Domingo, 23 de Outubro de 2016

Versejando com imagem - «O Grito»

 

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

O GRITO

 

 

Estava andando pela estrada com dois amigos

O sol se pondo com um céu vermelho sangue

Senti uma brisa de melancolia e parei

Paralisado, morto de cansaço...

...Meus amigos continuaram andando - eu continuei parado

Tremendo de ansiedade,

Senti o tremendo Grito da natureza.

 

 

Edvard Munch

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 Edvard Munch, versão de 1983 em óleo e pastel sobre cartão/Galeria Nacional de Oslo

[Existem mais 4 versões: a lápis, de 1893; a de 1910 (a versão roubada e seriamente danificada);

a de 1895, de pastel sobre cartão, a obra de arte mais cara, vendida em 2012; finalmente, de 1910, uma litografia]

 


publicado por andanhos às 19:41
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Domingo, 16 de Outubro de 2016

Reino Maravilhoso - Do medo da insignificância à vivência de coisas simples

 

 

REINO MARAVILHOSO

 

DO MEDO DA INSIGNIFICANCIA À VIVÊNCIA DE COISAS SIMPLES

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Integra-se na horda dos novos emigrantes.

 

De formação técnica superior. Requisitado pelas empresas mais conceituadas de Consultadoria e Energia, Portugal apresenta-se demasiado pequeno para as suas ambições pessoais e profissionais.

 

Habituado desde tenra adolescência a viajar pelo Mundo, tornou-se curioso e insaciável no contacto com outras gentes e outras culturas.

 

Possui uma rede de amigos, quase se diria, por todos os quatro cantos do Planeta. Continua fiel aos que lhe vêm desde a infância e dos bancos das diversas escolas por que passou.

 

Vê os amigos, quase todos, a casarem-se, saindo da sua terra natal e, tal facto, deixa-o pensativo, porventura saudoso. De vez em quando, apelando à realidade, pronuncia - é a vida.

 

Rodeado de mulheres, que o adoram, e o acham um «querido», com mais de trinta anos, não se apegou a nenhuma delas. O amor crepuscular, lunar, que, em noites de lua nova cálidas, lhe apareceu pelas terras de Vera Cruz, enquanto desempenhava uma comissão de serviço, pô-lo a refletir seriamente quanto à sua condição de solteiro.

 

Virado que hoje está a Sul, e com um MBA numa das escolas que ocupa o nº 1 do «ranking» das escolas europeias do género, o seu horizonte de vida não é o Sul, nem o Norte - são todos os pontos cardeais, onde, o homo globalis que é, na impressiva expressão de Carlo Strenger, deixa-se, com algumas tensões interiores, e numa instabilidade permanente da sua autoestima e do sentimento de ter uma vida com significado, transformar-se em mercadoria. Não é simplesmente proprietário de um portefólio, tornou-se no próprio portefólio, deixando-se comercializar pelo sistema mundo.

 

Quem o vê sente-o muito seguro de si, um verdadeiro cosmopolita, desempoeirado. Todavia, quem o conhece, sabe que vive em permanente inquietação existencial.

 

Acredita, não sem algumas hesitações, e quiçá dúvidas, que é o capitalismo que melhor capta a essência daquilo que significa uma vida humana plena de sentido, pese embora o colapso dos mercados financeiros tenha mostrado aos mais recalcitrantes que um determinado período histórico - a Era do Bezerro de Ouro - chegou ao fim.

 

Português de gema, e Transmontano até à medula, a sabedoria milenar que tem entranhada dos seus antanhos, qual ADN, ou voz interior, que irrompe do seu ser, duvida do tipo de sociedade que está contribuindo para a sua consolidação. Porque a história e o humanismo, que, por educação, lhe está impregnada, «fala-lhe» que não seja seguro que uma governação que tudo transforma em bens transacionáveis - que não apenas a economia, em flagrante ruína - e que se abateu sobre as vidas e os meios de subsistência de muitos milhares de pessoas, tendo sido uma experiência humana terrível, levou-o a pensar que o dogma em que tanto se acredita - o apenas aferir e medir as pessoas em termos económicos - torna-se insensato e não leva a sociedade do homo globalis a bom porto.

 

E interroga-se constantemente se o seu dogma neoliberal não prejudica fortemente a ideia central de uma sociedade aberta que prospera mediante o pensamento, crítico e empenhado, e que nos foi legado pelo persistente Iluminismo Europeu. Ou seja, embora ele não o diga declaradamente, estamos convictos que, intimamente, pensa que o drama do desenvolvimento humano está na mercadoria em que o Homem se transformou, fazendo dela o cerne da vida humana.

 

O nome do nosso personagem é Pedro Liberal.

 

Mas, seu nome é um equívoco, uma contradição. De dureza (pedra), tem pouco, porquanto, no trato, no seu dia-a-dia, derrete-se como manteiga - e apenas exibe uma carapaça -; de liberal, interiormente, vive na esfera da incerteza e da constante intranquilidade quanto ao rumo que o Mundo, o seu mundo, leva.

 

É nas visitas que, trimestralmente faz à família, levando 10 horas a atravessar o Atlântico - e que cumpre religiosamente -; nas conversas soltas e descontraídas, entre familiares e amigos; no constante viajar pelo seu terrunho natal e ibérico que vem, ao de cima, o seu verdadeiro caráter de português saudoso e de transmontano à procura da sua cova ou cabana para passar os seus dias, no Reino Maravilhoso, de que nos fala Miguel Torga.

