Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 2ª etapa - Neda-Pontedeume (II Parte)

 

 

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

2ª etapa:- Neda-Pontedeume

 

06. Abril. 2014

 

II PARTE

  

 

3.- «Errando» pelas ruelas, ruas e praças de Pontedeume

 

  

Antes de iniciar o Caminho, em casa, tinha-me informado relativamente bem sobre três localidades que nele iríamos encontrar - Ferrol, Pontedeume e Betanzos. E, quanto a Pontedeume, um sítio da internet, a par de alguns artigos sobre esta cidade de origem medieval, que mais à frente indicaremos, despertou-me particularmente a atenção, que aqui não resisto a indicar - http://www.rtve.es/alacarta/videos/los-pueblos/pueblos-pontedeume/714515/.

 

Face às leituras feitas e ao nosso «errar» pelas ruelas, rua e praças, enquanto o albergue não abria, aqui fica uma resenha sobre Pontedeume.

 

 

3.1.- Um pouco da sua História

 

 

O núcleo urbano de Pontedeume conjuga o moderno com o medieval.

 

A história documentada de Pontedeume começa no Natal de 1270 quando Afonso X, o Sábio, concede aos vizinhos da comarca autorização para construir uma vila no lugar de Ponte de Eume, com governo autónomo, ou seja, dependente unicamente do rei.

 

Contudo, no ano de 1371, Henrique II, de Transtâmara, depois de derrotar seu irmão Pedro, concedeu senhorio da vila de Pontedeume a Fernán Pérez de Andrade, o Bom, em reconhecimento da sua colaboração nas lutas fratricidas.

 

Os Andrade, a partir de então, foram ampliando os seus domínios na comarca, anexando, pela força, as propriedades da Igreja até alcançar vastos territórios que se entendiam até Ferrol, Vilalba e Betanzos.

 

O grande poder que exercia esta família e a cobrança exorbitante de impostos, que impunham aos seus súbditos, motivou a primeira guerra Irmandiña, em 1431, dirigida por Rui Xordo contra Nuño Freire de Andrade, o Mau. A vila, bem amuralhada, fez fracassar a primeira sublevação. Não foi o que aconteceu na segunda, agora liderada por Alonso de Lanzós, que se apoderou de Pontedeume, embora por pouco tempo.

 

Em meados do século XVI, uma das herdeiras dos Andrade casou-se com Pedro de Castro, Conde de Lemos, unindo-se, assim, o senhorio dos Andrade a esta poderosa Casa galega. Ao fundir-se o condado de Lemos e o ducado de Alba, passaram para o domínio dos duques de Alba todas as propriedades e títulos dos Andrade.

 

A passagem do senhorio para famílias estranhas a Pontedeume contribuiu para a decadência da vila que, infelizmente, acabou por sofrer devastadores incêndios e, consequentemente, deram por findo o seu esplendor e apogeu de antanho.

 

Restam muito poucos traços da sua muralha urbana medieval e alguns edifícios/monumentos emblemáticos. Comecemos então pelos

 

 

3.2.- Edifícios ou monumentos dentro do Centro Histórico de Pontedeume

 

 

 

 

3.2.1. - Ponte de Pontedeume

 

 

A história da primeira ponte sobre o rio Eume é a história de uma ponte medieval, porventura uma das mais compridas da Europa e com uma longa vida - de 1380 a 1864.

 

 

Pela sua importância estratégica e económica, é considerada uma das mais importantes de Espanha e, também, do velho continente.

 

As origens de uma anterior ponte possivelmente remontam à época romana cuja estrutura parece que só tinha utilidade na maré baixa, não sendo então mais que umas poldras ou uma simples e tosca passarela.

 

O primeiro dado sobre a ponte data de 1162. É um documento que fala de uma doação através da qual se transferem fundos para manter a ponte em bom estado, o que indica que, antes desta data, a ponte já existia. O material utilizado para a construção desta primeira ligação entre as duas margens do Eume é a madeira.

 

A partir do século XIV, procede-se a uma reconstrução, utilizando, para tal fim, um material muito mais resistente e duradoiro - a pedra.

 

Esta obra está ligada à figura de Fernán Pérez de Andrade, o Bom.

