Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.1.5)


 

 

 

H.- Ourense – Atenas da Galiza (ou Terra de Mecenas)

 

Há em Ourense uma tendência a vestir bem, um bom gosto e uma nítida preocupação pela elegância, que vai para além da simples aparência. Aqui, talvez por estas condições sociais, histórica e culturais, surgiu uma boa escola de alfaiates e modistas, que são a base na qual se sustenta a indústria ourensã do desenho e da moda.

 

Terra de “chispa”, diz-se em Ourense, numa clara expressão com duplo significado, já que está claramente relacionada com a profissão ambulante de afiador e paragueiro. Mas também com a agilidade e a agudeza do pensamento, numa tendência ao gracejo, a uma irónica inocência ou modo inteligente de ver as coisas, com perspectiva e distância.

 

(Afiador e Paragueiro, de Antonio Faílde Gago - Nos Jardins de Riba túnel [S. Francisco])

 

Esta maneira de ser deu à cidade o melhor de si, o mais criativo, participativo, enfim, um ar mais feliz.

 

É, porventura - segundo nos diz o guia turístico Everest , Ourense, Vive y Descubre -, D. Xoán da Cova, que aqui viveu e nasceu, na segunda metade do século XIX, quem melhor representa este modo de ser. Inventor do Trampitán, idioma com vocação universal, mas de uso próprio, e de uma forma de viajar sem se mover do sítio, editor de um periódico escrito no seu idioma, no qual exercia o ofício de redactor, distribuidor e único leitor… O escritor José María Merino considerava-o um personagem tão singular, uma lenda, que o incluiu no seu livro “Leyendas españolas de todos los tempos. Una memoria social” .

 

Deste espírito se alimentaram Vicente Risco, Otero Pedrayo, Florentino Cuevillas, Primitivo Rodríguez Sanjurjo, Luís Trabazo, Xosé Ramón e Fernández Oxea (Be-Cho-Shey). Este último, escritor e etnógrafo, ao qual devemos a compilação do vocabulário do Barallete, a linguagem (fala) dos afiadores, e que nos deixou o seguinte epitáfio: “Quedan suprimidos todos los homenajes post mortem, porque las cosas ou se hacen a su tiempo o no se hacen”.

 

Irónico também o Carrabouxo, personagem criada pelo humorista Xosé Lois González, que cada dia faz sorrir os ourensanos, a partir das páginas do periódico ourensano La Región.

 

(O Carrabouxo, de César Lombera - Parque de São Lázaro)

 

Tudo isto supõe uma aprendizagem de vida, porventura relacionada com a condição de cruzamento de caminhos que Ourense é. Mas também com a diáspora migratória e com um nível cultural que fez já alguém a denominar “Atenas da Galiza”.

 

(Busto de Vicente Risco, de José Liste Naveira - Na rua com o seu nome)

 

Motivo pelo qual aqui se relativizam as coisas e tomamos consciência que há mais mundos e vidas para além do próximo e do óbvio, tal como já escrevia Vicente Risco no primeiro editorial da revista La Centuria: “Ourense dista seiscentos quilómetros de Madrid e, por acaso, menos de Nova Iorque. Em todo o caso, La Centuria vai cortar com esta última distância. Ourense não tem nada de cosmopolita nem de típico, nem de futurista, nem de tradicional: muitas casas velhas e nenhuma antiga. Mas tem sete estradas e, para além disso, tem-nos a nós.”

 

1.- A “Xeración Nós


Vicente Risco, Ramón Otero Pedrayo e Florentino López Cuevillas formaram o núcleo fundamental da Revista Nós, fundada em 1920 à volta da qual se agrupou a mais brilhante intelectualidade ourensã do momento: E. Montes; Blanco Amor; Primitivo Rodríguez Sanjurjo; Arturo Noguerol Buján; Antón Losada Diéguez, entre outros.

 

 

Membros do Ateneo Orensano animavam também a tertúlia do Café Royalty.

 

Constitui-se, desta forma, aquilo a que se chamou a Xeración Nós.

 

Os membros da Xeración Nós foram leitores de poetas estrangeiros; sentiram-se atraídos pelo exótico; foram grandes inconformistas; participaram de uma “sensibilidade” – introduzida em Espanha pelo modernismo -, na qual cabe a desconformidade política com o sistema da Restauração, até uma rebeldia vital face ao mundo espiritual que os rodeava.

