Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Pajares-Pola de Lena

 

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

47.- CSS - 6ª etapa (503)

 

6 etapa:- Pajares (Payares) - Pola de Lena
(03.maio.2016)

 

 


Introdução

 

Ultrapassada que foi a zona mais montanhosa deste Caminho de São Salvador, a partir de Pajares (Payares), percorremos o extenso concelho de Lena.

 

Diz-nos o Eroski Consumer que esta etapa não nos dá tréguas, contudo, propicia-nos belas paisagens e interessantes veredas num itinerário que evita sempre a Estrada N-630, que serve, fundamentalmente, as populações rurais de Santa Marina, Llanos de Somerón, Fresnedo e Herías.

 

Na programação que tínhamos feito deste Caminho, esta etapa estava dividida em duas, ou seja, de Pajares (Payares) até Bendueños, com 15 Km de extensão, e de Bedueños até Pola de Lena, sensivelmente com 10 Km.

 

Foi com algum desalento que Marisa, a albergueira de Pajares (Payares) nos informou que o albergue Santuário de Bedueños, privado, estava encerrado, para obras.

 

Para quem, como nós, tínhamos passado um mau bocado com a descida para Pajares (Payares), que nos deixou completamente de rastos, ver pela frente uma etapa de 25 Km, e, ainda por cima, toda ela projetada num sobe e desce constante, com uma primeira descida forte logo no início, de Pajares (Payares) para San Miguel del Rio, e outra, de se lhe tirar o chapéu, de Herías para Campomanes, apesar da beleza da paisagem, ficámos deveras desalentados.

 

Ainda pensámos ficar em Capomanes, onde existe toda a espécie de serviços para um peregrino, contudo, a nossa decisão foi de tentar os 25 Km de uma assentada e, caso surgisse alguma dificuldade, então ficaríamos em Campomanes, a pouco mais de 7 Km de Pola de Lena.

 


1.- Pajares (Payares) - Llanos de Somerón

 

Deixámos Pajares (Payares) com o começo do raiar do sol,

01.- CSS - 6ª etapa (006)


passando pela Fonte de la Pría e pelo Solar do Hospital de San Miguel, dos séculos XVIII e XIX, em completa ruína.

 

E logo à saída da povoação, começavam os nossos joelhos a ressentirem-se com a pronunciada descida até San Miguel del Rio.

 

Nosso companheiro de Caminho, apercebendo-se da nossa dificuldade, foi estugando o pé. Enquanto parávamos, aqui e ali, não resistíamos a observar o entorno por onde passávamos, captando uma ou outra imagem,

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até que nos aproximávamos de San Miguel del Rio, banhada pelo rio Pajares (Payares).

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Ultrapassámos San Miguel del Rio ainda de madrugada, não deixando, todavia, de registarmos a rústica igreja da localidade.

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A partir de San Miguel del Rio, começámos a subir (e a descer) até Puente de los Fierros, passando por Santa Marina, com a sua singela capela.

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E é verdadeiramente aqui que o nosso Caminho penetra em zona verdadeiramente rústica (rural e florestal): ora num abrir e fechar constante de cancelas,

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para manter acoitado o gado, ora por veredas de floresta autóctone, de caducifólias,

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em que, pelas suas vertentes, jorra água límpida, cristalina.

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Percorridos sensivelmente 5 Km, dávamos entrada em Llanos de Somerón.

 

Veja-se o espetáculo de paisagem que presenciámos!

09.- CSS - 6ª etapa (139)

 


2.- Llanos de Somerón - Herías

 

Na passagem por Llanos de Somerón, este típico espigueiro asturiano.

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Ao chegarmos à Igreja de Llanos de Somerón, dedicada a Santiago, onde existe a seu lado um enorme teixo,

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deixámos, à porta da Igreja, o nosso antigo cajado, que já não cumpria cabalmente a sua função. Florens, perito em cajados, prometeu-nos fazer um que estivesse à nossa altura.

12.- CSS - 6ª etapa (154a)


E, logo de seguida, começámos a longa descida até Puente de los Fierros, por uma estrada local.

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Aqui, em Puente de los Fierros, antigamente, cobrava-se portagem.

