Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Poladura de la Tercia - Pajares (Payares)

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS


CAMINHO DE SÃO SALVADOR

01.- P5020430
5 etapa:- Poladura de la Tercia - Pajares (Payares)

(02.maio.2016)

 

Preâmbulo

 

No nosso último post deste Caminho (4ª etapa), no último parágrafo, prometíamos falar um pouco mais sobre os companheiros/peregrinos que ficaram connosco no albergue de Poladura de la Tercia.

 

Peguemos nas nossas Notas e respiguemos o que elas nos dizem:
“Dormiram no albergue mais duas pessoas, para além de nós os dois: uma polaca, de nome Justina Bartkowiak, e um checo, Bodhan Dovhanic. A Justina vem de Madrid e, segundo nos apercebemos, da conversa em inglês que tivemos com ela, ao chegar a Oviedo, vai fazer o Caminho Primitivo. É uma jovem que não tem mais de vinte e poucos anos. Ficámos admirados com a sua coragem: andar sozinha por caminhos inóspitos, pelo menos estes do São Salvador, fazendo o mínimo de gastos em comida, pois se fornece nos pequenos supermercados ou lojas (tiendas) de cada terra por onde passa. Não admira, assim, que ande muito carregada, como pudemos constatar. (...) Justina, nesta etapa, não se distanciou muito de nós. (...) O checo Bodhan, praticamente não falei com ele. Florens foi o que com ele mais conversa meteu. Do essencial deste personagem, há a retirar que faz este Caminho e prosseguindo outros - que não chegámos a saber quais - apenas bebendo água e comendo fruta. E, segundo diz, faz esta dieta durante 40 duas. Florens não se admirou muito por tal facto. Dizia-me que há muitos «maluquinhos» e «maluquinhas» que adotam este sistema, que pegou moda”.

 

Levantámo-nos ainda não eram 7 horas da manhã. Fizemos as nossas abluções matinais, vestimo-nos, descemos para o rés-do-chão para, na máquina do Centro, tirarmos um café com leite. Justina precedeu-nos. O Bodhan ainda ficou a dormir. E partimos. Hoje tínhamos pela frente uma etapa de 14, 7 Km.

 

1.- De Poladura de la Tercia ao Alto de los Romeros e Canto La Tusa

 

Saindo do albergue, descemos à parte baixa da aldeia, e passando pela Pousada “El Embrujo”, fomos em direção à estrada, atravessando o rio Rodiezmo, afluente do Bernesga. Pouco metros andados na estrada, seguindo as tabuletas de «Cuatro Valles», começámos a subir um trecho de montanha, guiando-nos sempre pelas célebres «piruletas de limón».

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Passando por lugares de pastagens

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 e por zonas rochosas,

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(Perspetiva I do trecho percorrido)

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(Perspetiva II do trecho percorrido)

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(Perspetiva III do percorrido)

 

deixámos Peña Cháncara.


A partir de certa altura, começámos a subir, outra vez,

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rodeando depois as colinas de Los Eros.

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(Perspetiva I do percorrido)

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(Perspetiva II do percorrido)

Florens, num determinado momento,  estanca, olhando para o alto.

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Era o Alto de Los Romeros nos esperando. 

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Ultrapassado aquele difícil acesso e aquele pedaço de neve, já congelada,

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enfim, chegávamos à Cruz de São Salvador. Tínhamos andado, sensivelmente, 2,8 Km. Ei-la, a cruz, mais de perto.

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Esta cruz, com o seu mastro, segundo nos informa o Eroski Consumer, pesa, nada mais, nada menos, cerca de 250 quilos. Foi colocada por José Antonio Cuñarro, de alcunha «Ender», com a ajuda de 8 amigos, no dia 22 de setembro de 2012.

 

Florens não deixou passar a oportunidade para tirar uma foto junto a ela.

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Enquanto nos entretínhamo-nos, descansando aqui um pouco, olhávamos para a aridez montanhosa da paisagem.

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Estávamos perto da cota ou do ponto mais alto deste Caminho - O Canto La Tusa. Faltava-nos, porém, ultrapassar um desnível de 120 metros, a subir, por um percurso todo ele cheio de neve. Que o diga Florens quantas cautelas teve para trepar sobre esta neve, completamente gelada!

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Em contrapartida, Justina, em nossa perseguição, sem qualquer ajuda, deslizava feliz,

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sabendo que o Canto La Tusa estava mesmo ali. Só faltava um pequeno esforço.

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Veja-se o ar feliz de Justina e Florens quando chegaram ao topo, a 1. 572m!

