Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Ao Acaso - Amadeo de Souza-Cardoso-A «arte de loucos, de manicómio» 100 anos depois

 

 

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

 

A «ARTE DE LOUCOS, DE MANICÓMIO» 100 ANOS DEPOIS

00. ASC


Não foi a primeira vez que entrámos em contacto com a arte de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

Numa das nossas deslocações à «capital» do Baixo Tâmega, aproveitámos para entrar no Museu Municipal que leva o seu nome.

 

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu em Manhufe, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante, a 14 de novembro de 1887.

 

Foi um artista cuja vida não foi longa. Morreu, de pneumónica, em Espinho, a 25 de outubro de 1918.

 

Os entendidos dizem que pertence à primeira geração de pintores modernistas portugueses. E, como artista, «desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com artistas do seu tempo», articulando-se «de modo aberto com movimentos como o cubismo, o futurismo ou o expressionismo», atingindo em muitos momentos - e de modo sustentado na produção dos seus últimos anos - um nível em todo equiparável à produção da arte internacional sua contemporânea».

 

Todavia, foi preservando sempre uma certa autonomia artística, ao ponto de assumir que «não seguia uma escola ou um movimento específico, como o cubismo».

 

Amadeo de Souza-Cardoso expôs em França, na Alemanha, nos Estados Unidos e em Inglaterra, mas, sua obra inseria-se em «exposições coletivas», não tendo, por isso, um grande destaque, à exceção da de Londres, na qual a crítica foi muito positiva.

 

A única exposição individual que levou a cabo foi no Porto e, a seguir, em Lisboa, em 1916.

 

No Porto, no então Jardim do Salão Passos Manuel, hoje inexistente, e onde atualmente se localiza o Coliseu do Porto; em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa.

 

Se a exposição do Porto, no Jardim do Salão Passos Manuel, apresentava uma grande visibilidade, por ser «dos mais populares da época, onde havia um cinematógrafo, e até se dizia que ir ao Porto e não ir a Passos Manuel era como ir a Paris e não ir à Torre Eiffel», na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa, o espaço era mais elitista, «mais isolado, com uma carga política muito específica ligada à reação monárquica à primeira República».

 

A exposição de Amadeo de Souza-Cardos, em 1916, foi comissariada por ele próprio e teve a «proeza» de, em 12 dias, no Porto, ter 30 mil visitantes.

 

Mas não se pense que, à sua volta, reuniu um grande consenso de crítica positiva. Houve, positivamente, muitas apreciações, em jornais, negativas, por não compreenderem as linguagens novas e a estética vanguardista.

 

É de salientar, contudo, que houve alguns artigos de admiração e apreciação interessantes, «como os de Alfredo Pimenta, um homem da extrema-direita».

 

Para a opinião pública da época, cujo seu maior veiculador de opinião era o Primeiro de Janeiro, aquela exposição era uma «arte de loucos, uma arte de manicómio»; já, por sua vez, o Jornal de Notícias dizia que era uma proposta de arte extremamente interessante.

 

Foi uma exposição, acima de tudo, polémica, em que se debatiam campos opostos, chegando-se ao ponto de ter havido agressões físicas e até circular a hipótese de terem cuspido nos seus quadros expostos: é o que diz Marta Soares, uma das curadoras que, no espaço do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (de 1 de novembro a 31 de dezembro de 2016) e no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu Chiado (janeiro de 2017) nos procura(ra)m mostrar 81 das 114 obras que Amadeo expôs no Porto, na sua primeira exposição, volvidos que são 100 anos.

 

Em dezembro passado, estando no Porto, Ao Acaso,  e passando pelo antigo Palácio dos Carrancas (e antiga residência oficial dos soberanos portugueses, aquando das suas estadias no Porto, a partir de 1861),

01.- ASC


não resistimos em entrar neste edifico

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para ver a exposição da obra tão ostensivamente divulgada deste artista.

03.- ASC


Seguimos a sinalética aposta no Museu.

04. - ASC


Subimos. E, num corredor, sensivelmente a meio, entrámos.

