retábulo, Nossa Senhora de la Regla.

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Finalmente, um outro elemento a destacar na Catedral são as distintas esculturas funerárias e sepulcros, muitos deles recuperados da antiga catedral românica. Entre eles podem-se observar o do Rei Ordoño II de Leão, perto do altar-mor, o do bispo D. Rodrigo, o sepulcro de Martín, o “zamorano” e, conforme figura abaixo mostra, o sepulcro de Martín Fernández.

15.- 2016 - Camino del Salvador - León (222).jpg

 
Deixa-se aqui ao leitor mais uma vista panorâmica, de 360º, da entrada interior da Catedral, do sepulcro de Ordoño II de Leão e um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=YeGrFZRR470) com uma perspetiva geral do interior da Catedral, em particular dos seus belos vitrais.


publicado por andanhos às 21:48
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2 comentários:
De Luís Henrique Fernandes a 19 de Maio de 2016 às 23:29
Estou admirado com tanta fotografia do interior da Catedral: quando aí estive, quer logo à entrada, quer depois um monge (ou o rai que o parta!) proibiam a fotografia!

Luís Henrique Fernandes


De António de Sousa e Silva a 24 de Maio de 2016 às 22:31
Meu caro Luís,

Embora existisse informação para nao tirar fotos, o que e certo e que vi toda a gente fazê-lo. Armei-me em ontário e botei-lhe umas quantas fotos. Pareceu-me até que a vigilancia nao era apertada e que até fechavam os olhos.
Eus, pois aqui, a explicação.

Im abraço

António


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