Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho (Central) Português:- 3ª etapa - Pontevedra-Briallos (Portas)

 

 

CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS DE SANTIAGO

 

- 16. Junho. 2008 -

 

3ª etapa:- Pontevedra - Briallos (Portas)

 

 

 

1.- POR UMA CIDADE COM HISTÓRIA, POR ENTRE BOSQUES REFRESCANTES E ACOLHEDORAS LATADAS DE VIDEIRAS, AO ENCONTRO DA PACATEZ RURAL GALEGA

 

Segundo o nosso «Diário», reproduzindo as palavras do meu companheiro de jornada, Tino, “choveu muito de noite”. Não admira! Apesar da etapa da véspera não ser muito longa, contudo, a força da chuva, aquelas duas subidas, as «bolhas», que começavam já a dar sinais de entrada nos meus pés - já que as do Tino se haviam declarado com antecedência - e aquele compasso de espera para nos acomodarmos no albergue, «maçou-nos» um pouco. Não admira, assim, que, logo que caído à cama, e «embalado» pela chuva, tenha dormido a noite inteira, de uma assentada. Razão pela qual nos levantámos mais tarde hoje: eram aproximadamente 6 horas da manhã.

 

Tomado o pequeno-almoço, espartano - dois iogurtes e uma pequena embalagem de cola-cao -, mochila às costas com os nossos pertences, devidamente arrumados e enxutos, cajado na mão, toca a iniciar o Caminho de hoje que nos levaria até Briallos, concello de Portas, a escassos quilómetros de Caldas de Reis.

 

Poderíamos resumir a etapa de hoje da seguinte forma: atravessando uma cidade monumental (e acolhedora), penetrando em bosques refrescantes, com muita água, caminhando por debaixo de latadas de videiras de «alvariño», ora cruzando-nos com igrejas, ermidas e cruzeiros, ora, à mistura, observando, contemplando e captando a natureza verde e florida, fomos ao encontro de um pacato ambiente rural, com uma incursão numa cidade-vila que nos remete para a história da antiga Gallaecia (romana), num dia de verão chuvoso que, aqui e ali, nos sorria com um bonito céu limpo e azul, com algumas abertas de sol radiante.

 

 

2.- ATRAVESSANDO A CIDADE DE PONTEVEDRA

 

2.1.- Breve e sucinta história do nome e da cidade de Pontevedra

 

Peguemos, uma vez mais, no Guia que levávamos e reproduzamos o que diz quando se refere à cidade de Pontevedra:

 

“Pontevedra é filha da planificação romana do território e do Caminho de Santiago. Os engenheiros imperiais que desenharam o traçado da principal via de comunicação entre os três centros urbanos de caráter administrativo da recente Gallaecia (Braga, Lugo e Astorga), a calçada nº XIX segundo o Itinerário de Antonino, previram nas margens do rio Lérez uma mansion (núcleo de povoação junto à calçada) a que lhe chamaram Turoqua. Pouco depois construiu-se também uma primeira ponte de pedra sobre o caudal do Lérez, a Pontus Veteri, da qual sabemos, por crónicas do século XII, que nessa época existia mas já em total ruína. Em 1988 encontrou-se numa das margens do rio Lérez, junto à ponte, um marco miliário dedicado ao imperador Adriano e com a data de 138 que confirmaria, assim, a passagem da calçada por este lugar. O miliário encontrado está no Museu de Pontevedra, mas há uma réplica num lugar ajardinado à entrada da ponte. Quando o rei D. Fernando II outorgou carta de foral à cidade, em 1169, deu ordens também para que se iniciasse a construção de uma nova passagem, base da ponte que atualmente vemos. Os restos da cidade e da ponte, romanos, desapareceram, apenas ficando o seu nome”.

