Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 1ª etapa - Ferrol-Neda

 

 

  

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

5. Abril. 2014

 

1ª Etapa:- Ferrol - Neda

 

 

 

SE O PASADO É PASADO

  

Se o pasado é pasado

 i o presente é o urgente

 por qué inda busca a xente

 aquil soño clausurado?

 

Vido visto ben Santiago

 i esa cuestión non resolta

 fago camiño de volta

 camiño de volta fago.

 

Camiño de volta fago

 volvo do cabo do Mundo.

 Terra sólo en ti me fundo:

 é a certeza que trago.

 

(Uxío Novoneyra)

 

 

1.- Mapa do percurso e desníveis

 

 

 

2.- Descrição sucinta do percurso

 

2.1.- Do porto de Coruxeiras ao bairro de Esteiro

 

Depois de atravessarmos praticamente toda a cidade de Ferrol, chegámos à doca/porto de Coruxeiras.

 

Aqui, neste monólito/marco, começa o Caminho Inglês de Santiago.

 

 

 

São 121 Km, na direção norte-sul, que separam o golfo Ártabro, donde saímos, até à Catedral de Santiago de Compostela.

 

Se nos detivermos um pouco no monólito/marco que dá início ao Caminho, verificamos que, nesta placa de granito, está o escudo da Galiza, gravado com sete cruzes, tantas quantas eram as províncias do antigo Reino da Galiza.

 

Deste marco, em Ferrol Vello, saímos pela rua Carmen Coruxeiras.

 

 

É bem verdade o que se diz no texto do Eroski quanto a este Caminho - rua decadente, rodeada de ruelas do mesmo estilo. Esperamos que o plano de reabilitação de Ferrol Vello, pelo menos, lhes «lave a cara», nomeadamente, reabilitando esta casa,

 

 

onde nasceu, em 1919, Ricardo Carballo Calero, escritor, linguista e defensor da cultura galega.

 

Passado o antigo hospital de peregrinos do Espirito Santo, destinado a pobres e doentes de todas as classes, que funcionou até 1780, embrenhámo-nos na rua de São Francisco.

 

Ao lado da rua de São Francisco, na rua Pintor Imeldo Corral, vemos a Casa ou Chalet Antón,

 

 

edifício modernista (1918) que, como já dissemos no post anterior, foi desenhado pelo arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro, um dos melhores arquitetos galegos dos começos do século XX. A sua fachada chama a tenção pelo seu miradouro em forma hexagonal, na esquina.

 

Na figura que se exibe, ainda se pode ver a célebre e emblemática Fonte de São Roque (1784), com um escudo de Ferrol que, também como já referido, se pensou que daqui, com o seu farol gravado, advinha o nome de Ferrol.

 

Passámos pela capela da Ordem Terceira Secular Franciscana,

 

 

sita na mesma rua onde também está situada a igreja castrense de São Francisco, contruída no lugar do antigo convento franciscano (1377) no século XVIII (1757), desenhada, provavelmente, por engenheiros militares. Não tem qualquer torre porque as autoridades da Marinha impediram que se lhe acrescentassem torres por estorvarem a visibilidade de um observatório astronómico, que acabou por não se contruir.

 

No interior desta igreja, destaca-se o retábulo de José Ferreiro, o mais importante escultor do neoclassicismo galego, e a imagem de Santa Bárbara (século XVIII), padroeira dos artilheiros e protetora das tempestades.

