Segunda-feira, 5 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - Percurso urbano - Da rua Rio Castro ao porto de Coruxeiras

 

 

CAMINHO INGÊS DE SANTIAGO

 

05. Abril. 2014

 

PERCURSO URBANO DA RUA RIO CASTRO AO PORTO DE CORUXEIRAS - INÍCIO DO CAMINHO

 

  

 

Dormi bem, mas acordei cedo.

 

Como a etapa não era longa, fiquei-me u pouco na «sorna».

 

Eram quase 9. 30 horas locais quando descemos para tomar o pequeno-almoço.

 

Comemos no café/bar do hotel - café com leite e torradas com manteiga e compotas.

 

De acordo com a indicação da véspera do amigo Daniel, rececionista/faz tudo, deveríamos sair pela rua Belando Piñeiro e dirigirmo-nos para a Estrada de Castela. Daí, percorreríamos, a toda a sua extensão a avenida até à praça de Espanha para, a partir daqui, apanhar a zona da cidade mais junto à ria a fim de podermos disfrutar a zona ribeirinha como o Arsenal, uma vez que, no percurso do Caminho, viríamos mais um pouco pelo interior. Desta feita, dizia Daniel, poderíamos ver melhor o «tramado» urbano que incluiria, para além da praça de Espanha, a praça Camilo José Cela, a rua Rochel, a praça do Callao, a rua Carmen, o Cantón de Molins, a praça da Constituição, a rua da Igreja, a Costa Mella, a rua Rastro, a praça Vella, o passeio da Mariña e, por fim, o porto das Coruxeiras.

 

Com este percurso, que aqui se apresenta o traçado na respetiva planta, e como dizia Daniel, poderíamos ver, entre outros, os seguintes monumentos, edifícios ou conjuntos urbanos com interesse em Ferrol:

  • a praça de Espanha;
  • uma ou outra escultura entre pequenas praças, como esta, de J. R. Gascón, «Mulheres falando em galego». que também poderiam falar português ou castelhano...;
  • o casario típico, com bares e casas de «tapeo», na praça do Callao;
  • a Fundação Caixa Galiza, na praça da Constituição, com o coreto de música na alameda ao lado;
  • o teatro Jofre, na praça da Galiza;
  • a concatedral de São Julião, na rua da Igreja, dedicada ao patrono de Ferrol, que se comemora no dia 7 de Janeiro. Começou-se a edificar em 1766, sob a direção do engenheiro da Marinha, Julián Sanchez Bort. É um magnífico exemplar de arquitetura neoclássica, que substituiu a primitiva igreja, situada em Ferrol Vello. Em 1959, o tempo foi elevado à categoria de concatedral, uma vez que Mondoñedo e Ferrol constituem uma mesma diocese;
  • o Mercado da Madalena, sito na rua dos Irmandiños, mas ao lado da rua da Igreja. É, sem dúvida, um dos melhores sítios ou lugares mais visitados da cidade. Tem um espaço com um frente mais atual,

 

mas um outro, mais antigo, o da peixaria,

 

 

é uma destacada obra modernista, reabilitada, do arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro, de 1923;

  • o Arsenal Militar, com o seu fosso, que se projetou para separar a cidade do Arsenal, constituindo, assim, uma verdadeira cidadela. As suas dimensões permitiam, inclusive, o refúgio de barcos de pesca durante os temporais. Foi tapado nos finais do século XIX e, hoje em dia, apenas se conserva o traçado escavado;
  • o Arsenal Militar - Porta do Parque, nas praça Vella.

 

É um conjunto formado pela portada e obelisco da pequena «ilha» frontal. Este último foi a antiga fonte da «Fama», construída em 1787 para a entrada da Porta do Dique e trasladado para aqui em meados do século XX. É de estilo classicista, com escudos da Espanha, Galiza, Ferrol e da Armada. A fachada ou portada é o resultado de uma antiga reforma do tempo de Isabel II, 1858. Destaca-se a grande pedra de armas, entre dois jarrões, rematada por bombas de artilharia - é o brasão de Filipe V, que estava no primitivo arsenal, em Graña. Sobressai o alto-relevo, com dois leões rampantes e a coroa real;

  • o casario da Costa de Mella.

