Domingo, 22 de Janeiro de 2017

Memórias de um andarilho - Caminhadas pela vias férreas abandonadas:- Linha do Sabor - 1ª etapa

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 000

1ª etapa:- Pocinho - Torre de Moncorvo

(2.abril.2012)


Introdução

 

A nossa primeira aventura, em termos de caminhadas pelas linhas de caminho-de-ferro portuguesas abandonadas ao tráfego ferroviário começou pela Linha do Tua.

 

Sabíamos que uma futura barragem poderia soterrar a parte mais emblemática da Linha, em alguns quilómetros e, então, em junho de 2009, com o nosso velho amigo Neca, e com o apoio logístico do nosso cunhado, decidimos fazê-la.

 

Todavia, apenas fizemos os troços: ascendente, do Tua - Abreiro e, no dia seguinte, o descendente, de Mirandela - Cachão.

 

Ficou, assim, no meio, o troço de Abreiro - Cachão e, depois, todo o troço que vai de Mirandela até Bragança, ou seja, um total de 94. 276 quilómetros.

 

Pensamos, nesta primavera, «cumprirmos» toda a Linha. Vamos ver...

 

Apresentámos já todas as reportagens das caminhadas ao longo da Linha do Corgo, no sentido descendente, Chaves - Peso da Régua. Falta-nos agora as reportagens das seguintes caminhadas, feitas até ao presente, pelas seguintes linhas de caminho-de-ferro abandonadas:
Linha do Douro:- Pocinho - Barca d’Alba;
Linha de Salamanca:- Barca d’Alba - La Fregeneda;
Linha do Sabor:- Pocinho - Duas Igrejas (Miranda do Douro).


Quanto a esta última Linha, já em 2013, fizemos um vídeo por cada etapa, que se encontra no Youtube. Por lapso, não fizemos o vídeo da 4ª etapa, entre Lagoaça e Bruçó.

 

Falta-nos fazer, embora descrevendo muito sumariamente, a reportagem das oito etapas que fizemos nesta Linha.

 

É, agora, o nosso presente propósito.

 

Foi nosso companheiro de caminhada, durante as três primeiras etapas, ainda mais uma vez, o nosso velho amigo Neca. Foi com ele que já tínhamos feito a do Tua, em 2009, a do Pocinho - Barca d’Alba e Barca d’Alba - La Fregeneda (Linha de Salamanca) e as duas etapas finais da Linha do Corgo.

 

A 4ª e 5ª etapas da Linha, de Lagoaça a Bruçó e de Bruçó, - Vilar de Rei - Mogadouro, de 9. 444 Km e 11. 759 Km, respetivamente, foram feitas no sentido descendente, ou seja, Bruçó - Lagoaça e Mogadouro - Vilar de Rei - Bruçó, nos dias 27 e 28 de junho de 2012, acompanhando o percurso do meu sobrinho Florens, que vinha, com um amigo e colega de profissão, fazendo a Linha no sentido descendente, desde Duas Igrejas (Miranda do Douro). Foram as últimas da Linha a serem feitas.

 

A 6ª etapa (Mogadouro - Variz - Sanhoane); a 7ª etapa (Sanhoane - Urrós - Sendim); e a, e última, etapa (Sendim - Fonte de Aldeia - Duas Igrejas), com 8. 929 Km, 12. 466 Km e 11. 341 Km, respetivamente, fizemo-las sozinho, de 30 de abril a 2 de maio de 2012, com o apoio do Tópê que, naquela altura, se encontrava em Miranda do Douro, trabalhando para a EDP no reforço de potência da barragem do Picote.

 

O nosso sobrinho-neto Edu «cumpriu» a 1ª etapa desta Linha e 1/3 da 2ª etapa.

 

Tivemos como apoio logístico, fundamentalmente no abastecimento de comida e bebidas, como dissemos, o nosso cunhado Augusto.

 

Durante estas três etapas, ficámos alojados nas Moradias Do Douro internacional, na Congida, em Freixo de Espada-à-Cinta.

 

Na véspera da 1ª etapa, dia 1 de abril, domingo, fomos ficar a casa de nossa irmã, em Loureiro, Peso da Régua, onde estavam os nossos companheiros de jornada e o homem do nosso apoio logístico, o Augusto.

 

Deitámo-nos cedo, pois teríamos que nos levantar às 5 horas e 30 minutos da manhã.

 

1.- Pocinho - Apeadeiro (técnico) da Gricha

 

O tempo estava bom para caminhar, com algumas nuvens, mas sem chuva.

 

Saímos de Loureiro, Peso da Régua, eram 6 horas da manhã. Chegámos ao Pocinho às 7 horas e 30 minutos.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 004

 
Tomámos um café no Café da Estação, onde apreciámos os seus bonitos azulejos, dos quais aqui se mostra um e...

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 009


toca imediatamente a andar.

 

Nos primeiros passos, este aspeto degradante do material circulante da Linha. Verdadeira sucata!

