Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - La Robla-Buiza

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANCTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

01.- P4301808

3ª etapa:- La Robla-Buiza
(30.abril.2016)


De La Robla a Buiza são 14 quilómetros e 580 metros, aproximadamente. Gastámos 3 horas e 48 minutos. Andámos nas calmas.

 

Dormimos no albergue de La Robla acompanhados de duas irmãs espanholas e, chegando mais à tardinha, um peregrino alemão, de Bremen, de seu nome - Martin.

 

As duas irmãs espanholas levantaram-se muito cedo e abalaram. E nunca mais lhes vimos o rasto pelo Caminho.

 

Quer nós, quer o Florens, levantámo-nos nas calmas e, feita a higiene matinal e vestidos, dirigimo-nos ao centro de La Robla, onde, num café/ croissanteria junto à Praça da Constituição, tomámos o pequeno-almoço.

 

Regressados ao albergue, quase no final de La Robla, e mochila às costas, iniciámos a nossa etapa de hoje.

 

Não vamos referir em pormenor o percurso. Nos Guias de que já falámos em post anterior à reportagem deste Caminho, e principalmente no Eroski Consumer, vem tudo bem descrito, evitando-se, desta feita, repetições.

 

Contudo, destacamos alguns pontos que, ao longo desta nossa jornada, mais nos despertaram a atenção.

 

Assim, logo à saída de La Robla, este aqueduto.

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Conforme se pode ver, o mesmo tem colocado uma placa que reza assim, traduzindo livremente do espanhol (castelhano): “Este aqueduto, único no seu género, na província de Leão, estava a ser construído em 16 de abril de 1795, quando Gaspar Melcher de Jovellanos, de passagem por estas terras, ficou impressionado pela magnitude da obra, deixando testemunho no seu diário.
Texto: Juan José Sánchez Badiola. Aqueduto restaurado pela junta Vecinal de La Robla, ano 2002, sendo Presidente José Luis García Fernández”.

 

Passado o aqueduto, sob o qual correm as águas do rio Bernesga,

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aparecer-nos imediatamente a ponte de Ponte de Alba.

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Ponte de Alba foi muito importante noutros tempos e, alguns autores, referem a sua mais que provável relação medieval com o Castelo de Alba, onde, quem passasse poe ela, pagava portagem.

 

Hoje Ponte de Alba não passa simplesmente de um pequeno bairro de La Robla.

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Saídos de Ponte de Alba, começa-nos a aparecer, ao longe, as montanhas da Cordilheira Cantábrica e, junto de nós, a linha de caminho-de-ferro por onde, e nas suas margens, acompanhámos durante uns largos metros.

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Logo a seguir a Ponte de Alba, o primeiro povo que atravessámos foi Peredilla de Gordón

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com o casario típico leonês.

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Ultrapassado um pequeno túnel (viaduto) da linha de caminho-de-ferro,

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voltámos, mais uma vez, a acompanhar a via férrea.

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Até que chegámos à ermida/capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

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Neste santuário, que se encontrava fechado, podemos observar a sua fachada principal, protegida por uma galilé.

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Do outro lado da linha, esperava-nos um café/bar com algumas variedades de tortilhas. Provámos duas delas. Qual delas a melhor!

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Comemos.

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Ficámos deliciados. E mais aptos ainda para nos lançarmos no novo troço de Caminho que nos esperava,

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andando sempre por perto do rio Bernesga e do seu vale.

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Passámos ao lado da aldeia de Nocedo de Gordón,

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com a sua vetusta igreja e o seu caraterístico casario,

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atravessando este vale

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e passando por baixo desta enorme ponte que atravessa o vale servido pelo Bernesga, antes de subirmos até Póla de Gordón,

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acompanhados, uma vez mais, pela linha de caminho-de-ferro,

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não nos passando desapercebido este pequeno pontão que a serve

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e passando, depois, pela Subestação da Rede Elétrica de Espanha

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de Pola de Gordón.

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(Um pormenor da Subestação)


Voltando, uma vez mais, à linha férrea,

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eis, à nossa frente, o casario de Pola de Gordón.

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Atravessada a linha por um túnel subterrâneo,

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entrámos em Pola de Gordón acompanhados pelo omnipresente rio Bernesga.

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Pola de Gordón é quase uma pequena cidade, moldada por três grandes eixos que marcaram o seu mais recente crescimento: o rio Bernesga; o traçado do caminho-de-ferro e a estrada das Astúrias.


Pola de Gordón é a capital do Alto Bernesga - a Reserva da Biosfera Alto Bernesga, declarada a 25 de junho de 2005.


Para além do seu valioso património natural, do seu património cultural e paisagístico, destacando-se o Caminho da Prata, o do Salvador, a transumância e as suas minas, Pola de Gordón foi palco destacado da Guerra Civil Espanhola: as «Trincheiras de Gordón», como património bélico, aqui estão para atestá-lo.


Uma vez chegados a Pola de Gordón fomos à procura de um bar/restaurante para almoçarmos.


Pela sua rua principal desfilou perante os nossos olhos o seu típico casario

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e os seus edifícios públicos,

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como a Câmara Municipal (Ayuntamiento),

 

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(Perspetiva de esquina)

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(Perspetiva frontal)


a pequena Praça del Cano

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e, adossada ao edifício do Ayuntamiento, esta singela capela.