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Percorridos que estavam 3,7 Km, havia agora que descansar um bocadinho, comer uma barra de chocolate e hidratarmo-nos. Depois disso, foi comtemplar, deste teto do céu, com um sol radiante, os picos nevados que tínhamos em frente e, lá no fundo, Busdongo, terra natal de Amancio Ortega e onde se produz um pão tão bem falado por esta região.

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2.- De Canto La Tusa a Arbas del Puerto

 

Contudo, o nosso percurso não passava por Busdongo. Cortava à esquerda.

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Enquanto descíamos, olhávamos para os picos nevados.

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E chegados quase à cota da aldeia de Busdongo, mais uma subida, com neve, por entre uma mancha florestal e até ao indicador nº 54 do gasoduto, que por aqui passa,

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enquanto nos íamos despedindo da aldeia do rico e apreciado pão.

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E voltámos a descer, vendo-se, a certa altura, Arbas del Puerto, ao fundo.

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No final da descida, na passagem de um regato de água, Justina encharcou as suas botas de água.

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Mas, sem qualquer engulho e incómodo, continuou connosco assim.


Rodeados por montanhas nevadas, e por meio de terrenos de pastagens, em que a água aparece por todos os lados, em pouco mais de um quarto de hora, chegámos a Arbas del Puerto.

 

Estávamos sensivelmente a meio da nossa caminhada de hoje. Parámos junto à Colegiada de Arbas del Puerto

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para comer do farnel que adquirimos, na véspera, na Pousada do «Embrujo», em Poladura. Justina também parou aqui para descansar, beber e comer. Demorou pouco, seguindo o Caminho logo a seguir.

 

Depois de descansados e comidos, fomos observar um pouco melhor o edifício da Colegiada de Arbas, românica,

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reparando neste relógio de sol.

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Ligeiramente à nossa frente, do outro lado da estrada, a «Mesón Quico», já fechada a algum tempo, à espera que alguém a compre ou a alugue. Porventura, aqui, os lucros não serão muito por aí além...

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3.- De Arbas del Puerto (Província de Leão) à fronteira com o Principado de Astúrias


Pondo pés a caminho, passamos pelo edifício dos Cónegos (Canonigos)

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e começámos a subir ligeiramente pela estrada nacional 630,

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até ao designado alto de Pajares, mas, agora, saindo da estrada 630 e dirigindo-nos para a Venta de Pajares, onde existe um restaurante, pertença de um tal senhor Casimiro, que, pelos vistos, se encontrava encerrado, para obras, segundo nos relata Eroski Consumer.

 

Fomos começando a subir e, à nossa esquerda, exatamente na fronteira entre a província de Leão e o Principado de Astúrias, uma bonita Estalagem, também sem qualquer atividade, para alugar ou vender.

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Subindo um pouco mais, e também à nossa esquerda, o Maciço de Ubiña, com quase 60 picos que ultrapassam os 2 000 metros de altura.

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Entretanto, Justina, enganando-se no trecho do Caminho, tal como nós, inicialmente, foi trepando, trepando, até se aperceber que andava por caminho errado e que teria de voltar a descer para encarreirar pelo trecho de caminho certo, justamente virando à esquerda, junto a um poste de tensão.

 

Foi uma descida tremenda esta, com demasiada inclinação, com um trecho de caminho pouco sinalizado (ou com a sinalização encoberta pela vegetação), apenas sabendo que teríamos de chegar à estrada 630, já em plena Astúrias. Ziguezagueando por esta larga e inclinada ladeira, quase ao fundo, a silhueta de Justina, junto ao poste de alta tensão.

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Até que ultrapassada a declivosa pendente e a estrada, aparece-nos o primeiro marco jacobeu asturiano!

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4.- Da fronteira do Principado de Astúrias até Pajares (Payares)

 

Entrámos em terras asturianas. E pensávamos que, a pouco menos de 4 quilómetros da aldeia de Pajares (Payares), o Caminho seria «canja». Mas, puro engano!

 

Primeiro, começámos por ter de abrir esta cancela, tendo como pano de fundo, à nossa frente, os sempre omnipresentes picos da Ubiña,

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com o gado, sob um bonito sol, descansando nestas pastagens de montanha, sob a proteção do Maciço da Ubiña;

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depois, foi encetar mais uma enorme descida, por um carreiro encoberto pela vegetação, aos ziguezagues. Não fossem as célebres «piruletas de limón», com certeza que nos perderíamos por aquele imenso mato.

 

Perto do cruzamento de quem vai para San Miguel del Rio, a linha de caminho-de-ferro.

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Ultrapassado este matorral, essencialmente de urzes e giestas, parámos para descansar um pouco. Nossas pernas começavam a tremer demais! Aqui, Justina ultrapassa-nos, seguindo, solitária, o seu Caminho.

 

Pondo mochila às costas, continuámos também o nosso Caminho, agora embrenhando-nos num bosque espetacular de faias e azevinhos. Pena haver tanta lama pelo caminho!