 

Embora alguns em estado degradado, é de realçar as cores garridas das frontarias das suas casas «balconadas», ao jeito tradicional, dando um ar mais alegre às construções mais austeras do Arsenal, que lhe fica em frente;

  • o porto de Coruxeiras, ultrapassada a pra Vella e o Arsenal Militar, encontramo-nos em frente do nosso lugar de partida para dar início ao Caminho Inglês, ali mesmo junto à Farmácia, que lhe chamam de Saavedra,

 

mas que, sinceramente, ou por falta de atenção ou, por não ter qualquer publicidade, não lhe vi o nome. Do porto de Coruxeiras partem incessantes barcos para Morgados, típico povo marinheiro na outra margem da ria, e cruzeiros turísticos que se dirigem ao castelo de São Filipe, bem assim cruzeiros «românticos», com refeições a bordo.

 

Mas, antes da partida, tinha antes de fazer quatro coisas:

  • a primeira - tirar uma foto à Igreja da Virgem do Socorro,

 

que está, em relação ao nosso ponto de partida, mesmo ali ao lado, integrada em Ferrol Vello. No seu interior encontra-se o Cristo dos Navegantes, de grande devoção marinheira e popular, que, em todas as Semanas Santas ferrolanas, considerada de Interesse Turístico Nacional em toda a Espanha,

 

 

ombreando com a nossa de Braga, sai na sua afamada procissão. Quanto ao Cristo dos Navegantes,

 

 

conta a tradição que, um dia de forte temporal, se refugiou no porto de Ferrol um navio que transportava sal. Quando acabou a tempestade, o barco procurou fazer-se ao mar; mas, todas as vezes que o pretendia fazer, soprava novamente o vendaval. Numa última tentativa, verificou-se que, no tabuado do convés da embarcação, ressumava cheiro a salmoura. Por tal facto, o pessoal do navio foi obrigado a retirar a carga. E, nestes preparos, apareceu a descoberto, de uma forma inexplicável, o Cristo escondido (oculto) na adega do navio. Esta circunstância foi suficiente para explicar ao pessoal da tripulação do navio a razão de não poderem sair do porto - o Cristo queria ficar em Ferrol. E, meu dito, meu feito, entregaram a imagem à igreja paroquial de São Julião. A imagem foi, assim, ter ao Altar do Cristo da nova igreja. Posteriormente, com a construção da igreja de Nossa Senhora do Socorro (ou Virgem do Socorro), em estilo neoclássico, a Irmandade da Virgem, cujas obras começaram em Janeiro de 1767, trasladou, definitivamente o Cristo dos Navegantes para este templo. É uma imagem de grandes proporções, do século XVII, em estilo barroco, de natureza claramente popular. Mas, como em tudo quanto a tradição diz respeito, a imagem-estátua não está documentada em Ferrol Vello até 1984. Daqui se deduz que o Cristo dos Navegantes não é uma imagem histórica, mesmo que antiga. A imagem que hoje em dia vemos na Semana Santa ferrolana é hodierna, da autoria do artista compostelano Enrique Carballido. A imagem da tradição, mais antiga, face ao seu estado de degradação, foi retirada da procissão da Semana Santa pela Irmandade.

 

No interior da igreja também se encontra a imagem da Virgem do Socorro. Deixa-se aqui uma foto do seu manto.

 

  • a segunda, tirar uma foto no monólito/marco que marca o início ou partida do Caminho para os peregrinos que vão em direção a Santiago de Compostela, quando acolhiam aqui a este porto, vindos do norte da Europa e, inclusive, de França.

