Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Por terras de Portugal - Da Praça de São Marcos em Leão à Igreja do Hospital em Braga

 

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

DA PRAÇA DE SÃO MARCOS EM LEÃO À IGREJA DO HOSPITAL EM BRAGA

 

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Sob a rubrica «Por terras da Ibéria», quando falávamos da cidade de Leão, abordámos o nome de uma praça com a designação de São Marcos.

 

Mas, afinal, de que São Marcos se trata?

 

 

1.- Sucinta história (ou dúvidas) sobre São Marcos

 

 

Segundo informação bíblica e tradicional, existem, pelo menos, 3 ou 4 São Marcos. E, consequentemente, muita confusão também a propósito destes ditos santos.

 

É que, nomeadamente, mistura-se o nome de Marcos, o Evangelista, com João Marcos e o Marcos, primo de Barnabé. A mistura e confusão com João Marcos levou a diversas especulações. Assim, uma versão identificam-no com o homem que carregou a água para a casa onde a Última Ceia foi realizada; outra, identificam-no com o jovem que correu nu quando Jesus foi preso. Diz o artigo da Wikipédia, sob a designação «São Marcos», que as duas versões até podem ser verdadeiras para João Marcos, uma vez que na sua casa se localiza o quarto superior (das reuniões), mas que é improvável que tenha qualquer relação com o evangelista.

 

Uma tradição anterior, relatada já nos séculos II e III, por Hipólito, distingue dois: Marcos, o Evangelista, é diferente de João Marcos e Marcos, o primo de Barnabé, todos eles pertencendo aos «Setenta Discípulos» que foram enviados para evangelizar a Judeia.

 

A tradição cristã identifica Marcos com o João Marcos, mencionando-o como o companheiro de São Paulo no Ato dos Apóstolos, e que posteriormente se teria tornado um discípulo de (Simão) Pedro.

 

E como esta confusão não bastasse, a Igreja Ortodoxa Copta mantém a tradição de que Marcos, o Evangelista, é o mesmo que o João Marcos. A Igreja Copta acredita que foi o evangelista um dos servos nas Bodas de Caná - o que despejou a água que Jesus transformou em vinho - e o que recebeu os discípulos em sua casa após a morte de Jesus, bem assim para onde Jesus foi, quando ressuscitado, e onde também o Espírito Santo desceu no Pentecostes.

 

Ainda segundo a tradição Copta, São Marcos nasceu em Cirene, na Pentápolis, antiga Líbia. Para lá voltou mais tarde, enviado por Paulo, para Colossos [mas outras fontes dizem ter sido Marcos, primo de Barnabé] e ter servido Paulo em Roma, no segundo ano do Imperador Cláudio (42 d.C.). A pregação de Pedro teve tanto êxito na cidade de Roma que Marcos acabou por escrever os sermões de Pedro, compondo assim o Evangelho segundo São Marcos, antes de partir para Alexandria, no terceiro ano de Cláudio (43 d.C.). Em Alexandria, Marcos fundou a Igreja de Alexandria, tornando-se o seu primeiro bispo, tendo a honra de também ser o fundador do cristianismo na África.

 

Em Alexandria, os pagãos, ficando ressentidos com os seus esforços para converter os alexandrinos, colocaram-lhe uma corda à volta do pescoço e arrastaram-no pelas ruas da cidade até à morte.

 

Aqui chegados, a que São Marcos a Praça de São Marcos, de Leão, se refere?

 

 

2.- Relíquias

 

 

Ainda segundo o artigo da Wikipédia, sob a designação de «São Marcos», em 828 d.C., as “relíquias que se acredita serem de São Marcos foram roubadas em Alexandria por dois mercadores venezianos e levadas para Veneza, que tinha São Teodoro como padroeiro. Uma basílica foi construída para guardá-las, chamada de Basílica de São Marcos. Há um mosaico nela mostrando os marinheiros cobrindo as relíquias com carne de porco para que os muçulmanos, senhores de Alexandria, impedidos de tocar nela, não inspecionassem a carga [...] Em 1063, durante a consagração da Basílica de São Marcos, as relíquias do santo não puderam ser encontradas. Porém, de acordo com a tradição, em 1094, o santo pessoalmente revelou a localização de seus restos mortais estendendo o braço a partir de um pilar. Estes restos recém-encontrados foram colocados num sarcófago na basílica”.

 

Seriam mesmo?

 

É que há outra história sobre estas relíquias e que nos é contada através de um túmulo que se encontra numa igreja em Braga - a Igreja do Hospital -, mas também conhecida como de São Marcos.

 

Um dia, fomos até à Praça (ou Largo) Carlos Amarante para entrarmos naquela Igreja, vindos da Fonte do Ídolo.

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Esperámos, bem medida, uma hora até que um simpático sacerdote octogenário acabasse de celebrar a habitual Missa da tarde para pudermos entrar no seu interior e tirar fotos, com a sua devida autorização.

 

Aqui fica uma imagem parcial do interior da Igreja, com o seu Altar-mor

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e uma outra da bonita cúpula do seu cruzeiro.

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No pequeno espaço (comparados com os restantes) reservado ao Altar-mor, do lado do Evangelho, fomos, finalmente, dar com este sarcófago.

 

Neste sarcófago conservam-se o que se crê serem as relíquias do Evangelista Marcos trazidas para aqui (Braga, e então sua pequena ermida de São Marcos), no século XI, pelo arcebispo Maurício Burdino, embora exista outra versão desta história que nos diz que foi o cavaleiro templário D. Gualdim Pais, na segunda metade do século XII. [Veja-se o artigo «Túmulo de São Marcos em Braga?»].

 

Diz, por outro lado, o artigo «Igreja do Hospital», da Wikipédia, que as relíquias que se encontram à veneração dos fiéis neste túmulo são do Apóstolo e Bispo São Marcos, cujo corpo (ou os restos do mesmo) se supôs desaparecido durante séculos.

 

Na obra de Eduardo Pires de Oliveira, com fotografia de Libório Manuel Silva, com o título «Segredos de Braga - Braga Top Secret», a páginas 77, começa por identificar o túmulo, sito na Igreja do Hospital, como de São João Marcos e, nas páginas 77 e 80, escreve:

 

São João Marcos, ou São Marcos, como é mais frequente ser designado, foi companheiro de São Paulo e S. Barnabé na evangelização da ilha de Chipre. As razões que foram apontadas para a vinda das suas relíquias para Braga no século XII faz-nos crer que estamos perante mais uma aquisição de relíquias igual a tantas outras que ocorreram por toda a Europa”. E nós acrescentaríamos também por razões decorrentes da rivalidade que entretanto havia entre a igreja metropolitana de Braga e a recém-criada de Santiago de Compostela. Lembre-se, a este propósito o “Pio Latrocínio” perpetrado pelo arcebispo Diego Gelmirez, de Santiago de Compostela, na Sé de Braga...

 

E, uma vez mais, aqui chegados, uma outra pergunta se impõe: de quem são as relíquias que estão na Basílica de São Marcos, em Veneza, e no Túmulo de São João Marcos, na Igreja do Hospital de Braga?

 

Os católicos Coptas acreditam que a cabeça do Santo permaneceu em Alexandria. Todos os anos, no trigésimo dia do mês de Paopi, a Igreja Ortodoxa Copta comemora a consagração da Igreja de São Marcos e o aparecimento da cabeça do Santo na cidade. Esta cerimónia ocorre na Catedral Ortodoxa Copta de São Marcos, onde a cabeça do Santo está preservada.

 

 

3.- O Túmulo de São Marcos na Igreja do Hospital-Braga

 

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Diz Eduardo Pires de Oliveira, na obra acima citada, que o “túmulo de São João Marcos é uma peça invulgar no nosso país. Não se compara com o túmulo da Princesa Santa Joana que está no Museu de Aveiro, da autoria do arquiteto João Antunes, mas tudo parece indicar que é uma peça que anda na sua área de influência, sabendo-se, por exemplo, que foi executada em Lisboa (...)”

 

As ditas relíquias de São Marcos, depositadas na citada ermida de São Marcos, com o arcebispo D. Diogo de Sousa, foram trasladadas para a Igreja do Hospital, onde este prelado mandou executar um arcossólio para nele ser colocado o túmulo do Apóstolo, diz o autor acima referido, que continua:

 

Dois séculos depois, D. Rodrigo de Moura Telles, que era Provedor da Mesa [da Santa Casa da Misericórdia de Braga] achou que deveria ir mais longe”, mandando construir um cenotáfio condigno para as relíquias de São Marcos, o qual depois foi encoberto por uma grade de ferro coberta de prata.

 

O que hoje se apresenta a nossos olhos, conforme imagem acima reproduzida, é uma obra em mármore branco com aplicações a jaspe.

 

Termina, assim, o seu texto o aludido Eduardo Pires de Oliveira sobre este túmulo:

 

Em 6 de Fevereiro de 2007 a arca foi novamente aberta para limpeza. Dentro estava uma urna de sândalo pintada de vermelho, fechada por três chaves; o espelho da central tem gravadas as armas de D. Rodrigo de Moura Telles, arcebispo de Braga (...)”

 

E todo este “arrazoado” veio a propósito da Praça de São Marcos de Leão!

 

Ficamos verdadeiramente sem saber, quer naquela Praça, em Leão, quer da Igreja do Hospital, em Braga, quer da Basílica, em Veneza, de que verdadeiro São Marcos se trata.

 

E com muitas mais dúvidas ficámos quando damos conta que, na Fachada da Igreja do Hospital, em Braga, existe uma escultura com a estátua de São Marcos, patrono desta Igreja, e se diz que foi bispo na Igreja Cristã Oriental no tempo do Imperador Constantino (século IV)!

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E as relíquias no sarcófago exposto na Igreja do Hospital de Braga e na Basílica de São Marcos de Veneza?

 

Fora todas estas interrogações, contudo, uma coisa é certa - o túmulo exibido na Igreja do Hospital é uma belíssima obra de arte, apresentando características invulgares em Portugal.


publicado por andanhos às 20:14
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão V - MUSAC, Praça de São Marcos e Parque de Quevedo

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO V - MUSAC, PRAÇA DE SÃO MARCOS E PARQUE DE QUEVEDO

 

 


1.- Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão (MUSAC)

 

 

Para nos dirigirmos para o Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão temos que passar pela Praça de São Marcos.

 

O Convento de São Marcos, e a sua Igreja, impõem-se, imponentemente, na Praça.