 

No fundo, esta nova vaga de novos emigrantes, na sua essência, são iguais.

 

Desta vez, a pretexto de mostrar um novo investimento/empreendimento de uma empresa, a laborar em energias, ditas limpas, mas objeto de críticas quanto ao impacto ambiental - embora bem informado e bem sabedor dos prós e dos contras - pegou no seu velho e foi dar uma volta pelo país que mais gosta e admira, deixando escapar o seu gosto e vontade em viver por estas paragens, de amplas e abertas paisagens, genuinamente ibéricas, portuguesas.

 

Foi, assim, nesta aventura viageira, passando pelo Vale da Vilariça - com a Quinta da Terrincha em plena expansão no setor do Turismo - que,

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Pedro Liberal, bem conhecedor do terreno, por andar nestas bandas, como técnico, em obras de reforço de centrais elétricas e construção de barragens, leva, por uma estrada de montanha, de bom piso,

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seu velho a ver as «proezas» da empresa gerida por um senhor que se sabe mexer nos meandros do mundo das energias.

 

Numa curva acentuada da estrada, faz uma paragem. E, o que se vê é a primeira aproximação ao Empreendimento Hidroelétrico do Sabor com as suas pontes e uma das albufeiras, a de jusante

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O entorno é tipicamente de Terra Quente.

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Do lugar onde estavam, e numa olhada para a linha do horizonte, vislumbra-se o rio Sabor, abraçando as águas do seu Douro.

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De repente, vem à lembrança do seu velhote a imagem que reteve daquele local quando, em 2012, percorreu a pé, as «travessas» da extinta Linha do Sabor, desde o Pocinho até Duas Igrejas (Miranda),

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ficando-lhe, na retina, a grandiosidade da Quinta do Vale Meão, obra primacial de uma grande Senhora, proprietária do Douro, D. Antónia Adelaide Ferreira - a Ferreirinha.

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Pedro Liberal chamava a atenção do seu velhote para a espetacular panorâmica que, daquele lugar, se desprende para o Vale da Vilariça.

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Continuando a viagem, sempre subindo, a outra albufeira, a montante, do Sabor, a segunda maior do país, a seguir a Alqueva, apresenta-se-lhes em toda a sua amplidão.

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

Enquanto desciam para o paredão da barragem e a central do aproveitamento hidroelétrico, Pedro Liberal ia dando pormenores gerais e técnicos ao seu velhote sobre a construção desta barragem: a sua história inicial; as obras; os custos; os enredos; as indemnizações; as contrapartidas às populações e, por via do impacto ambiental, as preocupações com o ambiente; o enquadramento do empreendimento na paisagem; a sensibilidade de encarar as obras a construir como de verdadeiras obras de arte se tratassem, ao ponto de se encomendar o projeto da central ao arquiteto portuense, com reputação a nível internacional, Siza Vieira, não estivessem inseridas numa paisagem, considerada pela UNESCO, com Património da Humanidade!

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Devidamente explicada e contemplada a Obra, seguiu-se viagem, passando-se pelo Douro Superior do Alto Douro Vinhateiro, nomeadamente pelas vilas de Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Coa, em direção a S. João da Pesqueira.

 

Neste percurso, seu velhote, achando-o deveras curioso pelo País Vinhateiro, resolve fazer-lhe uma surpresa - levá-lo até ao vale mais fundo do Douro - O Vesúvio.

 

A estrada parecia levá-los até ao fim do mundo! Só escarpas, curvas e contracurvas. E uma amendoeira, encaixada no xisto, saudando-os.

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Até que, numa curva, com quase 360º, pararam.

 

Enquanto aqui estiveram parados, não resistiram, cada um deles, a admirar e fotografar o vinhedo da enorme quinta que se lhes apresentava aos seus olhos.

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Ao fundo, via-se o rebelde Douro, amansado. Na margem esquerda, a Senhora da Ribeira;

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na margem direita, o Apeadeiro do Vesúvio, em hora de passagem do comboio.

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Desceram,

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e, de costas voltadas para o Apeadeiro, eis, a seus pés, o célebre covão, a enorme cratera que é a Quinta do Vesúvio,

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com a Vinha do Pombal, no alto.

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Passaram, a pé, por debaixo de um viaduto da Linha de Caminho-de-ferro do Douro e, de imediato, estavam já no logradouro do Palacete do Vesúvio.

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Entrados no seu  recinto,

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foram dar uma vista de olhos aos exterior da Casa.

 

Deram-lhe uma mirada por todos os ângulos ou alçados, exceto o posterior, quase colado à enorme barreira,

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

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(Perspetiva III)

não descurando a capela, dependência sempre presente nestas casas.

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Estava-se em plena época das vindimas.

 

Enquanto Pedro Liberal, que se tornou um exímio apreciador de vinhos, nos lagares da quinta, pertença agora da família inglesa Symington, dava dois dedos de conversa com o enólogo, ocupado no controlo da fermentação dos vinhos, seu velhote dirigiu-se para a casa dos empregados, em final de dia da azáfama da vindima.