 

A história (antiga) da cidade de Pontevedra encontra-se hoje esculpida no seu centro histórico: um emaranhado de “deliciosas ruas talhadas em granito” nas quais a «patine» verde da chuva e humidade as cobre. “Viver na cidade de Pontevedra é um exercício pausado da melhor cidadania que consiste em passear pela Alameda num dia ensoleirado de inverno debaixo dos olhos do Monumento aos Heróis da Ponte Sampaio; tomar o pequeno-almoço nas arcadas da Praça da Ferrería, ou ler Valle-Inclán, pontevedrino universal, na Praça Teucro (...) Pontevedra tem séculos vendo passar peregrinos em direção a Compostela. Todos aqui param para render homenagem à Peregrina, a Virgem mais jacobeia, patrona da província de Pontevedra e do Caminho Português, cuja igreja barroca, com planta em forma de vieira, contruída a partir de 1778, preside à Praça com o mesmo nome, tendo à sua frente a Porta do Caminho (ou Porta de Trabancos), antiga porta da cidade amuralhada pela qual entravam os romeiros vindos de Redondela. Para conhecer e entender Pontevedra há que percorrer a pé as suas praças: da Lenha, com um cruzeiro do século XV; das Cinco Ruas, onde viveu o autor de “El ruedo ibérico”; do Teucro, escoltada por uma fachada contínua de casarões nobres e brasonados do século XVII; de Curros Enríquez, onde esteve o antigo hospital de peregrinos. No Museu de Pontevedra, instalado num dos muitos paços do emaranhado urbano, pode-se fazer um percurso virtual por toda a intensa vida desta capital galega tão vinculada às vias jacobeias” É, assim, que nos fal de Pontevedra, a páginas 176 a 178, o nosso Guia).

 

 

2.2.- Atravessando Pontevedra

 

Mostremos agora, sumariamente em mapa, o que foi o nosso percurso na travessia da cidade de Pontevedra:

 

 

Como bons e aplicados alunos, atravessámos a cidade de Pontevedra seguindo as indicações que o mapa supra, tirado do nosso Guia, apresenta a páginas 181.

 

Deixámos o albergue em direção à estação RENFE (e de autocarros). Na rotunda de acesso, em vez de seguirmos em frente pela avenida Eduardo Pondal, tomámos uma mais modesta que nasce à esquerda desta na mesma rotunda - a rua Gorgullón. A rua Gurgollón acaba na avenida Eduardo Pondal, que a cruzámos, para prosseguirmos pela rua da Virgem do Caminho. No final desta rua, virámos à esquerda e, em seguida, outra vez à direita, para irmos diretos à rua da Peregrina, uma das ruas mais concorridas de Pontevedra onde, na praça ao lado, fica a célebre Igreja da Peregrina,

 

patrona, como já se disse, deste Caminho.

 

(Monumento a Loro Ravachol, praça A Peregrina)

 

Daqui, pelo passeio António Odirozola, contíguo à Praça da Ferrería, onde fica a Igreja e Convento de São Francisco, do século XV, em estilo gótico mendicante, girámos à esquerda, e passando pela rua Suportales, chegámos à Praça Curros Enríquez. Daqui, e pela rua Real, tendo a Praça do Teucro à nossa esquerda, chegámos a uma pequena praça (ou praceta), designada de Celso García de la Riega, e, à esquerda, vamos direitos à rua da Ponte donde, daqui, saímos para a Ponte do Burgo,

 

 

a tal ponte histórica sobre o rio Lérez, sucessora da romana, agora de raiz mais medieval, embora já muito restaurada, e que deu o nome à cidade.

 

No jardim de acesso à ponte lá está a réplica do já citado marco miliário dedicado a Adriano.

 

 

Ultrapassada a Ponte do Burgo, seguimos em frente pela avenida de A Coruña. Mais à frente, é à esquerda, tomámos a rua de la Santiña que nos retira da cidade para nos dirigirmos para os seus arredores.

 

 

3.- TRAÇADO DA ETAPA

 

 

 

4.- DESNÍVEIS DA ETAPA

 

 

 

 

5.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA

 

 

5.1.- Da saída de Pontevedra até Alba (São Caetano)

 

E, até aqui, desde o albergue, percorremos sensivelmente 3 quilómetros.

