Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho (Central) Português:- 2ª etapa - Redondela - Pontevedra

 

 

 

CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS DE SANTIAGO

 

2ª etapa:- Redondela - Pontevedra

 

- 15. Junho.2008 -

 

 

1.- AO ENCONTRO DAS RIAS BAIXAS ATÉ À CAPITAL DO CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS NA GALIZA - PONTEVEDRA - NUM DIA DE VERÃO CHUVOSO

 

Segundo o Guia que na Introdução deste Caminho referimos, e que sempre nos acompanhou, as Rias Baixas “antepõem-se como um poderoso obstáculo no avanço do peregrino pela costa galega. Os diferentes caminhos que partem de Portugal deviam ultrapassar estes estuários à procura de pontes para os cruzar, ou barcas, que prestavam serviço entre as suas margens, dado que a tecnologia medieval não permitia a construção de pontes tão soberbas como a ponte de Rande, que hoje ultrapassa a ria de Vigo”.

 

 

Desde Redondela, o Caminho (Central) Português bordeia a ria de Vigo ao encontro da Ponte Sampaio sobre o rio Verdugo para, daqui, se cruzar o braço de terreno que separa a ria de Vigo da de Pontevedra.

 

Comparada a etapa de hoje com a de ontem, esta foi como se de um simples passeio se tratasse.

 

Mas vamos ao nosso «Diário» quanto a este dia e a esta jornada:

 

“Acordei eram 4,30 horas da manhã. Não era apenas o correr das águas do ribeiro que corre paralelo ao albergue. O seu mais intenso barulho tinha uma explicação: ao levantar-me - e olhando pela janela - chovia torrencialmente. A coisa estava preta para fazermos o percurso do Caminho que hoje nos levaria até Pontevedra. Desliguei o despertador do relógio. Com este tempo assim, e como na véspera tinha combinado com o Tino, não partiríamos às 6 horas da manhã. Nem parecia um dia de verão, de tão escuro estava o céu e com tanta chuva! Voltei-me a deitar para tentar dormir mais um pouco até que o tempo aliviasse mais. Um atraso de duas ou três horas - dado o estado do tempo - não seria muito crítico: a etapa de hoje era curta - apenas 18,5 Km - comparada com a de ontem. Estávamos no verão. Logo não fazia muita diferença chegarmos mais tarde porquanto os dias são mais longos. Congeminava cá para mim estas coisas, preparando-me para passar um bocado mais «pelas brasas», enlevando-me no sono, quando eis que o meu companheiro de Caminho, por volta das 5.15 horas, se levanta, olha para a janela e, abeirando-se da minha cama, abana-me para me levantar! Debalde o meu protesto de que o tempo não estava famoso, que estava mau e muito chuvoso! Que não - dizia-me ele - respondendo-me otimista: já estive a ver, o céu já esta completamente aliviado e não chove! Que fazer? Se assim era, perante a sua insistência, há que levantar, comer um iogurte e uma peça de fruta e, depois de tomarmos um café, mochila às costas, cajado nas mãos e partir...”.

 

Acabámos, no fundo, por sair quase à mesma hora do dia anterior.

 

 

2.- TRAÇADO DA ETAPA

 

 

 

3.- DESNÍVEIS DA ETAPA

 

 

 

4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA

 

 

4.1.- De Redondela ao Alto da Lomba

 

Saímos do albergue sem chuva, embora com o céu muito nublado.

 

Atravessámos a Praça Alfondiga onde, a poucos metros, temos a emblemática Igreja de Santiago,

 

(Relógio da torre - Pormenor)

 

(Santiago Cavaleiro na fachada principal da Igreja)

 

passámos pelas ruas do Cruzeiro, do Loureiro e da Picota, com os seus espigueiros,

 

 

por debaixo do viaduto de Pontevedra,

 

 

inaugurado em 1884, e por onde, todos os dias, passam os comboios que circulam entre Vigo e Pontevedra. Nesta localidade ainda existe um outro, mais antigo, também com a mesma finalidade - o de Madrid; por isso, a Redondela lhe chamam a «vila dos viadutos», e que, por sinal, estão classificados, como imóveis de interesse cultural desde 1978. A partir daqui, descendo, fomos ao encontro da estrada nacional N-550, cruzando-a junto da fachada da capela barroca de Santa Mariña, também conhecida por capela das Angústias.

