Sábado, 29 de Abril de 2017

Por terras da Ibéria: Caminho de São Salvador - Mieres del Camino-Oviedo

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

 

8ª e última etapa:- Mieres del Camino (La Peña) - Oviedo

 

05.maio.2017

01.- Camino del Salvador-8ª etapa (452)

Introdução


Na nossa rubrica «Versejando com imagem», de 14 de maio de 2016, falávamos de Oviedo e da sua La Regenta.


Neste nosso último post sobre a reportagem do Caminho de São Salvador, não resistimos a coloca-la como figura de proa, de Oviedo, a escultura colocada defronte da Praça D. Afonso II, o Casto, com o seu rosto triste, sombrio, olhando, de soslaio, para a Catedral.


É com esta personagem e a sua história, magistralmente contada pelo escritor Leopoldo Alas «Clarin» que, nesta 8ª e última etapa, nos despedimos do Caminho de São Salvador e da cidade de Oviedo, objetivo último que nos propusemos a alcançar quando, partimos de León, província de Castela, percorrendo a Cordilheira Central Cantábrica, faz exatamente hoje um ano - 28 de abril de 2016.


Vamos, assim, hoje, deixar este Caminho.


No próximo dia 4 de maio, depois de prestarmos uma homenagem singela a uma Estrelinha que brilha no céu, sairemos a pé de nossa casa, percorrendo o Caminho Português Interior de Santiago.


Para quem está na cidade de Chaves, apenas cerca de meia etapa fazemos em território português. É que, ao chegarmos a Verin, a «rota» a seguir deste Caminho Português Interior de Santiago é a do Caminho Sanabrês, ou seja, a do Caminho da Via da Prata, para quem quer atravessar a Sanábria.


Em 2007, fizemos o Caminho Sanabrês, começando em Laza. Chegados a Verin, vamos seguir a variante que vai por Xinzo de Limia. Mas, mais pormenores, ficarão para a reportagem que faremos do Caminho Português Interior de Santiago que, como dissemos, no próximo dia 4 de maio, vamos iniciar.
Agora, vamos ao sucinto relato desta nossa 8ª e última etapa do Caminho de São Salvador.

 

1.- La Peña - El Padrún


Reproduzamos o que, a 5 de maio de 2016, dizíamos nas nossas «notas»/memórias do Caminho:
O albergue de La Peña ficou por conta de dois portugueses e de um checo, que diz que faz o Caminho só bebendo água, mas que, uma vez por outra, lá o vemos a comer fruta. E, sabe-se lá, se algo mais... Diz Florens que o «nosso» checo Buthan parece ser um semi-peregrino e um semi-turista. É que, levantando-se tão tarde, achamos que não faça o Caminho todo a pé! Who knows? Saímos os dois como sempre, entre as sete e as oito menos um quarto para darmos início à nossa jornada de hoje. Tomámos o pequeno-almoço no hotel onde ontem à noite petiscamos qualquer coisa e, de imediato, começámos a nossa «reta» final”.


Reta essa que não foi tão reta como isso: foi um caminhar constante pelo asfalto, numa estrada sem fim (As-242), sempre a subir,

02.- Camino del Salvador-8ª etapa (16)

 
passando por La Rebollá/La Rebollada, aos pés do pico Gua, pela Igreja de Santa Maria Madalena,

03.- Camino del Salvador-8ª etapa (13)


de fundação românica, mas demolida em 1921, e que guarda uma bonita imagem de São Lázaro.

04.- Camino del Salvador-8ª etapa (17)
(Um aspeto de La Rebollá/La Rebollada)


No cimo de La Rebollá/La Rebollada, e lá ao fundo, Mieres del Camino.

05.- Camino del Salvador-8ª etapa (34)


O Caminho continua a subir,

06.- Camino del Salvador-8ª etapa (52)


Entretanto, à nossa esquerda, a bacia mineira do rio Caudal, com a Central térmica La Peredo e o poço de San Nicolás.

