Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Versejando com imagem - Meu amor não deixes de sonhar comigo

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MEU AMOR NÃO DEIXES DE SONHAR COMIGO

 

 

 

Meu amor não deixes de sonhar comigo
Finge que sou cor
E tinge-me, meu amor
E atinge o meu calor.

Meu amor deixa-me ser musa,
Deixa-me ser harpa e som.
E ser o tom e o dom, da tonalidade que se usa
Para pintar a doçura que se entrevê no decote da minha blusa.

Vem beber mestre, nos lábios da musa,
Dócil e agreste, submissa e que te recusa.

Sonha comigo amor!
Também é bom ser o teu sonho,
O que não se toca, o que não se tem.
Preciso partir para me quereres
Preciso subir ao meu recanto celestial
Reenquadrar-me na minha perspetiva do ideal.
Na projeção do meu real,
No âmago, essência essencial do meu ser.

Preciso tocar de novo a minha pedra filosofal.
Desprender-me das amarras
E voar, escalar com as doces garras
A métrica do irreal.

Sombras, secas e surdas
Sobem sobre as pálpebras mudas
O cansaço consome, absorve sob penas duras.

Vou dormir e descansar e fugir,
Para um lugar de onde penso partir.
Há-de nascer a fonte,
Verdejar o monte,
Há-de sorrir a gueixa,
Há-de desaparecer a queixa,
Hás-de sonhar comigo de novo…

Meu amor, meu triste, pacato e contido…
…Povo.

 

Lúcia Cunha
03-06-2013

FB_IMG_1453060683896


publicado por andanhos às 15:19
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Palavras soltas... Travassos do Rio (e o Barroso) pela pena de Miguel Torga

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

TRAVASSOS DO RIO (E O BARROSO) PELA PENA DE MIGUEL TORGA

 

01.- NOC9137


De regresso a Chaves, vindos de Braga, pela Nacional 103, demo-nos conta que A. Tâmara Júnior se encontrava por terras de Montalegre.

 

Combinámos um encontro, ou em Sezelhe ou em Travassos do Rio, onde, juntamente com um seu amigo fotógrafo, andavam captando o que resta da «alma» barrosã.

 

Porque, nesta altura, os dias são pequenos, a visita a Sezelhe foi rápida.

 

Ficámo-nos de encontrar, assim, em Travassos do Rio, última aldeia a visitarem nesse dia.

 

Já não nos lembrávamos de ter estado nesta terra. É rica em lameiros,

02.- NOC9164


a julgar pelo gado bovino que vimos.

03.- NOC9122


Todavia, o que nos chamou mais a atenção, à entrada da aldeia, foi uma tabuleta indicando «Torre do Boi».

 

Dirigimo-nos ao Largo do Cruzeiro, onde, no Cruzeiro, impera um singelo relógio de sol.

04.- NOC9132

 
De pronto, demos de caras com esta torre.

05.- NOC9139


Na sua base, uma placa com a citação da parte do diário de Miguel Torga, escrita a 29 de Agosto de 1991, no seu último Diário.

 

Transcrevemos as palavras do nosso poeta maior transmontano:


Travassos do Rio, Montalegre, 29 de Agosto de 1991 - Notabiliza este lugar um baixo-relevo na torre sineira a figurar a cabeça dum toiro, que foi campeão invencível nas turras do seu tempo e os habitantes, ufanos de tanta valentia, quiseram perpetuar.
Vou rememorando: Cornos das Alturas, Cornos da Fonte Fria, Tourém, Toural, Pitões.
Era assim antanho. Por todo o lado a mesma obsessão a tutelar as consciências. O mal é que o povo, em meia dúzia de anos, deixou apagar nos olhos a imagem viril, e perdeu a identidade. O Barroso de hoje é uma caricatura. Sem força testicular, fala francês, bebe Coca-Cola, deixou de comer o pão centeio do forno comunitário, assiste a chegas comerciais, em campos de futebol, com bilhetes pagos e animais alugados. É um nédio boi capado”.

 

Lidas estas palavras, podem-nos parecer uma espécie de insulto ao barrosão de hoje.

 

Não cremos, sinceramente, que tenha sido este o intento do nosso poeta maior, transmontano (alto-duriense). São palavras que fazem apelo à nossa consciência crítica quanto ao tipo de desenvolvimento que implementámos nos dias que correm.

 

Obviamente que não queremos voltar à extrema pobreza que nos arrancou dos braços da nossa querida terra barrosã, a mourejar pelos países da diáspora portuguesa, à procura de melhor qualidade de vida.

 

Não é a vida pobre e miserável, que este velho moinho simboliza, que devemos preservar. Mas ele faz parte da nossa história, da nossa memória. Devemos mantê-lo para nos lembrar donde viemos. A luta que tivemos de travar para aqui chegar.

06.- OC9174


Não é a substituição do colmo pelas telhas nas casas que servem de nosso ninho; nem, tão pouco, na nova e renovada igreja,

07.- NOC9169


que hoje, a nossos olhos, se apresenta bem vestida e de cara lavada, que nos indica que mudámos, e no sentido do progresso.

