Domingo, 17 de Novembro de 2013

Gallaecia:- Por terras do Alto Tâmega e Barroso - 2ª Lição de Micologia

 

2ª LIÇÃO DE MICOLOGIA (OU SEGUNDA SAÍDA MICOLÓGICA)


12. Novembro. 2013

 

 

Vamos interromper o relato das etapas, que temos vindo a fazer, do Caminho do Norte de Santiago para dar conta de mais uma saída micológica, ou 2ª Lição de Micologia, teórico-prática, dada por Hélder Alvar.


Após várias tentativas falhadas para coordenarmos uma saída para os montes à procura («cata») de cogumelos, finalmente proporcionou-se a ocasião: foi no passado dia 12.


Neste dia contámos com mais uma aficionada da «cata» de cogumelos – Lígia Rosa.


A equipa foi, pois, composta por três elementos: o «mestre» Alvar, Lígia Rosa e este humilde aprendiz, fraco aluno, em matéria micológica.


Conforme recomendação do amigo Hélder Alvar, não deixei de, nos Santos, em Chaves, comprar uma cesta para estas operações. Recomendação de peritos na matéria: para estas actividades, nada de plásticos. «Catar», sim, mas devemos pugnar para que as «sementes» cumpram seu efeito de reprodução, para renovação das espécies.

E, como não podia deixar de ser, para além da cesta, não me esqueci da mochila onde anda sempre a máquina fotográfica e todos os seus apetrechos. Qualquer saída que faça, são objectos que me acompanham sempre. Há paparazzi para tudo. Eu sou da natureza…


Mas vamos lá ao que importa relatar – a nossa observação, mas, acima de tudo, as espécies encontradas e «catadas».


Na ótica de Hélder, a saída não foi muito fértil, frutuosa, em variedades encontradas, contudo, deu para trazer alguns exemplares e, com eles, fazermos duas ou três refeições para três ou quatro pessoas.


O «habitat», ou terreno, onde mais andámos foram os montes cobertos de «Pinus pinea»,



salpicados com um ou outro pequeno manto de carvalhos

 

 

e castanheiros.

 

 

Como saímos já perto das três da tarde e, por volta das cinco e meia, mete-se o sol e começa a fazer-se noite, a nossa saída, em termos de tempo, não durou mais que uma hora e quarenta e cinco minutos, ou duas horas, se tanto.


No terreno, Hélder ia por um lado e Lígia por outro, por pequenos períodos de tempo e, logo após uma «assobiadela» já característica, lá nos encontrávamos os três para fazer o ponto da situação do terreno desbravado e irmos para outros lugares.


Eu acompanhava ora uma ora outro, embora a maior parte do tempo andasse com o «mestre» Hélder para lhe ouvir, atentamente, as explicações que me dava sobre cada uma das espécies que íamos encontrando.


H. Alvar nesta «cata» preocupou-se mais em andar comigo exercendo mais a tarefa de mestre. Positivamente o nosso homem, disto, «percebe da poda». E, quando se leva espécies para casa, que não são comuns ou suposto comê-las, não sentimos qualquer receio quando são por ele recomendáveis como comestíveis.


Assim, «a despesa» maior do dia, em termos de «apanha» coube a Lígia. Levava um cesto pequeno mas, cada vez que nos deslocávamos de um terreno para outro, vinha cheio, deixando o «produto» na mala do jeep. Se a memória não me falha, fê-lo por duas ou três vezes.


Ei-la exibindo «Boletus pinophilus» ou boleto pinícola:


 (Um Boleto pinícola)

 

(Dois Boletos pinícolas)


E eu, que normalmente não dou com nada, desta vez, escondido pela caruma, lá dei também com um boleto pinícola. Porventura foi o maior da nossa «cata». Sorte de principiante…

 

 

Hélder deu com este «Boletus edulis», boleto simbiótico do carvalho e castanheiro.

 

 

E Lígia, enquanto a acompanhava, descobriu este « Tricholoma equestre» ou tortulho amarelo.

 

 

Pelos vistos, quer Hélder quer Lígia, e outros amigos, já tinham andado e explorado estas bandas. Razão pela qual, e para ficar a conhecer mais uma espécie, Alvar levou-me a um lugar onde sabia ter encontrado uma série de «Picnoporus cinnabarinus» ou vulgarmente designados por trametras avermelhados. Mostrou-mos mas deixou-os ficar no lugar, levando-me a pensar não serem comestíveis.