 

Ainda que os dados sobre os anos da sua criação sejam confusos, a hipótese, que tem mais peso, faz prevalecer a ideia de que se começou a construir em 1380, acabando-se em 1386 com a construção do Hospital do Espírito Santo, a Capela e as Torres.

 

 

Segundo um documento da época, a ponte constava de 78 arcos, dos quais: 7, foram eliminados 27 anos depois, segundo documentos posteriores; o número de arcos variou de 71, em 1655, a 58, em 1721, e 50, em 1862. Quanto ao seu comprimento, e apesar de sofrer a supressão de arcos e a substituição dos existentes de estilo gótico por outros semicirculares, a ponte apenas encurtou de 851 metros, em 1649, para 847, em 1721.

 

A ponte possuía duas tores: a primeira - a Torre da Ponte - entre os arcos 8 e 9; a segunda - a Torre do Risco - entre os arcos 20 e 21.

 

Havia, também, no final da ponte, no extremo de Cabanas, um cruzeiro, seguramente anterior ao ano 1600. Textos do século XVII testemunham que o cruzeiro nem sempre esteve no final da ponte mas sim a 42 metros do seu final.

 

Entre os arcos 2 e 3, em pedestais hoje desaparecidos, estavam assentes o urso e o javali, símbolos de Fernán Pérez de Andrade, o Bom.

 

Viradas para levante - foz do rio Eume - existiam duas escadarias: uma, junto do arco 9; outra, do arco 39.

 

A ponte, e todas as construções nela assentes, eram de pedra de cantaria e de uma largura que não ultrapassava os 3, 30 metros, sem contar com os talha-mares, que mediam 1, 80 metros de largura.

 

Em 1588, e devido seguramente a uma avançada deterioração, levou-se a cabo a primeira reparação da ponte, por Sebastián Méndez, mestre-de-obras da vila de Barallobre.

 

Entre 1791 e 1820, o hospital desaparece e, em 1843, fica apenas com as duas torres, a capela e o símbolo dos Andrade - o urso e o javali.

 

A antiga ponte medieval estava já muito deteriorada nesta altura - ficaram de pé uns quantos arcos - pelo que surgiu a necessidade de levantar uma outra que a substituísse.

 

Assim, em 1862, abre-se um troço provisório de madeira para durar apenas uns anos e, sobre o qual, ia-se construindo, durante esse tempo, uma mais estável.

 

Em 1863, abre-se um novo troço e, nesse mesmo ano, acaba-se por demolir os restos da antiga ponte medieval.

 

A ponte definitiva começaria a funcionar em 1870, ainda que a passarela de madeira se tivesse ali aguentado até 1873, quatro anos mais que o esperado.

 

Mas a vida desta ponte foi curta. Em 26 de Dezembro de 1874, um Eume embravecido, arrasa com os três primeiros arcos, deixando, uma vez mais, o tráfego interrompido.

 

Em 1876, aprova-se a criação de um novo revestimento provisório de madeira sobre a zona danificada, a qual durará até 1881, ano em que entra em funcionamento a obra seguinte, começada um ano antes, utilizando a pedra como material.

 

Em 1889, a obra estava terminada.

 

A ponte atual

 

 

é, basicamente, a mesma que foi inaugurada em 1889, embora com algumas modificações externas.

 

Hoje em dia, a ponte é composta por 15 arcos e, sobre ela, corre a Estrada Nacional 651.

 

 

3.2.2.- O Torreão dos Andrade

 

 

Foi construído na época de Fernán Pérez de Andrade, o Bom, entre 1370 e 1380.

 

 

 

Formava parte de um conjunto integrado por um palácio; a capela de São Miguel, derrubada em 1909 e o próprio Torreão.

 

O Torreão tem uma planta quadrada e mede 18 metros de altura. Tem quatro pisos, contando com o rés-do-chão; do segundo piso arrancavamm umas escadas para uma ponte levadiça, hoje desaparecida.

 

Das suas seteiras, destacam-se as janelas góticas, no terceiro e quarto pisos e, um deles, tem o «Selo de Salomón» ou cruz de cinco pontas.

