Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho (Central) Português:- 1ª etapa - Valença do Minho-Redondela

 

CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS DE SANTIAGO

 

1ª etapa:- Valença do Minho (Portugal) - Redondela (Galiza)

 

- 14. Junho.2008 -

 

 

 

1.- MAPA GERAL DO TRAÇADO DO CAMINHO

 

 

 

2.- TRAÇADO DA ETAPA

 

 

 

3.- DESNÍVEIS DA ETAPA

 

 

 

4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA

 

4.1.- Saída de Valença do Minho e Tui

 

O pessoal do hotel onde ficámos alojados em Valença foi muito simpático: sabendo que, dali, iriamos, muito cedo, iniciar o Caminho, quando nos levantámos - às 5.45 horas da manhã - tinham-nos posto, àquela hora, a mesa do pequeno-almoço para não sairmos daquele estabelecimento com o estômago vazio.

 

Saídos do hotel e, entrando no exterior do perímetro da Fortaleza de Valença, eis o panorama que se abrange de Tui e do seu centro histórico:

 

 

Descendo em direção à Ponte Internacional rodo e ferroviária, deixámos a Fortaleza,

 

 

com o seu casario no meio, nomeadamente a Pousada de São Teotónico, que se avista deste lugar, para entrarmos na célebre e antiga Ponte de ferro que liga Valença do Minho a Tui.

 

 

O sol, nesta hora do dia, começava a despontar. Eram 6.10 horas da manhã quando atravessámos a Ponte e demos com o primeiro marco jacobeu que nos indicava a distância a percorrer, daquele lugar, até Santiago de Compostela - 115, 454 Km.

 

 

Pelo menos é assim que no «Diário», que pela primeira vez fiz ao longo dos Caminhos de Santiago, reza e que, nas partes que a esta reportagem interessam relatar, procurarei acompanhar.

 

Subimos ao cimo de Tui - e do seu centro histórico - com a altaneira Torre Sineira da Catedral.

 

 

Tui tem trechos antigos, típicos,

 

 

e medievais, bem assim monumentos que valem a pena ser visitados e fotografados: é a Praça do Concello; o Convento das Clarissas; a rua Tide; a rua Antero Rubín; O Seminário Conciliar e o Convento de Santo Domingo,

 

 

entre muitos outros.

 

Já quase à saída da cidade, esta fonte e lavadouro público

 

 

e o nicho com a imagem de São Telmo, padroeiro de Tui.

 

 

Não podemos deixar aqui de referir, pela sua importância arquitetónica e pela sua antiguidade, a Igreja e Convento de São Bartolomeu.

 

(Imagem de São Bartolomeu na fachada frontal da Igreja)

 

 

(Torre Sineira da Igreja de São Bartolomeu)

 

(Cruzeiro no Largo da Igreja)

  

(Traseira da Igreja de São Bartolomeu, em estilo românico)

 

4.2.- De Tui até ao Porriño

 

Deixámos a cidade de Tui com estas «singelas» alminhas» e,

 

 

logo de seguida, por um marco, somos informados que pisamos num troço que, no passado, foi a calçada romana que ligava Braga a Astorga (a via XIX, segundo o Itinerário Antonino),

 

 

passando por Santiago de Compostela.

 

Agora, depois de passado o velho burgo, e seguindo troços da antiga via romana XIX, a paisagem é tipicamente rural e de bonitos bosques. Em pouco tempo fomos ao encontro da Ponte da Veiga sobre o rio Louro,

 

 

de origem medieval; contudo, não a atravessámos, seguimos, pelo lado esquerdo, em frente, continuando por um bonito troço rodeado de carvalhos.

 

Percorrendo bosques, atravessando o casario de A Telleiras e Paredes, e partes da via romana XIX, fomos desembocar à capela (ou ermida) da Virgem do Caminho.

 

 

A partir daqui o asfalto marca mais a sua presença, com percursos e atravessamentos da estrada provincial (PO-342) e da autoestrada (AP-6) até que chegámos a um dos mais típicos e históricos lugares deste Caminho - a Ponte das Febres,

 

 

de apenas um arco singelo e com uma plataforma de madeira.

 

Qual a importância deste lugar? Segundo reza a história, foi aqui que São Telmo, patrono de Tui, foi atacado pela(s) febre(s) e ficou doente quando, em 1251, fazia o seu Caminho (peregrinação) até Santiago de Compostela. Levaram-no de regresso à cidade de Tui e ali faleceu. Neste local estão um marco, com dedicatória, e um cruzeiro a atestar o facto histórico que se acaba de relatar.

 

 

Aqui, eu e o meu companheiro Tino, fizemos uma pequena pausa não só para ler

 

(Dedicatória do marco alusivo a São Telmo)

 

como para «digerir» e assimilar a importância histórica deste lugar como para tirarmos umas fotos, comer uma barra de cereais e descansar um pouco à sombra das árvores que, aqui, ainda mais abrilhantam o lugar. Havia que aproveitar esta pausa pois muito asfalto estava à nossa espera.