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Com o por do sol a aproximar-se sobre o vetusto e célebre Palacete do Vesúvio,

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Pedro Liberal ouvia, encostado à parede, nas proximidades desta bouganvillea,

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da boca do seu velhote, um pouco da história do Douro, da Casa que observavam em frente, da sua primeira proprietária - a Senhora - como Agustina Bessa-Luís lhe chama no romance Vale Abraão que o realizador cinematográfico, seu amigo, Manoel de Oliveira, lhe pediu que escrevesse com o fim de o passar para a tela, com a designação homónima.

 

Pedro Liberal, jovem insaciável pelas coisas da História, em especial da(s) história(s) do nosso Reino Maravilhoso, mostrou-se deveras interessado na história da grande figura do Douro, do século XIX - D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha.

 

Seu velhote recomendou-lhe uma série televisiva que, há poucos anos, a RTP 1 lançou com a designação A Ferreirinha; o filme Vale Abraão, de Manoel de Oliveira; não se esquecendo de ler a história da Bovarinha portuguesa, de Agustina Bessa-Luís, para além de outras publicações.

 

Caindo o sol sobre o rio D’Ouro,

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eram horas de regressar a norte, às terras do romançoso rio Tâmega, afluente da margem direita do Douro, a veia cava transmontana, na feliz expressão do nosso escritor maior, Torga.

 

Do alto da grande cova do Vesúvio, Pedro Liberal não deixou de captar estas duas derradeiras paisagens,

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(Paisagem I)

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(Paisagem II)


de um Douro que, cada vez mais, o «prende» e fascina!

 

Afinal de contas, o medo constante da insignificância que, na grande metrópole paulista, todos os dias o assalta, aqui, em terras do Reino Maravilhoso, no contacto com este «humus» e no conhecimento da sua história, sua vida parece-lhe diferente, toda ela plena de verdadeiro e autêntico sentido, no contacto com as coisas simples.

 

 

nona


publicado por andanhos às 11:35
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Sábado, 15 de Outubro de 2016

Chaves através da imagem - Onde para a sensibilidade cultural flaviense?

 

 

CHAVES ATRAVÉS DA IMAGEM

 

ONDE PARA A SENSIBILIDADE CULTURAL FLAVIENSE?

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Ao abordarmos, nesta rubrica, aspetos que, a nosso ver, denigrem a imagem de cidade de Chaves e das suas gentes, não o fazemos com fins de militantismo partidário - apesar, da maioria de quem nos lê, saber que de lado do espetro ideológico-partidário nos colocamos -; nem, tão pouco, por uma mentalidade, porventura para alguns, do bota abaixo; ou sequer porque não vamos na cara do senhor que, na atualidade, está à frente dos destinos da nossa autarquia, apesar de - é bem verdade -, não apreciarmos posturas autárquicas autocráticas e que olham as instituições que «governam» como se fossem uma sua coutada e dos seus seguidores partidários.

 

Quem, assim pensar, em boa verdade, não enquadra duas questões essenciais que estão presentes no exercício da nossa escrita.

 

A primeira, é a de que não pretendemos qualquer protagonismo político-partidário, quer no partido, no qual enfileiramos, quer na sociedade flaviense, à qual pertencemos.

 

Quem nos conhece sabe que, há muito tempo, estamos retirados das lides político-partidárias ativas; que tentámos, quando no poder, desempenhar, de acordo com as nossas modestas competências, e o espaço de manobra possível, que soubemos conquistar e nos foi possível utilizar, para, pessoalmente, e em equipa(s), fazermos o nosso melhor. E, se melhor não fizemos, pode, naturalmente, atribuir-se às nossas próprias limitações. E à circunstância de, já na altura, aquilatarmos, e insipidamente constatarmos, que o tempo dos políticos heróis fazia parte do passado; que as decisões políticas, tanto quanto possível, devem ter por detrás equipas multidisciplinares, escolhidas e escrutinadas em função da sua competência - que não os «amigos» partidários - capazes de emitirem informações, pareceres ou opiniões, suscetíveis de melhor as informar, enformar e enquadrar, tendo como pano de fundo uma sociedade cada vez mais aberta, plural e heterogénea, como aquela em que vivemos.

 

Pode acreditar o leitor(a) que sempre tentámos trabalhar na autarquia cuidando que, o que fazíamos, era o melhor, imbuído do espírito de que estávamos, laborando no município flaviense em cumprimento de um dever cívico, em autêntica «comissão de serviço».

 

A segunda questão, decorre diretamente da primeira, ou seja, devemos estar abertos às críticas que nos fazem, quer estejamos no exercício do poder, quer na oposição.

 

Não somos senhores, detentores da verdade. E a perfeição não é algo que se adquira por pura espontaneidade. Vai-se construindo. E vai-se construindo, em sociedades democráticas, abertas e plurais, ouvindo os diferentes lados da barricada, ou, se quisermos, os diferentes espetros da sociedade. E, de entre eles, o ponto de vista livre e «desinteressando» do cidadão que opina sobre a sua cidade e que, nela, pretende construir uma polis mais justa, equilibrada e com melhor qualidade de vida para os seus concidadãos e para aqueles que nela pretendem construir as suas vidas.

 

Todo este arrazoado vem a propósito da nossa sensibilidade quanto ao que acontece, em termos de cultura - melhor dizendo, sensibilidade cultural -, na nossa cidade.