08.- NOC9168

Não. Não é nada disto que contestamos e pretendemos, e, a exemplo de Miguel Torga, por em crise.

 

O que constrange e entristece Miguel Torga, e a nós também, é a total perda de identidade da nossa qualidade de ser barrosão.

 

O termos sido - e alguns infelizmente ainda o são - pobres não deve ser motivo de nos levar a rejeitar os valores fundamentais das nossas próprias raízes, como os nosso modestos casebres.

09.- NOC9154-2

 
O que nos entristece é, positivamente, deixarmo-nos totalmente acultural pelos modos de vida dos novos senhores do Mundo - dos que, é certo, nos deram a vida a ganhar - deixando, contudo, para trás, com uma espécie de vergonha, aquilo que mais nos distinguia como portugueses e, especificadamente, barrosões.

 

Adotámos do «outro» o trivial da sociedade de consumo, desprezando, ou esquecendo, aquilo que outrora nos distinguia, que era motivo do nosso orgulho, que tornava nobre as nossas gentes.

 

Eramos pobres (e ainda alguns são), sim, mas, na essência, eramos, mulheres e homens, de um só costado, solidários, genuinamente comunitários, sabendo construir, com as agruras e a rudeza de um território, uma alma nobre, altiva, orgulhosa do seu terrunho, dos usos e tradições das suas gentes.

 

Hoje o Barroso é um completo contraste e uma verdadeira sombra do que era, pese, repete-se, embora certo «progresso» que patenteamos.

 

A raça, a força, a valentia e a galhardia, personificada no boi do povo de cada terra, verdadeiramente, já não existe mais.

 

Supomos que, quando Torga diz que somos «um nédio boi capado», outra coisa não quer significar senão a nossa total impotência para revertermos a situação em que nos encontramos e dotar o Barroso das qualidades que o distinguiam de todos os outros genuínos territórios portugueses.

 

E é pena!

 

Fica-nos esta memória, este símbolo - a Torre do Boi - para nos lembrar que, algures, em território português, existiu um povo que, para além de muitos outros valores e qualidades, tinha uma que as distinguia de todas as demais - a valentia do «antes quebrar que torcer», do seu modo de vida genuíno, diferente, que, constantemente, lhe persegue a consciência!!!...


nona


publicado por andanhos às 22:53
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Reino Maravilhoso - Crónica de uma reportagem falhada

 

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO


CRÓNICA DE UMA REPORTAGEM FALHADA


Devíamo-nos levantar à 7 da manhã para sairmos da cidade de Névoa, às 7 horas e 30 minutos, e embrenharmo-nos nas aldeias solarengas do nosso Barroso com os nossos habituais três mosqueteiros.

 

Não os acompanhámos aquela hora, dizendo que tínhamos compromissos inadiáveis que nos preencheriam toda a manhã. Mas sempre fomos perguntando onde era a janta porque, resolvidos esses compromissos, nós lá aparecíamos. Em boa verdade, foram simples desculpas. Com dois ou três telefonemas, os assuntos/compromissos resolver-se-iam.

 

O que nos reteve em Névoa foi o medo ao frio e o saboroso quentinho da cama de manhã.

 

Névoa é assim: quando a «névoa» vem para ficar, fica mesmo. E, muitos de nós, desesperamos pela falta de sol quando, lá mais para o alto, o sol irradia.

 

Mas, pesando-nos a consciência, tomámos a nossa viatura e fomos ao encontro dos três valentes mosqueteiros (guerrilheiros) que, já pelas 11 horas e 30 minutos, tinham calcorreado as aldeias de Penedos de Cima, Penedos do Meio e Penedos de Baixo.

 

Ao sairmos de Névoa, não resistimos em registar, ao longo da EN nº 103, este cenário que se presenteava a nossos olhos.

 

DSCF8693

 
Ultrapassada Sapiãos, o sol de inverno radiava, enchendo-nos a alma com outro ardor.

 

Durante uma hora vagueámos pelas terras barrosãs de Montalegre em direção à barragem de Paradela. Parámos em Paradela do Rio. Em Paradela do Rio, recebemos mensagem para nos dirigirmos ao nosso já habitual Restaurante Albufeira, uma vez mais, para comermos o cozido barrosão. Pessoas simpáticas, os proprietários, mãe e filho, naturais de Vila da Ponte.

 

Bem comidos e bebidos, os nossos mosqueteiros «encartaram» as máquinas fotográficas. Para eles o dia já estava «ganho». Nós, porém, praticamente ainda não nos tínhamos «estreado».

 

Numa zona contígua ao restaurante, em Lama da Missa, o nosso D’Artagnan faz-nos um desafio: cada um tira uma fotografia ao cenário que tínhamos à frente - um lameiro -; depois, comparávamos, nesse cenário, ou que cada um mais enfatizava ou relevava. Aceite o desafio, aqui fica a nossa foto:

DSCF8718


E, como estávamos em maré de descontração, mais outro desafio: tirar uma foto das nossas próprias sombras (se fossemos ingleses, diríamos, uma «selfie»). Aqui fica com os nossos leitores um estranho pormenor da sombra de um dos nossos mosqueteiros.

