Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

Por terras da Ibéria - Trihos 6 e 5, de montanha, no Parque Natural do Lago de Sanábria e Arredores

 

POR TERRAS DA IBÉRIA


 
PARQUE NATURAL DO LAGO DE SANÁBRIA E ARREDORES

 
- CAMINHADA NOS PERCURSOS DE MONTANHA nº 6 e 5 -

(Sotillo de Sanabria-Cascata e Lagoa de Sotillo-Sotillo de Sanabria)
 

 

Uma paisagem nunca vista é uma grande felicidade,  

e em cada volta há sempre algo novo. 

Bastam duas ou três horas de caminhada 

para me encontrar em regiões desconhecidas que nunca esperaria ver (…)

Ao passo que todos os homens 

sentem uma atração por algo que os impele para a sociedade, 

poucos se sentem atraídos pela Natureza. 

Na sua relação com a Natureza, 

os homens parecem-me geralmente, 

não obstante as suas artes, de condição inferior aos animais. 

Não é geralmente uma relação bonita, como é a dos animais. 

Quão pouca consideração temos pela beleza da paisagem!
 
Henry David Thoreau, Caminhada 
 

00.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (146)

Na presente fase, nosso estado de espírito vai ao encontro do pensamento de Henry David Thoreau na sua obra Caminhada.

 

Na verdade, ao caminharmos, em plena Natureza, pouco explorada, diríamos pouco devassada, em que a mão do Homem a não tolheu, sentimo-nos num outro Mundo, usufruindo de um total espírito de liberdade, num meio em que o silêncio impera ou, então, os sons próprios da mãe Natureza, convidando-nos ao deleite dos seus seres livres e à meditação sobre a nossa condição humana.
 
Enfim, sentimo-nos em comunhão plena com a Natureza, usufruindo da pura beleza das suas paisagens em que a mão do Homem é muito ténue.
 
Não sabemos que o boom a que se está a assistir em fazer caminhadas tem a ver com o espírito a que nos referimos. Porventura não passará de uma moda, como muitas, que a sociedade em que vivemos tenta explorar, nomeadamente para fins económico-turísticos, tornando-nos verdadeiros comedores e não apreciadores de paisagens.
 
No Mundo em que vivemos, há lugar e liberdade para tudo. Pela nossa parte, privilegiamos a contemplação pura da Natureza, de preferência no seu estilo natural ou selvagem, embora saibamos que a mão do Homem está e se faz sentir por toda a parte.
 
E quão certeiras, embora tão distantes, as palavras de Thoreau quando, mais de dois séculos antes, escrevia os pensamentos com que iniciamos este post!...
 
Porventura algum leitor mais atento, ou crítico, perguntar-nos-á porque, nas nossas últimas caminhadas, nos temos virado, e privilegiado, as que decorrem nos trilhos e percursos do Parque Natural do Lago da Sanábria e Arredores, na Galiza e Castela e Leão, quando, em Portugal, temos trilhos ou percursos que, em nada, ficam a dever a estes.
 
Responderemos que não é só a proximidade, mas também o partilhar e percorrer o território, que não tem fronteiras, juntamente com o nosso irmão que mora ao nosso lado, que nos incita a, como português, sairmos da norma e nos misturar com o diferente que, no final de contas, é o mesmo ou igual.
 
Mas não são apenas aqueles dois fatores, ou aspetos, que nos motivam a dar um salto de fronteira e percorrer caminhos e veredas de um território que, no fundo, em pouco ou quase nada, se distingue do nosso. Estamos na mesma Península. A continuidade do território e de paisagens é uma realidade indesmentível, em que as culturas, criadas pela História, embora apresentem diferenças, todavia, as pessoas que as suportam são portadoras dos mesmos sentimentos e estados de alma que as liga à mesma terra comum – a Ibéria.
 