 

 

O Torreão é um dos melhores exemplares da arquitetura militar medieval na Galiza e, nele se destaca, especialmente, o escudo na sua fachada, procedente do desaparecido Palácio dos Andrade. Nele se pode reconhecer os brasões das famílias Andrade e Lemos - unidas no século XVII - e está orlado por 18 bandeiras que Fernando de Andrade ganhou aos franceses na batalha de Seminara. Na parte superior há uma coroa condal e, sobre ela, um anjo sustém um «filete» no qual se pode ler o lema dos Andrade «nolite nocere» (Não faças mal).

 

 

3.2.3.- Praça do Conde

 

 

Era em princípio propriedade do Conde de Andrade. Passou, em data indeterminada, a ser propriedade da vila. Foi notavelmente ampliada em 1936 com o desaparecimento do Palácio dos Condes de Andrade.

 

É hoje o antigo espaço ocupado pelas instalações do Mercado Municipal, em reconstrução /reparação e espaços contíguos ao mesmo.

 

 

No seu centro contruiu-se, em 1671, a Fonte do Pilón, abastecida com a água dos mananciais do monte Breamo. O atual Pilón foi realizado em 1788 pelo mestre de cantaria Andrés de Monteagudo.

 

 

3.2.4.- O antigo Cárcere (prisão) de Pontedeume

 

 

Pelo menos até 1829, a prisão de Pontedeume estava no Torreão dos Andrade.

 

Aquando da fuga dos presos daquelas dependências naquela data, providenciou-se a localização da prisão noutras instalações, que se recriaram no antigo Convento de Santo Agostinho.

 

Em 1838, através de uma Real Ordem de Sua Majestade, estabeleceu-se um novo sistema prisional. Na base deste novo sistema prisional, o novo edifício será localizado, de novo, no Torreão, e, em dependências anexas, até ao século XIX.

 

 

A partir dos princípios do século deixa de ser utilizado como prisão da jurisdição de Pontedeume. É utilizado como Centro de Interpretação e sede do Turismo.

 

Em 1852, o Governador da Província comunica ao alcaide de Pontedeume que se vai levar a cabo um edifício prisional na vila. Em 1853, é colocada a primeira pedra do novo edifício prisional desenhado pelo arquiteto Faustino Dominguez e, em 1856, as obras finalizaram-se.

 

Feitas obras, na parte baixa do Torreão que foi prisão, esse espaço é hoje ocupado como Centro de Serviços Sociais do concello.

 

 

3.2.5.- Paço do Arcebispo Rajoy e Praça do Pão

 

 

Foi mandado construir na segunda metade do século XVIII pelo arcebispo eumês, Bartolomeu Rajoy e Losada (1690-1772), naquela que foi a casa de seu pai, o farmacêutico, Nicolau Rajoy. Na fachada convivem elementos típicos da escola compostelana com outros novos, mais classicistas, de influência francesa. É composto de um andar de rés-do-chão com arcadas, de grosso alicerce, e dois andares com varandas, percorridos por pilastras.

 

 

É rematado com o escudo do arcebispo. O palácio é limitado a norte pela praça do Pão, remodelada, em 1984, pelo artista José Dias

 

 

que esculpiu a mulher, em bronze, moldando pão.

 

 

3.2.6.- Edifício da Casa do Concello, rua e praça Real

 

 

Desde 1371 e até à instauração constitucional dos concellos, os Andrade mediatizaram o governo da vila com sede no concello (Casa Consistorial).

 

De uma intervenção feita nesta Casa Consistorial por Fernando Ruiz de Castro (1560-1675) constava um escudo que foi retirado em 1820 e, posteriormente, restituído.

 

Sofreu o incêndio de 1607 e foi reedificado em 1609.

 

Durante o mandato do alcaide Celestino Sardiña passou a ser reedificada, mantendo-se a mesma configuração da fachada, utilizando-se as mesmas pedras.

 

Está situada na praça Real, primitiva praça do Rolo, espaço este já existente desde a fundação da vila, em 1270, e ampliada em 1617.

 

 

Atualmente é uma das zonas de mais fama de Pontedeume, em termos de lazer, muito naturalmente devido ao número de esplanadas nela existentes, às suas bonitas varandas,

 

 

e ao afamado Feirón que se realiza na vila todos os sábados.