 

 

Abandonámos Redondela pela rua do Campo de Futebol para, logo de seguida, penetrarmos nos terrenos da paróquia de Cesantes. Por estas bandas, ao longe, via-se o Castelo de Sotomaior, que, mais adiante, faremos uma breve referência. E começamos a subir. Passámos por uma pequena ponte sobre o rio Raxeiro e sobre a linha de caminho-de-ferro em Cesantes e, depois de voltarmos a atravessar a E-550, a páginas tantas, e sempre a subir em elevação moderada, ultrapassámos um bonito mas breve bosque, no Caminho Real de Cesantes, que desemboca no Caminho de Abreavella, para voltarmos a reencontrarmo-nos com a E-550. Aqui há intenso tráfego, por isso, há que ter muito cuidado. E, depois de um cruzamento, entrámos na paróquia de O Viso, mais em concreto, no lugar de Tuimil. Passámos por uma fonte de pedra e um parque (de merendas) e, continuando a subir, alcançámos o cume - Alto da Lomba, com a altitude de 181 m -, (também conhecido por Alto do Viso?). À nossa esquerda, podemos ver as ruínas da Casa da Mina ou antiga «Casa de Postas» (estação de Malaposta) - lugar que antigamente era utilizado para descanso, aprovisionamento e mudança de cavalgaduras.

 

As minhas pesquisas, até ao momento, foram infrutíferas no sentido de saber exatamente onde fica o lugar que tem a designação de «Eido da Raíña» e se o «Eido da Moura» ou o Alto do Viso se se referem os três nomes à mesma realidade (ou lugar).

 

Compulsei as «Memórias dos meus Caminhos a Santiago - via Compostela», aliás um relato muito completo do Caminho Central Português, desde Valença do Minho, que o meu querido amigo, e companheiro do Caminho Francês, Emídio Almeida, um grande aficionado da história dos Caminhos de Santiago, fez naquele ano de 2008, entre os dias 15 a 19 de Março e que, para o efeito, os(as) caros(as) leitores(as) poderão consultar no seguinte  sítio da internet - http://www.caminhodesantiago.com.br/members/livros/memo_cam_santiago_emidio.pdf, mas não encontrei resposta!...

 

Em contacto, via correio eletrónico, com um amigo dos amigos do meu amigo Emídio Almeida, Luís Freixo,  eis a resposta que obtive:

 

“(...) Referente ós topónimos “Eido da Moura” e “Eido da Rainha”, localicei o primeiro déles na Parroquia de Soutoxuste no Alto da Lomba, entre Cesantes e Arcade; nao asim o segundo, mesmo que acredito que debe ser em lugar diferente, mesmo que muito próssimo do primeiro. O Arqueólogo Municipal acha mais ben relacionados con nomes frquentes na fantasía popular, nas redondezas dos asentamentos castrejos prerromanos”. E que vinha acompanhada de dois mapas que aqui deixamos e do sítio da internet onde obteve a respetiva informação - http://redondelaarqueologica.blogspot.com.es/2008/11/notas-sobre-arqueologa-de-redondela-iii.html e que , para o efeito, reproduzimos um dos mapas:

 

 

Mas, em concreto, onde fica o «Eido da Raíña», positivamente ficámos sem saber!