 

Logo a seguir, na praça Contalmirante Azarola Gresillón, de face um com o outro, encontrámos dois edifícios: o Parador de Ferrol, construído como grande palácio senhorial em 1960, e que hoje pertence à afamada e luxuosa rede de Paradores de Espanha (o equivalente à nossas Pousadas), entregue a uma empresa pública que se encarrega de gerir todos os hotéis situados em edifícios de valor patrimonial assinalável, e o Palácio da Capitania, que foi residência do Capitão General do Departamento Militar da Zona Marítima do Cantábrico, que estava (e ainda está) estrategicamente situado no início do então novo bairro da Madalena, o racionalista e ilustrado, ao contrário do pequeno e tradicional núcleo marinheiro - Ferrol Vello. Por detrás deste palácio, está o Jardim de Herrera e, mais ou menos ao centro do espaço entre estes dois edifícios, o obelisco em memória de D. Cosme Churruca, que morreu na batalha de Trafalgar. Deste espaço, um excelente miradoiro, tem-se uma esplêndida vista sobre a ria e o Arsenal.

 

 

À sua saída, um bonito pormenor de um cruzeiro.

 

 

Seguindo a frontaria principal do Palácio da Capitania, à nossa direita, deixámos Ferrol Vello e entrámos na rua Real,

 

 

início do bairro da Madalena, com vivendas modernistas e, como ainda nos diz o texto do Eroski, desenhado em forma de tablete de chocolate, com seis ruas paralelas, cortadas por outras nove transversais, com duas grandes praças - a primeira, quem vem de Ferrol Vello, a do Marquês de Amboage; a segunda, já quase no fim da rua Real, por onde fizemos o nosso percurso, a de Armas.

 

A praça, vulgarmente conhecida, de Amboage, é então a primeira das duas grandes praças que se abrem em ambos os lados do bairro da Madalena, cheia de esplanadas durante os dias de sol. Em 1896 inaugurou-se a estátua que lhe está ao centro,

 

 

em memória deste marquês, benfeitor ferrolano, da segunda metade do século XIX, que criou uma fundação para eximir os jovens de Ferrol do serviço militar e auxiliar os pobres. Em agradecimento, para além da escultura, as gentes de Ferrol honram-no com as festas de verão.

 

Ainda na praça de Amboage, a capela de la Merced,

 

 

do arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro. Foi construída por iniciativa dos «mercedarios», em 1926. É de estilo eclético, modernista e neogótico. A sua fachada está profusamente ornamentada.

 

Nas imediações da praça de Amboage, a Igreja das Dores,

 

 

construída pela congregação do mesmo nome, na segunda metade do século XVIII. É de destacar a sua austeridade.

 

Saídos da envolvente da praça de Amboage, continuámos pela rua Real, indo quase ao seu extremo, onde se localiza a segunda praça deste bairro - a de Armas. Aqui se situa o edifício da Casa do Concello de Ferrol

 

 

- o Palácio Municipal, de 1953.

 

Desta praça, cortámos à direita em direção à rua da Terra e, daqui, fomos desembocar à praça da Constituição, de seguida, ao Cantón de Molins e Alameda de Suanzes.

 

Saindo desta alameda, pela rua Pablo Iglesias, com um bonito casario a ladeá-la,

 

 

fomos ter à praça das Angustias, onde ali se encontra uma simples e sóbria igreja (das Angustias),

 

 

com panos pintados de branco, dos finais do século XVIII.

 

Atravessámos a avenida González Llanos e, daqui, avistámos a porta de Navantia,

 

 

porta monumental (1949), das instalações da empresa estatal Navantia, que dá acesso ao maior artilheiro militar de Espanha. Só que, à sua entrada, numa âncora que a adorna, esta singular «exposição»,

 

 

sinal de que, tanto lá como cá, os ventos correm difíceis para os trabalhadores! Exposição essa que prossegue por todo o gradeamento que ladeia o perímetro das instalações da empresa estatal,

 

 

mostrando-nos a forma original de luta destes trabalhadores, neste gesto peculiar de protesto.

 

A partir daqui, pela rua Taxonera e pela avenida Marc Mahón, estamos, e rodeámos, um outro bairro portuário - Esteiro.

 

2.2.- Do bairro Esteiro ao polígono industrial A Gándara (Narón)

 

Na rua Taxoneira, a florida fachada de uma casa.

