Quarta-feira, 24 de Maio de 2017

GRANDE GUERRA (1914-1918) - ENQUADRAMENTO INTERNACIONAL - SESSÃO PÚBLICA DE LANÇAMENTO DA OBBRA

 

GRANDE GUERRA (1914-1918)

ENQUADRAMENTO INTERNACIONAL

 

- SESSÃO PUBLICA DE APRESENTAÇÃO DA OBRA -

 

PALAVRAS FINAIS DO AUTOR

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Em primeiro lugar, um muito obrigado pela vossa presença, que muito me honra.


É, por todos sabido, que a minha área de interesse, quanto à investigação, não é a História, muito menos a História Militar, embora seja um curioso da mesma.


Razão pela qual, quando, nos inícios de 2014, me foi feito um repto, pela Presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae, Dra. Isabel Viçoso, para elaborar umas escassas 50 ou 100 páginas sobre os Heróis de Chaves na Grande Guerra, tudo fiz para me esquivar a tal “empresa”.


Mas a insistência da Dra. Isabel Viçoso foi tal que, sendo membro do Grupo Cultural Aquae Flaviae, senti, então, por imperativo ético, ser meu dever contribuir, de uma forma mais efetiva, para a atividade do Grupo.


Durante alguns meses, outra coisa não fiz que, partindo de uma lista de obras que a Dra. Isabel Viçoso me facultou, ler o mais que pude sobre a Grande Guerra.


Literatura sobre os militares de Chaves e do Alto Tâmega e Barroso é que era manifestamente escassa.


Da leitura daquela lista de obras, surgiu a necessidade de alargar mais a perspetiva.


Não sendo, repito, especialista em História e, muito menos, em História Militar, contudo, cedo me foi apercebendo que a Grande Guerra teria de ser tratada à luz de um novo paradigma, que não o tradicional, e no qual outras áreas do saber estivessem presentes.


Isto, por um lado; por outro, entendi, à luz desse novo paradigma, não falar dos Heróis de Chaves, outrossim, dos nossos bravos militares que, do Alto Tâmega e Barroso e do RI 19, partiram para os diferentes campos de batalha da Grande Guerra, em especial na Europa, Flandres.

 

***

 

Para a realização deste intento, era necessário a participação de outros intervenientes para que esta “empresa”, que me foi “encomendada”, cumprisse, com sucesso, o seu objetivo.


Foi, neste sentido, que, em boa hora, acompanhado do meu amigo Fernando DC Ribeiro, recorri ao Comandante do RI 19.


Do Comando do RI 19 tive toda a disponibilidade para me ajudar, trabalhar comigo e abrir-me as portas necessárias no Arquivo Histórico Militar, em Lisboa, a fim de obter todas as Fichas do Corpo Expedicionário Português (CEP), dos militares do Alto Tâmega e Barroso, que partiram com e para as diferentes unidades militares para a França, Flandres.


Se a Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae reflete a minha perspetiva (e dos diferentes autores a que recorri) sobre o Portugal da I República e toda a problemática da nossa beligerância, quer no Sul de Angola, quer no Norte de Moçambique, quer ainda, e principalmente, na Flandres, já os 7 Cadernos Anexos àquela Revista nº 50 é totalmente obra do Comando do RI 19, que obteve autorização para a publicação das Fichas Individuais do CEP de todos os militares do Alto Tâmega e Barroso e dos dois sargentos-ajudantes do RI 19 que, sob coordenação, as trataram. O arranjo final dos 7 Cadernos Anexos têm apenas uma modesta contribuição minha, pois todo ele é da responsabilidade da Presidente da Direção do Grupo Cultural Aquae Flaviae, Dra. Isabel Viçoso.

 

***

 

Chegado aqui, há uma pergunta que fica no ar: por que surge esta publicação que, agora, fazemos a sua apresentação pública?


Na elaboração do guia inicial do texto que se me pedia, considerei não fazer sentido abordar a Grande Guerra apenas à luz da nossa História e da nossa saga nos diferentes campos em que os militares portugueses tiveram de intervir.


Havia, pois, que, necessariamente, fazer o seu adequado Enquadramento Internacional.


Só que, das 50 ou 100 páginas pedidas, a obra estendeu-se e atingiu a soma de, aproximadamente 1 000 páginas, não compaginável para uma Revista com as características do Grupo Cultural Aquae Flaviae.