 

Passámos pelo bairro ou aldeia de A Gándara, por Devesas, e por este bonito cruzeiro com um anjo,

 

 

pelo «marisma» de Alba

 

 

até que, percorridos que estavam 4,6 Km, entrámos em Pontecabras, com o rio que leva o mesmo nome, já na paróquia de Santa Maria de Alba.

 

Passámos pela Igreja de Santa Maria de Alba,

 

 

onde, nas suas proximidades, encontrámos um dos símbolos jacobeus, a cabaça,

 

 

detivemo-nos no pormenor do seu cruzeiro com o Santiago no fuste,

 

 

bem assim a fachada principal da residência paroquial (ou reitoral - um autêntico palácio) em ruínas.

 

 

E, um pouco mais à frente, Goxilde.

 

E agora parámos um pouco em Goxilde. Não no percurso, que continuámos sem grandes paragens, mas no relato que estamos a fazer. Para introduzirmos um «inciso» histórico. A Igreja de Santa Maria de Alba, agora uma típica construção galega em pedra de granito comida pelo musgo e com um típico campanário igual a muitas outras igrejas galegas, tem como data de construção o ano de 1595 e é da autoria ou direção de Mateo López; contudo, anteriormente, aqui existiu uma outra, do século XII, consagrada pelo célebre arcebispo Diego Gelmírez.

 

Procurámos saber da importância deste lugar de Goxilde e da razão por que tal celebridade (tão controversa, para uns, e um herói, para outros) - o arcebispo Diego Gelmírez - consagrou nestes lugares da paróquia de Alba uma igreja (a de Santa Maria de Alba). Ou seja, qual a razão de tão grande afeição por este lugar.

 

Procuremos, então, sumaríssimamente, contar o porquê de tanta «devoção» pelo lugar ao ponto de levar o célebre arcebispo a consagrar-lhe uma igreja.

 

Enquadremos este facto na sua época, sem o qual não existe não só compreensão como tão pouco «perdão» para determinados atos.

 

Estamos no período da Reconquista. Urgia afastar das terras ibéricas, a norte principalmente, a religião dos «sarracenos». Há, pois, que enquadrar e ter como pano de fundo este objetivo - a expansão da cristandade nas terras ibéricas. Mas não podemos também esquecer que estamos em plena Idade Média. Onde o poder político (dos nobres, cristãos, senhores feudais e terra tenentes) luta ferozmente, em lutas intestinas, pela cada vez mais posse de terras para a sua posse e domínio, num xadrez profunda e profusamente imbricado com o poder religioso. Assim, é não só a luta de nobres, senhores da terra, de reinados e condados, uns contra os outros, na obtenção de mais terras e, consequentemente, de mais poderio, mas também de senhores religiosos, grande parte deles provenientes de famílias nobres, na conquista e alargamento das suas fronteiras diocesanas (e metropolitanas). É, neste período em concreto, e nesta conjuntura, feita neste «caldo» que se deve entender a luta de um clérigo - Diego Gelmírez, bispo de Santiago de Compostela - num intrincado jogo religioso e político para, por via das peregrinações a Santiago obter o mesmo (e se possível, maior) estatuto que as dioceses metropolitanas (e históricas), como as de Braga e Toledo, tinham.

 

No tempo em que viveu, as coisas - embora arriscando-se bem - estavam-lhe, manifestamente, de feição. No intuito de consolidar Santiago de Compostela com o estatuto de metropolitana (e ser, por isso, eleito como arcebispo), teve a seu favor a circunstância de ser o protetor do filho de D. Urraca, D. Afonso VII, futuro rei de Leão e Castela (bem como do reinado da Galiza), como também ter como tio mais novo de Afonso VII nada mais, nada menos do que o Papa Calistino II, o do célebre Codex Calistinus (que num dos posts do Caminho Sanabrês de Santiago, variante da Via de la Plata, já referimos (veja-se, neste blog - Andarilho de Andanhos - o sítio da internet: http://andanhos.blogs.sapo.pt/6544.html).