DSCF8724


E, daqui, «remámos» em direção a Vilarinho de Negrões.

 

A barragem do Alto Rabagão apresenta-se quase vazia

DSCF8748


e Vilarinho de Negrões oferece-nos este aspeto:

DSCF8754
(Pormenor I)

DSCF8757

(Pormenor II)

Saídos do perímetro de Vilarinho de Negrões, eis, ao longe, a silhueta do seu casario.

DSCF8772

 
Em poucos minutos demos entrada na Vila e, de pronto, o condutor D’Artagnan dirige-se para o Miradouro da Corujeira.

 

Athos, exibindo orgulhosamente um pouco da sua (pressuposta) costela barrosã, apontando para o lado direito do cenário, que estava à nossa frente, dizia: ali, onde vedes aqueles três blocos de apartamentos, logo a seguir, foi onde vivi na minha infância; agora, está tudo diferente!

DSCF8784


Por seu turno, D’Artagnan, não deixando por mãos alheias os seus conhecimentos sobre Barroso - até porque traz com ele meia costela barrosã -, apontando para o pico do grande panorama à nossa frente, afirmava: aquela aldeia, logo mais abaixo daquele pico, é Sendim, a mais alta de Portugal!

DSCF8787


Saindo do Miradouro da Corujeira, andámos às voltas pelo bosque circundante, acabando por descermos até à Vila e, aí, andarmos pelos lugares mais escaninhos de Montalegre, não sabemos com que objetivo. Até que acabámos por entrar num bar do centro para dar de beber à sede.

 

Despedimo-nos uns dos outros, desejando Boas Entradas para 2017, enquanto no Ecomuseu do Barroso, Espaço Padre Lourenço Fontes, a Mãe Bruxa não nos deixava esquecer que, no próximo dia 13 de janeiro, é Sexta.

DSCF8804


Então, Mãe Bruxa, até lá!!!...


publicado por andanhos às 22:14
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Ao Acaso... - Uma ideia «brilhante» num «chão» pejado de incongruências

 

 

AO ACASO...

 

UMA IDEIA «BRILHANTE» NUM «CHÃO» PEJADO DE INCONGRUÊNCIAS


Não pensem as leitoras e os leitores que estamos sempre no «contra» ou somos movidos por qualquer ideia persecutória seja para quem for ou de qualquer outra cor que seja. Muito pelo contrário. O que nos move é o desejarmos um concelho e uma cidade à altura dos pergaminhos da sua história. Porque é nossa. Porque a escolhemos para nela vivermos. Porque verdadeiramente a amamos.

 

Foi, por isso, com verdadeiro espanto, que vimos uma série de imagens da nossa cidade, engalanada de colorido, em época natalícia, nas redes sociais.

 

Sentimos que, quer nas imagens, quer nos escritos postados, havia renascido, finalmente, o verdadeiro orgulho de ser transmontano e flaviense. Afinal de contas - que diabo! -, não é só o futebol que levanta a nossa moral e o nosso «ego».

 

Foi, positivamente, uma ideia brilhante e inovadora, nesta quadra natalícia, decorar e iluminar os nossos monumentos e edifícios públicos.

 

Por isso, também como tantos flavienses, apesar do frio à noite, em dias de inverno soalheiro, saímos do conforto do nosso sofá e, máquina em punho, Ao acaso, deambulámos pela cidade à cata do que nesta época em Chaves brilhava.

 

Começámos pela Torre de Menagem.

01.- NOC9264

 
E gostámos da sua iluminação simples e minimalista.

 

Torneámos as traseiras do Museu da Região Flaviense e, de caras para a «Casa do Povo», sede do poder de todos nós, o que vimos também nos encheu a vista.

02.- NOC9266

 


Aqui ficámos apenas com um uma pequenina areia no sapato e um pouco pensativos, olhando para a estátua fronteiriça ao edifício, sede do Poder Municipal. Parece-nos que o «nosso» conde aparentava certa tristeza. Porventura gostaria de partilhar tanto brilho, não ficando tanto na sombra...

 

Mais em baixo, o conjunto das duas igrejas, quer a da Matriz,

03.- NOC9273

 
quer a da Santa Casa da Misericórdia, em ano de Comemoração dos 500 anos de existência da sua instituição, ajudam a criar um excelente conjunto, numa das praças mais emblemáticas da nossa cidade.

04.- NOC9276


Mas, caras leitoras e leitores, se da iluminação deste conjunto da Praça de Camões (vulgo, do Município) gostamos da novidade com que este ano nos presentearam, em boa verdade, não podemos calar o choque que sentimos com a total incongruência no tratamento final de todo este espaço.

 

Expliquemo-nos.