 

Do ponto de vista cultural rejeitavam tanto o racionalismo cientista do século XIX como o realismo.

 

(Homenagem à Xeración Nós, Fernando Blanco - Nos Jardins do Campus Universitário)

 

O grupo seria definido por Risco, em 1933, simplesmente como “Nós, os inadaptados”, inadaptação que vai representar uma verdadeira contradição, pois chegaram ao nacionalismo depois de uma ampla viagem por outros horizontes culturais.

A obra deste grupo é muito heterogénea, abarcando desde o campo científico até ao literário.

 

A nível científico destacam-se os trabalhos de Vicente Risco sobre etnografia e a síntese que realiza sobre a evolução histórica da cultura galega; as investigações sobre geografia, de Otero Pedrayo; e a obra de Cuevillas dedicada à pré-história da Galiza. Na produção literária, dentro dos diversos géneros, apresenta uma grande variedade.

 

O grupo nasceu sem implicações políticas. Mas logo evoluiu, abandonando o seu esteticismo inicial a favor de pontos de vista galeguistas.

 

Vicente Risco foi o responsável de levar a cabo a primeira sistematização do nacionalismo galego, entendida como um problema essencialmente cultural, afirmando que a personalidade da Galiza lhe vem da raça, da língua, da tradição cultural e da história. A teoria do nacionalismo de Risco – e, por extensão, de toda a Xeración Nós -, bebe na fonte do idealismo alemão e será a que informa, ideologicamente, tanto as Irmandades (da Fala) como o Partido Galeguista, durante a II República.

 

2.- O Bar Tucho/O Volter e os “artistiñas”

 

 

O O Volter foi um bar, situado numa praceta de Ourense antiga –o  Erociño dos Caballeros -, próximo da Praça do Ferro, onde, a partir de 1963, se juntaram muitos intelectuais, artistas e liberais ourensanos daquela época.

 

A ideia, na realidade, foi de Vicente Risco, que criou uma versão local, única na Galiza, do que viu no “Cabaret Voltaire”, de Zurique (Suíça), no qual se reuniam os artistas da vanguarda europeia, no momento representada pelo surrealismo (dadaísmo).

 

Assim se criou em Ourense o Grupo Volter, cuja sede foi o bar O Tucho, e ali passaram a reunir-se, diariamente, personagens como os pintores e escultores Xaime Quessada, Xosé Luís de Dios, Acisclo Manzano e, mais tarde, Manuel García Buciños, Xavier Pousa, Arturo Baltar e Virxilio Fernández Cañedo.

 

O local foi centro de reunião de pintores e intelectuais daquela época, a que se juntaram Conde Corbal (médico) e Prego de Oliver (pintor).

 

Mas o O Volter, pouco a pouco, foi decaindo, à medida que a democracia e as liberdades também iam caindo.

 

Tucho, o emblemático taberneiro, gerente do local e considerado por toda a gente como o melhor de Ourense (assim figurava em alguns livros sobre os vinhos do Ribeiro), pouco a pouco, com o pesar dos anos, as novas modas e novos locais, teve de encerrar o estabelecimento: o O Volter desaparece assim.

 

(O Tucho)

 

Tucho foi um homem de uma sóbria elegância e de uma generosidade sem limites, que chegou até ao ponto de mudar o nome da sua taberna, por deferência para com uns artistas moços, cheios de inquietações, aqueles aquém Vicente Risco apelidava, carinhosamente, de os artistiñas.

 

O bar o O Tucho ou o O Volter, com os seus artistiñas, deixaram-nos uma riquíssima herança, formada por um grupo de amigos, unidos também por ideologia e ímpeto criador, que pôs Ourense no mapa mundial, segundo palavras de Anxeles Cuña, responsável pela homenagem ao bar o "O Volter”, realizada em 2008 (La Región, de 29.03.2008).

 

(Vicente Risco pairando sobre o artistiña Xosé Luis de Dios no O Volter)

 

O Tucho/Volter, com os seus artistiñas, representa “a fusão das artes, a festa, o pensamento e mesmo a vida”. Os volterianos ou volterinos, nas bonitas palavras de Xoan Luis de Dios, entretanto falecido, e aquando da homenagem/romagem àquele local, em 2008, “não viramos a página, o que fazemos é ler a página que nos passaram, por higiene democrática e por justiça histórica”.