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Torcemos à direita e temos o edifício modernista do Auditório da Cidade de Leão visto, quer de um ângulo,

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quer de outro mais à frente em direção ao MUSAC.

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No jardim em frente ao edifício da Junta de Castela e Leão, Delegação Territorial

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uma escultura recente, representando o “Pendão de Leão”.

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Um pouco mais à frente, um edifício envidraçado, refletindo os prédios que lhe estão contíguos.

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 (Pormenor I)

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 (Pormenor II)

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 (Pormenor III)

E, logo de seguida, aparece-nos o edifício do MUSAC.

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Segundo explica o artigo sob a designação “MUSAC”, trata-se de "um edifício com uma planta peculiar, herdada da geometria de alguns mosaicos romanos, cuja originalidade radica em que mediante dois políginos - um quadrado e um losango - permite realizar uma superfície contínua sobre o plano.

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Um dos sinais de identidade deste peculiar edifício é a sua fachada composta por mais de três mil vidros coloridos, inspirados no vitral de «El Halconero»,

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 (Fonte:- Diário de Leão)

um dos mais antigos da Catedral de Leão, do século XIII".

 

Entrámos.

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"O interior, com o seu betão armado branco,

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é o protagonista de um lugar em que os espaços fluem entre si”.

 

Nosso desejo era ver também outros protagonistas nas suas diferentes exposições, quer permanentes, quer temporárias.

Tivemos azar.

 

A não ser a parte da receção, cafetaria e livraria, estava tudo fechado, porquanto se procedia à renovação de exposições.

 

Tomámos um café. Vimos alguns exemplares de livros expostos

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 (Livro I)

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e reparámos para este tipo de “bonecas” expostas.

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Aliás, no hotel onde nos alojámos, no seu interior, no princípio das escadas de acesso aos andares, também vimos uma delas, embora em tamanho maior. Algum significado devem ter para os leoneses. Simplesmente não conseguimos descobrir.

 

E, daqui, rumámos à Praça de São Marcos.

 

 

2.- Praça de São Marcos

 

 

Como dissemos, o que mais se destaca, ao entrarmos nesta Praça, é a imponência deste edifício, conhecido pelo Convento de São Marcos. É também uma das grandes joias da arquitetura da cidade de Leão, a par da Catedral e da Basílica de Santo Isidoro. E é um dos monumentos mais importantes do Renascimento espanhol.

Citando Samuel Edward Cook Widdrington, capitão de navio da Royal Navy, Sketches in Spain (1829), referido no artigo da Wikipédia “Convento de San Marcos (León)”, para o qual aconselhamos a sua leitura, “nada se pode sobrepor à beleza dos arabescos e demais ornamentos da fachada de São Marcos”.

 

Começou a ser construído no século XII, quando a filha de D. Afonso VII, D. Sancha de Castela, doou uma grande quantidade de dinheiro para a construção de um albergue, fora da cidade, para dar guarida aos peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela.

 

Para sabermos das suas fases de construção, nada melhor do que ler atentamente o artigo da Wikipédia acima citado.

 

Na verdade, de todo o conjunto, é a sua fachada renascentista, uma pérola do plateresco espanhol, que mais se destaca no meio da Praça que leva o seu nome.

 

O Convento de São Marcos, com a sua fachada defronte para a Praça, acabou por ser uma oferta de D. Fernando, o Católico, à cidade de Leão, ao lhe proporcionar a quantidade de dinheiro necessário para que esta obra do Renascimento pudesse ser erguida.

 

Vejamos as suas principais componentes.

 

 

a).- A Portada e Entrada Principal

 

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Tem dois corpos, mais o “pente” de adorno, de estilo plateresco, se bem que, no século XVIII, lhe acrescentaram elementos barrocos.

 

O primeiro corpo tem um arco de meio ponto com roseta e intradorso decorado. A chave é de tipo exaltado, representando São Marcos.

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Há medalhões com inscrições bíblicas e um alto-relevo de Santiago triunfante na batalha de Clavijo.

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Possui um vão de estilo barroco, com o escudo de armas de Santiago e o do Reino de Leão. No “pente” de adorno estão representados o Escudo de Armas Reais e uma estátua da Fama, obra de Valladolid.

 

No cimo, coroando a Portada, um óculo em forma de grande roseta.

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b).- Claustro

 

 

Divide-se em quatro lanços ou partes: duas delas são do século XVII e são obra de Juan de Badajoz, o Moço, tendo uma das partes um baixo-relevo representando um Nascimento, obra de Juan de Juni; as outras duas partes são dos séculos XVII e XVIII.

 

 

c).- Igreja

 

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É de estilo gótico hispano tardio, chamado «Reis Católicos». A Portada está flanqueada por duas torres, inacabadas, e, entre elas, uma grande abóbada de cruzeiro. Destacam-se dois nichos, um em cada torre e, num deles, encontra-se gravada a data em que a igreja foi concluída: 3 de junho de 1541.

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No exterior da sua Fachada virada para a Praça estão representados dois relevos: o Calvário com a Cruz

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e a Descida da Cruz, de Juan de Juni.

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No seu interior apresenta uma ampla e espaçosa nave, com o cruzeiro separado por uma grade.

 

No retábulo do Altar-mor, destaca-se: os Apóstolos e a Anunciação, do século XVII.

 

 

d).- Museu/Antiga sacristia

 

 

É constituído por 3 salas, destacando-se duas delas, que formavam a antiga sacristia, obra de Juan de Badajoz, o Moço.

 

 

e).- Coro

 

 

A parte baixa é obra de Guillermo Doncel (século XVI), o resto é obra de Juan de Juni.

 

***

 

Em 1875, o Ayuntamiento pensou deitar abaixo esta joia, destino do qual se livrou, ao contrário, infelizmente, de outros edifícios desta cidade de Leão.

 

Ao longo da história, aliás muito convulsa, este edifício, para além da sua função inicial, primordial, de convento, hospital e albergue para peregrinos que rumavam a Santiago, a partir de 1836, com a desamortização de Mendizábel, o Convento, com o seu Claustro, teve os seguintes usos:

 

Prisão - Um dos seus “hóspedes” mais ilustre foi o escritor Francisco de Quevedo, entre 1639 e 1643;
Instituição de Ensino (Segunda Enseñanza);
Casa de Missionários e Correção de Eclesiásticos;
Escola de Veterinária;
Casa das Missões da Companhia de Jesus;
Hospital Penitenciário;
Casa Central de Estudos dos Padres Escolápios;
• Instalações do Estado-maior do 7º Corpo do Exército;
Prisão Militar;
Campo de Concentração de prisioneiros republicanos durante a Guerra Civil (desde 25 de julho de 1936) e pós-guerra. Foi entre 1936 e 1940 um dos estabelecimentos repressivos mais severos da Espanha franquista, albergando uma população de 6 700 homens. Foi o símbolo da repressão em Leão e parte de Espanha, tendo custado a vida a 791 fuzilados, 1 563 «paseados» e 598 sem «asignar» (executados, «paseados», mortos nos campos, etc..) e mais de 15 860 prisioneiros políticos distribuídos por campos, leoneses e nacionais;
Quartel de Cavalaria;
Deputação;
Diocese;
Ministério da Guerra, Fazenda e da Educação.

 

Hoje em dia, o Convento de São Marcos tem 3 usos:

 

Parador (Pousada) Nacional, com a categoria de 5 estrelas, desde 1964, possuindo no seu interior importantes obras de arte;
Igreja consagrada desde 1541;
Museu desde 1869, possuindo valiosas obras, como o conhecido Cristo de Carrizo, do século XI, a Cruz de Peñalba e o retábulo da Igreja de São Marcelo.

 

 

3.- Parque de Quevedo

 

 

Depois de observada esta joia arquitetónica, com as suas respetivas dependências, atravessámos o rio Bernesga, que passa a seu lado, pela ponte medieval, que leva também o nome de São Marcos,

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e por onde passam os peregrinos que percorrem o Caminho Francês, em direção a Santiago de Compostela, fomos ter ao Parque de Quevedo.

 

O Parque de Quevedo, que fica ao lado da avenida com o mesmo nome e na margem esquerda do rio Bernesga, tem uma superfície de 48 042 metros quadrados e, para além de alguns exemplares de avifauna, possui 69 espécies arbóreas diferentes.

 

Os frequentadores deste espaço são os «maiores» (a que nós em Portugal chamamos «os velhos»), sentados ou em grupos, em amena cavaqueira,

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ou a dois,

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confiando confidências; e a pequenada, acompanhada de um ou os dois pais.

 

Florens privilegiou o itinerário botânico,

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entretendo-se a fotografar as diferentes e ricas espécies de árvores;

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nós, entretínhamo-nos a ver os pavões,

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constantemente

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a «pavonearem-se»,

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e outros animais.

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Começava a “cair” o dia. De pronto, atravessámos a Ponte de São Marcos, olhando para o seu entorno.

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 (Entorno I)

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 (Entorno II)

Sensivelmente a meio da Ponte, um acordeonista exibindo os seus dotes artísticos

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e, já quase no fim da mesma, um dos lados do imponente Convento.

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Dirigimo-nos até junto da estátua que representa O Peregrino, local onde, amanhã de manhã, sairemos para dar início ao Caminho do Salvador.

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E, daqui, fomos cuidar da “janta”.

 

No regresso ao hotel, porque situado a dois passos da Praça de São Marcos, mais um pequeno passeio para ver de noite o Convento de São Marcos iluminado.

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E fomo-nos deitar pois, de manhazinha, começava a nossa “empreitada” pela qual aqui viemos.

 

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publicado por andanhos às 18:20
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão IV - Praça Maior e Praça "del Grano"

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO IV - PRAÇA MAIOR E PRAÇA “DEL GRANO”

 

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Depois de termos falado da Praçade la Regla” e da Praça de Santo Isidoro, nestes dois últimos posts, vamos falar de mais três praças emblemáticas da cidade de Leão.

 

1.- Praça Maior

 

Levantámo-nos cedo e, depois de tomado o pequeno-almoço no respetivo alojamento onde pernoitámos, pela Grã Via de São Marcos, dirigimo-nos para a nossa placa giratória que nos lança no Centro Histórico de Leão - a Praça de São Domingos (Plaza de Santo Domingo, como é chamada pelos espanhóis).

 

Aqui observámos a Torre da Igreja de São Marcelo.

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 No início da "Calle Ancha", despertou-nos a atenção esta "figura".

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Quando pretendíamos entrar no interior do templo, encontrámos a porta fechada.