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à frente dos nossos olhos, a ponte sobre o rio Douro, integrando já a extinta Linha do Sabor,

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e uma instalação fabril ligada à produção e derivados do azeite.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 012a

 
Curvámos à esquerda,

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dando de caras com este aspeto.

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Apesar do Sinal de Perigo, Proibindo a Passagem, com cautela, atravessámos a ponte.

 

Do nosso lado esquerdo, a barragem do Pocinho, logo após o nascer do sol.

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E deixámos para trás o Pocinho.

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Confessamos que, no começo, ao andar por cima das travessas, sentimos alguma dificuldade. Custou-nos a habituar à passada de cada lanço de travessas.

 

Verdadeiramente cansativo, de um modo especial quando punhamos os pés sobre a brita grossa.

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Quando podíamos, e o solo era mais cómodo e regular, íamos pelas margens.

 

De qualquer das formas, a paisagem sobre o rio Douro e sua envolvente, bem assim da Quinta de Vale Meão, com as serras ao longe e a aldeia da Foz do Sabor à nossa frente, compensava o esforço.

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Ao largarmos a vista sobre a Quinta de Vale Meão, no alto do monte, esta bonita capela.

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A páginas tantas, vemos a Linha pejada de azedas.

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Neca, lembrando-se dos seus tempos de menino, debruça-se sobre elas, apanha um punhado delas e mete-as à boca.

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Só quando observámos bem o que estava fazendo, é que nos veio à lembrança que também, quando pequeno, assim fazíamos com os amigos, quando íamos e vínhamos da escola, apanhando-as dos muros.

 

Edu ficou estupefacto a olhar para o tio-avô. E, no andar, Neca lá que iam explicando o «pitéu» que as azedas eram, quando usadas em salada.

 

Mais à frente uma passadeira de rosmaninhos à nossa espera.

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E, a partir de certa altura, começa a nossa tormenta. Até aqui a Linha não nos parecia tão obstruída de vegetação como a do Pocinho - Barca d’Alba. Mas as derrocadas sobre a Linha obrigava-nos a ter de trepar sobre aquele entulho todo.

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Mas, como diz o ditado, «não há mal que sempre dure...». À nossa frente, uns metros mais adiante, este lindo panorama.

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E a presença sempre constante do rio Douro.

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Mas a Linha não nos dava descanso. Esta, entre outras, até era uma derrocada pequena,

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que, entretanto, Neca, mais entendido em questões de botânica, flora e vegetação autóctone, aproveitava para nos elucidar sobre os nomes das diferentes espécies de árvores e arbustos pelas quais íamos cruzando, ao longo do nosso percurso. Nomeadamente, esta planta - o zimbro - e a utilidade das suas vagas.

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Até que chegámos ao apeadeiro (técnico) da Gricha.

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Tínhamos andado, aproximadamente, 6 Km, sensivelmente metade da etapa programada para hoje.

 

2.- Apeadeiro (técnico) da Gricha - Torre de Moncorvo

 

E o rio Douro não nos abandonava, bem assim as enormes parcelas de olival que se estendiam ao longo das suas margens,

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com novos saibramentos,

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mostrando a verdadeira riqueza destas terras,

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denunciando a aproximação à aldeia da Foz do Sabor,

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e a foz do rio Sabor no Douro, com a aproximação do Vale da Vilariça.

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Continuámos a nossa caminhada. Mas, até ao apeadeiro (técnico) da Gricha, apesar das botas que levávamos, adequadas para aquele tipo de pavimento, custou-nos um bocado.

 

Do apeadeiro (técnico) da Gricha para a frente, o troço da Linha apresentava-se mais cómodo. Edu, contudo, já mostrava algum cansaço.

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Eis a primavera irrompendo com toda a sua força, vindo à frente a giesta branca (Cytisus multiflorus), bem adaptada a terrenos xistosos.

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Na aproximação ao Km 9, ao fundo, o casario da vila de Torre de Moncorvo.

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E, entre o Km 9 e o Km 10, este típico pombal, a necessitar de arranjo.

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Mais à frente, mais uma explicação do tio Neca quanto a este arbusto - o sumagre - com a sua utilização para fins medicinais e para a alimentação.

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Por entre um pequeno olival, ao Km 11, o casario da Torre de Moncorvo, com a sua imponente Igreja Matriz,

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uma autêntica igreja/torre fortaleza.

 

E eis-nos chegados ao nosso términus da caminhada, início da ecopista e da nossa 2ª etapa (Torre de Moncorvo - Freixo de Espada-à-Cinta), a levar a cabo amanhã.

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Um quilómetro e meio antes da nossa chegada a Torre de Moncorvo, Augusto veio ter connosco, ao longo da linha, acompanhando-nos até ao Restaurante Jardim Aberto, onde almoçámos.

 

Depois do almoço, antes de irmos para as Moradias do Douro Internacional, na Congida, Freixo de Espada-à-Cinta, fomos dar uma volta pela vila.

 

Não fomos propriamente conhecer Torre de Moncorvo. O termo mais adequado seria revisitá-la e matar saudades. A esta vila liga-nos laços afetivos muito profundos. Tivemos aqui, no final da nossa adolescência e primeira juventude, um saudoso irmão que aqui fixou residência, por alguns anos. Uma filha e um filho nasceram-lhe aqui.