07.- Camino del Salvador-8ª etapa (56)
(Um aspeto)

08.- Camino del Salvador-8ª etapa (65)
(Outro aspeto)


Seguem-se depois os bairros ou aldeias de La Rebollá/La Rebollada, como Repitaneo, El Rollu/Rollo, Copián (que teve uma albergaria), Santa Lucía e Aguilar.

09.- Camino del Salvador-8ª etapa (77)


Até que chegámos a El Padrún.

10.- Camino del Salvador-8ª etapa (86)

 

2.- El Padrún - Olloniego


Em El Padrún, fizemos um desvio à direita, em direção a Casares, observando a paisagem circundante,

11.- Camino del Salvador-8ª etapa (115)


e, aqui, descendo,

12.- Camino del Salvador-8ª etapa (124)


voltámos à AS-242 para, logo de seguida, entrarmos em Olloniego, deparando-nos com a sua estação de caminho-de-ferro, pormenores do seu casario,

13.- Camino del Salvador-8ª etapa (134)

 
e com a fonte barroca de Los Llocos.

14.- Camino del Salvador-8ª etapa (144)


Depois de passarmos por debaixo da A-66, voltámos a entrar na AS-242 para acedermos ao centro de Olloniego.


Olloniego encontra-se dividida a meio pelas vias de comunicação (estrada, autoestrada e caminho-de-ferro) e nela podemos encontrar, praticamente, todos os serviços que um peregrino necessita.


Terra de mineiros, não podia faltar o monumento àqueles que já morreram, mas que não deixam de perdurar na memória dos vivos.

15.- Camino del Salvador-8ª etapa (173)


Parámos num dos cafés para o reforço do nosso pequeno-almoço.


No centro, a sua Igreja Matriz.

16.- Camino del Salvador-8ª etapa (176)


Saímos,

17.- Camino del Salvador-8ª etapa (184)


observando o seu casario típico, onde pinturas, nele apostas, refletem o folclore asturiano.

18.- Camino del Salvador-8ª etapa (163)


Até que fomos ao encontro do Conjunto Histórico de Olloniego.


O conjunto é constituído pela capela,

19.- Camino del Salvador-8ª etapa (190)


pelas ruinas de um Palácio de Quirós e a Torre Muñíz

20.- Camino del Salvador-8ª etapa (212)


e, ainda, pela ruínas de uma ponte.

21.- Camino del Salvador-8ª etapa (214)


Este complexo de edificações é de origem medieval, reunindo uma obra religiosa, outra civil e uma obra de engenharia, ligadas a um caminho e a um manancial natural.


A ponte medieval foi destruída no século XVII. Na altura contava com 5 arcos, de diferentes alturas. Foi outrora um antigo caminho para a Meseta. Atualmente apenas vemos 3 arcos, sendo o do centro o mais alto. Foi, possivelmente, construída no século XV para ultrapassar o rio Nalón, o maior rio das Astúrias. Em 1676, devido a uma grande cheia, o leito do rio desviou e, por isso, deixou de, por ela, passar o rio.


Este conjunto de ruínas, em 1991, foi declarado Conjunto Monumento Histórico.

 

3.- Olloniego - Picullanza


Depois de passarmos pela Ponte, pela Torre Muñiz e Palácio de Quirós, deixámos Olloniego, e, ainda pela AS-242, com prados à nossa volta,

22.- Camino del Salvador-8ª etapa (220)


atravessámos o rio Nalón,

23.- Camino del Salvador-8ª etapa (231)


pela ponte por onde passa a Estrada de Castela, no final da qual se localiza o edifício que servia de portagem - a Real Portazgo -, sempre presente nas grandes vias de comunicação.

24.- Camino del Salvador-8ª etapa (241)


À saída da ponte sobre o rio Nalón, virámos à direita para, por uma vereda íngreme,

25.- Camino del Salvador-8ª etapa (242)


nos dirigirmos para Picullanza.