Mas, ainda mais do que tudo que vimos dizendo, caminhar pelos trilhos e veredas do Parque Natural do Lago de Sanábria e Arredores desperta-nos a curiosidade para, no silêncio do nosso caminhar, observando a natureza destas paisagens e deste território, refletirmos sobre o ninho onde nascemos, como se formou e evoluiu, fornecendo-nos matéria para nos ajudar a ter mais consciência e respeito por um Planeta que, a toda a hora e momento, é sujeito a "tratos de polé" por um dos seus habitantes, pondo em perigo a sobrevivência de todas as espécies que nele coabitam.
 
Bem bastam as próprias convulsões internas a que a Terra é sujeita pela sua própria natureza! E, como tal circunstância, já não fosse suficiente, o que se intitula Rei de tudo isto, tudo faz, infelizmente, para provocar e acelerar o monstro adormecido nas suas entranhas!
 
Por tudo quanto acabámos de referir, não resistimos ao apelo, uma vez mais, do amigo Pablo para nos embrenhar num dos territórios peninsulares mais profundos e genuínos – o Parque Natural do Lago de Sanábria e Arredores.

 

Os trilhos escolhidos para caminharmos foram os «senderos» nº 6 e nº 5, de montanha,– Cascata e Lagoa de Sotillo de Sanabria.
 
É voz unânime, de todos aqueles que fizeram estes trilhos, principalmente o da Cascata de Sotillo, tratar-se de um dos mais famosos, mais belo e espetacular do Parque Natural do Lago de Sanabria e Arredores, que se pode efetuar e disfrutar em qualquer altura do ano. 
 
Segundo o autor do blogue «La Garafa», este percurso pode-se realizar em qualquer época do ano, pois cada estação tem um aliciante diferente, como seja, as cores do outono, o gelo e a neve de inverno e a água torrencial na primavera, sendo a estação menos recomendável o verão, não só por via do calor, como também pela massificação do percurso da cascata, principalmente em alguns dias festivos.
 
Apresentamos aos leitores o mapa do Parque

PARQUE NATURAL DEL LAGO DE SANABRIA Y ALREDEDORES

que cobre os territórios municipais do Porto, Galende, Trefacio e Cobreros.

SANABRIA definitivo.qxd

Mostremos, no Google Earth, traçado a vermelho, qual foi o nosso percurso,

03.- Cascada e Laguna de Sotillo - Mapa

bem assim o mesmo percurso no mapa dos competentes serviços do Estado espanhol.

04.- Mapa do Trilhos 6 e 5 de Sotillo de Sannabria

Como se pode verificar, a caminhada inclui dois trilhos: o trilho («sendero») nº 6, que vai até à Cascata de Sotillo e o trilho («sendero») nº 5, que vai desde as proximidades da Cascata de Sotillo até à Lagoa de Sotillo.

 
Depois de irmos até à Lagoa, voltamos pelo mesmo caminho até à Cascata e, na Cascata, seguindo pelas proximidades das margens do rio de las Truchas, voltamos a Sotillo de Sanabria. Ou seja, deixamos a meio o percurso circular do «sendero» nº 6 (Cascata de Sotillo) para, depois, irmos para a Lagoa de Sotillo sendero» nº 5), voltando pelo mesmo caminho até à Cascata, completando depois o percurso circular do «sendero» nº 6 (da Cascata).
 
Foi esta a proposta que Pablo nos apresentou e com a qual concordámos, evitando, assim, na volta, o percurso do «sendero» nº 5 que decorre, a meia encosta, pelo Alto de los Fitos e pela Fraga de Valmalo, lugares completamente desprotegidos do sol, sem sombras, face ao dia de intenso calor como se nos apresentou o dia 13 de setembro passado. O percurso da Cascata e, daqui, até à Lagoa apresenta-se com muitas sombras, com um bosque impressionante e espetacular, como teremos oportunidade de referir. 
 
Não seguimos, por isso, o percurso feito pelo autor do blogue «La Garafa», mais próprio para um tempo menos solarengo.
 