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Depois de comermos, e após um pequeno descanso, fomos a um supermercado comprar mantimentos para o jantar e para o pequeno-almoço do dia seguinte (pois no povo onde iríamos pernoitar não há qualquer «tienda»). E botámos pés ao Caminho, atravessando, outra vez, a sua rua principal, até que, quase no final da mesma, nos aparece a Igreja Matriz de Pola de Gordón,

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bem assim, já mesmo à saída, este belo edifício de 1927.

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Saindo de Pola de Gordón, começámos, lentamente, a entrar na montanha,

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passando pelo casario de Beberino

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e pela sua rua principal.

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Fica-nos aqui a imagem de uma aldeia nitidamente encostada ao sopé (base) da montanha.

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A partir de Beberino, então, sim, ficámos com a sensação que, andando, começávamos a ser engolidos pela montanha, entrando no ventre da Cordilheira Cantábrica, na sua Montanha Central, com o rio Bernesga, nosso fiel companheiro durante 30 quilómetros, a nos abandonar, dando lugar ao pequeno rio Casares.

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

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(Pormenor III)

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(Pormenor IV)


Ao longo da estrada, íamo-nos entretendo a observar as diferentes formações rochosas junto às bermas, com os seus singelos,

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e coloridos pormenores.

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Até que, nos aparece, no meio do nada, a ermida de Nossa Senhora do Vale, padroeira de Buiza.

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Aqui aproveitámos para fazer uma pequena pausa para descansar e bebermos água, tendo como companhia este belo e solitário cavalo, que se encontrava nos arredores da ermida a pastar.

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Outra vez com a mochila às costas, percorremos o troço final desta nossa etapa até que, numa curva da estrada, aparece-nos o casario de Buiza.

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O albergue fica logo no início da povoação.

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Trata-se de um edifício que foi Escola Primária e que hoje, à falta de crianças para a frequentar, divide o seu espaço com o albergue e uma dependência dos Serviços de Saúde para atender os «maiores» do povo.

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Parámos à entrada do albergue, enquanto não nos vieram abria a porta. O nosso companheiro Martin, que, vindo atrás de nós, fez o percurso solitário, aqui descansou um bocadinho, conversando com o Florens, e continuou o Caminho.


O albergue esteve só por nossa conta.


Fizemos a nossa higiene. Descansámos um pouco e depois fomos dar uma volta pela aldeia de Buiza.


À saída do albergue, do seu lado esquerdo, a meia encosta, e já fora do perímetro urbano da aldeia, vemos este caraterístico cemitério.

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Penetrámos no povo de Buiza - encruzilhada de caminhos - e cheio de pergaminhos na história do Camiño del Salvador,

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com casas de «filhos d’algo» já em ruínas,

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outras novas e, ainda as mais antigas, com o seu casario típico da zona.

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Chegámos até às proximidades da sua Igreja Matriz

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para melhor nos certificarmos, junto a uma fonte e um tanque,

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qual o percurso/desvio que deveríamos seguir para irmos pela «Forcadas de San Antón», ou seja, para atravessarmos a Montanha Central da Cordilheira Cantábrica, na sua parte mais alta e em que Buiza é a sua antecâmara.


Em Buiza há três alternativas de percurso: ir pelas «Forcadas de San Antón» (não aconselhável no inverno); ir por Rediezmo e, um uma terceira, por Villasimpliz (esta principalmente aconselhável no inverno por causa do nevoeiro e da neve).


No cimo da aldeia, e um pouco ao lado da sua igreja, fomos dar com esta Casa de Turismo Rural,

 

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construída com materiais típicos da região.

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No seu logradouro, este poço com esta singular decoração

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e este carro de bois.

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Da Casa de Turismo Rural esta panorâmica para a fachada lateral da igreja da aldeia e para a montanha, que começa já aqui.

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Enquanto fizemos o reconhecimento do povo e do casario de Buiza, entrámos num café, o único da localidade. Tomámos um pingo, enquanto víamos a primeira parte do jogo da Liga Espanhola entre o Real Sociedad e o Real Madrid. Numa mesa os «maiores» jogavam cartas, dando uma olhadela, de quando em vez, para a «pantalla» da televisão.


No início da segunda parte do jogo saímos do café e dirigimo-nos para o albergue, não deixando escapar mais uma típica casa do povo de Buiza.

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Chegados ao albergue, aparece-nos, finalmente, o seu albergueiro, de nome «Angel».


Paga a estadia e selada a credencial, tentámos saber como resolver o problema das refeições do dia a seguir em Poladura de la Tercia, povoação onde não existe qualquer bar ou restaurante. Apenas há uma Casa de Turismo Rural que serve comida, marcando ou encomendando com antecedência. Obtivemos o telefone da Casa Rural «El Embrujo» e marcámos duas refeições (almoço e jantar) para o dia seguinte.


Quando telefonámos para o «El Embrujo», a senhora que nos atendeu ficou admirada por amanhã só irmos fazer 9 quilómetros - que é o espaço que separa Buiza de Poladura de la Tercia. Mas é assim: este Caminho, desde o início, estava programado para, como dizem os espanhóis (repetido pelo Florens), fazê-lo «despacio».


Jantámos os dois sozinhos uma saborosa massa. Conversámos um pouco e deitámo-nos. E tudo à nossa volta era um silêncio profundo.


O dia esteve bonito, cheio de sol. E, caídos à cama, dormimos até ao outro dia como dois «anjos»...

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(Parede colorida de uma casa de Buiza)


publicado por andanhos às 16:58
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