No começo desta vereda, aparece-nos um leguário, que nos indica a distância a que estamos de Oviedo: uma légua e meia.

26.- Camino del Salvador-8ª etapa (236)


No século XVI, a légua castelhana correspondia, sensivelmente, a 20 000 pés, ou seja, 5, 572 Km.


Para chegarmos a Picullanza, penetrámos na montanha, e, sempre a subir, alcançámos uma antiga calçada,

27.- Camino del Salvador-8ª etapa (261)


por entre campos verdejantes

28.- Camino del Salvador-8ª etapa (256)


e com este lindo panorama ao longe.

29.- Camino del Salvador-8ª etapa (277)


O espigueiro asturiano está sempre presente na paisagem.

30.- Camino del Salvador-8ª etapa (278)


Chegados a Picullanza, eis a paisagem próxima à nossa volta.

31.- Camino del Salvador-8ª etapa (286)


À saída de Picullanza, concelho de Ribeira de Arriba, na descida, começámos a vislumbrar Oviedo com o seu casario, distinguindo-se nele o Palácio de Exposições e Congressos, obra de Santiago Calatrava.

32.- Camino del Salvador-8ª etapa (283)


4.- Picullanza - Manjoya


Continauando a descer, no final, passámos pela venta del Aire e San Miguel e pelos arroios de La Ceprosa e Morente, rodeados pela paisagem verdejante asturiana, em tempos de primavera,

33.- Camino del Salvador-8ª etapa (296)


não nos largando de vista o espigueiro asturiano dentro das aldeias,

34.- Camino del Salvador-8ª etapa (307)


e, nos campos, as medas de palha, feitas à nossa moda.

35.- Camino del Salvador-8ª etapa (315)


Ainda na descida, e até aos arroios de La Ceprosa e Morente, o Caminho não para de nos surpreender, com as suas árvores

36.- Camino del Salvador-8ª etapa (325)


e o seu verde.

37.- Camino del Salvador-8ª etapa (320)


No começa da subida, que agora tínhamos pela frente até ao início da sede de Manjoya, mais um espigueiro asturiano ao longo do Caminho,

38.- Camino del Salvador-8ª etapa (339)


enquanto íamos percorrendo os lugares de Caxigal, Los Prietos, Los Barreros e El Caserón, todos da paróquia de Manjoya.


Num desses lugares, numa pequena área de descanso, junto a esta fonte,

39.- Camino del Salvador-8ª etapa (361)


parámos.


Um «maior» aproximou-se de nós e, os três sentados, fomos conversando. O tema da conversa foi a vida, difícil, de labuta, do nosso «maior»: a sua luta e, agora, as suas mazelas. No meio da conversa, uma olhadela para o nosso entorno que, de perto e ao longe, nos rodeava.

40.- Camino del Salvador-8ª etapa (359)


E pusemo-nos a caminho até à sede da paróquia de Manjoya.


À nossa frente, e já muito mais próxima, uma panorâmica de Oviedo.

41.- Camino del Salvador-8ª etapa (375)


Até que, chegados perto das ruínas da ermida de Santiago,

42.- Camino del Salvador-8ª etapa (379)


deparámos com o pináculo da torre da Catedral de Oviedo.

43.- Camino del Salvador-8ª etapa (383)


Diz-nos o Eroski Consumer, citando Juan Uría, que Manjoya deriva de Monxoi (Monte do Gozo), como expressão de júbilo que os peregrinos, chegados aqui, experimentavam quando se encontram próximos do final da sua viagem.

 

5.- Manjoya - Oviedo


Junto à moderna Igreja de Santiago,

44.- Camino del Salvador-8ª etapa (385)


passámos debaixo da A-66 para acedermos ao bairro de São Lázaro.

45.- Camino del Salvador-8ª etapa (395)


Pela rua Malatería, junto ao pequeno parque de inverno, fomos ter à rua Gil Blas para, depois, nos dirigirmos à de Aurélio del Llano, confluindo na de Muñoz Degrain, até chegarmos ao monumento ao peregrino.