 

 

E, ma avenida Marc Mahón, o quartel de Infantaria da Marinha «Tercio del Norte» - Quartel de Dolores, encostado ao perímetro da estaleiro Navantia.

 

 

Ultrapassado o quartel de Dolores,

 

 

entrámos na estrada da Circunvalación para, depois, percorrermos um pouco a avenida de Esteiro até à rotunda do Poeta Uxío Novoneyra (ou do Diapasão).

 

 

Gostaríamos de aqui fazer um parêntesis, a propósito de Uxía Novoneyra. Vejamos o que Olga Novo fala da obra deste poeta neste sítio - https://www.youtube.com/watch?v=P9SQ9065Ktg - e ouçamo-lo neste poema, por si recitado, da sua obra «Eidos».

 

 

Ao longo deste percurso, do nosso lado direito, estende-se um vasto «campus» das instalações da «Escola de Enerxía e Impulsión da Armada», vendo-se o antigo cárcere militar e a Escola de Especialidades Antonio de Escaño.

 

Neste percurso parámos um pouco. Ao sairmos de Ferrol, o céu apresentava-se um pouco pesado de nuvens. Tinha chovido de noite. Acautelando-nos, vestimos roupas a condizer com o tempo. Só que o céu foi limpando de manhã e foi-se abrindo. E o calor, com o sol, começou a apertar. Havia que tirar alguma roupa do corpo porque desnecessária para a temperatura que ia fazendo.

 

Quando estávamos preparados para a operação, damo-nos conta que o casal, que tínhamos encontrado no Posto de Turismo do porto de Coruxeiras, também procedia à mesma operação. Afinal, dizia para o Tino, não vamos sós: temos companhia. Contudo, quer o casal, quer nós, seguimos, cada um a seu ritmo, o seu Caminho.

 

A partir da rotunda do «Diapasão» termina o bairro de Esteiro e inicia-se um outro - Caranza, o mais povoado (e, na minha opinião, moderno e elegante) de Ferrol.

 

Contornámos este bairro pelas avenidas das Telleiras e do Mar. No final da avenida das Telleiras e começo da do Mar, uma outra rotunda, ainda com obras, tendo, à nossa direita, o Auditório e Conservatório de Música de Ferrol

 

 

e, no centro da rotunda, esta bonita escultura «musical de cordas».

 

 

Saídos da rotunda do Mar, com a sugestiva escultura musical de cordas, entrámos na avenida com o mesmo nome. Pela avenida do Mar, e rodando Caranza, por uma via secundária - rua Cartagena - mais junto à ria, ladeada de um bonito relvado, com árvores, demos com um miradouro. Neste sítio, com uma bonita escultura,

 

 

avista-se toda a ria de Ferrol e a enseada de Caranza. Ao sair do miradouro, e num dos galhos de uma das árvores do relvado, esta buliçosa pega.

 

 

Não parámos de admirar as perspetivas que, daqui, se obtêm da ria de Ferrol.

 

Já quase no final da avenida do Mar, mesmo ao seu lado, rodeada de mais uma bonita zona verde, aparece-nos a capela de Santa Maria de Caranza

 

 

- um bom lugar para se descansar - é o que diz o texto de Eroski. Mas não parámos, senão o tempo suficiente para se tirar umas fotos à capela e sua envolvente.

 

 

Quando me preparava para tirar uma foto ao Tino, no seu múnus de fotógrafo, saem-me três na foto:

 

 

afinal o nosso casal, que supomos serem espanhóis, também estava fazendo o mesmo. Bem assim a tirarem fotos um ao outro. Ainda estive para lhes perguntar se queriam que lhes tirasse uma aos dois juntos. Mas contive-me.

 

E, aqui chegados, descontado o percurso do nosso alojamento até ao porto de Coruxeiras, ainda não tínhamos completado 5 Km!

E, cá para mim, dizia: António, é como diz o outro, isto é para se ir fazendo, tranquilamente...