 

 

3.2.7.- Igreja Paroquial de Santiago

 

 

Apresenta duas partes diferenciadas. As antigas: a capela-mor - edificada por Fernando de Andrade, em 1538 - e a sacristia velha - hoje utilizada como capela, com aquecimento central, por ser mais acolhedora a presença dos fieis quando, nos meses de inverno, assistem à missa.

 

O estilo destas duas dependências da igreja paroquial é tardo gótico, anos finais deste estilo que está a ser substituído em toda a Europa pelo Renascimento.

 

O retábulo da capela-mor, embora saibamos quando foi feito - ano de 1530 - e dourado no ano de 1564, devia ter sofrido várias alterações, tanto na sua estrutura, seguramente afetada por incêndios, como nas suas pinturas.

 

É um retábulo renascentista. Das oito pinturas que o constituem: seis, são sobre tábua - cinco delas (Calvário; Ressurreição; Lamento sobre Cristo Morto; Flagelação e Assunção de Maria) e do mesmo momento da construção do retábulo; a tábua de São Miguel pesando as Almas são dos princípios do século XVII; as duas restantes (Anunciação e Nascimento de Jesus), sobre tela, são da segunda metade do século XVIII. Destacamos o Cristo de Animas, imagem anterior a 1771, que razões históricas e estilísticas, permitem concluir que a sua autoria se deve ao Mestre Ferreiro.

 

É de realçar a imagem de Santiago, dos finais do século XIV, que foi encontrada enterrada aquando das obras de remodelação do presbitério, no ano de 1962. É uma estátua de granito policromado. O que demonstra que, já nos finais do século XIV, existia aqui uma igreja sob a invocação de Santiago. Trata-se de uma figura rígida e de acusado formalismo. Tudo leva a crer que é obra da escola do Mestre Mateo, aparentada com a do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela e do altar-mor da mesma catedral.

 

Na capela-mor, no pano do lado do Evangelho, encontra-se, desde 1758, o túmulo de Fernando Andrade, que foi enterrado em 1540. O túmulo foi modificado aquando da reedificação, reconstrução do templo, em finais do século XVIII. Sobre este túmulo estão as armas os Castros com a dos Andrade. No mesmo pano está um Cristo Crucificado, dos finais do século XVI, procedente da capela de Vera Cruz, onde estava em princípios do século XVII.

 

No núcleo que serve de contraponto ao túmulo de Fernando de Andrade, está a «Candelaria», procedente do retábulo da Santíssima Trindade ou «Candelaria». Possivelmente é da primeira metade do século XVIII. Foi restaurado em 1970.

 

O resto do templo, que sabemos que tinha seis capelas, sofreu um incêndio em 1607 e foram restauradas em meados do século XVIII. Contudo, o estado de ruína em que a igreja se encontrava levou a que o arcebispo de Santiago, D. Bartolomeu Rajoy, natural de Pontedeume, e que mandou fazer o Palácio de Rajoy na praça do Obradoiro, em Santiago de Compostela, patrocinou a sua reedificação. A obra realizou-se entre os anos 1756 e 1761, segundo o desenho do frade Frei Manuel de los Mártires, inspirada nas igrejas jesuítas.

 

A sobriedade monumental do seu interior contrata com a fachada, que constitui um dos exemplares mais notáveis do barroco galego.

 

 

As torres que a coroam foram contratadas por Alberto Ricoy, em 1763, assim como a sacristia nova, situada por detrás da capela-mor.

 

Na fachada abrem-se três portas das quais a central está coroada com o escudo de Fernando de Andrade; uma estátua equestre de Santiago Apóstolo e uma placa com o Coração de Jesus com o seu lema «Reinaré en España», colocada em 1900 para comemorar o início do século.

 

Não podemos entrar no seu interior porque estava fechada às sete chaves.

 

 

3.2.8.- Muralha da vila

 

 

A muralha, com 9 torres e 5 portas (Ponte, Salga, Porto, Postigo e Carnicería) estendia-se pela zona ribeirinha da ria de Ares, bordeando o Paço, ia pelas atuais ruas de Picho e Tafona, e baixava junto ao convento de Santo Agostinho, incluindo a fonte que existia dentro do recinto amuralhado.