Estacionámos o carro, vindos da Puente de Sanabria, num pequeno recinto nas proximidades da igreja paroquial de Sotillo de Sanabria, que tem como padroeiro, ou orago, São Lourenço.

05.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (2)

Esta caminhada teve dois representantes de duas gerações: os “velhotes”, Pablo e António; os jovens/adolescentes, Xosé e Hugo.

 
Do recinto da igreja, atravessando a pequena aldeia, a pé, 

06.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (13)

dirigimo-nos até à Área Recreativa do ribeiro (arroyo) de las Truchas, local onde oficialmente começa o «sendero» nº 6 – Cascata de Sotillo.

07.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (21)

Há quem diga, principalmente os amantes da fauna e da flora, que fazer este percurso na primavera, quando a Natureza começa a despertar da letargia do inverno, é um regalo para todos os sentidos, de um modo especial para a vista, com todos os tons e cores, predominantemente verdes, e para os ouvidos, pelo cachoar das águas e a sinfonia das aves. Que nos incita a melhor observar e conhecer a Natureza.

 

A partir da Área Recreativa do ribeiro/rio (arroyo) de las Truchas, virando à direita, começámos a subir por um caminho pedregoso

08.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (32)

que, na estação do inverno, e no princípio da primavera, deve consistir num verdadeiro regato de água, que vai desaguar ao Truchas.

 

Conforme vamos subindo, assim vamos ficando rodeados por um autêntico bosque, onde imperam os jovens carvalhos pirenaica ou carvalhos galaico-portugueses, também conhecidos por carvalhos negrais (Quercus pyrenaicae), que vieram substituir os vetustos carvalhos, não atingindo, a maioria deles, mais de 30 ou 40 anos. 

09.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (63)

Pablo – um homem amante e habituado a conviver com a floresta -, ao passar por esta zona, sentia-se um verdadeiro Príncipe da Natureza.

10.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (65)

Nas zonas mais ensoleiradas, predominam as giestas pioneiras (ou piornos), a que lhe chamam também retama, utilizadas para fazer vassouras.

 

A determinada altura, o nosso caminho desaparece, transformando-se em vereda, mas o percurso está muito bem sinalizado, com pequenos postes de sinalização castanha, cravados em fragas ou penedos.

 
A gente do blogue «Isla Muir», de 28 de junho de 2010, diz-nos que o percurso que nos leva à Cascata de Sotillo faz-se, ao fim e ao cabo, por entre um típico bosque caducifólio - um carvalhal. A “definição fitossociológica deste carvalhal pirenaico, supramediterrâneo, ourensano-sanabrês, seria, muito possivelmente, a denominada «Holco molis – Quercetum pyrenaicae»”.
 
Mas não é apenas o carvalho pirenaico ou carvalho negral que atapeta este lugar. Aqui e ali aparecem as avelaneiras (Corylus avellana), com as suas características folhas, um ou outro castanheiro (Castanea sativa), com o seu vetusto porte, tramazeiras (Sorbus aucuparia), ou, como lhe chama o amigo Pablo, «serbales de cazadores», azevinhos (Ilex aquifolium), bordos ou plátanos bastardos (Acer pseudoplatanus), o amieiro negro ou sanguinho bastardo (Frangula alnus), o mostajeiro branco (Sorbus aria) e bétulas brancas ou vidoeiro (Betula alba). E, naturalmente, também faias (Fagus).Tudo espécies que convivem muito bem umas com as outras.
 
E o amigo Pablo aproveita para nos informar que neste precioso bosque, na base das árvores, são muito abundantes os cogumelos, de diferentes espécies. Os aficionados desta atividade têm aqui campo para se dedicarem, com regras, à sua cata. Os principiantes têm de ter muito cuidado em colhê-los, pois não é seguro que todos sejam comestíveis.
 
Infelizmente não vimos nenhuma pisada de corço ou de javali. Nem tão pouco vimos um sequer!
 