 

Mais um bocadinho à frente, numa zona relvada e ajardinada, aparece-nos uma fonte: Tino parou apenas para beber água. O sol começava mesmo a apertar. Mas pareceu-me ser de pouca dura.

 

Mais uma vez nos deliciámos a ver a panorâmica sobre a ria

 

 

e as localidades que, do outro lado da ria, se localizam na sua margem - Fene e Neda, com a ponte de Pias por perto.

 

E continuámos a andar, apreciando o casario do bairro de Caranza e aproximando-nos do polígono industrial de A Gándara, já no concello de Narón.

 

 

Aqui, no polígono industrial parámos.

 

 

E aproveitámos para, no Mariscador,

 

 

descansarmos um pouco e almoçarmos.

 

2.3.- Do polígono industrial A Gándara até ao albergue de Neda (Coto)

 

Bem «compostos» do estomago, criámos novo fôlego para enfrentarmos a última parte da etapa de hoje, se bem que estivéssemos sensivelmente apenas a metade da mesma.

 

Logo à saída do bar, por via de obras, tivemos de fazer um ligeiro desvio. Por meio do casario, subindo, fomos passando por Grúas Eiriz e, por uma passagem inferior da linha do comboio, passámos em Faísca. Continuámos pelo Caminho do Vilar, até que voltámos a encontrar o nosso «amigo casal» espanhol.

 

 

Estavam parados, compondo-se. Com risos, uns para os outros, denotando o começo de uma certa «cumplicidade», fomos andando...

 

 

Até que chegámos a O Couto, onde se situa o célebre Mosteiro de São Martinho de Xubia, já no concello de Neda.

 

 

Do conjunto monumental de Neda, porventura mais importante, é este mosteiro, também conhecido como de O Couto. Fundado nos finais da alta Idade Média, adquiriu importância nos séculos do românico quando a tradição assinala que os seus monges beneditinos escolheram como observância específica a regra de Cluny. Até finais do século XII, procedeu-se à edificação da igreja monástica que, com algumas alterações - como o caso da fachada principal - chegou intacta até aos nossos dias. Apresenta uma planta basilical, de três naves, rematadas por outras tantas absides semicirculares na sua cabeceira,

 

 

abobadadas. Nesta tríplice abside, conservam-se as janelas de belo estilo românico. No interior, conservam-se os capitéis originais e também o sepulcro de Rodrigo Esquío (dos finais do século XV).

 

No recinto ao lado do mosteiro, apercebemo-nos de um outro caminho que por aqui passa, muito bem sinalizado - o de Santo André de Teixido, de que já falámos.

 

Junto ao cruzeiro, sito no recinto ao lado do mosteiro, deixámos o piso de asfalto e, à direita, dirigimo-nos para o Caminho do Salto para, depois de passarmos por cima de uma passarela sobre a autoestrada, chegarmos ao «Molino de As Aceñas» ou «As Aceas».

 

 

No século XVIII criou-se a Real Fábrica de Farinhas. O seu amplo recinto inclui o importante moinho de marés «As Aceas», com a sua correspondente represa, na foz do rio Freixeiro, diversas casas, armazéns e a casa principal, ao seu lado.

 

 

Na zona há mais moinhos desta natureza, destacando-se, em especial, o Moinho Grande de Xubia, que alcançou a maior produção de farinha de toda a Galiza no século XIX, recebendo trigo procedente de países Bálticos e do ultramar.

 

Segundo nos relata o Eroski, prevê-se um restauro destas instalações. Não queremos que seja para já, face à crise que se atravessa e a premência de outras emergências...

 

De resto, o que aqui vemos é, manifestamente, quinquilharia velha e ferrugenta,

 

 

a par de uns esqueletos de embarcações.

 

 

Rodando o perímetro do moinho «As Aceñas», chegámos a O Ponto, onde o caminho de Santo André se aparta agora do de Santiago.