 

Hoje, bordeando o átrio da Igreja de Santiago, junto à que foi a Porta do Postigo, feita em 1619, pode-se ver o que resta e se conserva da antiga muralha. O que vimos não nos mereceu qualquer registo de monta.

 

 

3.2.9.- Antigo Convento Santo Agostinho

 

 

Fundado extra muros à vila por Fernando de Andrade, em 1538, com o nome de Santa Maria da Graça, fechou em 1835 por via das leis da desamortização.

 

Da época da sua fundação conserva-se o claustro renascentista. A atual fachada principal é barroca, da segunda metade do século XVIII.

 

 

Entre 1842 e 1948, funcionou como quartel e escola. Em 1848 passa a mãos privadas. Até que na década de 80 do século XX, é adquirido pela vila, sendo convertido em Casa da Cultura. A igreja foi demolida em 1867 para se abrir a avenida de Rajoy. Com a horta que foi adquirida em 1864 a um particular que a tinha comprado, a avenida passou a chamar-se Alameda Rajoy.

 

 

3.2.10.- Igreja das Virtudes

 

 

É também chamada de Nossa Senhora do Soto. Foi mandada construir por Nuno Freire de Andrade, em 1378.

 

 

Da sua primitiva construção só se conserva um silhar (pedra lavrada em quadrado) com o escudo dos Andrade e o tímpano da porta com a imagem da Virgem.

 

 

O seu aspeto atual corresponde à reedificação custeada, entre 1672 e 1680, pelo «indiano» André Copeiro.

 

O zimbório foi reedificado em 1858 pelo arquiteto Faustino Domínguez.

 

Destaca-se o retábulo do altar-mor, realizado nos finais do século XVII, possivelmente por Alonso González, e pintado depois de 1718.

 

É de estilo barroco, com colunas salomónicas e relicários.

 

 

3.2.11.- Cátedra de Latinidade

 

 

O edifício destinado hoje a Biblioteca Municipal foi a casa do regedor Bentrán de Anido, que a doou, em 1580, no seu testamento, para a Cátedra de Latinidade, função que manteve até 1851.

 

 

Segundo nos dizem os dintéis da porta, foi reconstruída em 1621, depois de ter sofrido o incêndio de 1607. Foi ampliada em 1707 e novamente reedificada em 1822.

 

 

3.2.12.- Antigas «lonjas»

 

 

Também conhecidas por armazéns de Rajoy.

 

 

Não possuem valor artístico. Têm, contudo, um grande valor histórico e sentimental. Foram levadas a cabo, em 1763, pelos irmãos Ricoy, sob o patrocínio do arcebispo Rajoy para produzir “sardina salada y otras cosas”. Por escritura de 16 de Maio de 1769, estes armazéns eram quem pagava aos mestres que estavam a contruir escolas em Pontedeume.

 

Numa das suas dependências funciona o albergue de peregrinos, municipal.

 

 

4.- Edifícios ou monumentos desaparecidos

 

 

Dois deles já falámos: o antigo Palácio dos Andrade, hoje praça do Conde, e a Muralha da vila.

 

Falta ainda um terceiro, que tem a ver ainda com a muralha - o Arco do Maldonado.

 

O Arco de Maldonado era o último testemunho importante da antiga muralha. Durou até 1905. Chamava-se assim por estar unido à casa Maldonado, situada em frente ao começo da ponte.

 

Alonso Pita da Veiga fundou, no século XVII, uma capela na parte superior aberta à rua Real, através da qual os eumeses podiam assistir à missa dominical.

 

Foi a última das portas da antiga muralha (Porta da Ponte).

 

A sua demolição teve a ver com motivos urbanísticos - a construção da estrada que une a estação do caminho-de-ferro com a saída da ponte e a estrada Betanzos-Ferrol. Esta obra começou em 1901 e continuou até 1911.

 

Entre 1903 e 1905 levou-se a cabo a sua expropriação, sendo posteriormente demolido.

 

Foi esta a informação que obtivemos através dos seguintes sítios da internet

e que, «errando», até já passava um bocadinho das 17 horas, pelas antigas ruelas, ruas

 

 

e praças da  vila medieval de Pontedeume fomos observando. E, por isso, aqui deixamos testemunho.

