Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Palavras soltas - Sapiens/De animais a deuses

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

Sapiens - De Animais a Deuses.jpg

 

Somos todos os dias, e a toda a hora, «acossados» pela imagem. Mesmo os mais brilhantes pedagogos não se cansam de afirmar que «vale mais uma imagem que mil palavras».


A sociedade da Informação, que temos vindo a criar, cada vez mais realça a importância do papel que a imagem tem no mundo de hoje.


Na verdade, não queremos aqui questionar a importância e o valor que a imagem tem na comunicação e na aprendizagem.


Contudo, a forma como hoje em dia a utilizamos, tornamo-la num objeto efémero, não raras vezes sem qualquer significado em termos da construção da dimensão humana, ou seja, não passa de uma pura banalidade (veja-se o que o Facebook está a fazer à imagem!...)


Mas não é só do império da imagem, utilizada de uma forma efémera e banal, que nos preocupa. É o pouco uso que lhe damos para a reflexão sobre as relações sociais, a natureza e a criatividade. Passam nos diferentes écrans que utilizamos a velocidades estonteantes... Tornámo-nos simples e compulsivos «comedores de imagens». Delas, nos tempos que correm, muito pouco nos servimos para a reflexão, compreensão e criatividade do ser humano como tal.


Por isso, pela nossa parte, ainda vamos preferindo (não abandonando) o mundo das palavras. Palavras que nos dão espaço para a reflexão/meditação necessária que hoje devemos fazer sobre o nosso viver, a nossa condição humana, nas relações com o nosso semelhante bem assim com a mãe-natureza donde provimos.


Homem da galáxia de Gutenberg, não dispensamos o papel, o livro. O seu manuseamento, intimamente, nos obriga a uma postura diferente - ler para aprender, conhecer, refletir...


Acabamos há dias de ler um livro que, verdadeiramente, nos fascinou. O seu título é: Sapiens - De Animais a Deuses (História Breve da Humanidade).


Gostaria de partilhar com o leitor as reflexões/síntese que o seu autor - Yuval Noah Harari - deixa no posfácio que leva o título de «O animal que se tornou deus»:


Há 70 000 anos, o Homo Sapiens ainda era um animal insignificante preocupado consigo próprio, num canto de África. Nos milénios que se seguiram transformou-se no senhor do mundo inteiro e num dos flagelos do ecossistema. Hoje está prestes a tornar-se num deus, preparado para adquirir não só juventude eterna como também as capacidades divinas da criação e da destruição.


Infelizmente, o domínio do sapiens na Terra produziu, até agora, pouco de que possamos orgulharmo-nos. Dominámos o meio envolvente, aumentámos a produção de alimentos, construímos cidades, estabelecemos impérios e criámos extensas redes de comércio. Mas diminuímos o nível se sofrimento no mundo? Vezes sem conta, um aumento considerável do poder humano não correspondeu, necessariamente, ao bem-estar do sapiens individual, provocando também, por norma, um enorme sofrimento a outros animais.


Ao longo das últimas décadas conseguimos, por fim, fazer um progresso real no que diz respeito à condição humana, com a redução da fome, de pragas e das guerras. No entanto, a situação dos outros animais está a deteriorar-se mais rapidamente do que nunca e os melhoramentos da humanidade são demasiado recentes e frágeis para serem certos.


Além disso, apesar das coisas espantosas que os humanos são capazes de fazer, continuamos sem ter a certeza dos nossos objetivos e parecemos estar mais desligados do que nunca. Avançámos das canoas para as caravelas, para o barco a vapor, para vaivéns espaciais - mas ninguém sabe para onde vamos. Estamos mais poderosos do que alguma vez estivemos, mas não fazemos a mínima ideia do que fazer com todo esse poder. Ainda pior: os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses autoproclamados, com apenas as leis da física para nos fazerem companhia, não somos responsabilizados por ninguém. Estamos, assim, a espalhar o caos sobre os nossos companheiros animais e o ecossistema envolvente, em busca de pouco mais do que o nosso conforto e divertimento, sem, no entanto, nos darmos por satisfeitos.


Existirá algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?”.

 

Nona


publicado por andanhos às 17:29
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