 

Passámos pelo antigo edifício do Ayuntamiento de Leão,

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hoje “Oficinade Turismo de Leão, pelo Mercado

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 (Perspetiva parcial do exterior do Mercado de la Luna)

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(Uma perspetiva do interior do Mercado de la Luna)

 

e Palácio do Conde "de la Luna"

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entrámos na Igreja de São Salvador de Palat de Rey” (D. Ramiro II) - hoje transformada em Museu -,

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(Perspetiva exterior)

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(Pormenor do campanário)

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(Um dos aspetos da exposição)

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(Pormenor de uma Custódia)

e dirigimo-nos para a Praça Maior de Leão.

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A Praça Maior de Leão encontra-se no Centro Histórico da cidade, no seu típico bairro Húmedo, muito perto da Catedral, mas já fora das suas antigas muralhas.

 

E, porque era quarta-feira, nela fomos encontrar um mercado (feira), onde vimos vender fruta, verduras, hortaliça, enchidos, queijos, roupa e outra quinquilharia.

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Durante a Idade Média, este local foi o mais importante fora das suas muralhas. Aqui se vendiam produtos cultivados no campo, pão e animais domésticos. Foi também chamada de Praça do Pão, dada a quantidade de padarias e fornos que existiam ao seu redor.

 

Serviu também como lugar de execuções públicas e de praça de toiros. E foi palco de festejos da Corte Isabelina.

 

Em consequência de um terrível incêndio ocorrido em fevereiro de 1654, parte do Mercado, e do conjunto do seu casario, ficou destruído. Face a este desastre, planeou-se a construção de uma nova praça.

 

Essa nova praça que, essencialmente, é a que hoje podemos contemplar, tem um perímetro ligeiramente trapezoide, com aproximadamente quatro mil metros quadrados, refletindo os desenhos e plantas, quer do padre Antonio Ambrosio, na sua primeira fase, quer os planos de Francisco del Piñal, na segunda.

 

Em 1677, vinte anos depois daquele grande incêndio, estava construída.

 

É uma típica praça castelhana, similar a muitas outras espanholas, e considerada a sexta praça maior mais antiga de Espanha.

 

Nesta Praça o edifício como “El Mirador”, ou Consistório, é o que mais se destaca do conjunto. É de estilo barroco, com duas torres retangulares, terminadas em capitéis. Atualmente este edifício é sede da “OficinaMunicipal de Artes Plásticas e também da Junta de Confrades da Semana Santa, muito famosa nesta cidade.

 

Para além deste edifício, a Praça está rodeada de outros, com arcadas e varandas, localizando-se neles vários locais de ócio, como bares e pubs, e um hotel, o Hotel NH Plaza Mayor.

 

A título de curiosidade histórica, foi nesta Praça que os leoneses se reuniram para dar o grito de guerra contra a ocupação francesa, em 1810.

 

Hoje em dia, para além de Mercado (feira) às quartas e sábados, das 9 as 15 horas, é um local muito frequentado durante as festas patronais em honra de São João e São Froilán, nomeadamente com a realização de concertos; durante os festejos do Carnaval e a Semana Santa. A maior parte das procissões que se realizam em Leão passam por esta Praça.

 

Nos meses de verão, esta Praça converte-se num ponto importante para os leoneses, que acorrem às esplanadas dos seus bares e pubs para reunião e convívio, fazendo as delícias de turistas que por aqui passam.

 

Nas nossas deambulações até ao próximo destino, este pormenor de um edifício.

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2.- Praça “del Grano” (ou de Santa Maria do Caminho)

 

Da Praça Maior, dirigimo-nos para a Praça de Santa Maria do Caminho ou Praçadel Grano”.

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A Praçadel Grano”, situada na zona sul do popular bairro Húmedo, é um dos lugares mais pitorescos de Leão, ao conservar o empedrado característico da época medieval (apesar de atualmente correr uma forte polémica quanto à sua substituição, face ao incómodo deste tipo de piso para andar) e algumas casas com arcadas em madeira, que datam do século XVI.

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Chama-se Praçadel Grano” - embora o seu nome oficial seja Praça de Santa Maria do Caminho - devido ao facto de ali, durante a época medieval, ser mercado (feira) de venda de cereais e outros produtos do campo.

 

Nesta Praça ainda podemos encontrar:

 

a).- Igreja de Santa Maria do Caminho

 

É também conhecida por Igreja do Mercado.

 

Não é a sua Fachada Principal que dá para a Praça, mas a sua cabeceira, com a respetiva abside.

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Entrámos dentro desta Igreja, depois dos seus fiéis terem acabado de assistir à Missa, e, do seu conjunto, destacámos a imagem da Virgem do Caminho,

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do século XV, patrona da cidade. Conforme se pode ver pelo seu aspeto - e dada a grande devoção que os habitantes deste bairro onde a Praçadel Grano” está situada - à Virgem do Caminho também lhe dão o apodo de a “Morenica del Mercado”.

 

Outro elemento que também nos despertou a atenção foi este lindo e pequeno vitral com o escudo de Leão.

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b).- Convento “de las Carbajalas”

 

Está situado à esquerda da Igreja de Santa Maria do Caminho. O Convento, para além da sua igreja, tem uma Hospedaria e o Albergue de Peregrinos de Leão,

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usado, principalmente, pelos peregrinos que rumam a Santiago de Compostela fazendo o Caminho Francês.

 

Entrámos numa pequena dependência deste Convento, na receção do albergue, para ir levantar a Credencial Especial para os peregrinos que pretendem fazer o Caminho do Salvador e que, em Oviedo, pretendam obter a respetiva «Salvadorana». Se bem que a Credencial Jacobeia também sirva para este efeito, contudo, fizemos questão de levar tudo a seu perfeito rigor.

 

c).- A Fonte clássica

 

No centro desta Praça encontrámos uma fonte. Segundo rezam os panfletos turísticos, a mesma representa e simboliza a confluência, em Leão, dos rios que por esta cidade passam - o Bernerga e o Torío.

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Foi inaugurada em 1769. Tem forma quadrada sobre um pedestal de pedra. No centro eleva-se uma coluna de base ática e um capitel com folhas de acanto e espadana. Ao alto está representado o escudo da cidade. Unidos à coluna estão dois meninos, em estilo barroco, cruzando os braços pelos ombros e amparando uma máscara de leão vertendo água para uma taça. As esculturas são obra de D. Felix de Cusac e seu ajudante, D. José Velasco.

 

Esta fonte, como se pode ver pela imagem, está ladeada por duas frondosas árvores.

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d).- A Cruz de Pedra

 

É considerada o “rolo”, picota, ou pelourinho da cidade. Em 1889 acrescentaram-lhe uma peanha de pedra.

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Segundo a lenda, esta Cruz, que se encontra situada junto à cabeceira da Igreja de Santa Maria do Caminho, está exatamente no mesmo lugar onde apareceu a Virgem.

 

Era também aqui, junto à Cruz que, todos os sábados, os confrades da Igreja de Santa Maria, cantavam o “Salvé”.

 

Para além de Mercado (feira), esta Praça teve outros usos, como sejam, foi lugar oficial onde se apregoavam as ordens municipais e outras decisões e, inclusivamente, até serviu de praça de toiros.

 

Hoje em dia, nesta Praça realiza-se um Mercado Medieval e é utilizada nas festas de São Froilán para expor os tradicionais carros, típicos e engalanados.

 

Fora agora este evento, esta Praça, segundo dizem, e nós, pelo tempo que nela permanecemos, confirmámos, é bastante tranquila e sossegada nos restantes dias do ano.

 

Saídos da Praçadel Grano”, passando pela frente da Igreja de Santa Maria do Caminho e pelo Conventode la Concepcion”, dirigimo-nos para a Cerca Medieval.

 

Leão possui o terceiro cinto de muralhas mais importantes de Espanha, depois de Ávila e Lugo. São cerca de dois quilómetros de longitude de muralhas e 36 “cubos”, semicilíndricos que tem Leão, entre 1 400 metros de muralha romana e 600 metros de muralha medieval (ou cerca), quer à vista, quer oculta.

 

Apenas 900 metros hoje estão à vista.

 

Existe um plano municipal, ambicioso, para recuperar e limpar toda esta cintura de muralhas, pondo à luz do dia, dos leoneses e seus visitantes, os troços que estão escondidos, quer erguendo-os, quer deitando abaixo as casas que lhe estão adossadas, deixando toda a muralha a descoberto. O plano de recuperação, que deu início em 2009, continua.

 

O trajeto de muralha, ou cerca medieval, que nos propusemos percorrer, numa extensão de 530 metros, situa-se na parte este da cidade e dá pelo nome de “Calle Cercas”.

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É um pequeno passadiço militar, compreendido entre um muro superior e outro inferior, que está aberto ao público como rua pedonal, com muros de ameias. Este trajeto tinha uma entrada para o burgo medieval, através de uma porta - a Porta Moneda - da qual apenas hoje restam as suas partes laterais (no cruzamento da rua com o mesmo nome).

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O leitor (a) que queira conhecer melhor os diferentes troços da muralha, as épocas em que foram construídos, bem assim o respetivo Plano de Recuperação, aconselha-se a leitura do artigo sob a designação “Muralla de León”.

 

Estando a poucos quarteirões desta Cerca o El Corte Inglês de Leão,

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aproximando-se a hora de almoço, tomámos a decisão de entrar neste Centro Comercial para fazermos umas compritas necessárias para o Caminho do dia a seguir e almoçar.

 

Do alto da varanda do restaurante desta superfície comercial, uma vista parcial da cidade de Leão, vendo-se, no meio do seu casario, a Catedral.

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Depois do almoço, decidimos continuar a pé e, desde este local, dirigirmo-nos até ao nosso alojamento, na Grã Via de São Marcos, aproveitando um pouco de tempo para descansar pois a manhã foi muito intensa a andar, percorrendo ruas e ruelas da cidade.

 

No trajeto para o alojamento, passámos pelo Jardim de São Francisco, onde se encontra uma escultura do Santo

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e, do outro lado da rua, a Igreja que leva o seu nome.

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Eram quatro horas da tarde quando saímos do hotel com o objetivo de irmos visitar o Museu de Arte Contemporânea de Castilha e Leão (MUSAC) e a Praça de São Marcos.

 

Fica, porém, esta reportagem para o último post sobre Leão.

