Domingo, 22 de Dezembro de 2013

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho do Norte - 7ª e última etapa

 

 

 

 

CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO NA GALIZA

 

22. Dezembro.2007:- 7ª etapa - Pedrouzo (Arca - O Pino) - Santiago de Compostela

 

 

 

El camino regresa recobrándose, recobrando el instante del adió,

ahora del encuentro.

 Regresa a los ojos, a los oídos, al alma, a la memoria del alma.

¿Quedará lejos la aldea? Puede saber que no por las luces que se esparcen allá abajo.

 

- “Los pasos de tu partida vuelven, hasta el origen, en los pasos de tu retorno.

 Vas bien por donde vas, viajero”.

 

- “Pero no podrás llegar”.

 

El camino regresa perdiéndose en la noche, en el frío pasto de la luna.

 

- “Porque la aldea que buscas, esa de un poco más abajo, habita sólo en tu corazón”.

 

Fidel de Mier - «Páginas del libro de la melancolía»

Extraído do sítio “Cambio de tercio - pero intentando no perder el rumbo...”,

 de 12 de Junho de 2013

 

 

1.- SANTIAGO DE COMPOSTELA... FINALMENTE!

 

Faz hoje precisamente seis anos que, de Ribadeo, na Galiza, juntamente com o meu amigo Fábio e seu filho Mitok, chegámos a Santiago de Compostela.

 

Passados seis dias, de manhã, com enormes geadas, de dia, quase sempre, com um sol resplandecente, e, à noite, outra vez com a geada a cair-nos em cima do pelo, lá conseguimos chegar à nossa meta tão almejada - a cidade de Santiago de Compostela e a sua Catedral, onde, segundo reza a história ou a lenda (que agora, e aqui, a questão não vem para o caso), está sepultado Santiago o Maior, discípulo de Jesus.

Quer dizer, pois, que o tempo (meteorológico) porque passámos era, de todo em todo, semelhante ao que fez até aos dez dias que passaram aqui também em Chaves.

 

Ao entrarmos no emaranhado de avenidas, ruas, ruelas, praças e pracetas da cidade do Apóstolo Tiago, foi chegar à Praça do Obradoiro através do arco do Palácio de Gelmirez, observar o movimento, pouco, de pessoas e os edifícios que a rodeiam; dirigirmo-nos à Praça das Platerias e Praça Quintana para, de imediato, e sem grandes demoras dentro da Catedral, sairmos para na «oficina do peregrino» obtermos a «Compostela», depois de percorridos a pé perto de 200 Km; subirmos à Praça Cervantes para, na célebre Casa Manolo, onde servem refeições substanciais e económicas, almoçarmos e, logo de seguida, dirigirmo-nos para a Estação de Caminhos de Ferro de Santiago de Compostela para tomarmos o comboio que nos levou até Ourense, estação de Impalme, onde já se encontrava à nossa espera a mulher do Fábio para nos trazer para a nossa querida Aquae Flaviae. E, cada um por seu lado, retomar o seu habitual ritmo de vida, com os seus respetivos compromissos pessoais, sociais e familiares.

 

2.- TRAÇADO DA ETAPA

 

 

 

3.- PERFIL DA ETAPA

 

 

Vamos agora relatar, sucintamente, um pouco desta nossa 7ª e última etapa do Caminho do Norte de Santiago na Galiza.

 

4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA

 

Quando faltavam aproximadamente 12 Km para chegarmos a Santiago de Compostela, o Caminho decorre num território submetido a uma intensa pressão urbanística: aeroporto, áreas residenciais, polígonos industriais e autovias.

 

A etapa não apresentou desníveis relevantes. Apenas a subida até ao Monte do Gozo é que tem uma pendente um pouco mais acentuada que o percurso restante, sem contarmos com aquele que, por uma estrada florestal, nos leva a rodear o perímetro do aeroporto de Santiago até chegarmos ao monólito, perto do cruzamento das vias - A-54 e N-634.

 

4.1.- De Pedrouzo a Lavacolla

 

Depois da etapa do dia anterior, acordei bem cedo e cheio de fome.

 

Feitas as abluções matinais, apenas quis saber do comer. Os perto de vinte quilómetros que nos esperavam para percorrer já não nos metia qualquer dificuldade - estávamos «a um passo» de Santiago. Queriamos era mesmo chegar lá.

 

Mitok, antes de partir, quis tirar uma fotografia junto da placa sinalizadora do albergue onde pernoitámos.

 

 

De pronto saímos do albergue e, passando o perímetro urbano de Pedrouzo, embrenhámo-nos numa «corredoira» (um bonito bosque de eucaliptos) e, logo a seguir, estávamos em San Antón.

 

 

Imediatamente à saída de San Antón, um outro bosque de carvalhos autóctones e eucaliptos. Até que chegámos a Amenal.

 

 

Entrámos na estrada, ultrapassámos o rio Brandelos e, subindo, passámos por Cimodevila, último núcleo do concello de O Pino.

