Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 2.3)

 

Saímos de Ourense pela Ponte Velha sobre o rio Minho.

 

Depois de sairmos do perímetro urbano, apercebo-me que deixei a minha carteira, com documentos e dinheiro, no albergue.

 

Lá tive de pegar num táxi e voltar ao albergue, enquanto Fabios e Moti(k) aguardaram por mim.

 

Por sorte, ou honestidade dos ocupantes, a carteira lá se encontrava intacta na cama da camarata onde dormimos.

 

Voltei de táxi ao encontro dos meus companheiros.

 

E lá tivemos que subir o afamado Caminho Real. Rica estopada!

 

Subimos o Caminho Real até Cudeiro Norte e, mais à frente, pelo Caminho da Costa, com restos de antiga calçada empedrada.

 

Optámos por ir por Sartédigos, em vez de Caschasúas, Liñeares e Mandrás.

 

Depois de Sartédigos, o Caminho foi agradável e aprazível: ora nos aparecia o bosque típico de carvalhos (robles) e castanheiros;

 

 

 

 ora casas (moradias) disseminadas pela paisagem; ora vinhedos, junto às casas;

 

 

 ora ainda as cortinhas tão tipicamente galegas como do Norte de Portugal.

 

 

Tive pena de, em Tamallancos, não ter visto o Paço barroco de Tamallancos, do século XVIII, um dos cinco paços pertencentes a Villamarin, entre eles o célebre Paço de Villamarin. Segundo María Teresa Ribera Rodríguez, o Paço de Villamarin pertenceu ao conde de Ribadávia e foi destruído durante a Revolta Irmandiña, em 1467. É actualmente propriedade da  Deputação Provincial de Ourense.

 

Em Sobreira, passámos por uma ponte de pedra sobre o rio Barbantiño, do século XIII ou XIV.

 

 

Finalmente chegámos a San Cristovo de Cea, a “Vila do bom pão”.

 

Pese embora a sua torre do relógio e o edifício da Casa do Concello, na Praza Maior,

 

 

como alguém dizia, o pão “moreno” de Cea apenas necessita de publicidade, porquanto não há nenhum monumento histórico na povoação que lhe arrebate o primeiro lugar.

 

 

Só de fornos tradicionais, a lenha, existem 20, com 16 ou 17 em elaboração.

 

Têm os mais variados e sugestivos nomesForno do Santo; Forno da Parapeta; Forno da Rua; Forno do Abade; Forno da Burata; Forno da Pepita, entre outros. Mostramos duas fotos, de dois deles, e o interior de um outro, com o respectivo contexto da sua implantação:

 

(Forno do Abade)
(Forno do Santo)
(Interior de um forno)

 

Historicamente, Cea desenvolveu-se em paralelo com o Mosteiro de Oseira, que lhe fica a 9,5 Km, por estrada.

 

Se bem que antigamente os monges de Oseira ditaram, de acordo com uns censos do século XVIII, que toda a povoação vivesse para o fabrico e produção do pão, hoje em dia já não é assim.

 

Quando, em 2007, fiz este Caminho, fiquei com imensa pena por não ter ido visitar o Mosteiro de Oseira. Naquele altura deixei-me dormir, depois de ter pregado uma partida a Fabios – esconder-lhe a flauta – para não me fazer barulho e me deixar a descansar, tranquilo. Entretanto, alguns companheiros do albergue, alugando um táxi, foram-no visitar. E eu que tinha mostrado tanto interesse também em ir, “fiquei em terra”.

 

E fiquei com aquele “bicho” de lá ir, uma vez que, na jornada do dia a seguir, optámos por não passar por lá, dado ser uma alternativa muito mais longa.

 

Há poucos dias fui lá passar dois dias com a Ni, na Hospedaria do Convento. Na secção três, desta reportagem, sob a epígrafe Destaque(s), falarei mais detalhadamente sobre este Convento e sua respectiva Igreja.

 

O pão que nestes últimos dias comi no Mosteiro era efectivamente muito bom, contudo, como fomos informados pelo irmão hospedeiro Alfonso, um dos 18 monges da actual comunidade, já não é em Cea que o Mosteiro se abastece, mas num outro concelho ao lado, O Reino. Coisas dos tempos…

 

As instalações do albergue, sitas na Casa das Netas, que pertenceu durante muito tempo aos “cobradores dos tributos do partido de Cea”, “gentes acomodadas”, é um exemplar da arquitectura tradicional rural, adaptada para albergue de peregrinos.

 

Aqui ficam três imagens dele:

 

(Exterior do albergue)
(Terraço do albergue)

 

Queria agora apresentar quatro ilustres personagens, oriundos de Bilbau, que encontramos a partir do albergue de Ourense. Aqui deixo as suas respectivas imagens que, suponho, deverei ficar perdoado por as ter publicado sem a respectiva permissão dos ditos.

 

 

Acompanharam-nos durante parte de Caminho até Santiago. Como faziam parte de um grupo, tinham o seu ritmo próprio. Aqui e ali íamo-nos encontrando e confraternizando.

 

 

 


publicado por andanhos às 22:18
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Versejando com imagem - A...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Palavras soltas... Em dia...

. Ao Acaso... Com Torga, fa...

. Reino Maravilhoso - Barro...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Versejando com imagem - L...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.links

.StatCounter


View My Stats
blog-logo