 

 

4.2.- A rainha Santa Isabel no Caminho

 

Embora o Guia do Caminho Central Português - Lisboa/Santiago, da Associación Galega Amigos do Camiño de Santiago, a páginas 53, fale no «Eido dos Mouro» e, por outro lado, o nosso Guia, já atrás referido, falar em «Eido da Raíña», o certo é que o nome «Eido da Raíña» é uma nítida alusão à peregrinação que, por duas vezes, a nossa Rainha Santa

 

(Busto da estátua da Rainha Santa no largo do Mosteiro de Santa Clara a Velha)

 

fez a Santiago de Compostela: a primeira - feita a pé só nos últimos quilómetros antes de Santiago - logo após a morte de seu marido, o rei D. Dinis, em 1325, ainda com o título de «rainha», embora nessa altura já reinasse D. Afonso IV; a segunda, e segundo reza a Crónica Del’Rei D. Afonso o Quarto, um ano antes da sua morte, em 1335 “para ganhar o jubileo”.

 

Aqui fica uma pequena relíquia - o báculo e o bordão de peregrina -

 

 

que na primeira peregrinação lhe foi oferecido pelo arcebispo de Santiago de altura à Rainha Santa e que, em 1612, aquando da abertura do túmulo da Rainha Santa, com o objetivo de proceder à recolha de provas para a sua canonização, se encontrava junto dos seus restos mortais, e a seu pedido. O túmulo é uma peça funerária gótica, ricamente trabalhada, que está no Mosteiro de Santa Clara a Velha, em Coimbra.

 

(Túmulo da Rainha Santa no Mosteiro de Santa Calara a Velha, Coimbra)

 

(Pormenor da cabeça da estátua jacente no túmulo)

 

Por outro lado, Vitor Manuel Adrião, na sua obra Santiago de Compostela - Mistérios da Rota Portuguesa, 2011, da Dinapress, diz-nos que, a páginas 127 do primeiro tomo de Las Peregrinaciones a Santiago de Compostela, consta o seguinte texto: “Havia bordões de diferentes classes e alguns luxuosos como o que ofereceu o arcebispo de Santiago à Rainha Santa Isabel de Portugal, quando esteve em Compostela, e com ele foi enterrada mais tarde”.

 

E já que estamos a falar do Caminho Central Português de Santiago, e da obra de Vitor Manuel Adrião, não gostaríamos de deixar passar em branco esta oportunidade para referir uma passagem do texto que a agência noticiosa Lusa publicou aquando da apresentação daquela obra deste autor, a 5 de Maio de 2011: “Os caminhos da peregrinação a Santiago de Compostela foram a base principal da evolução social europeia pela inter-relação espiritual, cultural e política das multivariadas culturas que nele encontravam e acordavam peregrinar para o fim comum: o abraço da devoção ao Apóstolo de Cristo sobre o túmulo na capital da Galiza, acalentada pelas estrelas da estrada de Santiago”. Vitor Adrião ainda refere que, de todos, o mais antigo é o Caminho Português. Contudo, o Caminho Francês é o itinerário mais famoso, por absorver a maioria dos caminhos europeus que se dirigiam à cidade de Santiago, atravessando o Nordeste de Espanha. Por isso, em 1987 foi reconhecido pelo Conselho da Europa como «o primeiro itinerário cultural europeu», cuja fama de tolerância e aceitação universal já corria pela Europa e o mundo no século XIII.

 

 

4.3.- Do Alto da Lomba a Arcade

 

Conforme gráfico de desníveis reproduzido acima, nesta etapa temos duas subidas com alguma dificuldade: a primeira - do Alto da Lomba; a segunda - do Alto de Canicouva.

 

A subida pelos lugares da paróquia do Viso, percorrendo Fonte Outeiro de Penas leva-nos até ao Alto da Lomba. Contudo, apesar da sua dificuldade, foi acompanhada por uma espetacular vista sobre a imensa ria de Vigo, com a ponte de Rande ao longe, a ligar as duas margens entre Cabanas e Domayo, a foz do rio Alvedosa-Maceiras, quando se junta à ria e à sua bela ilha de San Simón (São Simão).