 

O convívio e as tertúlias do Tucho/Volter era o de uma geração que tinha vivido na república e que procurava sempre as liberdades, depois da publicação da obra de Celso Emilio Ferreira “Longa noite de pedra”.

 

Para Xosé Lois Carrión, da Associação Amigos da Republica de Ourense, o espaço do Euriciño dos Caballeros, onde se situava o O Volter é o símbolo de um espaço livre, de livre pensamento, para Ourense.

 

(Homenagem às gerações do O Volter no Eurociño dos Caballeros)

 

Mercedes Gallego Esperanza, num seu artigo “Criterios expositivos em Ourense durante la segunda mitad del siglo XX” refere-nos que, a partir da década de 60 do século passado, o panorama artístico de Ourense começou a mudar. E que tudo se deveu ao “O Volter” e aos seus célebres “sete artistas galegos”, chamados os “artistiñas”. Ao buscarem a mudança e provocarem a renovação da cidade, com uma nova figuração e informalismo, duas tendências muito em voga nesta década em Espanha, encetaram um admirável esforço, dando novo alento e entusiasmo, para tirar Ourense do seu anquilosamento, catapultando-a para o mundo artístico. Dos lugares escassos para exposições, começam a abrir uma série de casas para exporem arte. Desde o Museu Arqueológico Provincial, dirigido por Ferro Couselo, ao Museu Municipal, desde o Liceo Ourensano, à Sociedad Artistica La Troya e ao Ateneo e aos mais recentes Caixa Ourense, Caixa Galicia, Caxa Vigo (que utiliza o Museu Provincial para as suas exposições), a Casa da Juventude e o Pazo de Vilamarín até às galerias privadas Souto, El Rincón del Arte, Choni, Conde Sueiro, Obradoiro das Artes de Tamallancos, Taller de Grabado, Sargadelos, Expression, Esse, Café Estudio 34, Latino, Issac e, mais recentemente, Marisa Marinón, Volter, Visol, Marja Parda ou Lucerna, entre outros, num constante abrir e fechar de lojas, o panorama artístico de Ourense nunca mais deixou de parar. E tudo isto graças, também, aquelas  duas gerações que propulsaram a auto-estima ourensana.

 

(Xosé Luis de Dios em plena maturidade)

 

 Por isso, em 2008, graças a uma bem merecida homenagem, foram aquelas duas gerações benzidas numa espécie de rito pagão, 45 anos depois  daqueles “artistiñas” terem homenageado Risco numa tasca do Ourense antigo.

 

(Quadro de Xosé Luis de Dios por si oferecido à associação Albergueria)

 

Quando conheci Ourense, nos anos 90 do século passado, e principalmente as suas gentes, o que mais me cativou foi ainda este espírito de “esquerdas”, solidário, aberto. A maior parte dos amigos e meus conhecidos que aí tenho estão ou na Associação Amigos da República de Ourense, ou no Liceo Ourensano ou são militantes ou simples simpatizantes do “Bloque”.

 

Para aquilatar da áurea daquelas duas gerações – Xeración Nós e dos artistiñas do  O Volter -, nada melhor do que deixar falar Marina Sanchez Soto que, na La Región, de 18 de Abril de 2008, em coluna de opinião, dizia:

 

“ (…) Graças a eles ainda nos fica esse laço, esse cordão umbilical que nos comunica com aquela Atenas da Galiza, que era o Ourense de então. Ainda, através deles, chegam-nos os ecos daqueles homens cultíssimos, capazes de fazerem quase tantas coisas como as que eram capazes de imaginar, aquele Risco, Otero Pedrayo, o Xocas… que souberam chegar aqueles moços e transmitir-lhes a necessidade de se cultivarem para que a sua arte mais prontamente tivesse voz própria. Quando os conheces, vês algo em comum neles: aquele ar de intelectualidade de grupo, essa geração unida, ainda que com as suas diferenças, que sonharam – com o respeito que caracteriza os homens de honra -, fazer a leitura mais anema, mais acertada, mais positiva e mais construtiva de cada um deles, como elemento de per si e de todos como conjunto. Formam uma formosa equipa. São nossos. Nascidos por um sonho, por uma ilusão e, ainda que à vezes inadaptados, alimentaram-se de entusiasmo e do bem fazer e, todos eles, sem excepção, dotados de uma sensibilidade apurada que os fez grandes (…) Quem diz que em Ourense não há talento, perguntem aos artistiñas!!!