 

Não vamos falar da programação cultural que temos. Por razões pessoais de força maior, infelizmente, somos pouco assíduos aos eventos, que são levados a cabo, para podermos ter uma opinião justa, adequada e equilibrada quanto à mesma.

 

O que nos trouxe hoje aqui à escrita, como dissemos, é mais uma questão de sensibilidade quanto às coisas da cultura em geral da nossa terra.

 

Pugnámos no passado que um dos aspetos da dinamização social, cultural e económica da cidade tinha a ver com questões do conhecimento e da cultura. Fomos um dos primeiros a falar da criação, em Chaves, de uma Fundação ligada ao pintor/arquiteto Nadir Afonso, conectando-a com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)-Pólo de Chaves, ministrando-se cursos que, quer a montante, quer a jusante dessem coerência à existência da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Chaves, ligada à região e ao desenvolvimento da parte norte do distrito de Vila Real. Com a existência de, pelo menos, um Departamento (ou Escola) em Chaves, nomeadamente com valências que fossem desde o Turismo, às Artes, à Arquitetura (Paisagística) e à Animação Sociocultural, entre outras. Para já não falar de uma mais íntima e profunda relação que a UTAD deveria ter com a experimentação e o desenvolvimento agrícola em Chaves, uma vez que somos possuidores de uma Veiga, uma das maiores do norte do país - na qual se fez avultados investimentos, ao longo dos anos, em infraestruturas de rega -, pese embora os atropelos que, ao longo dos anos, certos interesses, dos quais a especulação imobiliária e a construção, foram nela os mais visíveis. Durante anos, acalentámos esperanças, mas tudo não passaram de promessas. Até que o tempo tudo levou!...

 

Sabemos da grande vocação de Chaves como grande centro de comércio para o seu mundo rural e, porventura também, para os territórios intra e transfronteiriços, que, com ela, confinam.

 

Reconhecemos que a Feira dos Santos - embora a necessitar de alguma inovação e de passar a ter uma estrutura organizativa profissional, com um marketing devidamente adequado -, é uma tradição que devemos manter, preservar e, de acordo com os tempos que correm, inovar. É urgente repensar o nosso mundo rural, quer em termos do território que queremos cuidar, cultivar, quer das duas gentes, infelizmente pouca e muito envelhecida. Requerendo uma ampla discussão nacional sobre que mundo rural queremos para o país e que modelo de desenvolvimento a ele ligado queremos.

 

Constatámos que, particularmente desde o 25 de Abril de 74, os sucessivos executivos municipais não foram capazes de gerar uma bolsa de terrenos, no perímetro urbano e áreas adjacentes da cidade. Tal desleixo ou incúria fez a autarquia flaviense ser presa da especulação imobiliária, pagando muito caro expropriações, quando necessitava de terrenos para lançar e construir equipamentos públicos ou coletivos para uso da comunidade, e acabando sempre por situações de recurso ou localizações acanhadas e pouco desafogadas, em conflito com outros usos.

 

Não se criou, ao longo destes anos, entre os comerciantes da nossa terra, um verdadeiro espírito de classe que, para além da proteção legítima dos seus interesses individuais, vissem a cidade como um todo, fazendo-se partícipes da sua construção, entendida como polis. E não nos venham dizer que a «culpa» é das grandes superfícies comerciais! As «culpas» morrem sempre solteiras...

 

Não houve habilidade e/ou pedagogia suficiente para se encontrar terrenos, com função polivalente, junto do centro urbano, capazes de, neles, com unidade de espaço, dignidade e a contento de todos os comerciantes, quer os locais, quer os que nesta época vêm de fora, se poder realizar a Feira dos Santos, dando a esta um verdadeiro, autêntico e inovador carácter regional.

 

Somos, pois, conhecedores e cientes de toda esta história e das fraquezas que, quanto a esta matéria, pendem sobre nós.

 

Não esperávamos, contudo, com o espetáculo a que, na passada terça-feira, assistimos.

 

Quando nos preparávamos para fazer uma visita, mais em profundidade, ao, agora designado, Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso,

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ficámos deveras escandalizados com o que vimos.

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Uma obra - reconhecida internacionalmente como uma obra-prima de arquitetura - da autoria do arquiteto português Siza Vieira,

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que a todos nós munícipes nos custou os olhos da cara, e onde as obras do nosso pintor/arquiteto se encontram em exposição,

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completamente devassada pela presença de toda a panóplia e arsenal de equipamentos de diversão que se lhe apostam à sua frente!

 

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Já para não falarmos da proximidade destas «diversões» a uma Escola Secundária da nossa cidade!

 

Nada temos contra aquelas diversões e a alegria ou prazer que proporcionam às pessoas e crianças que deles querem fazer uso para seu lazer nesta altura ou quadra do ano. Estamos verdadeiramente chocados é com a sensibilidade daqueles que decidiram que aquele seria o lugar adequado para as colocar.

 

Não se entende que uma cidade que se quer posicionar na alta roda da cultura e da programação cultural local, regional e nacional tenha uma sensibilidade tão... rasca!

 

Sem elitismo, mas usando o bom senso, qualquer cidadão comum, possuidor de um mínimo de estética e gosto, ao ver este espetáculo, deve pensar para consigo próprio que, em Chaves, não bate a bota com a perdigota!