 

Pelos laços afetivos que a esta vila nos ligam, vamos, por isso mesmo, no próximo post da reportagem desta Linha, fazer-lhe um «Destaque».

 

Entretanto, deixo aos nossos leitores o visionamento do vídeo desta 1ª etapa que, em 2013 fizemos e publicámos no Youtube com a designação «Pelas Travessas da Linha do Sabor - 1ª etapa».

 


publicado por andanhos às 19:49
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Ao Acaso - Amadeo de Souza-Cardoso-A «arte de loucos, de manicómio» 100 anos depois

 

 

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

 

A «ARTE DE LOUCOS, DE MANICÓMIO» 100 ANOS DEPOIS

00. ASC


Não foi a primeira vez que entrámos em contacto com a arte de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

Numa das nossas deslocações à «capital» do Baixo Tâmega, aproveitámos para entrar no Museu Municipal que leva o seu nome.

 

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu em Manhufe, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante, a 14 de novembro de 1887.

 

Foi um artista cuja vida não foi longa. Morreu, de pneumónica, em Espinho, a 25 de outubro de 1918.

 

Os entendidos dizem que pertence à primeira geração de pintores modernistas portugueses. E, como artista, «desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com artistas do seu tempo», articulando-se «de modo aberto com movimentos como o cubismo, o futurismo ou o expressionismo», atingindo em muitos momentos - e de modo sustentado na produção dos seus últimos anos - um nível em todo equiparável à produção da arte internacional sua contemporânea».

 

Todavia, foi preservando sempre uma certa autonomia artística, ao ponto de assumir que «não seguia uma escola ou um movimento específico, como o cubismo».

 

Amadeo de Souza-Cardoso expôs em França, na Alemanha, nos Estados Unidos e em Inglaterra, mas, sua obra inseria-se em «exposições coletivas», não tendo, por isso, um grande destaque, à exceção da de Londres, na qual a crítica foi muito positiva.

 

A única exposição individual que levou a cabo foi no Porto e, a seguir, em Lisboa, em 1916.

 

No Porto, no então Jardim do Salão Passos Manuel, hoje inexistente, e onde atualmente se localiza o Coliseu do Porto; em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa.

 

Se a exposição do Porto, no Jardim do Salão Passos Manuel, apresentava uma grande visibilidade, por ser «dos mais populares da época, onde havia um cinematógrafo, e até se dizia que ir ao Porto e não ir a Passos Manuel era como ir a Paris e não ir à Torre Eiffel», na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa, o espaço era mais elitista, «mais isolado, com uma carga política muito específica ligada à reação monárquica à primeira República».

 

A exposição de Amadeo de Souza-Cardos, em 1916, foi comissariada por ele próprio e teve a «proeza» de, em 12 dias, no Porto, ter 30 mil visitantes.

 

Mas não se pense que, à sua volta, reuniu um grande consenso de crítica positiva. Houve, positivamente, muitas apreciações, em jornais, negativas, por não compreenderem as linguagens novas e a estética vanguardista.

 

É de salientar, contudo, que houve alguns artigos de admiração e apreciação interessantes, «como os de Alfredo Pimenta, um homem da extrema-direita».

 

Para a opinião pública da época, cujo seu maior veiculador de opinião era o Primeiro de Janeiro, aquela exposição era uma «arte de loucos, uma arte de manicómio»; já, por sua vez, o Jornal de Notícias dizia que era uma proposta de arte extremamente interessante.

 

Foi uma exposição, acima de tudo, polémica, em que se debatiam campos opostos, chegando-se ao ponto de ter havido agressões físicas e até circular a hipótese de terem cuspido nos seus quadros expostos: é o que diz Marta Soares, uma das curadoras que, no espaço do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (de 1 de novembro a 31 de dezembro de 2016) e no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu Chiado (janeiro de 2017) nos procura(ra)m mostrar 81 das 114 obras que Amadeo expôs no Porto, na sua primeira exposição, volvidos que são 100 anos.

 

Em dezembro passado, estando no Porto, Ao Acaso,  e passando pelo antigo Palácio dos Carrancas (e antiga residência oficial dos soberanos portugueses, aquando das suas estadias no Porto, a partir de 1861),

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não resistimos em entrar neste edifico

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para ver a exposição da obra tão ostensivamente divulgada deste artista.

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Seguimos a sinalética aposta no Museu.

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Subimos. E, num corredor, sensivelmente a meio, entrámos.

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A partir deste recinto, «ornado» de várias esculturas famosas,

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não nos foi autorizado tirar mais fotografias.

 

Por tal circunstância, socorremo-nos de algumas fotos da imprensa, aquando da abertura, para mostrar 5 perspetivas da exposição:

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(PerspetivaI)

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(Perspetiva II)

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(Perspetiva III)

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(Perspetiva IV)

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(Perspetiva V)

E utilizámos o Catálogo da Exposição, que o comprámos para o efeito, das fotos de Susana Silva Oliveira e dos acervos fotográficos das obras, quer da Fundação Caloustre Gulbenkian, quer do Museu Municipal Amadeo de Soza-Cardoso (Amarante), quer do Museu Nacional Soares dos Reis para mostrar aquelas obras que, ao nosso olhar, foram mais impressivas.