 

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Sábado, 21 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão III - A Colegiada da Basílica de Santo Isidoro

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO (III) - REAL COLEGIADA DE SANTO ISIDORO

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Se as nossas vistas ficaram cheias com tanta luz, cor e beleza que a Catedral de Leão nos proporcionou, seguramente em cerca de duas horas, quem não se encontrava tão satisfeitos eram os nossos estômagos, com tanta espera.

 

Saídos da Catedral, pelo seu lado noroeste, de imediato, fomos à procura de um bar para “tapear”.

 

Nas proximidades do pequeno Parque de El Cid, donde se pode ver um dos pináculos da Casa Botines,

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Florens, o nosso companheiro de jornada, num recanto de um dos bares (Praça del Cid) que, por estas bandas, há-os que nunca acabam, não resistiu a tirar uma foto a esta escultura (Figura sentada com pássaro morto, de Amancio González Andrés).

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São já proverbiais as “tapas” de Leão, mais precisamente nos seus dois bairros mais característicos do Centro - o Romantico e o Húmedo.


Foi, assim, por entre cantos e esquinas, pracinhas, ruas e ruelas, que nos embrenhámos nesses célebres bairros do “tapeo” para bebermos uma “caña” ou, pela nossa parte, que não podemos abusar muito do álcool, um “corto”.

 

Mas, perdoem-me os leoneses. Sabemos que, porventura, vamos dizer uma grande “heresia”, mas, connosco, verdade acima de tudo. Sabemos que o dia da semana (uma quarta-feira) e a hora do dia (o meio da tarde) não são alturas mais propícias para os bares apresentarem, em quantidade e qualidade, as suas melhores iguarias. Os fins-de-semana, pela noite dentro, porventura, são os mais indicados. Todavia, não são apenas estas circunstâncias que determinaram que não ficássemos tão satisfeitos quanto esperávamos. Foram "tapas" muito à base de enchidos e fritos para os nossos estômagos débeis e, por conseguinte, pouco recomendáveis. Talvez, por isso, nossa apreciação tenha de ser julgada, tal como dizem os latinos, “cum grano salis”. E não sabemos porquê, conversando com o nosso companheiro de jornada, veio-nos à lembrança umas deliciosas “tapas” que, há uns anos - é certo que também foi mais ao cair da noite - comemos num dos bares nas proximidades da Catedral de Burgos. Nem as que, na mesma época, comemos em Barcelona lhes “chegaram aos calcanhares”!

 

Contudo, estômagos satisfeitos num bar sugestivo de “tapas

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e com pessoas, atendendo, bem prestáveis e bem dispostas,

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o nosso périplo pela cidade leonina continuou.

 

O nosso segundo objetivo deste dia, ou melhor, desta tarde, era uma visita completa à Real Colegiada da Basílica de Santo Isidoro.

 

Voltando aos arredores da Catedral, nas proximidades do claustro da mesma, vemos a Obra Hospitalar de Nossa Senhora de la Regla.

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Atravessámos a antiga muralha por debaixo de um arco,

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exibindo uma bela escultura de Nossa Senhora na sua parede,

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e entrámos na Avenida dos Cubos,

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contemplando, no percurso que fizemos, todas aquelas torres cilíndricas tão bem conservadas.

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Segundo parece, estes “cubos” eram mais ou menos quadrados e de madeira, mas, por volta do século III e IV, foram substituídos por uma construção de pedra em grandes cubos semicirculares.

 

Saídos da Avenida dos Cubos, entrámos na “Calle Carreras”, seguindo sempre contemplando as muralhas.

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Até que nos aproximámos da Puerta del Castillo ou Arco do Cárcere,

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(Porta vista do lado da "Calle das Carreras")

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 (Porta vista dentro das muralhas)

uma das quatro portas que havia para se entrar na cidade, e a única que conserva ainda a sua estrutura medieval, ainda que reconstruída no século XVIII. O seu nome deve-se ao castelo que se encontrava a seu lado e que serviu de prisão. Na atualidade, este edifício (o castelo) é o Arquivo Histórico da Cidade de Leão.

 

Ao lado do Arquivo Histórico vamos encontrar a Real Colegiada de Santo Isidoro, à frente da Praça que leva o seu nome.

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Uma coluna, perto do Arquivo Histórico tem a inscrição “LEG VII GEM F.

 

Foi aqui, essencialmente dentro deste espaço que Leão nasceu. Primeiro como acampamento militar romano da VI Legião Victrix, no ano 29 a. C., contudo, o seu verdadeiro caráter de cidade consolidou-se definitivamente com a VII Legião Gemina, a partir do ano 74 d. C..

 

Não vamos aqui tratar do contexto histórico artístico desta Real Colegiada, desde os seus primórdios, com a igreja de D. Sancho I, o Craso (Grosseiro), a igreja de S. João Batista, passando pelo Infantado de São Pelaio, pela sua devastação, em 988, pelo Almançor, pela igreja de Afonso V, o Nobre, para chegarmos ao edifício românico que D. Fernando I e sua mulher D. Sancha construíram e, depois, a restauração e ampliação que a Infanta Urraca, a Zamorana, fez até que D. Afonso VII, e sua irmã D. Sancha, dão por acabado este edifício de traça românica.

 

Não vamos também aqui falar do templo do tempo de D. Fernando II; das reformas nos séculos XV e XVI bem assim dos enormes maus tratos que sofreu nos séculos XIX e XX, quer com as Invasões Francesas, quer, em 1835, com a desamortização de Mendizábel, quer ainda com a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Quem queira, com relativo pormenor, inteirar-se da história desta Real Colegiada da Basílica de Santo Isidoro pode consultar o artigo “Basílica de San Isidoro de León” da Wikipédia  e aí encontrará manancial suficiente para se informar.

 

Para nosso desiderato, é suficiente referir que estamos perante um dos conjuntos arquitetónicos, de estilo românico, mais importante de Espanha, quer quanto à sua história, como arquitetura, escultura e objetos sumptuários romanos que se puderam conservar, bem assim a primeira igreja românica que se ergueu no Reino de Leão, seguindo as modernas correntes deste estilo.

 

A Real Basílica de Santo Isidoro de Leão teve as suas origens no ano 956, encostada e implantada sobre o solo vizinho da muralha romana da VII Legião Gemina, pelo seu lado noroeste, estando, desta forma, toda a sua parte ocidental do edifício adossada e sobreposta nela.

 

Destaquemos as suas principais componentes:

 

a).- A Basílica ou Templo


a1).- Exterior da Basílica

 

O edifício tem três naves e possui uma planta de cruz latina. A sua abside central, do século XV, é hispano-flamenga, que substituiu a anterior, românica. Do lado de fora apenas se pode ver a Fachada Sul (meridional), porquanto, o resto do edifício, encontra-se rodeado de outras construções, estando o lado poente (ocidental), como referimos, oculto pela muralha romana.

 

Na sua Fachada Meridional realçamos as suas duas Portas românicas:

 

- A Porta do Cordeiro

 

É a mais antiga. Encontra-se dividida em dois corpos: o mais elevado é um “pente” de adorno barroco

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e arrematado por Santo Isidoro montado a cavalo;

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o segundo, mais abaixo, é o que se nos oferece mais atenção - o tímpano do Cordeiro - o primeiro tímpano conhecido no Reino de Leão, contendo diversas cenas, pertencendo ao mais puro românico do século XI, esculpido em mármore branco, representando o sacrifício de Isaac.

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Para uma mais completa informação sobre os diferentes tipos escultóricos desta Porta, consultar o artigo da Wikipédia acima mencionado.

 

- A Porta do Perdão

 

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Está aberta no cruzeiro da igreja e chama-se assim por ser por esta Porta por onde os peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela entravam para obterem indulgências e o perdão dos seus pecados. É mais recente que a Porta do Cordeiro, mas, a sua arte, é também do mais puro estilo românico. No seu tímpano podemos observar as seguintes cenas: a Ascensão de Cristo; a Descida da Cruz e a Contemplação do Sepulcro vazio pelas três Marias. Também para mais aprofundamento dos elementos escultóricos desta Porta, aconselha-se a visita do artigo acima citado da Wikipédia.

 

- A Porta do Norte ou Capitular

 

Tal como o nome indica, sutua-se na parte norte do templo. Todavia, hoje em dia, encontra-se encerrada e sem possibilidades de ser vista pelo exterior, porquanto a família Quiñones, na sala capitular do claustro, a que a mesma dava acesso, construíram uma capela, tendo, por tal facto, ser vista através desta mesma capela. É semelhante à Porta do Cordeiro, contudo, apresenta um tímpano liso que, porventura, noutros tempos, estaria pintado: tal é a informação que o aretigo da Wikipédia, que vimos referindo, nos dá.

 

Antes de entrarmos no interior da Basílica, aqui fica uma panorâmica, a 360º,  da Praça de Santo Isidoro, onde a Real Colegiada está situada.

 

a2).- Interior da Basílica - Capela-mor

 

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Deixemos a Capela da Santíssima Trindade ou a de São Martinho e o coro, que podemos ver nesta panorâmica, a 360ºe prestemos mais atenção à Capela-mor. Como já referido, a Capela-mor românica, de Urraca, a Zamorana, no século XVI, mais precisamente em 1513, foi substituída por uma gótica. Nela se destaca o seu retábulo, com 24 tábuas pintadas que, segundo consta, vieram da paróquia de Pozuelo de la Orden (valladolid) e que, na opinião do perito Chandler R. Post, são atribuídas a um mestre de Pozuelo.

 

- Custódia

 

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Ainda na Capela-mor está exposta uma custódia em prata, da autoria de M. García Crespo, e que guarda a hóstia consagrada, exposta de noite e dia, por privilégio papal antigo, compartilhando este privilégio com o da Catedral de Lugo.

 

- Urna

 

Por debaixo da custódia, em lugar de destaque, encontra-se uma urna em estilo neoclássico. Nela se guardam os restos mortais de Santo Isidoro. É obra do joalheiro leonês Antonio Rebollo, realizada em 1847.

 

b).- Museu


b1).- Panteão Real

 

É por esta entrada que nos dirigimos para as restantes dependências da Colegiada que visitámos.

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O Panteão Real encontra-se situado na parte ocidental da Basílica, adossado à muralha romana. A historiografia moderna atribui o resultado final, daquilo que é hoje o Panteão Real, à Infanta Urraca, a Zamorana, filha de D. Fernando I e de D. Sancha. Quer a cabeceira, quer os pés da Basílica foram utilizados para lugar de enterro de bispos, reis e nobres leoneses. É deste “cemitério”, aos pés da Basílica, que “nasce” o Panteão Real, que também tomou o nome de Capela de Santa Catarina (de Alexandria) e de Capela dos Reis. A sua estrutura é abobadada e toda ela recoberta de pinturas. O tema pictórico corresponde à segunda metade do século XII e, sobre um fundo branco, recorta-se, em traços negros, toda a temática, preenchendo-se os fundos com cores ocres, amarelas, rojas e grisáceas.