 

 

Depois de Tuimil começou a chover copiosamente. E daqui até Pontevedra a chuva nunca mais nos largou. Chegámos a Pontevedra completamente encharcados.

 

A partir do Eido da Raíña (e/ou Eido da Moura?), de “Soutoxuste e «Castriño», todos eles na parroquia do Viso”, inicia-se a descida para Setefontes na companhia de pinheiros e eucaliptos, que são os «reis e senhores» deste espaço, passando pelo Alto da Cabaleira, por Casteira e Xesteira. Nestas bandas a vista é também muito bonita, com uma esplêndida panorâmica sobre a ria de Vigo, à esquerda, salpicada de casas espalhadas pela encosta da montanha que bordeja a ria.

 

 

Contudo, o espetáculo acaba quando, finda a descida, vamos mais uma outra vez à E-550 e abeiramo-nos do asfalto que nos leva a Arcade.

 

 

Arcade, pertencente ao concello de Soutomaior, é uma localidade grande. Atravessámo-la pelas ruas dos Lameiriños e de Rosalía de Castro.

 

Neste percurso urbano aparecem-nos humildes e singelos motivos jacobeus como este:

 

 

Do património de Arcade consta a Igreja de São Salvador, templo barroco, do século XVIII, e a Igreja de Santiago de Arcade, uma referência jacobeia, de traça românica, do século XII, embora muito alterada por obras e reformas posteriores. Chovia bastante, e porque não estavam no nosso itinerário, não as visitámos. A 4 Km de Arcade pode-se visitar o Castelo de Soutomaior,

 

 

um paço/fortaleza dos mais ilustres da Galiza, herdeiro de uma torre defensiva do século XI. Teve seu esplendor no século XV com Pedro Álvarez de Soutomaior, poderoso senhor feudal que se destacou na repressão da revolta dos «irmandiños».

 

 (Um aspeto dos jardins do castelo/fortaleza)

 

Embora não tenhamos passado por ali, pelo seu interesse histórico e arquitetónico, deixa-se, porém, duas fotos tiradas noutra ocasião quando, andando por aquelas bandas, o fomos visitar.

 

 

4.4.- Pontesampaio

 

Atravessada a localidade de Arcade - terra famosa pelas melhores ostras da Galiza - e, descendo, vamos ao encontro da Ponte Sampaio.

 

(Tino dando início à travessia da ponte protegido conta a chuva) 

 

Voltamos, outra vez, ao nosso Guia, que sempre, como já dissemos, nos acompanhou durante o Caminho:

 

 

“É uma das mais famosas e bonitas pontes do Caminho Português, inaugurada em 1795 para se passar da ria de Vigo, na foz do rio Verdugo. Tem dez arcos de pedra com talha-mares de ambos os lados.

 

 (Ponte de Sampaio com o aglomerado de Pontesampaio em frente)

 

 (Ponte de Sampaio com os seus talhamares)

 

Em 1809 foi cenário de uma importante batalha na qual o povo armado travou as tropas napoleónicas comandadas pelo marechal/general Ney, durante a Guerra da Independência. As tropas de Ney chegaram à ponte vindas de Pontevedra a 6 de Junho com a intenção de reconquistar Vigo. Contudo, do outro lado, deram com um regimento popular formado por vizinhos de Cotobade, Ponte Caldelas e Caldevergazo e dirigido por alguns oficiais, clérigos e fidalgos que lhes fizeram frente. A 7 de Junho a artilharia francesa abriu potente fogo e a cavalaria procurou, por três vezes, ultrapassar o rio. Foram, porém, barrados os franceses em todas as três tentativas pelos fortins e trincheiras abertas pelos espanhóis do outro lado. O general/marechal Ney procurou então atravessar o rio em Ponte Caldelas, mas também aqui fracassou. No dia 9 de Junho retirou com todo o seu exército e a ocupação napoleónica na Galiza começo a declinar. Segundo o Presidente da Associação Provincial dos Heróis da Guerra da Independência 1809 - Pontevedra, este feito, na Ponte Sampaio, «é o episódio mais parecido com Waterloo na história de Espanha». Várias placas à entrada da ponte

 

 

 recordam este feito”.