 

Uma iluminação natalícia é, por natureza, feita para encanto e contemplação dos espaços públicos, monumentos e edifícios de uma cidade. Contemplação e encanto que atraem, não só os seus residentes como quem nos visita e aqui vem fazer estadia ou fazer compras. Se, repete-se, por natureza assim é, como é que se explica aquela monstruosa estrutura «gelada» ali postada, ocupando praticamente toda a Praça? Que prazer e contemplação aqui se pode usufruir do conjunto com aquele mastodonte ali colocado? Não estaria melhor situado em cima da estrutura do Balneário Romano, no Largo do Arrabalde? Ao menos, ali, as crianças, e os seus paizinhos, podiam-se divertir também, usufruindo de animados banhos turcos, nesta época fria, com os vapores das águas termais, a custo zero...

 

Ao dobrar a Praça de Camões, lágrimas de tristeza, vindas da Torre de Menagem do antigo Castelo, caem sobre as antigas dependências do Paço dos Duques de Bragança - o atual Museu da Região Flaviense - chorando por ninguém se lembrar dele. É pena, pois bem o merecia!...

05.- NOC9278

 
Quanto ao resto, ficou tudo às escuras. A Capela da Santa Cabeça, parece, já deixou de ter cabeça para pensar que existe e o típico casario, que emoldura a Praça, a julgar pela «iniciativa», pensamos encontrar-se já despovoado, porquanto não entrou nesta «partilha», nesta «festa».

 

Entrámos na Praça da República. E vimos tudo quase às escuras, negro. Também não admira. Preside-a o Pelourinho que a «engalana» e, entre outras coisas, o mesmo simboliza a morte. E o Dia de Fiéis Defuntos já faz tempo que passou.

 

Descemos a rua da Trindade. De frente, ao fundo, aparece-nos, graciosamente iluminada, a Biblioteca Municipal.

06.- NOC9294

 
À sua frente, o espaço do histórico e emblemático Jardim das Freiras - um dos maiores centros de convívio dos flavienses -, por artes mágicas, nesta época do ano, desapareceu.

 

Não admira, pois, que o antigo Liceu Fernão de Magalhães, os edifícios dos Correios e a agência da Caixa Geral de Depósitos, bem como o comércio confinante, não quisesse partilhar nas «despesas» desta encenação inútil, sem sentido e sem o mínimo de encanto.

 

Descemos, tristes, sob a simples e intensa, mas equilibrada iluminação, a rua de Santo António até ao Largo do Arrabalde.

07.- NOC9305

 
É aqui que reside também um verdadeiro coração de Chaves. Não podia, assim, faltar iluminação natalícia.

 

Antes, impunha-se, neste conjunto, o edifício do Palácio da Justiça - obra do Estado Novo, dirigido por mentalidades velhas, ditatoriais, governando-nos com punhos de ferro, pondo a vida de muitos portugueses a ferro e fogo. Mas lá se ia impondo... Hoje o representante da Justiça apresenta-se envergonhado, mal se mostra já, ofuscado pelo poder imperial da Praça de Camões que, a todo o custo, e a qualquer preço, nos querem impor o «poder romano». Não fora a iluminação natalícia, à noite, pouco se impõe o símbolo da Justiça em Chaves.

 

Mas, da estilização da Árvore de Natal, gostamos.

08.- NOC9299

 
Bem podia estar noutro sítio, que nós bem cá sabemos! Mas, não querendo sermos bota-abaixo, nem tão pouco má-língua, vá lá, ali até nem fica mal.

 

Do Presépio, aqui colocado, independentemente do gosto de cada um, uma coisa foi acertada: não consta a vaquinha e o burrinho, que todos nós sabemos que até são incómodos quanto a cheiros. E esteve bem avisado quem assim decidiu tirar estas imagens míticas deste Presépio. É que o Bom Menino Jesus aqui não precisa destes úteis animais, nem tão pouco das palhinhas, para nada: os simples vapores das águas das termas romanas, que Lhe estão por debaixo, são por si suficientes para O manterem sempre quentinho!...

09.- NOC9365

 
Não percebemos é por que não entraram nesta «festa», e neste conjunto, o célebre edifício das «Escadas do Largo dos Pasmados», antiga e outrora prestigiada instituição bancária da nossa praça e os edifícios que lhe estão confinantes, ou nas proximidades, como a antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, bem assim o Café Geraldes. Falta de lembrança ou de sensibilidade dos seus atuais proprietários? Talvez seja a crise. Que não toca a todos da mesma maneira!...


Entrámos na Ponte Romana, o nosso ex-libris ou, como alguns escrevinhadores do nosso sítio gostam de lhe chamar - «a nossa top model».

10.- NOC9332

 
Não apresenta uma iluminação de autêntica «passerelle». Mas a que tem fica-lhe bem. Pena que as suas zonas adjacentes não participem com brio para lhe dar mais brilho! Quanto a este assunto já repisámos o suficiente noutra ocasião e, em dias de festa, não devemos ser mais chatos. Festa é festa!

 

Atravessamos a Ponte e entrámos na Madalena.

 

A única rua da Madalena que entra verdadeira e dignamente nesta «festa» tem uma cor que nos agrada. Para um antigo residente desta zona, a cor não lhe fica mal, pese embora saber que nem todos estão de acordo connosco. Compreendemos e aceitamos. É a vida...