 

O grande objetivo de Diego Gelmírez era a grandeza da sua diocese, que a queria metropolitana, mas que se encontrava obscurecida pelas duas restantes na ibéria cristã de então - Braga e Toledo. Particularmente Braga, mais perto de Santiago.

 

Naquele tempo, as relíquias dos santos era a razão que levava multidões de romeiros e peregrinos aos lugares onde elas se encontravam para as venerar.

 

Santiago de Compostela tinha as suas - as de Santiago -, mas Braga tinha muitas mais!

 

Então o que este «génio» engendrou? Aquilo que na história, (relatado na História Compostelana), é conhecido como o «Pio Latrocínio».

 

 El Cultural (http://www.elcultural.es/noticias/LETRAS/336/La_verdadera_historia_de_Diego_Gelmirez)-, edição de 19. 02. 2014, a propósito de uma exposição em Paris, de Março a Maio de 2010, com a designação de “Compostela y Europa”, a certa altura, a jornalista María Elena Cruz Varela, diz:

 

Diego Gelmírez (1070?-1140), primer Arzobispo de Compostela es, sin lugar a dudas, el gran gestor de un hecho que va más allá de toda duda o elucubración: Santiago de Compostela es, hoy por hoy, uno de los tres lugares de peregrinación más importantes del mundo, dignidad que comparte por igual con Roma y Jerusalén.

 Adelantado, pleno de sombras y de luces, este hombre a quien le achacan más vocación política que devociones religiosas, recorrió por tres veces, arduo empeño para los de su época, los más importantes centros culturales de Europa, empujado por la inquebrantable decisión de convertir a su ciudad en un punto de referencia obligatorio en cuanto a los cánones místicos establecidos. No vaciló en cometer "Pío Latrocinio" - robo de reliquias - en la Catedral de Braga, de donde hizo sustraer los santos cuerpos de san Fructuoso, san Cucufate, san Silvestre y santa Susana, con el propósito de restarle valores a esta plaza, colocándola en desventaja para la competencia”.

 

Diego Gelmírez, não reza a história, mas dizemos nós, feito o pio roubo, [oh pernas para que te quero!; pernas dele, com certeza, bem assim as patas das cavalgaduras - que deveriam ser de puro sangue (estou em querer que árabe) -, possuidoras dos mais potentes «motores» da época], só descansou quando se sentiu em solo seguro e com as cavalgaduras extenuadas, prestes a «gripar». E foi aqui, nestas paragens de Goxilde, que descansou (e mais a sua cúmplice comitiva) da «santa» correria que fez depois de perpetrado o «abençoado roubo». Estávamos no ano santo de 1124.

 

Naturalmente que tal façanha, de acordo com os «cânones» de hoje, classificaríamos tal ato como de criminoso e, seu autor, outra sorte não teria senão uma triste e sombria cela de um qualquer calabouço! Mas estamos noutra época e noutros tempos. E, por isso mesmo, temos de analisar este facto «à luz do seu tempo».

 

Não queríamos deixar passar a oportunidade para recomendarmos a leitura de duas interessantes obras (passando a publicidade às editoras) para um melhor enquadramento da época e de certos factos:

  • Os Reis da Reconquista Portuguesa, de Stephen Lay, 2011, da Editora, Grupo Leya. Para quem goste de saber como «nasceu» Portugal este livro é deveras interessante. E, naturalmente, o nosso personagem Diego Gelmírez é um dos protagonistas referidos na obra;
  • O Segredo de Compostela, de Alberto S. Santos, 2013, Porto Editora. Trata-se de um romance histórico que se questiona sobre a autenticidade do túmulo de Santiago o Maior. A não perder...

 

Ainda não vai muito tempo, perguntávamos na rubrica do blog CHAVES - «Chá de urze com flores de Torga», a propósito da obra «A Criação do Mundo», de Miguel Torga, se existe alguma diferença entre memória e invenção. (Veja-se em sítio da internet: http://chaves.blogs.sapo.pt/cha-de-urze-com-flores-de-torga-22-1029159).