Os seus ricos e bem trabalhados capiteis e, fundamentalmente, estas pinturas (ou frescos) deram a esta sala o sobrenome de “A Capela Sixtina da Arte Românica”.

21.- sanisidoro.png

Desconhece-se o autor destas pinturas, mas uma coisa é certa: foram realizadas em 1149, antes da consagração da Basílica.

 

Nestas pinturas (ou frescos), em diferentes murais, estão representadas cenas bíblicas e do quotidiano medieval. Destacam-se os seguintes murais: a Anunciação aos Pastores; a Degolação dos Inocentes; a Última Ceia; a Visão de São João; o “Pentocrátor” e um curioso Calendário Agrícola.

 

Nos seus capitéis, para além de elementos escultóricos vegetais, destaca-se a simbologia bíblica, como a representação da Ressurreição de Lázaro e a Cura dos Leproso.

 

Apresenta-se um pequeno vídeo deste singular Panteão Real, apelidado de “A Capela Sixtina do Românico”.

 

 

b2).- Tribuna (Museu de Ourivesaria ou Câmara de D. Sancha)

 

De acordo com a tradição, este espaço era exclusivo da Rainha D. Sancha, mulher do Rei D. Fernando. Quando, no século XII, este espaço foi reformado, converteu-se numa dependência do palácio da Infanta Sancha Raimúndez. Mais tarde, converteu-se numa capela - a de Santa Cruz; no século XVI, passou a Sala Capitular e, desde 1962, alberga o Museu de Ourivesaria, também conhecido como Câmara de D. Sancha. A partir de 1982, esta antiga Tribuna passou a ser a sede do Museu ou Tesouro Capitular, com peças românicas muito valiosas.

 

De entre o acervo do Museu, que também é chamado Tesouro, na Câmara de D. Sancha, podemos observar as peças mais importantes e representativas, entre outras:

 

• Num espaço de destaque, numa pequena sala anexa, o Cálice de D. Urraca, também conhecido como o Santo Graal. Para o leitor(a) se inteirar, mais profundamente, sobre a importância histórica desta peça, bem assim sobre “A Capela Sixtina do Românico”, recomenda-se, vivamente, a atenção e o visionamento destes vídeos: https://www.youtube.com/watch?v=yeBB3MNnfjs; https://www.youtube.com/watch?v=UcVFWJvUiEE e https://www.youtube.com/watch?v=g2EUFUqhJac.

Q1VMVFVSQSAvIFNBTiBJU0lET1JPIC8gQ0FMSVogREUgRE/RQSBVUlJBQ0EgLyBTQU5UTyBHUklBTCAvIFZJVFJJTkEgLyBWSVRSSU5BUyA=

• A Arqueta de Santo Isidoro;

• A Arca de Marfins;

• O Portapaz de marfim;

• A Arca de Esmaltes com a representação da Crucifixão de Cristo e o “Pantocrátor”;

• O Lignum Crucis;

• A Cruz de Altar de Enrique de Arfe;

• Um tríptico renascentista representando a Anunciação, a Visitação, a Adoração dos Reis Magos e o Calvário;

• O Pendão de Baeza, do século XIV.

 

b3).- Galeria

 

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Para conhecer um pouco a história deste lugar, uma das partes integrantes do Museu ou Tesouro, nada melhor do que, uma vez mais, ler atentamente a o artigo citado da Wikipédia que fala sobre esta Colegiada e que, logo de início, fizemos referência.

 

Hoje em dia, este espaço contíguo ao Panteão Real, restaurado nos anos 60 do século XX, é também apelidado de Capela dos Arcos, sendo, atualmente, o Panteão dos Infantes, após a trasladação dos restos mortais de infantes reais e membros da nobreza leonesa de outros locais.

 

b4).- Claustro

 

Numa das capelas do Claustro principal desta Colegiada podemos observar duas importantes peças:

 

- O Galo catavento

 

24.- Leon_Colegiata_San_Isidoro_gallo_veleta

Foi, durante séculos, o Galo catavento da Torre de Santo Isidoro, o símbolo mais apreciado da cidade de Leão. Este Galo catavento estava situado no alto da Torre românica pertencente a esta Basílica de Santo Isidoro. Consta de três partes bem distintas: o galo, a esfera e o cone. Não se sabe a sua origem, nem a sua data. O único dado certo é que foi instalado na Torre no século XI.

 

O galo que se mostra na figura acima, é o autêntico, que está musealizadonuma capela do Claustro, em ambiente atmosférico adequado e protegido por uma vitrina, com a finalidade de investigadores e curiosos o puderem contemplar com comodidade. Para uma mais cuidada informação sobre esta interessante peça, consulte-se o artigo da Wikipédia sobre a designação “Gallo-veleta de la basílica de San Isidoro de León”.

 

Nos primeiros anos do século XXI, mais precisamente em 2002, levou-se a cabo a restauração, quer interior, quer exterior, da Torre. Uma das primeiras peças a ser retirada para restauro foi o Galo catavento. Arqueólogos, historiadores e restauradores deram-se conta, nesta altura, quando o observaram, que estavam perante uma obra de excecional qualidade. Desta feita, o Galo catavento foi retirado da Torre para um estudo mais aprofundado deste objeto. Os estudos realizados - e até houve um congresso sobre este Galo - apontavam para uma data aproximada do seu fabrico - finais do século VI, começos do século VII -, embora o seu suporte seja de uma época mais tardia. Trata-se de uma peça persa-sasánida, anterior ao Islão.

 

O galo que hoje se vê no alto da Torre da Colegiada de Santo Isidoro é uma réplica em bronze fundido, com uma capa em ouro.

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- O Sino "Laurentina"

 

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O Sino, designado “Laurentina”, é o mais antigo de Espanha. É do ano 1086 e está exposto na mesma capela do Claustro onde se encontra o Galo catavento.

 

c) Arquivo-Biblioteca

 

24a-

(Pormenor do teto do Arquivo-Bilbioteca)

 

Trata-se de um edifício independente, construído nos finais do século XVI por Juan de Badajoz, o Moço.


Consta de dois espaços, situados sobre o teto do recinto que ocupa o vestíbulo de entrada da Basílica. Pode-se, hoje em dia, aceder-se a este espaço por meio de umas escadas em caracol, construídas nas costas do Panteão Real, ou então, desde o Claustro alto.

 

Este Arquivo contém uma excecional biblioteca, que comporta mais de 300 incunábulos; 800 pergaminhos e 150 códices. A peça mais importante é a Bíblia visigótico-moçárabe, do século X (960).

 

Para além desta obra, outras nos chamaram a atenção, como a Bíblia romana, do século XII; o Códice Morales de Job; o Chronicon Mundi; a obra de São Martinho, bem assim diversos cantorais, como o miniaturado por Nicolás Francés.

 

d).- A Torre

 

Mais conhecida por Torre do Galo,  e já acima a sua figura reproduzida, está situada no lado ocidental da Basílica, a seus pés. É quadrada e está oblíqua em relação à igreja. Forma parte da muralha romana, razão pela qual o seu primeiro corpo integra um “cubo” da mesma.

 

Para além deste corpo, possui mais três. O último é onde se localizam os sinos, com a cúpula arrematada pela já réplica do referido Galo catavento.

 

e).- Claustro

 

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Construído no século XI, foi o Claustro românico mais antigo e conhecido em Espanha. Nos dias de hoje apenas conserva a parte da Galeria, românica, que constitui o Panteão dos Infantes.

 

O segundo andar do Claustro tem planta barroca.

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A partir do século XVI, as diferentes capelas do Claustro destinaram-se a capelas mortuárias das diferentes famílias que tomaram sobre o seu patrocínio.

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Nos tempos de hoje, muitas dessas capelas, como já fizemos referência, integram espaços do Museu.

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Outras estão destinadas a serviços académicos e educacionais, bem assim o antigo refeitório, hoje sede da Cátedra de Santo Isidoro.

31a.- leon%20cuna02claro 

Este Claustro, ao longo dos tempos, foi palco de várias vicissitudes. De entre elas, existe uma que não podemos aqui deixar de referir. No começo do reinado de D. Afonso IX de Leão, celebraram-se aqui, no ano de 1188, as Cortes de Leão. Os seus “Decreta” foram reconhecidos pela UNESCO como “o testemunho documental mais antigo do sistema parlamentar europeu”. Em boa verdade, assim, este Claustro pode-se considerar o “berço” do Parlamentarismo.

 

Depois da iniciativa de D. Afonso IX de Leão, vários reinos europeus convocaram Cortes com a participação de representantes da cidade, como foi o caso do Reino de Inglaterra (27 anos depois, em Westminster) e que, até agora, com a sua “Magna Carta” tinha sido considerada como a ata fundacional do parlamentarismo ocidental.

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Foi aqui, neste lugar, que se deu o primeiro passo, e abriu-se caminho, em termos históricos, para que o Terceiro Estado participasse nas decisões do governo.

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Em conclusão, e parafraseando o artigo acima citado da Wikipédia sobre a Basílica de Santo Isidoro, “A Colegiada mostra-se, no século XXI, em todo o seu esplendor, tanto físico como espiritual [...] Goza, por outro lado, de uma vida intelectual muito intensa. O recinto [tal como a foto que se mostra]

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pertencente à Basílica é muito mais extenso do que o observador pode ver desde a Praça de Santo Isidoro, [e tal como a panorâmica, a 360º, que acima mostrámos]. Existem uma série de edifícios, alguns muito antigos que, com as sucessivas reformas, foram recuperados para serem utilizados, nomeadamente com fins educacionais".

 

Para os amantes da arte, uma explicação muito mais detalhada sobre a arte das diferentes componentes desta Colegiada de Santo Isidoro pode ser vista e explicada no artigo “Viajar con el Arte”, o qual se recomenda vivamente para um mais completo e aprofundado conhecimento da arte desta Colegiada.

 

Destilando arte, principalmente românica, por todos os poros do corpo, saímos do Museu/Tesouro desta Colegiada para fora, através da sua receção e pequena livraria.