11.- NOC9341

 
Sabemos que a Igreja Matriz da Madalena, embora uma excelente obra de arte, está muito confinada, com uma posição muito acanhada, que lhe tira toda a visão do seu esplendor. Torna-se difícil dar-lhe mais visibilidade e brilho. Paciência. Em boa hora se lembraram dela e muito bem.

12.- NOC9345

 
Cremos que a nossa conversa já vai longa.

 

Nosso desejo, para o ano que vem, é que haja mais novas e inovadoras ideias para abrilhantar esta tão linda e histórica cidade. Com novas mentalidades. Que saibam dar valor ao «chão» que pisamos. Sabendo bem planear e cuidar do espaço público, que é de todos nós. Com verdadeiro espírito democrático. E no uso de uma gestão verdadeiramente culta e participada.

 

São estes os nossos Votos, nesta Quadra, para todos os flavienses.

13.- Boas Festas 2017

 
Bom Natal e um Feliz Ano 2017


publicado por andanhos às 00:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

Reino Maravilhoso - Alto Tâmega e Barroso - Meixide/Crónica à volta do nosso mundo rural

 

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO

 

MEIXIDE

 

PEQUENA CRÓNICA À VOLTA DO NOSSO MUNDO RURAL


Nem sempre nossa vida se propicia para sairmos no fim-de-semana até às terras do Barroso com o proprietário do blogue CHAVES e autor da rubrica «O Barroso aqui tão perto».

 

No passado dia 10 (sexta-feira), acompanhamo-lo para darmos mais uma volta pelas aldeias do seu itinerário pré-estabelecido.

 

Pretende fazer a reportagem de todas as aldeias do Barroso, começando pelo concelho de Montalegre. E, lentamente, nos vamos apercebendo dos aspetos que nosso companheiro mais pretende captar.

 

Se, porventura, algumas histórias de vida podem vir à baila, o que, essencialmente, julgamos, está na sua intenção é o dar-nos a conhecer os aspetos particulares e específicos de cada uma das aldeias que compõem o Barroso, em especial o da já sua velha e arruinada arquitetura tradicional e popular.

 

Conhecer a alma barrosã, em toda a sua pureza, para além de cada vez mais se tornar mais difícil, por falta de gente para a assimilar, exige, por outro lado, muito mais tempo de paragem, verdadeiro convívio, ou seja, mais disponibilidade e uma planificação mais apurada. Que não se compadece com aparecimentos inesperados, aqui e ali, sem que alguém saiba ou dê conta da nossa presença.

 

Mas, em função do ritmo e da vida apressada que a sociedade de hoje em dia nos impõe, cada um faz o que pode, com o seu melhor saber. E muitos fazem certos trabalhos, porque não dizê-lo, com verdadeiro amor e carinho por estas gentes e estas terras.

 

Por isso, nosso desiderato, nesta espécie de crónica, não é competir com o nosso companheiro de muitas jornadas, fazendo reportagem das aldeias por onde passamos: umas vezes, pretendemos, tão somente, enfatizar uma ou outra imagem que mais nos ficou na retina; outras, pretendemos refletir um pouco sobre aquilo que vimos.

 

Neste post, pretendemos, embora ao de leve, refletir um pouco sobre os nossos territórios do interior, que estão na periferia das periferias. O ensejo foi-nos proporcionado por uma boa meia hora que estivemos parados no Largo do Cruzeiro da aldeia de Meixide. Ou seja, Meixide apenas aqui serve de mote, de uma espécie de sobressalto, para as nossas reflexões e interrogações.

 

Não seriam ainda 11 horas da manhã, de um dia de outono, que, lentamente, se foi apresentando soalheiro, quando entrámos no dito Largo do Cruzeiro, completamente deserto.

01.- NOC8659.jpg

Inopinadamente, aparece-nos, de um dos lados do Largo, estas duas senhoras: uma, com a burra, dando-lhe de beber no tanque público da aldeia; outra, derreada pelos anos, possivelmente nada fáceis da vida, arrastando-se com uma bengala na mão, enquanto, na outra, trazia um saco plástico,

02.- NOC8579.jpg

dirigindo-se, de imediato, depois de uma breve troca de conversa com a sua vizinha, para o banco de pedra encostado ao forno do povo - forno este que, pelos vistos, há muito tempo se encontra inativo -, enquanto o sol a ia embalando em ligeira sonolência.

03.- NOC8603.jpg

Do outro lado do Largo, uma outra senhora, vinda talvez do campo, esperava, acompanhada do seu fiel amigo,

04.- NOC8625.jpg

enquanto ia respondendo a uma ou outra pergunta que lhe íamos fazendo.

 

De um momento para o outro, entrando na aldeia, «claxonando» com grande alarido, dá entrada na povoação o vendedor ambulante de víveres.

 

Junta-se às personagens, já apresentadas, mais estas duas,

05.- NOC8670.jpg

que aproveitam para por em dia o relatório do que se passava na aldeia. Pouca coisa, no final de contas, pois, nada mais se viu se não estas cinco criaturas que, compras aviadas, depressa regressam aos seus «cortiços».