 

Deixo uma vez mais agora, e aqui, a pergunta para que os meus (minhas) caros (as) leitores (as), debruçando-se sobre determinados feitos (ou factos) históricos, também se interroguem.

 

Continuemos com a reportagem da nossa etapa.

 

Quinhentos metros mais à frente de Goxilde estamos em São Caetano (de Alba).

 

Aqui a capela com o mesmo nome, do século XVIII,

 

com um pormenor da fachada.

 

5.2.- De Alba (São Caetano) até Santo Amaro (Barro)

 

Depois de passarmos pela capela de São Caetano desembocamos na estrada, cheia de trânsito e perigosa, e virámos à direita em direção à fábrica avícola de Doux.

 

Entrámos na paróquia de Cerponzons, passando pelas aldeias ou bairros de Leborei e o Castrado.

 

A partir daqui inicia-se um dos troços mais bonitos desta etapa e, porventura, um dos dois deste Caminho - a passagem por um labirinto verde de «corredoiras», pista florestal e bosque, cobertas por um túnel húmido de carvalhos (robles), cobertos de musgo e heras, que corre sempre paralelo à linha de caminho-de-ferro e ao rio Gándara - é o bosque de Reiriz e o Lombo da Maceira,

 

 

com várias fontes

 

 

que emanam de ambos os lado do Caminho,

 

 

repleto de árvores que cruzam o itinerário e nos convidam a refrescar. E, pese embora o tempo de chuva, foi o que fizemos, face ao ambiente quente e aos pés maçados, já a pedirem uma refrescadela, nas «poldras» por onde passa o regato designado por Pozo Negro.

 

 

Em ligeira subida, passado Reiriz, entrámos no Lombo da Maceira.

 

Atravessados estes dois lindos e refrescantes troços, ora com a chuva a cair-nos em cima do «pêlo» - mas não tão intensa como no dia anterior - ora com algumas (boas) «abertas», fomos ter a uma passagem de nível sem guarda que nos levou até à aldeia de Santo Amaro (San Mauro), pertencente à paróquia de São Mamede da Portela, concelho de Barro.

 

Era aqui que, no passado, se efetuavam as mudas de cavalos. Tínhamos percorrido, sensivelmente, 10 quilómetros.

 

Deparámos com uma modesta capela e,

 

a poucos metros mais, o bar «Mesón Don Pulpo»,

 

onde parámos para descansar um bocadinho e tomar um segundo pequeno-almoço (quente).

 

5.3.- De Santo Amaro (Barro) até Briallos (Portas)

 

Como tínhamos parado no bar «Mesón Don Pulpo», ao passar na área de descanso de Santo Amaro, com mesas e bancos, praticamente não parámos. Apenas o tempo suficiente para bebermos um pouco de água da sua fonte

 

 

e apreciarmos o pormenor do fuste do seu cruzeiro.

 

 

Percorridos 11,4 Km, estávamos em Cancela.

 

Mais um cruzeiro com o Tino

 

 

e um seu pormenor,

 

 

antes do cruzamento ou desvio para o albergue de Barro.

 

Continuando no asfalto, entrámos na paróquia de Agudelo, concretamente no lugar de Valbón. Nestas paragens encontrámos os cruzeiros mais conhecidos pelo nome de Amonisa por um deles se situar junto à casa que leva o mesmo nome. A particularidade deste é que tem o Santiago no fuste olhando para o norte - a sua cidade. Aqui fica, assim, o pormenor da escultura do santo esculpido no fuste do cruzeiro.

 

 

Saímos de Valbón percorridos que foram 13 Km, aproximadamente, para, numa boa aberta de sol, nos deliciarmos com o verde dos campos e a natureza florida.

 

 

Tino não parava de tirar fotografias aos mais singelos pormenores de uma natureza em plena «exuberância».

 

 

Eu ia-me entretendo a tirar fotos

 

às mais variadas flores silvestres que via.