 

Passámos pela aldeia de Magdalena e, seguindo por uma estrada sinuosa, desembocámos no Calvário da Madalena,

 

 

com cinco cruzeiros, até que chegámos a Ribadelouro, com a sua Igreja e o seu Centro Cultural.

 

Tino, um aficionado da natureza e da botânica, e de tudo quanto à ruralidade diga respeito, não se cansava de tirar fotografias aos mais pequenos pormenores e particularidades da mãe-natureza. Eu, um pouco mais urbano que ele, fiquei-me pelas formas (flores)

 

 

que mais me encheram os olhos, como esta bela «datura».

 

 

Orbenlle estava já próxima, com a sua ponte,

 

 

ou do pouco que ainda lhe resta e o seu rio.

 

 

A partir daqui, em pouco tempo, estávamos a atravessar uma enorme, extensa reta de asfalto, de quase três quilómetros de comprimento: era a área do Polígono Industrial de «As Gándaras», de Porriño, que nos levaria até ao seu centro urbano.

 

 

O progresso aqui «matou» a história, ou melhor, fez outra história bem diferente: em vez dos artesãos de antanho para nos venderem (ou arranjarem) as sandálias e as alpergatas bem assim os ferreiros e correeiros para «recauchutarem» as patas dos cavalos e mudarem os arreios já gastos das bestas, outra coisa não vemos senão uma enorme «maré» de outras «cavalgaduras», com outros e potentes «cavalos», a lembrar-nos que estamos noutros tempos, que a Idade Média já passou há uns bons séculos! E eu, «ruminando» por dentro, falando «com os meus botões», intimamente respondia: “aquilo a que chamamos hoje em dia progresso não é tudo! Fez-se (e continua a fazer-se) à custa de muita paz, bem-estar, utopicamente prometidos para a grande maioria das pessoas, e pouca qualidade de vida para a humanidade! A atestá-lo estão os dois grandes conflitos mundiais; a guerra fria; os constantes conflitos regionais, prenhes de genocídios e etnocídios, que a todos, individual e coletivamente, nos devem envergonhar como seres humanos. É certo que muitas coisas foram melhorando, mas que Homem estamos construindo quando uma economia, capitalista, assente na maximização do lucro, e reduzindo a grande maioria da humanidade a um simples objeto de compra e venda, simples mercadoria, no império do dinheiro, (que tem mais valor que a pessoa), que significado construímos para a nossa existência neste planeta? E falando de planeta, o que estamos a fazer, com o dito progresso, à mãe-natureza donde provimos?”

 

Eram estas as lucubrações que, ao longo daquele longo e enfastioso asfalto fazia. E, pisando por ele, «aviltado» pelo «progresso», refletia sobre a necessidade de um novo regresso às origens, à procura do que fomos - e somos - feitos, ao encontro da humanidade que algures, em algum canto ou esquina, nos esquecemos de cuidar. Humanidade que só tem e faz sentido nos precisos termos em que entendamos o papel fundamental da Natureza para o ser humano e a saibamos respeitar. Porque, para o género humano ela é a mãe, matriz, nicho básico e fundamental donde provimos!

 

Mal acabava estas minhas divagações interiores, uma voz a meu lado: “Toninho, vamos descansar aqui um bocadinho junto àquela capelinha e na sombra daquela relva; estou «lixado» dos pés; o asfalto deu cabo de mim e estou com «bolhas» nos pés; por isso, tenho de as tratar!”.

 

Como que desperto de um sonho que me levou para outro tempo, respondi, instintivamente, a meu sobrinho: “pois, Tino, vamos descansar um bocadinho e tratar desses pés”. Estávamos à entrada de cidade de Porriño.

 

Sentados à sombra, na relva, que rodeava aquela singela capela da Virgem da Guia,

 

 

Tino, com a perícia que lhe vem do conhecimento e trato com as «artes» e cuidados da saúde, «aliviou» as suas «burras» (bolhas)

 

 

enquanto eu descansava um pouco.

 

Comida uma peça de fruta por cada um, mochila às costas, preparámo-nos para atravessar a cidade, indo ao encontro do Chao das Pipas, subindo até Rúa (Mos).

 

Tino, entretanto, e perante o meu «cúmplice» silêncio, entra na capelinha, cuja porta se encontrava aberta, olha demoradamente para a talha e imagens sobre o seu altar

 

 

e, a um canto, onde se encontrava um «porta-velas» com algumas acesas, pega numa e acende-a.

 

 

Naturalmente não lhe «procurei» da(s) sua(s) «intenção(ões») pois cada qual tem as suas «devoções» e há que simplesmente respeitar. Creio ter-mas revelado, contudo, tratando-se de coisas tão pessoais e íntimas, minha curiosidade não deu para a(s) fixar. O foro íntimo para mim é sagrado!