06.- NOC8657.jpg

De um momento para o outro, de uma das esquinas de uma rua, aparece o pastor.

07.- NOC8642.jpg

Depois de se ter dirigido a dois currais, lá leva as «suas crias» para o pasto.

08.- NOC8622.jpg

Uma aldeia vazia de gente. Em que predomina o preto das «maiores» viúvas. Sem o sorriso ou traquinice de uma criança. Apenas o espanto e o aconchego da mãe cabrita para com a sua cria ternurenta!

09.- NOC8632.jpg

Enquanto nosso companheiro se entretinha na tarefa de completar a sua reportagem sobre o casario da aldeia, dirigimo-nos a uma das «portas» da aldeia.

09a.- NOC8675.jpg

Um canto aprazível de velhas árvores autóctones, brilhando o sol por entre a sua, já pouca, folhagem.

10.- NOC8678

E aqui, neste solarengo canto,

11.- NOC8681

congeminávamos quanto ao futuro destas terras, outrora possivelmente ainda mais pobres, mas pululando de gente, de vida.

 

Vida pobre e, muitas vezes, triste, que os levou à aventura de outras paragens, à procura de melhor vida, enquanto os mais velhos e os menos aventureiros por aqui ficavam.

 

Houve um período em que as saudades da terra e o amor ao terrunho os levou a comprar terras e aqui fazerem o seu «ninho», mais confortável e mais condizente com os novos usos e costumes das terras que os acolheram e que lhes deram mais dignidade de vida.

 

Hoje tudo é diferente!

 

As gerações mais novas perderam as raízes, embaladas nos hábitos de uma sociedade construída quase exclusivamente sobre o modo de vida urbana das médias e grandes cidades.

 

E o nosso mundo rural entrou em crise. Crise que, bem podemos dizer, profunda, porventura irreversível e irreparável, perdendo-se a própria identidade na «neblina dos tempos» que passam!

 

Entretanto, todos os nossos decisores políticos, com obrigações de atenderem às projeções da demografia e aos dados da sociologia, se esqueceram de implementar novas e criativas políticas de desenvolvimento para estes territórios em grave queda. Ou porque não lhes davam votos ou, por incúria, e tal como a avestruz, meteram, (e metemos todos), a cabeça debaixo da areia, enquanto, pura e simplesmente, deixávamos passar o tempo.

 

Pouco ou nada fizemos, a não ser de cuidar e implementar, ao improviso, políticas sociais de emergência para o remanescente das gentes que aqui, a todo o custo, teimavam em ficar!

 

E, durante estas últimas dezenas de anos, lenta e inexoravelmente, tudo se foi deteriorando, não se cuidando de implementar políticas pró-ativas para a dinamização destes territórios, hoje tão deprimidos e, muito provavelmente, irremediavelmente, perdidos!

 

O pano de situação do desenvolvimento do território português pode-se resumir simplesmente nisto: temos uma área urbana e urbanizável, em função dos Planos Diretores Municipais que temos em vigor, para mais de 40 milhões de pessoas, quando é sabido que, todos os anos, para além de uma população demasiado envelhecida, que nos vai «deixando», temos, por outro lado, cada vez menos gente a nascer e cada vez mais novos emigrantes que, mercê do esforço que o país faz para os educar, daqui saem para desenvolverem outros países! E cada vez ficamos mais pobres!

 

Áreas urbanas e urbanizáveis, umas, à franca especulação imobiliária; outras, acarretando com cada vez mais encargos, quer na implementação de novas infra estruturas, quer na sua manutenção.

 

Entretanto, os nossos núcleos urbanos tradicionais ficam ao abandono. Deteriorados, por um lado, por falta de gente para deles cuidar; por outro, sem qualquer esperança, porque somos incapazes de ter uma política outra de desenvolvimento que os leve à sua conservação, reabilitação e revitalização.

 

Os aglomerados típicos em «cacho», concentrados, estão em ruínas, em vias de extinção. Em puro contrassenso com a nossa típica arquitetura tradicional e popular, deparamos com o crescimento dos nossos aglomerados em «serpente», ao longo das estradas e das vias de acesso às localidades, ao arrepio da nossa tradição comunitária, com casas isoladas, fechadas praticamente em toda a época do ano, porque nem estes novos «ninhos», feitos com tanto trabalho e carinho de outrora, são incentivo à permanente fixação dos seus proprietários!

 

Foi sentados num muro de pedra, sob a proteção de um velho castanheiro, e com o bafo dum bonito sol outonal, que interiormente divagávamos sobre esta triste e dura realidade. Enquanto isso, nosso companheiro de jornada, lá ia registando algumas histórias, poucas, que foi ouvindo, e contruindo o seu arquivo de imagens de um acervo arquitetónico tradicional e popular que lhe dá pena ver tão mal maltratado!