 

 

Dois ou três quilómetros após a saída de Redondela, André, um peregrino solitário, acompanha-nos até Pontesampaio. A partir daqui, perdemo-lo de vista. Pessoa muito circunspeta e reservada. E de trato simples.

 

 

4.5.- De Pontesampaio ao Alto de Canicouva

 

A partir de Pontesampaio inicia-se a nossa segunda subida «de peso» que nos levará ao Alto de Canicouva.

 

O povoado ou bairro de Pontesampaio fica do outro lado da ponte, já pertencente ao «ayuntamiento» de Pontevedra.

 

 

Abandonámos Pontesampaio, por entre as íngremes ruelas da povoação, até que chegámos a Ponte Nova, por entre veigas e prados do lânguido rio Ulló.

 

Contudo nós não passámos pela Ponte Nova, seguimos um desvio. A razão é simples: a 22 de Outubro de 2006, uma cheia («riada» para os espanhóis) derrubou por completo o já frágil arco com uma passarola de madeira em escadas.

 

 

Estava, nesta data, a ponte ainda a ser reconstruída.

 

Reproduzimos aqui um texto da época, da La Voz de Galicia, no qual se relata o evento:

 

En la avenida de agua de aquel otoño se vieron afectados puentes como el de Pozo Negro, medieval, unido a la Casa da Muiñeira; el de Ponte Nova, que forma parte del Camino de Santiago Portugués; o el puente de O Río en Vilar. Sucumbieron también a la avenida de agua 18 molinos tradicionales que se distribuían por el cauce del Ulló, y de los que sólo cuatro quedaron en pie”.

 

Na imprensa regional da época, os autarcas e associações de vizinhos ao longo do rio Ulló não se cansaram de apelar às autoridades, quer a nível provincial (Pontevedra) quer do governo central, para os ajudarem a recuperar este valiosíssimo património cultural (arquitetónico e etnográfico) de grande valia. Eis, aqui, no que à Ponte Nova se refere, o que resultou da sua proposta de reconstrução e que foi objeto, inclusive, de uma  referência na conceituada revista espanhola do Colégio de Engenheiros de Caminhos, Canais e Portos, nº 92, 2011,pág. 38, (http://www.ciccp.es/revistait/portada/img_portada/issue_578/pdf/IT92%20Total.pdf , sítio da internet onde podemos acessar).

 

 (Ponte depois da cheia de 2006 e proposta de reposição do Caminho)

 

e o que foi executado:

 

(Uma perspetiva da atual ponte, já reconstruída)

 

 (Uma outra perspetiva da atual ponte, já reconstruída)

 

O Caminho, a partir daqui, e ao longo de Brea Vella de Canicouva e atá ao Cacheiro (cota de 215 m), pelo estado do seu trilho, e composição do mesmo, denuncia antiguidade.

 

 

E não estaremos muito longe da verdade ao considerarmos que o Caminho, neste troço, integrava a via romana XIX que de Braga ia até Astorga. A eventualmente confirmar-se, como tudo indica, o nosso ponto de vista, está a descoberta de dois miliários: um, em Arcade, dedicado a Caracala (ano 214); outro, no vale de Ulló, em memória de Adriano (ano 134). Durante a longa, íngreme e prolongada, mas aprazível subida, porque ladeada de carvalhos e pinheiros, encontrámos vestígios da calçada romana: nas pedras usadas não só no lajedo do Caminho que seguíamos como nos muros das «quintas» e propriedades confinantes com o troço do Caminho.

 

 

Não nos restam muitas dúvidas que as pedras dos muros foram obtidas pela calçada, ao longo dos tempos, pelos proprietários dos terrenos para as dividir de uma forma mais acessível e menos dispendiosa.