 

Fica aqui, assim, um pequeno contributo na divulgação da arte dos nossos artistas por quem, a maioria de nós portugueses (quiçá por falta de uma verdadeira educação artística), muito pouco cuidamos de apreciar e admirar, com verdadeiro gosto estética.

11a.- Casa do Ribeiro, 1913. óleo sobre madeira, Coleção particular
(Casa do Ribeiro, 1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)

12.- A ascenção do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo souza-Cardoso
(A ascensão do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Col. particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

13.- A casita clara paysagem, 1915. óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(A casita clara paysagem, 1915. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

14.- A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. óleo sobre tela, Coleção particular
(A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

15.- Arabescodynamico - REAL...
(Arabesco dynamico = REAL - ocre rouge café. 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

16.- Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

17.- Paysagem Manhufe, 1912-1913. óleo sobre madeira. coleção particular
(Paysagem Manhufe, 1912-1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)18.- Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis

 
(Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis)

19.- Par Impar, 1915-1916.Coleção particular
(Par Impar, 1915-1916.Coleção particular)

20.- Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

21.- Mucha, 1915-1916.óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre gulbenkian
(Mucha, 1915-1916. Óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

22.- Pintura (Abstração), óleo sobre tela, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Pintura [Abstração), 1913. Óeo sobre tela, Coleção Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

23.- Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian (Coleção moderna)
(Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

24.- Vida dos Instrumentos, 1916 - Museu Soares dos Reis
(Vida dos Instrumentos, 1916 - Coleção do Museu Nacional Soares dos Reis)

25.- Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, óleo sobre cartão, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, 1913. Óleo sobre cartão, Coleção do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

26.- Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, pertencente à coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

27.- A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleçºao do Museu fundação Caloustre Goulbenkian (Coleção Moderna)
(A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção do Museu Caloustre Gulbenkian)

28.- Antiga Inanharmonia,1913 - 1914. Óleo sobre tela, Xoleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Antiga Inanharmonia, 1913 -1914. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

29.- Azenhas, 1915. óleo sobre tela, coleção particular em depósito no museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Azenhas, 1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

30.- Bruxa louca - cabeça, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Bruxa louca - cabeça, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

31. Canção Popular e Pássaro do Brasil, óleo sobre tela, c. 1916, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Canção Popular e Pássaro do Brasil, 1915. Óleo sobre tela, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

32.- Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito Museu Municipal amadeu Sousa-Cardoso
(Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeu Sousa-Cardoso)

33.- Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu municipal de amadeo de Souza-
(Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no M.M. de Amadeo de Souza-Cardoso)

34.- Músuca surda, 1914-1915. óleo sobre tela. coleção particular em depósito no Museu Minicipal Amadeo Souza-Cardoso
(Músuca surda, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

35.- O rata, 1914-1915,.Óleo sobre cartão, Coleção Museu municipal amadeo Souza-Cardoso
(O rata, 1914-1915. Óleo sobre cartão, Coleção Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

36.- Paysagem verde, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amedeo Souza-Cardoso
(Paysagem verde, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

37.- Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo de Souza-
(Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

38.- ASC

 


publicado por andanhos às 21:58
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017

Por terras de Portugal:- Braga-Seminário Menor - Capela Imaculada-Uma ponte entre a Igreja e a Arte

 

 

BRAGA - SEMINÁRIO MENOR

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CAPELA IMACULADA - UMA PONTE ENTRE A IGREJA E A ARTE


Conhecemos, pela primeira vez, em 19 de maio de 2013, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, no âmbito de uma Primeira Comunhão de uma nossa sobrinha.

 

A Capela de Nossa Senhora da Conceição está situada no centro do edifício do Seminário Menor da Arquidiocese de Braga.

 

A construção do edifício do Seminário Menor, chamado de Nossa Senhora da Conceição, decorreu entre 1923 e 1924, sob a vigência do Arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos.

 

Este prelado adquiriu, em hasta pública, os edifícios dos extintos Recolhimento de S. Domingos da Tamanca e do Conservatório das Órfãs do Menino Deus, em avançado estado de ruína, para aqui instalar o Seminário Menor.

 

Neste Seminário Menor, com mais de 90 anos de existência, por aqui passaram mais de 8. 000 jovens, os quais se distinguiram nas mais diversas áreas de atividade, desde a cultura, o ensino, a política, a justiça, a ação social, o desporto, a arte, a economia e, naturalmente, na consagração ao serviço do Evangelho e à Igreja Católica.

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Mal sabíamos nós que, passado um ano, o espaço da Capela seria objeto de intervenção, face às debilidades estruturais que a mesma apresentava.

 

Quando, em 2013, entrámos na Capela de Nossa Senhora da Conceição, o seu aspeto era o de uma capela normal, com capacidade para 700 pessoas, mas, em muitos aspetos, idêntica a muitas outras já conhecidas, integradas dentro do espaço do edifício de um Seminário.