 

E nós, à saída deste recanto aprazível, dávamo-nos connosco a interrogar: que futuro para estes territórios, quando estes poucos, mas bravos resistentes, nos deixarem. Que vamos fazer da matriz básica, do «berço» donde Portugal nasceu? Temos algumas respostas? Cuidamos de as encontrar?

 

É necessário, é urgente que saiamos desta posição, tão nossa característica, de deixarmos as coisas e as decisões para a última, sempre com o pensamento do «depois logo se vê», da pura improvisação, não compaginável com os tempos que correm, e começarmos, seriamente, a pensar o futuro de um Portugal uno, de norte a sul, do litoral ao interior, com uma visão verdadeiramente solidária. Caso contrário, daqui por algumas gerações - poucas - a assim continuarmos, vilas e cidades tão importantes na nossa História, e que construíram, deixarão de constar do Mapa de Portugal.

 

Para se saber da sua existência, só procurando em velhos arquivos da... História!


publicado por andanhos às 18:29
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016

Palavras soltas... O Cruzeiro do Senhor dos Perdões

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

O CRUZEIRO DO SENHOR DOS PERDÕES

 

 

 

Cruzeiro.
Que pecados, ou promessa,
Homem benemérito, tinhas para o erguer?
Que ações ou pensamentos
Querias que te fossem perdoados,

Para os esquecer?


Cruzeiro do Senhor dos Perdões,
Quantos subiram as tuas escadas

E, perante ti, ajoelharam?
Com um amigo companheiro,
Fomos até à imponência do teu posto.
E nossos olhos se deslumbraram.


Se, o chegar até ti,

Foi uma verdadeira via crucis,
Porque levaria um «impenitente»

Ir até ao teu calvário?


Captar a nudez crua das terras
De um Barroso que lhe anda agarrado,
Quase até à medula,

Desde a sua nascença,
e durante criança?


Ou simplesmente contemplar,


Ou ajoelhar e rezar?


Do que tenha acontecido,
Nada vimos para,

Com verdadeira ciência,
Afirmar

E darmo-nos como vencido.


Vimos muito neste mundo,
E já muito pouco nos espanta!
Reconhecemos que há fenómenos
Para os quais não temos explicação.
O que se passou hoje

Está na mesma condição.


Teria sido um apagão de memória,
Que momentaneamente tivemos,
E que, puxando pela cachimónia,

Não nos possamos lembrar
O que lá no cimo se passou

E relatemos?


O nosso «impenitente» companheiro ajoelhou?
Rezou?


Certo, certo, desceu,
E, na descida, do Senhor dos Perdões,

Até o sol o iluminou!!!

 

nona

 

Cruzeiro do Barracão/Montalegre, 10 de dezembro de 2016

 

_NOC8855.jpg


publicado por andanhos às 22:18
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

Versejando com imagem - E todos os invernos são assim

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

E TODOS OS INVERNOS SÃO ASSIM

 

 

E… em todos os Invernos é assim:
A chuva é fria, as noites claras e anoitece de dia.
E, em todos os Invernos, o silêncio é frio e tu te esqueces de mim.

Quebrei as asas meu amor
Quebrei as asas meu anjo doce
E estou cansada das súplicas senhor da luz…
Trevas.
O gelo corta-me as pernas e dilacera as carnes
Como navalhas frias as gotas cravam o rosto e as mãos.
Foi-se o amanhecer e o Sol.
Ó santa, ó senhora da luz
Dai-me olhos para ver e coração para crescer.

E, todos os Invernos são assim: escuridão e frio.
E todos os Invernos são assim: solidão e silêncio e vazio…

Será que avisto a estrela do pastor?
Será que tenho ainda uma vela de cera amarelecida
Uma candeia velha e óleo e torcida?
Segura-me essa chama pequena e amarela, pequenininha, bela.

Vamos embora daqui meu amor
Vamos partir antes que chegue a neve
Vamos partir em breve
Vamos meu amor pequenino
Vamos para onde eu ainda possa viver
Vamos onde as forças não me falhem.
Vamos onde nos valem.


Lúcia Cunha

(alpendredejardim.blogspot.pt)

FB_IMG_1456079599139.jpg

 

 


publicado por andanhos às 20:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

Chaves através da imagem - Da cidade de Cultura ao governo de incultos

 

 

CHAVES ATRAVÉS DA IMAGEM

 

DA CIDADE DE CULTURA AO GOVERNO DE INCULTOS


Estamos de acordo com Antoni Remesar e Fernando Nunes da Silva quando, na obra coletiva Arte pública e cidadania - Novas leituras da cidade criativa enfatizam que “a paisagem integral, isto é, o tratamento material do território assumido de onde vem (a sua memória) e para onde vai (a sua sustentabilidade), converte-se num dos atuais paradigmas de intervenção”.

 

Por outro lado, na mesma obra, Don Julíán Aliseda e D. Edgar Maria Gomes de Andrade, a dado passo, escrevem que “o facto de vivermos atualmente numa aldeia global, leva a pensarmos as cidades como «os nossos bairros». [E] neste sentido, a Cultura tem papel preponderante na gestão das cidades. Ela está intimamente ligada à identidade do desenvolvimento dos territórios, às nossas raízes. É importante sabermos rececionar o legado que os nossos antepassados nos deixaram, sabendo vivê-lo e transmiti-lo às gerações vindouras [...preservando o] património cultural, na sua forma tangível como intangível”.