 

Foi um bom momento de «descompressão», enquanto, por cima de nós, o viaduto nos indicava que, por estas bandas, não é só natureza recheada de latadas com as célebres videiras que dão o «alvariño»!

 

 

Faltava-nos 51 Km para chegar a Santiago, assim indicava no marco jacobeu por onde passámos.

 

Cruzámos o ribeiro do Areal e, saindo do asfalto (estrada provincial EP-9407), ao Km 50 de Santiago - 14,9 Km desta etapa - estávamos perto do núcleo de A Seca e dirigimo-nos para a já nossa conhecida estrada E-550.

 

Contudo, ao nos aproximarmos desta aldeia, o São Pedro «revoltou-se» e fez cair uma enorme chuvada que nos ia pondo os dois num verdadeiro «molho» não fora a aba protetora dos ramos de um velho carvalho,  ao lado de uma bonita magnólia perene, para nos proteger.

 

Pousámos as mochilas e os cajados

 

e, enquanto aguardávamos que a chuva passasse, aproveitámos para comer o pão com frutas que tínhamos comprado na véspera da estação de autocarros de Pontevedra, acompanhado de manteiga e de coca-cola que, quando parámos no bar de Santo Amaro, tínhamos comprado. Desalentados por não vislumbrarmos uma «abertinha» mais, quando a chuva diminuiu de intensidade, pusemos as mochilas às costas e com os cajados nas mãos, «bota» Caminho.

 

Entrámos em A Seca quando já tínhamos percorridos mais de 16 Km da etapa de hoje. E, continuando no asfalto (E-550), e com a chuva por companhia, atravessando o rio Agra, fomos ao encontro do concello de Portas.

 

 

Deixámos a estrada e, por um caminho à esquerda, que passa no minúsculo núcleo de Barosa, regressámos outra vez à nacional E-550 para, num instante, entrarmos em Briallos

 

 

por entre latadas de videiras.

 

 

Em Briallos para irmos para o albergue, desviámo-nos 400 metros.

 

 

O albergue de Briallos é uma adaptação de uma escola primária.

 

 

Boas instalações, diga-se de passagem.

 

Conforme crónica do nosso «Diário», ao chegar ao albergue, a camarata com as suas camas, parecia-me um palácio, tal o estado em que vinham por causa das duas «bolhas» que trazia nos pés e o cansaço, mais provocado pela chuva.

 

Parecia que não iríamos ter muita companhia mas, tomado banho, em água fria (pois não sei bem o que se passava com a quente, que falhou), tratadas as «bolhas» com a perícia cirúrgica do Tino, trocado de roupa, comidas uma maçã e um pêssego, e depois de «esteirados» uma boa hora na cama a descansar, eis que, quando já estávamos prestes a «passar pelas brasas», chegam três peregrinos: 2 rapazes e uma senhora, os três italianos.

 

E foram chegando mais e mais. Quase encheu o albergue.

 

Despertos com tanto barulho e pelo vento que zunia nas janelas, acabei por ficar na camarata a escrevermos umas notas no «Diário» e depois a acabar de ler as últimas páginas dos «Bichos», de Torga.

 

Coscuvilhando no «Diário» sobre a jornada de hoje vejo nele escrito, a determinada altura: “16.20 horas locais - Acaba de chegar um madrileno. Em conversa com ele, foi-nos dizendo que o seu intuito em fazer o Caminho não era outro senão o depois escrever um livro sobre a paisagem humana do Caminho. Aguardemos, então, a chegada dessa paisagem”.

 

Eram por volta das 16 horas e 30 minutos locais quando eu e o Tino fomos dar uma volta pelo aglomerado de Briallos. Fomos ver o que havia em termos de «tiendas». Muito pouco, por sinal. Se queríamos comer a jeito, teríamos de ir a outro lado. E, assim, logo após darmos uma espreitadela à Igreja local de São Cristóvão

 

 

e ao seu cemitério,

 

tomámos um táxi e fomos até Caldas de Reis.

 


publicado por andanhos às 03:40
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