 

Esta espúria mistura só nos desprestigia. E é pena.

 

Estamos em crer que os flavienses gostam que a sua cidade espelhe uma imagem bem diferente do que a que, nesta Feira dos Santos, se nos apresenta...

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publicado por andanhos às 10:45
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Versejando com imagem - Mulher

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM


MULHER

 

 


Mulheres que são luz
Sem serem sol
Mulheres que são jardins
Sem serem flores
Mulheres que em cada gesto
Transportam uma criança
Sem serem mães
Mulheres que são mulheres
Mesmo quando ser mulher
Não apetece.


fernando d. c. ribeiro
poemas, 2ª edição, 1984

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publicado por andanhos às 17:44
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Domingo, 9 de Outubro de 2016

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Buiza-Poladura de la Tercia

 


DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS


CAMINHO DE SÃO SALVADOR

 

4 etapa:- Buiza - Poladura de la Tercia

(01.maio.2016)


Peguemos nas nossas Notas escritas no final de cada dia de caminhada. Quanto a esta 4ª etapa - Buiza-Poladura de la Tercia -, escrevíamos: “Ficámos somente com o Florens no albergue de Buiza. Estávamos para sairmos um bocadinho à noite, mas acabámos por ficar no albergue. Conversámos até perto das 11 horas da noite, das nossas vidas (...) Pusemos o despertador para as 08h30m locais, mas, antes da 07h30m, já estávamos acordados. Levantámo-nos. Fizemos a nossa higiene. Tomámos o pequeno-almoço. Demos conta que estava muito frio. Acondicionámo-nos com roupa adequada para andarmos pela montanha, apesar de o céu estar limpo e se adivinhar um dia de sol radioso”.

 

Saímos de Buiza pela sua rua central - a da igreja matriz, dedicada a Justo e Pastor,

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mas sem lá chegarmos, pois, junto à fonte, que postamos na etapa do dia anterior deste Caminho, virámos à esquerda para irmos pela variante que nos levaria às «Forcadas de San Antón».

 

Preparando-nos para a subida que nos esperava, deixando Buiza, e olhando para trás, eis o panorama que se vislumbrava:

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Estávamos a começar a subida, deixando Buiza, quando bateu as 08h30m no nosso telemóvel.

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Bem nos advertia o sítio da internet do Eroski Consumer quando nos alertava que os primeiros quilómetros desta nossa pequena etapa - de apenas 9 Km -, eram deveras duros: em 3 Km teríamos de vencer um desnível de 340 metros!

 

O que nos ia distraindo, na primeira parte desta subida, eram os «garranos» leoneses «selvagens» que aqui, mais abaixo,

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e ali, mais acima,

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exibiam posturas e portes como que nos incitando a sermos tão ágeis como eles, e caminharmos.

 

Na verdade, o primeiro quilómetro foi bem duro.

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Mas, com calma, entremeando, aqui e ali, uma paragem, ora para apreciar a montanha, ora para ver uma égua com a sua cria

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e o potro que, sentindo-nos, se postou no caminho para nos saudar.

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Subindo por um estreito carreiro, rodeado de carvalhos (robles), urzes e giestas,

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passámos por uma formação rochosa, com uma forma antropomórfica, que mais parece uma cabeça, ao alto.

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Ao andar, não resistiamos a, constantemente, olhar para o alto.

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O caminho começava a ser mais pedregoso.

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E, olhando para um lado

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e para outro,

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cruzámo-nos com as afiadas formações rochosas conhecidas por «Forcadas de San Antón».

 

Passando ainda por um trecho de pastagens de montanha,

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finalmente, chegámos à cota mais alta da nossa etapa.

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Segundo nos relata o «Guia» El Camino de San Salvador - León-Oviedo, também referido pelo Eroski Consumer, quando se refere a esta variante do Caminho de São Salvador, existe um relato, de 1477, que nos confirma que, neste alto e no meio desta solidão, havia uma hospedaria, na qual um homem dava de comer aos peregrinos.


Pela nossa parte, não encontrámos qualquer vestígio ou ruínas de hospedaria, senão que uns calhaus, onde, num deles, Florens se sentou a descansar e a deitar para o papel as suas impressões destes 3 quilómetros de troço do Caminho que havíamos feito.

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Depois de, aqui ,comidos e hidratados, era hora de, neste alto, darmos uma vista de olhos para o seu entorno.

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

Simplesmente espetacular!

 

Mochilas às costas, iniciámos a descida.

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Inicialmente era composta por várias manchas de pinheiros bravos,

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com pequenos regatos de água, ainda apresentando-se congelados a esta hora do dia, exibindo aqui,

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e ali

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estas bonitas formações.

 

Se o alto das «Forcadas de San Antón», com a sua paisagem, nos deslumbrou, atravessadas as várias manchas de pinheiros-silvestres, a paisagem apresentou-se-nos porventura ainda mais deslumbrante.

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Particularmente quando caminhávamos na meia encosta,

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completamente encaixados pela montanha

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e nunca abandonados pela setas amarelas.

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Até que, ao dobrar do estreito, apertado e declivoso caminho, à nossa direita, nos aparece o vale de Rodiezmo e a aldeia com o mesmo nome,

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protegidos pela montanha encimada pelo pico de «El Fontún»,

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e pejada com as suas «foices».