 

Atravessámos o centro urbano de Porríño e, dessa travessia, ficam aqui três apontamentos.

 

O primeiro, o edifício dos Paços do Concelho (Ayuntamiento).

 

 

É da autoria do arquiteto local Antonio Palacios, edificado entre 1921 e 1924; trata-se, como alguns autores dizem, de um «pastiche» eclético, com uma grande torre «defensiva», no qual se destaca não só o seu pórtico e varandas neo-românicas como também incorpora elementos neogóticos, apresentando, desta feita, como as catedrais-fortaleza medievais, como a de Tui, tiveram influência e inspiração neste arquiteto porrinhense.

 

O segundo apontamento - o monumento ao arquiteto Palacios,

 

 

em frente ao edifício por si concebido, na rua que leva o seu nome, feito por Gorzgorz Polak.

 

O terceiro e último apontamento - a «pose» do meu companheiro Tino

 

 

numa das arcadas características de Porriño.

 

4.3.- De Porriño a Redondela

 

A partir de Porriño, como já referido, começámos a subir para Chao das Pipas e Rúa (Mos). Eu comecei a estugar mais um bocadinho o passo. Tino, e as suas «bolhas» começaram a ressentirem-se. Desacelerei um pouco o passo, passando ele a marcar o ritmo.

 

Chegados a Rúa (Mos),

 

 

uma ligeira paragem para ver a sua Igreja Matriz, ou de Santa Eulália (ou Baia),

 

 

do século XVI, com traça barroca, o seu cruzeiro

 

 

e, muito perto da Igreja, o Palácio de Mos (ou Pazo dos Marqueses de Mos),

 

 

um bonito exemplar da arquitetura civil galega do século XVII.

 

Pensávamos que aqui acabava a subida mas ainda havia um pouco mais para trepar. Subimos até ao monte de Santiago de Antas, com uma ermida dedicada a Santiago Cavaleiro e, depois de passarmos pelo «singular» Cruzeiro dos Cavaleiros,

 

 

policromado, do século XVIII, deparamo-nos com um marco de pedra alusivo ao Caminho Português

 

 

bem assim à via romana XIX que por aqui passava. A nossa subida estava, aqui, praticamente realizada, mesmo junto à capela designada de Santiaguinho.

 

Mais à frente passámos por um miliário da via XIX, de Vilar-Guizán-Louredo (?).

 

 

A partir daqui entrámos no concelho de Redondela. E começámos a encetar uma entediosa descida até Redondela, por asfalto. Conforme «diz» o meu «Diário», a descida era muito acentuada e senti alguma dificuldade, tanto mais que sentia já ter feito uma ou duas «bolhas» nos pés e, por outro lado, o cajado que levava - que me foi dado por meu filhote Tópê no último Natal - fez-me duas «burras» nos dedos da mão esquerda.

 

Ao longe, na descida, avistava-se a Ria de Vigo.

 

 

Sensivelmente a um quilómetro de Redondela, comecei a sentir cansaço mas, com a perspetiva de Redondela já à nossa frente, esta sensação foi-se lentamente desvanecendo.

 

Entrámos em Redondela pelo Convento de Vilavella - antiga fundação de 1554,

 

 

no qual residiam freiras de São Lourenço Justiniano, mais conhecidas por «justinianas» -, passámos pela Casa do Concello

 

 

e pela rua Pai Crespo e, logo de seguida, tínhamos o albergue à nossa frente, um edifício mais conhecido pela Casa da Torre, na Praça da Torre.

 

 

Tratadas as questões burocráticas com a nossa estadia no albergue, fomos tomar banho e descansar um bocado nestas ótimas instalações.

 

 

Depois de um repouso de três quartos de hora, de uma etapa dura em comprimento, saímos do albergue para irmos dar uma volta pelo centro urbano.

 

Fomos desembocar na Praça José Figueiroa.

 

 

Bebemos umas «cañas», acompanhadas de umas «tapas» e, numa das esplanadas da Praça, estivemos a ver o jogo de futebol entre a Espanha e a Suécia (Euro 2008).

 

Depois do jogo de futebol, fomos fazer compras para comermos à noite no albergue.

 

Depois do jantar não saímos mais. Cada um escreveu as suas «notas» do dia e, antes de dormir, li umas poucas páginas dos «Bichos», de Miguel Torga, e ouvi um pouco de música do album «El Bosco», de Amistades Peligrosas.

 

A partir das 10 horas da noite não dei mais conta do tempo a passar até que, de madrugada, só acordado por um ruído maior no rio que passava ao lado do albergue e por uma chuva intensa que caía.

 

Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

(A fada e o dragão, de Xaime Quesada)

[Monumento dedicado aos poetas, cantores e trovadores da Ria de Vigo, Martín Codax, Pero Meogo, Mendiño e Paio Gomes Xariño]

 


publicado por andanhos às 15:14
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