De Sotillo de Sanabria, partimos de uma cota de 1 049 metros. Até à Cascata tínhamos que suplantar cerca de 400 metros de altura. Por isso, junto a um poste castanho, de sinalização do caminho, há que fazer uma pequena pausa para descansar e beber um pouco de água.

11.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (77)

Após uma ligeira pausa, continuámos a subir,

12.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (95)

chegando ao cimo do nosso percurso, que, descendo, nos levaria até à Cascata de Sotillo

 
Parámos aqui uns minutos para tirarmos uma foto, como sinal recompensador do nosso esforço.

13.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (105)

Mas não nos demos conta, uns metros antes, depois da subida, desta placa de sinalização,

14.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (97)

que nos indicava, caso quisemos ir para a Lagoa de Sotillo - como era o nosso caso -, que teríamos de continuar a subir. 

 

E fomos continuando descendo.
 

O esforço tinha sido significativo e, a meio da descida, em cima de uma fraga,

15.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (116)

antes de chegarmos à Cascata, sentámo-nos um bocadinho para contemplar, do outro lado do rio de las Truchas, e do desfiladeiro que ele crava, a paisagem da Fraga de Valmalo.

 
Bem nos apetecia aqui ficar por largo tempo, sentado nesta fraga, a meditar e pensar em coisas profundas sobre a Natureza e a Vida, rodeado de tanta beleza. Mas havia que continuar… enquanto o murmúrio, o som nítido da queda da água, na Cascata, nos apelava a ir ao seu encontro.
 
Só ali, naquela enorme fraga, onde nos sentámos a descansar, é que Pablo reconhece que, nos tínhamos enganado para ir à Lagoa de Sotillo, pois a mesma ficava mais para cima. E que, em qualquer lugar, muito perto do de onde estávamos, não demos conta do desvio…

 

Decidimos, então, ir ver a Cascata e, depois, voltar a subir para irmos ao encontro da Lagoa de Sotillo

 

Tínhamos percorrido já mais de três quilómetros.
 
Contudo, este engano custou-nos mais de meio quilómetro no nosso percurso.
 
Na volta, sendo assim, apenas passaríamos outra vez por aqui. Mas sem parar.
 
Xosé e Hugo, jovens e afoitos, depressa ultrapassaram o caminho íngreme, cheio de calhaus até à varanda da Cascata. Tivemos sorte que o tempo não estava de chuva e, assim, as possibilidades de resvalarmos não eram muitas. Mas havia que ter muito cuidado, principalmente os “velhotes” para, pisando aquelas pedras tão irregulares e tão a pique, não fazermos nenhuma entorse.
 
Os dois jovens depressa se posicionarem na varanda de madeira

16.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (124)

para observarem a Cascata.

17.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (133)

Demorámo-nos aqui uns minutos a apreciar

18.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (144)

e a fotografar

19.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (158)

a Cascata de Sotillo.

 
Dado que este ano tem corrido muito seco, a Cascata não leva muita água. 

20.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (161)

Segundo dizem, no tempo de chuvas, forma uma linda cortina sobre as rochas.

 
Para além da beleza desta queda de água do ribeiro Pingón, que vem da Lagoa de Sotillo, e que aqui se junta com o rio de las Truchas, projetando-se a mais de 20 metros para a ravina do desfiladeiro do rio de las Truchas

21.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (168)

o mais espetacular desta Cascata é a sua localização – tão afastada está de tudo que, aqui, sentese verdadeiramente que o silêncio é o único que reina, no meio de uma Natureza virgem.

22.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (169)

Foi necessário Pablo arrancar-nos deste lugar. Havia ainda caminho a andar… e continuar a subir até chegarmos ao encontro do glaciar onde se encontra a Lagoa de Sotillo.

 
Antes, porém, não deixámos este lugar sem tirar uma foto aos jovens Xosé e Hugo, de costas para a Fraga de Valmalo.