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Saindo deste bosque, sempre a caminhar a descer, aparece-nos uma enorme clareira: um grande pasto, onde as pachorrentas vacas e as suas crias se iam entretendo a comer e a descansar. Uma boa vida, não fora a tristeza do seu fim antecipado!

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Na passagem por esta vaca, veja-se a pacatez, curiosidade ou indiferença do bicho, que vá lá a gente saber!

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Chegados quase ao fundo desta enorme descida, demos um escorregão num conjunto de folhas molhadas, espalhadas pelo terreno que nos prostrou no chão. E depois para levantar-nos?! Salvou-nos a mão amiga de Florens, respondendo ao nosso apelo... Não passou de um simples susto. Até porque o caminho começou a ser plano e a proximidade de Pajares (Payares) deu-nos uma outra alma.

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Com efeito, aproximávamo-nos, a passos largos, de Pajares (Payares). Florens marcava o passo; Justina já, há muito, se tinha ausentado da nossa linha do horizonte.

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Até que, finalmente, chegámos a Pajares (Payares) pelo bairro La Campa, junto ao cemitério, onde, à entrada, se localiza esta singela capela.

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Atravessámos, quase por completo, a rua central de Pajares (Payares), onde não nos escapou este espigueiro (horreo) tipicamente asturiano, como muitos outros que encontrámos ao longo do Caminho Primitivo;

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passámos pela igreja,

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até que, 100 metros depois de a termos passado, na rua de Abajo, chegámos ao albergue.

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Justina, sentada num banco encostado à parede do albergue, aguardava que a albergueira chegasse.

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Marisa não demorou a nos receber. É este o nome da albergueira de Pajares (Payares). E, tal como vem nos diferentes guias do Caminho, e testemunho de alguns peregrinos - que o diga um amigo de Florens, que numa época de mais frio, por aqui passou - Marisa é uma senhora prestável, amável, simpática, enfim, sem adjetivos para qualificar esta excelente personagem que desempenha o seu papel como uma verdadeira vocação e autêntica paixão.

 

Informados por Marisa que o albergue de Bedueños não estaria aberto, por estar em obras, e sabendo que, não gostaríamos no dia seguinte percorrer 25 Km, Marisa tudo fez para nos encontrar uma alternativa. Sugeriu-nos que ficássemos em Campomanes, num hotel ou numa pensão, pois aí nessa localidade há todos os serviços.

 

Juntamente com Florens, decidimos que, conforme a nossa resistência ou estado físico, ao longo da etapa, assim determinaríamos onde efetivamente ficar - ou em Pola de la Lena ou, então, em Capomanes. Ou seja, teríamos que, no dia seguinte, fazer 25 Km, até Pola de Lena, ou 17,3 Km, até Campomanes. Só que se pernoitarmos em Capomanes, em vez de pernoitarmos em Pola de Lena, seguimos e vamos até Mieres, andando, em vez de 15Km, 21,5 Km. Qualquer destas alternativas encurtava a nossa planificação inicial do Caminho em um dia e, assim, em vez de chegarmos a Oviedo sexta, chegaríamos na quinta.

 

Tratadas as questões burocráticas e financeiras do alojamento, depois de nos acomodarmos num compartimento sozinhos - tratamento verdadeiramente VIP - e de tomarmos banho, fomos saber do nosso almoço.

 

Marisa cuidou, atempadamente, do nosso almoço e do jantar no único bar/restaurante da localidade, sendo-nos sido servida a tradicional gastronomia asturiana, onde a «favada» não pode faltar!

 

À ida para o bar/restaurante, na mesma rua, encontrámos esta frontaria, com esta placa:

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Aqui viveu, nos tempos da sua infância e primeira adolescência, enquanto seu pai, nesta localidade, desempenhava o ofício de magistrado, Ramón Menéndez Pidal, um dos grandes filólogos, historiador, folclorista e medievalista de Espanha, de naturalidade corunhesa (Corunha, Galiza).

 

Depois de comermos, e pouco havendo mais para ver em Pajares (Payares),

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fomos para o albergue.

 

De tarde, ainda aqui deram entrada dois peregrinos italianos. Jovens como eram, fizeram uma etapa desde Pola de Gordón até aqui.

 

O resto do dia passámo-lo a lavar a roupa no albergue, a ler e conversar, enquanto a mesma não secava. Até que, aproximando-se a noite, deitamo-nos cedo para a jornada do dia seguinte que se nos afigurava a mais difícil do Caminho pela sua extensão, se bem que as duas mais difíceis e duros, pelas pendentes que tínhamos de ultrapassar, subindo, fossem as duas anteriores.


publicado por andanhos às 20:44
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