 

Aqui se mostra um aspeto parcelar da mesma, naquele ano de 2013:

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Na companhia de um nosso ex-aluno do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, especialista e doutorado em Turismo Religioso, e com responsabilidades na Confraria do Bom Jesus do Monte e na gestão dos Hotéis do Bom Jesus, fomos visitar, no verão passado, aquela Capela, objeto de intervenção em 2014, e consagrada, em 2015, pelo Arcebispo D. Jorge Ortiga, com o nome de Capela Imaculada. Estávamos no ano pastoral 2014/2015 e no 90º aniversário do Seminário de Nossa Senhora da Conceição.

 

Mal entrámos no Seminário, e no corredor que nos dá acesso ao local da Capela, as mesmas sinetas,

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e, no átrio de entrada, o mesmo ícone em azulejos.

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Aberta a sua porta de entrada, eis, a nossos olhos, a total «transubstanciação» do espaço!

 

Se é verdade, tal como afirma o Arcebispo D. Jorge Ortiga, na consagração e dedicação da Capela, que «a Igreja ofereceu à Humanidade as “mais belas obras de arte”», acrescentando, «desde a pintura à escultura, das capelas às catedrais, da literatura à música, o génio cristão inspirou uma plêiade de artistas e marcou indelevelmente o mundo (...)», contudo, não nos podemos esquecer do custo que tal «feito» teve não só nas comunidades dos crentes, nas outras comunidades crentes e também naqueles que, de uma forma laica, se lhe opunham, porque portadores de visões do mundo diferentes.

 

A História da Igreja Católica, infelizmente, não é feita, e foi construída, só com «glórias», aliás como todos os sistemas de valores fechados, por muito que se diga, ou queira, estarem abertos ao exterior!

 

Não é aqui nosso desiderato o aprofundamento desta pertinente questão.

 

Como conhecedores, minimamente atentos, como somos, dos valores fundamentais da comunidade dos crentes católicos e da sua liturgia, apraz-nos registar agradavelmente a impressão com que ficámos com este novo espaço, quando o visitámos.Tal como já tinha acontecido com a Capela Árvore da Vida, localizada no Seminário Maior, também em Braga.

 

Não é nosso intuito descrever, em pormenor, e explicar, cada um dos elementos que compõem e caracterizam esta Capela, apelidada de Imaculada, verdadeiramente singular no conjunto dos edifícios congéneres da Igreja Católica.

 

Vamos apenas destacar sete elementos que reputamos mais impressivos, deixando depois a respetiva explicação ao Professor de Liturgia da Faculdade de Teologia de Braga, Padre Joaquim Félix:

 

1.- O simbolismo do Portal da Entrada

05.- DSCF3836


2.- O pilar que sustenta o oratório (Confessionário), com os seus materiais, e o significado dos elementos constantes da sua base:

06.- DSCF3830


3.- A colocação do ambão no meio do espaço /ambiente, enfatizando a «centralidade promovida a partir da Palavra»:

07.- DSCF3849

 

4.- O altar, em pedra de granito tosca, apenas polido numa face,

10.- DSCF3841


assentando sobre o «dinamismo da vida da água»:

09.- DSCF3837

 
5.- O efeito da luz que nela penetra,


quer se trate da que entra pela funa placa de mármor de Estremoz, no lugar onde antigamente estava o altar-mor, com o sacrário,

08.- DSCF3832

 
agora localizado num lugar lateral do espaço da Capela;

11.- DSCF3850

 
quer se trate da que entra pelas divisões da abóbada de betão armado suspenso; quer ainda a que entra pelas cortinas de pano, feitas pelas tecedeiras de Cabeceiras, nos seus teares tradicionais

12.- DSCF3833

 
e a respetiva simbologia de cada um destes «rasgos» de luz.

 

6.- A Nossa Senhora da Humildade

 

E o que dizer da Nossa Senhora da Humildade, no meio do ambiente litúrgico, gerando «um ambiente de cenáculo»?

13.- DSCF3834

 
Mas, passemos a palavra mais avisada ao Padre Joaquim Félix, ínsita na reportagem da Ecclesia.

 

7.- Os seus quadros ou pinturas

 

Demos agora a palavra ao escultor responsável pela peça «Nossa Senhora da Humildade» e à pintora deste conjunto, que ora se mostra,

14.- DSCF3842

 
bem assim ao arquiteto, António Fontes:

 

Saímos deste espaço,

15.- DSCF3852

 
e, como dissemos, agradavelmente surpresos.

 

E uma pergunta ficou pairando na nossa mente: será que esta obra representa uma verdadeira renovação e abertura de uma comunidade crente, consentida, querida, dando valor à Honestidade, Verdade, Exigência, Inovação, Simplicidade, convidativa ao silêncio e reflexão, aberta às diferentes visões do mundo e da arte? Ou não será simplesmente o «feito» de uma elite, quiçá bem afastada da maioria do sentir e do viver da fé dos crentes da comunidade onde se insere?