 

3.- A nova Ourense do século XXI e a sua escultura pública (urbana)

 

Pode-se bem dizer que, aqui, graças a esta terra e a estas gentes tão peculiares, a pátria galega ressurgiu, ergueu-se, qual Fénix renascida, para alento e orgulho actual de todos os galegos.

 

Ao longo do longo processo que foi o desabrochar do nacionalismo galego, com os movimentos, primeiro,  o provincialismo, e depois, o ressurgimento, o regionalismo, as Irmandades da Fala, até à constituição do Partido Galeguista, Ourense esteve sempre na sua vanguarda. Na defesa da sua terra. Com a sua língua própria, as suas tradições e a sua história.

 

Nas minhas deambulações por esta antiga e vetusta cidade, fui-me apercebendo do carinho e do valor que os galegos e, em especial os ourensanos, dão aquilo que é deles. Um exemplo a seguir, entre nós…

 

À volta dos ditos artistiñas, e mercê do impulso que estes na cidade criaram, prolifou depois uma plêiade de artistas que não só dinamizaram culturalmente a cidade como, alguns, em especial os escultores, a embelezaram com as suas obras, contribuindo, assim, para a nova imagem que Ourense hoje nos apresenta.

 

Vou assim, desta feita, apresentar algumas das obras de artistas ourensanos que, ao longo dos diferentes percursos urbanos que fiz em Ourense, fui encontrando.

 

3.1.- Antonio Faílde Gago

 

Um escultor muito acarinhado pelos artistiñas. O Roteiro Volter tem aqui uma sua estação, porventura a primeira, nos Jardins de Faílde, aos Remédios:

 

(Mural Feria do Campo Madrid)

 

No Parque Minho:

 

(Mulher sentada)

 

 

Deste autor, e mais acima neste post, já inserimos a obra Afiador e Paragueiro.

 

3.3.- Acisclo Manzano

 

Já incluímos em posts anteriores, obras deste autor, como sejam, Alegoria das Ninfas, nos Jardins das Burgas e A Venus do Minho, nas "Pozas" e Termas da A Chavasqueira bem assim o Monolito à entrada do passeio "Itinerário Ambiental do rio Ninho".

 

No Hospital de Santa Maria Nai (Mãe):

 

(Maternidade)

 

Na Praça de Santo António:

 

(Lembranza feminina)

 

No Parque Minho:

 

(Figura abstracta)

 

E, no Parque Barbaña, em colaboração com Xaime Quessada:

 

(Fauno e sereia)

 

Na rua do Paseo:

 

(Maternidade)

 

 

3.4.- Arturo Baltar

 

No Parque Minho:

 

(Sereia aleitando um filho)

 

3.5.- Manolo Buciños

 

Na Praça do Correxidor:

 

(Otero Pedrayo)

 

 

Na Praça das Mercedes:

 

(Manuel Rei de Viana)

 

Na rua da Imprenta:

 

(Castelao)

 

Na rua Barreira, cruzamento com Bailén:

 

(Homenagem a Alexandre Boveda)

 

No adro na Igreja de Santiago das Caldas:

 

(Busto de Xesús Pousa)

 

No adro da Igreja de Fátima, no Couto:

 

(Busto de Xosé Álvarez)

 

Na Praça Peñafiel, Reza Vella:

 

(Gaiteiro)

 

3.6.- Xosé Cid

 

Na Praça Leiras Pulpeiro, na Mariñamansal:

 

(Exaltação)

 

Na rua Pablo Iglésias, perto do Conservatório:

 

(Parella)

Em Reza, Campo da Festa:

 

(Gaiteiro Luís Padrón Sotelo)

Na Praça Alférez Provisional:

 

 

(São Rosendo)

 

Na rua abaixo do Auditório de Ourense:

 

(Mulher)

 

No Parque Minho:

 

(Homem)

 

Na Avenida de Santiago, bifurcação com Rei Soto, antiga estrada de Santiago:

 

(Os caminhantes)

 

Na Rotunda "As Lagoas":

 

(O afiador)

 

Na rua Curros Enríquez:

 

(A castanheira)

 

Nos Jardins Bispo Cesáreo:

 

(Blanco Amor)

 

3.7.- Ramón Conde

 

Já em anterior post mostrámos o busto de Xesús Ferro Couselo feito por este escultor.