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Não entrámos na localidade. Abandonada a estrada local, à esquerda da mesma, começámos a subir por um carreiro de pé posto.

 

Percorridos, aproximadamente, 10 Km, Florens, num alto verdejante, tira a mochila das costas, descalça-se e, sob o sol inclemente do meio-dia, convida-nos a descansar sobre este tapete verde.

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Ao fundo da ravina, onde nos sentámos, Puente de los Fierros com a sua estação de caminho-de-ferro.

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Após o descanso, bebidos e comidos, com o reforço do segundo pequeno-almoço, que levávamos no farnel, em poucos minutos estávamos a atravessar Fresnedo.

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De Fresnedo até Herías, o carrocel constante, de altos e baixos, no troço do Caminho. E cansativo. O que valia era a paisagem

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à nossa volta, que compensava todo o esforço despendido, por entre uma encosta densa de árvores,

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em que a água, escorrendo pela encosta abaixo, não faltava.

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A páginas tantas, Florens para. Encontrou uma galha ideal numa árvore para, dela, nos fazer o prometido cajado.

 

Aqui o vemos no seu esforço de artesão!

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Aqui e ali, ao longo da encosta, casas em ruínas, tomadas pelas heras. Esta, que aqui vemos, ainda se nos apresenta com alguma «frescura».

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E, desta casa até à Ermida de San Miguel, foram escassos metros para lá chegar.

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Aqui, no espaço primaveril, envolvente a esta ermida, fizemos mais uma pequena pausa, sentados em dois toros de madeira, juntos a um palheiro.

 

E não nos cansávamos de admirar toda a beleza natural que se nos postava, naturalmente, aos nossos olhos.

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Mas o Caminho de hoje pedia-nos mais avanço. E começámos a descer até Herías.

 

Num pequeno caminho à nossa mão direita, a Fonte de San Miguel.

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Ao dobrar de uma vereda, eis o casario de Herías com todo o seu entorno!

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Aqui, num cruzamento, viraríamos para o albergue de Bendueños e, em pouco tempo, a nossa etapa programada estaria concluída. Mas não! Havia que prosseguir, com mais 10 Km pela frente.

 

Em Herías, registámos este singular espigueiro - e pouco mais -,

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prosseguindo nosso Caminho, agora voltando a subir.

 

 

3.- Herías - Santa Cristina de Lena

 

No topo da subida, começámos a deixar de visualizar Herías, com o seu casario à volta da Igreja.

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Enquanto nos despedíamos de Herías, no fundo do vale, passava um comboio.

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Depois da subida, na saída de Herías, esperava-nos agora uma vertiginosa descida até Campomanes.

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Pese embora a almofada de folhas que o troço nos oferecia, entremeado com perigosos calhaus, muito a custo, lá conseguimos chegar a Campomanes.

 

Exaustos, e com fome, aqui parámos para descansar e abastecer, convenientemente, a «máquina» para os restantes 7,5 Km que ainda nos esperavam para chegarmos a Pola de Lena.

 

Suficientemente descansados, e bem comidos e bebidos, com outra alma e ardor, encarámos agora, com mais otimismo, o último troço que nos faltava fazer.

 

Saindo de Campomanes, o Caminho suaviza.

 

Percorrendo o passeio fluvial existente nesta localidade, não nos cansávamos de observar as águas límpidas do rio Pajares (Payares) e, ao fundo do cenário, os cumes da serra ainda, em plena primavera, cobertos de neve.

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A determinada altura do percurso fluvial, nasce um outro rio: aqui, o rio Pajares (Payares) recebe as águas do rio Huerna, dando origem ao rio Lena. Nesta foto, vemos, assim, três rios - a foz do rio Huerna, em frente; do nosso lado esquerdo, o rio Pajares (Payares) e, do lado direito, o recém-nascido rio Lena!

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Satisfeita nossa curiosidade, continuámos o nosso Caminho, continuando a percorrer o passeio fluvial.

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Saídos do passeio fluvial, ao fundo do horizonte, a mais de meio da encosta, apresenta-se-nos, de bandeja, a silhueta da Igreja pré-românica de Santa Cristina de Lena.

