Sábado, 3 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Cam inho Inglês - Destaque - Ferrol

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

DESTAQUE - FERROL

 

 

A CONCEPCIÓN ARENAL

 

Porque fue buena y comprendió …

Porque su cuerpo fue leña

que su alma clara consumió

con una llama hogareña …

Porque negaba la maldad

y sabía la muerte impotente …

Porque alcanzó la bondad

del corazón y de la mente …

Porque tuvo al dolor cariño.

Porque en el hombre veía al niño …

Porque hizo el perdón fatal …

Porque endulzó las penitencias …

Porque iluminó las conciencias …

Es santa Concepción Arenal.

 

(Manuel Machado)

 

 

 

Quando efetuo qualquer viagem, ou percurso a pé, tenho sempre uma preocupação - saber o que vou encontrar. E, em função do tempo disponível e das condições atmosféricas e económicas, deixar-me melhor «seduzir» pelo que pretendo ver ou participar pelas novidades que vão aparecendo, disfrutando, assim, o melhor possível, da visita ou do caminho.

 

Neste Caminho também se teve essa preocupação. E, no que à cidade de Ferrol diz respeito, houve até renovadas. Sabia um pouco já da sua história, contudo, nunca tinha lá estado.

 

Dada a facilidade que hoje em dia temos em obter informações, aqui fica, pois, para os (as) nossos (as) leitores (as), o que resultou dessa nossa pesquisa e, depois, com o decorrer do Caminho, o que constatámos in loco.

 

Tivemos pena de não termos podido ir visitar o castelo de são Filipe

 

 

e o outro que lhe fica em frente, La Palma,

 

 

em Murgados, localidade tão rica pela sua gastronomia, em especial o «pulpo à morgadesa». Ficará para outra ocasião. Ferrol requer uma visita um pouco mais demorada e atenta.

 

Até 1938, esta cidade costeira chamava-se El Ferrol.

 

Foi uma terra que, durante a Guerra Civil Espanhola, mais se distinguiu no triunfo do golpe militar que levou à ditadura. Não é de admirar: o historicamente designado «Caudillo» nasceu neste município, razão pela qual, em 30 de Setembro de 1938, uma ordem emanada do Ministério do Interior Espanhol, assinada pelo seu titular Ramón Serrano Súñer (cunhado de Francisco Franco), mudava a designação daquela localidade natal do ditador para «El Ferrol del Caudillo».

 

Só em Dezembro de 1982, o Ayuntamiento ferrolano aprovou uma moção com vista a recuperar a denominação anterior - El Ferrol -, agora sem o epíteto «del Caudillo».

 

Finalmente, em 5 de Outubro de 1984, a denominação oficial do município e da sua cidade alterou-se, passando a chamar-se simplesmente Ferrol.

 

A história de Ferrol não está ligada apenas a um dos seus filhos que governou ditatorialmente Espanha durante dezenas de anos. Ela é muito mais vasta, rica e nobre.

 

Esta terra orgulha-se de nela ter nascidos personalidades relevantes na cena da história espanhola. Só a título de exemplo, referiremos:

 

Pablo Iglesias (1850-1925)

 

 

- fundador do Partido Socialista Obrero Español (PSOE) e da Unión General de Trabajadores (UGT);

 

Concepción Arenal (1820-1893)

 

 

- licenciada em Direito, escritora periodista, poeta, novelista, autora dramática e de zarzuela e foi a primeira mulher a frequentar uma universidade espanhola, em 1841, ainda que só como ouvinte e, provavelmente, com indumentária masculina, sendo ainda grande combatente pelo movimento feminista nos finais do século XIX;

 

Xaime Quintanilla Martínez (1898-1936)

 

 

- primeiro alcaide republicano de Ferrol, fuzilado pelos Nacionalistas, um mês depois do início da Guerra Civil Espanhola;

 

Gonzalo Torrente Ballester (1910-1999) - escritor, periodista e professor;

 

 

Mercedes Castro (1972...)

 

 

- escritora e antóloga da obra de Rosalía de Castro.

 

A referência mais antiga que se conhece de Ferrol vem do século I, quando o historiador romano Pomponio Mela, ao descrever o Magnus Portus Artraborum, o designa com o nome de Adobrica.