 

Na Av. Pablo Iglésias:

 

(Busto de Pablo Iglésias)

 

No Parque Minho:

 

(Homem em pé)

Na rua do Paseo:

 

(Leiteira)

 

Na rua Curros Enríquez:

 

(Rally Ourense)

 

No cruzamento das ruas Ramón Cabanillas e Ramón del Valle-Inclán:

 

(Ramón Cabanillas e Ramón Valle-Inclán)

 

 

3.8.- Luis Borrajo

 

Em C.E. Ferreiro, Casa da Juventude:

 

(Para estra jovem)

No Parque Minho:

 

 

(Escultura abstracta)

 

Nos Jardins das Burgas:

 

(A casa de Nube)

 

Na Alameda do Concello:

 

(Mulher despida)

 

3.9.- César Prada

 

No Progreso-Vilar, Praça do Posío:

 

(Busto do médico Luís Gallego)

 

Na Rotunda S. de Madariaga/Fonte do Bispo, em colaboração com alunos:

 

(A familia)

3.10.- Fernando Garcia Blanco

 

Nos Jardins D. Bosco:

 

(D. Bosco)

 

3.11.- José Manuel Pateiro

 

No Jardim Ponte do Milenio, margem direita:

 

 

(Piramo e Tisbe - Amor de Juventude)

 

3.12.- Xosé Antón Ferrer

 

Na Rotunda de Pardo Bazán:

 

(A mulher com a bola do mundo)

 

3.13.- Luis González Xesta

 

 Na Rotunda do Pavilhão dos Desportos:

 

(Fonte quente)

 

3.14.- Xosé Lois Carrera

 

Na Rotunda da Ponte Milenio, margem esquerda:

 

(Nexus VI)

 

3.15.- Um português – Manuel Patinha

 

Na rua dos Remédios:

 

(Caminhante)

 

3.16.- Dois autores da primeira metade do século XX

 

3.16.1.- Manuel Pascual (1907)

 

No Jardim do Posío, no monumento a Vicente Lamas Carvajal, o busto é deste autor, o restante, em granito, é de Faílde (1949).

 

(Vicente Lamas Carvajal)

 

3.16.2.- Francisco Assorey

 

No Jardim do Posío:

 

(Prado Lameiro)

 

 

Em Pedrafita existe um bloco de pedra do Beiro, com uma inscrição em bronze de Assurey:

 

(Monumento a Florentino L. Cuevillas)

Na Praça de são Lázaro:

 

(Anjo - Monumento às vítimas da guerra)

 

3.17.- Dois autores do século XIX

 

3.17.1.- Juan Soler y Dalmau (1887)

 

Nos Jardim Padre Feijoo:

 

(Padre Feijoo)

 

3.17.- Aniceto Mariñas Garcia (1898)

 

Na Praça do Palácio da Justiça:

 

(Concepción Arenal)

 

3.18.- Outras esculturas

 

Para a listagem destas obras temos vindo a seguir os seguintes trabalhos:

  • Evocaciones en piedra y bronce. Escultura publica en Ourense”, de María de las Mercedes Gallego Esperanza, editado pela Deputación, em 1993;
  • o folheto “Roteiro das esculturas urbanas de Ourense”, do Concello de Ourense, 2002;
  • e o “Catálogo de escultura urbana publica existente no Concello de Ourense, em Janeiro de 2010", de Manolo Domínguez, de Canedo-Ourense, no seu sítio www.canedo.eu.

De acordo com este autor, existem ainda três obras ainda não referidas aqui, a saber:

 

(Busto de Basílio Álvarez)

 

 

Trata-se de uma obra de autor desconhecido, sita no Beiro;

 

(Homenagem a Florentino L. Cuevillas)

 

É um penedo furado, sito na Alameda do Concello, trazido dos Chãos de Amoeiro.