 

Deste lado ocidental, donde saímos, observámos parte de um “cubo” da muralha romana

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e, com um sol radiante sobre o espaço urbano que lhe está contíguo,

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deambulámos, outra vez, pelas ruas e ruelas desta lindo Centro Histórico, passando pelo Albergue (Universitário) Unamuno,

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tendo-nos despertado, a dado momento, um aspeto do seu tradicional casario, cheio de cor e luz.

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Aproximámo-nos de um recanto típico de uma das suas ruelas.

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Aí parámos para fazer uma refeição mais substancial, pois o fim do dia já se aproximava.

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Voltámos, outra vez, à Praça de Santo Domingo (São Domingos), a placa giratória da nossa estadia em Leão e, Via São Marcos em frente, dirigimo-nos para o nosso alojamento.

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Outro dia nos esperava em Leão...

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Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

Chaves através da imagem - A ribeira dos "mil e um nomes"

 

 

CHAVES ATRAVÉS DA IMAGEM

 

A RIBEIRA DOS “MIL E UM NOMES”


Vou-vos mostrar a minha ignorância. E bem diz a sabedoria popular - aprender até morrer.

 

Vive-se numa terra e pensamos que dela, pelo tempo que nela vivemos, tudo sabemos. E, chega um dia, e o dito do filósofo Sócrates, o ateniense, apresenta-se-nos todo ele pleno de sabedoria - só sei que nada sei!

 

Pois é verdade! Vamos à pequena história...

 

Ao sairmos de Chaves, pela zona da Madalena, deparamo-nos com a “Ribeira do Caneiro”. Na Rotunda do Raio X, dirigindo-nos pela Estrada de Valpaços, e até São Lourenço, aparece-nos a indicação de “Ribeira das Avelãs” e, pouco mais acima, “Ribeira do Pinheiro”.

 

Hoje, indo com o amigo Queirós, a partir da Veiga, à procura de destroços de antigos moinhos da nossa terra, oiço-lhe mais os seguintes nomes - “Ribeira da Condeixa”; "Ribeira de Sampaio"; "Ribeira de Palheiros"; “Ribeira de Cabanas"... e sei lá quantas ribeiras, e seus respetivos nomes, andam por aí espalhados.

 

Mas, afinal, ele não são tantas ribeiras quantos os seus nomes. Trata-se simplesmente da mesma ribeira - hoje vi-lhe bem o seu traçado - que, consoante o seu curso de água passa pelos diferentes lugares, o "paisano" apoda-a com a toponímia do sítio.

 

Enfim, tanta riqueza (e quantidade) de nomes para um tão simples e singelo curso de água!

 

Contudo, se se trata de um simples e singelo curso de água, que vai desaguar a jusante da Ponte Romana de Chaves, pelas bandas do Caneiro, já a natureza por onde passa e a história que está ligada a esta pequena e singela ribeira tem muitas estórias para contar e descobrir: umas, verdadeiras; algumas, lendas; outras, simples conjeturas.

 

O pequeno percurso pedestre que hoje de manhã fizemos, conduzidos pelo amigo Queirós, despertou-nos a curiosidade não só de percorrermos o seu curso todo, desde a nascente até à foz, como também de tentar descobrir alguns segredos ou estórias que o curso desta buliçosa ribeira nos tem para contar.

 

Por hoje fiquemos apenas com uns simples “flashes”: por um lado, o aspeto que as águas desta primavera imprimiram a esta irrequieta ribeira, junto a um moinho;

2016 - Ribeira das Avelãs (Rui Queirós) (97)

por outro, um dos aspetos da sua paisagem, na sua borda ribeirinha

2016 - Ribeira das Avelãs (Rui Queirós) (68)

 

e, finalmente, três fotos, qual variação sobre o mesmo tema, das ruínas de um edifício, cujos magos, adivinhos, bruxos, curiosos, entendidos e, até, pesquisadores de ilustre nome, ainda não lhe descobriram a sua verdadeira função.

2016 - Ribeira das Avelãs (Rui Queirós) (61)

(Variação nº 1)

2016 - Ribeira das Avelãs (Rui Queirós) (38)

(Variação nº 2)

2016 - Ribeira das Avelãs (Rui Queirós) (39)

 (Variação nº 3)

 

 


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Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão (II) - La Pulchra Leonina

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO (II) - LA PULCHRA LEONINA

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Pouco mais de dez minutos foram precisos para, das instalações onde, durante dois dias, iríamos pernoitar, entrarmos na Praça Santo Domingo e, daqui, entrarmos no coração da cidade de Leão, através da “Calle Ancha”, a antiga Via Principalis, que levava ao acampamento romano da legio VII gemina, e darmos de frente com a Catedral de Leão.

 

Vejamos, antes, a panorâmica, a 360º, desta “Calle Ancha”.

 

Contudo, antes de entrarmos nesta “Calle Ancha”, dois edifícios nos chamaram a atenção. O primeiro, logo à nossa esquerda, que dá pelo nome de Casa Botines.

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A Casa Botines foi uma das três obras que Antonio Gaudí, catalão, fez fora de Catalunha. As outras duas foi a Villa Quijano, na cantábrica Comillas, mais conhecida por “El Capricho de Comillas” e o Palácio Episcopal, de Astorga.

 

A Casa Botines, um palácio neogótico, foi construído em 1891 como edifício de habitação e armazém de uma empresa têxtil pertencente à Casa Fernández y Andrés. Possui quatro pisos, um sótão e um átrio e está reforçada nas suas esquinas com quatro torres cilíndricas com pináculos.

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A entrada principal está guardada por São Jorge matando o dragão.

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Hoje em dia esta casa é propriedade da Caja España e, nela, habitualmente, fazem-se exposições.

 

Defronte a esta casa há uma escultura de Gaudí, sentado num banco, tomando notas. Não resistimos em nos sentarmos e pedirmos ao nosso companheiro de jornada que nos tirasse uma fotografia.

 

Contíguo à Casa Botines, imediatamente à sua direita,

00e.- 2016 - Camino del Salvador - León (419).jpg


vamos encontrar o segundo edifício - o Palácio dos Guzmanes -, uma das casas dd duas famílias mais nobres de Leão, (juntamente com os Quiñones), construído sobre um antigo palácio gótico mudéjar e que se encontra adoçado à antiga muralha.

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Trata-se de um bonito edifício renascentista, começado a ser construído em 1560, no qual se destaca a porta da fachada principal do século XVI, com colunas jónicas.

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Demos uma pequena olhadela ao seu claustro interior.

00h.-2016 - Camino del Salvador - León (635).jpg


E continuámos “Calle Ancha” acima até à Praça de la Regla, local onde se situa a Catedral.

 

Aqui chegados, ficámos admirados com a imponência deste monumento! Nossos olhos foram apreciando os edifícios que, do lado ocidental e norte, ladeiam a catedral, como sejam, a Casa Museu Pambley e o edifício que lhe está adoçado,

02.- 2016 - Camino del Salvador - León (73) Museo


bem assim, do lado sul, a respetiva Fachada da catedral,

03.- 2016 - Camino del Salvador - León (483).jpg

tendo, quase à sua frente, o edifício do Paço Episcopal.

04.- 2016 - Camino del Salvador - León (321).jpg

 
Sentados num dos bancos existentes na Praça da Catedral fomos, mentalmente, recapitulando a sua história.

 

A Catedral de Leão, ou de Nossa Senhora de la Regla, é, na verdade, um dos ícones mais notáveis da cidade.

 

Trata-se de um edifício gótico, do século XIII, e, positivamente, “the most «French» of the big Gothic spanish Cathedrals”, na qual são bem visíveis a influência que, principalmente, as catedrais de Reims, Amiens e Chartres, tiveram na sua construção.

 

Como é que tudo começa?

 

No século X, durante a Reconquista Cristã, Ordoño II, recém-nomeado Rei de Leão, tendo obtido uma importante vitória contra os árabes, na batalha de Santo Estêvão de Gormaz, decidiu construir, como ato de agradecimento a Deus, uma Catedral.

 

A Catedral que, com Ordoño II, começou a ser construída, tem seu assento e origem sobre umas termas romanas do século II, onde se encontrava o acampamento (militar) da Legio VII Gemina, e mesmo pegado a umas das suas fachadas, quer na adaptação do seu palácio real para templo.

 

Contudo, a Catedral que temos hoje à nossa frente passou por várias vicissitudes e etapas, antes de se converter no magnífico templo religioso que é hoje.

 

Na verdade, a atual basílica, tendo como base o antigo Palácio de Ordoño II, só anos mais tarde, com D. Urraca, irmã do defunto Ordoño II, é que começou a iniciar-se, de traça românica, convertendo-se num templo de acordo com as aspirações da cristandade da época (românica).

 

Simplesmente, deixando para trás aquelas etapas e vicissitudes pelas quais esta Catedral passou, nomeadamente, quer com Pelaio II, quer com Afonso VI, o certo é que o levantamento da Catedral atual, que, como já afirmámos, apresenta um depurado gosto do estilo gótico francês, só começou a ser efetivamente construída a partir do ano 1205.

 

É desde essa altura que se começam a erigir, primorosamente trabalhados, os Pórticos que hoje em dia vemos; os coloridos vitrais; as gloriosas e flamejantes rosetas; um dos mais antigos coros de Espanha e as esculturas de grande beleza, como a Virgem da Esperança,

04a.- 2016 - Camino del Salvador - León (242).jpg


dando, estas características, a fama, o brio e a imagem impressionante que esta Catedral tem.

 

Em 1255, sob o patrocínio do bispo Martín Fernández, e com o apoio do Rei Afonso X, o Sábio, a obra do templo consegue financiamento para a sua efetiva construção, tendo, como seus principais obreiros, três mestres: Simón (de origem francesa); Enrique (que também participou na construção da catedral de Burgos e que, dizem, ser também de origem francesa, tendo sido responsável pelas obras até 1277) e Juan Pérez.

 

A origem francesa dos seus primeiros construtores explica a razão do aspeto gótico francês tão característico desta Catedral.

 

Os acrescentos que, ao longo dos tempos lhe foram feitos, descaracterizaram-na um pouco, tendo perdido a sua pureza original.

 

a).- O Exterior da Catedral

 

Para além da Torre dos Sinos - a primeira a ser acabada - e a Torre do Relógio - terminada quase 100 anos depois -, o que mais nos desperta nesta catedral é o seu Fachada Principal (ocidental), do século XIII, e que dá acesso ao templo.

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É, a partir dos Pórticos, aliás como em muitos outros templos, que se faz a catequese.