 

Contudo, não chegámos a entrar dentro da povoação. Atravessámos o braço de água do rio Freixeiro por uma pequena ponte e, continuando a rodear o braço de água do rio, caminhámos, bordeando a ria de Ferrol, pelo passeio de Riveira. À nossa esquerda, devidamente vedadas, as instalações da metalúrgica MEGASA. Enquanto passávamos pelas colunas do viaduto da autoestrada que por aqui passa, não deixámos de reparar em algumas «pichagens», protestando contra a metalúrgica e a poluição que provoca.

 

Do passeio de Riveira fomos ter a um bonito parque relvado.

 

Do outro lado do braço da ria, ou já na foz do rio Xubia, avistámos o colorido do casario dos lugares de Neda,

 

 

enquanto, no relvado do parque, observávamos as esculturas por ele espalhadas.

 

 

O albergue de Neda, na localidade do Coto, já ficava mesmo ali.

 

 

Bastava apenas passar a ponte sobre o rio Xubia.

 

 

E eis-nos chegados ao albergue!

 

Só que, um pouco cansados, mas sem exagero, demos, como se costuma dizer, com o nariz na porta: o albergue estava fechado.

 

Na porta, uma folha formato A4 a indicar os números de telefone para contactar com o albergueiro.

 

Foi o que, de pronto, fizemos.

 

O senhor, atencioso, disse-nos que, em meia hora, chegaria para nos abrir a porta.

 

Cumpriu.

 

Entretanto, enquanto esperávamos, descansámos um bocadinho sentados na soleira da porta e depois tirámos as fotografias da praxe junto à placa indicativa do albergue. E fomos, dando uma pequena volta pelos arredores, tirando umas fotos à volta do albergue.

 

Do jogo de espelhos das janelas do albergue, selecionámos esta, que se apresenta

 

 

e, com esta outra, evidenciamos uma das facetas da poluição da metalúrgica MEGASA.

 

 

Ao redor do albergue a limpeza não é coisa que por lá se pratique assiduamente, apesar de dar para «conviver»: umas duas ou três latas vazias de bebidas e três ou quatro plásticos espalhados, por ali bem perto, da entrada do albergue.

 

Chegado o albergueiro, e cumpridas as formalidades de entrada, pagamento da estadia e aposição do respetivo selo na Credencial do Peregrino, foram-nos dadas instalações de luxo - os aposentos dos «minusválidos».

 

Acomodámo-nos, tomámos banho, vestimos roupa e calçado novo e descansámos um pouco.

 

Quanto tal, chega o casal espanhol.

 

Já contávamos que, pelo andar deles, que também por estas bandas parassem. Demos conta ao albergueiro, quando se foi embora, desse facto. Disse-nos que lhes abríssemos a porta e que, depois, que eles lhes telefonassem para vir tratar das formalidades da sua entrada.

 

E assim se fez e aconteceu.

 

O albergue ficou por conta dos quatro: dois, a dormirem na camarata dos «minusválidos»; os outros dois, na geral.

 

Depois do merecido descanso, saímos do albergue para tratar da «janta» e ir descobrir Neda.

 

2.4.- «Chamalle como queiras»!

 

Para tão poucos quilómetros, o relato já vai longo. Contudo, os lugares por onde passámos merecem bem a referência.

 

Com a saída do albergue, para além de tratarmos do nosso jantar e de encontrar um bar/café que tivesse WiFi para aceder à minha página pessoal do Facebook, de borla, o nosso intento era também fazer uma visita à igreja de Santa Maria de Neda.

 

 

Antecipando parte do relato da 2ª etapa, não resistimos a citar o primeiro parágrafo do texto do Eroski referente à etapa Neda-Pondeume.

 

Aqui vai: “Plácido e bonito o passeio que iniciámos no albergue de peregrinos de Neda. Uma rota interpretativa, sobre lousas e passarelas de madeira que guardam e preservam as «marismas» do rio Belelle, um dos escassos sapais da ria de Ferrol. Depois de atravessarmos o arroio do Belelle, virámos 90º à esquerda para irmos ao encontro de uma estrada que divide a localidade e visitar a Igreja barroca de Santa Maria.