 

Mas há quem afirme que quem fundou Ferrol foram os normandos no século X. E será no século XI quando aparece o nome de Sancto Iuliano de Ferrol, em documento histórico.

 

Mas a tradição crê que Ferrol proveio de farol, aludindo à figura heráldica que aparece no escudo de armas da cidade, embora, segundo os especialistas, a origem do escudo remonta apenas ao século XVIII, existindo, ao longo dos tempos, diversas variantes, e não tendo havido, até 1990, legislação que se tenha pronunciado cabalmente sobre a composição heráldica de maneira oficial.

 

É este, pois, o estado da arte quanto ao seu topónimo e etimologia que, no cômputo geral da história tão rica e viva desta cidade, é de somenos importância.

 

Ferrol está localizada na ria com o mesmo nome, onde desemboca ou desagua o rio Xuvia, situando-se entre os cabos Prioriño e Segaño, protegida pelos ventos e pelos temporais que sopram dos montes Ventoso e Faro.

 

Mostra-se uma vista aérea de Ferrol.

  

 

E outra com a sua rede viária principal.

 

 

A ria de Ferrol, juntamente com as rias de A Coruña, Betanzos e Ares, conformam o golfo Ártrabo, nome, como vimos, já dado pelos romanos.

 

A sua situação na parte setentrional de uma ampla enseada, em frente ao oceano atlântico, fazem com que esta cidade goze de um clima oceânico, com temperaturas suaves durante todo o ano e precipitações frequentes.

 

Ferrol foi um porto militar muito importante na península durante séculos. E particularmente ligado às possessões ultramarinas.

 

Em Ferrol sucederam-se numerosas batalhas navais, inclusive desembarques promovidos pelos exércitos ingleses que ansiavam «capturar o melhor porto natural da costa atlântica da Europa».

 

Mas é, manifestamente, em 1726, com Filipe V, que Ferrol passa a ter importância e influência e a impor-se dentro do contexto peninsular, particularmente espanhol, com a criação dos Departamentos Navais de Ferrol, Cartagena e Cádis. E, durante o reinado de Fernando VI, a partir do ano 1750, com o Marquês de la Ensenada, quando mandou construir o Arsenal Militar e os Artilheiros Navais de Ferrol, tudo num projeto unitário que incluía o levantamento de novas fortificações defensivas e a construção de uma cidade, com uma nova planta, para acolher e absorver a chegada massiva de uma população que acabou por converter esta localidade galega na mais povoada da época.

 

(Plano de Ferrol - 1860)

 

Estávamos no período historicamente designado como Iluminista.

 

Com o Iluminismo, Ferrol ficou configurada numa urbe modelar, formada, essencialmente, por três bairros civis e um quarto, de caráter militar, situado dentro do Arsenal.

 

Os outros três bairros eram a Madalena, de construção nova e destinado à residência da classe burguesa e administrativa, o Esteiro, também novo, para a moradia dos trabalhadores e operários e, por último, o já existente Ferrol Vello, de origem medieval e de ambiente marinho.

 

 

Todo este espaço urbano era sabiamente articulado por uma alameda, considerada a primeira da Galiza, que dava vida e servia de eixo de articulação com todo o conjunto. Tratava-se de uma série de jardins, constituídos pela Alameda, o Cantón de Molíns e o Jardim das Angustias, que comunicavam por caminhos arborizados com os bairros de Esteiro e Ferrol Vello.

 

Embora o bairro de Esteiro tenha desaparecido, deixando escassos vestígios da sua existência, tanto materiais como culturais, o bairro da Madalena, é hoje considerado um dos melhores exemplares do urbanismo da sua época, com a especial fisionomia dos seus edifícios, com elegantes galerias envidraçadas e varandas, que mais tarde foram enriquecidas, à sua volta, com edifícios construídos ao bom gosto modernista.