 

A partir daqui e, em subida contínua, durante aproximadamente dois quilómetros, sentindo de vez em quando o ruído das aeronaves aterrando e deslocando-se no aeroporto de Santiago de Compostela (mais conhecido por aeroporto de Lavacolla), chegámos ao já referido cruzamento da A-54 com a N-634.

 

Nas redondezas uma curiosidade - uma rede de separação do perímetro do aeroporto toda coberta de cruzes.

 

 

E toda a parafernália de equipamentos e balizas de ajuda à navegação das aeronaves.

 

 

Um pouco antes do cruzamento das vias, entrámos em pleno concello de Santiago de Compostela. Aqui, as placas sinalizadoras do Caminho mudam.

 

 

E aparece-nos depois o já aludido monólito, em granito, no qual estão esculpidos o bordão (cajado), a cabaça e a vieira. Estávamos sensivelmente a 12 Km de Santiago.

 

 

Rodado o perímetro do aeroporto, entrámos em San Paio, aldeia da paróquia de Sabugueira. O contínuo e a intensidade dos aglomerados são bem patentes.

 

Passámos por Esquipa e, logo de imediato, estávamos em Lavacolla.

 

4.2.- De Lavacolla a Monte do Gozo

 

Depois de uma curva cerrada, passámos pela igreja paroquial de San Pelayo,

 

 

contendo a inscrição do ano de 1840 da sua construção.

 

 

E, depois de cruzarmos a estrada de asfalto (a N-634), tomámos o desvio para Villamaior. E, em apenas escassos metros, cruzámos o rio Sionlla, mais conhecido pelo arroio (pequeno regato) de Lavacolla,

 

 

lugar onde os peregrinos de outras épocas se despojavam das suas sujas vestimentas e se lavavam para se apresentarem «limpos» a Santiago.

 

Por estrada asfaltada atravessámos primeiro Villamaior, passámos pelo Centro da TVG (Televisão Galega) e, rodando 90 graus à esquerda, passámos também pelo Centro Territorial da RTVE (Radiotelevisão Espanhola).

 

 

Girando 90 graus à direita, entrámos na urbanização de São Marcos, antessala do Monte do Gozo, dando de frente, no final da rua, com a singela capelinha de São Marcos.

 

 

Em vez de seguirmos em frente,

 

 

 virámos à esquerda para tirar fotografias ao monumento erguido no ano jacobeu de 1993,

 

(Pormenor do cimo do monumento)

 

por ocasião da vinda do Papa João Paulo II em peregrinação a Santiago de Compostela,

 

 

ano em que também se inaugurou o enorme albergue de Monte do Gozo, com capacidade entre 300 (anos normais) a 800 pessoas. Trata-se de um enorme complexo turístico com alojamento e restauração.

 

Daqui, do Monte do Gozo, já se podem ver as torres da Catedral de Santiago. Mas, porque tínhamos que nos deslocar um pouco para a direita, continuámos em frente.

 

4.3.- De Monte do Gozo a Santiago de Compostela

 

Retomando o Caminho, passámos por uma casa toda ela, no seu exterior, recheadas de esculturas em granito.

 

 

E, descendo,atravessámos duas pontes - uma, da autovia e outra, do caminho-de-ferro. A partir daqui, entrámos no perímetro urbano de Santiago pela rua de São Lázaro. Enquanto percorríamos este espaço,

 

 

desfilavam por nós o «Monumento ao Peregrino»,

 

(O autor do monumento)

 

a estátua do Cavaleiro de Santiago, a contraluz,

 

 

o Palácio dos Congressos e Exposições da Galiza e o albergue de peregrinos de São Lázaro, que permite dormir mais de uma noite.

 

Ao longe, à nossa esquerda, a silhueta da Cidade da Cultura de Santiago, em construção.

 

 

E, continuando em frente pelas ruas das Fontaiñas e dos Concheiros, cruzámos a avenida de Lugo. Logo a seguir foi a rua de São Pedro, que finaliza num cruzamento de semáforos da rua Aller Ulloa. Pelo lugar onde antigamente se encontrava a «Porta do Caminho»,

 

 

nas antigas muralhas, também conhecida por «Porta Francigena», entrámos no centro histórico de Santiago de Compostela, através da rua das Casas Reais que sobe até à Praça Cervantes,

 

 
onde, para além da fonte com o busto de Cervantes, se encontra a Igreja de São Bieito.
 

 

Seguiu-se a rua da Acibechería, com a portada da Catedral com o mesmo nome,

 

 

 e a Praça da Imaculada, onde se localiza o Mosteiro

 

 

e a Igreja de São Martinho Pinário,

 

 

para, finalmente, através do arco do Palácio Gelmirez, a servir de passadiço,

 

 

entrámos na Praça do Obradoiro.

 

E aqui, nesta enorme praça, demos por findo o nosso Caminho do Norte de Santiago na Galiza.

 

Enquanto observávamos o movimento das pessoas, poucas, nesta altura do ano, à nossa frente temos a fachada principal da Catedral, em nítido estilo barroco compostelano,

 

 

e um pormenor do centro da fachada.