Antes de entrarmos no Centro Histórico de Oviedo, há que passar pela rua Campomanes e observar o monumento/escultura erguida a este homem asturiano, que foi político, jurisconsulto e economista espanhol.

46.- Camino del Salvador-8ª etapa (410)


Entrámos no Centro Histórico de Oviedo pela rua Magdalena, em dia de feira,

47.- Camino del Salvador-8ª etapa (416)
(Perspetiva I)

48.- Camino del Salvador-8ª etapa (418)

(Perspetiva II)

49.- Camino del Salvador-8ª etapa (419)

(Perspetiva III)

50.- Camino del Salvador-8ª etapa (420)

(Perspetiva IV)


O mesmo Juan Uría diz-nos que os peregrinos, antigamente, entravam em Oviedo “às vezes em tropel, trazendo candeias de cera e cebo, acompanhados pelos albergueiros”.


E nós

51.- Camino del Salvador-8ª etapa (435)


passámos pelo Arco do Ayuntamiento, praça Fontán,

52.- Camino del Salvador-8ª etapa (427)


onde se encontra a bonita escultura (à nossa esquerda, na imagem acima) da Bella Lola, para, finalmente, pela rua Cimadevilla e La Rua entrarmos na praça Afonso II, o Casto, presidida pela Santa Ovetensis, e onde nos espera a não menos bela La Regenta.

53.- Camino del Salvador-8ª etapa (445)


Chegámos à praça Afonso II, o Casto, eram horas do almoço. No meio da etapa, tínhamos apenas comido uma peça de fruta. A fome, por isso, já apertava.


Numa das esplanadas de um restaurante situado na praça D. Afonso II, sentámo-nos para nos «deliciarmos» com as «iguarias» asturianas, onde não faltou o célebre queijo de Cabrales, tão apreciado pelo meu companheiro Florens, mas «pólvora» para a nossa dieta.


Pedimos aos simpáticos donos para nos guardarem as mochilas durante a tarde, enquanto visitávamos a Catedral de Oviedo, o Museu e a sua Câmara Santa.


Feito o percurso turístico cultural e religioso na Catedral, Museu e Câmara Santa, foi a hora de irmos, na Catedral, levantar a nossa Salvadorana, documento comprovativo de que fizemos o Caminho de São Salvador.


Decidimos ficar no albergue de peregrinos «El Salvador», de Oviedo e, durante o resto da tarde, descobrir, mais em pormenor, a cidade/capital das Astúrias.


Quando fizemos o Caminho Primitivo, partimos daqui desta cidade. Mas não tivemos grande tempo para uma visita mais demorada a esta cidade.


No albergue de peregrinos de Oviedo tivemos direito a um quarto só para os dois. Foi uma noite de sono repousante.


Quando, de manhã, nos levantámos para nos dirigirmos para a estação de caminho-de-ferro, que nos havia de levar de Oviedo a Ourense, o dia apresentava-se plúmbeo e chuvoso.


Gostaríamos, ainda antes de partir, de ir ver a Igreja pré-românica asturiana de Santa María del Naranco. Mas o tempo não convidava muito a esta deslocação para a visitarmos.


Ficou para outra oportunidade.


Tomámos o pequeno-almoço na cafetaria da estação de Oviedo e fomo-nos entretendo a ver o movimento, até que a hora da nossa partida chegasse.


Gostámos da viagem de comboio de Oviedo para León. A de León para Ourense já a tínhamos feito quando pretendemos iniciar o Caminho e ficámos em León para conhecer esta cidade castelhana.


Ao chegarmos a Ourense, esperámos um pouco até que o irmão mais velho do Florens chegasse de Chaves e nos devolvesse às terras tameganas de Aquae Flaviae, com o nosso objetivo atingido.


publicado por andanhos às 12:27
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