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A partir daqui, em ligeira, mas perigosa descida, com o terreno muito irregular, ou enlameado, e com trechos de neve, caída na noite passada,

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vamos prosseguindo por um caminho pouco visível que só as célebres «piruletas de limón» (nome carinhoso dado às estacas de ferro, pintadas de amarelo, e com a vieira implantada no topo) é que nos guiavam até Poladura de la Tercia.

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Cerca de uma hora nos separava de Poladura de la Tercia. E caminhávamos mais devagar e pausadamente, dando-nos oportunidade de captarmos, com as nossas máquinas fotográficas, todo o entorno por onde passávamos.

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

Pelo caminho, neste último troço, encontrámos um residente - o senhor Macário - que nos foi dando algumas indicações sobre o vale de San Martin, que estávamos a atravessar, queixando-se do estradão que fizerem e, no qual, na maior parte do ano, ninguém pode passar por ele, pois é só lama, dada a presença dos córregos (arroios) de Malena e El Ruelo.

 

Nas proximidades de Poladura de la Tercia, do nosso lado direito, vislumbrámos a aldeia de San Martin.

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 Aproximando-nos, a  vista da aldeia em pormenor.

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E, mais à frente, à esquerda, e por detrás de Poladura de la Tercia, os picos das «Três Marias».

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Antes de chegarmos até Poladura de la Tercia,

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há que atravessar o córrego de Lamoso, com um pontão em madeira, que substituiu o antigo «Pontão dos Romeiros».

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Atravessado o pontão, e após uma pequena subida, entrámos em Poladura de la Tercia.

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Poladura de la Tercia é um povo ainda mais pobre que Buiza.

 

O albergue fica logo à entrada de quem vem vem no Caminho.

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É uma antiga escola primária, construída em 1958, que, no rés-do-chão, foi adaptada para Centro Recreativo do povo e, no andar superior, para albergue, com 8 camas.

 

Rezam ainda as nossas Notas: “Quando chegámos, por volta do meio-dia, o senhor Fernando - o albergueiro - ainda se preparava para arrumar o albergue. Fernando pareceu-nos um rapaz simpático, contudo, quanto a limpeza, este albergue tem muito a desejar. Justificou o atraso na arrumação pela circunstância de os peregrinos que aqui pernoitaram se terem levantado tarde. Talvez tenha alguma razão... Depois do albergue arranjado, e enquanto o seu chão enxugava, tomámos um bocado de sol, sentados num banco da pequena praça onde se localiza o albergue. Depois, descemos umas escadas para irmos à Pousada «El Embrujo»

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para sabermos do almoço que, na véspera, em Buiza, tínhamos encomendado. Não gostámos muito da hospitalidade da «gente» da Pousada.

 

Às duas e pouco, tomado banho, e devidamente instalados no albergue, lá nos trouxeram o almoço.

 

Positivamente, não nos damos com as comidas castelhanas. O arroz era uma argamassa, embora tivesse bom sabor, e os bifes de vitela estavam encharcados em molho de vinho (...)”

 

Quando pensávamos passar a noite sozinhos no albergue, eis que, enquanto comíamos, aparece-nos uma peregrina. Era uma jovem polaca, vinda de Madrid, a pé, que falou connosco inglês, perguntando-nos pelo albergueiro para se instalar.

 

Depois de comermos saímos um bocadinho para cá para fora.

 

No banco, onde cerca de duas horas antes onde estivemos sentados ao sol, deparámo-nos com outras ocupantes - quatro senhoras «maiores».

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Cada uma, personalidades bem diferentes. Contudo, a seu jeito, bem simpáticas, sorridentes e faladoras.

 

Passámos cerca de uma hora na conversa com elas e a rirmo-nos... com a vida.

 

De Portugal, a cidade de Miranda era a que melhor conheciam.

 

Verdadeiramente encantadoras, estas «maiores» castelhanas!

 

Como, a certa altura, depois de tomado o sol, cada qual foi à sua vida, nós, pela nossa banda, também fomos à nossa: dar uma volta por Poladura de la Tercia, explorando os seus arredores,

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

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(Perspetiva III)

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(Perspetiva IV)

e não deixando de fazer uma visita à sua singular igreja,

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que, infelizmente, se encontrava fechada.

 

Começando já a arrefecer, fomos saber do jantar à Pousada «El Embrujo».

 

Jantámos no albergue e, antes de dormirmos, estivemos à conversa com os nossos companheiros peregrinos, de camarata.

 

Como o relato já vai longo, esta parte da noite vamos deixar para o próximo post (5ª etapa) deste nosso Caminho de São Salvador.


publicado por andanhos às 19:43
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Sábado, 8 de Outubro de 2016

Palavras soltas... Guterres Secretário-geral da ONU

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

GUTERRES SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

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As causas sociais sempre nos levaram a nos empenhar na sociedade e na política.

 

Talvez a nossa educação familiar e a nossa educação humanística (que não a seminarística que tivemos) tenham aqui a sua grande quota-parte de responsabilidade.

 

Não despertámos para a Liberdade e para a Democracia apenas com o 25 de Abril de 1974, apesar de nunca ter passado por qualquer calabouço da PIDE.