23.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (166)

Eis Pablo subindo da Cascata e pedalando sobre as rochas…

24.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (173)

Trepando monte acima, ao nível da Cascata, a certa altura, apresenta-se-nos, em primeiro plano, o desfiladeiro de rio de las Truchas e, ao longe, os montes de Leão.

25.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (179)

O sol já ia a pique, apertando a calor. Havia que fazer uma pequena pausa para nos refrescar.

 
Foi aqui, nesta pequena lagoa e queda do riacho Pingón

26.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (215)

que aproveitamos para, à sombra das árvores, descansarmos um pouco, abastecermo-nos de água e contemplarmos este bonito rincão.

27.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (219)

E continuamos a subir progressivamente, deixando para trás um pouco Xosé que, sentado num dos fraguedos, contemplava todo aquele espetacular entorno.

28.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (234)

Chegados a um dos cumes do nosso percurso, olhando à nossa direita, deparamos, ao longe, com os montes de Leão, separado por um grande contrafogo, à direita e, à esquerda, Peña Trevinca e o seu maciço. Como tudo nos parecia tão distante mas simultaneamente tão próximo!

29.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (246)

Começamos agora a dar os primeiros passos no vale glaciar da Lagoa de Sotillo

 

Mas, primeiro, há que atravessar o ribeiro Pingón, que vem da Lagoa.

30.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (272)

É nítida a felicidade de Pablo neste troço do percurso, quando passa por cima da pequena ponte construída com toros de bétula branca!

31.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (269)

 A sensação com que, nesta altura ficámos é que estávamos mesmo no topo do céu, sob o olhar atento da lua em quarto minguante.

32.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (276)

 Em poucos mais de cem metros, eis uma ponta do glaciar em que a Lagoa de Sotillo se inscreve.

33.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (290)

Pablo, embora hesitante, recomenda-nos ir de volta, afirmando que, num ano tão seco como este, a Lagoa estava seca. E dizia-nos que a água que há é apenas esta – a de um pequeno riacho.

34.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (293)

Não totalmente convencido, fomos andando. Mas não víamos nenhum sinal de Lagoa. Apenas uma paisagem fazendo-nos sentir que havíamos chegado ao céu, mas num ambiente sem gota de água que se visse!

35.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (302)

 Com um percurso parco de árvores, ora subindo, ora descendo por entre prados e giestais, a dada altura, encontramos estas placas sinalizadores. 

36.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (308)

Afinal a Lagoa de Sotillo ainda estava mais para diante. E, aqui, para quem quer fazer o trilho da Lagoa de Sotillo, não voltando para trás, vira à direita, por um caminho onde, a poucos metros se encontra um refúgio de montanha, e seguindo, a meia encosta, (e nesta altura debaixo de intenso sol), percorrendo o Alto de los Fitos e a Fraga de Valmalo até chegar a Sotillo de Sanabria (o tal percurso sugerido pelo autor do blogue «La Garafa», acima referido).

 
Daqui, em pouco mais de 300 metros, deparamos com um dique em cimento: era a presa da Lagoa de Sotillo.  

37.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (313)

Estávamos na cota dos 1592 metros de altitude, ou seja, de Sotillo de Sanabria até aqui tivemos de ultrapassar um desnível de aproximadamente 600 metros que, segundo algumas reportagens dizem ser de precisamente 543 metros, o que, de acordo com o nosso app SHealth, não anda muito longe dessas contas, mais metro, menos metro.

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 Ao nos aproximarmos da Lagoa, detetámos um espaço que bem podia ser utilizado para se fazer praia neste dia.

38.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (320)

 Percorremos a Lagoa de uma ponta a outra, tirando-lhe fotos.

 
Aqui fica, pois, uma do lado oposto ao do pequeno dique em cimento.

39.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (314)

 Ali, naquele espaço, onde os pedregulhos em primeiro plano, são mais frequentes,

40.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (333)

vê-se, nas suas margens, uma manada de vacas a pastar. Num lugar onde reina o silêncio e a tranquilidade e onde a presença humana é escassa.