 

Pela nossa parte, e de qualquer das formas, estão de parabéns os responsáveis por esta(s) obra(s) de arte.

 

Que a mesma represente efetivamente uma verdadeira ponte... para os crentes desta comunidade, levando-os, no silêncio e diálogo com esta arte e a sua história, para muitas outras «margens».

 


publicado por andanhos às 22:30
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Pajares-Pola de Lena

 

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

47.- CSS - 6ª etapa (503)

 

6 etapa:- Pajares (Payares) - Pola de Lena
(03.maio.2016)

 

 


Introdução

 

Ultrapassada que foi a zona mais montanhosa deste Caminho de São Salvador, a partir de Pajares (Payares), percorremos o extenso concelho de Lena.

 

Diz-nos o Eroski Consumer que esta etapa não nos dá tréguas, contudo, propicia-nos belas paisagens e interessantes veredas num itinerário que evita sempre a Estrada N-630, que serve, fundamentalmente, as populações rurais de Santa Marina, Llanos de Somerón, Fresnedo e Herías.

 

Na programação que tínhamos feito deste Caminho, esta etapa estava dividida em duas, ou seja, de Pajares (Payares) até Bendueños, com 15 Km de extensão, e de Bedueños até Pola de Lena, sensivelmente com 10 Km.

 

Foi com algum desalento que Marisa, a albergueira de Pajares (Payares) nos informou que o albergue Santuário de Bedueños, privado, estava encerrado, para obras.

 

Para quem, como nós, tínhamos passado um mau bocado com a descida para Pajares (Payares), que nos deixou completamente de rastos, ver pela frente uma etapa de 25 Km, e, ainda por cima, toda ela projetada num sobe e desce constante, com uma primeira descida forte logo no início, de Pajares (Payares) para San Miguel del Rio, e outra, de se lhe tirar o chapéu, de Herías para Campomanes, apesar da beleza da paisagem, ficámos deveras desalentados.

 

Ainda pensámos ficar em Capomanes, onde existe toda a espécie de serviços para um peregrino, contudo, a nossa decisão foi de tentar os 25 Km de uma assentada e, caso surgisse alguma dificuldade, então ficaríamos em Campomanes, a pouco mais de 7 Km de Pola de Lena.

 


1.- Pajares (Payares) - Llanos de Somerón

 

Deixámos Pajares (Payares) com o começo do raiar do sol,

01.- CSS - 6ª etapa (006)


passando pela Fonte de la Pría e pelo Solar do Hospital de San Miguel, dos séculos XVIII e XIX, em completa ruína.

 

E logo à saída da povoação, começavam os nossos joelhos a ressentirem-se com a pronunciada descida até San Miguel del Rio.

 

Nosso companheiro de Caminho, apercebendo-se da nossa dificuldade, foi estugando o pé. Enquanto parávamos, aqui e ali, não resistíamos a observar o entorno por onde passávamos, captando uma ou outra imagem,

02.- CSS - 6ª etapa (029)


até que nos aproximávamos de San Miguel del Rio, banhada pelo rio Pajares (Payares).

03.- CSS - 6ª etapa (049)


Ultrapassámos San Miguel del Rio ainda de madrugada, não deixando, todavia, de registarmos a rústica igreja da localidade.

04.- CSS - 6ª etapa (051)


A partir de San Miguel del Rio, começámos a subir (e a descer) até Puente de los Fierros, passando por Santa Marina, com a sua singela capela.

05.- CSS - 6ª etapa (079)


E é verdadeiramente aqui que o nosso Caminho penetra em zona verdadeiramente rústica (rural e florestal): ora num abrir e fechar constante de cancelas,

06.- CSS - 6ª etapa (092)


para manter acoitado o gado, ora por veredas de floresta autóctone, de caducifólias,

07.- CSS - 6ª etapa (105)


em que, pelas suas vertentes, jorra água límpida, cristalina.

08.- CSS - 6ª etapa (115)


Percorridos sensivelmente 5 Km, dávamos entrada em Llanos de Somerón.

 

Veja-se o espetáculo de paisagem que presenciámos!

09.- CSS - 6ª etapa (139)

 


2.- Llanos de Somerón - Herías

 

Na passagem por Llanos de Somerón, este típico espigueiro asturiano.

10.- CSS - 6ª etapa (146)


Ao chegarmos à Igreja de Llanos de Somerón, dedicada a Santiago, onde existe a seu lado um enorme teixo,

11.- CSS - 6ª etapa (154)


deixámos, à porta da Igreja, o nosso antigo cajado, que já não cumpria cabalmente a sua função. Florens, perito em cajados, prometeu-nos fazer um que estivesse à nossa altura.

12.- CSS - 6ª etapa (154a)


E, logo de seguida, começámos a longa descida até Puente de los Fierros, por uma estrada local.

13.- CSS - 6ª etapa (165)


Aqui, em Puente de los Fierros, antigamente, cobrava-se portagem.

14.- CSS - 6ª etapa (207)


Não entrámos na localidade. Abandonada a estrada local, à esquerda da mesma, começámos a subir por um carreiro de pé posto.