 

Refira-se, ainda, que daqui parte também um outro caminho milenar, muito percorrido e estimado pelas gentes galegas - o de Santo André de Teixido. Trata-se de um caminho que nos leva ao santuário de Santo André de Teixido, situado numa zona alcantilada, a pouca distância de Cedeira, na costa de Ortegal, escassamente povoada. Este caminho foi percorrido pelo galeguista Padre Sarmiento no verão de 1755 e cruza-se com o Caminho Inglês no mosteiro de Xubia ou Xuvia, cruzando as terras de Narón, Valdoviño e Cedeira. Diz a lenda popular (sempre a lenda!) que a Santo André de Teixido «vai de morto quem não foi de vivo». Assim, aquele que fez promessa ao santo e não visitou o seu santuário em vivo tem que ir de morto. E o modo de cumprir a peregrinação é com a ajuda dos familiares vivos ou conhecidos que - num dos rituais pré-cristãos mais peculiares da península - acompanharão a alma do morto que, do cemitério onde está enterrado, partem em direção ao santuário de Santo André de Teixido para voltarem ao mesmo lugar de partida. Só assim é que a alma do morto poderá descansar em paz. Pelos vistos, quer lá, como cá, as crenças são muito parecidas, quiçá, as mesmas!;

  • a terceira, dirigir-me ao Posto de Turismo do porto

 

para ver novidades quanto a brochuras, mapas e panfletos. Nada de especial havia, que já não nos fosse facultado pelo nosso anfitrião, rececionista/faz tudo, Daniel, empregado do Senhor Silva (nome ou sobrenome galego pouco frequente) dono do hotel que leva o mesmo nome, e,

  • em último lugar, no Café Sarga, mesmo colado à Farmácia Saavedra, abastecermo-nos de água para o Caminho, que nos esquecemos de comprar. Entretanto, Tino aproveitou para ali tomar um café.

 

Do hotel onde ficámos hospedados até ao porto de Coruxeiras, que são sensivelmente um pouco mais de dois quilómetros, demorámos cerca de 45 minutos. Andámos mesmo a passo de lesma, digo, caracol. A culpa foi das muitas fotografias tiradas e que, aqui, por manifestamente falta de espaço, e não nos tornarmos muito «maçudos», apenas apresentamos uma pequena amostra, embora relativamente representativa. Amostra do que mais nos despertou a atenção em função dos nossos gostos, preferências.

Conforme planta do traçado acima apresentada, praticamente atravessámos a maioria dos bairros de Ferrol:

  • Do Hotel Silva, onde ficámos alojados, as duas Ensanches (A e B), divididas pela Estrada de Castela. O hotel fica na Ensanche A. Para os espanhóis, Ensanche é um termo urbanístico, que significa zona de expansão urbana, devidamente planificada;
  • a seguir Recimil, delimitado a norte, pela Estrada de Castela; a nordeste, pela Ensanche B; a oeste, pelas praças de Espanha e Camilo José Cela, rua Rochel e praça do Callao e a sul, pela praça das Angustias e avenida de Esteiro;
  • depois, os bairros históricos da Madalena, Arsenal e Ferrol Vello e,
  • depois de iniciado o Caminho, voltámos a passar por Ferrol Vello e Madalena para seguirmos e passarmos pelos bairros do Esteiro e Caranza.

Só faltaram os bairros que ficam um pouco mais a norte do nosso percurso urbano até ao porto de Coruxeiras e ao longo do Caminho na cidade, na saída para Narón e Neda - Canido, Serrantes, Santa Mariña e Bertón.

 

Pelo que me foi dado ver, em conversa com as pessoas, de um modo particular com o nosso informante principal Daniel, Ferrol, sob o ponto de vista social e cultural, assenta muito na vida dos seus bairros e, no religioso, no trabalho muito dinâmico das suas Confrarias e Associações, tendo, como já se referiu, o seu ponto mais alto, as cerimónias da Semana Santa ferrolana, período muito próximo da altura em que iniciámos o nosso Caminho.

 

Infelizmente, não tivemos oportunidade de ver essa dinâmica, apercebendo-nos do «frenesim» que, uma cerimónia destas, sempre acarreta!

 

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama deste Percurso urbano - Do Hotel Silva ao porto de Coruxeiras - para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 


publicado por andanhos às 21:53
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