 

Desde Sotillo de Sanabria até aqui não nos cruzamos com vivalma!

 
Tentámos com a nossa objetiva captar a Lagoa na sua totalidade. Não trazíamos lentes para esse efeito. Apenas ficou este registo:

41.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (315)

Hugo, um adolescente de 13 anos, embora o corpanzil que bota não o diga, apesar de estudante de um Colégio Militar espanhol, chegou aqui à Lagoa todo roto, não podendo dar mais uma passada.

 
A todo o custo queria, com Xosé, descer até à Lagoa, ali naquele areal descansar um pouco e refrescar os pés. 
 
Não é que o acesso fosse difícil. O sol é que estava abrasador e o tempo começava a escassear…
 
Despedimo-nos da Lagoa de Sotillo com uma derradeira perspetiva tirada à sua parte central.

42.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (339)

E tomámos o caminho de volta.

 
Hugo, queixando-se cada vez mais dos pés, que não podia aguentar mais, obrigou-nos a uma pequena pausa, junto ao regato por onde há minutos tínhamos passado.
 
Os dois “velhotes”, enquanto os mais jovens refrescavam os pés, deitaram-se no colchão do lameiro ribeirinho, bebendo água e trocando impressões sobre o percurso feito até aqui.

43.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (354)

 E continuámos o nosso percurso de volta, passando, uma vez mais, pela ponte feita de toros de bétula branca sobre o ribeiro Pingón,

44.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (357)

iniciando a descida por meio de uma vereda, embrenhando-nos, outra vez, no bosque, até à Cascata,

45.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (369)

ouvindo, constantemente, o murmúrio das águas do ribeiro que nos acompanhava, correndo por entre fraguedos e penedos, que ia ultrapassando.

 
A dada altura, parámos junto de uma pequenina lagoa, com uma pequena cascata.

46.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (390)

Hugo vinha-se queixando dos pés. Estava positivamente estoirado. Havia que lhe dar um pouco de descanso, apoio e alento para acabar o percurso. Enquanto isso, Xosé, já habituado a estas andanças, mostrando sinais de verdadeira frescura, pega nas nossas garrafas e cantis e, ali mesmo na lagoazinha, enche-as de água para o resto do caminho.

47.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (391)

Até que chegámos ao cruzamento que nos leva à Cascata. Podíamos ir em frente, pelo mesmo caminho por onde viemos. Pablo sugeriu que completássemos o percurso circular do sendero nº 6 da Cascata de Sotillo.

 
E lá tivemos de, com cuidado, voltar a descer até à varanda da Cascata e, depois, descer por aquela encosta norte, pelo desfiladeiro, até ao vale do rio de las Truchas. Uma descida contendo uma terrível pendente, ultrapassando fraguedos e calhaus, nunca se sabendo onde e quando tropeçaríamos ou torceríamos um pé!
 
E não fora as proteções em arame de aço, correndo em postes de madeira colocados firmemente no solo, onde constantemente nos agarrávamos, muito facilmente poderíamos ir bater com os costados no fundo do desfiladeiro. Impróprio para cardíacos e, muito menos, para quem sofre de vertigens!

48.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (395)

 No entanto, o bosque de caducifólias, do outro lado do desfiladeiro, era um verdadeiro deleite para os nossos olhos!

 
Enquanto rolávamos pedras abaixo pelo desfiladeiro de las Truchas, tês jovens caminheiros, que faziam apenas o trilho nº 6 (da Cascata de Sotillo), nesta descida, vão metendo conversa com Pablo.
 
Atravessámos o rio de las Truchas para a outra banda por uma ponte tosca de madeira.

49.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (404)

Xosé, que vinha à nossa frente, aproveita para, esperando por nós, descansar um "ratito" naquilo que supomos ser um pequeno vau de passagem, quando, por aqui, as águas são abundantes. Ou será um banco para descanso dos guerreiros que tiveram o arrojo de encetarem aquela descida?...