 

Regressados, definitivamente, a Chaves, após a nossa formação académica, foi o PS o partido com quem nos sentimos mais identificado para ajudar a levar por diante os ideais da Liberdade, Democracia e do Socialismo Democrático.

 

Vimos demasiado dentro do PS para podermos afirmar que nem todos vêm da mesma nascente da qual brotaram as ideias humanistas e do verdadeiro socialismo democrático que queríamos ver implantadas no nosso país.

 

No meio da seara socialista havia - e infelizmente ainda há - muito joio.

 

Não apoiamos socialistas que se candidataram aos mais altos cargos do partido e até tiveram posição de destaque na governação do país, quer históricos, quer da dita nova vaga.

 

Estivemos sempre ao lado de duas personalidades do PS que, desde a primeira hora, nos fascinavam: pelos seus conhecimentos, pela sua competência, pela sua coerência, pela sua ação, em suma, pela sua grande humanidade e honestidade como pessoas.

 

Não é novidade nenhuma, para quem está atento e segue aquilo que escrevemos desde que nos «reformámos» da atividade partidária ativa (passe-se o pleonasmo), que, quer António Guterres, quer Jorge Sampaio, foram os nossos «heróis».

 

Porventura a eles lhes devemos o ainda constarmos das hostes socialistas. Porque acreditamos - e talvez agora porventura ainda mais - num PS que faça a diferença no verdadeiro «pântano» em que nos meteram!

 

É com grande orgulho e satisfação que hoje vemos António Guterres a tomar conta do alto cargo de Secretário-geral das Nações Unidas.

 

Por ser um português, por ser um socialista, por ser um homem inteligente e competente, por ser um homem honesto, por ser um homem de causas, por, como um verdadeiro humanista que se preza, aspirar à Paz e à Concórdia Internacionais, entre os diferentes povos, religiões, raças e convicções políticas.

 

Por tudo isto, aqui vos deixamos, para reforçar este nosso estado de alma, o testemunho insuspeito de um homem de quem somos muito crítico e ele também crítico do PS. Miguel Sousa Tavares, nesta última edição do Expresso, em artigo de opinião, falando sobre Guterres, entre muitas outras coisas, a nosso ver, enfatiza:


“(...) Nunca, em 40 anos de jornalismo, encontrei alguém em Portugal que estivesse mais bem preparado e motivado para governar - e eu sempre pensei e penso que governar Portugal, de acordo com aquilo que se acredita ser melhor para o país é o pior emprego que se pode ter. (...) Saiu [do governo e da política caseira] com um pretexto absurdo, cansado dos facas longas do PS, da pequena intriga da política e da mesquinhez do país. Não o disse assim exatamente, mas eu sinto que foi isso que pensou quando falou do «pântano». (...) E hoje ele é o secretário-geral do mundo. Não sei se os portugueses se dão bem conta daquilo que António Guterres conseguiu para Portugal. Representa bem mais do que as Bolas de Ouro de Cristiano Ronaldo, o título europeu da Seleção e até o Nobel de Saramago. Não haverá multidões à sua espera no aeroporto, desfile de vitória até aos jardins do Palácio de Belém, sumidades e autoridades a chegarem-se à frente e a quererem fazer selfies com ele. Mas nos últimos 50 anos, pelo menos, nenhum português no deu mais motivos de orgulho do que ele. E conseguiu-o através da atividade que o português comum mais gosta de desprezar: a política”.

 

Façamos, cada português na atividade a que se dedica, como António Guterres. Assim, Portugal será diferente. Porque cada um será mais e maior do que o Portugal que hoje temos.

 

E tal como Sousa Tavares arremata o seu artigo “Parabém e obrigado, António Guterres!» pela lição que nos destes.

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Nona


publicado por andanhos às 19:57
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

Reino Maravilhoso - Incursão no mundo rural que não conhece os feriados civis

 

 

REINO MARAVILHOSO

 

INCURSÃO NO MUNDO RURAL QUE NÃO CONHECE OS FERIADOS CIVIS


Já vem sendo hábito os quatro mosqueteiros - amadores da fotografia e amantes do reino onde habitam - em alguns dos seus feriados e fins-de-semana, fazerem incursões no país profundo do Alto Tâmega e Barroso.

 

Expliquemo-nos, para o leitor(a) entender melhor esta espécie de fixação.

 

Praticamente esgotado o reportório da apresentação dos lugares do concelho de Chaves, o autor do Blogue CHAVES pretende cobrir todos os lugares do Alto Tâmega e Barroso.

 

Nesta sua tarefa acompanham-no, de uma forma um tanto irregular, três amigos Lumbudus. Quer dizer, nem sempre vão os três. Mas há sempre um, pelo menos, que o acompanha. Não é apenas o gosto fotográfico que os une. É também a amizade que os liga. Ou a «pica» de se pegarem uns com os outros sobre questões importantes da nossa polis, mas, cuja orientação da conversa, a maior parte das vezes, é de lana-caprina, e, no final de contas, as conclusões ficam em nada. E, não menos despiciendo, no gosto que têm em contactar com o povo genuíno - infelizmente pouco e, a grande maioria, constituído por «maiores» - quando estão tratando das suas lavouras, e com eles nos cruzamos, ou nos campos, ou nas bermas das estradas e caminhos, ou nos becos e ruas das aldeias, e assomem à porta ou à janela de suas casas, quando estão tratando das suas lides domésticas.