 

Temos em Chaves um património milenar, orgulho dos flavienses e, por isso mesmo, considerado por todos como o nosso «ex-libris», fruto do lavor e contributo dos povos autóctones da altura, que aqui construíram uma das mais belas pontes romanas.

 

Se vemos tanto frenesim e afã na «folclorização» e encenação «rasca» dos trajes e «cenas» dos romanos que por esta terra passaram, é nosso dever fundamental, como flavienses, assumir essa memória de uma forma plena, convertendo-a em fator de sustentabilidade para o futuro. E não atender só aos aspetos «folclóricos», mas cuidar efetivamente desta magnífica estrutura que os nossos antepassados nos legaram, integrando toda a sua envolvente.

 

Na década de 90 do século passado, em Chaves, ainda não estando muito conscientes que estávamos, cada vez mais, imersos numa nova sociedade - a da globalização - e em que ainda não se tinha completa consciência de que vivíamos, ou estávamos caminhando, para uma aldeia global, tinha-se clara consciência que o desenvolvimento do território flaviense tinha de ser assumido a partir da sua genuína identidade, na qual a Cultura era um dos seus fatores primordiais.

 

A aposta na dotação de toda a cidade - e depois todo o concelho - com o saneamento básico; o arranjo e valorização do nosso Centro Histórico; a melhoria dos arruamentos e acessibilidades; o integrar o Tâmega, e as suas margens, na convivência urbana, em que a atual ponte pedonal era a sua aposta mais visível; a reestruturação do Museu da Região Flaviense, assumido na sua vertente castreja e romana; os Encontros de Arte Jovem; os Simpósios do Granito e os Cortejos Etnográficos, entre outras atividades e eventos, inseriam-se numa estratégia, depois plasmada no Plano Diretor Municipal, da cidade de Chaves como uma Cidade de Cultura.

 

Foi no respeito não só pela preservação da nossa memória mas também pela valorização do nosso património que se fez a intervenção na Alameda Trajano, contígua à Ponte Romana, relvando aquele espaço e, por ocasião do Simpósio do Granito, ali se colocou uma obra em granito - um dos recursos da nossa região - feita por um jovem escultor português.

 

Na rotunda que faz a junção da Travessa da Alameda Trajano com a Alameda Trajano, colocou-se uma coluna romana que, posteriormente, se achou mais condigna estar no Museu da Região Flaviense, ficando-se de, posteriormente, ali colocar uma sua réplica.

 

Quase trinta anos depois, o que foi colocado no plinto onde assentava a coluna romana?

 

A imagem que se mostra, recentemente tirada, é verdadeiramente significativa. Nada!...

Imagem 01.jpg

E na Alameda Trajano, o que se fez para a sua preservação e/ou valorização?

 

Aqui, há uns escassos meses, embora com nítido mau trato do relvado, ainda podíamos ver o que esta imagem mostra:

Imagem 02.jpg

No verão passado, quando por ali passávamos, eis o que nossos olhos presenciaram e nossa objetiva registou...

Imagem 03.jpg


Na semana passada, quando passávamos por este «atropelo», o local pareceu-nos ser objeto de recuo. Arrebate de consciência dos responsáveis pelo governo da nossa coisa pública ou puro calculismo eleitoral, face a eventuais críticas feitas à devassa deste espaço?

Imagem 04.jpg

Alguém sabe porque se fez esta nova alteração ao uso deste espaço? Ou sequer foi informado?

 

Alguém sabe o que fizeram à obra em granito que ali estava colocada?

 

Será que gerir uma cidade, e o seu espaço público, é estar constantemente a fazer e a desfazer o que outros fizeram, sem que se informe ou, tão pouco, se tenha uma ideia do que se pretende? E quanto é que tudo isto custo ao erário público, suportado por todos nós?

 

Alguém dizia que falar de arte pública implica naturalmente falar também de espaço público. A arte «apodera-se» do espaço público e o espaço público não cessa de retomar da arte aquilo que esta restituiu, após ter sido digerida e transformada. Nós, atualmente em Chaves, e principalmente os representantes que elegemos, parece que não restituem nada, digerem ou transformam; apenas se limitam a desfazer, destruindo!

 

Ou seja, e em síntese, o que os nossos responsáveis autárquicos estão fazendo na nossa cidade - e nos seus espaços públicos -, não é um ato de cultura, pelo contrário, é uma manifesta atividade de gestão inculta!


publicado por andanhos às 21:00
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 7 seguidores

.rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
21
22
23

25
26
27
29
30


.posts recentes

. Por terras da Ibéria - Tr...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Versejando com imagem - A...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Palavras soltas... Em dia...

. Ao Acaso... Com Torga, fa...

. Reino Maravilhoso - Barro...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.links

.StatCounter


View My Stats
blog-logo