 

 

É de 1721 e guarda o «Cristo de la Cadena» ou o «Cristo da Cadea»,

 

 

uma imagem gótica, de estilo Tudor, que chegou a Neda em 1550, a bordo de um barco britânico que fugia das perseguições anglicanas”.

 

[Para uma informação mais aprofundada sobre o «Cristo da Cadea», no sítio da internet em -http://www.turgalicia.es/docs/mdaw/mtiw/~edisp/turga120015.pdf?langId=es_ES -, veja-se o texto sito na página 18].

 

Ora foi exatamente este périplo que fizemos. E do qual damos conta em suporte fotográfico, não deixando de apresentar a parte superior da imagem da Santa Maria, com a sua rosa azul.

 

 

Ao longo do passadiço fomos encontrar uma turma de infantes/adolescentes, devidamente acompanhados das respetivas professoras, dando-lhes aulas in loco e, quando chegámos à igreja, tivemos sorte em encontrá-la aberta: ia ser celebrada uma missa em sufrágio da alma do ex-primeiro-ministro, dos anos 70 do século passado, um dos propulsores do regime democrático espanhol, recentemente falecido - Adolfo Suarez.

 

Satisfeita a nossa curiosidade, fomos tratar do comer para jantar. Ao longo deste percurso, apreciámos pormenores do casario de Neda.

 

 

Preferimos entrar num supermercado e comprar produtos comermos pacatamente no que julgávamos sossegado albergue.

 

Feitas as compras, antes de sairmos da «superfície comercial», perguntámos à menina da Caixa se sabia onde encontrar um bar/café que tivesse WiFi, pronunciado em inglês escorreito. Para nosso espanto, mais meu do que do Tino, a menina não entendeu patavina do que lhe estava a perguntar. Falou-se então em internet e, com um grande ah! Perguntou-me:

 

-WiFi, pronunciado tal como se escreve. E disse-lhe:

- Si!

 

Então lá nos indicou a casa: a mesma para onde o Tino se está dirigindo.

 

 

Mas, antes de nos sentarmos para consumirmos um café ou uma água, perguntei ao senhor que atendia no balcão se tinham internet, deixando-me agora de «inglesices».

 

Respondeu-me que não.

 

À minha segunda pergunta - onde ficava uma casa que tivesse internet - lá me deu as indicações precisas da sua localização. Não havia, pois, que enganar. Mas, à cautela, sempre lhe fui perguntando:

 

- E como se llama?

 

A resposta foi pronta e incisiva:

 

- Chamalle como queiras.

- Como? - Retorqui-lhe.

- Chamalle como queiras! - Insistiu.

 

De cara ao lado, viemo-nos embora.

 

Seguindo as orientações dados pelo senhor, fomos ter ao Café/Bar:

 

Afinal, o senhor tinha razão. É mesmo o «Chamalle como queiras»!

 

 

 Sentámos e pedimos café e água. Acedi á minha página pessoal do Facebook, pondo a escrita em dia e saímos para ir para o albergue, pela estrada de asfalto, mais afastada da ria.

 

Do alto do Coto, esta soberba panorâmica sobre a ria de Ferrol, atravessada hoje por nós em toda a sua vertente direita.

 

 

 

Já perto do albergue começou a chuviscar. Coisa de pouca monta, que logo parou.

 

Quando chegámos já estava o «nosso casal» espanhol sentado na mesa a comer.

 

Depois de meia dúzia de palavras de circunstância quanto ao Caminho, e após jantarmos, cada qual foi para os seus aposentos. Àquela hora já não estávamos para muita conversa. O que queríamos era dormir.

 

Pese embora o barulho que a MEGASA debitava em excesso de decibéis para os meus ouvidos, lá fui conseguindo «pregar olho».

 

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 1ª etapa do Caminho para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 

 


publicado por andanhos às 17:47
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