 

Dia 5 de Outubro, feriado comemorativo da Implantação da nossa República, deixamos o fato e a gravata das cerimónias oficiais e, vestindo traje aparentado de quem trabalha na terra, ou anda lá por casa, partimos, uma vez mais, para o nosso Portugal profundo, aquele que se encontra encravado entre as serras do Leiranço, das Alturas (Barroso) e Larouco.

 

Levantámo-nos cedo - uma particularidade para a maioria de nós, que raras vezes vemos o sol a nascer - e partimos, determinados, para percorrer as aldeias, devidamente assinaladas em diferentes mapas, constantes do dossiê que o «chefe» da equipa, antecipadamente, elaborou e preparou, com respetivo itinerário e, como não podia deixar de ser, com a sinalização do local onde se iria proceder à «janta».

 

Enquanto percorríamos a Estrada Nacional 103, que, de Chaves, se dirige a Braga, depois de passarmos Sapiãos, o nosso D’Artagnan parou a viatura, obrigando os outros três mosqueteiros, já de idade avançada, e não tão jovens como os do Alexandre Dumas - Athos, Porthos e Aramis - a saírem dos seus respetivos habitáculos na viatura, por ele conduzida, para apreciarem a paisagem.

 

E de facto, o panorama que à nossa frente se apresentava, com Boticas como pano de fundo, era digno para que se dessem umas tantas «clicadas» nas respetivas máquinas fotográficas que cada um levava.

 

Pela nossa parte, aqui fica o pequeno contributo, ou «troféu de guerra» que Aramis obteve com a sua máquina fotográfica para «sacar» aquela paisagem, esta imagem:

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Naturalmente que não é nosso desiderato ou intento apresentar aqui a reportagem do dia. Essa tarefa é de direito próprio (e legítimo) do nosso D’Artagnan.

 

Nós apenas pretendemos registar uma particularidade do nosso mundo rural profundo, da qual Barroso é um dos seus lídimos representantes. Ou seja, e tal qual se passa pelas terras rurais e da Montanha de Chaves: os feriados civis não são aqui para respeitar e cumprir; trabalha-se. Apenas se guardam e respeitam os dias santos, feriados religiosos, para se ir à missa e descansar.

 

Assim, quando passámos por Cervos, o trator do amigo do tio Joaquim de Sousa dirigiu-se para os seus campos, com o cão a acompanhá-lo

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e, numa das esquinas de uma rua, esta simpática residente, com quem trocámos meia dúzia de palavras, entretinha-se a debulhar o seu milho.

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Avançando no nosso percurso, em Vilarinho de Arcos, não vimos muita gente. Uma das poucas pessoas com quem trocámos palavra foi com o senhor António, que andava a limpar o espaço público que, provavelmente, as suas lides da lavoura, sujou.

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Ao chegarmos a Arcos, era hora de deitar as vacas para o monte.

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Bem assim, em Antigo de Serraquinhos, com o sol já a pique, levar as cabras e os cordeiros para a loja.

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Chegados a Zebral, deparámos com a tia Adelaide a espalhar as espigas de milho para secarem ao sol.

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Aqui, o nosso mosqueteiro Porthos, que alguns anos atrás andou por estas paragens exercendo magistério, fez uma pequena pausa para se lembrar de tempos idos e saber da paragem dos seus quatro pupilos de então.

 

Seguindo rua abaixo, aparece-nos a nossa jovem Idalina, amontoando o esterco da coorte no tratar para o levar para as suas terras e de seu marido.

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À saída de Zebral, quando já íamos saber da nossa «janta», deparámo-nos com um rancho de gente, já em fins de apanha da batata,

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 ensacando-as

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e, no trator, transportando-as para casa.

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Depois de um opíparo almoço, bem prolongado, cujo prato forte foi o cozido à barrosã, nas proximidades de Pisões e da sua barragem, rumámos, por via de Vilarinho de Negrões e Negrões, com uma passagem por Vilarinho da Mó, concelho de Boticas,

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em direção a Carvalhais.

 

Deixamos aqui um agradecimento especial à senhora D. Luísa, de Carvalhais, pelos figos que nos deu

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e pelos morangos biológicos que nos deu a provar.

 

Em Carvalhais, em fim de tarde, ainda se foi vendo um pouco mais de pessoas. Todos elas já «maiores», aos pares ou a três, dando dois dedos de conversa, tal como a senhora D. Luísa estava fazendo, sentada num banco, perto da propriedade que lhe deixaram os seus ascendentes. Para aqui vem, sempre que pode, depois do trabalho na vila de Montalegre, como neste feriado, para cuidar do seu «pedaço».

 

Com o sol prestes a se meter na linha do horizonte, descemos até Morgade e, no lugar que outrora foi uma colónia, Criande, parámos para uma última sessão de fotografias ao por do sol sobre a barragem do Alto Rabagão.

 

Aqui ficam duas imagem do lugar, em momentos diferentes,

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acompanhando o escurecer.

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Depois de uma paragem no Barracão para alimentar a «máquina», já necessitada de «combustível», regressámos a penates, depois de mais uma jornada de luta com a máquina fotográfica para «captar» o incaptável, mas que, cada um, achou ser (o) possível.


publicado por andanhos às 21:37
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