 

(Gaiteiro)

 

O autor deste gaiteiro é desconhecido. Está no Castro de Beiro, frente à Igreja.

 

3.19.- Esculturas recentes na cidade de Ourense

 

São três as mais recentes obras de arte expostas na cidade de Ourense. Duas delas muito perto uma da outra, engrandecendo e embelezando a Ponte Milenio, que lhe está próxima.

 

Aqui temos uma:

 

(Árvores em súplica - título provisório, à espera do seu verdadeiro)

 

E mais outra:

 

(Cruzamento de caminhos - chamar-lhe-ia eu, à espera do seu nome autêntico)

 

Uma outra terceira, na Rotunda que dá acesso, creio, à rua Marcelo Morais y García:

 

(Olivo implorante - digo eu)

 

Não sei o nome de cada uma deles. Espero em breve elucidar os caros leitores, à falta de melhor, vai o que elas me sugerem de momento.

 

Ainda nas minhas deambulações ourensanos, detectei mais três. Elas aqui ficam:

 

Na Alameda da Ponte. É mais para além da aparência de um tanque:

 

(Setas de água apontadas ao céu - não?)

 

No C.E.E.I.P Curros Enríquez:

 

(Homenagem a Curros Enríquez)

 

Creio que, na fachada ao lado da fachada principal do Instituto IES Otero Pedrayo, também a seguinte placa, invocando um grande ourensano:

 

Placa indicativa da casa onde viveu e trabalhou Arturo Nogueirol Buján)

 

Nos finais de Janeiro de 2011, na Praça Saco e Arce, foi inaugurada uma escultura do artista Manuel Penin:

 

 

Trata-se, com esta obra, que teve o apoio do Concello de Ourense, de homenagear Obdulia Díaz (e sua filha Lola Nóvoa). Obdulia, ourensana de gema, consagrou, durante quarenta anos, toda a sua vida, a criar crianças sem recursos, e, de um modo especial, os filhos da “mulheres da vida”, que exerciam a prostituição nos locais do centro histórico de Ourense.

 

Deixo aqui o testemunho do próprio artista Manuel Penin, proferido no próprio dia da inauguração e homenagem a esta benemérita daqueles tempos, num tempo, como o de hoje, que tanto se fala em solidariedade:

Eu vivi aquela história em primeira mão, porque tinha um amigo que se criou com ela. Como estudei nas Irmãs Villar e em Otero Pedrayo via diariamente o que faziam. Foi uma mulher admirável, aliás como a sua filha, que tinha um só objectivo – criar aquelas crianças, vê-las crescer e dar-lhes uma educação. Ainda a recordo, acompanhada de suas crianças, e demais pessoas, descendo, todos os dias, até Às Burgas, para lavar. A peça, que hoje inauguramos, rememora aquela tábua de lavar” (La Voz de Galicia, 2011/01/29). E criou mais de duzentas crianças!...

 

Este post foi mais um exercício de um andarilho à procura de andanhos. No fundo, tentando descobrir a verdadeira alma de uma cidade, como é que ela pulsa e quais os seus valores. A toponímia e a escultura (arte) urbana apresentam-nos, sem dúvida, os símbolos de uma terra; indicam-nos onde reside a sua própria identidade; como se constrói a sua própria auto-estima.

 

É no conhecimento dos seus símbolos, no encontrar os seus valores, que Ourense me encanta. Não tanto pela sua monumentalidade: pelo apego ao seu terrunho, à sua história, aos seus.

 

No último post que irei apresentar sobre Ourense abordarei um dos aspectos desta terra que o percurso pela sua estatuária e o conhecimento da sua toponímia me despertou.

 

Olho para a minha terra, tão perto, mas, simultaneamente, tão longe de Ourense, e interrogo-me: qual o sentido que demos à nossa história comum? O que construímos com ela? O que dela aproveitamos? Que fizemos com as afinidades territóriais, sociais e culturais, enfim, das relações de vizinhança? O que queremos construir numa Ibéria de estados, no contexto de uma Europa que, queremos, que seja solidária, e dos povos, das nações?

 

Temos ainda uma grande lição a aprender e um logo caminho a percorrer...


publicado por andanhos às 19:08
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