 

 

Quando em Março deste ano me «estreei» nesta «curiosidade» de «cata» de cogumelos com o Hélder, no post que editei naquela altura dei conta da existência de vários sarcodons (Hydnum imbricatum). Estavam já velhos, pretos, estragados pelo tempo e pelas geadas. Reveja-se o seu aspeto da altura:

 

 

Desta vez, quer eu quer a Lígia demos com uma série deles. Eis um deles, ainda «fresquinhos»:

 

 

Lígia explicou-me que esta espécie é muito boa como «especiaria», dando um bom sabor à comida, embora, às vezes, muito intenso, depois de secos e triturados, ficando em pó.


Tendo levado alguns para casa, não sobrou nenhum para aquele efeito. Em boa verdade foi um dos que mais me agradou comer. Gosto dos cogumelos mais duros e não tão viscosos como alguns. O sarcodon sabe bem trincá-los.


Verdadeiramente encantado ficou Hélder quando descobriu estes dois bonitos exemplares de «Boletus edulis» (simbióticos do carvalho e do castanheiro).

 

 

E não resistiu a dar-me mais uma explicação sobre as partes distintas e constitutivas de cada espécie de cogumelos.

 

 

Nas minhas deambulações, sozinho pelo monte, descobri estas duas espécies:

 

 

Como nem Hélder nem Lígia estavam comigo, ou por perto, não me puderam dizer seus nomes. Mandei fotografia – que não está muito nítida – ao Hélder. Na volta diz-me que talvez se trate, dos amarelos, de «Higrocybe cónica», dos castanhos, de «Eblomas» ou «Inocybes». Mas só vendo…


Com o sol a cair já sobre o horizonte, por detrás dos pinheiros,

 

 

espalhando difusamente os seus amarelados raios,

 

 

e começando já a fazer frio, eram horas de regressar a «penates».


Não queria, todavia, de acabar este apontamento sem referir um gesto que, da parte de Hélder Alvar, muito me sensibilizou: ao me despedir dele e da nossa colega de jornada micológica, Lígia Rosa, vai, creio, ao porta-luvas do jeep e, tirando um grosso, embora pequeno, livro de bolso, diz-me:


- “Toma, é para começares a aprofundar os teus conhecimentos micológicos”.


O livro em questão tem o seguinte título «Le Guide Larousse des Champignons». Dele constam mais de 170 espécies de cogumelos e a informação sobre cada espécie está contida em duas páginas, organizado da seguinte forma:


A.- Na primeira página:


A.1.- Cabeçalho da página informativa: em primeiro lugar, seguindo a ordem alfabética, aparecem-nos o nome das diferentes espécies com os respectivos nomes em latim; em segundo lugar, o nome comum pelo qual é mais conhecido; em terceiro lugar, a família a que pertence; em quarto lugar, outros nomes pelo qual é também conhecida; em quinto, e último lugar, a estação ou época do ano em que se podem encontrar e apanhar, as dimensões da espécie (chapéu e pé) e formas particulares, bem assim a informação se são comestíveis ou tóxicos. Se são comestíveis, estão classificados em: simplesmente comestíveis; bons ou excelentes. Quanto à toxicidade: a rejeitar, tóxico e mortal.


A.2.- Corpo da página informativa: em primeiro lugar, onde se encontra a espécie; em segundo lugar, como se reconhece e, por último, com que espécies se confundem.


B.- Segunda página: a foto da respectiva espécie.


No final do livro, para além do Índice, para procurarmos com mais facilidade a página de cada uma das espécies, vem uma lista dos cogumelos mortais. E ali poderemos ver os «malditos»: «Amanita phaloides»; «Amanita virosa»; «Cortinarius orellanus»; «Cortinarius splendens»; «Galerina marginata»; «Gyromitra esculenta»; «Hypholoma fasciculare»; «Inocybe patouillardii»; «Lepiota subincarnata»; «Paxillus involutus» e «Tricholoma auratum».


Livro de bolso muito bem organizado e com  informação necessária e suficiente.


Aqui fica o meu público obrigado a Hélder por esta simpática oferta bem assim pelo «mimo» com que me presenteou quando vindo dos Alpes suíços: oferecendo-me uma cestinha de «Craterellus cornucoioides», ou vulgarmente designados, por trompetas dos mortos.

 

 

Souberam-me deliciosamente comidos numa omelete. Os restantes, que sobraram, já estão secos, à espera de um caldinho de canja para os saborear.


Aqui fica, um pouco à «trouxe-mouxe», a reportagem possível da minha segunda saída micológica (ou 2ª Lição Micológica) com Hélder Alvar e Lígia Rosa.


Até à próxima!

 

 

P.S. – Espero, ansiosamente, que, em breve, o meu caro Hélder Alvar - perdoando-me a ousadia – me presenteie com uma publicação, da sua autoria, sobre esta matéria na qual é um verdadeiro entendido.


publicado por andanhos às 23:12
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