05.- ASC


A partir deste recinto, «ornado» de várias esculturas famosas,

06.- ASC


não nos foi autorizado tirar mais fotografias.

 

Por tal circunstância, socorremo-nos de algumas fotos da imprensa, aquando da abertura, para mostrar 5 perspetivas da exposição:

07.- ASC
(PerspetivaI)

08.- ASC
(Perspetiva II)

09.- ASC
(Perspetiva III)

10.- ASC
(Perspetiva IV)

11.- ASC
(Perspetiva V)

E utilizámos o Catálogo da Exposição, que o comprámos para o efeito, das fotos de Susana Silva Oliveira e dos acervos fotográficos das obras, quer da Fundação Caloustre Gulbenkian, quer do Museu Municipal Amadeo de Soza-Cardoso (Amarante), quer do Museu Nacional Soares dos Reis para mostrar aquelas obras que, ao nosso olhar, foram mais impressivas.

 

Fica aqui, assim, um pequeno contributo na divulgação da arte dos nossos artistas por quem, a maioria de nós portugueses (quiçá por falta de uma verdadeira educação artística), muito pouco cuidamos de apreciar e admirar, com verdadeiro gosto estética.

11a.- Casa do Ribeiro, 1913. óleo sobre madeira, Coleção particular
(Casa do Ribeiro, 1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)

12.- A ascenção do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo souza-Cardoso
(A ascensão do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Col. particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

13.- A casita clara paysagem, 1915. óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(A casita clara paysagem, 1915. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

14.- A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. óleo sobre tela, Coleção particular
(A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

15.- Arabescodynamico - REAL...
(Arabesco dynamico = REAL - ocre rouge café. 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

16.- Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

17.- Paysagem Manhufe, 1912-1913. óleo sobre madeira. coleção particular
(Paysagem Manhufe, 1912-1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)18.- Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis

 
(Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis)

19.- Par Impar, 1915-1916.Coleção particular
(Par Impar, 1915-1916.Coleção particular)

20.- Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

21.- Mucha, 1915-1916.óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre gulbenkian
(Mucha, 1915-1916. Óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

22.- Pintura (Abstração), óleo sobre tela, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Pintura [Abstração), 1913. Óeo sobre tela, Coleção Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

23.- Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian (Coleção moderna)
(Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

24.- Vida dos Instrumentos, 1916 - Museu Soares dos Reis
(Vida dos Instrumentos, 1916 - Coleção do Museu Nacional Soares dos Reis)

25.- Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, óleo sobre cartão, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, 1913. Óleo sobre cartão, Coleção do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

26.- Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, pertencente à coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

27.- A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleçºao do Museu fundação Caloustre Goulbenkian (Coleção Moderna)
(A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção do Museu Caloustre Gulbenkian)

28.- Antiga Inanharmonia,1913 - 1914. Óleo sobre tela, Xoleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Antiga Inanharmonia, 1913 -1914. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

29.- Azenhas, 1915. óleo sobre tela, coleção particular em depósito no museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Azenhas, 1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

30.- Bruxa louca - cabeça, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Bruxa louca - cabeça, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

31. Canção Popular e Pássaro do Brasil, óleo sobre tela, c. 1916, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Canção Popular e Pássaro do Brasil, 1915. Óleo sobre tela, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

32.- Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito Museu Municipal amadeu Sousa-Cardoso
(Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeu Sousa-Cardoso)

33.- Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu municipal de amadeo de Souza-
(Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no M.M. de Amadeo de Souza-Cardoso)

34.- Músuca surda, 1914-1915. óleo sobre tela. coleção particular em depósito no Museu Minicipal Amadeo Souza-Cardoso
(Músuca surda, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

35.- O rata, 1914-1915,.Óleo sobre cartão, Coleção Museu municipal amadeo Souza-Cardoso
(O rata, 1914-1915. Óleo sobre cartão, Coleção Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

36.- Paysagem verde, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amedeo Souza-Cardoso
(Paysagem verde, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

37.- Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo de Souza-
(Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

38.- ASC

 


publicado por andanhos às 21:58
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