Domingo, 22 de Janeiro de 2017

Memórias de um andarilho - Caminhadas pela vias férreas abandonadas:- Linha do Sabor - 1ª etapa

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 000

1ª etapa:- Pocinho - Torre de Moncorvo

(2.abril.2012)


Introdução

 

A nossa primeira aventura, em termos de caminhadas pelas linhas de caminho-de-ferro portuguesas abandonadas ao tráfego ferroviário começou pela Linha do Tua.

 

Sabíamos que uma futura barragem poderia soterrar a parte mais emblemática da Linha, em alguns quilómetros e, então, em junho de 2009, com o nosso velho amigo Neca, e com o apoio logístico do nosso cunhado, decidimos fazê-la.

 

Todavia, apenas fizemos os troços: ascendente, do Tua - Abreiro e, no dia seguinte, o descendente, de Mirandela - Cachão.

 

Ficou, assim, no meio, o troço de Abreiro - Cachão e, depois, todo o troço que vai de Mirandela até Bragança, ou seja, um total de 94. 276 quilómetros.

 

Pensamos, nesta primavera, «cumprirmos» toda a Linha. Vamos ver...

 

Apresentámos já todas as reportagens das caminhadas ao longo da Linha do Corgo, no sentido descendente, Chaves - Peso da Régua. Falta-nos agora as reportagens das seguintes caminhadas, feitas até ao presente, pelas seguintes linhas de caminho-de-ferro abandonadas:
Linha do Douro:- Pocinho - Barca d’Alba;
Linha de Salamanca:- Barca d’Alba - La Fregeneda;
Linha do Sabor:- Pocinho - Duas Igrejas (Miranda do Douro).


Quanto a esta última Linha, já em 2013, fizemos um vídeo por cada etapa, que se encontra no Youtube. Por lapso, não fizemos o vídeo da 4ª etapa, entre Lagoaça e Bruçó.

 

Falta-nos fazer, embora descrevendo muito sumariamente, a reportagem das oito etapas que fizemos nesta Linha.

 

É, agora, o nosso presente propósito.

 

Foi nosso companheiro de caminhada, durante as três primeiras etapas, ainda mais uma vez, o nosso velho amigo Neca. Foi com ele que já tínhamos feito a do Tua, em 2009, a do Pocinho - Barca d’Alba e Barca d’Alba - La Fregeneda (Linha de Salamanca) e as duas etapas finais da Linha do Corgo.

 

A 4ª e 5ª etapas da Linha, de Lagoaça a Bruçó e de Bruçó, - Vilar de Rei - Mogadouro, de 9. 444 Km e 11. 759 Km, respetivamente, foram feitas no sentido descendente, ou seja, Bruçó - Lagoaça e Mogadouro - Vilar de Rei - Bruçó, nos dias 27 e 28 de junho de 2012, acompanhando o percurso do meu sobrinho Florens, que vinha, com um amigo e colega de profissão, fazendo a Linha no sentido descendente, desde Duas Igrejas (Miranda do Douro). Foram as últimas da Linha a serem feitas.

 

A 6ª etapa (Mogadouro - Variz - Sanhoane); a 7ª etapa (Sanhoane - Urrós - Sendim); e a, e última, etapa (Sendim - Fonte de Aldeia - Duas Igrejas), com 8. 929 Km, 12. 466 Km e 11. 341 Km, respetivamente, fizemo-las sozinho, de 30 de abril a 2 de maio de 2012, com o apoio do Tópê que, naquela altura, se encontrava em Miranda do Douro, trabalhando para a EDP no reforço de potência da barragem do Picote.

 

O nosso sobrinho-neto Edu «cumpriu» a 1ª etapa desta Linha e 1/3 da 2ª etapa.

 

Tivemos como apoio logístico, fundamentalmente no abastecimento de comida e bebidas, como dissemos, o nosso cunhado Augusto.

 

Durante estas três etapas, ficámos alojados nas Moradias Do Douro internacional, na Congida, em Freixo de Espada-à-Cinta.

 

Na véspera da 1ª etapa, dia 1 de abril, domingo, fomos ficar a casa de nossa irmã, em Loureiro, Peso da Régua, onde estavam os nossos companheiros de jornada e o homem do nosso apoio logístico, o Augusto.

 

Deitámo-nos cedo, pois teríamos que nos levantar às 5 horas e 30 minutos da manhã.

 

1.- Pocinho - Apeadeiro (técnico) da Gricha

 

O tempo estava bom para caminhar, com algumas nuvens, mas sem chuva.

 

Saímos de Loureiro, Peso da Régua, eram 6 horas da manhã. Chegámos ao Pocinho às 7 horas e 30 minutos.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 004

 
Tomámos um café no Café da Estação, onde apreciámos os seus bonitos azulejos, dos quais aqui se mostra um e...

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 009


toca imediatamente a andar.

 

Nos primeiros passos, este aspeto degradante do material circulante da Linha. Verdadeira sucata!

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 011

 
à frente dos nossos olhos, a ponte sobre o rio Douro, integrando já a extinta Linha do Sabor,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 012

 
e uma instalação fabril ligada à produção e derivados do azeite.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 012a

 
Curvámos à esquerda,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 014

 
dando de caras com este aspeto.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 017

 
Apesar do Sinal de Perigo, Proibindo a Passagem, com cautela, atravessámos a ponte.