 

O bairro da Madalena apresenta uma rigorosa retícula retangular com seis largas ruas longitudinais, estendidas ao longo de duas praças quadradas - a de Armas e a de Amboage - cortadas por nove ruas transversais, como se pode ver pelo seguinte mapa:

 

 

Apresenta um sistema simétrico e racionalista (classicista) de quarteirões, com grandes varandas de ferro forjado e galerias envidraçadas, inspiradas nos castelos de popa dos barcos, mandados construir por Carlos III, e que mais tarde se estenderam por toda a Galiza. Era, como se disse, a zona residencial da classe burguesa: oficiais da Marinha, engenheiros navais e comerciantes. E - facto curioso - quem sai de Ferrol Vello, pela rua de São Francisco, o primeiro prédio que vemos, logo à nossa direita, é o Palácio da Capitania, na praça do Contralmirante Azarola Gresillón, que foi residência oficial do Capitão Geral do Departamento Militar da Zona Marítima do Cantábrico, estrategicamente situado no início do novo bairro da Madalena.

 

A construção do bairro da Madalena correu paralela à das obras dos arsenais e do artilheiro real de Esteiro e os seus artífices são os mesmos engenheiros e arquitetos militares, entre eles, Jorge Juan e Julián Bort.

 

Uma caraterística fundamental da obra modernista de Ferrol, acrescentada ao seu estilo classicista, e da sua adaptação ao bairro histórico daMadalena, foi o facto de que, nos seus prédios, ressalta o papel de novos materiais construtivos, como o ferro fundido e o cimento, redesenhando as galerias tradicionais, com polivalentes e chamativos miradouros e galerias, cheias de decorações geométricas e naturalistas, com elaborados desenhos, cheios de cor, a juntar à sua utilidade material de proteção térmica e da chuva, e como de zona de transição entre o exterior e o interior.

 

Quando falamos de urbanismo e arquitetura em Ferrol há uma personalidade que é incontornável - o arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro.

 

 

Nascido em Vigo (Pontevedra), no ano de 1182, foi arquiteto do Ministério da Marinha até 1915 e Municipal até 1936, continuando o exercício da sua atividade profissional privada até 1975, cinco anos antes da sua morte, com a provecta idade de noventa e oito anos.

 

Entre os edifícios de maior interesse deste autor, levantados entre 1900 e 1925, em Ferrol, no estilo modernista imperante, contam-se:

  • Casa Romero,

 

 

com um pormenor da varada da esquina;                                          

 
  • Chalet de Antón;

 

 

  • Casa Pereira

 

  

  • e Casa Pereira 2
 

 

Quem uma vez em Ferrol, quiser fazer nesta cidade a «rota do modernismo», aconselha-se a que leia o seguinte sítio da internet - http://www.ferrol.es/arquivos/documentos/turismo/Modernismo%20-%20CAST.pdf.

 

O bairro da Madalena foi declarado Conjunto Histórico-Artístico pela peculiaridade do seu traçado e pela beleza da arquitetura dos seus edifícios.

 

O Arsenal Militar,

 

 

em 1994, foi declarado Bem de Interesse Cultural (BIC) por nele se reconhecer um alto valor patrimonial das suas construções, que fazem parte do Ferrol do século XVIII.

 

Em Fevereiro de 2000, Ferrol apresentou uma proposta, com o nome de «Ferrol - Património Histórico do Iluminismo» a Património da Humanidade — em que o centro histórico da cidade de Ferrol, o seu porto e a sua indústria naval são um exemplo notável da cidade portuária ideal do Classicismo, constituída por um porto-arsenal, zona residencial e as suas defesas O conjunto integra-se na geografia do estuário de Ferrol, e foi construído principalmente entre a segunda metade do século XVIII e o século XIX. Entre as mais de 50 construções portuárias com valor histórico, militares e civis, destacam-se os estaleiros navais, civil e militar, este último o mais importante de Espanha.

 

 (Duas fortes atalaias de Ferrol - Castelo de São Filipe e de la Palma)

 

Os Serviços de Turismo de Ferrol exibem um pequeno clip, indicando-nos 10 razões para visitar Ferrol, neste sítio - https://www.youtube.com/watch?v=lZqYo3HSR-g.

 

Exibe-se, por fim, um pequeno resumo de uma típica festa ferrolã - «Noite das Pepitas».

 

 


publicado por andanhos às 15:44
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