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4.- Santa Cristina de Lena - Pola de Lena

 

Aqui chegados, seria imperdoável se não visitássemos esta maravilha do pré-românico, pese embora a íngreme subida que teríamos de ultrapassar.

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Florens toma a dianteira.

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Nós seguimo-lo e, na subida, à nossa direita, a pura visualização da arte pré-românica asturiana, vista por um dos seus alçados laterais!

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O que se nos apresenta ao nosso olhar é uma igreja, de estilo ramirense, por ter sido construída no reinado de Ramiro I, no século IX, que está considerada como Património da Humanidade.

 

Este é o seu alçado frontal.

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Vejamos agora as suas traseiras.

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Entremos dentro, guiados pela senhora María Inês, a responsável pela guarda da chave do monumento, em amena e cordial conversa com o nosso companheiro peregrino, Florens.

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Reparemos nos pormenores do seu interior.

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Satisfeita a nossa curiosidade, e apreciada esta linda pérola, era hora de fazer mais uma pequena pausa no apetecível recinto da Igreja, com vista para a aldeia de Palacios.

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Florens não hesitou em fazer uma pequena soneca,

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sob o olhar atento deste lindo fiel amigo.

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Enquanto Florens passava um pouco pelas brasas, nós entretínhamo-nos a observar todo este lindo entorno.

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E, como diz o velho ditado que «não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe», mochilas às costas, preparámo-nos para sair deste sagrado e edílico lugar, descendo pelo lado oposto ao que tínhamos chegado, pisando um caminho empedrado (medieval?),

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despedindo-nos daquela maravilhosa Igreja ramirense.


Enquanto atravessávamos o bairro Peridiello, à nossa esquerda, deixávamos a estação de caminho-de-ferro de La Cobertoria.

 

No rés-do-chão deste edifício, está localizada uma sala de aulas que nos elucida sobre esta linda pérola pré-românica, acabada de visitar.

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E continuámos o nosso Caminho, agora acompanhados pelo curso de água do rio Lena, encravado neste pequeno vale verdejante, e acompanhados por casario, que se arrasta até ao seu leito.

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De Santa Cristina de Lena até Pola de Lena são, mais ou menos, 5 Km, num sem fim a andar sobre o asfalto!

 

Até que, já positivamente cansados, mas ainda com uma réstia de folgo, chegámos a Pola de Lena,

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passando pela Casa do Concello;

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(Vista de lado)

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(Vista de frente)


pelo Mercado Municipal;

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pelo centro da cidade, com a sua Igreja Paroquial,

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tendo, à sua frente, o Jardim Público.

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E não levou muito tempo até que chegássemos ao albergue.

 

Quando chegámos ao albergue, a «nossa» peregrina Justyna Bartkowiak já tinha chegado há bastante tempo. É uma jovem e com boas pernas para andar. Não admira não lhe termos visto o rasto durante toda a etapa!

 

Encontrava-se no albergue mais um outro peregrino. Não soubemos donde vinha. Era de poucas palavras.

 

Tomámos banho. Descansámos um pouco. E, depois, saímos para comer e dar uma pequena volta por Pola de Lena.

 

Tirámos algumas fotos. Deixamos apenas aqui esta pitoresca moradia, pois a reportagem já vai longa.

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Entrámos em duas siderarias para beber e petiscar. Havia jogo de futebol pela televisão. Não fixámos os clubes que jogavam. Mas tinha a ver com um campeonato europeu em que jogava uma equipa espanhola.

 

Prestámos mais atenção não só ao que comíamos e bebíamos como à reação da assistência. Por todo o lado, o futebol produz o mesmo fenómeno no contágio entusiasta dos adeptos, gerando as mesmas reações, a mesma «loucura» de massas!

 

Bem compostos, regressámos ao albergue, dando uma vista de olhos a uma das ruas de Pola de Lena.

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Quando chegámos ao albergue, fomos encontrar o nosso amigo checo Bohdan Dochanic. Disse-nos que gostaria de fazer, no dia seguinte, a etapa connosco.

 

Quando nos deitámos na cama, demo-nos conta que, positivamente, estávamos todo roto das pernas.

 

E a noite foi calma e reconfortante, trazendo-nos novas energias para o dia seguinte...


publicado por andanhos às 15:54
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