 

O Pórtico Central, da Fachada Ocidental,

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com o seu parteluz, tem a réplica da Virgem Branca, uma imagem no mais puro estilo gótico leonês, e cuja imagem original se encontra numa capela no interior da Catedral,

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é dedicado ao Juízo Final; o Pórtico da esquerda, a São Francisco, e o da direita, a São João Batista, com temas do nascimento de Cristo.

 

Todos eles conservam a talha muito bem cuidada, com passagens bíblicas, esculturas de apóstolos e reis, figuras que sobreviveram, mais ou menos incólumes, ao longo dos tempos.

 

Na parte superior da Fachada Principal pode-se observar a Grande Roseta Central, cujo vitral é do século XIII, vista do seu interior.

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Na Fachada Sul, que é visível ao longo de toda a “Calle Ancha” (a antiga Via Principalis romana), conta também com três Pórticos, como vimos na figura acima já reproduzida: o Pórtico da esquerda, é mais conhecido pelo Pórtico da Morte, porquanto nele está representado um esqueleto, para além de mostrar decoração heráldica; o Pórtico Central, mais conhecido pelo nome de Sacramental, tem imagens de Cristo com o Livro da Lei, rodeado de ícones teromorfos, e evangelistas escrevendo sobre mesas; entre o Pórtico da Morte e o Sacramental, no parteluz, está representada a imagem de São Froilán, patrono da diocese de Leão. O Pórtico de São Froilán, situado no extremo direito da Fachada Sul, é inteiramente dedicado a São Froilán, mostrando imagens relativas à vida do santo, sua morte e trasladação das suas relíquias para a Catedral de Leão.

 

Antes de entrarmos no interior da Catedral, deixamos aos leitores mais curiosos e amantes destes monumentos e desta Catedral uma panorâmica da mesma a 360º, vendo o entorno da mesma, com a Praça da Regla e os edifícios que a contornam e mais dois vídeos, (https://www.youtube.com/watch?v=bSJAO801KFY e https://www.youtube.com/watch?v=H1VQsUeAbWw&feature=plcp) mostrando-nos - e explicando-nos - os conteúdos escultóricos da Fachada Ocidental e Sul.

 

b).- O Interior da Catedral

 

No interior da Catedral pode-se disfrutar das diferentes cores que se desprendem dos 125 vitrais, que ocupam uma superfície aproximada de 18 mil metros quadrados, inundando de luz as três naves, o cruzeiro, o coro e o deambulatório com as suas capelas radiais.

 

O efeito da pedra clara com os deslumbrantes raios de sol que se infiltram pelos vitrais

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 (Vitral I)

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 (Vitral II)

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 (Pormenor de um vitral)

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 (Vitrais do alter-mor)


dão razão ao apodo deste templo - A Catedral da Luz.

 

A Catedral possui o coro de silharia, em madeira de nogueira, mais antigo de Espanha, feito por artistas flamengos, com imagens gravadas e relacionadas com figuras do Antigo Testamento.

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No altar-mor realça-se o retábulo, obra de Nicolás Francés, elaborado na metade do século XV, uma mistura de estilo gótico internacional e gótico flamengo, no qual se representa a vida de São Froilán, a trasladação do seu corpo, através de um carro de bois, e a apresentação da Virgem no Templo. Aos pés do retábulo, pode-se ver um relicário de prata com as relíquias de São Froilán.

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No centro do retábulo, Nossa Senhora de la Regla.

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Finalmente, um outro elemento a destacar na Catedral são as distintas esculturas funerárias e sepulcros, muitos deles recuperados da antiga catedral românica. Entre eles podem-se observar o do Rei Ordoño II de Leão, perto do altar-mor, o do bispo D. Rodrigo, o sepulcro de Martín, o “zamorano” e, conforme figura abaixo mostra, o sepulcro de Martín Fernández.

15.- 2016 - Camino del Salvador - León (222).jpg

 
Deixa-se aqui ao leitor mais uma vista panorâmica, de 360º, da entrada interior da Catedral, do sepulcro de Ordoño II de Leão e um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=YeGrFZRR470) com uma perspetiva geral do interior da Catedral, em particular dos seus belos vitrais.


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Terça-feira, 17 de Maio de 2016

Por terras da Ibéria - Leão (I)

 

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

LEÃO - Espanha (I)


Vários povos, ao longo dos tempos, passaram e ocuparam esta península a ocidente da Europa, a que chamamos Ibéria.

 

Concretamente, no território que hoje nós, portugueses, ocupamos, vários povos e civilizações por aqui passaram, deixando-nos o seu legado do qual nós somos os seus lídimos representantes.

 

Destacamos, em particular, e principalmente, para além dos pré-históricos longínquos, os povos castrejos, os suevos, os visigodos, os romanos e os árabes.

 

Naturalmente hoje, o povo que somos, não provém de uma só e pura raça. É uma profunda, prolongada e rica miscigenação de povos, acrescida daqueles que vieram, quer com a nossa Expansão Ultramarina, quer, mais recentemente, com a nossa Diáspora pelos quatro cantos do Mundo.

 

Contudo, o Portugal político que hoje somos, formou-se no “caldo” das lutas da Reconquista Cristã contra o dito infiel que veio do sul, com as Cruzadas e no contexto das lutas feudais dos recém-criados reinados cristãos na Península.

 

O reinado das Astúrias, de Leão, da Galiza, de Castela, de Navarra e de Aragão, neste período, foram a matriz, o cadinho primordial, a partir do qual o condado portucalense se transformou em reino de Portugal.

 

Há, por isso, uma espécie de cordão umbilical que nos liga, principalmente, quer a Astúrias, quer à Galiza, quer a Leão.

 

O ensejo de percorrermos o Caminho (jacobeu) do Salvador que, de Leão, nos levou até Oviedo, foi, para nós, uma oportunidade não só de nos embrenharmos num território que foi a guarda avançada e palco primordial de luta pela Reconquista Cristã, bem assim o berço dos reinos cristãos nascentes que iriam constituir a Ibéria que hoje somos.

 

Foi também o de melhor conhecermos os seus recônditos lugares que serviram de defesa e de refúgio na luta contra o invasor do Magrebe.

 

O de melhor percebermos o significado e o contexto da salvaguarda das relíquias dos santos e mártires daquela cristandade pujante e, por via delas, compreendermos os diferentes percursos das peregrinações que a elas acolhiam para as venerar, tendo como expoente máximo as “relíquias” de Santiago, o Maior, veneradas no Campus Stela (Santiago de Compostela).

 

O de melhor aquilatarmos da importância dos nobres e cavaleiros que, juntamente com os dignatários de uma igreja já poderosa, intimamente ligada aqueles nobres, e, por isso, muito forte em termos de poder temporal, foi capaz de, por si, determinar o destino de nobres e reinos, em lutas intestinas uns contra os outros.

 

Serviu de pretexto, enfim, este percurso para melhor aprofundarmos a nossa história passada para melhor conhecermos e compreendermos a presente.

 

Em suma, por caminhos, estradas, sendas, bosques, colinas, vales e picos, aqueles trilhos e veredas, desta nossa tão diversificada Ibéria, no quilómetro a quilómetro percorrido, levou-nos a melhor conhecer o torrão donde provimos, apreciando-o, contemplando-o, quer no seu aspeto natural, quer cultural, quer social, ou seja, por ele, encontrámo-nos, cada vez mais e melhor, connosco próprios, em todas as dimensões.

 

O Caminho (jacobeu) do Salvador, que nos levou de Leão a Oviedo, não foi, para nós, um caminho de fé. Foi um caminho que nos interrogou sobre a fé, sobre a natureza e a razão de ser dos povos, em definitivo, e, essencialmente, nos mais elevados dos picos a que acessámos, contemplando todo o seu entorno, nos interrogou constantemente sobre a natureza e o percurso do ser humano.

 

***

 

Se a memória não nos falha, foram poucas as oportunidades que tivemos de conhecer uma cidade que está tão intimamente ligada à criação da entidade política que é hoje Portugal e, em especial, a Chaves, a Aquae Flaviae dos romanos.

 

Por isso, antes de efetuarmos o Caminho do Salvador, fizemos questão de nos demorar um pouco mais nesta cidade de Leão.

 

Para a conhecermos o que é hoje.

 

Para melhor aprofundarmos o seu passado, a partir dos vestígios materiais que, perdurando, por si e pelos homens, nos chegaram até hoje.

 

É o que iremos fazer nos posts que se irão seguir.

 

Começando pela nossa partida, desde a estação de comboios de Ourense

2016 - Camino del Salvador - León (5)-2.jpg


até, durante mais de quatro largas horas, com uma paragem mais demorada em Monforte de Lemos, chegarmos a Leão, à estação de comboios, atravessando a sua Ponte dos Leões,

2016 - Camino del Salvador - León (12)-2.jpg

passando pela Praça de Guzman, El Bueno,

2016 - Camino del Salvador - León (15).jpg

entrando na Avenida Ordoño II, passando pelo edifício do Ayuntamiento de Leão,

2016 - Camino del Salvador - León (20).jpg

pela Praça de Santo Domingo,

2016 - Camino del Salvador - León (25).jpg

pela Praça da Imaculada,

2016 - Camino del Salvador - León (34).jpg

até que penetrámos na Gan Via de San Marcos,

2016 - Camino del Salvador - León (35).jpg

onde previamente tínhamos reservado o nosso alojamento.

2016 - Camino del Salvador - León (37).jpg

(Imitando os vitrais da Catedral)

Ocupado o alojamento e ambientados ao meio, saímos das instalações onde, durante dois dias iríamos pernoitar, para fazermos um primeiro reconhecimento do centro histórica desta tão antiga cidade. Contudo, essa reportagem será objeto de outros posts.


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Sábado, 14 de Maio de 2016

Versejando com imagem - Oviedo e La Regenta

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

OVIEDO E LA REGENTA

 

 

Oviedo y la Regenta


En la novela se cuentan
de manera magistral,
a través de la Regenta,
ecos de la sociedad:
una historia que se ambienta
en Oviedo, la ciudad
que hoy orgullosa recuerda
su figura singular.
El lector que hasta aquí venga
y vaya a la Catedral,
a la Regenta se encuentra
en escultura inmortal.