 

Do nosso lado esquerdo, a barragem do Pocinho, logo após o nascer do sol.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 020


E deixámos para trás o Pocinho.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 021

 
Confessamos que, no começo, ao andar por cima das travessas, sentimos alguma dificuldade. Custou-nos a habituar à passada de cada lanço de travessas.

 

Verdadeiramente cansativo, de um modo especial quando punhamos os pés sobre a brita grossa.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 037


Quando podíamos, e o solo era mais cómodo e regular, íamos pelas margens.

 

De qualquer das formas, a paisagem sobre o rio Douro e sua envolvente, bem assim da Quinta de Vale Meão, com as serras ao longe e a aldeia da Foz do Sabor à nossa frente, compensava o esforço.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 042


Ao largarmos a vista sobre a Quinta de Vale Meão, no alto do monte, esta bonita capela.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 046


A páginas tantas, vemos a Linha pejada de azedas.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 046a


Neca, lembrando-se dos seus tempos de menino, debruça-se sobre elas, apanha um punhado delas e mete-as à boca.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 048


Só quando observámos bem o que estava fazendo, é que nos veio à lembrança que também, quando pequeno, assim fazíamos com os amigos, quando íamos e vínhamos da escola, apanhando-as dos muros.

 

Edu ficou estupefacto a olhar para o tio-avô. E, no andar, Neca lá que iam explicando o «pitéu» que as azedas eram, quando usadas em salada.

 

Mais à frente uma passadeira de rosmaninhos à nossa espera.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 052


E, a partir de certa altura, começa a nossa tormenta. Até aqui a Linha não nos parecia tão obstruída de vegetação como a do Pocinho - Barca d’Alba. Mas as derrocadas sobre a Linha obrigava-nos a ter de trepar sobre aquele entulho todo.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 059


Mas, como diz o ditado, «não há mal que sempre dure...». À nossa frente, uns metros mais adiante, este lindo panorama.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 067


E a presença sempre constante do rio Douro.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 069


Mas a Linha não nos dava descanso. Esta, entre outras, até era uma derrocada pequena,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 077


que, entretanto, Neca, mais entendido em questões de botânica, flora e vegetação autóctone, aproveitava para nos elucidar sobre os nomes das diferentes espécies de árvores e arbustos pelas quais íamos cruzando, ao longo do nosso percurso. Nomeadamente, esta planta - o zimbro - e a utilidade das suas vagas.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 077a


Até que chegámos ao apeadeiro (técnico) da Gricha.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 087


Tínhamos andado, aproximadamente, 6 Km, sensivelmente metade da etapa programada para hoje.

 

2.- Apeadeiro (técnico) da Gricha - Torre de Moncorvo

 

E o rio Douro não nos abandonava, bem assim as enormes parcelas de olival que se estendiam ao longo das suas margens,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 087a


com novos saibramentos,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 095


mostrando a verdadeira riqueza destas terras,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 102


denunciando a aproximação à aldeia da Foz do Sabor,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 105


e a foz do rio Sabor no Douro, com a aproximação do Vale da Vilariça.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 110


Continuámos a nossa caminhada. Mas, até ao apeadeiro (técnico) da Gricha, apesar das botas que levávamos, adequadas para aquele tipo de pavimento, custou-nos um bocado.

 

Do apeadeiro (técnico) da Gricha para a frente, o troço da Linha apresentava-se mais cómodo. Edu, contudo, já mostrava algum cansaço.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 115


Eis a primavera irrompendo com toda a sua força, vindo à frente a giesta branca (Cytisus multiflorus), bem adaptada a terrenos xistosos.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 117


Na aproximação ao Km 9, ao fundo, o casario da vila de Torre de Moncorvo.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 130


E, entre o Km 9 e o Km 10, este típico pombal, a necessitar de arranjo.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 131


Mais à frente, mais uma explicação do tio Neca quanto a este arbusto - o sumagre - com a sua utilização para fins medicinais e para a alimentação.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 136


Por entre um pequeno olival, ao Km 11, o casario da Torre de Moncorvo, com a sua imponente Igreja Matriz,

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 141


uma autêntica igreja/torre fortaleza.

 

E eis-nos chegados ao nosso términus da caminhada, início da ecopista e da nossa 2ª etapa (Torre de Moncorvo - Freixo de Espada-à-Cinta), a levar a cabo amanhã.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 143


Um quilómetro e meio antes da nossa chegada a Torre de Moncorvo, Augusto veio ter connosco, ao longo da linha, acompanhando-nos até ao Restaurante Jardim Aberto, onde almoçámos.

 

Depois do almoço, antes de irmos para as Moradias do Douro Internacional, na Congida, Freixo de Espada-à-Cinta, fomos dar uma volta pela vila.

 

Não fomos propriamente conhecer Torre de Moncorvo. O termo mais adequado seria revisitá-la e matar saudades. A esta vila liga-nos laços afetivos muito profundos. Tivemos aqui, no final da nossa adolescência e primeira juventude, um saudoso irmão que aqui fixou residência, por alguns anos. Uma filha e um filho nasceram-lhe aqui.

 

Pelos laços afetivos que a esta vila nos ligam, vamos, por isso mesmo, no próximo post da reportagem desta Linha, fazer-lhe um «Destaque».

 

Entretanto, deixo aos nossos leitores o visionamento do vídeo desta 1ª etapa que, em 2013 fizemos e publicámos no Youtube com a designação «Pelas Travessas da Linha do Sabor - 1ª etapa».

 


publicado por andanhos às 19:49
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