Terça-feira, 17 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão (I)

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO - Espanha (I)


Vários povos, ao longo dos tempos, passaram e ocuparam esta península a ocidente da Europa, a que chamamos Ibéria.

 

Concretamente, no território que hoje nós, portugueses, ocupamos, vários povos e civilizações por aqui passaram, deixando-nos o seu legado do qual nós somos os seus lídimos representantes.

 

Destacamos, em particular, e principalmente, para além dos pré-históricos longínquos, os povos castrejos, os suevos, os visigodos, os romanos e os árabes.

 

Naturalmente hoje, o povo que somos, não provém de uma só e pura raça. É uma profunda, prolongada e rica miscigenação de povos, acrescida daqueles que vieram, quer com a nossa Expansão Ultramarina, quer, mais recentemente, com a nossa Diáspora pelos quatro cantos do Mundo.

 

Contudo, o Portugal político que hoje somos, formou-se no “caldo” das lutas da Reconquista Cristã contra o dito infiel que veio do sul, com as Cruzadas e no contexto das lutas feudais dos recém-criados reinados cristãos na Península.

 

O reinado das Astúrias, de Leão, da Galiza, de Castela, de Navarra e de Aragão, neste período, foram a matriz, o cadinho primordial, a partir do qual o condado portucalense se transformou em reino de Portugal.

 

Há, por isso, uma espécie de cordão umbilical que nos liga, principalmente, quer a Astúrias, quer à Galiza, quer a Leão.

 

O ensejo de percorrermos o Caminho (jacobeu) do Salvador que, de Leão, nos levou até Oviedo, foi, para nós, uma oportunidade não só de nos embrenharmos num território que foi a guarda avançada e palco primordial de luta pela Reconquista Cristã, bem assim o berço dos reinos cristãos nascentes que iriam constituir a Ibéria que hoje somos.

 

Foi também o de melhor conhecermos os seus recônditos lugares que serviram de defesa e de refúgio na luta contra o invasor do Magrebe.

 

O de melhor percebermos o significado e o contexto da salvaguarda das relíquias dos santos e mártires daquela cristandade pujante e, por via delas, compreendermos os diferentes percursos das peregrinações que a elas acolhiam para as venerar, tendo como expoente máximo as “relíquias” de Santiago, o Maior, veneradas no Campus Stela (Santiago de Compostela).

 

O de melhor aquilatarmos da importância dos nobres e cavaleiros que, juntamente com os dignatários de uma igreja já poderosa, intimamente ligada aqueles nobres, e, por isso, muito forte em termos de poder temporal, foi capaz de, por si, determinar o destino de nobres e reinos, em lutas intestinas uns contra os outros.

 

Serviu de pretexto, enfim, este percurso para melhor aprofundarmos a nossa história passada para melhor conhecermos e compreendermos a presente.

 

Em suma, por caminhos, estradas, sendas, bosques, colinas, vales e picos, aqueles trilhos e veredas, desta nossa tão diversificada Ibéria, no quilómetro a quilómetro percorrido, levou-nos a melhor conhecer o torrão donde provimos, apreciando-o, contemplando-o, quer no seu aspeto natural, quer cultural, quer social, ou seja, por ele, encontrámo-nos, cada vez mais e melhor, connosco próprios, em todas as dimensões.

 

O Caminho (jacobeu) do Salvador, que nos levou de Leão a Oviedo, não foi, para nós, um caminho de fé. Foi um caminho que nos interrogou sobre a fé, sobre a natureza e a razão de ser dos povos, em definitivo, e, essencialmente, nos mais elevados dos picos a que acessámos, contemplando todo o seu entorno, nos interrogou constantemente sobre a natureza e o percurso do ser humano.

 

***

 

Se a memória não nos falha, foram poucas as oportunidades que tivemos de conhecer uma cidade que está tão intimamente ligada à criação da entidade política que é hoje Portugal e, em especial, a Chaves, a Aquae Flaviae dos romanos.

 

Por isso, antes de efetuarmos o Caminho do Salvador, fizemos questão de nos demorar um pouco mais nesta cidade de Leão.

 

Para a conhecermos o que é hoje.

 

Para melhor aprofundarmos o seu passado, a partir dos vestígios materiais que, perdurando, por si e pelos homens, nos chegaram até hoje.

 

É o que iremos fazer nos posts que se irão seguir.

 

Começando pela nossa partida, desde a estação de comboios de Ourense

2016 - Camino del Salvador - León (5)-2.jpg


até, durante mais de quatro largas horas, com uma paragem mais demorada em Monforte de Lemos, chegarmos a Leão, à estação de comboios, atravessando a sua Ponte dos Leões,

2016 - Camino del Salvador - León (12)-2.jpg

passando pela Praça de Guzman, El Bueno,

2016 - Camino del Salvador - León (15).jpg

entrando na Avenida Ordoño II, passando pelo edifício do Ayuntamiento de Leão,

2016 - Camino del Salvador - León (20).jpg

pela Praça de Santo Domingo,

2016 - Camino del Salvador - León (25).jpg

pela Praça da Imaculada,

2016 - Camino del Salvador - León (34).jpg

até que penetrámos na Gan Via de San Marcos,

2016 - Camino del Salvador - León (35).jpg

onde previamente tínhamos reservado o nosso alojamento.

2016 - Camino del Salvador - León (37).jpg

(Imitando os vitrais da Catedral)

Ocupado o alojamento e ambientados ao meio, saímos das instalações onde, durante dois dias iríamos pernoitar, para fazermos um primeiro reconhecimento do centro histórica desta tão antiga cidade. Contudo, essa reportagem será objeto de outros posts.


publicado por andanhos às 18:39
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