(José García Velázquez)

Cangas de Onís, 25 de abril de 2.015

 

2016 - Camino del Salvador-8ª etapa (452).jpg

La Regenta narra a vida de Ana Ozores, uma formosa mulher cheia de sentimentos e paixões, presa numa sociedade hipócrita e conservadora de Vetusta, nome literário de Oviedo. Recorda outras heroínas de novelas do século XIX como Emma Bovary ou Ana Karenina, mulheres insatisfeitas, que querem fugir de elas mesmas e do seu destino, que sabem que o matrimónio equivale a uma condenação à esfera privada e a subordinação ao marido, mas também sabem que a rejeição do matrimónio só lhes pode oferecer uma alternativa - o convento.

 

La Regenta é uma novela do escritor Leopoldo García-Alas y Ureña, cujo seu pseudónimo literário era «Clarín». Clarín, nasceu em Zamora, mas viveu toda a sua vida em Oviedo.

 

Sobre esta novela - La Regenta - Mario Vargas Llosa considera-a a melhor novela espanhola do século XIX. Muitos outros autores comparam-na a Madame Bovary, de Flaubert e Ana Karenina, de Tolstói.

 

Entre as centenas de personagens que nela podemos identificar, retratando-nos uma sociedade provinciana conservadora, quatro personagens principais nela se destacam, fazendo o núcleo da sua trama: Ana Ozores, uma jovem casada por conveniência com o velho Víctor Quintanar, regente da Audiencia (tribunal, de Vetusta; por isso, o nome de La Regenta); Fermin Pas, cónego, El Magistral da Catedral e confessor de La Regenta e Álvaro de Mesía, um don juan e chefe político liberal local.

 

Esta obra, no seu tempo, passou despercebida e, com o franquismo, foi proibida. Só na década 70 do século passado é que passou ao cinema, com uma versão que nos parece relativamente pobre e, na década 90 do mesmo século, a Rádio Televisão Espanhola (RTVE) transformou-a numa telenovela, a três capítulos, dirigida por Fernando Mendez-Leite, em que a figura de La Regenta, na nossa modesta opinião, foi magistralmente interpretada pela atriz Aytana Sanchez-Gijon, uma hispano-italiana.

 

Contudo, mais que o enredo e as imagens, quer do filme, quer da telenovela, o leitor, se quiser conhecer a sociedade não só de Vetusta (Oviedo) mas da época da Restauração espanhola (e europeia) do século XIX, não pode dispensar a leitura completa da obra de Clarín, na qual, a “infinita aspiração amorosa da alma em diária luta com um mundo corrompido, mistura, transtroca e avilta o apetite da carne e a ansiedade de Deus”.

 

Mauro Álvarez Fernández é o autor da estátua que, parcialmente, se reproduz na foto que acima apresentamos, integrada no espaço real onde a novela se desenvolve, ou seja, em Oviedo, na sua Catedral.

 


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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Memórias de um andarilho - Caminhada na Linha do Corgo - Sabroso-Vila Pouca de Aguiar

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO CORGO


(Limite do concelho de Chaves - Vila Pouca de Aguiar)


Dizíamos, na nossa última reportagem sobre a caminhada no antigo troço da linha do caminho-de-ferro do Corgo, que, a páginas tantas, abandonámos o troço da linha, junto ao Armazenamento e Distribuição de gás da Galp, e descemos para a EN nº 2, no limite do concelho de Chaves e início do de Vila Pouca de Aguiar.

 

A etapa de hoje, que nos levará até Vila Pouca de Aguiar, e que contou com mais uma caminheira, para além dos três habituais, começou exatamente no mesmo sítio onde tínhamos acabado a anterior, ou seja, no limite do concelho de Chaves e início do de Vila pouca de Aguiar, no dia 17 de outubro de 2010. Da EN nº 2 subimos o monte que nos levou a “encarreirar” com o troço da antiga linha e, de imediato, dirigimo-nos para Sabroso de Aguiar.

 

Eis o estado em que encontrámos as instalações que foram da antiga linha do Corgo nestas paragens.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 012.j

Uma verdadeira desolação!

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 014.j

 
Aliás como as habitações que estão na sua envolvente.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 018.j

 
O terreno aqui é completamente plano, em plena veiga de Sabroso. Assim, em muito pouco tempo, entrávamos nas Pedras Salgadas.

 

Pedras, terra do granito e das águas, faz jus aos seus recursos naturais engalanando a sua rotunda, de quem vem de Chaves, com uma sugestiva torneira, vertendo constantemente água.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 024.j


Aqui, nas Pedras, já não se vê nenhum trilho que ateste a passagem do comboio, contudo, alguns daqueles que foram os seus utensílios ou artefactos mais emblemáticos do comboio a vapor aqui permaneceram, restaurados, tal como a sua estação, para testemunhar a passagem da linha do Corgo.

 

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 030.j

 (Artefacto I)

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 078.j

  (Artefacto II)

Nas imediações da estação, e junto a um parque infantil, parámos para fazermos o suplemento do nosso pequeno-almoço.

 

Enquanto a Ana e o Tó Quim falavam sobre um burro que, nas imediações dos terrenos pastava, tomando também o seu “pequeno-almoço”, nós olhávamos para o horizonte mais longe, vendo deslizar as viaturas pelo asfalto da A24.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 080.j


Continuámos caminho, e, acompanhados por habitações modestas e um ou outro gado que, por ali andava pastando, bem assim por velhas placas que indicavam que por aqui havia um cruzamento na linha,

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 093.j

íamos observando o entorno.

 

Estávamos na época das colheitas, daí não admira que parássemos, aqui e ali, ora para observar uma pequena vinha ainda não vindimada,

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 130.j

 
ora vendo umas coradas maças a pedirem que as apanhássemos,

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 133.j


ou ainda um ou outro castanheiro, poucos, mostrando os seus ouriços.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 134.j


Até que passámos em Nuzedo e nos fixámos nestas antigas instalações da linha

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 144.j

 
e reparámos num dos seus espigueiros

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 150.j


e numa humilde habitação com uma latada de videira à sua frente.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 156.j


Já muito próximos de Vila Pouca de Aguiar, esta fonte, correndo água cristalina, mas denotando um certo abandono e pouco asseio do lugar.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 166.j

 
Nas suas imediações, este talhão de bonitas couves, a lembrar-nos que bem vinha a calhar um bom caldo de couves...

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 171.j

 
E, na entrada da Vila, este cartaz de propaganda eleitoral.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 179.j


Ao entrarmos em Vila Pouca de Aguiar, na sua rotunda, esta bonita escultura, lembrando-nos, uma vez mais, tal como nas Pedras, que estamos em território do bom e bonito granito,

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 183.j

 
aproveitado também para nos mostrar um belo desenho na relva do escudo do seu concelho.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 184.j

 
A partir daqui, nas imediações das instalações desportivas da Vila, já não se vê qualquer vestígio da linha.

 

Tudo aqui foi urbanizado,

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 191.j


sendo o casario e as rotundas que imperam.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 203.j

 
Apenas sabemos que por aqui passava a linha porque, mais à frente, as instalações da antiga estação ali estão, adaptadas a Centro Cultural, tendo, nas suas imediações, uma bonita e sugestiva escultura em ferro.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 208.j

 
E, chegados a Vila pouca de Aguiar, tínhamos cumprido com o nosso objetivo do dia, andando sensivelmente mais que dez quilómetros, e esperando os quatro, em amena cavaqueira, pela “taxista de serviço”, que nos viesse buscar, depois de feita a devida comunicação telefónica.

2010 - Caminhada limha CP Sabroso-Vila Pouca 216.j


publicado por andanhos às 16:22
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2016

Ao Acaso - "La Vieja Negrilla"

 

 

AO ACASO...


Circunstâncias várias, e de força maior, que não cabe aqui escalpelizar, afastaram-nos, desde 26 de fevereiro passado, do convívio com os nossos leitores.

 

Felizmente que, agora, estão reunidas as condições para reatarmos a edição das nossas rubricas, embora não com tanta frequência como desejaríamos.

 

Praticamente reabilitado, deixámo-nos embarcar numa “onda” que, sabíamos, ser “empreitada” difícil.

 

Como não somos de fugir a um desafio quando se trata de caminhar, aceitámos a proposta.

 

Embora com certo receio - e algumas condições prévias - aceitámos o desafio que Florens, nosso sobrinho, nos propôs: fazer o Caminho (Jacobeu) do Salvador, entre León e Oviedo, numa distância de 125 a 130 quilómetros, atravessando a Montanha Central da Cordilheira Cantábrica.

 

Quando pensávamos, pela nossa parte, que os Caminhos de Santiago estavam todos percorridos, eis que aparece mais este! E, porventura, de todos os que havíamos feito, o de dificuldade mais elevada.

 

Uma das condições prévias era que - a fazê-lo - teria de ser feito “de espacio”, ou seja, devagar, ao correr das nossas atuais possibilidades e em conformidade com a logística, quer de alojamento, quer de alimentação, que o “terreno” nos oferecia.

 

E assim aconteceu. Não se tratou de uma cavalgada, percorrendo quilómetros sem fim por dia, outrossim, um verdadeiro passeio pela natureza agreste e dura que são os caminhos da Cordilheira Cantábrica.

 

Como o início do nosso percurso era León, aproveitámos a oportunidade para, ficando um pouco mais de tempo nesta cidade, a conhecermos melhor e compreender, em maior profundidade, a ligação histórica que León tem com Chaves, a antiga Aquae Flaviae.

 

Deambulando com o meu companheiro de jornada pelas ruas, monumentos e praças daquela linda cidade espanhola, ao acaso, na Praça Santo Domingo, demos com esta intrigante escultura.

2016 - Camino del Salvador - León (29).jpg

Trata-se de “La vieja negrilla”, do escultor Amancio González Andrés.

 

No El Mundo, de 9/01/2012, vem a explicação do nome dado à escultura, assim, em tradução livre:
“«La vieja negrilla» é, sem dúvida, a estátua mais estranha e humana de León. E também a mais solicitada pelos seus cidadãos/munícipes e turistas para tirar fotos junto dela. Os mais pequenos encantam-se com ela - algo que “emociona”, na verdade, a Amancio González, o artista que a criou - e muitos jovens e adolescentes converteram-se em lugar de reunião e encontro, dando-lhe nomes como “el ogro”, “el gigantón”... (...) O escultor conta que o nome «Vieja negrilla” o tomou de uma árvore gigante que há em Villahibiera de Rueda, o povo da sua infância, e que na realidade é um olmo, mas aqui, em León, aos olmos chamam-lhe negrilhos [tal como também entre nós] e, quando algum deles cresce muito, então, chamam-lhe «negrilla» (...)”.

 


publicado por andanhos às 19:44
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