Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013

Por terras da Gallaecia - Caminhada:- Rotas parciais das águas de Verin e do Pozo do Demo (Galiza) - II

 
 
 

CAMINHADA – ROTA PARCIAL DAS ÁGUAS DE VERIN E DO POZO DO DEMO

 

PARTE II

 

2. Agosto. 2013

 

 

2.- Considerações à volta da Eurocidade Chaves-Verín

 

 

Francisco J. Gil, no opúsculo «Roteiro da Água – Balneários do Eixo Atlântico», editado pela Associação Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular (que integra as principais cidades do Norte de Portugal e da Galiza), a páginas tantas, afirma: “(…) Chaves e Verín representa uma aposta decidida pelo termalismo, convertendo os recursos naturais que a água lhes oferece num instrumento para o desenvolvimento sustentado compartilhado. Na atualidade oferece grandes atrativos que se converterão em excecionais a médio prazo, tendo em vista os projetos que se estão a cimentar. Para os seus convizinhos, Chaves e Verín, já não são senão dois distritos de uma grande eurocidade”.

 

Trata-se, obviamente, de uma publicação institucional. Daí há que dar o devido desconto ao excessivo entusiasmo do seu autor!

 

Contudo, já no mesmo ano daquela publicação, em 2008, o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, publicava um outro opúsculo com o título «Chaves-Verín: A Eurocidade da Auga – Agenda Estratégica». Aquela publicação, na sua parte introdutória, reitera, enfatiza e amplia os postulados da publicação acima citada, nestes termos: “Chaves e Verín podem fazer da água a âncora na qual se deve cimentar o seu desenvolvimento. Uma cidade ecológica com o Tâmega como rio-eixo para disfrute dos seus cidadãos e dos visitantes (…). Uma cidade de saúde e do conhecimento com termas, balneários, hotéis, centros de formação superior (…). Uma cidade horta que lidere o uso racional da água para incrementar os rendimentos e a qualidade dos seus produtos naturais de referência no mercado internacional. Uma cidade inovadora e de empreendedores capazes de tirar partido dos recursos endógenos dando-lhe um maior valor acrescentado, na agro-indústria, floresta, energias renováveis, aqua-indústria. Uma cidade capaz de tirar partido da nova centralidade, que supõe converter-se no ponto de saída para a Europa das duas principais áreas industriais da Euroregião – Porto e Vigo. Uma cidade criativa com projecção internacional. Muitas cidades e uma mesma eurocidade – a cidade da água”.

 

O estudo/Agenda estratégica aponta três eixos, cada um com medidas e linhas de acção, a saber:

  • Eixo 1 - Forjar a eurocidadania;
  • Eixo 2 – Um território sustentável;
  • Eixo 3 – Dinamização económica.

Atentemo-nos em algumas medidas dos eixos: cidade da saúde; cidade criativa; cidade ecológica do Tâmega; destino termal por excelência; valorizar os recursos endógenos segundo uma lógica de território de inovação e de iniciativa.

 

Bonitas palavras! Onde estão, levadas a cabo, as linhas de ação desses eixos e dessas medidas?

 

Quem, como nós, tem calcorreado a pé todo este território, infelizmente, não encontra nenhuma mudança de monta. As mesmas paisagens de antanho – quer rurais quer dos núcleos urbanos! Na verdade é um território prenhe de potencialidades… inertes, quase mortas. Não se vê nenhuma revitalização. Não sabemos onde pára a iniciativa e a criatividade para transformar esta terra, de que as suas gentes tanto merecem! Agro-indústria, floresta, energias renováveis, aqua-indústria…Onde param? E, o que existe, é o que se vê!

 

Território horta. Deixem-me rir. Mas de pena! O que mostram as fotos que exibimos pelos locais por onde passámos? Um território lavrado, repito, nos modos de antanho!

 

E quanto às águas? Porque, quanto ao rio Tâmega, estamos conversados... a não ser um ou outro brilharete para captar o munícipe/eleitor desprevenido.

 

Por aquilo que vi na minha passagem pelos mananciais de Verín, outra coisa não existe senão a exploração (engarrafamento) para o mercado das águas. Em particular as águas de Sousas e de Cabreiroá. E que apenas aproveita os seus proprietários-industriais. O balneário de Fontenova pouca lhe há-de faltar para entrar em plena ruína.

 

E a sua fonte de Espido, logo à entrada, é apenas frequentada por alguns saudosistas (poucos) que a usam. Que mais parece uma esmola da empresa à população!

 

 
 

O mesmo se passa com a buvete das de Sousas e as de Cabreiroá. Que por poucos, ou quase nenhuns, são frequentadas: estão ali apenas como uma relíquia a lembrar o brilho de tempos passados.

 

O hotel-balneário de Cabreiroá está já a ficar em ruinas, pelo completo abandono, rodeado por um extraordinário parque de plantas e árvores exóticas de grande valia.

 

Isto já para não falar de Caldeliñas e, particularmente, no balneário de Vilaza, em Requeijo, completamente destruído e ao abandono, numa zona verdadeiramente bucólica. Enfim, pelo que vi, não se vislumbra qualquer objectivo de se pôr estas instalações no circuito balneário.

 

Registe-se, contudo, o agradável arranjo urbanístico da Fonte do Sapo. Mas, creio, tratar-se de uma intervenção pontual sem qualquer sentido estratégico!

 

Para os industriais das águas de Verín, o que conta é a sua comercialização, aguentando, até ao limite dos limites, as respectivas «jóias da coroa» de outros tempos, que foram os seus balneários.

 

Felizmente que, pelas nossas bandas, portuguesas, há uma outra preocupação. Quer em Chaves, Vidago e Pedras tem-se revalorizado não só as termas, seus balneários e hotéis como os seus respetivos parques. Tudo o resto, o mesmo lá como cá!

 

Mas para uma região que pretende ter o apodo de «Terra da Água» onde está a estratégia e a coordenação?

E, por isso, pergunto-me, qual tem sido o papel da eurocidade, em particular nesta vertente?

 

É certo que não acompanho com assiduidade o trabalho desta instituição que é liderado por um cariz fortemente autárquico, mas tenho para mim que, talvez por isso mesmo, está excessivamente burocratizada, não deixando os seus verdadeiros actores/agentes (individuais e colectivos) de desenvolvimento com iniciativa suficientemente livre para a cooperação e construção, autêntica, do território que nele habitam. Dito de outro modo. Faltam duas componentes essenciais para a dinamização desta eurocidade (porque diagnósticos e estudos não faltam!): maior envolvimento e participação das populações e instituições locais (porque tudo se engendra nos gabinetes com técnicos,políticos e burocratas, quando o desenvolvimento não é, essencialmente, levado a cabo por eles!) e a criação de sinergias para, com engenho, criatividade e arte, levar a cabo uma autêntica animação (cultural) do território, que dê vida a esta terra e a ponha verdadeiramente no mapa transfronteiriço e da europa das regiões!

 

Doutra forma, tudo correrá ao sabor das oportunidades particulares, dos negócios e negociatas de momento. Ou seja, dos oportunismos e oportunistas

 

Com manifesto prejuízo para uma região, já por si só, bem deprimida!

 

 

Deixo, agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 

 


publicado por andanhos às 20:40
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 7 seguidores

.rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
21
22
23

25
26
27
29
30


.posts recentes

. Por terras da Ibéria - Tr...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Versejando com imagem - A...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Palavras soltas... Em dia...

. Ao Acaso... Com Torga, fa...

. Reino Maravilhoso - Barro...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.links

.StatCounter


View My Stats
blog-logo