 

Percorridos, aproximadamente, 10 Km, Florens, num alto verdejante, tira a mochila das costas, descalça-se e, sob o sol inclemente do meio-dia, convida-nos a descansar sobre este tapete verde.

15.- CSS - 6ª etapa (217)


Ao fundo da ravina, onde nos sentámos, Puente de los Fierros com a sua estação de caminho-de-ferro.

16.- CSS - 6ª etapa (227)


Após o descanso, bebidos e comidos, com o reforço do segundo pequeno-almoço, que levávamos no farnel, em poucos minutos estávamos a atravessar Fresnedo.

17.- CSS - 6ª etapa (239)


De Fresnedo até Herías, o carrocel constante, de altos e baixos, no troço do Caminho. E cansativo. O que valia era a paisagem

18.- CSS - 6ª etapa (239a)


à nossa volta, que compensava todo o esforço despendido, por entre uma encosta densa de árvores,

19.- CSS - 6ª etapa (239b)


em que a água, escorrendo pela encosta abaixo, não faltava.

20.- CSS - 6ª etapa (239c)


A páginas tantas, Florens para. Encontrou uma galha ideal numa árvore para, dela, nos fazer o prometido cajado.

 

Aqui o vemos no seu esforço de artesão!

21.- CSS - 6ª etapa (258)-2


Aqui e ali, ao longo da encosta, casas em ruínas, tomadas pelas heras. Esta, que aqui vemos, ainda se nos apresenta com alguma «frescura».

22.- CSS - 6ª etapa (314)


E, desta casa até à Ermida de San Miguel, foram escassos metros para lá chegar.

23.- CSS - 6ª etapa (316)


Aqui, no espaço primaveril, envolvente a esta ermida, fizemos mais uma pequena pausa, sentados em dois toros de madeira, juntos a um palheiro.

 

E não nos cansávamos de admirar toda a beleza natural que se nos postava, naturalmente, aos nossos olhos.

24.- CSS - 6ª etapa (318)


Mas o Caminho de hoje pedia-nos mais avanço. E começámos a descer até Herías.

 

Num pequeno caminho à nossa mão direita, a Fonte de San Miguel.

25.- CSS - 6ª etapa (330)


Ao dobrar de uma vereda, eis o casario de Herías com todo o seu entorno!

26.- CSS - 6ª etapa (356)


Aqui, num cruzamento, viraríamos para o albergue de Bendueños e, em pouco tempo, a nossa etapa programada estaria concluída. Mas não! Havia que prosseguir, com mais 10 Km pela frente.

 

Em Herías, registámos este singular espigueiro - e pouco mais -,

27.- CSS - 6ª etapa (374)


prosseguindo nosso Caminho, agora voltando a subir.

 

 

3.- Herías - Santa Cristina de Lena

 

No topo da subida, começámos a deixar de visualizar Herías, com o seu casario à volta da Igreja.

28.- CSS - 6ª etapa (381)


Enquanto nos despedíamos de Herías, no fundo do vale, passava um comboio.

29.- CSS - 6ª etapa (382)


Depois da subida, na saída de Herías, esperava-nos agora uma vertiginosa descida até Campomanes.

30.- CSS - 6ª etapa (391)


Pese embora a almofada de folhas que o troço nos oferecia, entremeado com perigosos calhaus, muito a custo, lá conseguimos chegar a Campomanes.

 

Exaustos, e com fome, aqui parámos para descansar e abastecer, convenientemente, a «máquina» para os restantes 7,5 Km que ainda nos esperavam para chegarmos a Pola de Lena.

 

Suficientemente descansados, e bem comidos e bebidos, com outra alma e ardor, encarámos agora, com mais otimismo, o último troço que nos faltava fazer.

 

Saindo de Campomanes, o Caminho suaviza.

 

Percorrendo o passeio fluvial existente nesta localidade, não nos cansávamos de observar as águas límpidas do rio Pajares (Payares) e, ao fundo do cenário, os cumes da serra ainda, em plena primavera, cobertos de neve.

31.- CSS - 6ª etapa (405)


A determinada altura do percurso fluvial, nasce um outro rio: aqui, o rio Pajares (Payares) recebe as águas do rio Huerna, dando origem ao rio Lena. Nesta foto, vemos, assim, três rios - a foz do rio Huerna, em frente; do nosso lado esquerdo, o rio Pajares (Payares) e, do lado direito, o recém-nascido rio Lena!

32.- CSS - 6ª etapa (410)


Satisfeita nossa curiosidade, continuámos o nosso Caminho, continuando a percorrer o passeio fluvial.

33.- CSS - 6ª etapa (424)


Saídos do passeio fluvial, ao fundo do horizonte, a mais de meio da encosta, apresenta-se-nos, de bandeja, a silhueta da Igreja pré-românica de Santa Cristina de Lena.

34.- CSS - 6ª etapa (430)

 


4.- Santa Cristina de Lena - Pola de Lena

 

Aqui chegados, seria imperdoável se não visitássemos esta maravilha do pré-românico, pese embora a íngreme subida que teríamos de ultrapassar.