 

 

4.6.- Do Alto de Canicouca a Pontevedra

 

Transposto o Alto de Canicouva, e ao entrarmos em terrenos da paróquia de Figeirido, o Caminho dá lugar a campos de cultivo, pomares e vinhas, até aos arrabaldes de Pontevedra.

 

Percorridos sensivelmente 11, 12 quilómetros, e depois de ultrapassadas as povoações de Bergunde, Boullosa, Alcouce e Santa Comba de Bértola, passámos pela capela de Santa Marta,

 

 

uma singela ermida rural com um cruzeiro na porta, que data de 1617.

 

Estávamos já muito próximos de Pontevedra, a uns escassos três quilómetros e, pelo asfalto, passámos pelo lugar de O Pobo, Casal do Rio, Alcouce, Lusquiños e Marco para, logo de seguida, à nossa direita, darmos com o albergue de peregrinos de Pontevedra, designado «A Virgem Peregrina», logo à entrada da cidade.

 

 

4.7.- Pontevedra

 

De Redondela a Pontevedra demorámos quase quatro horas e meia, fazendo uma média de 4Km/hora.

 

Encharcados pela chuva abundante que caía,

 

 

dirigimo-nos, de imediato, ao albergue mas, àquela hora - sensivelmente meio-dia e meia - estava fechado! Só às 3 horas da tarde é que abria. Ficámos dececionados!

 

Não tivemos outro remédio senão, dirigindo-nos à «Taverna da Avoa» (Taverna da Avó), estabelecimento do outro lado da estrada, em frente ao albergue, propriedade de uma conterrânea transmontana, de Bragança, e, na casa de banho, exígua, procedermos à mudança de roupa!

 

Enxutos no corpo, mas vazios de estomago, aqui consolámo-nos com duas doses soberbas de «pulpo a la feria» e de uma boa dose de queijo de Arzua, acompanhadas de muita garrafa de cerveja.

 

 

O célebre vinho Alvariño ficou para o jantar...

 

No intervalo de uma aberta saímos da «Taverna da Avoa» para dar uma volta pelas redondezas. Aliás, aqui bem perto, numa pequena  praça onde se situa o Centro de Arte Jaime Trigo, num lugar bonito e muito aprazível,

 

 

demos com estas estas esculturas ao ar livre, do qual lhes deixámos aqui duas fotos:

 

(«Cabeza Amistosa», de Ramón Conde, 1999)

 

 

Com medo de mais uma «molha», ficámo-nos por aqui e pela estação de autocarros que fica à beira do albergue.

 

 

No edifício dos autocarros fica a loja «Coronel Tapioca». Entrámos nela para ver o que havia. O Tino comprou um impermeável e uma faca; eu comprei duas «toalhas de viagem» para caminheiros: uma, de banho e a outra, de rosto.

 

E tanto queríamos dar uma volta pela cidade!... O tempo de chuva «mandou-nos» de volta à «Taverna da Avoa» até que o albergue abrisse.

 

Logo que se aproximou a hora, dirigimo-nos para o albergue - aliás umas instalações bonitas e com ótimo aspeto - e,

 

 

como o tempo não estava propício a «aventuras», não saímos do albergue senão para jantar.

 

(Escultura em bronze com um tema bem jacobeu)

 

Tomado banho, posta a roupa a secar e cuidando das «burras» dos pés,

 

 

deitámo-nos um pouco a descansar, ouvindo a chuva a cair.

 

Pelas 19.45 horas, assistimos, no albergue, pela televisão, ao jogo de futebol entre Portugal e a Suiça (Euro 2008).

 

Depois do jantar viemos logo para o albergue e, até por volta das 23 horas, fiquei a ler umas páginas mais dos «Bichos», de Torga e a ouvir música ... celta, «por supuesto»! Até que a pouca chuva que entretanto ia caindo me ajudou a «enlevar» no sono, de uma assentada até ao outro dia...

 

 

Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].


publicado por andanhos às 17:10
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