Teve, desta forma, de ficar de fora o Enquadramento Internacional, com cerca de 300 páginas.


Todavia, a leitura da Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, na minha modesta opinião, só tem sentido e se completa com este presente volume.


Em boa hora, a Gráfica Sinal - cedendo-lhe os direitos de autor -, tomou a seu cargo a tarefa de editar o presente volume, que hoje vos apresentamos.


Fica, aqui, pois, uma palavra de agradecimento e gratidão para com os senhores Manuel Ferreira e Nelso Sousa, sócios-gerentes da Gráfica Sinal, pelo arrojo em assumirem a tarefa de editarem esta modesta obra.

 

***

 

Tudo na vida é carregado de símbolos.


Se, aquando do texto para a Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, fiz questão de o depositar nas mãos da senhora Presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae precisamente no dia 31 de janeiro de 2015 - 100 anos depois do 3º Batalhão do RI 19 ter partido de Chaves para o sul de Angola, era minha intenção que esta obra fosse lançada também precisamente no dia em que a Alemanha declarou guerra a Portugal, por via do aprisionamento português dos barcos alemães e austríacos aportados nos portos portugueses, ou seja, 9 de março de 1916, 100 anos passados.


Todavia, tal apresentação não foi possível por, nessa altura, me encontrar hospitalizado.


Teve de a apresentação ser adiada e de se encontrar outra data.


E nada melhor do que o dia de hoje, em que há 100 anos, a partir da meia-noite, o nosso 1º Batalhão do RI 19 marcha, a pé, do quartel de Chaves, até à estação de caminho-de-ferro de Vidago, em direção a Lisboa e, depois, de navio para Calais e de comboio, outra vez, durante alguns dias, para a zona de operações do CEP, e distribuídos pelas diferentes unidades militares que já se encontravam em combate na Frente, na Flandres.

 

***

 

Da obra em si, já o meu querido amigo e colega, Dr. Alfredo Faustino, teve ocasião de refletir sobre as suas “virtudes”, obviamente exageradas, uma vez que não me reconheço merecedor de tais elogios.


Do seu conteúdo não vos vou falar. Esse fica para vossa leitura e análise crítica.


Uma certeza, contudo, tenho: nada na vida é definitivo; o que fiz é apenas um pequeníssimo contributo para o conhecimento de um fenómeno que tanto marcou não só a Europa daquele tempo - e não só - como moldou todo o Mundo que hoje conhecemos.


Não queria, todavia, acabar esta minha intervenção sem enfatizar o que julgo ser a grande valia e desiderato dos estudos de História - conhecer melhor o passado para preparar melhor o porvir.


E aqui estou com o nosso grande ensaísta Eduardo Lourenço, que hoje faz 94 anos, quando afirma que “perder a memória do passado é para o presente falhar o futuro”.


Como educador, que sempre me assumi, para finalizar, deixo-vos aqui as palavras que, em 2015, escrevia no Prefácio à obra que agora têm em mãos. Reza assim:


Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.


Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.


À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a sua Belle Époque.


Tudo isto simplesmente se passava à superfície.


As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo, e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um fin de siècle em que tudo poderia deixar de ser como dantes.


A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.


Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.


E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!


Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.


Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.


Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos”. Fim de citação.

 

***

 

O Mundo e a Europa em que hoje vivemos foi moldado pela Grande Guerra (I e II Guerras Mundiais).


Cremos que as palavras por nós escritas há dois anos têm pleno cabimento nos tempos por que passamos, exigindo de todos nós, numa sociedade tão outra que criámos, com novos, mas com os mesmos velhos problemas, melhores mecanismos de controlo, muita mais clarividência e lucidez, não só para evitar as calamidades, que por várias áreas do Planeta proliferam, como para vivermos numa sociedade sem hegemonias e na aceitação igual e plena das diversas diferenças. Aceitação do outro, que embora diferente, é e tem os mesmos direitos e a mesma dignidade de todos nós.


Só assim é que o sacrifício e as vidas perdidas dos nossos antanhos, há 100 anos, terão algum sentido e valido a pena.


Reitero, uma vez mais, um muito obrigado a todos pela vossa presença e pelo carinho da vossa companhia nesta hora.

 

Disse.

 

REPORTAGEM DA SINAL TV

 

 


publicado por andanhos às 20:20
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