35.- CSS - 6ª etapa (435)


Florens toma a dianteira.

36.- CSS - 6ª etapa (438)


Nós seguimo-lo e, na subida, à nossa direita, a pura visualização da arte pré-românica asturiana, vista por um dos seus alçados laterais!

37.- CSS - 6ª etapa (446)


O que se nos apresenta ao nosso olhar é uma igreja, de estilo ramirense, por ter sido construída no reinado de Ramiro I, no século IX, que está considerada como Património da Humanidade.

 

Este é o seu alçado frontal.

38.- CSS - 6ª etapa (448)


Vejamos agora as suas traseiras.

39.- CSS - 6ª etapa (448a)


Entremos dentro, guiados pela senhora María Inês, a responsável pela guarda da chave do monumento, em amena e cordial conversa com o nosso companheiro peregrino, Florens.

40.- CSS - 6ª etapa (448b)


Reparemos nos pormenores do seu interior.

41.- CSS - 6ª etapa (448c)


Satisfeita a nossa curiosidade, e apreciada esta linda pérola, era hora de fazer mais uma pequena pausa no apetecível recinto da Igreja, com vista para a aldeia de Palacios.

42.- CSS - 6ª etapa (454)


Florens não hesitou em fazer uma pequena soneca,

43.- CSS - 6ª etapa (456)


sob o olhar atento deste lindo fiel amigo.

44.- CSS - 6ª etapa (456a


Enquanto Florens passava um pouco pelas brasas, nós entretínhamo-nos a observar todo este lindo entorno.

45.- CSS - 6ª etapa (458)


E, como diz o velho ditado que «não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe», mochilas às costas, preparámo-nos para sair deste sagrado e edílico lugar, descendo pelo lado oposto ao que tínhamos chegado, pisando um caminho empedrado (medieval?),

46.- CSS - 6ª etapa (501)


despedindo-nos daquela maravilhosa Igreja ramirense.


Enquanto atravessávamos o bairro Peridiello, à nossa esquerda, deixávamos a estação de caminho-de-ferro de La Cobertoria.

 

No rés-do-chão deste edifício, está localizada uma sala de aulas que nos elucida sobre esta linda pérola pré-românica, acabada de visitar.

48.- CSS - 6ª etapa (504)


E continuámos o nosso Caminho, agora acompanhados pelo curso de água do rio Lena, encravado neste pequeno vale verdejante, e acompanhados por casario, que se arrasta até ao seu leito.

49.- CSS - 6ª etapa (526)


De Santa Cristina de Lena até Pola de Lena são, mais ou menos, 5 Km, num sem fim a andar sobre o asfalto!

 

Até que, já positivamente cansados, mas ainda com uma réstia de folgo, chegámos a Pola de Lena,

50.- CSS - 6ª etapa (533)


passando pela Casa do Concello;

51.- CSS - 6ª etapa (536)
(Vista de lado)

52.- CSS - 6ª etapa (536a)

(Vista de frente)


pelo Mercado Municipal;

53.- CSS - 6ª etapa (539)


pelo centro da cidade, com a sua Igreja Paroquial,

54.- CSS - 6ª etapa (544)


tendo, à sua frente, o Jardim Público.

55.- CSS - 6ª etapa (548)


E não levou muito tempo até que chegássemos ao albergue.

 

Quando chegámos ao albergue, a «nossa» peregrina Justyna Bartkowiak já tinha chegado há bastante tempo. É uma jovem e com boas pernas para andar. Não admira não lhe termos visto o rasto durante toda a etapa!

 

Encontrava-se no albergue mais um outro peregrino. Não soubemos donde vinha. Era de poucas palavras.

 

Tomámos banho. Descansámos um pouco. E, depois, saímos para comer e dar uma pequena volta por Pola de Lena.

 

Tirámos algumas fotos. Deixamos apenas aqui esta pitoresca moradia, pois a reportagem já vai longa.

56.- CSS - 6ª etapa (579)


Entrámos em duas siderarias para beber e petiscar. Havia jogo de futebol pela televisão. Não fixámos os clubes que jogavam. Mas tinha a ver com um campeonato europeu em que jogava uma equipa espanhola.

 

Prestámos mais atenção não só ao que comíamos e bebíamos como à reação da assistência. Por todo o lado, o futebol produz o mesmo fenómeno no contágio entusiasta dos adeptos, gerando as mesmas reações, a mesma «loucura» de massas!

 

Bem compostos, regressámos ao albergue, dando uma vista de olhos a uma das ruas de Pola de Lena.

57.- CSS - 6ª etapa (587)


Quando chegámos ao albergue, fomos encontrar o nosso amigo checo Bohdan Dochanic. Disse-nos que gostaria de fazer, no dia seguinte, a etapa connosco.

 

Quando nos deitámos na cama, demo-nos conta que, positivamente, estávamos todo roto das pernas.

 

E a noite foi calma e reconfortante, trazendo-nos novas energias para o dia seguinte...


publicado por andanhos às 15:54
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