50.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (398)

 No vale do rio de las Truchas, aproveitámos para tirar uma fotografia com os três jovens que estavam a fazer o trilho da Cascata de Sotillo

51.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (409)

E, cada um, a seu ritmo, acabou por fazer o resto do percurso por entre carvalhos jovens e vetustos castanheiros.

 

Nós, com o Hugo, ficámos um pouco para trás. O jovem já não podia mais. Insuflámos-lhe um pouco de ânimo, capaz de ir buscar as suas réstias de forças para poder acabar o caminho. Levámos um pouco mais de tempo a chegar. Ora parando aqui um bocadinho, ora animando-o ali, até que já estávamos mesmo perto da povoação.

 

Cruzámo-nos com um residente que, com os seus cães, provavelmente, ia para as suas propriedades.

52.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (419)

 Aqui o jovem Hugo acreditou que estávamos falando verdade. 

 

Até que, ao cimo, vimos o velho castanheiro, à entrada do povo.

53.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (425)

Estávamos no cimo do povo! 

 
Ao lado deste velho castanheiro, do nosso lado esquerdo, estava o início do trilho nº 5 que leva o caminheiro até à Lagoa de Sotillo.
 
Atravessámos o povo todo até ao lugar onde tínhamos aparcado o automóvel.
 
Enquanto percorríamos a aldeia, íamos observando o seu casario típico.

54.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (431)

Chegados ao carro, mudámos a roupa e o calçado e, sentados num pequeno parapeito, ao lado da igreja paroquial, comemos do farnel que levávamos.

 
Hugo pouco comeu. Mudou-se apressadamente e meteu-se no carro, a descansar.
 
Consultado o nosso app SHealth, percorremos a distância de 17 Km e 550 metros, em 5 horas e 32 minutos, de acordo com o traçado que a figura abaixo, do lado direito, mostra.

55.- app SHealth Sotillo de Sanabria

Entrámos no automóvel do Pablo em direção a San Martín de Castañeda para tomarmos um café no El Chiviteiro de Tornaltoloco, de Jesus Fernandez Fernandez, deixando para trás Sotillo de Sanabria, do município de Cobreros, e esta singela capela.

56.- 2017.- Caminhada - Sotillo de Sanábria-Cascata e Laguna de Sotillo-Sotillo (433)

O sítio do bar/café El Chiviteiro de Tornaltoloco tem uma localização interessante. Encontra-se virado para o Lago de Sanábria e muito perto do Convento de San Martín de Castañeda, onde, numa das dependências do Convento, se encontro o Centro de Interpretação do Parque Natural do Lago de Sanábria e Arredores. Jesus Fernandez, o proprietário do café/bar é uma pessoa simpática e conversadora. Apenas pedimos café e uma cerveja. Quando menos esperávamos, apresenta-se-nos com umas tapas deliciosas. Quando fomos a pagar, apenas nos aceitou o dinheiro das bebidas. As tapas, que não tinham sido pedidas, eram oferta da casa.

 
Trocámos contactos uns com os outros, prometendo em breve ali regressar.
 
Fazendo-se tarde, fizemo-nos a caminho de Verín.
 
Positivamente um dia bem passado no contacto com a Natureza mais virgem e com os nossos amigos galegos, que apenas um traçado de fronteira nos divide!
 
Deixamos agora aos nossos leitores dois pequenos vídeos:
 
• O primeiro 

 

– LAS MELLORES RUTAS POR SANABRIA – CASCADA DE SOTILLO II –

realizado em 2014;

 
• O segundo

 


– CASCADA Y LAGUNA DE SOTILLO – 

 realizado em 2011, em pleno outono, no qual não só se pode confirmar o essencial da nossa reportagem bem assim se destaca o aparecimento, neste bosque, dos célebres cogumelos («Setas»).


publicado por andanhos às 01:12
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