 

 

No seguimento da fachada, do lado esquerdo, o palácio arcebispal ou de Gelmirez,

 

 

de estilo românico, dos séculos XII e XIII.

 

Na nossa traseira, de quem está de frente para a fachada principal da Catedral, o Palácio Raxoi,

 

 

com o pormenor cimeiro da sua fachada,

 

 

em estilo neoclássico, de 1766, contruído graças ao arcebispo Bartolomeu Raxoi Losada.

 

À nossa direita, ou do lado direito, a bonita fachada do Colégio de São Jerónimo,

 

 

com a sua bonita fachada,

 

 

fundado em 1501 pelo arcebispo Afonso III de Fonseca e Acevedo para acolher crianças pobres. Hoje em dia é sede da vice-reitoria da Universidade de Santiago de Compostela.

 

Formando parte do mesmo conjunto (com o Colégio de São Jerónimo), temos o Palácio de Fonseca, onde nasceu a famosa Universidade, com um pormenor do seu claustro,

 

 

com fachada renascentista.

 

 

Hoje em dia é sala de exposições e sede da Biblioteca Universitária.

 

À nossa esquerda, ou do lado esquerdo, o Hostal dos Reis Católicos (século XV),

 

 

antigo hospital real fundado pelos Reis Católicos. A sua fachada é toda ela construída em nítido estilo plateresco

 

 

e o pormenor de um dos brasões nela esculpidos.

 

 

Não entrámos pela porta da fachada principal da Catedral. A porta encontrava-se fechada por via das obras de restauro a serem levadas a efeito no «Pórtico da Glória». Não tendo dado para ver em todo o seu pormenor, naquela altura, aquele belíssimo pórtico, realizado pelo mestre Mateo, aqui fica uma pintura, de 1849, de Jenaro Pérez Villaamil.

 

 

Desta feita, acabámos por ir parar à Praça das Platerías, do século XVIII, com a sua bonita Fonte dos Cavalos

 

 

e a Casa do Cabido.

 

 

Desta Praça podemos observar a Torre do Relógio da Catedral.

 

 

E, subindo o escadario de acesso à Catedral, à nossa direita, entrámos na Praça Quintana.

 

 

Nela observámos a Porta Santa da Catedral,

 

 

que só abre nos anos jubilares, ou seja, quando o dia de Santiago calha a um domingo, e entrámos na Catedral pela porta meridional ou Porta das Platerías,

 

 

em nítido estilo românico, observando as figuras dos seus tímpanos

 

(Pormenor nº 1)

 

(Pormenor nº 2)

 

e, num dos seus arcos, a figura do Rei David.

 

 

Demorámos poucos minutos dentro da Catedral. Despertou-me curiosidade os seus órgãos,

 

 

a abóboda do cruzeiro e

 

 

a imagem da mãe de Santiago - Santa Salomé.

 

 

Pelo pouco tempo que dispúnhamos, e porque também sou um pouco avesso a certos rituais e tradições, não assisti à missa; não coloquei a mão na base do parteluz (coluna que divide em dois o espaço aberto de um pórtico de entrada, aqui o da Glória), na cavidade cinzelada para o efeito, como união simbólica com os peregrinos de todos os tempos; não abracei a imagem do apóstolo, sita no altar-mor; nem tão pouco, até porque esta parte estava inacessível por causa do seu restauro, dei três vezes com a cabeça, ao de leve, ou suavemente, já se vê, na estátua que está por de trás do parteluz, e que, dizem, representa o mestre Mateo (o autor do Pórtico da Glória) para, assim desta forma, a nossa inteligência aumentar e, finalmente, não baixei à cripta onde se guarda o sepulcro do apóstolo.

 

Como já referi, tínhamos que apanhar o comboio, na estação de Santiago logo a seguir ao almoço, para Ourense. Por isso, saindo da Catedral, fomos de imediato à «oficina do peregrino»

 

 

obter a «Compostela».

 

E, porque a minha curiosidade era tanta, numa fugida, numa das ruas mais famosas do seu centro histórico, fui ver a igreja de Santa Salomé, mãe de Santiago,

 

 

fixando-me num pormenor da sua fachada principal.

 

 

Subimos até à Praça Cervantes onde, na célebre Casa Manolo, já minha conhecida de outras «viagens», almoçámos.

 

Numa pressa, descemos até à estação de comboios de Santiago.

 

 

Durante a viagem até Ourense comentávamos que tinha sido um caminho de sete dias intensos, mas dos mais interessantes e calmos que, até aquela data, tínhamos feito.

 

Ainda houve tempo para o Mitok, durante a viagem de comboio, «bater» uma soneca.

 

E, desta feita, tomando os caminhos de Santiago como uma espécie de vício ou pretexto para caminhar, em Junho do ano a seguir - 2008 - juntamente com o meu sobrinho Tino, a partir de Valença, pusemos os pés a caminho para «palmilhar» o Caminho Central Português de Santiago, mais conhecido simplesmente por Caminho Português, que será objeto do próximo relato no que respeita à rubrica «Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza» deste blog.

 

 

Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 


publicado por andanhos às 07:30
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