 

 

5.- Monumentos fora do Centro Histórico de Pontedeume

 

 

Mas Pontedeume, extramuros do seu Centro Histórico, tem mais monumentos; tem natureza e mais história para contar.

 

Não é aqui o espaço para este efeito. O castelo de Andrade, a capela de São Miguel de Breamo, o mosteiro de São João de Caaveiro, o mosteiro de Santa Maria de Monfero, o mosteiro de Santa Catarina de Montefaro, a Igreja de São João de Vila Nova, Santa Maria de Doraña, São Martinho de Andrade, São Pedro de Cervás e, sem dúvida, o Parque Natural de Fragas de Eume - um dos últimos bosques atlânticos a nível europeu, proveniente da Era Terciária, que conserva o manto vegetal autóctone de carvalhos, castanhos, loureiros, medronhos e azevinhos, entre outros -, e onde, no seu alto, se localiza o mosteiro de São João de Caaveiro) merecem bem uma estadia de fim-de-semana prolongado. Ficarão assim aprazadas, estas terras que foram dos Andrade, para uma outra ocasião.

 

Nós, já cansados de tanta mochila às costas, dirigimo-nos para junto do porto, onde se localizava o albergue.

 

Ainda esperámos um bocadinho, sentados num banco de pedra - mobiliário urbano recente - até que o senhor albergueiro chegasse.

 

 

Tino, entretanto, entretinha-se a ver o percurso do dia a seguir e a fazer um balanço do deste dia.

 

 

Por fim o senhor chegou. Um velhote simpático. Como já se disse o albergue é municipal. Para a cidade que é, e os pergaminhos que tem, era para estar noutro estado de limpeza e com mais confortos. Enfim...

 

Connosco ficaram: o casal espanhol. Agora já sabemos os seus nomes: ela, Marla, natural de Barcelona, a viver em Madrid; ele, Óscar, de Madrid, nascido em Madrid e filho de pais nascidos em Madrid, logo, é «GATO» e, finalmente, Alyson, uma jovem de 21 anos, de Washington DC, USA, a que estava sentada no banco de pedra de granito, enquanto Óscar passava de mochila Às costas.

 

Depois de tomarmos banho e de descansarmos um pouco, saímos para dar mais uma volta pelo Centro Histórico de Pontedeume. Sentámo-nos numa esplanada da praça do Rolo (Real) e tomámos uma bebida. Gostei muito desde bocadinho sentados aqui nesta agradável e aconchegada praça.

 

Depois de um bom pedaço de tempo a tomarmos o pulso ao movimento desta terra, vendo uma caterva de canalha miúda a brincar (até parece que os eumeses não têm medo da crise!), levantámo-nos e fomos dar uma volta. Descemos a rua Real e, voltando-nos à nossa direita, fomos ter ao passeio ribeirinho à ria de Ares,

 

 

seguindo lentamente a ria atá à ponte do viaduto da AG-9,

 

 

tendo o monte Breamo à nossa frente e à esquerda.

 

 

Como não levava a Nikon, para o efeito de tirar fotografias a este bonito entorno,

 

 

serviu a câmara do HTC. Por debaixo do viaduto é a foz do Eume.

 

 

Muita gente ao domingo frequenta este passeio!

 

Voltando para trás, uma vez mais, fomos ter à rua Real e, aqui, entrámos no Restaurante Compostela para comer.

 

Tinha saudades de comer sopa. Pedimos uma sopa de nabiças e, deixando o típico pescado pontedeumês, atacamos-lhe no «pulpo a la feria», seguido de sobremesa.

 

De regresso ao albergue, pela parte alta da urbe, ainda tirei uma derradeira foto com o HTC ao Torreão dos Andrade,

 

 

iluminado à noite.

 

 

Tínhamos praticamente percorrido todo o Centro Histórico de Pontedeume.

 

 

 

Chegados ao albergue, estava tudo já de luz apagada. Procurando fazer o menor barulho possível, deitámo-nos. Foi sono de uma assentada até ao outro dia!...

 

 

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 2ª etapa do Caminho para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 


publicado por andanhos às 19:30
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